Ciberardina na crise (do default)


Acto I — Memorando de entendimento com Chipre em abril (25 de março/Eurogrupo)
A troika irá preparar com o governo de Nicósia um memorando de entendimento para o envelope de 10 mil milhões de euros aprovado na reunião do Eurogrupo.

A reunião do Eurogrupo da madrugada de hoje decidiu que a troika vai preparar um Memorando de Entendimento (MoU na sigla em inglês) com o governo cipriota que deverá estar concluído em meados de abril. Só depois desse MoU acordado será debatido e votado no Parlamento cipriota.

Na sequência desse processo, o Eurogrupo espera que o conselho de governadores do Mecanismo Europeu de Estabilidade (conhecido pela sigla ESM, em inglês) possa aprovar uma linha de assistência financeira pela terceira semana de abril. Se este processo correr como previsto, a primeira tranche do resgate será desembolsada em maio.

O Eurogrupo aprovou hoje um “envelope” de financiamento até 10 mil milhões de euros e decidiu que nenhum depósito abaixo de 100 mil euros sofrerá um imposto extraordinário. A Comissão Europeia monitorizará as decisões temporárias que o governo de Chipre tomar no que respeita ao controlo de capitais cujo uso o Parlamento cipriota já autorizou.

A parte da “contribuição” cipriota para o resgate será, pelo menos, de 4,2 mil milhões de euros – o anterior número de 5,8 mil milhões foi abandonado. Essa “contribuição” servirá para a reestruturação da banca, pois o envelope até 10 mil milhões não será usado nas operações de recapitalização bancária.

O Chipre é o 5.º país da zona euro a ser “intervencionado” pela troika, depois da Grécia (2010 e 2012), Irlanda (2010), Portugal (2011) e Espanha (2012, ainda que, neste caso, tenha sido um plano sectorial para a banca). As negociações duraram nove meses, desde que Nicósia pediu formalmente a Bruxelas um resgate.

Emagrecimento do sector bancário até 2018

O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsellbloem, confirmou que o banco Laiki, o segundo maior, será reestruturado de imediato, desaparecendo, pois “não podia ser salvo, não era viável”, sendo dividido num bad bank (que recolhe os ativos tóxicos) e o resto num good bank, com os ativos não tóxicos e os depósitos garantidos, que transitarão para o Banco de Chipre, o maior banco, que, por sua vez, será “emagradecido” para dimensão apropriada.

Este último banco sofrerá um hair cut nos seus depósitos (acima de 100 mil euros) e perdas para os accionistas e credores séniores (que não têm grande significado) que estão ainda por determinar de modo a garantir um rácio de capital de 9%. Os depósitos não garantidos do Banco de Chipre permanecerão congelados até à recapitalização ser concluída. O ministro das Finanças cipriota, Michalis Sarris, disse que os depositantes afetados bem como os fundos de pensões abrangidos receberão acções em compensação. O porta-voz do governo Christos Stylianides diria, mais tarde, que o hair cut poderá ser “de 30% ou menos” nos depósitos ac, tendo acrescentado que o número definitivo dependerá de “muitos factores”.

O Banco de Chipre assumirá a dívida do Laiki relativa à injecção de liquidez de emergência (conhecida pela sigla ELA) pelo banco central cipriota, uma dívida que monta a 9,1 mil milhões de euros. O ultimato do BCE de suspender a liquidez de emergência aos bancos cipriotas deverá ser levantado.

De acordo com o comunicado do Eurogrupo, o objetivo da reestruturação do sector bancário é trazê-lo, por volta de 2018 (daqui a cinco anos), para o nível “médio” do peso do sector bancário em relação ao PIB na União Europeia (que é de 3,5 vezes o PIB, contra 8 no caso de Chipre na atual situação ou 6 depois da venda das sucursais na Grécia). Ângela Merkel tinha referido que o “modelo económico” de Chipre baseado numa plataforma financeira offshore estava morto e ontem o ministro das Finanças francês, Pierre Moscovici, declarou que Chipre era “uma economia de casino à beira da bancarrota”.

Estas “classificações” sobre a economia cipriota são fortemente contestadas localmente, com os economistas a considerarem que há uma deliberada vontade de alguns grandes países europeus de liquidar a vantagem competitiva que Chipre construiu, enquanto noutros países da zona euro o rácio do sector financeira em relação ao PIB chega a ser de 20 (como é o caso do Luxemburgo). Segundo as previsões da Société Génerale, o impacto negativo do pacote da troika na economia de Chipre implicará uma contração de 20% do PIB até 2017.

Ainda no âmbito da reestruturação bancária, o Eurogrupo incentivou a implementação rápida do acordo para a venda das sucursais dos bancos cipriotas na Grécia (um acordo que foi concluído com o Banco do Pireu).

Segundo Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), a análise de sustentabilidade da dívida cipriota, depois deste acordo, mantém-se no teto pretendido de 100% em 2020, uma das condicionantes deste pacote.

Só durante a manhã de hoje (25 de março) a troika e o governo cipriota analisarão a questão da reabertura dos bancos.

O governo cipriota prosseguirá as negociações com Moscovo no que respeita à renegociação dos juros e das maturidades do empréstimo de 2,5 mil milhões de euros, o que é entendido pelo Eurogrupo como a contribuição russa para o financiamento do resgate.

Continuam de pé as decisões iniciais do Eurogrupo de exigir o avanço com o plano de privatizações e com os aumentos dos impostos sobre as empresas (o IRC local passará de 10% para 12,5%, como na Irlanda) e sobre os rendimentos de capital (de 20% para 25%).
“Evitámos uma saída desastrosa do euro”

O ministro das Finanças cipriota, no final da maratona de hoje, declarou que “a questão não é se ganhámos uma batalha, mas evitámos uma saída desastrosa da zona euro”.

Recorde-se que o presidente cipriota esteve em reuniões sucessivas desde que chegou ontem a Bruxelas e que o Eurogrupo esperou seis horas para reunir até que Anastasiades anunciou que um acordo tinha sido conseguido entre a troika e Chipre, com o envolvimento de Van Rompuy, o presidente do Conselho Europeu, acordo que poderia ser apresentado aos ministros das Finanças dos 17 membros do euro.

As negociações mais difíceis parecem ter sido com o FMI, com o presidente Anastasiades ameaçando resignar, e foram levantados rumores sobre choques entre Christine Lagarde e o comissário europeu Olli Rehn, que foram desmentidos na conferência de imprensa, com piadas dos dois, envolvendo os respetivos consortes.

Aguardam-se, agora, as reações políticas e populares em Nicósia. Hoje é feriado (Dia da Independência da Grécia) e os levantamentos no multibanco estão limitados a 100 euros diários.

Acto II – o novo “template” de Jeroen (25-26 de março)
O modelo seguido para o resgate de Chipre poderá passar a ser exemplo para futuras intervenções em países da zona euro com situações de risco no seu sector financeiro, disse o presidente do Eurogrupo em entrevista ao Financial Times e à Reuters, depois da reunião de esta madrugada. As declarações de Jeroen Dijsselbloem são tidas como a revelação da nova estratégia do Eurogrupo para as crises de dívida. Recorde-se que em 15 de março, em anterior reunião do Eurogrupo, o modelo de resgate defendido recorrendo a um imposto extraordinário sobre depósitos foi defendido como uma “solução única” para o Chipre.

O novo “modelo” implica que depositantes, credores seniores e juniores e acionistas passarão a arcar com a fatura do resgate dos bancos em situação crítica, pois os mecanismos europeus deixarão de financiar recapitalizações bancárias. O que seria, também, orientação para o Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês). O presidente do Eurogrupo deixou nas entrelinhas que esse novo fundo nunca será usado para a recapitalização bancária. “Devemos apontar para uma situação em que nunca seja preciso considerar sequer uma recapitalização direta”, afirmou.

Recorde-se que, esta madrugada, o Eurogrupo decidiu envolver os depositantes acima de 100 mil euros (considerados não garantidos) e os credores e acionistas na reestruturação dos dois principais bancos cipriotas, definindo que o envelope de resgate da troika até 10 mil milhões de euros não será aplicado na recapitalização do sector financeiro cipriota.

Cabeça de Dijsselbloem já é pedida

O presidente do Eurogrupo considera que já se passou o momento mais quente da crise e que, portanto está na hora, de uma mudança radical de orientação de salvar o sector financeiro com o dinheiro dos contribuintes, como aconteceu com a Irlanda e Espanha, para as costas dos investidores privados, incluindo nos investidores os grandes depositantes, uma apreciação que já foi feita anteriormente por Dijsselbloem e pelo primeiro-ministro finlandês.

“Se há um risco num banco, a primeira questão deve ser: ‘OK, o que vão fazer no banco para resolver isso? O que podem fazer para se recapitalizarem? Se o banco não o pode fazer, então falaremos com os acionistas e com os detentores de títulos, e pediremos para que contribuam para a recapitalização dos bancos, e se necessário falaremos com os depositantes com depósitos não garantidos”, disse o presidente do Eurogrupo. “Se queremos ter um sector financeiro saudável e sólido, o único caminho é dizer – ‘Se tomam riscos, têm de lidar com eles, e se não conseguem lidar com eles, não os deviam ter assumido e a consequência tem de ser que é o fim da história’. É uma abordagem que eu penso que nós, agora que estamos fora do calor da crise, teremos consequentemente de tomar”, disse o ministro das Finanças holandês, que confessou que ainda “há algum nervosismo” entre os seus colegas ministros das Finanças para a nova abordagem. Naturalmente por medo de uma fuga de capitais da zona euro, o que vai ser avaliado nos próximos dias.

Alguns analistas já falam de monitorizar o “efeito Dijsselboem” nos mercados financeiros e outros pedem a cabeça do holandês que está no cargo apenas desde janeiro. As respostas do ministro holandês serviram apenas “para reacender o contágio”, comentou a agência financeira Markit. O bloguer Robbert Jacobs ironizou: “Dijsselbloem lançou uma Dijsselbomba”.

