Inteligência Económica


O jornal Financial Times divulgou esta madrugada um documento que contém as duas condições fundamentais para o segundo pacote de resgate à Grécia passar no Eurogrupo (reunião dos ministros das Finanças dos membros da zona euro) e ter o visto positivo da troika, com vista à sua implementação. O documento estará a circular entre os ministros das Finanças dos membros da zona euro. Na próxima segunda-feira reúne uma cimeira europeia informal.

A primeira é que os rendimentos do estado grego deem total prioridade ao pagamento futuro do serviço da dívida. E a segunda que o parlamento grego transfira a soberania sobre o orçamento do país. O documento apelida as condições para este segundo Memorando de Entendimento (MoU, no acrónimo em inglês) como “elementos de inovação institucional”. E conclui: “Só se e quando forem implementadas, o novo programa poderá começar”. O documento pretende que as duas condições, classificadas como “mecanismo de vigilância”, passem a documento legal, “de preferência através de uma emenda constitucional”. As exigências são atribuídas a um diktat da Alemanha.

A primeira condição dita que os rendimentos do estado são para ser usados prioritariamente para pagar o serviço futuro da dívida contraída junto dos emprestadores internacionais (a troika) e dos credores privados que assinarem o acordo de reestruturação da dívida. “Só o remanescente poderá ser usado para financiar os gastos primários”, escreve-se. O objetivo da medida: “a eliminação de facto da possibilidade de incumprimento”, ou do uso da ameaça política de incumprimento por parte do governo grego. O documento exige que o Parlamento grego apoie esta exigência e que a torne lei.

A segunda condição é que o ajustamento, – a consolidação orçamental – seja controlado por novas disposições, em que a sua soberania é transferida para “o nível europeu por um certo período de tempo”. Para o efeito um “comissário do orçamento” será nomeado pelo Eurogrupo, com poderes para vetar decisões e assegurar que é cumprida a prioridade estabelecida na primeira condição.

Deitar gasolina para a fogueira

Vários analistas estão a interpretar estas exigências como um encostar à parede do governo e do parlamento gregos e um convite a este membro da zona euro sair da moeda única, além de outras eventuais consequências políticas.

A divulgação deste documento surge no momento em que as negociações entre Atenas e os credores privados da dívida ainda prosseguem, em virtude de um braço de ferro entre as exigências da última reunião do Eurogrupo de segunda-feira passada e os limites até à data aceitáveis pelos credores privados, e em que as reuniões entre a troika e o governo de Atenas sobre o andamento do cumprimento do Memorando de Entendimento chegaram a uma rotura na sexta-feira em torno de dois pontos politicamente sensíveis: o corte do salário mínimo (que é de €863 por mês, se o valor anual for dividido por 12 meses), alegando que é “mais alto do que em Portugal [€566*] e em Espanha [€748]“, e a eliminação de dois subsídios equivalentes a mais dois salários anuais no sector privado. Segundo o jornal grego Kathimerini, a troika teria inclusive rejeitado as propostas alternativas feitas pelos sindicatos e pelas patronais gregas.

Nota:* Na mesma lógica de valor mensal se o valor anual for dividido por 12 meses. O salário mínimo em Portugal é de €485 mas multiplicado por 14 meses.

Agenda grega

A Grécia tem um momento crítico em março quando vencem €14,5 mil milhões da dívida. Para evitar um evento de crédito nesse momento, o acordo com os credores privados deverá ser firmado antes de 15 de fevereiro, disse ontem o ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos.

O primeiro-ministro grego, o “tecnocrata” Lucas Papademus, reúne ainda sábado com a troika e no domingo com os líderes políticos que suportam a coligação tripartida que deu forma ao governo. Segunda-feira reúne-se em Bruxelas a cimeira europeia informal. As negociações sobre o acordo de reestruturação da dívida prosseguem na próxima semana. Eleições legislativas estão previstas para abril.

Nas últimas duas semanas, a probabilidade de incumprimento (risco de default) da dívida portuguesa não tem parado, desde que galgou o patamar dos 65% a 17 de janeiro.

A meio da manhã de sexta-feira, o risco de default num horizonte de cinco anos atingiu um pico de 70,9%, segundo os dados intercalares da CMA DataVision. No novo relatório da situação, ao final da manhã, o risco descera ligeiramente para 70,47% e chegara mesmo a um mínimo de 69,90%, para voltar a subir e fechar em 70,53%.

A continuação das negociações em torno da reestruturação parcial da dívida grega, ainda sem acordo, e a decisão da agência Fitch de proceder ao corte de notação de cinco países da zona euro, entre eles Itália e Espanha, duas grandes economias “periféricas”, pesou no clima de final do dia no mercado dos credit default swaps (cds).

A título de exemplo, a Grécia, que atravessa uma situação de alto risco de um evento de crédito (eventualmente um default selectivo),está com a probabilidade de incumprimento em 82,51%, apenas cerca de 12 pontos percentuais acima.

