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	<title>Geoscópio &#187; Estados fora do baralho</title>
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		<title>16 de março: Chipre vem fazer companhia a Portugal no TOP 10 &#8212; diário de bordo 573</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Mar 2012 10:05:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JNR</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi a surpresa da semana. Chipre saiu da sombra da crise grega para o 2º lugar no TOP 10 dos países com mais alta probabilidade de incumprimento da sua dívida num horizonte de cinco anos (o que temos designado de &#8220;clube da bancarrota&#8221;). Ultrapassou sexta-feira nove membros do &#8220;clube&#8221; de um só golpe com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Foi a surpresa da semana. Chipre saiu da sombra da crise grega para o 2º lugar no TOP 10 dos países com mais alta probabilidade de incumprimento da sua dívida num horizonte de cinco anos (o que temos designado de &#8220;clube da bancarrota&#8221;). Ultrapassou sexta-feira nove membros do &#8220;clube&#8221; de um só golpe com o risco a disparar para 62,23%, segundo dados da CMA DataVision. O preço dos credit default swaps (seguros financeiros contra o risco de incumprimento) atingiu os 1150 pontos base, a uma distância de menos de 150 pontos do custo dos cds para a dívida portuguesa.</strong></p>
<p>Chipre veio fazer companhia a Portugal no topo do &#8220;clube&#8221;. A diferença de risco entre os dois países é de pouco mais de 3 pontos percentuais e a distância para o terceiro e o quarto &#8220;classificados&#8221;, o Paquistão e a Irlanda, é de quase vinte pontos percentuais.</p>
<p>Segundo o Cyprus Mail, de Nicósia, dois fatores convergiram para o disparo de sexta-feira que tornou Chipre o protagonista do dia. O ministro das Finanças, Kikis Kazamias, pediu a demissão, dias depois da agência de notação Moody&#8217;s ter cortado o rating da dívida cipriota para o estatuto de &#8220;especulativa&#8221; (vulgo &#8220;lixo&#8221;), baixando a notação de Baa3 para Ba1, e adicionando uma perspetiva negativa (o que significa que poderá voltar a cortar a notação). Já anteriormente a Standard &#038; Poor&#8217;s (S&#038;P) havia cortado a notação para BB+, em terreno especulativo.</p>
<p>Comparativamente, a notação da dívida portuguesa desceu, desde fevereiro, para Ba3 (dois níveis abaixo da cipriota), segundo a Moody&#8217;s, e para BB (um nível abaixo do cipriota), desde janeiro, segundo a S&#038;P.</p>
<p><strong>Exposição à Grécia e financiamento russo</strong></p>
<p>As razões deste corte de notação derivam da enorme exposição da banca cipriota à Grécia. Estima-se que a recapitalização dos bancos cipriotas exija um esforço equivalente a 20% do PIB da pequena economia insular do Mediterrâneo Oriental. Chipre pode ser a principal vítima da reestruturação parcial da dívida grega e o primeiro elo do &#8220;contágio&#8221;.</p>
<p>A terceira mais pequena economia da zona euro, com um PIB anual de apenas 17 mil milhões de euros, sobrevive graças a um empréstimo bilateral da Rússia de 2,5 mil milhões de euros. Desde maio de 2011 que Chipre não consegue emitir dívida junto dos mercados financeiros.</p>
<p>As yields (juros) dos títulos cipriotas a dez anos estão em 13%, segundo a Reuters, um  nível no mesmo patamar dos juros das obrigações do Tesouro português com a mesma maturidade, que fecharam na sexta-feira em 13,66%.</p>
<p>A partir de 1 de julho, Chipre assume, por um semestre, a presidência do Conselho da União Europeia. </p>
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		<title>11 de fevereiro Grécia à espera de domingo &#8212; diário de bordo 548</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Feb 2012 09:20:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JNR</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O governo chefiado pelo tecnocrata Lucas Papademos acabou por aprovar por unanimidade, sexta-feira já de noite, o novo plano adicional de austeridade exigido pelo Eurogrupo (reunião dos ministros das Finanças da zona euro) na quinta-feira, depois de seis ministros terem abandonado o gabinete ao longo dos dias 9 e 10 de fevereiro. Um dos partidos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O governo chefiado pelo tecnocrata Lucas Papademos acabou por aprovar por unanimidade, sexta-feira já de noite, o novo plano adicional de austeridade exigido pelo Eurogrupo (reunião dos ministros das Finanças da zona euro) na quinta-feira, depois de seis ministros terem abandonado o gabinete ao longo dos dias 9 e 10 de fevereiro. Um dos partidos da coligação, o LAOS, de extrema-direita (e com 16 deputados nos 300 eleitos), retirou o apoio ao governo &#8211; os seus ministros pediram demissão &#8211; e clamou que não aceitará a &#8220;bota alemã&#8221;. O Banco da Grécia foi renomeado com spray como &#8220;Banco de Berlim&#8221; por ativistas. Os outros dois partidos da coligação &#8211; PASOK e Nova Democracia &#8211; estão, também, em ebulição.<br />
</strong><br />
O documento de centenas de páginas &#8211; 350 em inglês, 450 em grego &#8211; foi remetido para o Parlamento. A primeira etapa é a sua discussão e votação hoje à tarde na Comissão Parlamentar de Assuntos Económicos. Os 300 deputados deverão votá-lo no domingo à noite numa sessão para o efeito. Papademos conta, teoricamente, com 236 deputados em 300. As estimativas citadas pelo jornal grego Kathimerini apontam para 50 votos contra apenas. Mas a expectativa é enorme. O primeiro-ministro referiu, ontem, que ou se aprova o novo plano, ou será o &#8220;caos&#8221;.</p>
<p><strong>Pacotão legislativo</strong></p>
<p>O &#8220;pacotão legislativo&#8221; inclui, segundo o jornal grego ProtoThema, 4 artigos descrevendo a re-estruturação da dívida negociada com os credores privados (o que é conhecido pelo acrónimo PSI), a recapitalização dos bancos e o apoio aos fundos; 3 enormíssimos anexos com metas de austeridade, e uma &#8220;Carta de Intenções&#8221; para ser enviada ao Eurogrupo, ao comissário europeu Olli Rehn e ao presidente do Banco Central Europeu. Na carta admite-se que &#8220;ações de correção que se tornem apropriadas&#8221; poderão ser necessárias &#8220;se as circunstâncias mudarem&#8221;. O que fica nas mãos de um triunvirato &#8211; Lucas Papademos, o primeiro-ministro, Evangelos Venizelos, o ministro das Finanças (e apontado como futuro presidente do PASOK), e George Provopoulos, o governador do Banco da Grécia.</p>
<p>O plano refere um corte do salário mínimo em 22%, cortes nos pensionistas num montante de 300 milhões de euros por ano, bem como cortes nas despesas militares e de saúde. Curiosamente, o documento não refere o montante do segundo plano de resgate. O número que foi falado na cimeira europeia aponta para €130 mil milhões, mas há quem afirme que haverá que adicionar mais €15 mil milhões para a recapitalização dos bancos gregos depois da re-estruturação parcial da dívida ser concluída com a troca de títulos e um &#8220;corte de cabelo&#8221; (<em>hair cut</em>) no seu valor atual.</p>
<p>O PASOK &#8211; que governou o país desde o final de 2009 até à sua substituição em novembro de 2011 pelo governo de coligação chefiado por Lucas Papademos &#8211; e a Nova Democracia &#8211; que em finais de 2009 deixou a Grécia à beira da bancarrota &#8211; reúnem hoje os seus estados-maiores para decidir o voto no domingo.</p>
<p>Entretanto, o sindicato de polícia declarou os membros da <em>troika</em> como criminosos. E rumores de um golpe de estado em germinação percorreram Atenas lançados por alguns diplomatas ocidentais.</p>
<p>Uma manifestação está convocada para a Praça Sintagma no domingo em frente ao Parlamento.</p>
<p><strong>Calendário crítico das próximas semanas</strong></p>