Aviso a Luxemburgo e Malta

Perguntado sobre a implicação do “modelo cipriota” para outros países da zona euro com rácios de sectores financeiros em relação ao PIB muito mais elevados do que Chipre, como são o caso do Luxemburgo e Malta, Dijsselbloem respondeu: “Significa – lidem com o problema antes de entrarem em sarilhos”, e conclui: “A resposta não será mais automaticamente -’nós entramos e vamos resolver os vossos problemas’”. O problema poderá também colocar-se à Eslovénia, com problemas graves no seu sector bancário.

Acto III — O risco extra (balanço em 29 março)
A crise cipriota provocou um “risco extra” como referiu a agência de notação Moody’s ao manter esta semana em perspetiva negativa a dívida de Portugal e da Irlanda. A agência não mexeu, também, no rating dos dois países em níveis de dívida especulativa (Ba1 para a Irlanda e Ba3 para Portugal, apenas um nível acima da classificação de altamente especulativa).

Para alguns analistas este “risco extra” começou a anular, em parte, o efeito do anunciado programa do Banco Central Europeu de intervenção no mercado secundário conhecido pela sigla OMT. Um programa comunicado no verão do ano passado e que provocou uma trajetória de descida das yields dos títulos soberanos dos “periféricos”.

O “risco extra” verificou-se claramente na trajetória de subida ao longo da semana das yields das obrigações do Tesouro (OT) português a dez anos no mercado secundário, que subiram de 6,02%, a 22 de março (antes da reunião extraordinária do Eurogrupo de domingo), para 6,37% no fecho de quarta-feira (27 de março), tendo chegado ontem (28 de março) a um máximo intradiário de 6,45%.

As yields das OT mantendo a trajetória de subida acima de 6% distanciam-se do mínimo do ano em 5,82% no dia 23 de janeiro, dia do chamado regresso aos mercados obrigacionistas pelo IGCP, a agência de gestão da dívida.

O mesmo comportamento observou-se na probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte a cinco anos, baseado na evolução do custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de bancarrota). Este risco subiu de 29,84% a 22 de março para 31,30% a 28 de março, segundo dados da CMA DataVision. No dia do regresso aos mercados obrigacionistas, o risco tinha descido para 28,5%.

Depois da aprovação definitiva dos princípios e principais medidas do plano de resgate a Chipre, a banca local entrou em fase de reestruturação, o “corralito” (fecho dos balcões) terminou ao fim de quase duas semanas, mas entraram, de imediato em vigor, medidas de controlo de capitais para já por uma semana, apesar de haver já declarações oficiais de que o processo de “gradual” desativação de tais medidas poderá durar um mês. Na realidade, estes processos de controlo de capitais sabem-se, sempre, quando começam, mas nunca quando e como acabam.

As novidades do Eurogrupo

A decisão do Eurogrupo sobre Chipre trouxe duas novidades que provocaram um choque nos mercados financeiros, visível no impacto muito negativo nas bolsas europeias, em particular nas dos países “periféricos”, com destaque para os índices bolsistas grego, italiano e espanhol e nomeadamente para o sector financeiro. As duas novidades foram o novo “template” para resolução de crises bancárias (envolvendo um confisco a depositantes acima de 100 mil euros) e o estabelecimento de controlo de capitais tornando o euro em circulação no país resgatado numa divisa de segunda classe.

O “risco extra” a que se refere a Moody’s abrangeu também os outros “periféricos”, com destaque para a Grécia (cujas yields das obrigações a 10 anos subiram de 11,88% para 12,44% no período de 22 a 28 de março), para Espanha (com as yields das OE a subirem de 4,86% para 5,06%, naquele período), para Itália (com as yields dos BTP a subirem de 4,52% para 4,76%) e para a Irlanda (com uma subida mais pequena das yields dos títulos irlandeses de 4,16% para 4,24%.

Em contraste, as yields dos títulos alemães (designados por Bunds) a dez anos desceram de 1,37% para 1,29% naquele período, com um mínimo do ano em 1,27% no dia 27 de março. O Tesouro alemão continua a beneficiar das crises de dívida ou bancárias nos “periféricos”.

Com o governo cipriota e a troika concentrados na negociação de um Memorando de Entendimento até meados ou final de abril, o nervosismo dos mercados de dívida vai transferir-se para o acompanhamento do impasse político em Itália (que continua sem governo formado), para a pré-crise política em Portugal e para a probabilidade da Eslovénia (outro membro da zona euro) ter de solicitar um plano de resgate. As yields das obrigações eslovenas em dólares subiram de 4,88% em 15 de março para 6,79% em 27 de março e fecharam ontem em 6,06%.

A atenção dos investidores centrar-se-á também na reunião do conselho de governadores do Banco Central Europeu na próxima semana (4 de abril), a primeira depois da decisão do Eurogrupo sobre Chipre.

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A probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos fechou hoje em 28,82%, ligeiramente acima do valor de fecho de sexta-feira em 28,33%, segundo dados da CMA DataVision. As yields das obrigações do Tesouro subiram nos prazos a três, cinco e dez anos e mantiveram-se sem alteração na maturidade a dois anos no mercado secundário da dívida, segundo dados da Bloomberg.

No prazo a dez anos, que serve de referência, as yields fecharam hoje em 6,26% contra 6,19% na sexta-feira. Fecharam hoje abaixo do máximo anual de 6,62% de 11 de fevereiro (o dia da reunião do Eurogrupo), mas, ainda, acima do mínimo anual de 5,82% no dia do chamado regresso aos mercados (23 de janeiro).

Considerando o dia designado por regresso aos mercados como ponto de referência, o risco de incumprimento fechou hoje ligeiramente acima dos 28,5% de 23 de janeiro. Nas yields, a situação é mais diversificada – nos prazos a três e a dez anos fechou acima e nos prazos a dois e a cinco anos fechou abaixo.

O prémio de risco da dívida portuguesa em relação à alemã subiu hoje para 4,63 pontos percentuais contra 4,54 pontos na sexta-feira. No entanto, mantém-se abaixo do máximo anual de 5,01 pontos percentuais verificados no dia da reunião do Eurogrupo (11 de fevereiro), mas acima dos 4,28 pontos verificado no dia de “regresso aos mercados” (23 de janeiro).

O IGCP, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, vai realizar na próxima quarta-feira (20 de fevereiro) dois leilões de linhas de Bilhetes do Tesouro com maturidade em maio de 2013 (3 meses) e em fevereiro de 2014 (12 meses), com um montante indicativo global entre 1250 milhões e 1500 milhões de euros.

Ansiedade face às eleições italianas

A subida do risco de incumprimento e das yields das obrigações foi generalizada aos restantes países “periféricos” da zona euro.

Espanha, Itália, Irlanda e Chipre viram, também, os seus níveis de risco de incumprimento subir. Juntamente com Portugal foram cinco dos oito países cujo risco hoje mais subiu em todo o mundo, segundo o monitor da CMA DataVision. O prémio de risco subiu, também, para as dívidas grega, espanhola e italiana.

No mercado secundário, as yields das obrigações espanholas e dos títulos italianos subiram, bem como os títulos de referência gregos a 10 anos.

Na quinta-feira, os analistas vão estar atentos aos resultados do leilão de dívida de médio e longo prazo que será realizado pelo Tesouro Público espanhol. Será um bom termómetro do comportamento dos invcstudores.

A agência Bloomberg falou hoje de “ansiedade face às eleições (legislativas) italianas”, que se realizarão no próximo domingo (24 de fevereiro) juntamente com a segunda volta das eleições presidenciais em Chipre. Em ambas as contendas eleitorais não é certo o desfecho.

Por outro lado, aguardam-se as previsões de Inverno da Comissão Europeia na sexta-feira. Os resultados económicos preliminares do último trimestre de 2012 fornecidos pelo Eurostat foram maus para a zona euro e para a maioria dos seus membros. A zona euro em termos anualizados esteve em contração, com uma quebra do PIB de 0,9%. Nove dos 17 membros do euro estiveram em recessão, ainda não sendo conhecidos dados para cinco (entre eles a Irlanda e a Áustria). Mesmo países com notação de triplo A, como a Finlândia e a Holanda, estiveram em recessão. Os campeões da contração, nesse trimestre, em termos anualizados, foram a Grécia (quebra de 6% do PIB), Portugal (contração de 3,8%), Chipre (descida de 3%) e Itália (redução de 2,7%). O país com a recessão mais baixa foi a França (quebra ligeira de 0,3%). A Alemanha apresentou um crescimento muito ligeiro, de 0,4%.

O boletim mensal do Banco Central Europeu, com base nas previsões para 2013 e 2014 do seu painel de analistas profissionais, admite que as projeções de crescimento sejam revistas em baixa (no sentido de não haver crescimento algum em 2013) e que as relativas ao desemprego sejam corrigidas em alta.

Obama quer “NATO” económica com Bruxelas — No discurso do Estado da Nação proferido a 12 de fevereiro, o presidente norte-americano, no início do seu segundo mandato, quer chegar a um acordo com a União Europeia para uma zona de comércio livre. É o seu “plano” para relançar a economia ocidental. Bruxelas confirmou a 13 de fevereiro

O presidente Obama, no início do seu segundo mandato, colocou como objetivo geopolítico a criação de uma zona de comércio livre entre os Estados Unidos e a União Europeia, parceria que designou como “Transatlantic Trade and Investment Partnership” (TTIP). Disse-o, ontem, no discurso anual sobre o “Estado da Nação”.

Na última cimeira europeia a ideia foi apoiada, tendo como maiores entusiastas o primeiro-ministro britânico e a chanceler alemã. Faltava o sinal político público de Obama, entretanto reeleito. A chanceler alemã Ângela Merkel, em 2006, havia defendido esta ideia. Em 1998, foi Leon Brittan, mais tarde barão britânico, quando Comissário Europeu do Comércio e dos Assuntos Externos, que defendeu a iniciativa de uma Zona de Comércio Livre deste tipo, então batizada de Tafta (Trans-atlantic free-trade area), que teve oposição da França.