O fosso em relação à Irlanda, o terceiro país da zona euro com um plano de resgate, é, agora, de quase trinta pontos percentuais. Ou seja, a diferença entre o segundo lugar para Portugal no TOP 10 da bancarrota e um sétimo lugar para a Irlanda. A Grécia, naturalmente, continua a liderar esse “clube”.

Pela primeira vez, o custo dos credit default swaps a 5 anos- seguros contra o risco de incumprimento, conhecidos pelo acrónimo cds – esteve a meio da manhã acima de 1450 pontos base. Ao final da manhã, desceu ligeiramente para 1436,17 pontos base e viria a fechar o dia em 1436,87 pontos base. O que significa que por cada 10 milhões de dólares segurados contra o risco de default, o tomador do seguro tem de pagar cerca de 1,44 milhões de dólares de prémio.

Em sete dias o que a Grécia percorreu em um mês

A evolução ao longo de janeiro é elucidativa: o risco de incumprimento fechou o primeiro dia de negociação do ano com 60,6% e 1075 pontos base de custo dos cds e ontem fechou com 68,69% de risco e 1365,30 pontos base.

A Grécia galgou a barreira dos 65% a 18 de abril de 2011 e o patamar dos 70% foi atingido a 24 de maio do mesmo ano. O que a Grécia fez em um mês, Portugal percorreu em sete dias úteis.

Pela primeira vez, a agência de informação financeira Markit, refere que os cds para a dívida portuguesa a 5 anos já estão a receber cotações em “pontos à cabeça” (points upfront, na designação técnica), ou seja, o tomador de um cds tem de pagar à cabeça um certo valor em função de uma escala que vai de 0 a 100. Nessa escala, segundo a Markit, os cds soberanos estavam com uma cotação de 39 pontos à cabeça, enquanto a Grécia estava com 63,1.

As yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português fixaram hoje novos máximos históricos desde a adesão ao euro nos prazos a 3, a 5 e a 10 anos, segundo dados da Bloomberg. Os juros subiram em todas as maturidades, e no prazo a 6 anos ficaram ligeiramente abaixo do máximo fixado ontem.

Os juros das OT a 3 anos atingiram pela primeira vez os 21%, fechando em 21,11%, acima do máximo anterior de 20,9% de 18 de julho do ano passado. O stresse nestes prazos menores está de novo a afirmar-se. No caso das OT a 2 anos, os juros subiram para 17,18%, ainda a alguma distância do máximo de 20,36% em 18 de julho do ano passado.

Quanto aos juros das OT a 5 anos fixaram um novo máximo em 19,82%. O caso mais emblemático ocorreu hoje com os juros das OT a 10 anos, que, em geral, servem de referência para comparações – pela primeira vez fecharam acima da barreira dos 15%, em 15,22%. A 2 de janeiro, no primeiro dia de negociação do ano, fecharam em 13,36%.

Já depois do fecho do mercado secundário da dívida na sexta-feira (27 de janeiro), a agência de notação Fitch anunciou o corte de rating de cinco países da zona euro e a colocação em perspetiva negativa (ou seja 50% de probabilidade de haver novo corte num horizonte de dois anos) de seis países da moeda única.

Apesar dos cortes de notação nenhum dos cinco países foi colocado em situação de dívida especulativa (vulgo junk status, o que costuma ser traduzido por “lixo”) – o Chipre escapou a descer para esse nível, passando de BBB para BBB- e a Irlanda não levou nenhum corte, mantendo-se em BBB+.

Itália e Espanha em foco

A Espanha desceu de escalão, do duplo A para o A simples, mais especificamente de AA- para A, uma quebra de dois níveis. No caso de Itália, a baixa foi, também, de dois níveis dentro do escalão A – Roma viu a notação da dívida passar de A+ para A-.

As razões para estes dois cortes mais importantes prendem-se à dinâmica da dívida em Itália e às perspetivas negativas económicas e orçamentais de Espanha.

Estes dois casos – Espanha e Itália – indiciam que o stresse no mercado secundário vai ampliar-se, podendo vir a exigir ainda mais atenção do Banco Central Europeu através do seu programa de aquisição de títulos soberanos aflitos, conhecido pela sigla SMP. O que deixará menos margem de manobra para acudir a outros fogos.

A Fitch cortou, ainda, a notação da Bélgica de AA+ para AA e da Eslovénia de AA- para A (neste caso com descida de escalão do duplo A para o A simples).

A agência de notação, dominada por um grupo financeiro francês, decidiu colocar em perspetiva negativa os seis países acima referidos.

Episódios de volatilidade severa vão continuar

A Fitch analisa o contexto global da zona euro mencionando que a sua apreciação se aplica também a França (que ainda mantém o triplo A, na classificação desta agência) e a Portugal (que está classificado com BB+, já em terreno de dívida especulativa).

