A questão dos impérios


É uma das incógnitas de 2012. O Irão tem estado em foco por uma convergência de episódios e decisões. E o estreito de Ormuz surgiu como peça destes jogos de nervos.

Durante 10 dias, a marinha iraniana desenvolveu o “Velayat 90″, um conjunto de exercícios militares navais que se estenderam pelo Golfo do Pérsico, Golfo de Omã e Mar Arábico. Os exercícios colocaram as forças iranianas na proximidade da 5ª Esquadra norte-americana que opera a partir do Bahrain.

No final do ano, os EUA aprovaram sanções contra o Irão que penalizarão fortemente os clientes do petróleo iraniano, entre os quais se encontram, em 85% dos casos, asiáticos e, em 17%, países da União Europeia, com destaque para a Grécia, Itália e Espanha. O presidente Obama assinou uma lei que impede o acesso ao sistema financeiro norte-americano por parte de todos os bancos estrangeiros que realizem operações com o banco central do Irão.

Em simultâneo, estrategos norte-americanos referem ser o momento certo para um ataque cirúrgico a alvos do projeto nuclear no Irão. “Na hora de atacar o Irão – porque razão um ataque é a menor das piores opções” é o título de um dos artigos simbólicos desta ótica, escrito por Mathew Kroenig, do Council of Foreign Relations norte-americano, na edição de janeiro/fevereiro da revista Foreign Affairs, acabada de publicar.

“Linha vermelha”

O vice-presidente iraniano falou, durante os exercícios, de bloquear o Estreito de Ormuz se as sanções se impuserem efectivamente. O estreito é um corredor que a Energy Information Administration considera “o mais importante ferrolho do petróleo” do mundo. Por ele passa um pouco mais de 1/3 do petróleo transportado por via marítima.

Durante a guerra do Irão e do Iraque, nos anos 1980, os iranianos minaram as águas do estreito e comandos em barcos de borracha atacaram petroleiros. Uma brincadeira comparada com a capacidade atual iraniana. “[Fechar o estreito] é tão fácil como beber um copo de água”, disse o almirante iraniano Habibollah Sayari.

Mas, como se verificou nestes exercícios, o estreito pode ser afetado a partir do Golfo do Omã, a sul do Estreito, que é ladeado pelo Irão e pelo Omã. Os exercícios navais recentes pretendem projetar a capacidade iraniana também no Índico ocidental.

O secretário de Estado da Defesa norte-americano, Leon Panneta, afirmou a 8 de janeiro na cadeia norte-americana CBS que, se o Irão bloquear o estreito, os EUA entrarão em campo para anular o bloqueio. “É uma outra linha vermelha” que os iranianos não poderão ultrapassar, disse.

O Dragão no chatrang

O xadrez da zona é muito complexo. Os iranianos jogam xadrez desde há 1400 anos quando o jogo era conhecido pelo nome de chatrang, em persa (do livro Mâdayân î chatrang - Livro de xadrez – do século VII).

Uma das peças do tabuleiro de hoje é a China, o cliente principal, que importa 21% do petróleo iraniano exportado. O Irão, que fornece 11,4% das importações petrolíferas chinesas, é o terceiro fornecedor da China, depois de Arábia Saudita (que fornece 20,5%) e Angola (que fornece 15,8%). As empresas chinesas são os principais investidores no sector energético iraniano. A China importa, ainda, 12,8% do Omã, Iraque e Kuwait.

A própria Europa “periférica” mediterrânica importa do Irão. A Grécia, na liderança, importa 25% das suas necessidades. Atenas é a capital europeia mais sensível a estes rumores de guerra. Itália importa 13% e Espanha 10%.

Os Estados Unidos importam de três fornecedores da zona – Arábia Saudita, Iraque e Kuwait; no total, apenas 18,2% das suas necessidades.

No calendário destes jogos, o secretário do Tesouro norte-americano desloca-se na próxima semana à China e ao Japão. A Europa, que acordou em princípio seguir a posição norte-americana, deverá tomar uma posição final na cimeira europeia de 30 de janeiro. Mas os próprios europeus discutem um “período de graça” de não aplicação do embargo nos contratos em curso.

Entretanto, novos exercícios navais iranianos estão previstos para fevereiro.

Brent sobe 6 dólares

O preço do barril de Brent, a variedade de referência na Europa, subiu 6 dólares entre o final do ano e hoje. De 107 dólares passou para 113, e está a oscilar em torno desse valor. Alguns analistas falam do risco de um choque petrolífero, se algum dos cenários de guerra se concretizar.

O preço do barril de petróleo tem sido sensível a estes rumores de eventual bloqueio ao estreito ou de operação relâmpago contra as instalações nucleares iranianas. O que pode ainda ser temperado com alguma guerra na Síria, se a NATO aí intervir como o fez na Líbia no ano passado.

Há vias alternativas em caso de bloqueio?

Os analistas apontam quatro. Duas delas revertem para o Mar Vermelho, uma para o Líbano, e outra para o Golfo de Omã.

. Reativar o oleoduto iraquiano-saudita (conhecido pelo acrónimo IPSA) que termina no porto de Yanbu, no Mar Vermelho acima de Jedá, e que pode transportar 1,65 milhões de barris por dia. Foi construído durante a guerra do Iraque com o Irão, precisamente para fugir ao transporte pelo Golfo Pérsico.

. Reativar a linha do Transarabian Pipeline (Tapline) da Arábia Saudita para o porto de Zahrani no Líbano que transporta 500 mil barris por dia.

. Outra via a usar pelo crude saudita pode ser a oleoduto Este-Oeste com mais de 1100 quilómetros entre Jubail no Golfo Pérsico e Yanbu no Mar Vermelho, o que favoreceria o estreito de Aden (pirataria somali por perto) e o canal do Suez (instabilidade no Egito), e que pode transportar 5 milhões de barris por dia.

. Os Emirados Árabes Unidos poderão acelerar a conclusão do projeto do oleoduto do Abu Dhabi que pode fazer correr crude equivalente a 2,5 milhões de barris por dia; o oleoduto com 375 quilómetros parte do sudoeste dos emirados para o porto de Fujairah, no Golfo do Omã, já a sul do estreito de Ormuz. O oleoduto está a ser construído por uma empresa chinesa e deverá estar operacional “em breve”, segundo o ministro Mohammad Bin Dha’en Al Hameli afirmou em dezembro. Mas o Golfo de Omã é um espaço marítimo internacional onde os iranianos consideram poder atuar.

Curiosidade histórica

Ormuz era uma das joias do Médio Oriente cobiçadas por Afonso de Albuquerque e pelo rei em Lisboa, Manuel I. Albuquerque conquistaria a ilha em 1507, que acabou por ficar sob suserania portuguesa entre 1515 e 1622. Os árabes chamavam-lhe, na época de Quinhentos, “o anel de pedra do mundo”. Era um dos ferrolhos geoestratégicos (chokepoints, na designação técnica) por onde todos os produtos do Oriente passavam. Fez parte das três “quinas” do império português em rede no Índico – Sofala (no atual Moçambique), Ormuz (no atual Irão) e Malaca (na atual Malásia).