O presidente norte-americano e alguns líderes europeus pretendem com essa iniciativa entre os dois lados do Atlântico criar uma dinâmica de impulsionamento da economia ocidental face à sua perda de peso na economia mundial e no comércio internacional. A nova parceria aproveitaria a oportunidade do marcar de passo da iniciativa Trans-Pacific Partnership.

Alguns analistas já alcunharam a TTIP de “NATO” económica. Alguns já a batizaram do começo dos “Estados Unidos do Ocidente”. A média das tarifas existentes no comércio entre os dois lados anda nos 3%, mas, em alguns sectores protegidos, a barreira alfandegária chega aos 20%.

O efeito desta decisão, no entender de especialistas em geopolítica, é martelar mais um prego na Ronda de Doha. O propósito da Organização Mundial do Comércio de promover uma plataforma multilateral tem marcado passo e com este tipo de movimentos geoestratégicos caminha para a sua morte. A opção pelos acordos bilaterais e regionais tem proliferado. Com esta decisão dos EUA e da Europa, “um mau exemplo foi dado”, avisou no “Die Welt” Rolf Langhammer, do Institut for the World Economy, em Kiel, na Alemanha. Passa-se a um acordo entre os dois maiores blocos económicos, susceptivel de discriminar o resto do mundo. Para a Europa, diz Langhammer, poderá prejudicar as suas relações com as ecoomias emergentes.

Obama em Berlim em junho

A decisão foi hoje confirmada por Bruxelas. Obama visitará Berlim em junho onde deverá fazer do tema uma questão geopolítica central. A mensagem para os europeus é esta: os EUA continuam estrategicamente interessados numa relação especial com a Europa, apesar da sua viragem progressiva evidente para a Ásia e o Pacífico. Contudo, a Ásia é um vespeiro de graves problemas com diversas grandes potências com temas de atrito diversos. A “NATO” económica agradará à corrente atlantista. O que está em jogo é, por isso, mais do que os ganhos comerciais, alegam alguns analistas.

A Comissão Europeia calcula um ganho anual de meio ponto percentual no PIB da União Europeia se tal zona for criada e a Câmara de Comércio norte-americana fala num ganho de 1,5 pontos percentuais no PIB dos dois lados do Atlântico.

Os dossiês mais difíceis nesta negociação serão o agrícola, dos serviços e do acesso aos mercados públicos, onde há lóbis poderosos dos dois lados do oceano. O dossiê mais ganhador parece ser o do sector automóvel (que é um dos motores de crescimento do comércio transatlântico, onde a eliminação de barreiras alfandegárias poderá reduzir os custos em 15%)

Países emergentes devem combater “comportamento dúbio” do G7 — Oliver Stuenkel, que participa na preparação da cimeira dos BRICS em março, defende uma atitude crítica firme do Brasil no G20 amanhã (15 de fevereiro) em Moscovo.

“Liderada por Guido Mantega, a posição brasileira no G20 deve continuar combativa e crítica em relação às políticas de desvalorização cambial que têm sido adotadas aberta ou encapotadamente sobretudo por países desenvolvidos”, diz ao Expresso Oliver Stuenkel, professor na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Stuenkel é um dos participantes regulares na preparação das cimeiras dos BRICS (acrónimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e um entusiasta de uma aliança estratégica no “Sul” entre o Brasil, a África do Sul e a Índia.

A reunião de ministros de Finanças e banqueiros centrais das 20 maiores economias do mundo inicia-se amanhã em Moscovo e terá na agenda o tema da “guerra de divisas” para o qual Guido Mantega tem alertado desde 2010. A guerra de palavras em torno do tema subiu de tom devido às pretensões da nova política japonesa denominada de “abenomics” (do apelido do novo primeiro-ministro japonês Shinzo Abe) de conjugar a política orçamental e monetária no sentido de influir sobre o iene e garantir competitividade ao sector exportador nipónico fortemente abalado em 2012. Acendeu-se, ainda mais, com as declarações do presidente francês François Hollande perante o Parlamento Europeu reclamando uma política de taxa de câmbio de médio prazo face ao que muitos países e sectores económicos na Europa consideram a sobrevalorização do euro.

A ambiguidade do comunicado do G7

A cereja em cima do bolo foi a divulgação, no dia de Carnaval, de um comunicado do G7 (grupo das sete economias mais desenvolvidas e que detêm as quatro mais importantes divisas) que trouxe mais confusão do que clarificação, com a agravante de querer ser o guia para a declaração do G20. “A declaração do G20 abre espaço para a ambiguidade. Os países do G7 condenam desvalorizações competitivas e favorecem câmbios determinados pelo mercado, defendem que a política monetária deve ser focada em objetivos domésticos e não nas taxas de câmbio. Mas como pode ser estabelecido o limite no qual uma política doméstica não afetará a taxa de câmbio de um país, de modo a favorecer a sua exportação?”, interroga-se Stuenkel. “Advogam uma coisa, mas depois deslegitimam-na, abrindo espaço para que um país adote esse tipo de medidas domésticas, caso o governo acredite que é mesmo necessário”, sublinha.

O professor brasileiro contesta, também, que o vilão seja só o Japão. “A guerra cambial tem sido um tema recorrente no G20. É evidente que este ano terá como destaque a política de alívio monetário colocada em prática pelo governo japonês. Contudo, não se pode perder de vista que o alívio monetário já foi usado por diversos países desenvolvidos, como os Estados Unidos. E, agora, a França quer pressionar a zona euro para enfraquecer a moeda única”, diz Stuenkel. O contexto em que o G7 se move hoje está marcado pelo facto de que os quatro bancos centrais das quatro principais divisas – Reserva Federal, Banco Central Europeu, Banco de Inglaterra e Banco do Japão – definiram uma política monetária baseada em taxas de juro diretoras entre zero e 0,75%, muito baixas. O que reduz, assim, coletivamente a capacidade do mercado financeiro se ajustar às mudanças de políticas e a distintas situações – Japão fustigado pelo risco de deflação e disparo do défice comercial; Reino Unido preocupado em evitar custe o que custar a recaída na recessão; Reserva Federal dos EUA condicionando a política monetária a um objetivo de taxa de desemprego; Europa em recessão e com a moeda única em apreciação acentuada.

A raiz destas políticas é estrutural e não pode ser resolvida a nível doméstico apenas. “A solução tem de ser encontrada através de medidas coordenadas num cenário económico cada vez mais complexo. Está claro, atualmente, que o crescimento da economia global é altamente dependente das ações coordenadas entre Estados. Não se pode pensar mais que ações individuais resolverão problemas comuns”, conclui.

Cooperação é fundamental

Pelo que OIiver Stuenkel defende que, a par da postura “crítica e combativa” contra as políticas de desvalorização competitiva, os países emergentes devem avançar com propostas alternativas à gestão da crise por parte do G7. Cooperação e inovação de soluções são as máximas propostas pelo economista brasileiro.

O alarido sobre a guerra cambial tem feito regressar os fantasmas dos anos 1930 em que, a par de políticas extremas de austeridade (como na parte final da República de Weimar na Alemanha no período do chanceler Heinrich Bruning) que geraram as condições de ascenso dos totalitarismos, se extremaram políticas monetárias divergentes entre as principais potências com divisas então importantes (libra, franco francês e dólar) e situadas em blocos monetários distintos (bloco do padrão ouro, bloco da libra esterlina e grupo dos outros), que acabaram por originar guerras de divisas clássicas e mesmo guerras comerciais de retaliação bilateral ou múltipla. “A história dos anos 1930 mostra-nos que os resultados foram desastrosos para a economia global e conduziram a uma guerra mundial”, diz-nos David Kotok, presidente da Cumberland Advisors, uma firma de gestão de investimentos norte-americana.

A falha de cooperação internacional entre as principais potências democráticas – Reino Unido, França e Estados Unidos – ganhadoras da Iª Guerra Mundial até ao acordo tripartido de 1936 e até ao acordo anglo-americano de tarifas de 1938 é, em grande medida, responsável pela fragmentação do sistema económico e político naquele período entre as duas guerras mundiais e pela continuação da Grande Depressão, segundo os estudos mais citados realizados sobre a época por Patricia Clavin, Peter Temin, Barry Eichengreen e Charles Kindleberger.

O assunto do “multiplicador” regressou à ribalta. Não apenas por razões técnicas, mas agora, pela primeira vez, por razões políticas concretas. O governo grego levantou o assunto nas reuniões do Eurogrupo e do Ecofim desta semana e terá tido o apoio dos representantes de Portugal e da Irlanda, diz o jornal grego “Kathimerini”. Fonte do governo português desmentiu ao Expresso online esse apoio.

O tema foi referido na reunião do Eurogrupo de segunda feira, com o novo presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem, a referir que “foi brevemente mencionado” e que os 17 membros da zona euro “seguem com grande interesse os debates académicos”.

O presidente do Eurogrupo e, mais recentemente, Klaus Regling, diretor-geral do Mecanismo Europeu de Estabilidade procuraram desvalorizar o assunto. Regling adiantou, mesmo, à cadeia Skai TV que era um tema meramente “secundário” face à situação grega na altura do resgate. Regling disse que não concordava totalmente com as conclusões do Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentadas, no ano passado, no âmbito do World Economic Outlook, numa nota técnica do conselheiro económico do Fundo Olivier Blanchard. A nota técnica fez correr muita tinta e o debate académico prossegue, com artigos científicos constantes. Na semana passada foi publicado mais um, ainda que só analisando os Estados Unidos, entre 1890 e 2010, e o Canadá, entre 1921 e 2011.

O tema foi abordado, de novo, no Ecofin (reunião dos ministros das Finanças dos 27 membros da Uniâo Europeia) no dia seguinte.

