Globalização


O léxico da crise das dívidas soberanas na zona euro está mais rico. Surgiu, esta semana, o “Grexit”, para Greece e exit, em inglês – saída [do euro] por parte da Grécia.

O termo foi criado por dois analistas do Citigroup, Willem Buiter e Ebrahim Rahbari, que atribuíram uma probabilidade de 50% da Grécia sair da zona euro no próximo ano e meio. A probabilidade anterior que atribuíam era de 25-30%.

Depois dos acrónimos em inglês “PSI” (para envolvimento do sector privado, uma forma tecnocrática de referir a reestruturação parcial da dívida negociando com os credores privados) e “OSI” (para envolvimento do sector “oficial”, ou seja do Banco Central Europeu e dos bancos centrais da zona euro), o temor do “Grexit” provocou o inundar das redes sociais com um conjunto de números-chave sobre a situação de pré-bancarrota da Grécia.

Os empréstimos à Grécia somam €95 mil milhões até à data, em que os países da União Europeia, através do memorando de entendimento de resgate, detêm €53 mil milhões e o Fundo Monetário Internacional uma fatia de €20 mil milhões. O restante de empréstimos soma €22 mil milhões. A última parte do primeiro plano de resgate no montante de €110 mil milhões, acordado em maio de 2010, tem sido adiada em função do processo de negociação do segundo plano de resgate com a troika e do plano de reestruturação da dívida com os credores privados.

A outra componente da dívida soberana grega tem a ver com o que está titulado. O total é de €260 mil milhões.

O Banco Central Europeu (BCE) deterá entre €50 a 60 mil milhões através do plano de intervenção (programa SMP criado por Jean-Claude Trichet, o anterior presidente do BCE) de aquisição de títulos no mercado secundário da dívida. É sobre este montante que hoje se discute, nos bastidores, um “envolvimento do sector oficial” (um OSI), tendo já surgido vários rumores sobre o seu desenho.

Os outros credores detentores de títulos de dívida abrangem €30 mil milhões por parte de fundos da segurança social grega e o restante em credores privados abarca: €70 mil milhões nas mãos dos mais variados fundos; €50 mil milhões em mãos de bancos gregos; €40 mil milhões em mãos de bancos europeus; e €15 mil milhões em mãos de seguradoras europeias.

A exposição dos bancos portugueses à dívida soberana grega é pequena: €178,9 milhões no caso do BPI e €344 milhões no caso do BCP.

As negociações com os credores privados (o tal PSI) envolvem cerca de €200 mil milhões, não se sabendo, ainda, qual o “corte de cabelo” final que vai ser aplicado ao valor dessa dívida.

Momento Lehman em março?

A Grécia tem títulos a vencer proximamente em março num total de €17,5 mil milhões (dos quais €14,5 mil milhões a 20 de março), o que é considerado o momento crítico. Alguns analistas já designam essa data como a candidata a um “momento Lehman” (como o que ocorreu com o banco norte-americano do mesmo nome no último trimestre de 2008 que agravaria irreversivelmente a crise financeira mundial).

Depois, em maio, o Tesouro grego terá de refinanciar mais €10 mil milhões, e em agosto mais €8 mil milhões, só para citar momentos de refinanciamento de volume elevado. Num total para o ano de 2012 de €48 mil milhões.

O objetivo oficial, ditado pela cimeira europeia e confirmado pelo FMI, é de fazer baixar a dívida grega do atual nível de 159,1% do produto interno bruto para 120% em 2020, como sendo um nível considerado sustentável e que graduaria o país para fugir a uma situação sistémica de insolvência.

Já depois da aplicação do programa de resgate, a dívida grega subiu de 138,8% em final de 2010 para 159,1% em final de 2011.

Contudo, os estudos históricos, realizados pelos investigadores norte-americanos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff apontam para um limiar máximo de sustentabilidade da dívida soberana, para economias com problemas estruturais crónicos, na ordem dos 60 a 80% do PIB.

“É provavelmente ainda muito cedo para falar de um investimento da China no Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF). Primeiro, os países com problemas deverão ajustar a sua estrutura industrial e realizar mais esforços para equilibrar o orçamento. Entretanto, no curto prazo, o Banco Central Europeu terá de desempenhar um papel muito mais ativo”, recomenda Xu Hongcai, diretor-adjunto do poderoso think tank China Center for International and Economic Exchanges (CCIEE).

Este professor de Finanças da Universidade de Economia e Gestão da capital chinesa, autor de “As estratégias financeiras do nosso grande país”, publicou na quinta-feira um artigo no “Asia Pacific Memo”, intitulado sugestivamente “Por que razão a China não está a comprar os títulos para resgates na zona euro (ainda)”. O “memorando 128″ surgiu precisamente durante a estadia da chanceler alemã Ângela Merkel em Beijing. Merkel deslocou-se hoje para Guangzhou (cidade de Cantão) na sua visita oficial. O “Asia Pacific Memo” é editado pelo Institute of Asian Research em Vancouver, no Canadá.