Estatísticas

Números-chave do crude do Irão

. Exporta 2,6 milhões de barris por dia

. Produz 3,5 milhões de barris por dia

. 2º maior produtor da OPEP

. Principal cliente do crude iraniano: China (com 21% da exportação iraniana) que adquire mais de meio milhão de barris por dia

. Outros clientes importantes: União Europeia (17% da exportação iraniana), Japão e Coreia do Sul

Quanto “vale” o estreito de Ormuz?

. Mais de 1/3 do petróleo transportado por via marítima

. 20% do petróleo comercializado à escala mundial passa pelo estreito

. O seu peso como ponto de passagem diminuiu de 2008 para 2009 em mais de 7%

. 15,5 a 17 milhões de barris por dia passam pelo estreito de Ormuz

O Japão foi o maior credor do mundo em 2010, em termos líquidos, ou seja diminuindo aos ativos detidos no estrangeiro as responsabilidades sobre o estrangeiro, segundo o relatório mais recente do McKinsey Global Institute sobre a geografia dos mercados de capital globais.

Apesar de ser número quatro em ativos detidos no estrangeiro, vindo a seguir aos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, o Japão detém uma situação líquida de mais de 3 biliões de dólares (3000 mil milhões, 3 triliões na designação americana). É o líder mundial. Em segundo lugar, está a China, com uma situação líquida de cerca de 2,2 biliões de dólares, apesar de não estar entre os cinco que mais investem no mundo.

Em termos de credores líquidos, a classificação por ordem decrescente em dólares é a seguinte: Japão, com 3 biliões; China com 2,19 biliões; Alemanha com 1,2 biliões; Arábia Saudita com 882 mil milhões; Suíça com 698 mil milhões; Hong Kong com 691 mil milhões; Taiwan com 626 mil milhões; Emirados Árabes Unidos com 585 mil milhões; Singapura com 492 mil milhões; e Noruega com 360 mil milhões. O peso da Ásia é esmagador nesta geografia. Na Europa, um polo financeiro global, a Suíça, e um exportador líquido, a Noruega.

Convém referir que o Japão é o país com a maior dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), com um nível superior a 220%, mas essa dívida de 11,6 biliões de dólares (11600 mil milhões) é em 90% detida por japoneses (bancos, empresas e aforradores locais).

A lista dos maiores devedores, em termos líquidos, é encabeçada pelos Estados Unidos, com um saldo negativo de mais de 3 biliões de dólares, como se fosse a imagem invertida do Japão. O que representa 21% do PIB norte-americano. Em segundo lugar, surge a Espanha com um saldo negativo de 1,2 biliões, o que representa 91% do PIB espanhol. Nas posições seguintes, abaixo de 800 mil milhões, estão Austrália, Brasil, Itália, Reino Unido, México, Grécia, França e Polónia.

“Os BRICS estão disponíveis para considerar, se necessário, dar apoio, através do Fundo Monetário Internacional, ou de outras instituições financeiras internacionais, para se enfrentar os desafios à estabilidade financeira internacional”, disseram ontem em Washington DC os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais das cinco potências que formam o grupo conhecido pelo acrónimo que reúne o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O apoio, no entanto, dependerá “das circunstâncias individuais de cada país”.

Medo de um “salto qualitativo”

Na agenda da reunião deste grupo de economias emergentes, que se realizou à margem das reuniões do FMI e do Banco Mundial que estão a decorrer na capital federal norte-americana, esteve a questão da crise da dívida europeia. “Existe o real perigo de que a crise da dívida soberana, que não está a ser solucionada, se possa transformar numa nova crise financeira”, advertiu Guido Mantega, o ministro da Fazenda (Finanças) do Brasil. O tema “Grécia” foi citado explicitamente por Mantega.

O ministro brasileiro afirmou, também, que ” se está vivendo um agravamento da crise nos últimos meses”, o que requer que se “impeça que se dê um salto qualitativo, alcançando um nível mais grave”.

Ação conjugada e não cada um por si

O enfoque na importância de uma ação conjugada do grupo através do FMI e de instituições internacionais revela a importância que os BRICS dão ao reforço geopolítico da sua posição dentro destes organismos internacionais e à estratégia de funcionarem como uma “frente” nos fóruns internacionais, como o G20. Os BRICS insistem no reforço do seu poder de voto dentro do FMI. Contudo, a próxima revisão de quotas só está agendada oficialmente para janeiro de 2014 – daqui a mais de dois anos e três meses, o que, nos tempos que correm, é uma eternidade.

Conjugação de esforços a que é dada, aparentemente, mais importância do que à ação isolada de cada uma destas potências em relação a cada país em apuros em concreto. Esta perspetiva de ação coletiva por parte do grupo foi sublinhada, em particular, pelo governador do Banco Popular da China (o banco central), Zhou Xiaochuan.

Salvação imediata posta de lado

A perspetiva de “salvação imediata” e “em força” dos “periféricos” da zona euro, através de uma ação massiva no mercado secundário dos títulos do Tesouro ou nos leilões de dívida, parece, também, ter levado um balde de água fria. Ações pontuais continuarão a existir, mas serão marginais, segundo frisaram fontes chinesas à Voz da América.

A proposta do Brasil de agirem diretamente na Europa, inclusive no mercado secundário da dívida ou em instrumentos financeiros europeus potenciais, como as euro-obrigações, foi arrefecida pelos outros quatro parceiros. Guido Mantega tinha falado na possibilidade do seu país alocar 10 mil milhões de dólares para uma intervenção na zona euro.

Mas o ímpeto brasileiro foi travado, afirmou, ontem, o ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan. “Não fomos tão longe”, disse à Reuters. O vice-ministro das Finanças russo, Sergei Storchak, citado também pela Reuters, comentou: “Todos temos diferentes formas de tomar decisões, não podemos sindicar o nosso dinheiro”.

A Índia organiza a 22 de setembro em Washington DC uma cimeira dos ministros das Finanças dos seis países agrupados debaixo do acrónimo BRICS – para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A África do Sul foi recentemente adicionada. Concertação de estratégias em relação ao Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, G20m guerra de divisas e crise da zona euro estarão, certamente, em discussão.

Segundo o ministro das Finanças indiano, Pranab Mukherjee, a cimeira discutirá um relatório a apresentar por Nova Delhi sobre “o papel dos BRICS na economia global”.

O Brasil anunciou que poderá disponibilizar 10 mil milhões de dólares (mais de €7 mil milhões) para investir na dívida dos “periféricos” da zona euro.

Na semana passada, o Institute of International Finance (o lóbi financeiro agrupando 400 bancos de todo o mundo), que está negociando, por parte de credores privados, a reestruturação da dívida grega com Atenas, afirmou que fez diligências junto dos BRICS para que participassem com um empréstimo de 20 mil milhões numa solução do problema.

Recorde-se, ainda, que a China colocou, recentemente, condições à Europa para a sua intervenção no mercado da dívida da zona euro. No Fórum de Verão de Davos que se realizou em Dalian, na China, o primeiro ministro chinês “sugeriu” aos europeus que antecipassem o reconhecimento do seu país como uma “economia de mercado”, no âmbito do que isso implica segundo as regras da Organização Mundial do Comércio.