Erro do multiplicador vai ser analisado

Quem não acha que o assunto seja meramente académico é a Grécia, segundo o jornal grego “Kathimerini”, que adianta que os membros do Eurogrupo, mais do que seguir apenas o “debate académico”, aceitaram examinar o assunto dos multiplicadores orçamentais, colocado pelo governo grego. O tema deverá ser analisado em março.

O ministro das Finanças Yannis Stournaras alegou, na reunião do Eurogrupo, que o erro reconhecido pelo FMI na avaliação do efeito negativo das políticas de austeridade justifica alguns ajustamentos ao programa de austeridade grego. O assunto será abordado nas próximas reuniões com a troika no âmbito da revisão do programa de resgate grego, que deverão iniciar-se no final de fevereiro. O ministro pretende ter esclarecimentos do FMI sobre as conclusões que o Fundo efetivamente retirou do erro. Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo, esteve presente nas duas reuniões em Bruxelas, mas não comentou o assunto.

Primeira concessão no IVA

Os gregos pretendem, nomeadamente, rever medidas prejudiciais à economia, como as subidas de IVA, refere o jornal grego, que adianta que essa será a primeira concessão política que o governo grego pretende arrancar da troika em virtude do erro de avaliação cometido quanto ao efeito recessivo das medidas de austeridade acordadas nos planos de resgate desde 2010.

No início da resposta às crises de dívida soberana nos países “periféricos” da zona euro, os governantes europeus e Jean-Claude Trichet, que, então, estava à frente do Banco Central Europeu, foram influenciados pela ideia de que a austeridade teria probabilidade alta de ter efeitos expansionistas na economia e que os multiplicadores orçamentais se comportavam em época de crise (com recursos subutilizados, nomeadamente níveis elevados de desemprego) e de taxas de juro em níveis próximos de 0% (definidas pelos bancos centrais) do mesmo modo que no período anterior de “bolha”, ou seja, que os multiplicadores seriam muito modestos em média (quer no sentido de gasto público repercutindo-se na economia real, quer na situação inversa de austeridade).

No estudo mais recente sobre multiplicadores, divulgado na semana passada, intitulado “Are Government Spending Multipliers Greater During Periods of Slack? Evidence From 20th Century Historical Data”, da autoria de Michael Owyang, Valerie Ramey e Sarah Zubairy, publicado pelo National Bureau of Economic Research, a diferença, no caso do Canadá, aponta para um “salto” do multiplicador de 0,5 durante os períodos “normais” de andamento da economia para mais de 1, chegando a 1,6, durante os períodos de subutilização de recursos. Os dados analisados cobrem um extenso período de 1921 a 2011. No caso dos EUA, o outro país analisado, os resultados não são tão chocantes, mas apontam para multiplicadores entre 0,7 e 0,9, entre 1890 e 2010.

A depressão continuada na Grécia, a queda desta economia na deflação, a viragem para a depressão na maioria dos restantes “periféricos”, e o próprio contágio recessivo a toda a zona euro, com políticas de austeridade em simultâneo, mostrou que as “pressuposições” de austeridade expansionista ou de efeitos recessivos negligenciáveis não tinham qualquer suporte empírico. O FMI “legalizou” a conclusão em outubro passado. Os gregos pretendem, agora, passar do reconhecimento do erro do FMI (e dos outros responsáveis da troika) à “correção” das terapias impostas.

O mês de março vai ter uma agenda carregada para os “periféricos”. À renegociação da dívida “oficial” aos fundos de resgate europeus por parte da Irlanda e de Portugal, a Grécia juntou, agora, mais um item.

ACTO I — 12 de fevereiro — Continua descida
As yields das Obrigações do Tesouro (OT) desceram hoje em todos os prazos, num movimento similar ao que ocorreu com as obrigações espanholas e os títulos do Departamento do Tesouro italiano, segundo dados da Bloomberg.

As yields das OT a dez anos desceram para 6,52%, depois de ontem terem fechado em 6,62%, o valor mais alto desde o início do ano. O valor de hoje continua ainda acima do verificado no dia de “regresso aos mercados” em 23 de janeiro e é superior ao verificado uma semana atrás.

O prémio de risco da dívida portuguesa baixou para 4,89 pontos percentuais, depois de ontem ter estado em 5 pontos. Este prémio mede o diferencial entre as yields das OT e dos Bunds, os títulos alemães, no prazo a dez anos.

O mesmo movimento de descida verificou-se no risco de incumprimento da dívida num horizonte a cinco anos que desceu de 29,47% no fecho de ontem para 28,95% no fecho de hoje, segundo dados da CMA DataVision. Este nível de risco é inferior ao verificado uma semana atrás (29,78%) e aproxima-se do verificado no dia de “regresso aos mercados” (28,5%). Portugal conserva o 8º lugar no “clube” das 10 economias com mais alto risco de incumprimento, grupo que continua a ser liderado pela Grécia, e onde Chipre se posiciona na terceira posição.

Medidas de apoio a Portugal e Irlanda em março

Olli Rehn, o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, reafirmou hoje, após a reunião do Ecofin, que no princípio de março o Eurogrupo e o Ecofin analisarão as “medidas de apoio” para o regresso pleno aos mercados por parte de Portugal e Irlanda após a conclusão dos programas de ajustamento. Sob essa designação, poderão decorrer negociações relativas à mudança de perfil dos empréstimos dos fundos de resgate europeu aos dois países no âmbito dos planos de resgate. O ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que “a negociação no caso português será favorável mas terá que atender e esperar ainda algumas semanas”. Paulo Portas falava na Comissão de Assuntos Europeus da Assembleia da República.

Esta segunda fase de negociações por parte de Dublin é distinta – apesar de ser frequente a confusão – da operação de troca de notas das promissórias no valor de 25 mil milhões de euros por dívida de muito longo prazo que ocorreu na semana passada e que envolveu o governo irlandês, o Banco central da Irlanda, e a “tomada de nota” da solução por parte do Banco Central Europeu.

O movimento de descida do risco de incumprimento foi hoje comum a Espanha, Itália e Irlanda. O risco da dívida grega permanece muito elevado, acima de 95%, e o de Chipre tem-se mantido acima de 50%. As negociações sobre o resgate de Chipre prosseguem, com muitos pontos divergentes, como ficou patente na reunião do Eurogrupo desta semana, e aguardam, agora, os resultados das eleições presidenciais que decorrerão no próximo domingo.

Risco da Argentina ao rubro

Fora da zona euro, a situação mais “quente” em termos de risco de incumprimento ocorre com a Argentina. A probabilidade de uma entrada em bancarrota está acima de 70% e o preço dos credit default swaps (acrónimo cds, derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco) situa-se em mais de 2100 pontos base (mais de 2 vezes o preço dos cds para a dívida cipriota e mais de 5 vezes o custo dos cds para a dívida portuguesa). Aproxima-se a audiência no Tribunal de Recurso de Nova Iorque do caso que opõe a Argentina a um dos “fundos abutre”, que decorrerá a 27 deste mês.

ACTO II — 13 de fevereiro — Continua…

As yields das obrigações do Tesouro (OT) voltaram a fechar em baixa em todas as maturidades. No prazo a dez anos, fecharam em 6,32%, depois de ontem terem encerrado em 6,52%, segundo dados da Bloomberg. Na segunda-feira, dia da reunião do Eurogrupo, haviam fechado em 6,62%, o valor mais alto desde o início do ano. No entanto, as yields das OT continuam acima dos valores para que haviam descido no dia de “regresso aos mercados” (da operação sindicada de dívida); no prazo a dez anos, fecharam a 23 de janeiro em 5,82%. O prémio de risco da dívida portuguesa desceu para 4,65 pontos percentuais. O prémio reflete o diferencial nas yields das OT e dos Bunds (obrigações alemãs) no prazo a dez anos, ou seja a diferença na remuneração exigida para comprar dívida portuguesa e alemã.

Na probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos, a descida foi hoje, ainda, mais significativa. O risco desceu de 28,95%, no fecho de ontem, para 28,15% no fecho de hoje, segunda dados da CMA DataVision. Este nível de risco é já inferior ao verificado no dia de “regresso aos mercados”, em que fechara em 28,5%. Apesar da descida do risco, Portugal mantém-se na 8ª posição no “clube” das 10 economias com maior probabilidade de entrar em bancarrota.

A descida nas yields e no risco de incumprimento foi comum a Espanha, Itália e Irlanda. Apesar de prosseguir o caso Bárcenas em Espanha e das sondagens em Itália apontarem para grande incerteza no desfecho das eleições legislativas de 24 de fevereiro, os investidores parecem não estar a dar relevância àqueles assuntos nos últimos dois dias. Também o risco de Chipre tem estado a descer desde segunda-feira, apesar da aprovação do resgate pela troika e das suas condições continuar adiada, esperando-se inclusive pelos resultados das eleições presidenciais do próximo domingo.

Espanha e Itália foram ao mercado

O Tesouro Público espanhol realizou ontem uma colocação de dívida em bilhetes do Tesouro a 6 e 12 meses e o Departamento do Tesouro italiano emitiu hoje dívida de médio e longo prazo. Os Estados conseguiram ultrapassar os seus objetivos de emissão, mas na maioria dos casos tiveram de pagar taxas de remuneração média acima das conseguidas em emissões anteriores similares.

Espanha colocou cerca de 5,6 mil milhões de euros, mas no prazo a 12 meses teve de pagar uma taxa de remuneração de 1,548% superior aos 1,52% na operação similar anterior. No prazo a 6 meses, o Tesouro espanhol pagou uma taxa de remuneração menor do que na operação anterior similar.

A Itália, por seu lado, emitiu 5,2 mil milhões de euros, mas teve de pagar taxas de remuneração média superiores nos três prazos da emissão de títulos a vencer em 2015, 2026 e 2040.