<p>O Eurogrupo deverá reunir na quarta-feira e, depois, de novo, dia 20 de fevereiro. O Parlamento alemão &#8211; o Bundestag &#8211; deverá votar o propósito de um segundo plano de resgate da <em>troika</em> à Grécia a 27 de fevereiro. A 29 de fevereiro, o Banco Central Europeu tem previsto a abertura da segunda operação de financiamento de liquidez a 3 anos, conhecida pela sigla LTRO, e a que se espera que ainda mais bancos acorram, envolvendo um montante ainda maior do que os anteriores cerca de 500 mil milhões, que muitos consideram a verdadeira &#8220;bazuca&#8221; que tem segurado os &#8220;sucessos&#8221; das colocações de dívida soberana na zona euro. A cimeira da União Europeia está prevista para dias 1 e 2 de março.</p>
<p>A Grécia deveria lançar uma oferta de reestruturação da dívida aos credores privados até meados deste mês &#8211; meio da próxima semana &#8211; para poder proceder à troca de títulos em tempo útil antes do refinanciamento de um montante de dívida de €14,5 mil  milhões a 20 de março, considerado o dia &#8220;D&#8221;. O Tesouro grego tem um leilão de dívida de muito curto prazo, de bilhetes com vencimento a 3 meses, para 14 de fevereiro.</p>
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		<title>O anel de pedra de Ormuz agora salpicado de crude &#8212; diário de bordo 515</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jan 2012 11:22:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JNR</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É uma das incógnitas de 2012. O Irão tem estado em foco por uma convergência de episódios e decisões. E o estreito de Ormuz surgiu como peça destes jogos de nervos. Durante 10 dias, a marinha iraniana desenvolveu o &#8220;Velayat 90&#8243;, um conjunto de exercícios militares navais que se estenderam pelo Golfo do Pérsico, Golfo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>É uma das incógnitas de 2012. O Irão tem estado em foco por uma convergência de episódios e decisões. E o estreito de Ormuz surgiu como peça destes jogos de nervos.</strong></p>
<p>Durante 10 dias, a marinha iraniana desenvolveu o &#8220;Velayat 90&#8243;, um conjunto de exercícios militares navais que se estenderam pelo Golfo do Pérsico, Golfo de Omã e Mar Arábico. Os exercícios colocaram as forças iranianas na proximidade da 5ª Esquadra norte-americana que opera a partir do Bahrain.</p>
<p>No final do ano, os EUA aprovaram sanções contra o Irão que penalizarão fortemente os clientes do petróleo iraniano, entre os quais se encontram, em 85% dos casos, asiáticos e, em 17%, países da União Europeia, com destaque para a Grécia, Itália e Espanha. O presidente Obama assinou uma lei que impede o acesso ao sistema financeiro norte-americano por parte de todos os bancos estrangeiros que realizem operações com o banco central do Irão.</p>
<p>Em simultâneo, estrategos norte-americanos referem ser o momento certo para um ataque cirúrgico a alvos do projeto nuclear no Irão. &#8220;Na hora de atacar o Irão &#8211; porque razão um ataque é a menor das piores opções&#8221; é o título de um dos artigos simbólicos desta ótica, escrito por Mathew Kroenig, do Council of Foreign Relations norte-americano, na edição de janeiro/fevereiro da  revista Foreign Affairs, acabada de publicar.</p>
<p><strong>&#8220;Linha vermelha&#8221;</strong></p>
<p>O vice-presidente iraniano falou, durante os exercícios, de bloquear o Estreito de Ormuz se as sanções se impuserem efectivamente. O estreito é um corredor que a Energy Information Administration considera &#8220;o mais importante ferrolho do petróleo&#8221; do mundo. Por ele passa um pouco mais de 1/3 do petróleo transportado por via marítima.</p>
<p>Durante a guerra do Irão e do Iraque, nos anos 1980, os iranianos minaram as águas do estreito e comandos em barcos de borracha atacaram petroleiros. Uma brincadeira comparada com a capacidade atual iraniana. &#8220;[Fechar o estreito] é tão fácil como beber um copo de água&#8221;, disse o almirante iraniano Habibollah Sayari.</p>
<p>Mas, como se verificou nestes exercícios, o estreito pode ser afetado a partir do Golfo do Omã, a sul do Estreito, que é ladeado pelo Irão e pelo Omã. Os exercícios navais recentes pretendem projetar a capacidade iraniana também no Índico ocidental.</p>
<p>O secretário de Estado da Defesa norte-americano, Leon Panneta, afirmou a 8 de janeiro na cadeia norte-americana CBS que, se o Irão bloquear o estreito, os EUA entrarão em campo para anular o bloqueio. &#8220;É uma outra linha vermelha&#8221; que os iranianos não poderão ultrapassar, disse.</p>
<p><strong>O Dragão no chatrang</strong></p>
<p>O xadrez da zona é muito complexo. Os iranianos jogam xadrez desde há 1400 anos quando o jogo era conhecido pelo nome de chatrang, em persa (do livro <em>Mâdayân î chatrang </em>- Livro de xadrez &#8211; do século VII).</p>
<p>Uma das peças do tabuleiro de hoje é a China, o cliente principal, que importa 21% do petróleo iraniano exportado. O Irão, que fornece 11,4% das importações petrolíferas chinesas, é o terceiro fornecedor da China, depois de Arábia Saudita (que fornece 20,5%) e Angola (que fornece 15,8%). As empresas chinesas são os principais investidores no sector energético iraniano. A China importa, ainda, 12,8% do Omã, Iraque e Kuwait.</p>
<p>A própria Europa &#8220;periférica&#8221; mediterrânica importa do Irão. A Grécia, na liderança, importa 25% das suas necessidades. Atenas é a capital europeia mais sensível a estes rumores de guerra. Itália importa 13% e Espanha 10%.</p>
<p>Os Estados Unidos importam de três fornecedores da zona &#8211; Arábia Saudita, Iraque e Kuwait; no total, apenas 18,2% das suas necessidades.</p>
<p>No calendário destes jogos, o secretário do Tesouro norte-americano desloca-se na próxima semana à China e ao Japão. A Europa, que acordou em princípio seguir a posição norte-americana, deverá tomar uma posição final na cimeira europeia de 30 de janeiro. Mas os próprios europeus discutem um &#8220;período de graça&#8221; de não aplicação do embargo nos contratos em curso.</p>
<p>Entretanto, novos exercícios navais iranianos estão previstos para fevereiro.</p>
<p><strong>Brent sobe 6 dólares</strong></p>
<p>O preço do barril de Brent, a variedade de referência na Europa, subiu 6 dólares entre o final do ano e hoje. De 107 dólares passou para 113, e está a oscilar em torno desse valor. Alguns analistas falam do risco de um choque petrolífero, se algum dos cenários de guerra se concretizar.</p>
<p>O preço do barril de petróleo tem sido sensível a estes rumores de eventual bloqueio ao estreito ou de operação relâmpago contra as instalações nucleares iranianas. O que pode ainda ser temperado com alguma guerra na Síria, se a NATO aí intervir como o fez na Líbia no ano passado.</p>
<p><strong>Há vias alternativas em caso de bloqueio?</strong></p>
<p>Os analistas apontam quatro. Duas delas revertem para o Mar Vermelho, uma para o Líbano, e outra para o Golfo de Omã.</p>
<p>. Reativar o oleoduto iraquiano-saudita (conhecido pelo acrónimo IPSA) que termina no porto de Yanbu, no Mar Vermelho acima de Jedá, e que pode transportar 1,65 milhões de barris por dia. Foi construído durante a guerra do Iraque com o Irão, precisamente para fugir ao transporte pelo Golfo Pérsico.</p>
<p>. Reativar a linha do Transarabian Pipeline (Tapline) da Arábia Saudita para o porto de Zahrani no Líbano que transporta 500 mil barris por dia.</p>
<p>. Outra via a usar pelo crude saudita pode ser a oleoduto Este-Oeste com mais de 1100 quilómetros entre Jubail no Golfo Pérsico e Yanbu no Mar Vermelho, o que favoreceria o estreito de Aden (pirataria somali por perto) e o canal do Suez (instabilidade no Egito), e que pode transportar 5 milhões de barris por dia.</p>