Entretanto, o governo brasileiro colocou um pedido oficial na Organização Mundial do Comércio para que este organismo sedeado em Genebra avalie a legitimidade dos governos criarem barreiras alfandegárias como compensação face a valorizações excessivas das suas moedas.

A Índia recebeu, esta semana, a boa notícia de que as previsões do Fundo Monetário Internacional apontam para que tenha ultrapassado o Japão este ano em PIB, passando a 3ª economia do mundo, depois dos EUA e da China (se não se contar a União Europeia como uma só entidade). A Índia deverá atingir, no final do ano, um PIB de 4448 mil milhões de dólares (4,448 biliões de dólares) e o Japão de 4418 mil milhões (4,418 biliões de dólares).

O primeiro movimento estratégico da China sobre a crise da zona euro, manifestado publicamente, foi feito hoje de manhã bem longe de Bruxelas ou das capitais dos países membros da zona euro em crise da dívida soberana.

Em simultâneo com a declaração de que os europeus deveriam colocar a casa em ordem, a primeira exigência “estratégica” foi colocada publicamente pela China na reunião do Fórum de Verão de Davos, que se realiza em Dalian, conhecida como a “pérola do nordeste da China” (na Manchúria), até dia 17 de setembro, com a presença de participantes de 90 países.
Gesto de diplomacia económica

“Com base nos critérios da Organização Mundial do Comércio, o estatuto pleno da China como economia de mercado deverá ser reconhecido em 2016. Os países da União Europeia podem demonstrar a sua sinceridade vários anos antes, o que seria um reflexo da nossa amizade”, disse o primeiro-ministro Wen Jiabao,no discurso de abertura do Fórum. Um raciocínio que completou com total clareza: “espero que os dirigentes europeus olhem com coragem para a sua relação com a China de um ponto de vista estratégico”.

Soft power sobre “amigos” em apuros

Ou seja, os europeus poderiam fazer o gesto de diplomacia económica de reconhecer antecipadamente o estatuto de economia de mercado à segunda maior economia do mundo. Esta designação técnica de “economia de mercado” conduziria à remoção de várias barreiras às exportações e aos investimentos chineses na Europa.

Os media controlados pelo estado chinês alegaram, também, que outra exigência deverá ser o fim do embargo de exportação de armamento europeu para a China.

Alguns analistas chamam-lhe manifestações de “soft power” da nova superpotência emergente.

Nos negócios do dia a dia, é conhecida a atenção da China pelos planos de privatização na Grécia e Portugal e o jornal italiano La Republicca referia o enorme interesse dos conglomerados chineses pelo gigantesco plano de privatizações italiano, sobretudo as jóias da coroa na área da energia.

Num sentido mais geral, a China deverá passar, no futuro, de uma estratégia de investimento em títulos do tesouro americanos – e mesmo outros, como os títulos de países da zona euro com notação triplo AAA, sobretudo Bunds alemães – para o que Li Daokui, um académico conselheiro do Banco Central da China, chamou de “activos físicos”. Li acabaria por “traduzir” para os participantes do Fórum em Dalian: “Gostaríamos de tomar posições na Boeing, Intel e Apple, e deveríamos investir neste tipo de empresas de um modo proativo”.

Paradoxos dos tempos que correm

A China tem andado nas bocas do mundo com apelos para que seja um dos países fora da Europa a apagar o fogo da crise das dívidas soberanas na zona euro. Os pedidos públicos de Itália esta semana foram o mais recente episódio. Um paradoxo, diz Yu Yongding, um economista chinês: “A China é um país pobre com apenas 4000 dólares de rendimento anual per capita. Falar e pensar sobre a China para salvar países com 40.000 dólares de rendimento per capita é ridículo”.

O segredo do paradoxo são as reservas em divisas estrangeiras (3,2 biliões de dólares, o equivalente a mais de €2200 mil milhões) que a China tem e a necessidade de assegurar mercados de exportação e investimento direto para a sua máquina fabril (o motor do seu crescimento) e para a projeção global. Esse valor em reservas representa 5,5% do PIB mundial – um número similar ao dos EUA nos anos 1920.

Paradoxal, também, ouvir um país de capitalismo monopolista de Estado recomendar: “Os países desenvolvidos deverão colocar em prática políticas orçamentais e monetárias responsáveis. O que, agora, é mais importante é evitar contágio da crise da dívida soberana na Europa”.

A Europa é o principal destino de exportações da China, envolvendo 22% das suas vendas mundiais. Em segundo lugar vêm os EUA.

OS BRICS – acrónimo para o grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – realizarão uma cimeira em Washington DC no dia 22 de setembro antes do início das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e dos ministros das Finanças do G20. Segundo tem sido difundido, as cinco economias consideradas emergentes deverão discutir a situação da crise da dívida na zona euro.

O presidente americano apelou ao Congresso para aprovar rapidamente um plano para a dinamização do emprego. Intitulado “The American Jobs Act”, envolverá um financiamento de 447 mil milhões de dólares, cuja cobertura Obama prometeu desvendar no dia 19 de setembro no quadro de um Plano de redução a médio prazo do défice.

Para acalmar os Republicanos repetiu que o Plano não aumentará o défice e que nada nele é “controverso”, recolhendo exemplos do que até tem sido feito por Republicanos em diversos estados da federação.

Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics, estima que, se o Plano fosse aprovado pelas duas câmaras do Congresso, poderia implicar um aumento do crescimento no próximo ano em dois pontos percentuais e reduzir o desemprego em 1 ponto percentual.

Os três pilares da criação de emprego passarão por um plano de obras de reconstrução de infraestruturas e de escolas públicas, por mexer nos impostos, e por um incentivo ao regresso da projeção do ‘Made in America’ no mundo.

“Quero ver mais produtos vendidos à volta do mundo com três palavras orgulhosas impressas: ‘Made in America’” é uma das frases marcantes deste discurso apelando à reindustrialização dos EUA.

Banco para as infraestruturas

A primeira ideia do “American Jobs Act” é, de facto, a reanimação das obras públicas. E, neste ponto, pretendeu mexer com o brio americano face ao potencial rival na geopolítica: “Vamos sentar-nos e ver a China a construir novos aeroportos e vias mais rápidas?”. Tem sido referida a criação de um banco nacional para financiar as infraestruturas.Tratar-se-á, disse Obama, de “um fundo independente que atrairá dólares privados”.

O presidente do banco UBS imediatamente a seguir ao discurso fez saber que “os modelos macroeconómicos” indicam que 1 dólar gasto em infraestruturas tem um efeito multiplicador de 1,6 na economia. Acrescentou que por cada “mil milhões de dólares investidos se criam 25.000 novos empregos”.

A previsão para este primeiro pilar é de 140 mil milhões de dólares, em que o grosso da fatia, 80 mil milhões, iria para obras públicas.

Uma outra medida proposta dirige-se ao sector imobiliário e à situação aflitiva das famílias com hipotecas. Obama pretende estudar a forma de reduzir as taxas de juro.

