Dom 26 Ago 2012
31 de julho: Muro de Berlim nos juros da dívida regressa em força — diário de bordo 654
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , Geoprotagonistas , Gestão do risco , Inteligência Económicaainda sem comentários
As subidas regressaram aos juros da dívida espanhola e italiana, enquanto os juros dos Bunds a dois e a três anos fixaram novos mínimos históricos e os juros das obrigações francesas estiveram a descer.
Com as expetativas ao rubro em relação à reunião do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira (2 de agosto), a célebre frase de Mário Draghi em Londres perdeu algum elã junto dos investidores na dívida soberana face às contradições evidentes com o Bundesbank (o banco central alemão).
Com a incerteza no horizonte a respeito dos compromissos que serão, ou não, obtidos pelas movimentações políticas que decorrem até à reunião do BCE, as yields das obrigações espanholas (OE) e dos títulos do Tesouro italiano (BTP) voltaram a subir no mercado secundário, segundo dados da Bloomberg.
As yields das OE subiram em todas as maturidades, com destaque para a subida no prazo a 10 anos, em que fecharam em 6,75%, depois do efeito das palavras de Draghi (“acreditem em mim, será suficiente”) as ter baixado de 7,62% em 24 de julho para 6,61% ontem. O mesmo comportamento de subida se observou hoje para BTP, com o prazo a dois anos e fechar com yields em 4,02% (acima das verificadas para os títulos irlandeses) e o prazo a dez anos em 6,08%, depois de ter fechado abaixo de 6% em 27 de julho.
O “Muro de Berlim” no mercado secundário
Em flagrante contraste, reforçando o verdadeiro “Muro de Berlim” que separa a “periferia” do “centro” da zona euro, as yields dos Bunds, os títulos alemães, fixaram novos mínimos históricos negativos nos prazos a dois e a três anos e as obrigações do Tesouro francês (OAT) viram descer as suas yields.
As yields dos Bunds fixaram mínimos de -0,091% (valor negativo) no prazo a dois anos e de -0,032% (valor negativo) no prazo a três anos. As yields no prazo a 10 anos – que servem de referência para o cálculo do prémio de risco de outras dívidas da zona euro – fecharam, em baixa, em 1,285%.
As yields das OAT desceram hoje em todos os prazos, fechando em valores próximos de 0% nos prazos a dois e a três anos. No prazo a cinco anos fecharam em 0,883%, abaixo de 1%, e no prazo a dez anos ficaram próximas do mínimo de 19 de julho, fechando hoje em 2,063%, mais de 4 pontos percentuais abaixo das yields verificadas para as OE e os BTP.
Juros nos “intervencionados” em descida
As yields dos três países “intervencionados” pela troika fecharam em baixa, ao contrário do movimento nos outros dois grandes “periféricos” da zona euro (Espanha e Itália).
No caso das obrigações do Tesouro português, as yields baixaram em todas as maturidades, mas mantêm-se acima de 10% no prazo a cinco anos e acima de 11% no prazo a dez anos.
Os títulos irlandeses a dois anos estão com yields abaixo das verificadas para os títulos italianos no mesmo prazo (3,49% contra 4,02%), o que não sucede, ainda, no caso do prazo a nove anos, onde as yields para os títulos irlandeses fecharam em 6% e as para os títulos italianos em 5,93%. As yields dos títulos irlandeses a dois e a nove anos estão abaixo das verificadas para as obrigações espanholas.