Ingredientes fundamentais

Xu Hongcai é muito claro sobre o problema. A intervenção de Beijing requer “três ingredientes fundamentais”:

- primeiro, a atuação do “Banco Central Europeu como emprestador de último recurso”, facto a que “a Alemanha se tem oposto, atrasando o processo”;

- segundo, os líderes europeus têm de tornar o FEEF “operacional e seguro para investidores de fora”, já que o que os chineses observam é que a notação do FEEF perdeu o triplo A (na recente decisão da agência Standard & Poor’s), os alemães resistem a aumentar o valor envolvido, e faltam “detalhes operacionais”;

- terceiro, os chineses preferem “ajudar a Europa através do Fundo Monetário Internacional (FMI)”, apesar de “ainda ninguém ter dado uma resposta aos chineses”, em virtude dos fatores de “rigidez dentro da governação do FMI e da preferência por certos países-chave”.

Em suma, diz um dos homens fortes do CCIEE, “os países europeus e o FMI têm de apresentar um mecanismo de investimento credível à China (e a outros possíveis investidores) “.

Merkel estende a mão e Lagarde a mala de mão

Os jornais alemães referiram que a chanceler se deslocou à China com vários pontos na agenda – desde a questão das sanções ao Irão, ao facto de a China passar a ser este ano o principal mercado de exportação alemão (deixando de ser o vizinho francês), até à crise da dívida da zona euro. Muitos analistas colocaram Merkel na posição de estender a mão aos chineses para financiar os fundos europeus de resgate. Sabe-se que 40% das colocações de dívida já realizadas pelo FEEF estão em mãos de asiáticos, particularmente de japoneses, mas a China ainda não declarou se tem participado ou vai participar nessas emissões.

Já Christine Lagarde, a diretora-geral do FMI, em Davos, no último Fórum Económico Mundial levantaria a sua chique mala de mão para pedir aos presentes que investissem no “guarda-chuva” que o FMI pretende criar em abril para responder às crises da dívida. Foi um momento televisivo com o sorriso da diretora-geral e alguns risos na plateia.

Atacar o problema da sustentabilidade orçamental dos Estados Unidos não é incompatível com o objetivo de garantir que a retoma do crescimento económico prossiga.

Os decisores em assuntos orçamentais devem evitar “dificultar desnecessariamente a retoma económica em curso”, disse quinta-feira Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal (o banco central norte-americano) perante a Comissão de análise do orçamento da Câmara de Representantes dos Estados Unidos. “Felizmente os dois objetivos de alcançar uma sustentabilidade orçamental no longo prazo e de evitar ventos contrários adicionais no plano orçamental que prejudiquem a retoma económica em curso são totalmente compatíveis – aliás, reforçam-se mutuamente”, sublinhou.

Particularmente perturbado

Nesta intervenção perante os congressistas em Washington DC, o presidente do banco central manifestou-se preocupado com dois problemas críticos da economia americana – o disparo no desemprego de longa duração (que já domina 40% dos desempregados), um número que o deixou “particularmente perturbado”, e o trilho orçamental insustentável.

Bernanke referiu que o sector empresarial está a exportar e a produção industrial está a crescer, mas esse ponto forte da retoma americana em curso não se traduz no emprego.

Possibilidade de uma crise orçamental súbita

Por outro lado, a “dinâmica [do défice] é claramente insustentável”, frisou o homem forte da Reserva Federal. O défice público será de mais de 4% do PIB no ano fiscal de 2017, disse aos congressistas, mesmo partindo do princípio que a economia estará, então, próxima do pleno emprego.

Nesta dinâmica pesa sobremaneira o envelhecimento da população norte-americana e o disparo dos custos da saúde. A forma de tapar este buraco tem sido o recurso ao endividamento externo com implicações previsíveis: “uma parte substancial do nosso rendimento futuro terá de ser devotado ao pagamento de juros aos detentores estrangeiros de dívida federal”.

Bernanke não colocou de lado inclusive “a possibilidade crescente de uma crise orçamental súbita”, se a trajetória se mantiver. Colocar a política orçamental num caminho sustentável “é uma prioridade de topo”, avisou.

Por mais paradoxal que pareça, o país que está à beira de uma bancarrota externa, a Grécia, tinha uma dívida total que era, apenas, 267% do seu produto interno bruto (PIB) em meados do ano passado. O que é quase uma ninharia comparada com 663% do PIB para o caso da Irlanda e 507% para o Reino Unido, segundo uma comparação entre oito países da União Europeia, realizada pelo McKinsey Global Institute (MGI) no seu recente relatório “Debt and deleveraging”, publicado este mês.