Alívio de impostos à classe média e PME

A segunda ideia é mexer nos impostos de modo a aliviar a classe média e a situação das PME em 2012. A redução das contribuições por parte dos empregados deverá implicar um “ganho” de 1500 dólares anuais por cada família no próximo ano. Segundo o Plano, a contribuição para a segurança social por parte dos trabalhadores será reduzida dos atuais 4,2% (que, por si, já representam uma redução dos habituais 6,2%) para 3,1%.

Às PME com uma folha de salários mensal inferior a 5 milhões de dólares promete uma redução para metade na parte patronal dos impostos e contribuições sobre o trabalho e oferece um crédito de imposto de 4000 dólares por cada emprego criado para gente à procura de emprego há mais de seis meses.

Segundo a firma Nomura, estas medidas poderão gerar um aumento de 1 ponto percentual no Produto Interno Bruto real no primeiro trimestre de 2012, com um efeito global de aumento de 0,5 pontos percentuais no PIB de 2012.

Modificar o código fiscal é outro objetivo deste capitulo de impostos. Colocar os ricos a pagar taxas de imposto mais elevado já que em média as têm mais baixas do que os trabalhadores, fazendo a vontade ao multimilionário Warren Buffet.”Ele pediu-nos para acabar com este ultraje”, disse o presidente, que acrescentou a quem o acusa de socialista: “Não se trata de luta de classes. É apenas simples matemática. Simples matemática”, o que colheu risos no Congresso.

No conjunto do capítulo de impostos deverão estar envolvidos 245 mil milhões de dólares, em que 175 mil milhões serão benefícios às famílias e 70 mil milhões às PME. O Plano envolve, ainda, outras medidas dirigidas a fomentar o emprego que envolverão mais 62 mil milhões.

Regressar a número um

A terceira ideia vai beber em iniciativas anteriores de reindustrialização da América.

‘Made in America’ é o elemento de marketing político usado por Obama, que quer que “a próxima geração de indústrias surja não na China ou na Europa, mas aqui mesmo, nos Estados Unidos”.

Exportação é o nome do jogo. O objetivo: “É assim que a América pode ser número um, de novo. É, assim, que a América será número um, de novo”.

O nível oficial de desemprego é hoje em dia de 9,1% e a produtividade baixou 0.7% no segundo trimestre deste ano, enquanto que os custos unitários de trabalho subiram 3,3%.

Segundo os historiadores políticos americanos, nenhum presidente foi reeleito, depois da 2ª Guerra Mundial, com taxas de desemprego acima de 6%.

Desintegração da zona euro poderia gerar ditaduras e guerras civis. São as conclusões políticas de um estudo de choque da equipa de investigação do banco suíço UBS. O estudo quantifica a secessão de um “periférico” e a saída de um dos países do núcleo duro da zona monetária. Em qualquer dos casos, as consequências são pesadas.

SUMMARY IN ENGLISH VERSION

As consequências políticas de uma fragmentação de uma zona monetária são muito sérias. Aos efeitos monetários e económicos associar-se-ão provavelmente um de dois resultados: “Ou se caminha para uma resposta mais autoritária de governo para conter ou reprimir a desordem social – um cenário que tenderá a exigir uma mudança de governo democrático para autoritário ou militar -, ou, em alternativa, a desordem social se misturará com fraturas na sociedade para dividir o país, redundando em guerra civil”.

Estas previsões são apresentadas num relatório de choque do banco UBS, nas “Global Economic Perspectives” (de 6 de setembro), da autoria de Stephane Deo, Paul Donovan e Larry Hatheway, a que o Financial Times e o Business Insider tiveram acesso.

Apesar do cenário negro, o relatório admite que a zona euro acabará por evoluir, mesmo que lentamente (o ministro das Finanças alemão falava hoje no Financial Times dos alemães serem adeptos de “pequenos passos”) e muito dolorosamente, para a integração orçamental e a governação económica. A história apontaria nesse sentido: “O nosso ponto de vista central para o euro é que a união monetária acabará por se manter, com algum tipo de confederação orçamental – fornecendo estabilizadores automáticos às economias, não transferências aos governos. Foi, assim, que a união monetária dos EUA ressurgiu nos anos 1930. Foi, assim, também, com a união monetária no Reino Unido, e com a união monetária alemã”.

8 impactos e uma consequência geopolítica (não referida)

Mas as conclusões para que o relatório aponta merecem reflexão no detalhe:

1- A zona euro não pode continuar com esta estrutura e com estes membros atuais. “Com a atual estrutura e com os atuais membros, o euro não funciona. Ou a estrutura atual muda, ou os membros terão de mudar”. Mas a fragmentação ou liquidação da zona monetária única tem um custo ainda mais elevado e “a sua probabilidade é quase zero”. As “discussões populares sobre a opção de desmembramento subestimam consideravelmente as consequências de tal movimento”.

2- O custo de abandono unilateral da zona euro para um país “fraco” (e os autores têm em mente o que designam por “países do sul da Europa”) ronda os 40 a 50% do seu produto interno bruto (PIB) no primeiro ano depois da saída do euro. Para cada cidadão do país que sai, o custo dessa opção rondará os 9500 a 11500 euros no primeiro ano e entre 3000 a 4000 euros por ano nos anos subsequentes. Tal decisão implicaria um corredor de situações desagradáveis: default da dívida soberana; bancarrota de empresas; colapso do sistema bancário, com corrida aos bancos e levantamento de depósitos; impacto no comércio internacional associado; probabilidade de dissensões internas no próprio país com regiões pretendendo manter a ligação à zona monetária, sobretudo em países com uma história marcada por fortes divisões internas. Por isso, sublinha o estudo, os números avançados são “estimativas conservadoras”.

3- A ideia de que, no caso de saída de um país “fraco” chegaria uma pequena depreciação da nova moeda na ordem dos 10% a 20% em relação ao euro “é uma fantasia”. Ou a depreciação é severa (na ordem dos 50% a 60%, alvitra o estudo), ou se o seu valor oficial é mantido terão de haver controlos extremos de capital, que tornem a nova divisa efetivamente inconvertível. Por outro lado, os antigos parceiros certamente retaliariam impondo tarifas elevadas (eventualmente idênticas à desvalorização efetuada pela nova divisa) sobre as importações oriundas do país secessionista.

4- No caso de um país “forte”, do “núcleo duro” da zona euro, uma saída do euro teria implicações sérias em empresas de referência exportadoras (em virtude da apreciação da nova divisa, provavelmente na ordem dos 40%), obrigaria a uma reestruturação do sistema bancário e teria implicações no comércio internacional (estima-se que na ordem dos 20%), prejudicando sobretudo o sector exportador. O impacto, no caso da Alemanha, por exemplo, seria de 20 a 25% do PIB.

5- Em termos comparativos, para o caso germânico, a saída do euro implicaria para cada alemão um custo de 6000 a 8000 euros no primeiro ano e entre 3500 a 4500 euros por ano nos anos subsequentes, enquanto um resgate da Grécia, Portugal e Irlanda, em caso de bancarrota com um hair cut (corte de cabelo) da dívida na ordem dos 50%, custaria, apenas, 1000 euros de uma só vez a cada alemão.