O grupo das sete economias mais desenvolvidas do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) poderá publicar uma declaração conjunta ainda antes da reunião de ministros das Finanças e de banqueiros centrais do G20 (vinte maiores economias do mundo) em Moscovo nos dias 15 e 16 de fevereiro, segundo o jornal “The Wall Street Journal” e a agência Bloomberg. Na agenda desta semana, a reunião do G20 é um momento alto à escala global , como o Expresso já sublinhou. Um rascunho da declaração estaria já a ser revisto por altos funcionários. O G7 agrupa as quatro mais importantes divisas do mundo – o dólar (divisa internacional), o euro, o iene e a libra esterlina.

O assunto reaqueceu no final da semana com a desvalorização relâmpago de mais de 30% do bolívar venezuelano, a que já nos referimos, ainda que se trate de uma divisa de menor importância no quadro mundial. Hoje de manhã, o presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento, Haruhiko Kuroda, apoiou a ideia de um iene mais fraco. Kuroda é um sério candidato a substituir o atual governador do Banco do Japão, Masaaki Shirakawa, que antecipou a sua saída para 19 de março.
Cheiro a anos 1930

A declaração prévia à reunião do G20 destinar-se-ia a acalmar os mercados de câmbio depois do tema da “guerra de divisas” ter subido de tom nas últimas semanas com a nova estratégia orçamental e monetária japonesa, após a vitória de Shinzo Abe nas eleições legislativas, e do alerta, na semana passada, do presidente francês François Hollande apontando para a necessidade de uma política de taxa de câmbio de médio prazo da moeda única europeia. O Orçamento de Estado para 2013 da França pressupõe uma taxa média de câmbio anual de 1,24 dólares por euro, e a moeda única tem tido uma trajetória de apreciação face ao dólar desde julho de 2012, estando acima de 1,3 dólares.

O G7 já não se pronuncia sobre o tema desde a reunião de Marselha em setembro de 2011 e o G20 firmou um “consenso” que as economias desenvolvidas e emergentes se absteriam de usar a desvalorização competitiva da moeda como guerra comercial.

Este mais recente clima mediático de “guerra de divisas” – tema que foi, pela primeira vez durante esta crise financeira, trazido à ribalta pelo ministro brasileiro Guido Mantega em 2010 – tem levado muitos analistas a falar de um “cheiro a anos 1930″, nas palavras do bloguer norte-americano Mike Shedlock.
Agenda carregada

O tema do euro e das divisas poderá ser um dos pontos das reuniões do Eurogrupo e do Ecofin que decorrem hoje e amanhã.

O assunto deverá ser também um dos tópicos do testemunho de Jacob Lew perante o Congresso norte-americano no dia 13. Lew responde aos congressistas no âmbito do processo da sua confirmação como futuro secretário do Tesouro dos EUA, substituindo Tim Geithner, que serviu na primeira administração Obama. Jack Lee é chefe do gabinete da Casa Branca, e anteriormente foi director do Office of Management and Budget nas administrações Obama e Clinton.

A agenda desta semana é ainda marcada pela reunião do Banco do Japão no dia 14 de fevereiro, onde se espera que ocorra a alteração formal do objetivo de controlo de inflação. Para fazer diminuir a tensão internacional, e nomeadamente dos vizinhos Coreia do Sul e Taiwan, o ministro das Finanças japonês Taro Aso tentou colocar água na fervura e baixar a retórica sobre a depreciação do iene.

Draghi considera valorização do euro como risco

O euro fechou o ano de 2012 valendo 1,3194 dólares e terminou janeiro de 2013 em 1,355 dólares. Contudo está longe dos 1,597 dólares que valia em abril de 2008. O euro valorizou-se, também, em relação ao iene, à libra e ao yuan chinês. Segundo a Bloomberg, o euro atingiu, este mês, um máximo de 14 meses em relação ao dólar e um máximo de três anos em relação ao iene. Valorizou-se 11% em relação a um cabaz de divisas desde que Mário Draghi pronunciou a já célebre conferência em Londres em 26 de julho de 2012 pre-anunciando o programa OMT (de compra ilimitada de dívida no mercado secundário). Atingiu, até à data este ano, um pico de 1 euro valer 1,3644 dólares a 1 de fevereiro de 2013. Fechou hoje em 1,3391 dólares por euro, acima do fecho de sexta-feira (1,3374), mas abaixo do verificado no dia da reunião mensal do Banco Central Europeu a 7 de fevereiro (1,3546 dólares).

Mário Draghi, presidente do Banco Central Europeu, na passada quinta-feira, entrou, entretanto, em campo na conferência de imprensa posterior à reunião mensal do conselho de governadores, e declarou que o banco estaria vigilante em relação a este indicador, ainda que ele não faça parte dos objetivos do mandato do banco central. Inseriu a apreciação do euro como um dos “riscos em deterioração” na conjuntura europeia. As palavras de Draghi, mais do que o alerta de Hollande, provocaram efeito imediato – o euro desceu face ao dólar no dia seguinte.

Acto I– As yields das obrigações do Tesouro a dez anos no mercado secundário fecharam hoje no valor mais alto desde o início do ano. Abriram em 6,54%, ligeiramente abaixo do fecho de sexta-feira passada (6,55%) e acabaram por fechar em 6,62%, segundo dados da Bloomberg.

É o valor mais alto desde 2 de janeiro, quando as yields a dez anos das OT abriram o ano de 2013 fechando em 6,559%. O ano de 2012 fechara com as yields das OT nesta maturidade em 7,01%, acima da linha vermelha dos 7%.

Durante grande parte de janeiro, as yields destas OT foram descendo até chegar a um mínimo de 5,82%, no dia do “regresso aos mercados” obrigacionistas (23 de janeiro), com a emissão de dívida obrigacionista sindicada. A partir desse dia, as yields retomaram uma trajetória, com oscilações, de subida.

Este padrão é similar nas yields das restantes maturidades das OT. Por exemplo, no caso das yields das OT a cinco anos, o ano de 2013 abriu com um valor de fecho de 4,914%, baixou para 4,89% no dia do “regresso aos mercados” e fechou hoje em 5,82% – quase um ponto percentual a mais.

O prémio de risco subiu, de novo, para mais de 5 pontos percentuais. Este prémio reflete o diferencial entre as yields a dez anos das obrigações do Tesouro português e dos Bunds, os títulos alemães.

O Eurogrupo informou hoje que agendou para 4 de março a discussão de medidas para apoiar a finalização dos programas de resgate e o regresso aos mercados por parte da Irlanda e Portugal. Pelo que, durante fevereiro, não serão esperadas novidades.

Movimento de subida nos “periféricos”

A subida das yields verificou-se, também, nas obrigações espanholas e nos títulos italianos em todos os prazos a também nas obrigações gregas (reestruturadas) a dez anos que estão a ser trasacionadas no mercado secundário. No caso grego, as yields regressaram acima de 11%, apesar do Eurogrupo ter considerado hoje que o programa de ajustamento “está nos carris”.

O lote de “incertezas” que estão a dominar o sentimento dos investidores contém a expetativa sobre os resultados das próximas eleições legislativas em Itália no dia 24 de fevereiro em que as listas mais do “agrado dos mercados” (Partido Democrático e lista de Mário Monti) estão a enfrentar uma subida do partido de Sílvio Berlusconi e do movimento do comediante Beppe Grillo; o efeito do caso Bárcenas no governo de Espanha; a nova polémica sobre a valorização “excessiva”, ou não, do euro e o facto do Banco Central Europeu ter incluído esse aspeto nos “riscos em deteriorração”; bem como o atraso no desfecho do resgate de Chipre, que vai a eleições presidenciais no próximo domingo, e onde a questão da “lavagem de dinheiro” continua a marcar as discussões no Eurogrupo.

O Eurogrupo discutiu o assunto da “guerra de divisas”, mas o novo presidente do grupo dos 17 ministros das Finanças da zona euro, o holandês Jeroen Dijsselbloem, nada adiantou na conferência de imprensa de hoje à tarde. Confirmou que o assunto será discutido na reunião do G20 do final desta semana, que considerou o “local certo”, a plataforma para tratar o assunto.

A Irlanda obteve, entretanto, um primeiro prémio pela troca das promissórias por parte da agência de notação Standard & Poor’s que, apesar de manter o rating no nível BBB+ (em terreno não especulativo, três níveis acima do que é commumente considerado “lixo financeiro”), passou a perspectiva de negativa para estável. O Eurogrupo considerou, também, positiva a operação de troca das promissórias realizada na semana passada.

Acto II — Depois de um fecho em alta das yields das Obrigações do Tesouro no mercado secundário e de uma subida do prémio de risco da dívida portuguesa para 5 pontos percentuais, a probabilidade de entrada em incumprimento num horizonte de cinco anos subiu ligeiramente.

Tendo fechado em 29,45% na sexta-feira passada, o risco de incumprimento fechou hoje em 29,47%, depois de ter aberto em baixa em 29,35%. Ao longo do dia foi subindo tendo atingido um pico intradiário em 29,5%, segundo dados da CMA DataVision. O preço dos credit default swaps (derivados financeiros que funcionam como seguros contra o risco de incumprimento) voltou a subir para próxima de 400 pontos base.

Há uma semana atrás, o risco fechara em 30,24%. O nível de risco no fecho de hoje continua distante da descida do risco para 28,5%, ocorrida no dia de “regresso aos mercados” em 23 de janeiro.

Portugal mantem-se no 8º lugar do “clube” das 10 economias com mais alta probabilidade de entrar em bancarrota num horizonte de cinco anos. Espanha, Itália e Irlanda mantêm-se fora, enquanto a Grécia continua a liderar o grupo e Chipre está em 3º lugar. Entre os “periféricos” da zona euro, a Irlanda é o país que mais baixo nível de risco tem atualmente, quase 50% do nível de risco da dívida portuguesa.