A dívida total portuguesa era de 356% do PIB e, neste grupo de oito, ficou em 4.º lugar, depois da Irlanda, Reino Unido e Espanha (com 363% do PIB). Em melhor posição do que Portugal, ficaram França (com 346%), Itália (com 314%), Alemanha (com 278%) e Grécia (com 267%).

Por dívida total entende-se a dívida de famílias, empresas, entidades financeiras e governo. Os dados referem-se ao segundo trimestre de 2011 e, no caso português, irlandês e italiano, ao primeiro trimestre do ano passado.

No caso da Grécia, o elo mais fraco da zona euro que conduziu ao trilho da bancarrota externa, é a dívida pública, que representava 132% do PIB, mais do que a italiana que pesava 111% ou a francesa que pesava 90%. Nesta comparação, a dívida pública portuguesa pesava 79%.

Os dois países com a situação mais grave em termos de endividamento das entidades financeiras em relação à riqueza criada no país são a Irlanda e o Reino Unido.

As entidades financeiras irlandesas deviam 259% do PIB e as britânicas 219% do PIB. No caso das portuguesas a dívida é apenas de 55% do PIB. A melhor situação é a grega (7%).

No caso do endividamento das empresas, as duas piores situações são a irlandesa, com 194% do PIB, e a espanhola, com 134%. Nesta divisão do endividamento, Portugal vem logo em terceiro lugar, com a dívida das empresas a pesar 128%. A melhor situação é a alemã (49%).

Finalmente, no campo do endividamento das famílias, a pior situação é, uma vez mais, a irlandesa, com 124% do PIB, logo seguida do Reino Unido, com 98%, e de Portugal, com 94%. As melhores situações são as de Itália (apenas 45% do PIB) e de França (48%), com uma riqueza líquida das famílias sólida a nível europeu.

A título de exemplo, realizando uma comparação com o estudo anterior da consultora (publicado em janeiro de 2010), verificamos movimentos interessantes em três casos simbólicos para os quais há dados comparáveis em dois momentos distintos desta crise em curso. Em Itália o peso do endividamento do governo aumentou dois pontos percentuais do PIB e o das famílias quatro pontos percentuais; nos outros segmentos houve desalavancagem. Em Espanha, apenas aumentou o peso do endividamento do governo, em 15 pontos percentuais do PIB. No Reino Unido, aumentou 22 pontos percentuais do PIB o endividamento do governo e 25 pontos percentuais o endividamento das entidades financeiras.

Em resumo, sobre Portugal, avaliando a relação com a riqueza criada anualmente, nesta amostra de oito países “periféricos” e do “centro” da União Europeia: 4.º na dívida total; 3.º na dívida das empresas; 3º na dívida nas famílias; 7.º na dívida pública; 7.º na dívida das entidades financeiras. Comparativamente, as situações mais graves são ao nível das empresas e das famílias. Deduz-se que são os “segmentos” onde a desalavancagem vai ser mais violenta.

O estudo do MGI pretende avaliar o esforço de desalavancagem da dívida total em dez países do mundo (Japão, com o maior peso da dívida no PIB, neste grupo, Reino Unido, Espanha, França, Itália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Alemanha, Austrália e Canadá, por ordem decrescente de peso da dívida no PIB).

O ministro das Finanças nipónico anunciou hoje em Tóquio que, pela primeira vez desde 1980, a terceira maior economia do mundo fechou 2011 com um défice equivalente a cerca de €25 mil milhões.

Os efeitos do tremor de terra e do tsunami sobre a produção, a exportação (automóveis desceram 10,6% e eletrónica 14,2%) e o fornecimento de energia com base no nuclear, bem como a valorização do iene (9,2% em relação ao dólar) e o aumento do preço do petróleo (21,3%) são os responsáveis por este mau resultado. A valorização do iene tem provocado, também, a deslocalização da produção para outros pontos do globo.

Em 1980, o défice comercial japonês atingiu um recorde, até hoje não superado – 2,6 biliões de ienes; em 2011 foi de 2, 49 biliões. Em 2010, o Japão teve um excedente de 6,63 biliões de ienes.

O défice comercial com a China, o principal parceiro comercial, foi 5 vezes superior ao de 2010.

O economista-chefe da Deloitte Research em Londres disse ao Expresso que “o Reino Unido é um paradoxo” e que as empresas devem usar a liquidez que tenham para aquisições baratas “como fazem os chineses e indianos”.

“O grande desafio para os empresários é lidar com a incerteza e com uma economia que não cresce”, refere-nos Ian Stewart, economista-chefe da consultora Deloitte Research, em Londres. A perceção da incerteza está, de novo, a níveis muito elevados, como já não se via desde 2009.