6- Dada a assimetria das economias e sociedades que são membros de uma zona monetária única, e na ausência de homogeneidade, são indispensáveis mecanismos de flexibilização. Para os autores, isso só será possível no quadro de “algum tipo de união orçamental”.

7- Muitos políticos, analistas e economistas julgam que a saída do euro é a solução para estimular crescimento. Encaram a zona euro como um mero super-mecanismo de taxas de câmbio, cujo desmembramento apenas acarretaria “poucas” mais consequências do que as da crise do ERM (mecanismo europeu de taxas de câmbio, criado em 1979) e da sua fragmentação parcial de 1992-1993. Os autores aconselham a que se tome como ‘benchmark’ histórico os casos do colapso da união monetária norte-americana em 1932-1933 e a bancarrota argentina de 2001.

8- Mas o custo económico e monetário deve ser “a última das preocupações dos investidores”. Porquê? Porque as consequências políticas são mais gravosas ainda: “Merece a pena salientar que quase nenhuma união monetária moderna se dissolveu sem alguma forma de governo autoritário ou militar, ou guerra civil”. Do ponto de vista da projeção e da imagem da Europa seria um rude golpe no “seu soft power – na medida em que o conceito de ‘Europa’ como uma unidade política integrada deixaria de fazer sentido”.

Condição de shatterbelt

Acresce ainda um outro detalhe que não é referido pelo relatório. Para além das consequências políticas de regime ou de guerra civil, a turbulência nos países “periféricos” da atual zona euro traria consequências geopolíticas, em situações de caos político e desagregação do estado e da sociedade. Estes países encontram-se no que se designa em geoestratégia de zonas de embate (shatterbelt) entre grandes potências, frequentemente sujeitas, ao longo da história, a serem palcos de disputas diretas ou indiretas de terceiros próximos ou longínquos.

Um golpe de mestre a 9 de agosto – mas quanto tempo durará?

A Reserva Federal norte-americana (FED, o banco central) decidiu na sua reunião de 9 de agosto 2013manter a taxa de juros federal num intervalo de variação entre 0% e 0,25%. E afirma que manterá “excecionalmente níveis baixos” para essas taxas pelo menos “até meados de 2013″, ou seja, até depois da tomada de posse do futuro presidente dos Estados Unidos, que for eleito em novembro de 2012.

O famoso Comité com Ben Bernanke ao meio (em baixo, sentado) -- o Comité Central da rede da Reserva Federal

O banco central decidiu definir com alguma precisão – “meados de 2013″ – o horizonte da política de dinheiro barato. O que levou a que três banqueiros centrais votassem contra o texto difundido. Preferiam algo mais vago: “por um período estendido”. Nuances, que revelam diferenças de estratégia interna, pois a oposição pretenderia uma linguagem mais flexível no caso de a inflação fazer das suas.

A última vez que se ouviram três vozes contra, dentro do comité de banqueiros centrais, foi em novembro de 1992 sob a chefia de Alan Greenspan.

À parte esse detalhe de terminologia, a razão para manter um nível extremamente baixo de juros deriva dos banqueiros da FED acharem que o panorama económico não é brilhante.

Riscos aumentaram: FED “corta” expetativas da retoma

“O Comité espera agora um ritmo de retoma muito mais lento nos próximos trimestres do que julgava aquando da última reunião” em junho, escreve-se no comunicado, para, mais adiante, juntar “além do mais, aumentaram os riscos” no sentido negativo para a previsão económica.

Nenhuma frase é dita sobre o que os investidores esperavam – saber se o banco central vai prosseguir ou não com os programas de “alívio quantitativo” (conhecido por QE, de quantitative easing) de injeção de liquidez desde a crise financeira de 2008, tendo o segundo programa de QE terminado no final de junho.

O comunicado afirma, no entanto, que o comité estudou as ferramentas de política disponíveis para favorecer a retoma económica e que está preparado para lhes deitar mão quando “apropriado”.

A FED sublinha, ainda, que reavaliará “regularmente” a dimensão e a composição dos seus ativos e que “está preparada para os ajustar se for apropriado”. A FED detém mais de 2 biliões (2000 mil milhões) de dólares de ativos e é o principal tomador de títulos do Tesouro norte-americano, mesmo à frente da China.

Bolsas com oscilações selvagens: Dow Jones coloca nervos em franja

Estas frases sobre “ferramentas de política” e “reavaliação dos activos” permitem diversas interpretações entre os investidores – desde os que acham que a FED não regressará ao QE, aos que vêm nelas a janela aberta para um próximo QE 3.

Depois de ser conhecido o comunicado, os índices bolsistas Dow Jones e S&P 500, que tinham estado em terreno positivo desde a abertura de Wall Street, entraram num processo de oscilações selvagens, mas, no desfecho dessa volatilidade, acabaram por fechar em terreno positivo.

Depois de 7,8 biliões de dólares (7800 mil milhões de dólares, o equivalente a cerca de 5,5 biliões de euros) perdidos nos últimos 10 dias de negociação, Wall Street respirou de alívio.

O efeito do comunicado – com o horizonte de meados de 2013 – foi imediato nas yields (juros implícitos) dos títulos do Tesouro no mercado secundário. Estavam a aumentar, e subitamente inverteram a tendência para baixar. No caso dos juros dos títulos a 2 anos a descida foi brutal, quase 26%. É uma maturidade que coincide com o horizonte definido pela FED. Os juros dos títulos do Tesouro americano estão em níveis mais baixos do que os juros dos Bunds (os títulos de referência na zona euro), à exceção do prazo a 30 anos.

O truque: À espera do retiro de Jackson Hole

Alguns analistas alertam para a possibilidade de Ben Bernanke, o presidente da FED, se estar a guardar para o habitual encontro anual de Jackson Hole, no Wyoming, no final de agosto, para dar sinais mais claros.

Foi depois de agosto de 2010, aquando do retiro anual de Jackson Hole, que a Reserva Federal lançaria o segundo programa de alívio quantitativo (QE 2).

by Jorge Nascimento Rodrigues
[Contributor for Expresso weekly newspaper, Lisbon. Editor of Janelanaweb.com. Co-author of Business Minds and Pioneers of Globalization]

Reactions on the Standard & Poor’s Research Update: “United States of America Long-Term Rating Lowered To ‘AA+’ On Political Risks And Rising Debt Burden; Outlook Negative” and Treasury’s official response to the S&P downgrade

The Nobel Laureate Paul Krugman called it “outrage” and the tone in U.S. is criticism of the “nerve” of the agency. Expresso heard four analysts from three continents. Strong different opinions.

The most striking reaction to the downgrade of the debt of the United States emerged from academia. Paul Krugman in his blog on The New York Times: “this is an outrage — not because America is A-OK, but because these people are in no position to pass judgment.”

Krugman pointed the fact that Standard & Poor’s made an assessment on the political dynamic in Washington DC. Standard & Poor’s made an assessment on the political dynamic in Washington DC. In that, it is suggested that the debt curve will not be reversed before 2015, one of the requirements of the agency to maintain the Triple A. ” S&P has no authority to make that kind of vague political judgment” he wrote on “The Conscience of a Liberal”, his blog.