Diz a agência: “Na ausência de maior clareza sobre a estrutura final de uma zona euro reformada no fundamental, a abordagem gradualista, adotada pelos políticos [europeus] em relação à reforma sistémica, continuará a ser pontuada por episódios de volatilidade financeira severa, acarretando um custo económico e financeiro que provoca uma erosão na qualidade de crédito das dívidas soberanas. Significa, também, que uma ‘fragmentação’ da zona euro não pode ser totalmente colocada de parte, ainda que, na opinião da Fitch, o risco de uma eventualidade dessas continue diminuto”.

A agência não mexeu na classificação de triplo A da Alemanha, Áustria, Finlândia, França, Holanda e Luxemburgo, deixando os suportes do Fundo Europeu de Estabilização Europeia intactos. Ao contrário do que fez a 13 de janeiro a Standard% Poor’s que cortou o triplo A a França e Áustria.

Acto I matinal: As yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português estão em alta em todas as maturidades no mercado secundário. Nos prazos de 5, 6 e 10 anos já fixaram máximos intradiários. Veremos como fecham ao final do dia.

Os juros das OT a 6 anos (este prazo é a maturidade média da dívida soberana) atingiram um máximo, situando-se em 20,1%, segundo dados da Bloomberg, ao final da manhã.

Também, ao final da manhã, os juros das OT a 5 anos estão em máximos, ao atingirem 19,63%, e os juros das OT a 10 anos subiram para 14,98%, um novo máximo.

Os juros das OT a 3 anos subiram ao final da manhã para 20,85%, aproximando-se do máximo de 20,95% atingido em meados de julho de 2011.

Acto II: A probabilidade de incumprimento (default) da dívida portuguesa continua a bater recordes – subiu, ao final da manhã, segundo o balanço das 12H30 da CMA DataVision, para 67,69%, e ao final da tarde disparou para 69,4%. Acabaria por fechar em 68,69%, um novo máximo em valor de fecho, no último balanço do dia daquela agência de informação financeira. Na quarta-feira fechara em 67,05%.

Portugal liderou quinta-feira as subidas no indicador de probabilidade de default em mais de oito dezenas de países monitorizados pela CMA DataVision.

O custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento da dívida a 5 anos) atingiu um pico de 1390,37 pontos base ao final da tarde, e acabou por fechar em 1365,30 pontos base, um novo máximo de fecho.

Depois de ter ultrapassado esta semana a barreira dos 1300 pontos base – que fez notícia nos media financeiros mundiais -, o custo dos cds aproxima-se, agora, de novo patamar.

No mercado secundário da dívida, as yields (juros) das obrigações do Tesouro fixaram novos máximos nos prazos a 5, a 6 e a 10 anos, com valores de fecho de 19,45%, 20,37% e 14,8% respetivamente, segundo dados da Bloomberg.

Dublin surpreendeu quarta-feira (25 de janeiro) os mercados com o anúncio de uma oferta de troca de títulos soberanos a 2 anos no âmbito de uma dívida de €11,8 mil milhões que vence em janeiro de 2014. Os novos títulos têm a maturidade alargada para fevereiro de 2015. O Tesouro irlandês folgaria as costas um ano e um mês.

A National Treasury Management Agency (NTMA), que gere a dívida soberana, conseguiu convencer os detentores destes títulos num montante de €3,5 mil milhões. Dublin já não ia ao mercado da dívida desde setembro de 2010. A NTMA considerou positivo o facto de que 1/3 dos detentores dos títulos, em termos de valor, tenha aceitado a troca.

Os mercados da dívida encararam este resultado positivamente, diz a agência de informação financeira Markit. A probabilidade de default do ex-tigre celta baixou para 41,5% quinta-feira de manhã (no início da semana estava em 43%) e o custo de segurar contra o risco de incumprimento baixou para 620 pontos base, o nível mais baixo desde maio do ano passado.

O que o Tesouro irlandês propôs aos credores foi trocar títulos com prazo a 2 anos, que terminavam no começo de 2014, com um cupão de 4%, por novos títulos com prazo um ano depois com um cupão mais elevado, de 4,5%.

Um modo pouco ortodoxo, diz Constantin Gurdgiev (Trinity College)

“Não se trata de uma reestruturação de dívida. É um modo pouco ortodoxo de estender uma maturidade para evitar algo fundamental em 2014: um pico de títulos a vencer. Com a troca, empurram uma parte da maturidade para 2015″, diz-nos Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College, em Dublin.

O contexto da manobra é simples, explica Gurdgiev: “A Irlanda verá o pacote de resgate da troika terminar no final de 2013 e enfrenta logo no ano seguinte e em 2016 vencimentos de dívida em montantes elevados. Como nada garante que a Irlanda consiga ir ao mercado nessa altura, realizou esta operação”. E conclui: “A meu ver é um sinal de que o governo irlandês está cada vez mais ciente de que em 2014 não terá a vida fácil em obter financiamentos no mercado”.