<p>. Os Emirados Árabes Unidos poderão acelerar a conclusão do projeto do oleoduto do Abu Dhabi que pode fazer correr crude equivalente a 2,5 milhões de barris por dia; o oleoduto com 375 quilómetros parte do sudoeste dos emirados para o porto de Fujairah, no Golfo do Omã, já a sul do estreito de Ormuz. O oleoduto está a ser construído por uma empresa chinesa e deverá estar operacional &#8220;em breve&#8221;, segundo o ministro Mohammad Bin Dha&#8217;en Al Hameli afirmou em dezembro. Mas o Golfo de Omã é um espaço marítimo internacional onde os iranianos consideram poder atuar.</p>
<p><strong>Curiosidade histórica</strong></p>
<p>Ormuz era uma das joias do Médio Oriente cobiçadas por Afonso de Albuquerque e pelo rei em Lisboa, Manuel I. Albuquerque conquistaria a ilha em 1507, que acabou por ficar sob suserania portuguesa entre 1515 e 1622. Os árabes chamavam-lhe, na época de Quinhentos, &#8220;o anel de pedra do mundo&#8221;. Era um dos ferrolhos geoestratégicos (<em>chokepoints</em>, na designação técnica) por onde todos os produtos do Oriente passavam. Fez parte das três &#8220;quinas&#8221; do império português em rede no Índico &#8211; Sofala (no atual Moçambique), Ormuz (no atual Irão) e Malaca (na atual Malásia).</p>
<p><strong>Estatísticas</strong></p>
<p><em><strong>Números-chave do crude do Irão</strong></em></p>
<p>. Exporta 2,6 milhões de barris por dia</p>
<p>. Produz 3,5 milhões de barris por dia</p>
<p>. 2º maior produtor da OPEP</p>
<p>. Principal cliente do crude iraniano: China (com 21% da exportação iraniana) que adquire mais de meio milhão de barris por dia</p>
<p>. Outros clientes importantes: União Europeia (17% da exportação iraniana), Japão e Coreia do Sul</p>
<p><em><strong>Quanto &#8220;vale&#8221; o estreito de Ormuz?</strong></em></p>
<p>. Mais de 1/3 do petróleo transportado por via marítima</p>
<p>. 20% do petróleo comercializado à escala mundial passa pelo estreito</p>
<p>. O seu peso como ponto de passagem diminuiu de 2008 para 2009 em mais de 7%</p>
<p>. 15,5 a 17 milhões de barris por dia passam pelo estreito de Ormuz</p>
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		<title>Quando os bancos avisam que sair do euro pode dar guerra civil ou ditadura &#8212; diário de bordo 365</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Sep 2011 22:46:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JNR</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desintegração da zona euro poderia gerar ditaduras e guerras civis. São as conclusões políticas de um estudo de choque da equipa de investigação do banco suíço UBS. O estudo quantifica a secessão de um “periférico” e a saída de um dos países do núcleo duro da zona monetária. Em qualquer dos casos, as consequências são [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Desintegração da zona euro poderia gerar ditaduras e guerras civis. São as conclusões políticas de um estudo de choque da equipa de investigação do banco suíço UBS. O estudo quantifica a secessão de um “periférico” e a saída de um dos países do núcleo duro da zona monetária. Em qualquer dos casos, as consequências são pesadas.</strong></p>
<p><a href="http://liswires.com/archives/1167">SUMMARY IN ENGLISH VERSION</a></p>
<p>As consequências políticas de uma fragmentação de uma zona monetária são muito sérias. Aos efeitos monetários e económicos associar-se-ão provavelmente um de dois resultados: &#8220;Ou se caminha para uma resposta mais autoritária de governo para conter ou reprimir a desordem social &#8211; um cenário que tenderá a exigir uma mudança de governo democrático para autoritário ou militar -, ou, em alternativa, a desordem social se misturará com fraturas na sociedade para dividir o país, redundando em guerra civil&#8221;.</p>
<p>Estas previsões são apresentadas num relatório de choque do banco UBS, nas “<a href="http://www.ekaicenter.eu/wp-content/uploads/UBSReportEuroBreakUp.pdf">Global Economic Perspectives</a>” (de 6 de setembro), da autoria de Stephane Deo, Paul Donovan e Larry Hatheway, a que o Financial Times e o Business Insider tiveram acesso.</p>
<p>Apesar do cenário negro, o relatório admite que a zona euro acabará por evoluir, mesmo que lentamente (o ministro das Finanças alemão falava hoje no Financial Times dos alemães serem adeptos de &#8220;pequenos passos&#8221;) e muito dolorosamente, para a integração orçamental e a governação económica. A história apontaria nesse sentido: “O nosso ponto de vista central para o euro é que a união monetária acabará por se manter, com algum tipo de confederação orçamental – fornecendo estabilizadores automáticos às economias, não transferências aos governos. Foi, assim, que a união monetária dos EUA ressurgiu nos anos 1930. Foi, assim, também, com a união monetária no Reino Unido, e com a união monetária alemã”.</p>
<p><strong>8 impactos e uma consequência geopolítica (não referida)</strong></p>
<p>Mas as conclusões para que o relatório aponta merecem reflexão no detalhe:</p>
<p>1- A zona euro não pode continuar com esta estrutura e com estes membros atuais. &#8220;Com a atual estrutura e com os atuais membros, o euro não funciona. Ou a estrutura atual muda, ou os membros terão de mudar&#8221;. Mas a fragmentação ou liquidação da zona monetária única tem um custo ainda mais elevado e “a sua probabilidade é quase zero”. As “discussões populares sobre a opção de desmembramento subestimam consideravelmente as consequências de tal movimento”.</p>
<p>2- O custo de abandono unilateral da zona euro para um país “fraco&#8221; (e os autores têm em mente o que designam por “países do sul da Europa”) ronda os 40 a 50% do seu produto interno bruto (PIB) no primeiro ano depois da saída do euro. Para cada cidadão do país que sai, o custo dessa opção rondará os 9500 a 11500 euros no primeiro ano e entre 3000 a 4000 euros por ano nos anos subsequentes. Tal decisão implicaria um corredor de situações desagradáveis: default da dívida soberana; bancarrota de empresas; colapso do sistema bancário, com corrida aos bancos e levantamento de depósitos; impacto no comércio internacional associado; probabilidade de dissensões internas no próprio país com regiões pretendendo manter a ligação à zona monetária, sobretudo em países com uma história marcada por fortes divisões internas. Por isso, sublinha o estudo, os números avançados são “estimativas conservadoras”.</p>
<p>3- A ideia de que, no caso de saída de um país “fraco” chegaria uma pequena depreciação da nova moeda na ordem dos 10% a 20% em relação ao euro “é uma fantasia”. Ou a depreciação é severa (na ordem dos 50% a 60%, alvitra o estudo), ou se o seu valor oficial é mantido terão de haver controlos extremos de capital, que tornem a nova divisa efetivamente inconvertível. Por outro lado, os antigos parceiros certamente retaliariam impondo tarifas elevadas (eventualmente idênticas à desvalorização efetuada pela nova divisa) sobre as importações oriundas do país secessionista.</p>
<p>4- No caso de um país “forte”, do &#8220;núcleo duro&#8221; da zona euro, uma saída do euro teria implicações sérias em empresas de referência exportadoras (em virtude da apreciação da nova divisa, provavelmente na ordem dos 40%), obrigaria a uma reestruturação do sistema bancário e teria implicações no comércio internacional (estima-se que na ordem dos 20%), prejudicando sobretudo o sector exportador. O impacto, no caso da Alemanha, por exemplo, seria de 20 a 25% do PIB.</p>
<p>5- Em termos comparativos, para o caso germânico, a saída do euro implicaria para cada alemão um custo de 6000 a 8000 euros no primeiro ano e entre 3500 a 4500 euros por ano nos anos subsequentes, enquanto um resgate da Grécia, Portugal e Irlanda, em caso de bancarrota com um hair cut (corte de cabelo) da dívida na ordem dos 50%, custaria, apenas, 1000 euros de uma só vez a cada alemão.</p>