Ian Stewart, que está na consultora desde 2007, publica todas as segundas-feiras um “Money Briefing” de referência que vai para mais de 10 mil clientes e colegas. E, no final de cada ano, surpreende os colegas com um questionário de perguntas difíceis – quase todas com rasteiras – para avaliar o conhecimento em temas financeiros e económicos mundiais por parte dos consultores.

Veio, recentemente, a Lisboa à Conferência CFO 2012, organizada pelo INDEG Business School, para apresentar os resultados do último inquérito que a Deloitte realizou em dezembro no Reino Unido aos administradores financeiros das empresas britânicas viradas para o mercado doméstico e para os mercados globais.

Uma mudança enorme

O consultor britânico confessa que “a Alemanha aproveitou a crise para se tornar a potência dominante”. “Foi uma mudança enorme”, acrescenta, salientando que “essa foi a principal consequência desta crise, e teremos de nos adaptar a essa nova situação”.

Admite que a “festa” alemã pode acabar se o país entrar em estagnação. A última revisão conhecida – anunciada hoje – cortou a previsão de crescimento alemão em 2012 de 2,2% para 0,7%, com um contexto europeu em que o crescimento rondará os 0,4%. O Fundo Monetário Internacional ensombrou, entretanto, ainda mais, as previsões ao adiantar que a zona euro poderá contrair-se em 0,5%.

Além disso prevê-se que a dinâmica anual do PIB na China e na Índia abrande para valores abaixo de 8,5% no primeiro país e de 8% no segundo. Refira-se que a China é hoje o principal mercado de crescimento das exportações alemãs e poderá ultrapassar a França como principal destino até ao final deste ano.

No entanto, Ian sublinha que, em termos de competitividade de custos laborais, a Alemanha acumulou uma vantagem ao longo de uma década que coloca a um canto os restantes parceiros europeus. A assimetria é gritante. Os custos laborais aumentaram na Alemanha apenas 5% entre 2000 e 2010, enquanto no Reino Unido e na Irlanda subiram 30%, em Portugal ou Espanha 33%, na Itália 37% e na Grécia 44%.

A dimensão da assimetria entre a Alemanha e o grupo dos países do Clube Med da zona euro pode, ainda, ser medida de outra forma: nos últimos dez anos, Berlim acumulou um excedente de 1,9 biliões de dólares(€1500 mil milhões), enquanto que o défice acumulado de Itália, França, Espanha, Grécia e Portugal foi de 1,5 biliões de dólares (cerca de €1160 mil milhões), segundo um relatório do Bank of America Merryll Linch

A ideia de um euro forte pode estar, também, a esfumar-se se a solução política não surgir. Diz o consultor: “Todas as explicações que têm sido dadas de que o euro é forte apesar da crise da dívida na zona euro podem sofrer um abalo. Prevejo que continue a depreciar-se, particularmente face ao dólar e à libra, se não houver uma solução na zona euro”.

Ian sublinha que, nos resultados do último inquérito realizado, o que mais atormenta os administradores financeiros britânicos é que ocorra um colapso da zona euro – o que preocupa 33% dos respondentes. A probabilidade de que isso aconteça é de 37%, segundo os inquiridos, uma percentagem superior ao que pensam os economistas ouvidos pelo Financial Times (probabilidade de 28%). Há um sinal que parece simbólico: “Quando alguém perguntava ao anterior presidente do Banco Central Europeu se havia algum risco do euro colapsar, Jean-Claude Trichet, no seu tom francês, respondia: absurde (absurdo). Ora, o novo presidente, Mário Draghi, admitiu a questão numa entrevista recente ao Financial Times”. Um detalhe significativo.

O Reino Unido é um paradoxo

Pode parecer paradoxal para os europeus continentais que os britânicos se preocupem com a sorte da zona euro. “O próprio Reino Unido é um paradoxo”, ri-se. “Por um lado, esperamos que o euro tenha sucesso – os bancos ingleses estão muito expostos ao continente. A interligação hoje das economias e dos sistemas financeiros na Europa é imensa. Mas, por outro lado, a situação atual pode colocar em risco o relacionamento do Reino Unido com a União Europeia”, acrescenta.

“Para mim a União Europeia é sobretudo comércio livre e liberdade de movimentos de capital e de trabalho, não uma instituição política. Não creio que o Reino Unido aceite regras de um compacto orçamental, o projeto que está em cima da mesa. De facto, há um problema de longo prazo sobre o que quer o Reino Unido em relação à União Europeia”, refere, ainda, o economista-chefe da Deloitte Research.

No fundo, coloca-se aos britânicos um dilema estratégico. “É inconcebível ser parte dessa integração em curso. O Reino Unido pode ser colocado numa posição em que seja forçado a sair da União”. Na resolução do problema da crise da dívida da zona euro, Ian prefere que seja o Fundo Monetário Internacional a atuar.