Os economistas irlandeses esperam pelos resultados da análise de sustentabilidade da dívida soberana do país realizada regularmente pelo Fundo Monetário Internacional, que deverá ser divulgada dentro de algumas semanas.

Por mais paradoxal que pareça, o país que está à beira de uma bancarrota externa, a Grécia, tinha uma dívida total que era, apenas, 267% do seu produto interno bruto (PIB) em meados do ano passado. O que é quase uma ninharia comparada com 663% do PIB para o caso da Irlanda e 507% para o Reino Unido, segundo uma comparação entre oito países da União Europeia, realizada pelo McKinsey Global Institute (MGI) no seu recente relatório “Debt and deleveraging”, publicado este mês.

A dívida total portuguesa era de 356% do PIB e, neste grupo de oito, ficou em 4.º lugar, depois da Irlanda, Reino Unido e Espanha (com 363% do PIB). Em melhor posição do que Portugal, ficaram França (com 346%), Itália (com 314%), Alemanha (com 278%) e Grécia (com 267%).

Por dívida total entende-se a dívida de famílias, empresas, entidades financeiras e governo. Os dados referem-se ao segundo trimestre de 2011 e, no caso português, irlandês e italiano, ao primeiro trimestre do ano passado.

No caso da Grécia, o elo mais fraco da zona euro que conduziu ao trilho da bancarrota externa, é a dívida pública, que representava 132% do PIB, mais do que a italiana que pesava 111% ou a francesa que pesava 90%. Nesta comparação, a dívida pública portuguesa pesava 79%.

Os dois países com a situação mais grave em termos de endividamento das entidades financeiras em relação à riqueza criada no país são a Irlanda e o Reino Unido.

As entidades financeiras irlandesas deviam 259% do PIB e as britânicas 219% do PIB. No caso das portuguesas a dívida é apenas de 55% do PIB. A melhor situação é a grega (7%).

No caso do endividamento das empresas, as duas piores situações são a irlandesa, com 194% do PIB, e a espanhola, com 134%. Nesta divisão do endividamento, Portugal vem logo em terceiro lugar, com a dívida das empresas a pesar 128%. A melhor situação é a alemã (49%).

Finalmente, no campo do endividamento das famílias, a pior situação é, uma vez mais, a irlandesa, com 124% do PIB, logo seguida do Reino Unido, com 98%, e de Portugal, com 94%. As melhores situações são as de Itália (apenas 45% do PIB) e de França (48%), com uma riqueza líquida das famílias sólida a nível europeu.

A título de exemplo, realizando uma comparação com o estudo anterior da consultora (publicado em janeiro de 2010), verificamos movimentos interessantes em três casos simbólicos para os quais há dados comparáveis em dois momentos distintos desta crise em curso. Em Itália o peso do endividamento do governo aumentou dois pontos percentuais do PIB e o das famílias quatro pontos percentuais; nos outros segmentos houve desalavancagem. Em Espanha, apenas aumentou o peso do endividamento do governo, em 15 pontos percentuais do PIB. No Reino Unido, aumentou 22 pontos percentuais do PIB o endividamento do governo e 25 pontos percentuais o endividamento das entidades financeiras.

Em resumo, sobre Portugal, avaliando a relação com a riqueza criada anualmente, nesta amostra de oito países “periféricos” e do “centro” da União Europeia: 4.º na dívida total; 3.º na dívida das empresas; 3º na dívida nas famílias; 7.º na dívida pública; 7.º na dívida das entidades financeiras. Comparativamente, as situações mais graves são ao nível das empresas e das famílias. Deduz-se que são os “segmentos” onde a desalavancagem vai ser mais violenta.

O estudo do MGI pretende avaliar o esforço de desalavancagem da dívida total em dez países do mundo (Japão, com o maior peso da dívida no PIB, neste grupo, Reino Unido, Espanha, França, Itália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Alemanha, Austrália e Canadá, por ordem decrescente de peso da dívida no PIB).

O ministro das Finanças nipónico anunciou hoje em Tóquio que, pela primeira vez desde 1980, a terceira maior economia do mundo fechou 2011 com um défice equivalente a cerca de €25 mil milhões.

Os efeitos do tremor de terra e do tsunami sobre a produção, a exportação (automóveis desceram 10,6% e eletrónica 14,2%) e o fornecimento de energia com base no nuclear, bem como a valorização do iene (9,2% em relação ao dólar) e o aumento do preço do petróleo (21,3%) são os responsáveis por este mau resultado. A valorização do iene tem provocado, também, a deslocalização da produção para outros pontos do globo.