<p>6- Dada a assimetria das economias e sociedades que são membros de uma zona monetária única, e na ausência de homogeneidade, são indispensáveis mecanismos de flexibilização. Para os autores, isso só será possível no quadro de “algum tipo de união orçamental”.</p>
<p>7- Muitos políticos, analistas e economistas julgam que a saída do euro é a solução para estimular crescimento. Encaram a zona euro como um mero super-mecanismo de taxas de câmbio, cujo desmembramento apenas acarretaria “poucas” mais consequências  do que as da crise do ERM (mecanismo europeu de taxas de câmbio, criado em 1979) e da sua fragmentação parcial de 1992-1993. Os autores aconselham a que se tome como ‘benchmark’ histórico os casos do colapso da união monetária norte-americana em 1932-1933 e a bancarrota argentina de 2001.</p>
<p>8- Mas o custo económico e monetário deve ser &#8220;a última das preocupações dos investidores&#8221;. Porquê? Porque as consequências políticas são mais gravosas ainda: &#8220;Merece a pena salientar que quase nenhuma união monetária moderna se dissolveu sem alguma forma de governo autoritário ou militar, ou guerra civil&#8221;. Do ponto de vista da projeção e da imagem da Europa seria um rude golpe no “seu soft power – na medida em que o conceito de ‘Europa’ como uma unidade política integrada deixaria de fazer sentido”.</p>
<p><strong>Condição de <em>shatterbelt</em></strong></p>
<p>Acresce ainda um outro detalhe que não é referido pelo relatório. Para além das consequências políticas de regime ou de guerra civil, a turbulência nos países &#8220;periféricos&#8221; da atual zona euro traria consequências geopolíticas, em situações de caos político e desagregação do estado e da sociedade. Estes países encontram-se no que se designa em geoestratégia de zonas de embate (shatterbelt) entre grandes potências, frequentemente sujeitas, ao longo da história, a serem palcos de disputas diretas ou indiretas de terceiros próximos ou longínquos.</p>
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		<title>&#8216;Revolução de Jasmim&#8217; no Petróleo: OPEP aguenta enquanto Arábia Saudita não for tocada</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Mar 2011 22:31:17 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O cartel dos exportadores de petróleo pode usar a sua capacidade excedentária e a Europa pode recorrer à sua reserva estratégica para amenizar os efeitos de uma interrupção brutal dos fornecimentos de petróleo em virtude da guerra civil na Líbia, dizem os especialistas, na maioria árabes, ouvidos. Mas a folga esgota-se em 2013, diz a Morgan Stanley. O impacto negativo no crescimento da zona euro (onde nos inserimos) se o barril chegar aos 120 dólares de preço médio anual será na ordem de 0,3 pontos percentuais já este ano, segundo a Ernst &#038; Young.</strong></p>
<p><em>IDEIAS CENTRAIS</em><br />
. Cada 20 dólares de aumento do preço do barril de crude implica 1 ponto percentual de quebra no PIB, segundo FMI<br />
. Com o barril a 120 dólares, o “corte” no PIB da zona euro será de 0,3 pontos percentuais em 2011 e 0,4 pontos percentuais em 2012, segundo Ernst &#038; Young<br />
. Com o barril a 120 dólares, a inflação em 2011 poderá chegar aos 3% na zona euro<br />
. China decide “arrefecer” o crescimento no quinquénio, diz o seu primeiro-ministro<br />
. OPEP tem capacidade por utilizar por enquanto para enfrentar rutura líbia<br />
. Morgan Stanley diz que essa “folga” se esgota em 2013<br />
. Espera-se que prémio de risco geopolítico continue a influenciar o preço do crude enquanto durar o dominó árabe<br />
. Especulação “deslocou-se” das commodities agrícolas para o petróleo<br />
. Situação será muito grave se o dominó árabe tocar Arábia Saudita e Argélia</p>
<p><em>Especialistas ouvidos: Toufic El Asmar (FAO); David Kotok (Cumberland Advisors); Hatem Elrefaei (Universidade Ain Shams, do Cairo); Mamdouh Salameh (Banco Mundial e UNIDO); Luís de Sousa (The Oild Drum).</em></p>
<p>[TEXTO LONGO]<br />
Com os preços dos futuros do barril de Brent a atingir desde 1 de fevereiro valores acima de 100 dólares voltou à ribalta o risco de um choque petrolífero semelhante ao de 2008. Hoje, os futuros para abril desta variedade negociada em Londres – considerada a referência mundial – estão acima de 116 dólares.<br />
Para muitos analistas, esta alta é derivada do pânico motivado pelo dominó recente de levantamentos populares na região do Magrebe e do Médio Oriente. </p>
<p>O que incendeia a especulação neste mercado. “Os especuladores saíram do mercado das commodities agrícolas e viraram-se, agora, para alternativas, como o petróleo”, diz-nos Toufic El Asmar, consultor em segurança alimentar da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e da Organização Meteorológica Mundial e especialista da ASPO, a organização internacional de estudo do pico do petróleo e do gás. </p>
<p><strong>Impacto no crescimento: 1% por cada 20 dólares de aumento</strong></p>
<p>Se os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) estiverem certos, um aumento de 10 dólares no valor nominal do preço do barril de ouro negro poderá equivaler a uma contração de meio ponto percentual no crescimento económico durante dois anos. Ora desde início de janeiro, o barril de Brent já se valorizou em mais de vinte dólares. O impacto negativo poderá, assim, chegar a 1 ponto percentual nas economias com alta vulnerabilidade a estas importações. </p>
<p>O suficiente para obrigar a um “arrefecimento” menos suave (como pode acontecer na China, o motor atual do crescimento mundial), ou passar de crescimento a estagnação, de crescimento medíocre a recessão ou, no pior dos cenários, a um agravamento da contração da economia. </p>
<p>Nos Estados Unidos já se fala mesmo do regresso da “estagflação” típica dos anos 1970 quando dois choques petrolíferos abalaram o mundo. No caso de Portugal que revela uma vulnerabilidade média ao petróleo em termos de segurança energética, um problema mais grave poderá derivar da sua alta vulnerabilidade em termos de gás natural, segundo um estudo desta semana de técnicos do FMI.</p>
<p>O comissário europeu para os assuntos económicos e monetários, Olli Rehn, já referiu que a estimativa para a inflação na zona euro foi revista em alta para 2,2%, com base em estimativas de um preço médio anual do barril de crude nos 100 dólares. Não foi admitida, ainda, qualquer repercussão na estimativa de crescimento anual da zona euro, que foi inclusive aumentada para 1,6%.</p>
<p>No entanto, a Ernst &#038; Young divulgou, esta semana, o seu Eurozone Economic Forecast onde estima que um preço médio anual de 120 dólares por barril implicará uma quebra no PIB de 0,3 pontos percentuais em 2011 e de 0,4 pontos percentuais em 2012. Segundo o mesmo estudo, a inflação poderá chegar, este ano, a 3% naquela hipótese de preço médio.</p>
<p>Entretanto na China, num <em>chat</em> na Internet, o primeiro-ministro Wen Jiabao admitiu uma redução do crescimento anual da economia para uma média de 7% a 8% para o próximo quinquénio, abaixo das médias recentes.</p>
<p><strong>Cisne negro aparece no Lago Mediterrânico</strong></p>
<p>Entre os analistas não há dúvidas de que o prémio de risco geopolítico está a “dirigir” estas subidas nos mercados do crude (tal como no dos metais preciosos). A surpresa não veio do tradicional conflito entre Israel e os seus vizinhos ou do risco de confronto ocidental com o Irão, mas de um ‘cisne negro’ adormecido – o levantamento popular contra os regimes da região do Magrebe ao Médio Oriente. </p>
<p>A secretária de Estado americana Hillary Clinton avisou que “uma tempestade perfeita” poderia cair sobre a região do Mediterrâneo Sul e do Médio Oriente depois do alastramento da ‘Revolução de Jasmim’ tunisina ao Egito. “Isto é muito grande – e pode tornar-se imenso”, diz-nos David Kotok, presidente da Cumberland Advisors, uma firma de consultoria financeira internacional. A ideia de um “dominó árabe” começou a gerar o pânico entre os investidores e algumas potências.</p>