S&P went too far

There is some consensus among U.S. analysts in reaction to S&P (owned by McGraw-Hill and seen by many outside the United States as a “transmission belt” of American power). “S&P is trying to restore credibility for earlier mistakes. Now going too far. It is S&P who loses respect now.” tells us David Kotok, chairman of Cumberland Advisors.

“For the United States it is a sad moment and is due to politicians irresponsible actions. US is now ‘split rated’. [S&P's removing triple-A while Fitch and Moody's maintain it], That may mean a couple of basis points in interest rate cost to US government.” he adds.

No material impact

However the decision was not surprising. Peter Cohan, an analyst in Boston, as early as July 25th told Expresso that the decision to cut the rating would be “inevitable.” However, he thinks it might not have the catastrophic impact that some foresaw from Monday. “If this cut does not have an economic impact, it will die in the headlines of the media. And this is, in my view, is the most likely scenario. ”

Cohan admits that the impact on pension funds and mutual funds should not exceed more than 3% of the positions they have in Treasury securities, if not sold in anticipation of the movement of S&P. He is confident on investors in U.S. public debt: “Global investors have already given their verdict on the U.S. prior to the S&P announcement of Friday night, lending to the U.S. [in auction] with a 19% lower Ten-year yield than one month ago.”

A new psychological threshold

Contrasting opinion comes from Paris. “This US rating downgrade represents a major psychological threshold. It marks a the symbolic end of the world we know since 1945″ refers Franck Biancheri, founder of the European think tank LEAP 2020.

Biancheri has been calling attention, since 2006, to the transitional period now being crossed, which the financial crisis and 2008 recession only accelerated. “with the second semester of 2011, we are entering a new phase of the crisis , much more dramatic than Fall 2008″ he notes. One of the factors is the impact of what will happen in U.S. Treasury bonds. “US T-Bonds have provided for 70 years the floor of the global financial pyramid; the downgrade initiates the sinking of this floor.” he concludes.

Chinese reaction for domestic political reasons

The Chinese reaction has been widely quoted in the media. But Michael Pettis, professor at the Guanghua School of Management in Beijing, told Expresso he thinks “this cut will not have any impact at all on the US Treasury cost, beyond a few weeks once funds, that are not allowed to hold securities that are marked less than AAA, readjust their portfolios.”

The main reason has to do with the behaviour of the Chinese. “I think for China this is largely an economic non-event (not that there isn’t good mileage in pointing to the sheer silliness of the US political process).” refers Pettis. “For domestic political reasons China needs to be seen huffing and puffing over American irresponsibility.” It won’t be a radical change of its applications. A number must be retained: 70% of the 3.2 trillion of dollars of China foreign reserves are invested in assets in U.S. dollars. The process of diversification – as the Chinese have stressed in the pass – will be gradual.

Pettis has a simple explanation for caution by the People’s Bank of China [PBOC, the central bank], despite the political radicalization in the comments of some officials. “You can not run a current account surplus unless you are also a net exporter of capital, so, the PBoC must export huge amounts of capital in order to maintain China’s trade surplus. In order the keep the RMB [Chinese currency, also called yuan] from appreciating, the PBoC must be willing to purchase as many dollars as the market offers at the price it sets. It pays for those dollars in RMB.” and proceed: “Because it is such a large buyer of dollars, it must put them in a market that is large enough to absorb the money and – and this is the crucial point – whose economy is willing and able to run a large enough trade deficit.” And that is the United States.

And Michael Pettis concludes: “The purchases of U.S. bonds by the Chinese will continue to increase until there is a significant turning point in the global trade imbalances. The Chinese can only stop buying U.S. dollars when they re-balanced its own economy and eliminated their trade surplus. That will take a long time.”

Source: Standard & Poor’s enerva americanos | Jorge Nascimento Rodrigues
English Edition by: JPO | LISwires

A reação mais contundente ao corte de notação da dívida dos Estados Unidos surgida do meio académico foi hoje a de Paul Krugman, no seu blogue no The New York Times. “Isto é um ultraje – não porque os Estados Unidos sejam A-OK, mas porque esta gente [a agência de notação] não está em posição de emitir juízos”, disse o Nobel.

O professor da Universidade de Princeton ficou enervado com o facto da Standard & Poor’s ter feito uma apreciação sobre a dinâmica política em Washington DC que conduzirá a que em 2015 a curva de endividamento não seja invertida, ao contrário do que a agência espera para outros casos de classificados com triplo A. “A S&P não tem autoridade para fazer este tipo de juízos políticos duvidosos”, refere na nota publicada no seu blogue “The Conscience of a Liberal”.

Longe de mais, diz David Kotok (Saratosa, Florida)

Há algum consenso entre os especialistas norte-americanos na reação à S&P [detida pelo grupo McGraw-Hill] – por muitos, fora dos Estados Unidos, tida como uma “correia de transmissão” do poder americano. “A S&P foi longe de mais. Estão a tentar restaurar a credibilidade por erros anteriores, mas é a S&P que perde credibilidade agora, de novo”, diz-nos David Kotok, presidente da Cumberland Advisors, uma influente empresa americana de consultoria financeira global.

“Para os Estados Unidos é um momento triste e deriva da irresponsabilidade das ações políticas. Com a notação agora dividida [com a S&P a excluir do triplo A e a Ficth e a Moody's a manterem essa classificação por ora], isso poderá significar um par de pontos base na taxa de juro para o governo americano”, acrescenta.

Sem impacto relevante, diz Peter Cohan (Boston)

No entanto a decisão não surpreendeu. Peter Cohan, analista em Boston, já em 25 de julho tinha comentado ao Expresso que a decisão de corte do rating seria “inevitável”. Contudo acha que poderá não ter o impacto catastrófico que alguns anteveem a partir de segunda-feira. “Se este corte não tiver impacto económico, morrerá nas parangonas dos media. E esse é, a meu ver, o cenário mais provável”.

Cohan admite que o impacto nos fundos de pensões e fundos mutualistas não deverá ultrapassar mais de 3% das posições que têm em títulos do Tesouro, se porventura já não os venderam em antecipação ao movimento da S&P. E confia nos investidores da dívida pública americana: “Os investidores globais deram o seu veredicto sobre os EUA antes da comunicação de sexta-feira à noite da S&P – emprestando aos EUA [num leilão de dívida] a 10 anos a uma taxa 19% mais baixa do que há um mês atrás”.

Um novo limiar psicológico, diz Franck Biancheri (Paris)

Opinião contrastante vem de Paris. “Este corte representa um novo limiar psicológico. É o fim simbólico do mundo do pós-guerra que conhecemos desde 1945″, diz-nos Franck Biancheri, fundador do think tank europeu LEAP 2020.

O especialista em previsão tem vindo desde 2006 a chamar a atenção para o período de transição que se tem atravessado, cujo ritmo a crise financeira e a recessão a partir de 2008 apenas acelerou. “No segundo semestre de 2011, entraremos num nova fase desta crise, ainda mais dramática do que a do outono de 2008″, refere. Um dos ingredientes vai ser o impacto do que se passar nos títulos do Tesouro americano. “Eles foram durante 70 anos a base em que funcionou a pirâmide financeira global. O corte do rating inicia o afundamento deste chão”, conclui.