Em 1980, o défice comercial japonês atingiu um recorde, até hoje não superado – 2,6 biliões de ienes; em 2011 foi de 2, 49 biliões. Em 2010, o Japão teve um excedente de 6,63 biliões de ienes.

O défice comercial com a China, o principal parceiro comercial, foi 5 vezes superior ao de 2010.

A taxa de juro de referência norte-americana (fed funds rate) fixada pela Reserva Federal (Fed, banco central) deverá manter-se “excecionalmente baixa” inclusive durante 2014.

Ben Bernanke, o presidente da Fed, decidiu estender esta estratégia monetária “altamente acomodativa” para além de meados de 2013, como inicialmente estava previsto. Apesar de reconhecer, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião, que a “capacidade [da Fed] para prever a 3 ou 4 anos é obviamente limitada”.

Anunciou a decisão hoje em Washington na sequência da reunião do Federal Open Market Committee. Apenas uma voz se levantou contra a explicitação do período – o presidente do Banco da Reserva Federal de Richmond, Jeffrey Lacker.

QE 3 “em cima da mesa”

A atual taxa de juro de referência situa-se entre 0% e 0,25%, em termos nominais, o que significa que, em termos reais, a taxa é negativa. Ou seja, a Fed empresta dinheiro, perdendo em termos reais, pois a previsão para a inflação ronda os 2%. Bernanke reconheceu, na conferência de imprensa, que esta estratégia de juros nominais próximos de 0% “prejudica os aforradores”.

Bernanke sinaliza aos investidores internacionais que a política de dinheiro barato se manterá num horizonte de quase três anos.

O presidente da Fed admitiu, ainda, que a opção por aquisição de títulos do Tesouro, o que tem sido designado de “alívio quantitativo” (já com dois programas) ou QE, no acrónimo em inglês, “está em cima da mesa”, caso a situação o exija.

Wall Street reagiu positivamente. Os índices Dow Jones e S&P 500 entraram em terreno positivo.

A previsão para o crescimento nos Estados Unidos em 2012 aponta, agora, para um intervalo entre 2,2% e 2,7%, uma ligeira revisão do anterior intervalo que apontava para 2,5%-2,9%.

Vento contrário sopra da Europa

Ben Bernanke, na conferência de imprensa que decorreu depois da reunião da Fed, declarou que tem observado “noticias encorajadoras na economia”, mas que não está preparado “para declarar que já entrámos numa nova fase mais forte”.

A razão principal: o “vento contrário” que sopra da Europa.

Por mais paradoxal que pareça, o país que está à beira de uma bancarrota externa, a Grécia, tinha uma dívida total que era, apenas, 267% do seu produto interno bruto (PIB) em meados do ano passado. O que é quase uma ninharia comparada com 663% do PIB para o caso da Irlanda e 507% para o Reino Unido, segundo uma comparação entre oito países da União Europeia, realizada pelo McKinsey Global Institute (MGI) no seu recente relatório “Debt and deleveraging”, publicado este mês.

A dívida total portuguesa era de 356% do PIB e, neste grupo de oito, ficou em 4º lugar, depois da Irlanda, Reino Unido e Espanha (com 363% do PIB). Em melhor posição do que Portugal, ficaram França (com 346%), Itália (com 314%), Alemanha (com 278%) e Grécia (com 267%).

Por dívida total entende-se a dívida de famílias, empresas, entidades financeiras e governo. Os dados referem-se ao segundo trimestre de 2011 e, no caso português, irlandês e italiano, ao primeiro trimestre do ano passado.

No caso da Grécia, o elo mais fraco da zona euro que conduziu ao trilho da bancarrota externa, é a dívida pública, que representava 132% do PIB, mais do que a italiana que pesava 111% ou a francesa que pesava 90%. Nesta comparação, a dívida pública portuguesa pesava 79%.

Os dois países com a situação mais grave em termos de endividamento das entidades financeiras em relação à riqueza criada no país são a Irlanda e o Reino Unido.

As entidades financeiras irlandesas deviam 259% do PIB e as britânicas 219% do PIB. No caso das portuguesas a dívida é apenas de 55% do PIB. A melhor situação é a grega (7%).

No caso do endividamento das empresas, as duas piores situações são a irlandesa, com 194% do PIB, e a espanhola, com 134%. Nesta divisão do endividamento, Portugal vem logo em terceiro lugar, com a dívida das empresas a pesar 128%. A melhor situação é a alemã (49%).

Finalmente, no campo do endividamento das famílias, a pior situação é, uma vez mais, a irlandesa, com 124% do PIB, logo seguida do Reino Unido, com 98%, e de Portugal, com 94%. As melhores situações são as de Itália (apenas 45% do PIB) e de França (48%), com uma riqueza líquida das famílias sólida a nível europeu.