<p>Os americanos estão preocupados com as suas posições na região – por exemplo, o risco de terem de sair a curto prazo da base naval estratégica de Juffair, no Bahrein, ou de perderem a influência no Egito com implicações sobre o controlo do canal do Suez ou a zona de “amortecimento” do Sinai, como nos refere Hatem Elrefaei, professor na Universidade Ain Shams, do Cairo. </p>
<p>O mundo dependente do petróleo e gás daquela região teme uma interrupção abrupta nos fornecimentos, sobretudo se o coração for atingido pela movida popular – como o gás da Argélia (7,8% da exportação mundial) ou do Qatar (também 7,8% da exportação mundial) ou o petróleo da Arábia Saudita (19,1% da exportação mundial), o líder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). </p>
<p>Sobre a Arábia Saudita, a especulação política nunca parou, em virtude do problema da sucessão estar em cima da mesa. Na semana passada, Al-Walled, um sobrinho do rei, publicou no The New York Times um sério aviso: “A não ser que os governos árabes adotem políticas radicalmente diferentes, os seus países sofrerão muito provavelmente mais agitação política e civil”.</p>
<p>A alta finança reza, por seu lado, para que o centro financeiro do Bahrein não vacile – o pequeno arquipélago é o doce lar de muitos milhares de milhões de dólares de fundos. </p>
<p>“Não estou ainda convencido que o dominó em curso possa atingir em cheio os grandes exportadores de petróleo e gás do Médio Oriente e do Magrebe. Mas pode acontecer”, diz-nos Toufic El Asmar. </p>
<p>Os mercados da dívida soberana revelam, no entanto, enorme nervosismo em relação a toda aquela região. O risco de <em>default</em> tem disparado desde o início do ano para mais de uma dezena de países, com particular destaque nestas duas últimas semanas para o Dubai (que está em 8º lugar no TOP 10 mundial desse risco, segundo o monitor da CMA DataVision), Iraque (que está em 9º lugar no mesmo “clube”), Líbano e Egito (que têm andado numa dança de entra-e-sai naquele “clube”) e Bahrein (que tem liderado as subidas de risco em várias sessões). Mas não tem poupado, também, Marrocos, Tunísia e mesmo Israel, Arábia Saudita, Qatar e Abu Dhabi.</p>
<p>Para a Europa, os acontecimentos na Líbia são mais relevantes, sublinha Luís de Sousa, editor do The Oil Drum. “O petróleo líbio tem sido exportado quase exclusivamente para a Europa e a Turquia. A Itália, Espanha e Alemanha são os principais parceiros comerciais por parte da União Europeia. A Itália, em particular, por força do seu estatuto de potência ex-colonizadora, importa quase 40% do seu consumo de petróleo daquele país e dispõe de um gasoduto que vem da Líbia para a Sicília. Também, Espanha, Grécia e Portugal (15% das importações portuguesas) importam da Líbia, que exporta parte desse petróleo já refinado ou pré-refinado”, refere aquele especialista.</p>
<p><strong>Água na fervura</strong><br />
No entanto, os especialistas ouvidos pelo Expresso deitaram alguma água na fervura, mesmo face ao fecho geral de portos na Líbia e à retirada massiva de trabalhadores estrangeiros do país, com destaque para os 36 mil chineses, a maior operação de evacuação feita no estrangeiro jamais realizada pelo governo chinês.</p>
<p>O risco de uma crise no Suez foi muito empolado, aquando do auge da queda de Mubarak. “Foi um fantasma na cabeça dos especuladores”, diz-nos Hatem Elrefaei. A própria ideia de dominó tem de ser moderada: “O processo não é idêntico em toda a região”, acrescenta o especialista egípcio. Admite que a Argélia – cerca de 8% da exportação mundial de gás – possa ser uma das próximas peças, mas não crê que haja condições para um fenómeno similar na Arábia Saudita.</p>
<p>A OPEP poderá neutralizar um cenário de total rutura na Líbia, diz-nos, por seu lado, Mamdouh Salameh, perito do Banco Mundial e da UNIDO. “As exportações líbias podem ser substituídas pela OPEP no curto prazo até que a situação normalize. A organização tem um milhão de barris diários de capacidade por utilizar. Seja qual for o regime, a Líbia regressará à exportação de petróleo”, afirma aquele especialista em petróleos. Luís de Sousa, por seu lado, refere que “a Europa poderá lidar, no imediato com a situação usando a sua reserva estratégica que garante abastecimento por 90 dias”.</p>
<p>Como quadro geral, “mesmo com a mudança de regimes na região, os acordos existentes entre importadores e exportadores não deverão ser modificados ou anulados”, diz Toufic El Asmar. “Mas, talvez, o que poderá mudar são as condições das trocas comerciais e a distribuição dos rendimentos das populações. Mas é cedo para fazer prognósticos”, acrescenta.</p>
<p><strong>Alta veio para ficar</strong></p>
<p>No entanto, a alta do preço do ouro negro veio para ficar. “A OPEP, por um breve período, pode substituir as falhas, mas no longo prazo não pode conter o aumento do preço, pois a sua folga é pequena”, diz Salameh. </p>
<p>El Asmar, por seu lado, refere que há uma mudança estrutural a que muitos governos têm dado pouca atenção: “Alguns fatores não são levados em conta pelos governos como o aumento exponencial da população mundial e o aquecimento global. Estes fatores alteraram a procura e a oferta das principais commodities, sobretudo das alimentares e do petróleo”. E faz uma relação com o atual dominó árabe: “Se reparar todas estas atuais crises no Magrebe e Médio Oriente se iniciaram com um aumento dos preços dos produtos alimentares”.</p>
<p>A Morgan Stanley reforçou esta semana a ideia de que a alta veio para ficar <a href="http://http://www.businessinsider.com/oil-spare-capacity-2013-2011-2?utm_source=Triggermail&#038;utm_medium=email&#038;utm_term=Money+Game+Select&#038;utm_campaign=MoneyGame_Select_030111#ixzz1FLKkVSg3">ao publicar uma estimativa da situação até 2013</a>, ano em que a folga atual se evaporará.</p>
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		<title>Risco geopolítico “incendeia” petróleo, ouro e prata &#8211; diário de bordo 169</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2011 00:51:09 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O agravamento dos acontecimentos na Líbia e no Bahrein, bem como o impasse no G20, estão a colocar um prémio de risco no preço do barril de Brent e a aumentar a atração pelo ouro e pela prata como investimento de refúgio. Grandes quedas nas bolsas de ações.</strong></p>
<p>O efeito dominó no Magrebe e no Médio Oriente com o agravamento da situação na Líbia (2,4% da produção mundial de petróleo) e no Bahrein (arquipélago estratégico no Golfo Pérsico) está a colocar <a href="http://geoscopio.tv/2011/02/geoprotagonistas/o-risco-de-um-novo-choque-petrolifero-diario-de-bordo-162/">um prémio de risco no preço do barril de Brent</a>, cujos futuros para abril atingiram hoje 108 dólares, um aumento de 5% num só dia. Os preços do Brent estão, agora, a nível de abril de 2008 quando começou o último choque petrolífero que conduziria a um máximo em julho de 145 dólares.</p>
<p>Mas o agravamento da situação no Magrebe e no Médio Oriente não provocou reação apenas no ouro negro. Também o ouro propriamente dito viu hoje o preço da onça subir para 1407 dólares, ainda que não tendo atingido o máximo histórico de 1422,6 dólares fixado em 3 de janeiro passado.</p>
<p>Também a prata continua um processo de escalada do preço da onça. Atingiu hoje 33,89 dólares, depois de um processo contínuo de aumento desde setembro de 2010. São os preços mais altos nos últimos trinta anos, depois do máximo atingido em 1981 nos 49,45 dólares.</p>