Façam como os chineses e os indianos

Quanto às empresas, a mensagem é clara: “Usem a liquidez disponível para procederem a aquisições baratas, tal como fazem os asiáticos, os chineses ou os indianos”. De facto, nos resultados do inquérito, os administradores financeiros vêm oportunidades de crescimento na aquisição de empresas ou de outros ativos a bom preço, bem como explorar as fraquezas da concorrência.

Em termos de estratégia, o economista-chefe da Deloitte Research defende que as empresas devem procurar segmentos de negócio não dependentes do crescimento do Produto Interno Bruto, relativamente protegidas das oscilações dos ciclos económicos.

As prioridades que os administradores financeiros inquiridos pela Deloitte apontam centram-se em seis áreas: reduzir custos, aumentar o cash flow, introduzir novos produtos e serviços ou expandir para novos mercados, reter liquidez nos balanços, proceder a aquisições e fusões ou expandir organicamente (através de criação de emprego, de investimento em capital fixo ou de desenvolvimento dos produtos). “Invistam para o longo prazo”, aconselha, a terminar, Ian Stewart.

Antes de entrar na Deloitte, Ian Stewart foi economista-chefe da Merrill Lynch para a Europa, em Londres. Foi responsável no Partido Conservador pelo Departamento de Investigação e foi economista da Confederação da Indústria Britânica.

É uma das incógnitas de 2012. O Irão tem estado em foco por uma convergência de episódios e decisões. E o estreito de Ormuz surgiu como peça destes jogos de nervos.

Durante 10 dias, a marinha iraniana desenvolveu o “Velayat 90″, um conjunto de exercícios militares navais que se estenderam pelo Golfo do Pérsico, Golfo de Omã e Mar Arábico. Os exercícios colocaram as forças iranianas na proximidade da 5ª Esquadra norte-americana que opera a partir do Bahrain.

No final do ano, os EUA aprovaram sanções contra o Irão que penalizarão fortemente os clientes do petróleo iraniano, entre os quais se encontram, em 85% dos casos, asiáticos e, em 17%, países da União Europeia, com destaque para a Grécia, Itália e Espanha. O presidente Obama assinou uma lei que impede o acesso ao sistema financeiro norte-americano por parte de todos os bancos estrangeiros que realizem operações com o banco central do Irão.

Em simultâneo, estrategos norte-americanos referem ser o momento certo para um ataque cirúrgico a alvos do projeto nuclear no Irão. “Na hora de atacar o Irão – porque razão um ataque é a menor das piores opções” é o título de um dos artigos simbólicos desta ótica, escrito por Mathew Kroenig, do Council of Foreign Relations norte-americano, na edição de janeiro/fevereiro da revista Foreign Affairs, acabada de publicar.

“Linha vermelha”

O vice-presidente iraniano falou, durante os exercícios, de bloquear o Estreito de Ormuz se as sanções se impuserem efectivamente. O estreito é um corredor que a Energy Information Administration considera “o mais importante ferrolho do petróleo” do mundo. Por ele passa um pouco mais de 1/3 do petróleo transportado por via marítima.

Durante a guerra do Irão e do Iraque, nos anos 1980, os iranianos minaram as águas do estreito e comandos em barcos de borracha atacaram petroleiros. Uma brincadeira comparada com a capacidade atual iraniana. “[Fechar o estreito] é tão fácil como beber um copo de água”, disse o almirante iraniano Habibollah Sayari.

Mas, como se verificou nestes exercícios, o estreito pode ser afetado a partir do Golfo do Omã, a sul do Estreito, que é ladeado pelo Irão e pelo Omã. Os exercícios navais recentes pretendem projetar a capacidade iraniana também no Índico ocidental.

O secretário de Estado da Defesa norte-americano, Leon Panneta, afirmou a 8 de janeiro na cadeia norte-americana CBS que, se o Irão bloquear o estreito, os EUA entrarão em campo para anular o bloqueio. “É uma outra linha vermelha” que os iranianos não poderão ultrapassar, disse.

O Dragão no chatrang

O xadrez da zona é muito complexo. Os iranianos jogam xadrez desde há 1400 anos quando o jogo era conhecido pelo nome de chatrang, em persa (do livro Mâdayân î chatrang - Livro de xadrez – do século VII).

Uma das peças do tabuleiro de hoje é a China, o cliente principal, que importa 21% do petróleo iraniano exportado. O Irão, que fornece 11,4% das importações petrolíferas chinesas, é o terceiro fornecedor da China, depois de Arábia Saudita (que fornece 20,5%) e Angola (que fornece 15,8%). As empresas chinesas são os principais investidores no sector energético iraniano. A China importa, ainda, 12,8% do Omã, Iraque e Kuwait.

A própria Europa “periférica” mediterrânica importa do Irão. A Grécia, na liderança, importa 25% das suas necessidades. Atenas é a capital europeia mais sensível a estes rumores de guerra. Itália importa 13% e Espanha 10%.