Chineses não vão ainda reagir, diz Michael Pettis (Beijing)

A reação chinesa tem sido muito citada nos media. Mas Michael Pettis, professor na Guanghua School of Management, em Beijing, em declarações ao Expresso acha que “este corte não vai ter nenhum impacto no custo dos títulos do Tesouro, depois de algumas semanas iniciais, até que os fundos que não podem ter ativos que tenham notação inferior a triplo A reajustem os seus portefólios”.

A razão principal tem a ver com o comportamento dos chineses. “Eu penso que para a China isto é um não-evento. Não que os chineses não aproveitem para apontar a estupidez do processo político americano”, refere-nos. A reação dos chineses será mais de aproveitamento político interno do que de mudança radical das suas aplicações. Um número tem de ser retido: 70% dos 3,2 biliões (3200 mil milhões) de reservas em divisas estrangeiras estão aplicados em ativos em dólares norte-americanos. Pelo que um processo de diversificação – que os chineses têm sublinhado – será gradual.

Pettis tem uma explicação simples para a cautela – na prática – por parte do Banco Popular da China [BPC, o banco central], apesar do radicalismo político nos comentários de alguns responsáveis. “Não se pode gerir um excedente na balança corrente se não se for um exportador de capital, por isso o BPC tem de exportar elevadas quantias de capital de modo a manter esse excedente comercial. E de modo a evitar a valorização do renminbi [a moeda chinesa, também designada por yuan], o BPC tem de ser capaz de comprar tantos dólares quanto o mercado o permita ao preço que for. Ele paga por esses dólares em renminbis”, refere, para prosseguir: “Como é um enorme comprador de dólares, tem de os colocar num mercado que seja suficientemente amplo para absorver esse dinheiro – e isto é o ponto crucial – e cuja economia seja capaz de gerir um enorme défice comercial”. Resposta: os Estados Unidos.

Em conclusão, diz-nos Michael Pettis: “As compras pelos chineses dos títulos americanos continuarão a aumentar até que haja uma grande viragem – e bem-vinda – nos desequilíbrios comerciais globais. Os chineses só poderão parar de comprar dólares quando tiverem re-equilibrado a sua própria economia e eliminado um excedente comercial gigante. E isto vai levar ainda muito tempo”.

Depois da agência de notação Egan-Jones ter sido a primeira nos Estados Unidos a cortar, em julho, o rating da dívida de longo prazo norte-americana de triplo A para AA+, foi, agora, a vez da Standard & Poor’s (S&P) – uma das três grandes do sector – “copiar” a decisão da pequena agência.

A decisão foi divulgada a partir de Toronto, pelas 20 h locais (madrugada na Europa), já depois de terem fechado as bolsas e o mercado secundário de títulos do Tesouro.

Na sequência desta decisão sobre a dívida norte-americana, a S&P deverá proceder na 2ª feira ao provável corte de notação de entidades ligadas ao governo americano e ao sector financeiro.

FED acalmou investidores e Buffett diz que daria AAAA

Depois do anúncio da decisão, a Reserva Federal (FED, banco central) e o regulador Federal Deposit Insurance Corp (FDIC) apressaram-se a comunicar que não será necessário o reforço de capital nas instituições financeiras que detenham títulos dos Tesouro ou outras obrigações garantidas pelo governo federal no seu balanço.

A FED garantiu, também, que a sua “janela” de liquidez para os bancos não sofrerá alterações e que não mudará a sua política de compra e venda de títulos do Tesouro. Recorde-se que a FED é hoje o principal detentor de títulos do Tesouro, com 16% do total, a que se segue a China, com 12%.

Os meios financeiros discutem, agora, se a FED procederá ao lançamento de um 3º programa de “alívio quantitativo” (quantitative easing, na designação original), face aos números medíocres do crescimento económico e a esta baixa do rating.

A reação mais estridente dentro dos Estados Unidos veio de Warren Buffet (principal investidor na agência de notação rival, a Moody’s) em declarações na cadeia televisiva Fox: “Não percebi. No Omaha, os Estados Unidos continuam a ser triplo A. De facto, se houvesse uma notação de AAAA, eu a atribuiria aos EUA”.

Dívida pode agravar-se em $130 mil milhões

Os olhos e ouvidos vão estar virados para a abertura dos mercados asiáticos na 2ª feira (ainda madrugada na Europa e Estados Unidos) e o efeito de “contágio” nos mercados da dívida soberana.

Nem em abril e maio de 1979, quando os Estados Unidos entraram em default temporário e seletivo, as agências de notação existentes à data haviam quebrado o tabu de mexer no rating de triplo A.

Segundo estimativas da Comissão do Orçamento do Congresso norte-americano, divulgadas na semana passada, a dívida americana agravar-se-á em 130 mil milhões de dólares ao longo de uma década por efeito de uma decisão deste tipo. Antecipando este movimento da S&P, as yields dos títulos do Tesouro no mercado secundário dispararam ontem (5 de agosto) entre 5 e 15%, como noticiámos.

Pessimismo em relação aos políticos

A razão imediata da baixa de notação deriva do facto do corte nas despesas acordado pela Casa Branca e pelo Capitólio – de 2,5 biliões dólares (2500 mil milhões) – “ter ficado aquém do que, na nossa opinião, seria necessário para estabilizar a dinâmica da dívida de médio prazo”. Na realidade, a S&P apontava para a necessidade de um corte de 4 biliões de dólares (4000 mil milhões).

Contudo, a razão “mais ampla” para esta baixa de notação prende-se com o facto da confiança nas instituições políticas americanas se “ter enfraquecido (…) mais do que prevíamos”. Preto no branco, diz a S&P: “ficámos mais pessimistas sobre a capacidade do Congresso e da Administração ser capaz de alavancar o acordo que fizeram esta semana no sentido de um plano de consolidação orçamental mais amplo que estabilize nos tempos mais próximos a dinâmica de dívida governamental”.

Mas a agência não tomou só essa decisão sem precedentes de quebrar o tabu entre as majors do rating – colocou, também, a notação em perspetiva negativa, ou seja, nas próprias palavras da S&P, “poderemos cortar a notação para AA nos próximos dois anos” se a trajetória de dívida for superior à que prevêm. Ou seja, o aviso abrange todo o ano de campanha eleitoral presidencial de 2012.

O que poderá acontecer por três razões: os políticos no Capitólio e na Casa Branca serem incapazes de cortar a despesa como se comprometeram; das taxas de juro aumentarem (e ontem observou-se uma primeira reação do mercado secundário provocando um disparo na variação diária das yields dos títulos do Tesouro em todas as maturidades, como noticiámos ); ou novas pressões orçamentais.

Endividamento público não vai abrandar

A S&P prevê que a dívida pública líquida subirá de 74% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2011 para 79% em 2015 e 85% em 2021.