A título de exemplo, realizando uma comparação com o estudo anterior da consultora (publicado em janeiro de 2010), verificamos movimentos interessantes em três casos simbólicos para os quais há dados comparáveis em dois momentos distintos desta crise em curso. Em Itália o peso do endividamento do governo aumentou dois pontos percentuais do PIB e o das famílias quatro pontos percentuais; nos outros segmentos houve desalavancagem. Em Espanha, apenas aumentou o peso do endividamento do governo, em 15 pontos percentuais do PIB. No Reino Unido, aumentou 22 pontos percentuais do PIB o endividamento do governo e 25 pontos percentuais o endividamento das entidades financeiras.

Em resumo, sobre Portugal, avaliando a relação com a riqueza criada anualmente, nesta amostra de oito países “periféricos” e do “centro” da União Europeia: 4.º na dívida total; 3.º na dívida das empresas; 3º na dívida nas famílias; 7.º na dívida pública; 7.º na dívida das entidades financeiras. Comparativamente, as situações mais graves são ao nível das empresas e das famílias. Deduz-se que são os “segmentos” onde a desalavancagem vai ser mais violenta.

O estudo do MGI pretende avaliar o esforço de desalavancagem da dívida total em dez países do mundo (Japão, com o maior peso da dívida no PIB, neste grupo, Reino Unido, Espanha, França, Itália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Alemanha, Austrália e Canadá, por ordem decrescente de peso da dívida no PIB).

Acto I: As negociações da reestruturação da dívida grega detida por credores privados – o que é designado pelo acrónimo inglês PSI (para private sector involvement) criado por uma cimeira europeia do ano passado – prosseguem em Atenas durante o fim de semana.

Chegou a esperar-se um anúncio do acordo ainda esta sexta-feira sobretudo depois do encontro já de noite entre o primeiro-ministro Lucas Papademos, o ministro das Finanças Evangelos Venizelos e o diretor do Institute of International Finance (IIF) Charles Dallara, que tem representado os credores privados.

Segundo o jornal grego Kathimerini, há ainda uma divergência sobre a taxa de juro dos novos títulos gregos a emitir para dar em troca dos títulos existentes em mãos dos credores privados e que irão sofrer um “corte de cabelo” (hair cut, na designação técnica) de 50% em termos nominais. Em termos do valor líquido presente dos títulos detidos pelos privados, o corte deverá ficar entre 65% e 70%.
Divergências nos juros

O IIF avançou com uma proposta de um juro médio de 4,25% e não está disposto a ir abaixo de 3,8%, mas o governo grego, diversos países da zona euro – teriam telefonado a pressionar a Alemanha, a Holanda, o Luxemburgo e a Finlândia (os triplo A de notação) – o Fundo Monetário Internacional, e a própria troika, cuja delegação está em Atenas também, insistem num valor mais baixo, entre 3% e 3,5%. O IIF quer ainda que a taxa suba no caso da economia grega crescer; no fundo, um adicional no juro indexado à taxa de crescimento.

O IIF aceita ainda que os novos títulos a dar em troca se dividam em duas componentes: 35% num novo título a 30 anos, com 10 anos de carência em que o governo só pagará juros, e 15% em títulos a 2 anos emitidos pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira, em vez do plano inicial que previa o pagamento em dinheiro dessa parte.

A cimeira europeia que aprovou o segundo pacote de resgate à Grécia colocou como condição que um acordo de re-estruturação da dívida seja alcançado. Tal acordo passou, também, a ser obrigatório para que a Grécia receba nova tranche – uma tranche que está inclusive em atraso – do plano de resgate em curso (de €110 mil milhões, de que faltam entregar €37 mil milhões), que é vital para poder pagar a dívida que vence a 20 de março no valor de €14,5 mil milhões.

Os Números da Dívida Grega

A dívida soberana grega é de €352 mil milhões, ou seja 160% do Produto Interno Bruto (PIB). É uma das mais elevadas do mundo em relação ao PIB, só inferior à do Zimbabwe e do Japão, que têm níveis superiores a 200%. Uma parte dessa dívida grega são empréstimos, no total de €92 mil milhões, dos quais 53 mil milhões por via da União Europeia e 20 mil milhões oriundos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Da parte titulada, num total de €260 mil milhões, €55 mil milhões são títulos na posse do banco Central Europeu, e os restantes €205 mil milhões estão em mãos de credores privados, segundo o estudo feito pelo jornal alemão Der Spiegel. O montante representado pelo IIF nestas negociações será de €155 mil milhões.

Ora é sobre a maioria destes 205 mil milhões (ou seja, 58% da dívida soberana total) que incidem as renegociações em curso. A distribuição deste montante é aproximadamente a seguinte: fundos (de investimento, de pensões, soberanos e hedge funds) com €70 mil milhões; bancos gregos com €50 mil milhões; bancos europeus com €40 mil milhões; fundos da segurança social grega com €30 mil milhões; companhias europeias de seguros com €15 mil milhões.

