“Não sei se estamos na borda do precipício. Mas estamos numa situação muito, muito, muito difícil”, disse Luís de Guindos, o ministro de Economia do governo espanhol.

A semana foi, de facto, muito difícil no mercado da dívida. A probabilidade de incumprimento da dívida espanhola num horizonte de cinco anos subiu de 37,49% há uma semana atrás, a 25 de maio, para 40,47% a 1 de junho, segundo dados da CMA DataVision. Este nível de risco é um novo máximo.

Esta subida correspondeu a um disparo no preço dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento, acrónimo cds) que passou de 546,41 pontos base a 25 de maio para 605,31 pontos base. Este preço de 605 pontos base é um novo máximo.

Este nível de preço dos cds no patamar dos 600 pontos é muito mais elevado do que o que se verificou para a dívida portuguesa quando o anterior governo resolveu anunciar o pedido de resgate a Bruxelas em abril de 2011. Mesmo uma semana depois do pedido de resgate por José Sócrates, o preço dos cds relativos à dívida portuguesa era de 577,21 pontos base e a probabilidade de incumprimento era de 39,72%.

A Espanha conservou o 10º lugar no “clube” dos candidatos a uma bancarrota, tendo chegado a estar em 9º lugar, durante o dia de 30 de maio.

Apesar deste stresse com o risco de incumprimento, a evolução das yields (juros) das obrigações espanholas (OE) no mercado secundário não chegou ao temido patamar dos 7% no caso do prazo a 10 anos. Tendo fechado em 6,31% em 25 de maio, os juros das OE a 10 anos subiram hoje para 6,53%, segundo dados da Bloomberg. Estes juros chegaram a fechar em 6,66% em 30 de maio. De qualquer modo, a expetativa de que subiriam ao limiar crítico dos 7% não se verificou esta semana. Segundo dados da Reuters, o valor de fecho das OE a 10 anos fixou-se esta sexta-feira em 6,468%.

Quando Portugal pediu resgate, a 6 de abril, os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos estavam em 8,54%.

Viagem relâmpago a Washington DC

O stresse desta semana deveu-se à crise bancária espanhola, cujo epicentro está no Bankia. A discussão centra-se nos mecanismos a usar para a recapitalização do Bankia (que poderá somar quase 24 mil milhões de euros) e de todo o sistema bancário (cujas estimativas apontam para 100 mil milhões de euros). Essa injeção de dinheiro fresco contrasta com o volume que saiu do sistema bancário espanhol para o estrangeiro no primeiro trimestre do ano num total de 97 mil milhões de euros, dos quais 66,2 mil milhões só no mês de março, o último desse trimestre, segundo dados divulgados pelo Banco de Espanha.

O jornal El Economista afirma que tem estado a ser negociado pelo governo espanhol com Bruxelas um resgate diretor aos bancos espanhóis, sem o canal da dívida soberana. Isso exigiria, no entanto, uma alteração da norma europeia que obriga a que o Fundo de Resgate Bancário atue apenas através dos Estados.

Por outro lado, a viagem relâmpago a Washington DC da vice-presidente do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, para reunir com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e com o secretário do Tesouro norte-americano gerou muitos rumores. O jornal norte-americano “The Wall Street Journal” adiantou que estaria a ser negociado um resgate global de 300 mil milhões de euros para um período de três anos, o que foi desmentido, nomeadamente por Cristine Lagarde, a diretora-geral do FMI.

Soraya Sáenz afirmou que o secretário doTesouro norte-americano, Timoty Geithner, apoiaria uma ação direta europeia junto dos bancos em apuros. Mário Draghi,presidente do Banco Central Europeu (BCE) e Ignazio Visio, governador do Banco de Itália, também, defenderam, esta semana, que o Mecanismo Europeu de Estabilização (que entra em vigor a 1 de julho) deveria recapitalizar diretamente a banca em apuros, segundo o Financial Times Deutschland. Essa abordagem seria defendida por Espanha, Itália, Irlanda e Comissão Europeia.

Draghi e Zoellick zangados

A situação inconclusiva sobre a estratégia de ataque ao problema da crise bancária espanhola e as ondas de choque que tem provocado em toda a zona euro têm provocado um enorme nervosismo entre altos responsáveis mundiais, de que as declarações de Mário Draghi e Robert Zoellick durante esta semana são um exemplo.

Mário Draghi, presidente do BCE, deixou estalar o verniz e disse preto no branco perante a Comissão de Assuntos Económicos do Parlamento Europeu: “a estrutura [atual] do euro é insustentável”. Por seu lado, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, escreveu no Financial Times que é “altura de quebrar o Ler mais: http://expresso.sapo.pt/espanha-uma-semana-muito-muito-muito-dificil=f730384#ixzz1wcusiorH