Eurogrupo discute em março “apoio” a Portugal e Irlanda

O fecho de hoje já ocorreu após a informação saída do Eurogrupo de que as medidas de apoio à conclusão dos planos de resgate e de regresso aos mercados obrigacionistas por parte de Portugal e da Irlanda deverão ser discutidas na próxima reunião do grupo de 17 ministros das Finanças da zona euro a 4 de março. Isso havia já sido decidido na reunião do Eurogrupo de janeiro.

Também o risco de incumprimento da dívida espanhola subiu, de 21,84% no fecho de sexta-feira passada para 22,05% no fecho de hoje, continuando a refletir-se a instabilidade trazida pelo caso Bárcenas.

O risco de incumprimento para a dívida irlandesa fechou em baixa ligeira e o relativo à dívida italiana manteve-se estacionário (não refletindo as notícias que vêm das sondagens em relação às próximas eleições legislativas).

A dívida irlandesa continua a ser bafejada por diversas manifestações positivas por parte do Eurogrupo e inclusive pela decisão da Standard & Poor’s de alterar a perspetiva de rating da dívida irlandesa de negativa para estável. A operação de troca de promissórias foi elogiada pelas duas entidades.

O governo venezuelano anunciou ontem (8 de fevereiro) uma desvalorização de 31,8% da sua moeda face ao dólar a partir de 13 de fevereiro (Foto do conselho de ministros, da Infolatam). Trata-se da quinta desvalorização em uma década e já era esperada pelos analistas financeiros. A última foi em 2011. A Oposição política acusa Hugo Chávez de ter depreciado o bolívar em quase 1000% desde 1999.

Para evitar chamar-lhe desvalorização, o governo apelidou esta operação de “ajuste cambial” e criou um órgão para a “otimização do sistema cambial” (que contará com a participação dos Ministérios do Petróleo e das Minas e do Planeamento e das Finanças e com o Banco Central). A oposição etiquetou a medida de “paquetazo cubano” (em virtude do presidente da Venezuela se encontrar em Cuba em tratamento, estando há 62 dias sem aparecer publicamente).

Foto Infolatam -- conselho de ministros decidindo o paquetazo de

O câmbio do bolívar face ao dólar passou, ontem, por decreto, de 4,3 bolívares por cada nota verde dos Estados Unidos para 6,3 bolívares. Ou seja, 100 bolívares valiam, segundo o câmbio oficial anterior, 23,26 dólares; agora valem 15,87 dólares – o que exemplifica a depreciação havida de mais de 1/3. No câmbio oficial, um euro vale 5,7 bolívares.

Quem detenha 1 dólar, originado em uma receita de exportação ou em rendimentos vindos do exterior ou do turismo, passa a receber mais 2 bolívares por cada nota verde. O principal ganhador com esta medida é a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA), que é a fonte de 90% da exportação. Mas quem queira trocar 100 bolívares em dólares perde 7,39 dólares em relação ao que recebia segundo o câmbio oficial anterior. Uma importação de um produto que custasse 100 dólares exigia desembolsar 430 bolívares, agora implica pagar 630 bolívares, ou seja, quase 50% mais em moeda local. Para quem toma decisões de investimento baseado em dólares, o salário mínimo, de uma assentada, desceu de 476 dólares (357 euros) para 325 (243 euros); o país, em termos de custo da mão-de-obra, ficou mais “competitivo” para investidores dolarizados.

Más noticias para uns, boas notícias para outros

Em suma, o importador vê a fatura subir 50%; o exportador, por seu lado, por cada dólar de mercadoria que venda passa a ter um ganho de quase 50% em bolívares, o que significa que poderá baixar o preço de venda em dólares na exportação, mesmo assim continuando a ganhar mais em bolívares. É o efeito da desvalorização competitiva. O venezuelano ou emigrante na Venezuela que se desloque para fora e queira adquirir dólares perde cerca de 32%. O mesmo sucede com a firma estrangeira que queira repatriar dólares para o seu país de origem a partir dos lucros que declara em bolívares no mercado local. Segundo estimativas da Ecoanalitica, o poder de compra quebrará 8%.

Como a medida só entrará em vigor na próxima semana, assistiu-se neste período carnavalesco a uma corrida à compra de produtos importados, cujo preço ainda reflete o câmbio anterior. Alguns analistas falaram de clima de “pânico de compra”.

No mercado paralelo, o dólar tem sido trocado por bolívares a um valor superior ao anterior câmbio oficial. Segundo o site Lechuga Verde (alface verde, designação irónica para o dólar no mercado informal), o câmbio no mercado negro apontava para 18,39 dólares por cada 100 bolívares, ou seja, 5,4 bolívares por cada dólar, antes desta operação. No entanto muitos economistas venezuelanos afirmam que a desvalorização é ainda insuficiente. A taxa de equilíbrio estará em 9 bolívares por dólar — a desvalorização agora decidida situou a taxa de câmbio oficial em 6,3 bolívares por dólar.

Esta medida é anunciada apenas uma semana antes da reunião do G20 em Moscovo onde o tema da guerra de divisas poderá estar em cima da mesa, em virtude do movimento de depreciação de várias divisas importantes (como o iene ou o dólar) e de apreciação excessiva de outras, como o euro. Situação que levou o presidente francês François Hollande a alertar para o assunto na semana passada no Parlamento Europeu. E que parece ter obrigado o Banco Central Europeu (BCE) a monitorizar de perto este indicador, considerando-o, agora, um dos “riscos de deterioração” na zona euro.

Dólares do petróleo para baixar défice

O país latino-americano exportador de petróleo dispõe de controlo de câmbios desde 2003, por decisão de Hugo Chávez, o que obriga as empresas e os cidadãos a pedir as divisas estrangeiras a vários organismos do Estado para importar ou aplicar no estrangeiro. A economia do país depende em 95% das receitas em dólares do petróleo. A desvalorização permite aumentar o contravalor em bolívares (a moeda local) dos dólares recebidos pelas exportações, pelas remessas de emigrantes ou pelo turismo. E, naturalmente, aumenta em bolívares o valor dos impostos que o governo retira nomeadamente das exportações de petróleo. O défice orçamental que poderá ter ficado entre 8,5% e 11% do PIB em 2012, segundo diferentes estimativas, poderá ser aliviado. O objetivo oficial é um ajustamento enorme, este ano, para 5,3%.

No entanto, analistas na Bloomberg já chamaram a atenção que a desvalorização pretende aumentar a oferta de dólares no mercado, e, paradoxalmente, permitir mais importações em áreas em que tem havido escassez importante de produtos importados, nomeadamente produtos básicos e automóveis. Quem detém dólares ou os comprou no mercado negro ao longo dos últimos meses guardou-os esperando que uma desvalorização do bolívar ocorresse.

A medida de desvalorização foi completada com o fecho do Sistema de Transações com Títulos em Moeda Estrangeira, conhecido pela sigla SITME, que os analistas acusam de ter retirado do mercado mais de 8 mil milhões de dólares no ano passado.

O maior risco é a inflação importada

Apesar do efeito imediato positivo em determinados bens importados aliviando o descontentamento social face à escassez, a desvalorização terá um efeito negativo, a longo prazo, sobre as importações (os bens importados passarão a ficar quase 50% mais caros em moeda local) e aumentará a inflação importada, num país em que a inflação anual é superior a 22%. Na realidade, 35% da procura de produtos finais é coberta através de importações, e dos restantes 65%, o grosso do bolo, 52%, requer importações para a elaboração dos produtos finais.

Alberto Ramos, da Goldman Sachs, citado pelo “The Wall Street Journal”, estima que a inflação possa chegar, no final deste ano, aos 30%, quando o objetivo oficial são 14 a 16%.

Apesar do endividamento público crescente, em termos relativos, e olhando à referência europeia, ele é apenas de 54% do PIB, abaixo inclusive da regra de Maastricht.

No entanto, o governo abriu exceções sectoriais para situações de aquisição de dólares pedidas até três meses antes de 15 de janeiro, no sector alimentar, comércio, comunicações, imprensa, eletrodomésticos, eletrónico e informático, telecomunicações e saúde. Também admite a flexibilização para outros sectores que já haviam solicitado divisas há seis meses, como o da montagem automóvel, borracha, construção, carvão, madeira, têxtil, elétrico, gráfico, químico e veterinário. Em todas estas exceções e flexibilizações continuará a ser usado o câmbio anterior.

O Banco Central da Venezuela, entretanto, flexibilizou, também, a disponibilidade de divisas para os exportadores e pretende dar mais gás às contas bancárias em moeda estrangeira.

Aponta-se para meio milhão de emigrantes portugueses na Venezuela, 75% dos quais de origem madeirense.

Juros e risco de incumprimento da dívida descem na sexta-feira. Mas mantêm-se acima dos níveis de há uma semana e do dia de “regresso aos mercados”. Risco político em Espanha e Itália e prudência de Mário Draghi sobre retoma em 2013 não geraram, neste final de semana, contágio negativo nos mercados da dívida

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) em todos os prazos no mercado secundário e a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos desceram hoje em relação aos valores de fecho de ontem.

Também o prémio de risco – que mede o diferencial entre as yields das OT e dos Bunds, títulos alemães, a dez anos – desceu dos 5 pontos percentuais, com que fechou ontem, para 4,94 hoje, segundo dados da Bloomberg.

As yields das OT a cinco anos desceram de 5,37% para 5,34% e as relativas ao prazo a dez anos de 6,6% para 6,55%, segundo dados da Bloomberg. A dinâmica de reaproximação à linha vermelha dos 7% não prosseguiu hoje.

No mercado dos derivados financeiros que funcionam como seguros contra o incumprimento, o custo dos credit default swaps (cds, no acrónimo) desceu de 400,29 pontos base no fecho de ontem para 398,38 no fecho de hoje, segundo dados da CMA Data Vision, Num horizonte de cinco anos, a probabilidade de incumprimento desceu de 29,55% para 29,45%. Apesar da ligeira descida, o país manteve-se na mesma posição – a 8ª – no “clube” das 10 economias com mais alta probabilidade de incumprimento.