<p>A procura do ouro e da prata como valores &#8220;refúgio&#8221; e como mercados de especulação deriva, também, do impasse em que está o G20, como ficou, agora, patente na <a href="http://http://geoscopio.tv/2011/02/geoprotagonistas/america-deixou-de-liderar-o-g20-balanco-da-reuniao-de-paris-%E2%80%93-diario-de-bordo-166/">reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais em Paris.</a></p>
<p>Refletindo este nervosismo e especulação no petróleo e nos metais preciosos, a maioria das bolsas na Europa fechou no negativo, com quebras superiores a 2% nos casos de Espanha, Itália, Portugal e Grécia. Também a bolsa marroquina quebrou mais de 2%.</p>
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		<title>Crise do Magrebe: Entrevista com Hatem Elrefaei, Universidade Ain Shams, Cairo – diário de bordo 167</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 22:22:48 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[“Uma nova crise do Suez foi um fantasma na cabeça dos especuladores” Os recentes acontecimentos políticos no Egito geraram rapidamente uma onda de contágio no mercado da dívida soberana e foram considerados como aumentando o risco de prémio geopolítico no preço do barril de petróleo, a commodity mais importante das regiões afetadas pelo fósforo aceso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>“Uma nova crise do Suez foi um fantasma na cabeça dos especuladores”</strong></p>
<p>Os recentes acontecimentos políticos no Egito geraram rapidamente uma onda de contágio no mercado da dívida soberana e foram considerados como aumentando o risco de prémio geopolítico no preço do barril de petróleo, a <em>commodity</em> mais importante das regiões afetadas pelo fósforo aceso com a ‘Revolução de Jasmin’ na Tunísia iniciada em dezembro do ano passado. A possibilidade de uma nova crise no canal do Suez foi aflorada com os futuros do barril de petróleo para abril da variedade Brent a atingirem em Londres mais de 104 dólares no dia 16 de fevereiro. </p>
<p>Mas isso não passou “de um fantasma na cabeça dos especuladores”, diz-nos <a href="mailto: hatem@mcit.gov.eg">Hatem Elsayed Hany Elrefaei</a>, de 40 anos, doutorado do Departamento de Física e Engenharia da Faculdade de Engenharia da Universidade pública Ain Shams, no Cairo, e um dos especialistas internacionais da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás (ASPO).</p>
<p><em>P: O risco de uma nova crise do Suez e de sabotagem grave do oleoduto SUMED (que liga o terminal de Ain Sukhna, no Golfo do Suez, ao terminal de Sidi Kerir, perto de Alexandria, no Mediterrâneo) foi real, ou apenas um fantasma no mercado da especulação?</em><br />
R: No período de dezoito dias que os egípcios estiveram na Praça Tharir, no Cairo, foram feitas muitas alegações. Como as de que Israel invadiria o Sinai, de que haveria caos no Egito depois da queda de Mubarak, que sucederia um vazio constitucional, etc. Tratou-se de guerra psicológica para dividir os egípcios, entre os que estavam na Praça e os que estavam em casa. O mesmo ocorreu com essa alegação que foi, apenas, um fantasma na cabeça dos especuladores no petróleo. A propagação desse medo trouxe, naturalmente, alguns benefícios económicos positivos para as companhias de seguros, para os intervenientes de curto prazo nos mercados da <em>commodity</em>, e para outros. Não estou a dizer que eles foram os fomentadores do rumor. Mas logo muitos analistas se puseram a falar dessas remotas possibilidades e os media agarraram nisso e logo espalharam o rumor sem uma avaliação séria.</p>
<p><strong>P: Poderemos ter um efeito dominó na região, do Magrebe ao Golfo Pérsico?</strong><br />
R: Podemos. Mas não certamente em todos os países. Algum efeito dominó ocorrerá. Na verdade tudo começou quando em Tunes foi acionado o mecanismo. O Egito já é a segunda peça do dominó. O que aconteceu basicamente é que o muro do medo foi quebrado em muitos árabes. Mas, para além do quebrar do medo, o mecanismo propriamente dito para criar uma revolução popular tornou-se claro e muito mais amadurecido, sobretudo depois da experiência egípcia. Mas não se trata de meros processos em que basta copiar e colar. É preciso haver condições para tal.</p>
<p><strong>P: Que condições?</strong><br />
R: Na minha opinião, quatro: um regime político muito opressivo contra a oposição; um sistema de elevada corrupção; condições de pobreza e/ou desemprego para larga parte da população; e pressão demográfica. Por isso, o processo não é idêntico em todo o lado. Por isso, inclino-me que o dominó afetará sobretudo Marrocos, Argélia, Líbia, e talvez Sudão, Arábia Saudita e Iémen. Talvez arrisque juntar também o Irão.</p>
<p><strong>P: E quais serão as consequências para a economia do petróleo e do gás?</strong><br />
R: Estas mudanças políticas se atingirem os principais produtores de petróleo implicarão no longo prazo duas consequências, a meu ver: a) mais investimento interno para melhorar as condições do povo, o que levará naturalmente ao aumento do consumo interno de petróleo e de gás e à diminuição de exportações; b) implicações na oferta global e pressão altista nos preços. Espero que estas implicações de longo prazo não levem os americanos, e os ocidentais em geral, a refrear a expansão democrática na região.</p>
<p><strong>P: Deveremos, então, contar ao longo de 2011 com um prémio de risco no preço do petróleo?</strong><br />
R: Nos últimos dois anos, o preço do petróleo tem aumentado consistentemente. Mesmo sem tomar em linha de conta a situação política na região, a possibilidade de que o preço do barril furasse a barreira dos 100 dólares tinha alta probabilidade. Tomando em linha de conta a provável instabilidade em países produtores importantes como a Argélia e a Líbia – no caso da Arábia Saudita não creio que haja condições, para já, para um levantamento popular -, é de crer que um aumento ainda maior do preço do petróleo seja possível.</p>
<p><strong>P: Mas podem ocorrer situações inclusive de disrupção?</strong><br />
R: Penso que a haver será do tipo do que ocorreu na Rússia no final dos anos 1980, mas não acho que dure tanto. Se ocorrer será temporária – na ordem de meses – até que o país atingido volte à sua operação normal. Por exemplo, olhando ao caso do Egito. Agora há um movimento grevista (aumento de salários, exigência de mudança da gestão) em diferentes áreas do país que está a provocar uma disrupção na economia do Egito. Mas creio que em 3 a 6 meses quando houver novo parlamento e eleições presidenciais a disrupção será resolvida. O problema é o longo prazo.</p>
<p><strong>P: Ou seja, a longo prazo vai haver uma contração nas exportações por parte destes países e uma alteração radical no lado da oferta mundial por parte desta região?</strong><br />
R: Os povos desta região merecem beneficiar mais da sua riqueza nacional. Melhor gestão e mais democracia certamente que “desviarão” parte dessa riqueza em benefício dos povos. Toda a Humanidade ganhará com isso. Infelizmente, muitos dos governos ocidentais olham para estes acontecimentos apenas do ponto de vista dos seus interesses. Ora “desviar” parte dessa riqueza ao serviço do interesse nacional não deve ser encarado como uma coisa má. Deixe-me concluir deste modo: se o nível de vida de muitos árabes se aproximar do atual nível de vida nos países da Europa Oriental, ainda que o nível de vida de alguns países do G20 se reduza um pouco, viveremos num mundo muito melhor. </p>
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		<title>América deixou de liderar o G20 (balanço da reunião de Paris) – diário de bordo 166</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 22:13:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JNR</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É a primeira vez desde a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria que os Estados Unidos mostram claramente a incapacidade de liderar, diz Franck Biancheri, responsável do Laboratório Europeu de Antecipação Política, em Paris. A reunião dos ministros das Finanças e dos banqueiros centrais do G20 realizada em Paris mostrou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>É a primeira vez desde a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria que os Estados Unidos mostram claramente a incapacidade de liderar, diz Franck Biancheri, responsável do Laboratório Europeu de Antecipação Política, em Paris.</strong></p>