Os Estados Unidos importam de três fornecedores da zona – Arábia Saudita, Iraque e Kuwait; no total, apenas 18,2% das suas necessidades.

No calendário destes jogos, o secretário do Tesouro norte-americano desloca-se na próxima semana à China e ao Japão. A Europa, que acordou em princípio seguir a posição norte-americana, deverá tomar uma posição final na cimeira europeia de 30 de janeiro. Mas os próprios europeus discutem um “período de graça” de não aplicação do embargo nos contratos em curso.

Entretanto, novos exercícios navais iranianos estão previstos para fevereiro.

Brent sobe 6 dólares

O preço do barril de Brent, a variedade de referência na Europa, subiu 6 dólares entre o final do ano e hoje. De 107 dólares passou para 113, e está a oscilar em torno desse valor. Alguns analistas falam do risco de um choque petrolífero, se algum dos cenários de guerra se concretizar.

O preço do barril de petróleo tem sido sensível a estes rumores de eventual bloqueio ao estreito ou de operação relâmpago contra as instalações nucleares iranianas. O que pode ainda ser temperado com alguma guerra na Síria, se a NATO aí intervir como o fez na Líbia no ano passado.

Há vias alternativas em caso de bloqueio?

Os analistas apontam quatro. Duas delas revertem para o Mar Vermelho, uma para o Líbano, e outra para o Golfo de Omã.

. Reativar o oleoduto iraquiano-saudita (conhecido pelo acrónimo IPSA) que termina no porto de Yanbu, no Mar Vermelho acima de Jedá, e que pode transportar 1,65 milhões de barris por dia. Foi construído durante a guerra do Iraque com o Irão, precisamente para fugir ao transporte pelo Golfo Pérsico.

. Reativar a linha do Transarabian Pipeline (Tapline) da Arábia Saudita para o porto de Zahrani no Líbano que transporta 500 mil barris por dia.

. Outra via a usar pelo crude saudita pode ser a oleoduto Este-Oeste com mais de 1100 quilómetros entre Jubail no Golfo Pérsico e Yanbu no Mar Vermelho, o que favoreceria o estreito de Aden (pirataria somali por perto) e o canal do Suez (instabilidade no Egito), e que pode transportar 5 milhões de barris por dia.

. Os Emirados Árabes Unidos poderão acelerar a conclusão do projeto do oleoduto do Abu Dhabi que pode fazer correr crude equivalente a 2,5 milhões de barris por dia; o oleoduto com 375 quilómetros parte do sudoeste dos emirados para o porto de Fujairah, no Golfo do Omã, já a sul do estreito de Ormuz. O oleoduto está a ser construído por uma empresa chinesa e deverá estar operacional “em breve”, segundo o ministro Mohammad Bin Dha’en Al Hameli afirmou em dezembro. Mas o Golfo de Omã é um espaço marítimo internacional onde os iranianos consideram poder atuar.

Curiosidade histórica

Ormuz era uma das joias do Médio Oriente cobiçadas por Afonso de Albuquerque e pelo rei em Lisboa, Manuel I. Albuquerque conquistaria a ilha em 1507, que acabou por ficar sob suserania portuguesa entre 1515 e 1622. Os árabes chamavam-lhe, na época de Quinhentos, “o anel de pedra do mundo”. Era um dos ferrolhos geoestratégicos (chokepoints, na designação técnica) por onde todos os produtos do Oriente passavam. Fez parte das três “quinas” do império português em rede no Índico – Sofala (no atual Moçambique), Ormuz (no atual Irão) e Malaca (na atual Malásia).

Estatísticas

Números-chave do crude do Irão

. Exporta 2,6 milhões de barris por dia

. Produz 3,5 milhões de barris por dia

. 2º maior produtor da OPEP

. Principal cliente do crude iraniano: China (com 21% da exportação iraniana) que adquire mais de meio milhão de barris por dia

. Outros clientes importantes: União Europeia (17% da exportação iraniana), Japão e Coreia do Sul

Quanto “vale” o estreito de Ormuz?

. Mais de 1/3 do petróleo transportado por via marítima

. 20% do petróleo comercializado à escala mundial passa pelo estreito

. O seu peso como ponto de passagem diminuiu de 2008 para 2009 em mais de 7%

. 15,5 a 17 milhões de barris por dia passam pelo estreito de Ormuz

O pior não ocorreu. Nas previsões para 2011, recolhidas há um ano junto de onze académicos – e publicadas no Expresso e na janenaweb.com – , os “cisnes negros” (factos impensáveis) tiveram como candidatos a fragmentação da zona euro, o rebentar da “bolha” chinesa e o deflagrar de uma guerra regional inesperada com impacto global. Nenhum apareceu no lago.