O objetivo da renegociação é conseguir “emagrecer” a dívida grega de 160% do PIB hoje para 120% do PIB em 2020. Para isso, os credores privados deveriam aceitar um “corte de cabelo” no valor líquido presente dos títulos que detém e o resto ser trocado por novos títulos. É a dimensão deste “corte de cabelo” que tem estado em negociação. Começou com o objetivo limitado de 21%.

O valor dos seguros contra o risco de bancarrota – os designados credit default swaps – é apenas de €3,22 mil milhões, em termos nocionais líquidos, algo que não é encarado, no caso de haver um evento de crédito (um default), como podendo ter implicações sistémicas. Mas o risco de contágio existe sempre, dizem os analistas.

Acto II: O chefe da delegação de credores privados, e diretor do Institute of International Finance, abandonou hoje Atenas de regresso a Paris, depois de dois dias de conversações com o governo grego.

Segundo o jornal grego Kathimerini, Charles Dallara irá discutir com os credores que representa a posição final a tomar sobre as posições em confronto na negociação da reestruturação parcial da dívida grega.

O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse, por seu lado, aos jornalistas em Atenas que as negociações prosseguirão domingo por telefone. O governo grego pretende encerrar o dossiê antes da reunião do Eurogrupo (grupo dos ministros das Finanças da zona euro) na segunda-feira.

Acto III: Para a reunião do Eurogrupo (agrupa os ministros das Finanças da zona euro) de amanhã em Bruxelas não há ainda um documento de acordo entre o governo de Atenas e os representantes dos credores privados da dívida grega.

Segundo o Financial Times (FT), Charles Dallara, o responsável do Institute of International Finance (IIF), que representa os credores privados, terá estado em conversação telefónica, este domingo, com o primeiro-ministro grego Lucas Papademos, mas nenhum acordo terá sido concluído.
Bola no campo do FMI e UE

Dallara disse, no entanto, este domingo, em entrevista ao canal privado grego de televisão Antenna, que se atingiram “os limites de um acordo voluntário”, que foi até ao máximo de cedência onde podia ir, e que as negociações estão numa “encruzilhada”. Adiantou que, agora, “está largamente nas mãos do sector oficial escolher o caminho, um acordo voluntário ou um incumprimento”. Para o jornal grego Kathimerini, Dallara colocou a opção mas mãos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, os principais credores públicos da Grécia.

Referiu, contudo, que está confiante que um acordo será feito a tempo de evitar um incumprimento grego a 20 de março, quando vence dívida no valor de €14,5 mil milhões. O chefe do IIF não confirmou quando regressará a Atenas, ou se estará presente na reunião de amanhã do Eurogrupo, em Bruxelas. Fontes oficiais de Atenas garantiram ao jornal britânico que um acordo será alcançado antes da cimeira europeia de 30 de janeiro.

Ver-se-á nos mercados financeiros de amanhã o impacto da não conclusão ainda deste acordo. Ou em que sentido decidirá a reunião do Eurogrupo a partir da tarde de segunda-feira.

O economista-chefe da Deloitte Research em Londres disse ao Expresso que “o Reino Unido é um paradoxo” e que as empresas devem usar a liquidez que tenham para aquisições baratas “como fazem os chineses e indianos”.

“O grande desafio para os empresários é lidar com a incerteza e com uma economia que não cresce”, refere-nos Ian Stewart, economista-chefe da consultora Deloitte Research, em Londres. A perceção da incerteza está, de novo, a níveis muito elevados, como já não se via desde 2009.

Ian Stewart, que está na consultora desde 2007, publica todas as segundas-feiras um “Money Briefing” de referência que vai para mais de 10 mil clientes e colegas. E, no final de cada ano, surpreende os colegas com um questionário de perguntas difíceis – quase todas com rasteiras – para avaliar o conhecimento em temas financeiros e económicos mundiais por parte dos consultores.

Veio, recentemente, a Lisboa à Conferência CFO 2012, organizada pelo INDEG Business School, para apresentar os resultados do último inquérito que a Deloitte realizou em dezembro no Reino Unido aos administradores financeiros das empresas britânicas viradas para o mercado doméstico e para os mercados globais.

Uma mudança enorme

O consultor britânico confessa que “a Alemanha aproveitou a crise para se tornar a potência dominante”. “Foi uma mudança enorme”, acrescenta, salientando que “essa foi a principal consequência desta crise, e teremos de nos adaptar a essa nova situação”.

Admite que a “festa” alemã pode acabar se o país entrar em estagnação. A última revisão conhecida – anunciada hoje – cortou a previsão de crescimento alemão em 2012 de 2,2% para 0,7%, com um contexto europeu em que o crescimento rondará os 0,4%. O Fundo Monetário Internacional ensombrou, entretanto, ainda mais, as previsões ao adiantar que a zona euro poderá contrair-se em 0,5%.