<p>A reunião dos ministros das Finanças e dos banqueiros centrais do G20 realizada em Paris mostrou que a lua-de-mel do grupo que substituiu o G7 (o anterior grupo dos 7 países ricos) chegou ao fim. “A reunião de Paris que se concluiu este sábado dá bem a ideia de ausência de resultados sérios que caracterizará a cimeira do G20 em Cannes em novembro próximo”, refere-nos Franck Biancheri, responsável do Laboratório Europeu de Antecipação Política, em Paris.</p>
<p>Segundo este especialista, que é, também, presidente do movimento europeu Newropeans, esta reunião preparatória de Paris confirmou três tendências geopolíticas e geoeconómicas:<br />
“Primeira: As divergências entre as diferentes potências são enormes. Estamos já muito longe do unanimismo do G20 de Londres há apenas menos de dois anos.<br />
Segunda: Já não há mais liderança americana – e, na realidade, qualquer liderança de todo. O que sucede pela primeira vez desde 1989 e desde o fim da Guerra Fria.<br />
Terceira: O compromisso conseguido em Paris só se conseguiu porque se retirou o que incomodava Pequim (a questão das reservas em divisas e da balança externa) e o que os produtores de matérias-primas não aceitariam (como deixou claro o Brasil pela voz do ministro Guido Mantega)”.</p>
<p><strong>Brasil e China em foco</strong></p>
<p>O Brasil não aceitava dois pontos: a definição de linhas gerais para o controlo dos fluxos de capital externo e os limites para a acumulação de reservas internacionais. A China, por seu lado, tinha deixado claro que não aceitaria o uso das taxas reais de câmbio e das reservas de divisas para avaliar os desequilíbrios globais.<br />
Os anfitriões franceses realizaram o compromisso possível – a que a ministra francesa Christine Lagarde apelidou de “ambicioso espírito de compromisso”. A França tem a presidência este ano da organização das reuniões do G20 e da cimeira final em novembro na Côte d’Azur.</p>
<p>O que resultou foi um “acordo vago sobre indicadores vagos, que não estão ligados a objetivos nem a políticas. Na realidade, não servirão para nada”, diz-nos Biancheri.</p>
<p>O próprio compromisso deveu-se aos esforços da Coreia do Sul – que organizou a cimeira anterior em novembro do ano passado. A lista de indicadores contará com a dívida pública, os níveis de poupança e de dívida privada, a balança comercial e o fluxo de investimentos e de transferências.</p>
<p>As “orientações indicativas”, no entanto, deverão surgir em abril, quando o grupo de ministros deverá voltar a juntar-se, diz-se no comunicado final da reunião.</p>
<p>Franck Biancheri começou a falar da “crise sistémica global” em 2006 – antes do rebentar da crise financeira em agosto de 2007 &#8211; e ultimamente tem referido que a década atual assistirá a “uma deslocação global do poder mundial”. “Os anos 2010-2020 vão marcar uma transição histórica, em que a crise atual é o acelerador”, conclui. O especialista considera como central a questão da divisa internacional que deverá substituir o dólar, um tema que continua arredado do G20. “Enquanto isso não for equacionado, as reuniões do G20 serão como esta de Paris”.</p>
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		<title>Risco de reacendimento do choque petrolífero? &#8211; diário de bordo 28</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 21:06:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JNR</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A geopolítica pode voltar a acender os preços do barril de crude, ou, pelo menos, reanimar a sua volatilidade e o risco de ‘oscilações ‘selvagens’. O analista David Kotok alerta para as implicações do dossiê nuclear do Irão, que terão um período crítico no próximo mês. Ambos os lados dispõem de armas políticas e económicas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A geopolítica pode voltar a acender os preços do barril de crude, ou, pelo menos, reanimar a sua volatilidade e o risco de ‘oscilações ‘selvagens’. O analista David Kotok alerta para as implicações do dossiê nuclear do Irão, que terão um período crítico no próximo mês. Ambos os lados dispõem de armas políticas e económicas que poderão aquecer o Índico.</strong></p>
<p>As autoridades do Irão já declararam que não aceitam a imposição de uma data de resposta (um <em>deadline</em>, em inglês) para Setembro relativamente a negociações formais multilaterais para resolver o dossiê nuclear. Com a proximidade de Setembro no calendário, os meios do petróleo estão ao rubro com a discussão se iremos assistir a algum “choque do <em>deadline</em>” no mercado do crude, que empurre os preços para uma escalada como a dos primeiros sete meses de 2008 (quando chegou em Julho a um preço médio mensal do barril de 132,72 dólares, um recorde histórico). </p>
<p>As causas imediatas, agora, seriam abertamente geopolíticas. “Desta vez, o risco geopolítico é importante no curto prazo, em virtude da inelasticidade do preço do petróleo nas decisões empresariais. Sem dúvida, que, no longo prazo, a oferta e a procura são os propulsores do preço”, afirma-nos o economista americano <a href="mailto:david.kotok@cumber.com">David Kotok</a>, o principal consultor de investimento e co-fundador da <a href=" http://www.cumber.com">Cumberland Advisors</a>, que alertou, esta semana, os seus clientes para este risco.</p>
<p>O Irão dispõe de um meio político de pressão típico do <em>hard power</em> em geopolítica: a possibilidade do <strong>bloqueio do estreito de Ormuz</strong>, de apenas 54 quilómetros, na entrada do Golfo Pérsico, por onde passam 40% da logística marítima do crude e 20% do comércio mundial por mar, <a href="http://www.eia.doe.gov/cabs/World_Oil_Transit_Chokepoints/Hormuz.html">segundo dados da Energy Information Administration</a> dos Estados Unidos. É um dos mais importantes <em>chokepoints</em> (designação técnica para estas passagens estratégicas em termos militares e de comércio internacional que <a href="http://www.centroatl.pt/titulos/desafios/1509/index.html">Afonso de Albuquerque bem compreendeu no seu tempo quando decidiu recapturá-la definitivamente em 1515</a>) mundiais.</p>
<p>“Não há nenhuma ideia clara de como o Irão se irá comportar, se provocará oscilações selvagens ou movimentos moderados no preço do petróleo. A própria situação interna está em turbulência depois das eleições. No entanto, o Irão tem um ponto fraco – é um importador líquido de produtos refinados. Essa deficiência é a arma de que dispõem os Estados Unidos e os seus aliados nesta questão. Por isso, o Irão joga com duas cartas – abre-se a inspecções, mas continua a brandir a arma do estreito”, prossegue Kotok.</p>
<p><strong>Erros estratégicos são comuns<br />
</strong><br />
À pergunta, será que, no final das contas, o Irão jogará a cartada de Ormuz como chantagem de último recurso e defrontará inclusive os interesses das novas potências do Índico, a China e a Índia, o analista responde: “A irracionalidade é comum no Médio Oriente. Muitos regimes naquela região são capazes de erros estratégicos. Em geopolítica, erros podem suceder a qualquer momento. É, por isso, que há um prémio de risco elevado no petróleo nomeadamente”.</p>
<p>Uma nova retoma do choque petrolífero não seria nada agradável para as expectativas de saída da recessão mundial. O preço do barril tem oscilado (por vezes com percentagens elevadas de um dia para o outro, o que tecnicamente se designa por oscilações selvagens) no patamar dos 70-75 dólares. O aumento é de, pelo menos, 75% em relação ao preço médio em Dezembro de 2008 (39,95 dólares). </p>