Níveis mais altos do que há uma semana

No entanto, comparando os níveis de fecho de hoje com os de há uma semana atrás (dia 1 de fevereiro), as yields das OT em todos os prazos fecharam hoje em valores mais elevados. No caso mais usado para comparações, do prazo a dez anos, as yields fecharam hoje em 6,55% contra 6,18% há uma semana.

O mesmo sentido se verifica no prémio de risco – 4,94 pontos percentuais hoje contra 4,51 há uma semana atrás.

A mesma trajetória se observa quer para o custo dos cds como para o risco de incumprimento: 398,38 pontos base hoje no preço dos cds contra 395,62 há uma semana; 29,45% de risco hoje contra 29,36% há uma semana.

Níveis muito acima dos verificados no dia de “regresso aos mercados”

Usando como referência os níveis verificados no dia 23 de janeiro, que ficou batizado como dia de “regresso aos mercados” obrigacionistas (apesar dessa classificação não ser correta), constata-se que os atuais níveis das yields das OT e do risco de incumprimentos continuam, ainda, muito acima dos atingidos nessa altura.

A 23 de janeiro, o risco de incumprimento descera para 28,50%; o prémio de risco para 4,32 pontos percentuais; as yields das OT a cinco anos para 4,89% e a dez anos para 5,82%.

Risco político e retoma económica mais tardia não afetam mercado da dívida

Apesar de muitos analistas continuarem a atribuir risco político à situação em Espanha (em virtude do caso Bárcenas que envolve o Partido Popular que está no governo e cujo desfecho é imprevisível) e em Itália (onde o resultado das eleições legislativas de 24 de fevereiro é incerto), as yields das obrigações espanholas e italianas e o risco de incumprimento das duas dívidas baixou.

Esse risco refletiu-se na emissão de dívida de médio e longo prazo realizada pelo Tesouro espanhol, que apesar de ter superado os objetivos no montante emitido, exigiu o pagamento de taxas médias de remuneração aos investidores mais elevadas do que em operações similares anteriores. Alguns analistas viram nesse facto, o começo de perda do “efeito Draghi” (ligado ao anuncio do programa OMT do Banco Central Europeu), mas o comportamento das yields no mercado secundário ainda não deu esse sinal.

As declarações de Mário Draghi, presidente do BCE, sobre a necessidade de passar a tomar em linha de conta a situação do euro no mercado de câmbios (onde, segundo alguns analistas, se desenrola uma guerra de divisas larvar que prejudica principalmente o euro que se tem apreciado ultimamente), aspeto para que chamara a atenção o presidente francês François Hollande no início da semana, foram interpretadas pelos analistas como novas fragilidades da situação na zona euro. Draghi e o BCE, nesta reunião mensal de fevereiro, incluíram, de facto, o problema nos “riscos de deterioração” da situação – uma novidade.

A par desta nova fragilidade, os analistas sublinharam o facto de o BCE ser, agora, mais prudente sobre a previsão de retoma económica gradual ainda no segundo semestre de 2013. A expressão que passou a ser usada, nesta reunião de fevereiro, para a presumível retoma é mais ambígua: “tardiamente em 2013″.

No entanto, os riscos de apreciação continuada do euro e as dúvidas sobre a retoma em 2013 não provocaram nenhum contágio negativo esta semana nos mercados da dívida da zona euro. Os investidores tomaram boa nota das repetidas declarações de Draghi de que o BCE prossegue uma política “acomodativa” e premiaram a decisão de troca de dívida na Irlanda. O risco de incumprimento da dívida irlandesa desceu de 16,1% há uma semana para 14,5% no fecho de hoje.

Para a semana há reuniões do Eurogrupo e do Ecofin, no espaço da União Europeia, e a cimeira de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 em Moscovo.

Acto I — A COREOGRAFIA DE DRAGHI
Mário Draghi repetiu seis vezes, na conferência de imprensa desta tarde, que o Banco Central Europeu “tomou nota” de uma decisão do Banco central e do governo irlandês sobre a troca das notas promissórias. Não falou de “acordo”. “Voltaremos ao assunto”, disse.

A Reuters noticiou que o governo irlandês e o Banco Central Europeu (BCE) teriam chegado a “um acordo” para colocar um ponto final no assunto pendente das notas promissórias que o governo irlandês assumira como dívida soberana para servir de colateral no resgate do banco Anglo-Irish em 2009. No entanto, Mário Draghi, presidente do BCE, na conferência de imprensa que se realizou esta tarde nunca falou de “acordo”, mas sim de que a reunião de governadores “tomou nota unanimemente” da acção decidida pelo governo irlandês e pelo Banco central da Irlanda.

Draghi repetiu seis vezes que o BCE “tomou nota”. “Não tomámos decisão nenhuma. Hoje tomámos nota. Mas voltaremos ao assunto. Esta não é a última palavra”, frisou, sem dar mais detalhes. “Eles decidiram agir. É tudo”, frisou secamente. No entanto reconheceu que houve “um passo positivo”, pois não haverá mais recurso ao mecanismo ELA, de assistência de liquidez de emergência. E não se coibiu de elogiar a Irlanda, cuja perspetiva é positiva, bem como falou dos ajustamentos com resultados positivos por parte da Irlanda e de Portugal.

Draghi recusou a ideia que se tratasse de um encenação coreográfica, com o BCE a dizer que não participou em nenhum acordo e fontes oficiais do governo irlandês a garantirem aos media que houve acordo, algo que Draghi não poderá reconhecer oficialmente.

Como não se referiu aos detalhes da operação de troca (swap) de dívida que foi desenhada pelos irlandeses, não respondeu à pergunta se o BCE aceitará os títulos que daí resultarem como colateral. Os detalhes ainda não são conhecidos, mas deverão ser conhecidos, em breve, no Parlamento irlandês, onde o primeiro-ministro Enda Kenny deverá anunciar a troca de dívida.

Limite político para a Irlanda

A Irlanda tinha definido o mês de março como limite para a resolução desta questão que envolve um montante de 31 mil milhões de euros a pagar anualmente em tranches de 3,1 mil milhões até 2023 – a próxima vence em março. Com os juros, o montante somará 47 mil milhões de euros. O grosso dos pagamentos seria feito até 2023, mas alguns pequenos pagamentos ainda se estenderiam até 2031.

O governo irlandês pagou a primeira tranche em 31 de março de 2011, mas resolveu o pagamento da segunda tranche em março do ano passado com uma emissão de longo prazo a vencer em 2025 que trocou pela tranche da promissória.

Ontem, os jornais irlandeses davam conta do interesse de Dublin em transformar esse encargo financeiro num plano com uma maturidade média de 33 a 34 anos e com um juro substancialmente mais baixo.

Caso um acordo não fosse alcançado, os analistas irlandeses temiam uma crise política na própria coligação governamental. O que, atendendo ao caso Bárcenas em Espanha e à enorme incerteza sobre os resultados das eleições legislativas em Itália daqui a duas semanas, não seriade bom augúrio para o “contágio positivo” em que se tem vivido nos mercados da dívida, nas palavras de Draghi, expressão que, hoje, curiosamente não usou, mesmo depois dos resultados da emissão de dívida por Madrid.

O Parlamento irlandês decidiu aprovar por 113 votos a favor e 35 contra, já pela madrugada de hoje, uma lei de liquidação do banco Anglo-Irish (atualmente inserido na Irish Bank Resolution Corporation, onde se fundiu, também, o Irish Nationwide Bank). Os seus ativos passam para o “banco de lixo tóxico financeiro” (bad bank) NAMA. O caminho ficou aberto para a operação de troca das promissórias pela dívida obrigacionista de muito longo prazo.

Acto II — O SWAP
A dívida relacionada com as notas promissórias que serviram de colateral para resgatar a banca irlandesa foi trocada por um emissão de dívida com uma maturidade média de 34 anos e um juro médio de 3%. A primeira amortização só será realizada daqui a 25 anos.

Depois do presidente do Banco Central Europeu (BCE) ter declarado que havia “tomado nota” da operação decidida pelo governo irlandês e pelo Banco central do país, o primeiro-ministro Enda Kenny veio ao Parlamento em Dublin dar os primeiros “detalhes” da troca de dívida que aliviará o défice público em mil milhões por ano nos próximos anos, permitindo à Irlanda superar a meta de 3% do PIB em 2015, prevendo-se que, nessa data, baixe para 2,4%.

A troca (swap) de dívida consistiu na substituição das notas promissórias que ficaram em mãos do Banco Central da Irlanda num valor total de 25 mil milhões de euros que venciam anualmente até 2023 por uma emissão de títulos de longo prazo com uma maturidade média de 34-35 anos e com uma primeira amortização de capital só daqui a 25 anos, em 2038. O juro médio desta nova emissão rondará os 3% contra os 8% das notas promissórias, segundo disse Kenny. A título comparativo e aproximado, as yields dos Bunds, títulos alemães, no prazo a 30 anos, estão em 2,37%.

Segundo o detalhe publicado pelo Departamento de Finanças irlandês, as promissórias por resolver (25 mil milhões de euros) serão substituídas por títulos de muito longo prazo com a seguinte distribuição: 6 mil milhões de euros em três tranches a vencer depois de 25, 28 e 30 anos; 9 mil milhões em três tranches a vencer depois de 32, 34 e 36 anos; e 10 mil milhões em duas tranches a vencer depois de 38 e 40 anos.

Governo alivia refinanciamento e Banco Central fica com títulos para vender

Segundo o documento divulgado pelas Finanças haverá uma redução das necessidades de financiamento na ordem de 2,3 mil milhões de euros no primeiro ano seguida de 20 mil milhões no conjunto dos dez anos seguintes. Ou seja, uma redução importante da necessidade de ir ao mercado primário emitir dívida para cumprir o pagamento de uma tranche anual de 3,1 mil milhões mais juros que se estendia até 2023, com um valor residual de 2,8 mil milhões a pagar em 2024 e 2025. O custo total das promissórias – capital e juros – subia a 47 mil milhões de euros.

