Ter 7 Fev 2012
6 de fevereiro: Descida no risco, mas subidas nos juros — diário de bordo 544
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , crise , Gestão do riscoainda sem comentários
Acto I: balanço do final da manhã — Apesar da situação grega continuar sem uma resolução, mesmo depois de ultrapassada a hora alegadamente fixada a Atenas para um limite nas negociações com a troika e com os credores privados da dívida, a tendência dominante no mercado secundário da dívida soberana e no mercado de credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) é de descida nos “periféricos” da zona euro ao final da manhã, com exceção da Grécia (no risco de default, que subiu para 86,39%) e de Portugal (nas yields das obrigações do Tesouro na maioria dos prazos), segundo dados da Bloomberg e da CMA DataVision.
A probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa continuou a tendência de descida que se verifica desde terça-feira da semana passada, depois dos máximos atingidos na segunda-feira. O risco da dívida portuguesa num horizonte de cinco anos é de 64,83%, depois de ter fechado na passada sexta-feira em 65,14% e de ter atingido 73,32% na segunda-feira dia 30 de janeiro, segundo dados da CMA DataVision.
Juros e prémio de risco em alta
Esta descida não se observou, durante a manhã, nas yields (juros) das obrigações do Tesouro português (OT), que, à exceção do prazo a 3 anos, estiveram em alta toda a manhã, segundo dados da Bloomberg.
Ao final da manhã, os juros das OT a 10 anos subiram para 13,47%, os das OT a 2 anos para 16,14%, os das OT a 5 anos para 17,61% e os das OT a 6 anos para 17,53%. Apenas, os juros das OT a 3 anos desceram para 17,79%.
O prémio de risco (spread) da dívida portuguesa em relação à alemã (que serve de referência e é a mais procurada pelos investidores na zona euro, considerada como segura) subiu durante esta manhã para 11,58 pontos percentuais.
Acto II: balanço de final do dia I– Juros sobem: Portugal, Grécia e Espanha foram esta segunda-feira no mercado secundário da dívida exceções no comportamento das yields (juros) dos títulos soberanos dos países “periféricos” e do “centro” da zona euro, segundo dados da Bloomberg para o fecho deste mercado.
Os juros dos títulos gregos subiram nos prazos a 2, a 5 e a 10 anos. No caso das obrigações do Tesouro português (OT), os juros subiram nos prazos a 2, a 5, a 6 (maturidade média da dívida portuguesa) e a 10 anos. E no caso das obrigações espanholas, subiram nas maturidades a 3, a 5 e a 10 anos.
Só juros a 3 anos das OT escaparam
Os juros das OT subiram de 15,82% para 16,47% no prazo a 2 anos entre o fecho de sexta-feira e o fecho de hoje; de 17,51% para 17,93% no prazo a 5 anos; de 17,43% para 17,88% no prazo a 6 anos; e de 13,42% para 13,65% no prazo a 10 anos. Os juros das OT a 3 anos desceram de 18,18% para 17,52% no mesmo período.
A distância entre os juros dos títulos irlandeses e das OT continua a ser colossal: 4,58% contra 16,47% no prazo a 2 anos; 5,26% contra 17,52% no prazo a 3 anos; 5,74% contra 17,93% no prazo a 5 anos. Os títulos irlandeses a 10 anos não estão a ser negociados desde o ano passado.
Em virtude daquela subida nos três casos e de uma descida muito significativa nos juros dos Bunds (títulos alemães), o prémio de risco (spread) subiu para as dívidas grega, portuguesa e espanhola. O prémio de risco para a dívida portuguesa fechou em 11,76 pontos percentuais, uma subida de 2,3% em relação a sexta-feira.
O adiamento do fecho das negociações em Atenas com a troika e com os credores privados da dívida grega provocou uma corrida aos Bunds (os títulos alemães considerados seguros) e uma consequente descida muito significativa dos juros, cuja quebra foi de 12,3% no prazo a 2 anos (cujos juros fecharam em 0,18%), 8,6% no prazo a 3 anos (cujos juros fecharam em 0,37%), 5,4% no prazo a 5 anos (cujos juros fecharam em 0,83%), e 2,4% no prazo a 10 anos (cujos juros fecharam em 1,88%).
Países mais “sensíveis” ao contágio grego
Os dois países mais “sensíveis” ao impacto grego foram, hoje, Portugal e Espanha, segundo o comportamento dos investidores no mercado secundário.
Os juros para as dívidas irlandesa, italiana, belga, francesa, austríaca e húngara estiveram hoje em baixa em todas os prazos dos títulos. No caso italiano, os juros desceram para 5,62% no prazo a 10 anos, bem abaixo já do limiar crítico dos 7%. A distância, em termos de juros, encurtou-se entre Espanha e Itália.
Acto III: balanço do dia II: Risco continua a descer. A tendência de descida do nível de risco de incumprimento da dívida portuguesa manteve-se na abertura da semana. Fechou hoje em 64,24%, abaixo dos 65,14% de sexta-feira, segundo dados da CMA DataVision.
Desde o máximo de 73,32% atingido no dia 30 de janeiro, a probabilidade de entrada em bancarrota num horizonte de cinco anos diminuiu mais de nove pontos percentuais.
Segundo dados da Markit, o nível de pontos à cabeça (points upfront, no original em inglês) atribuído à emissão de credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) sobre a dívida portuguesa desceu para 35, numa escala de 1 a 100, dando uma indicação sobre o pagamento que tem de ser efetuado à cabeça pelos tomadores daqueles seguros em países já com um nível muito elevado de risco. No momento do pico no início da semana passada chegou a mais de 40 pontos. A Grécia tem uma pontuação à cabeça de 65,5.
Nesta segunda-feira apenas a Grécia e França viram os seus níveis de risco subir entre os países membros da União Europeia.
A Grécia mantém a liderança do TOP 10 dos países com mais alta probabilidade de entrar em bancarrota, com um nível de 85,89%. Segue-se Portugal, que está quase 20 pontos percentuais acima do risco atribuído ao Paquistão, que ocupa o terceiro lugar daquele “clube”. A distância entre o risco de Portugal e da Irlanda (na 7ª posição) é de mais de 25 pontos percentuais. E entre o risco de Portugal e da Itália (na 10ª posição) é de mais de 36 pontos percentuais.