Um dos pontos que dificultarão a baixa desse nível será a permanência, alvitra a agência, dos cortes de impostos aos ricos decididos por George W. Bush em 2001 e 2003. “Os Republicanos no Congresso continuam a resistir a qualquer medida que aumente as receitas, posição que julgamos que o Congresso reforçou ao aprovar esta lei [resultante do compromisso entre a Casa Branca e o Capitólio]“, afirma o comunicado da agência.

Comparando os Estados Unidos com outras dívidas soberanas com notação triplo A – Alemanha, Canadá, França e Reino Unido -,apesar de piores perspectivas no Reino Unido e França até 2015, a S&P considera que nesses países a situação se inverterá, ao contrário dos EUA.

As notações das outras

As atuais notações da dívida de longo prazo norte-americana por parte de outras agências relevantes são as seguintes:

- a Egan-Jones (norte-americana), considerada uma agência-boutique independente e certeira nas suas decisões, baixara em julho para o mesmo nível de notação que a S&P, ou seja AA+;

- a Dagong (ligada à administração chinesa) baixou, esta semana, a notação de A+ para A, o nível de conforto mais baixo, um degrau acima do patamar dos BBB, em que começa a haver “algum risco de default”;

- a Fitch (controlada pelo grupo francês Fimalac) manteve o triplo A, logo a seguir à aprovação do acordo no Congresso, mas tomará uma posição mais detalhada no final do mês de agosto, pois continua o processo de análise;

- a Moody’s (Warren Buffet como principal investidor) manteve o triplo A, mas com perspetiva negativa, o que significa que poderá rever a decisão em próxima análise.

by Jorge Nascimento Rodrigues
[Contributor for Expresso weekly newspaper, Lisbon. Editor of Janelanaweb.com. Co-author of Business Minds and Pioneers of Globalization]
Edited by JPO/LIswires

Note: the Standard & Poor’s Research Update:
“United States of America Long-Term Rating Lowered To ‘AA+’ On Political Risks And Rising Debt Burden; Outlook Negative” came after the closing time of the print edition of this article

Headlines
40 years after Nixon’s move unpegging the dollar from gold, Obama avoided at the last minute, the worst week of his life. But celebrated his 50 years with several ghosts prowling around the White House.

Edited from an ARTICLE at printed edition of Expresso, saturday August 6th (in Portuguese)

The approval in the U.S. Congress of the compromise on increasing the federal debt ceiling was a relief for President Barack Obama, who made 50 in last Wednesday.

The impending default was avoided, and the Treasury secretary, his friend Timothy Geithner, was able to start signing the checks and replaced the resignation letter into the drawer. Obama gave himself two gifts: the three leading rating agencies explicitly (Fitch and Moody’s) or by omission (Standard & Poor’s) gave him the benefit of the doubt, even with warnings and threats for the next 6 to 12 months, and most of Congress assured him that the radicals of the Tea Party would not return during the election campaign of 2012 blackmailing in Capitol Hill with the threat of a default. The political battle surrounding the details of where and how to cut public expenditure is confined within bipartisan and bicamaral commission.

Banana Republic

But the victory of the “central block” between Obama and the majority of the Republicans made injuries. Half of the Democratic Caucus in the House of Representatives voted against the president, especially Progressives and African-American lawmakers. And in main-street, it may have not pleased neither the Greeks nor the Trojans – only 22% of Americans approved the commitment, according to a survey, on August 1st and 2nd, conducted by Rasmussen Reports.

Some prominent voices on the left within the U.S. academy with echo in the media attacked the strategy of the White House. Robert Shiller, Yale University, told Expresso last week that the President abdicated to do what has to be done, when there is a risk of relapse into recession – increase public stimulus to the economy – and the Nobel prize Paul Krugman went even further in his column in The New York Times: “The President Surrenders”, “OK, we are a banana republic”. Mark Thoma of the University of Oregon, wrote in The Fiscal Times “Congress: The Inmates Are Running the Asylum”, that the fragmentation of the American political spectrum is highly visible and reflects the polarization of American society, increasingly dual.

Relief in China

Despite these internal derangements in Washington DC, the sigh of relief was even greater in China, as soon noted Chen Daofu,policy-research chief at the Financial Research Institute—a unit of the China State Council’s Development Research Center.

The reasons for the stress relief in Beijing are easy to understand: 36% of foreign exchange reserves are invested in U.S. Treasury bonds. China is the largest foreign investor in U.S. debt, the mechanism that, in the words of Russian Prime Minister Vladimir Putin, allows the US to live “as a parasite on the world economy and the monopoly of the dollar.” China has multiplied the amount of the investment in US Treasury bonds by six times since 2003 and, therefore, is tied to a dilemma: not to drop the main component of their portfolio, even if geopolitically would to give them a special pleasure.

But the Chinese know that many Americans also know: that the superpower is coiled in serious structural problems, in which stand two the most stubborn – the unstoppable rise of the debt together with a ten-year average growth rate in decline. A cursed convergence that took the small American rating agency Egan-Jones to cut the rating of the United States, from tripleA to AA+ in the past month; and the Chinese Dagong went further this week, lowering the American debt from A+ to A.

The convergence of two diseases

The disease of U.S. growth is documented, can be read on any Statistical memory: fell from more than 4% on average annually in the decades 50 and 60 of last century to 3.1% in the 90 and 1.4% in the first decade of this century, already a major recession in the final. A few days ago, revised data for the first quarter of 2011 was released, showing that GDP grew only 0.4%. Preliminary data for the second quarter, is now 1.3%, when last estimations were 1.8%.

The growth of U.S. debt in the global landscape is impressive. The U.S. contributed 37%, the largest share, to increase the global debt between 2007 and 2011 and is estimated to be, again, the champions between 2011 and 2016, contributing 40%, according to a study of The Brookings Institution released this week. This think tank from Washington DC concluded that “the debt burden in advanced economies is now a global threat,” in particular the ones that most feed that risk: U.S. and Japan.

There is, however, still some time, refers analyst Peter Cohan, Boston. “As for the fundamental, investors still want to lend money to the Treasury, as yields are low.”In fact, after a recent peak in mid-2007 with 30-year yields – those who are considered “safer” – in 5.02%, the current level is slightly below 4%. Egan Jones predicts that they could rise to an average of 4.7% between 2013 and 2016.

Obama can not follow Nixon

In short, America got away with it this week, on the edge of default, (even if it was temporary, as in April and May of 1979), but did not get rid of two other ghosts, as Franck Biancheri, founder of the European think tank LEAP 2020, refers.”The degradation of the rating is inevitable and the U.S. financial markets will suffer a shock that many prefer not to imagine. It has been anticipated by a minority, that keeps silent until the last minute, to limit the damage,” he says.

The rise of the ceiling, will not stop an ongoing process which he designates as “double-dip-flation” that is a double-dip recession with inflation, worse than the stagflation (stagnation and inflation) of the 70′s of last century, when President Nixon generated a default, precisely 40 years ago, in August of 1971, unpegging the dollar from gold, imposing a fait accompli on their European and Japanese partners. “But those were other times. Nixon could say, ‘It’s like I want, no discussion! “. Today it wouldn’t be possible to say something like,” concludes Biancheri.

Página Seguinte »