Mas a previsão de um redesenho da zona euro, adiantada por Michael Pettis, um académico americano em Beijing, não andou longe. Bem como a ideia de que o Banco Central Europeu se poderia tornar no camião de recolha de títulos soberanos “tóxicos” da zona euro por via direta e/ou indireta, expressa pelo professor alemão Ansgar Belke, não ficou, também, longe da verdade.

Não se concretizou, também, o risco de reestruturações das dívidas soberanas na Europa, nem mesmo a negociação da reestruturação parcial da dívida grega, entretanto decidida, ainda foi concluída com os credores privados. Os temores de que algo desagradável poderia acontecer com Espanha acabaram por não se concretizar e foi Itália que subiu às luzes da ribalta da crise do euro.

O consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya previu que a notação de crédito de França fosse cortada, mas acabou por serem os EUA a inaugurarem a saída do rating triplo A com uma crise política no verão. Algo surpreendente para a maioria dos analistas, que nunca esperariam que uma grande agência de notação – além do mais detida por um grupo financeiro norte-americano – tocasse na superpotência que detém o privilégio da divisa mundial e do poder militar global. Se houve um “cisne cinzento” (improvável, mas não impensável), o corte da notação norte-americana pode ser o principal candidato de 2011.

Os piores cenários de um aprofundamento da crise também não se concretizaram, apesar de, no verão, a economia mundial ter estado à beira da “tempestade perfeita”, como então relatámos – com a convergência de uma crise aguda na zona euro de cimeira em cimeira ineficaz, de uma crise política em Washington e risco de um incumprimento seletivo da dívida nos EUA, e de um surto inflacionário na China.

A Primavera Árabe, um “cisne negro” da geopolítica mundial, acabou por nascer em dezembro de 2010 nas ruas de Tripoli com a auto imolação do jovem Mohamed Bouazizi, um vendedor de rua de frutas e legumes, ainda que o seu impacto se tenha feito sentir ao longo de 2011 em todo o Magrebe e Médio Oriente. O temor de um choque sobre o preço do petróleo, repetindo o verão de 2008, acabou por não acontecer em 2011.

Os dois BRIC vão avançar com legislação em janeiro. China faz primeira mudança desde outubro 2007. E Índia autoriza investidores individuais estrangeiros a adquirir ações no mercado bolsista.

O novo ano abre com mexidas na China e na Índia – dois dos BRIC – favoráveis ao investimento estrangeiro.

O Ministério do Comércio da China e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma anunciou no final do ano que procedeu a uma revisão das regras sobre investimento estrangeiro a entrar em execução a partir de 30 de janeiro de 2012. Segundo a revista chinesa independente Caixin, a China abre mais as portas em 9 sectores de serviços, incluindo o capital de risco e a proteção de direitos intelectuais, bem como nas tecnologias, com destaque para a indústria de equipamentos de alto valor acrescentado, para a biotecnologia, para as tecnologias de informação e para energias alternativas e indústrias que sejam eficientes em termos energéticos.

Além deste alargamento nestes setores considerados “de encorajamento” ao capital estrangeiro, a China removeu os tetos na participação de capital estrangeiro em 11 sectores bem como no leasing e no sector de saúde. Em compensação, a China fechará os apoios no sector da construção automóvel, alegando que já há sobrecapacidade instalada.

Por seu lado, o Banco Central da Índia e o Regulador dos Mercados Financeiros informou que o país passará a permitir, a partir de 15 de janeiro, que investidores individuais estrangeiros possam adquirir ações nos mercados bolsistas locais. Esta decisão já tinha sido avançada como estando em estudo em outubro de 2010 e foi confirmada em novembro passado por R. Gopalan, secretário de assuntos económicos no Ministério das Finanças. O objectivo é alargar o segmento dos investidores, atrair mais fundos estrangeiros e reduzir a volatilidade do mercado bolsista indiano. No ano passado, os investidores estrangeiros alienaram cerca de 500 milhões de dólares em ações. A Índia não quer que isso volte a acontecer.

Bolsas mundiais perdem €4 biliões em 2011. Foi este o valor do crash. A capitalização bolsista mundial caiu de 54 biliões de dólares para 48,9 biliões entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011. O índice mundial das bolsas desceu 9,4% nesses doze meses. Ouro e barril de Brent valorizaram-se, mas preço da prata acabou por cair.

Depois de dois anos de recuperação bolsista em 2009 e 2010, o índice mundial das bolsas (MSCI AC World Index) voltou ao vermelho, caiu 9,4% entre o final de 2010 e o final de 2011.

No pico da crise financeira, as bolsas mundiais perderam 46,5% do seu valor ao longo de 2008, eliminando cerca de 28,3 biliões de dólares (28.300 mil milhões de dólares, ou 28,3 triliões na designação norte-americana). Ao longo de 2011 perderam 5,1 biliões de dólares, cerca de €4 biliões. O “urso” regressou, mas a “limpeza” foi muito inferior à derrocada de 2008.