Além disso prevê-se que a dinâmica anual do PIB na China e na Índia abrande para valores abaixo de 8,5% no primeiro país e de 8% no segundo. Refira-se que a China é hoje o principal mercado de crescimento das exportações alemãs e poderá ultrapassar a França como principal destino até ao final deste ano.

No entanto, Ian sublinha que, em termos de competitividade de custos laborais, a Alemanha acumulou uma vantagem ao longo de uma década que coloca a um canto os restantes parceiros europeus. A assimetria é gritante. Os custos laborais aumentaram na Alemanha apenas 5% entre 2000 e 2010, enquanto no Reino Unido e na Irlanda subiram 30%, em Portugal ou Espanha 33%, na Itália 37% e na Grécia 44%.

A dimensão da assimetria entre a Alemanha e o grupo dos países do Clube Med da zona euro pode, ainda, ser medida de outra forma: nos últimos dez anos, Berlim acumulou um excedente de 1,9 biliões de dólares(€1500 mil milhões), enquanto que o défice acumulado de Itália, França, Espanha, Grécia e Portugal foi de 1,5 biliões de dólares (cerca de €1160 mil milhões), segundo um relatório do Bank of America Merryll Linch

A ideia de um euro forte pode estar, também, a esfumar-se se a solução política não surgir. Diz o consultor: “Todas as explicações que têm sido dadas de que o euro é forte apesar da crise da dívida na zona euro podem sofrer um abalo. Prevejo que continue a depreciar-se, particularmente face ao dólar e à libra, se não houver uma solução na zona euro”.

Ian sublinha que, nos resultados do último inquérito realizado, o que mais atormenta os administradores financeiros britânicos é que ocorra um colapso da zona euro – o que preocupa 33% dos respondentes. A probabilidade de que isso aconteça é de 37%, segundo os inquiridos, uma percentagem superior ao que pensam os economistas ouvidos pelo Financial Times (probabilidade de 28%). Há um sinal que parece simbólico: “Quando alguém perguntava ao anterior presidente do Banco Central Europeu se havia algum risco do euro colapsar, Jean-Claude Trichet, no seu tom francês, respondia: absurde (absurdo). Ora, o novo presidente, Mário Draghi, admitiu a questão numa entrevista recente ao Financial Times”. Um detalhe significativo.

O Reino Unido é um paradoxo

Pode parecer paradoxal para os europeus continentais que os britânicos se preocupem com a sorte da zona euro. “O próprio Reino Unido é um paradoxo”, ri-se. “Por um lado, esperamos que o euro tenha sucesso – os bancos ingleses estão muito expostos ao continente. A interligação hoje das economias e dos sistemas financeiros na Europa é imensa. Mas, por outro lado, a situação atual pode colocar em risco o relacionamento do Reino Unido com a União Europeia”, acrescenta.

“Para mim a União Europeia é sobretudo comércio livre e liberdade de movimentos de capital e de trabalho, não uma instituição política. Não creio que o Reino Unido aceite regras de um compacto orçamental, o projeto que está em cima da mesa. De facto, há um problema de longo prazo sobre o que quer o Reino Unido em relação à União Europeia”, refere, ainda, o economista-chefe da Deloitte Research.

No fundo, coloca-se aos britânicos um dilema estratégico. “É inconcebível ser parte dessa integração em curso. O Reino Unido pode ser colocado numa posição em que seja forçado a sair da União”. Na resolução do problema da crise da dívida da zona euro, Ian prefere que seja o Fundo Monetário Internacional a atuar.

Façam como os chineses e os indianos

Quanto às empresas, a mensagem é clara: “Usem a liquidez disponível para procederem a aquisições baratas, tal como fazem os asiáticos, os chineses ou os indianos”. De facto, nos resultados do inquérito, os administradores financeiros vêm oportunidades de crescimento na aquisição de empresas ou de outros ativos a bom preço, bem como explorar as fraquezas da concorrência.

Em termos de estratégia, o economista-chefe da Deloitte Research defende que as empresas devem procurar segmentos de negócio não dependentes do crescimento do Produto Interno Bruto, relativamente protegidas das oscilações dos ciclos económicos.

As prioridades que os administradores financeiros inquiridos pela Deloitte apontam centram-se em seis áreas: reduzir custos, aumentar o cash flow, introduzir novos produtos e serviços ou expandir para novos mercados, reter liquidez nos balanços, proceder a aquisições e fusões ou expandir organicamente (através de criação de emprego, de investimento em capital fixo ou de desenvolvimento dos produtos). “Invistam para o longo prazo”, aconselha, a terminar, Ian Stewart.

Antes de entrar na Deloitte, Ian Stewart foi economista-chefe da Merrill Lynch para a Europa, em Londres. Foi responsável no Partido Conservador pelo Departamento de Investigação e foi economista da Confederação da Indústria Britânica.

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