<p>Até que ponto é que esta nova subida durante 2009 reflecte sobretudo o colapso do dólar (a divisa em que está cotada esta <em>commodity</em>), a retoma nos países emergentes (e particularmente por parte <a href="http://geoscopio.tv/2009/08/geoprotagonistas/a-melhor-noticia-do-ano-diario-de-bordo-23/">das importações pela China</a>) ou a eventual antecipação pelos mercados de um problema geopolítico grave que afecte o negócio, é, ainda, uma incógnita.</p>
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		<title>A Guerra Fria da Energia segundo Michael Klare</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Sep 2008 20:43:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>JNR</dc:creator>
				<category><![CDATA[A questão dos impérios]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma entrevista com Michael Klare a propósito do livro ‘Rising Powers, Shrinking Planet’ Ideia central: “Um novo capítulo da história da política e da economia internacionais começou. Um mundo de tantas potências ascendentes e de recursos escassos só pode produzir uma competição desbragada”, sublinha. A era de uma superpotência “sozinha”, apoiada no seu inquestionável poder [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Uma entrevista com Michael Klare</strong> a propósito do livro ‘<a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=0805080643/janelanawebjnrA/">Rising Powers, Shrinking Planet</a>’</p>
<p><strong>Ideia central</strong>: “Um novo capítulo da história da política e da economia internacionais começou. Um mundo de tantas potências ascendentes e de recursos escassos só pode produzir uma competição desbragada”, sublinha. A era de uma superpotência “sozinha”, apoiada no seu inquestionável poder de projecção militar, está em risco – regressou-se à turbulenta “política de grandes potências”.</p>
<p>O mundo tem uma nova divisão geoeconómica – de um lado, os exportadores líquidos de combustíveis fósseis que dominam o mercado do petróleo e do gás, e do outro os importadores compulsivos daquelas matérias-primas estratégicas.</p>
<p>Quem o diz é <a href="mailto:mklare@hampshire.edu">Michael Klare</a>, especialista americano em segurança internacional no Hampshire College, autor do recente ‘Rising Powers, Shrinking Planet’ (a sugestiva imagem de que há potências que ascendem, enquanto o planeta encolhe). </p>
<p>Klare havia levantado o véu desta mudança num seu livro anterior intitulado ‘Resource Wars’ (guerras pelos recursos, publicado em 2002), escrito antes da invasão do Iraque. Na <a href="http://www.gurusonline.tv/pt/conteudos/klare.asp">entrevista</a> que, então, nos concedeu, a conclusão era clara: há o risco de guerras pelos recursos em série.</p>
<p>Voltámos à conversa com Klare e a primeira conclusão é forte: “Um novo capítulo da história da política e da economia internacionais começou. Um mundo de tantas potências ascendentes e de recursos escassos só pode produzir uma competição desbragada”, sublinha. A era de uma superpotência “sozinha”, apoiada no seu inquestionável poder de projecção militar, está em risco – regressou-se à turbulenta “política de grandes potências”, adverte os distraídos.</p>
<p><strong>Lugares baralhados</strong></p>
<p>A história baralhou totalmente os lugares que ricos e pobres herdaram do século XX. Ironicamente, a vaga de globalização a partir de 1999, com o novo ciclo de preços do crude e a emergência do terceiro choque petrolífero, colocou, temporariamente, uma ex-superpotência (Rússia), ex-colónias e periferias de antigos impérios e pequenas e médias potências regionais detentoras de reservas de ouro negro e gás num bloco de países com caixas registadoras que lhes permitem captar enormes fluxos de dólares e adquirir projecção geopolítica.</p>
<p>Do outro lado da balança há uma amálgama jamais vista de deficitários crónicos na balança energética – a maioria das potências da OCDE (tido como o «clube» dos desenvolvidos da segunda metade do século passado), os dois grandes emergentes (China e Índia), a grande maioria dos países de desenvolvimento intermédio e uma miríade de países pobres e cada vez mais pobres para quem o petróleo e o gás são como oxigénio.</p>
<p>O que tudo isto implicou, afirma-nos Klare, é que a “dinâmica central dos negócios estrangeiros” na primeira metade do século XXI vai girar em torno da conservação, captação e controlo desses recursos estratégicos.</p>
<p>O instrumento fundamental dessa corrida não vai ser o grupo das multinacionais tradicionais da energia, nem mesmo as companhias de bandeira dos produtores e exportadores (que detém hoje formalmente 81% das reservas) nem mesmo os fundos soberanos da moda – mas os governos dos dois lados da linha de fronteira.</p>
<p>A geoeconomia dos recursos estratégicos vai-se “politizar ao extremo” – tal como após a famosa Conferência de Berlim do século XIX – e “militarizar”, refere Klare. Com uma agravante – estes recursos estratégicos estão em declínio e os «glutões» para os consumir são muitos mais.</p>
<p><strong>Zonas de embate estão de regresso</strong></p>
<p>E corre-se o risco de começar por uma “guerra fria” entre grandes potências dos dois lados e acabar na multiplicação de “guerras quentes” nas regiões do globo que servem de torneiras ou de corredores logísticos do petróleo e do gás e que são povoadas por pequenos e médios países cuja “maldição” é a geografia ou o subsolo. </p>
<p>Os especialistas chamam a essas regiões de «zonas de embate» ou «cinturas de fragmentação» («shatterbelts», em inglês). Os casos do Médio Oriente, de África (Angola merece alguma atenção no livro de Klare), do Cáucaso (recentemente em destaque nos «media») e da Ásia Central vêm logo à memória. </p>
<p>Mas outros poderão rapidamente emergir como as Caraíbas (fruto da estratégia venezuelana com a &#8216;Alternativa Bolivariana para las Americas&#8217; e a emergente aliança político-militar com a Rússia), a Indochina (a Birmânia é, por exemplo, um naco muito apetecível) ou o Mar da China (se a China e o Japão se desentenderem seriamente sobre os campos de gás «offshore» de Chunxiao).</p>
<p>Como primeiro antídoto, Klare advoga um diálogo estratégico entre os Estados Unidos e a China sobre a questão da energia, já que são as duas principais “vítimas” do défice energético, incluindo una forte aliança na investigação científica para alternativas à dependência dos combustíveis fósseis. Se o não fizerem, os dois grandes “transformar-se-ão em vassalos da Rússia e da Arábia Saudita” e ficarão à mercê inclusive de “pequenos” provocadores, conclui o nosso entrevistado.</p>
<p><strong>DESTAQUE</strong><br />
<strong>Risco mundial segundo Michael Klare</strong></p>
<p><em>Mote: «Uma guerra mundial pode rebentar da noite para o dia, sem ninguém a planear, fruto de uma cadeia de eventos»</em></p>
<p>O risco de conflito de grandes proporções aumentou também – apesar de continuarmos com uma superpotência e de as potências eventualmente desafiantes medirem ainda o terreno (como é o caso da Rússia, que poderá repetir ou não o comportamento clássico da Alemanha nos séculos XIX e XX) ou estarem ainda na fase da expansão «suave» (o famoso «soft power» da China). </p>
<p>“Pode haver um risco de guerra mundial, não motivada por desenho ou intenção estratégica, mas por acidente ou cálculo político errado de um qualquer competidor de recursos, mesmo pequeno ou médio. Um padrão similar ao que desencadeou a 1ª Guerra Mundial não pode ser colocado de lado. Uma guerra mundial pode rebentar da noite para o dia, sem ninguém a planear, fruto de uma cadeia de eventos”, refere-nos Michael Klare.</p>
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