O sector financeiro cotado perdeu 21,5% da sua capitalização bolsista em 2011, revelando onde se deu o maior impacto da crise.

Também o preço da onça de prata caiu 9,7% entre o final de 2010 e o final de 2011, depois de alguma euforia no primeiro semestre, tendo chegado a 48,58 dólares por onça (não longe do máximo histórico de 49,45 dólares dos anos 1980).

Pelo contrário, a onça de ouro viu o seu preço aumentar 10,2% e o barril de Brent valorizou-se 13%. No entanto, o valor de fecho da onça de ouro a 30 de dezembro de 2011 foi de 1566,8 dólares, longe do pico de 1889,70 dólares (em valor de fecho diário) no verão. No caso do barril de Brent, apesar do aumento, não se verificou um novo choque petrolífero, com um disparo como o do verão de 2008.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria a pressionar o comité de credores privados da dívida grega a aceitar um “corte de cabelo” (hair cut, na designação técnica) que poderá chegar aos 65% do valor líquido atual dessa dívida, segundo noticiou a agência Bloomberg na quinta-feira.

Um corte dessa dimensão no valor líquido atual em mão de credores privados significaria um abate de mais de €130 mil milhões nos €206 mil milhões em dívida a privados. Os restantes €70 mil milhões seriam trocados por novos títulos com um cupão de 5%, que se regeriam pela lei inglesa, e teriam o mesmo estatuto de senioridade que as dívidas de Atenas à troika de emprestadores envolvidos nos dois planos de resgate.

Recorde-se que o hedge fund Veja Asset Management saiu, recentemente, da negociação por não aceitar um “corte de cabelo” superior a 50% no valor líquido atual.

O diretor do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou quarta-feira (21 de dezembro) à tarde (horas de Washington DC) em um dos blogues do Fundo (IMF Direct) um balanço arrasador do ano de 2011. “Tudo somado, o final do ano está muito pior do que o início”, refere quase a concluir em “Quatro duras verdades”.

Entre as quatro lições que Olivier Blanchard tirou, uma diz respeito às estratégias que têm sido advogadas no campo da consolidação orçamental (vulgo austeridade), e é, no mínimo paradoxal: “Segundo algumas estimativas preliminares que o FMI está a preparar não se necessita de grandes multiplicadores para que o efeito conjunto da consolidação orçamental e da queda do crescimento que esta implica termine numa alta – e não em uma diminuição – dos prémios de risco dos títulos públicos”.
Esquizofrenia dos mercados financeiros

Ou seja, os apressados, com vontade de mostrar serviço aos “mercados”, acabam por ser vítimas do que Blanchard chama de “esquizofrenia” dos investidores financeiros: “Eles reagem bem quando se anunciam consolidações orçamentais, contudo reagem mal quando a consolidação conduz a um menor crescimento, como está a ocorrer”.

Blanchard sublinha que “deve haver consolidação orçamental substancial e que os níveis de dívida devem baixar”. E, com subtileza, cita a chanceler Ângela Merkel, para recordar que as consolidações orçamentais devem ser uma “maratona” e não uma corrida de velocidade. “Serão precisas mais de duas décadas para regressar a níveis de dívida prudentes”, escreve. E recorda um ditado: “sem pressa, mas constante, é que se ganha a corrida”.

Conclusão desta lição: “Necessitamos de planos de consolidação orçamental, mas realistas”.

Mais três lições

As outras três lições são, também, interessantes.

Em períodos de crise ficam muito claros os equilíbrios e desequilíbrios “múltiplos”, cujo pessimismo ou otimismo que trazem se auto-alimenta com profundas implicações macroeconómicas, como Blanchard refere. Um dos problemas que o economista do FMI refere é precisamente a distância entre solvência e incumprimento. Daí que advogue injeção de liquidez. Para que uma não se transforme na outra, ou seja mude de estado.

A segunda lição tem a ver com a imagem dos decisores. “Medidas de política incompletas ou parciais podem piorar as coisas”, adverte. A ideia de que é “melhor ter tentado e fracassado do que não ter tentado nunca” nem sempre se aplica, diz Blanchard. E sobretudo anunciar grandes planos sem que se coloquem em prática ou que defrontem obstáculos práticos é o pior que pode acontecer para o olhar dos investidores.

A última lição tem a ver com a perceção dos mercados financeiros. A partir do momento em que se gera uma dada perceção ela altera a realidade. Blanchard recorda que se observou isso recentemente com Itália ou com o euro.

O economista apela a que haja uma colaboração “entre todos os interessados”, e confia que assim será. “A alternativa é francamente desagradável”, termina o artigo no blogue.

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