O governo irlandês acabou por só pagar a primeira tranche das promissórias em 31 de março de 2011, e resolveu o pagamento da segunda tranche em março do ano passado com uma emissão em abril, de longo prazo, a vencer em 2025, de 3,4 mil milhões de euros, com base num acordo com o Banco da Irlanda (não confundir com o banco central), e que agora ficará na posse do Banco Central Irlandês.

Os analistas irlandeses sublinham que para o Banco Central Irlandês é um bom negócio pois fica com títulos soberanos mais líquidos do que as notas promissórias, títulos que, a partir de 2014, segundo um calendário definido, poderá vender no mercado a investidores. Por outro lado, como sublinhou Mário Draghi, o presidente do BCE, o banco central irlandês livra-se de uma ELA, um mecanismo de assistência de liquidez de emergência que serviu para resgatar a banca falida. “Um passo positivo”, disse Draghi.

Renegociação de dívida em duas fases

A Irlanda conseguiu, deste modo, renegociar o perfil deste encargo, alterando substancialmente a maturidade média, os juros e o início de amortização. Alguns analistas consideram as promissórias como quase-dívida pública. O efeito da operação, em termos de diminuição do peso projetado da dívida pública no PIB, só se fará sentir a partir de 2015, com a descida de 116,8% para 116,4%, um nível de dívida que continuará elevadíssimo.

No entanto, como muitos analistas irlandeses sublinharam, e como o próprio ministro das Finanças Michael Noonam recordou, com uma dívida a tão longo prazo, a inflação tomará conta de fazer desaparecer grande parte do seu valor líquido presente (net present value, NPV no acrónumo). O economista irlandês Karl Whelan explicou num artigo académico, no ano passado, que ume emissão obrigacionista a 40 anos acarretará uma redução do valor líquido presente em 43%. A troca, agora, realizada para uma maturidade média de 34-35 anos não implicará uma redução tão ampla, mas andará pelos 34,4%, segundo o artigo que publicou na revista Forbes (no dia 11 de fevereiro de 2013) de balanço do swap.

Outra parte da renegociação, em curso, de dívida soberana diz respeito à dívida “oficial” aos fundos europeus, derivada dos empréstimos no âmbito do resgate à Irlanda.

O risco de incumprimento da dívida irlandesa desceu hoje mais de um ponto percentual. Tendo descido ontem para 16,2%, hoje acabou por fechar em 15,14%, segundo dados da CMA DataVision.

Acto I — LEILÃO — O Tesouro Público em Madrid emitiu €4,6 mil milhões em obrigações a vencer em 2015, 2018 e 2029, acima do previsto, mas teve de pagar taxas de remuneração mais elevadas do que nas operações anteriores similares.

O Tesouro Público espanhol conseguiu colocar hoje de manhã mais do que o previsto na sua emissão de obrigações a vencer em 2015, 2018 e 2029, mas teve de aceitar pagar taxas de remuneração média mais elevadas do que em operações anteriores.

Os analistas espanhóis dividem-se entre os que consideram que o Tesouro Público “salvou os móveis”, no dia de reunião do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) não dando um dissabor a Mário Draghi, e os que acham que o aumento de 11% no custo de financiamento a dois anos, de 9% a cinco anos e de 19% a 16 anos é a prova de que o caso Bárcenas está a fazer mossa junto dos investidores (temendo o aumento do risco político) e a deixar para segundo plano o “efeito Draghi” (o lançamento pelo BCE do programa conhecido pela sigla OMT, de eventual compra ilimitada de obrigações no mercado secundário).

Madrid emitiu 4,61 mil milhões de euros no conjunto, acima do teto máximo de 4,5 mil milhões previsto. A procura duplicou nas três linhas, mas esteve abaixo dos níveis de procura em operações anteriores similares.

O Tesouro colocou 1948 milhões de euros em obrigações a vencer em março de 2015, tendo de pagar uma taxa de remuneração média de 2,823% contra uma superior, de 2,476%, na operação anterior similar.

A vencer em janeiro de 2018, o Tesouro emitiu 2070 milhões de euros, pagando 4,123% contra 3,77% na operação anterior similar.

Finalmente, com vencimento em 2029, emitiu 593 milhões de euros, pagando 5,78% contra 5,55% em operação similar anterior.

Depois do leilão de dívida levada a cabo no mercado primário, as yields das obrigações espanholas no mercado secundário subiram em todos os prazos, em relação à abertura. No prazo a dez anos, abriram em 5,46% e subiram para 5,5%.

A meio da manhã, o risco de incumprimento da dívida espanhola tinha aumentado ligeiramente em relação ao fecho de ontem, subindo de 22,59% para 22,6%.

Ao final da manhã, as yields das OE no mercado secundário estavam em baixa em todos os prazos. Na maturidade a 10 anos, as yields desceram para 5,41%. Fecharam em baixa em relação ao dia anterior, em 5,42%. O prémio de risco manteve-se sem alteração (3,82 pontos percentuais, ou 382 pontos de spread em relação à dívida alemã) e a probabilidade de incumprimento desceu ligeiramemte para 22,5%. Em suma, o mercado secundário e o mercado dos credit default swaps não reagiu negativamente ao facto do Tesouro ter pago taxas mais altas.

Acto II — BANCO DE INGLATERRA — O Comité de Política Monetária em Londres decidiu manter a taxa de juro de referência em 0,5% e não alterar a dimensão do seu programa de “alívio quantitativo”

O Banco de Inglaterra, na sua reunião mensal do Comité de Política Monetária, decidiu não mexer na sua política monetária. A taxa de juro de referência mantém-se em 0,5%, sem alteração desde 2009. O programa de compra de ativos manteve a sua dimensão em 375 mil milhões de libras.

Acto III — REUNIÃO DO BCE — O Banco Central Europeu manteve a taxa de juros diretora em 0,75%. Uma das decisões mais aguardadas na conferência de imprensa às 13H30 é o acordo com a Irlanda sobre as notas promissórias.

O Banco Central Europeu (BCE), na sua reunião mensal do conselho de governadores, deixou inalterada a sua política monetária. A taxa de referência mantém-se em 0,75%.

As atuais taxas de juro de referência dos principais bancos centrais das economias desenvolvidas são as seguintes: entre 0% e 0,25% no caso da Reserva Federal norte-americana, sem alteração desde 2008; 0,75% no caso do Banco Central Europeu, sem alteração desde 2012; 0,5%, no caso do Banco de Inglaterra, sem alteração desde 2009; 0,1%, no caso do Banco do Japão, sem alteração desde 2010; e 0,25%, no caso do SNB (banco central da Suíça), sem alteração desde 2009.

Acto IV — FECHO MERCADO DÍVIDA — O mercado secundário da dívida portuguesa fechou hoje “misto”. Os juros das obrigações do Tesouro a três anos fecharam ligeiramente em baixa e os de maior prazo em alta. Mas o risco de incumprimento desceu ligeiramente, mas mantém-se acima de 29,5%

O mercado secundário da dívida portuguesa fechou hoje com as yields das obrigações do Tesouro (OT) a três anos ligeiramente em baixa e com as yields relativas aos prazos a cinco e a dez anos em alta, segundo dados da Bloomberg. No prazo a dois anos, fecharam no mesmo nível do dia anterior. Uma situação “mista”.

As yields das OT a dez anos subiram para 6,6%, depois de ontem terem fechado em 6,54%. Se for tomado como referência o nível das yields no dia de “regresso aos mercados” (23 de janeiro, data da emissão de dívida sindicada pelo IGCP), a situação continua a agravar-se: então fechara em 5,82%.

No prazo a cinco anos, o comportamento foi similar. As yields das OT fecharam hoje em 5,37%, acima do fecho de ontem em 5,30%. A referência do dia do “regresso aos mercados” é de 4,89%.

No prazo a dois anos fecharam em 3,52% e no prazo a três anos em 4,13%. Os valores de referência de 23 de janeiro são 3,13% e 3,68% respetivamente.

Prémio de risco subiu para 5 pontos percentuais

O prémio de risco subiu hoje para 5 pontos percentuais, ou 500 pontos base. Este prémio reflete o diferencial entre as yields das OT a dez anos e as yields dos Bunds, títulos alemães, no mesmo prazo. As yields dos Bunds a dez anos desceram hoje para 1,6%, enquanto as yields das OT subiram para 6,6%.

Finalmente, quanto à probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos desceu ligeiramente de 29,98% no fecho de ontem para 29,55% no fecho de hoje, segundo dados da CMA Datavision. O país mantém-se na 8ª posição no “clube” das 10 economias com mais alto risco de incumprimento.

Outros periféricos mais aliviados

As yields desceram para os títulos gregos a 10 anos e para as obrigações espanholas (OE) e italianas em todos os prazos no mercado secundário.

As yields das OE começaram por reagir negativamente aos resultados do leilão de dívida a vencer em 2015, 2018 e 2029 realizado pelo Tesouro espanhol, com subidas da rentabilidade, mas depois inverteram a trajetória e fecharam a baixar em todos os prazos. Por exemplo, no prazo a dez anos, as yields das OE chegaram a subir para 5,5%, mas acabaram por fechar em 5,42%. Recorde-se que a colocação de dívida logrou arrecadar acima do previsto, mas o Tesouro teve de aceitar pagar taxas de remuneração média superiores às das operações anteriores similares.

O mesmo movimento de descida se observou no risco de incumprimento da dívida espanhola, italiana e irlandesa. No caso da Irlanda, a descida foi mais acentuada, de mais de um ponto percentual, o que pode ter sido influenciado pelo anuncio da troca das notas promissórias por dívida de muito longo prazo.

Com o risco de incumprimento a subir fechou Chipre, que ocupa o 3º lugar no “clube” do risco de incumprimento. A resposta ao pedido de resgate a Bruxelas por parte da pequena republica insular continua a marcar passo. Chipre aguarda eleições presidenciais no dia 17 de fevereiro.

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