Janeiro 2012
Monthly Archive
Qua 25 Jan 2012
Depois de uma descida durante a manhã de terça-feira (24 de janeiro), a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa (risco de default) voltou a subir, tendo fechado em 66,78%, segundo dados da CMA DataVision.
Este valor corresponde a um preço dos credit default swaps (cds, os seguros contra o risco de incumprimento) num valor máximo de 1285,52 pontos base.
O valor de fecho do risco de default na segunda-feira situou-se em 66,41%, tendo o custo dos cds ficado em 1273,14 pontos base.
O país ultrapassou a barreira dos 65% de risco, em valor de fecho do dia, em 18 de janeiro. O anterior máximo, em valor de fecho, foi atingido a 19 de janeiro com 66,62%.
Esta evolução do risco acima de 65% pode indiciar um “trilho” grego, como referimos na semana passada – o risco da dívida grega ultrapassou a barreira dos 65% em meados de abril do ano passado.
No mercado secundário, em relação aos valores de fecho de segunda-feira, as yields (juros) das obrigações do Tesouro desceram no prazo a 10 anos, mas subiram nos prazos a 2, a 3, a 5 e a 6 anos, segundo dados da Bloomberg. Os juros das OT a 10 anos fecharam hoje em 14,19%, abaixo do máximo de 14,62% atingido em 20 de janeiro.
Markit: No mesmo “território” que a Grécia há 8 meses
Para a agência de informação financeira Markit, no seu último relatório do dia, Portugal aproxima-se de novo recorde com 1300 pontos base no preço dos cds.
Segundo comenta a agência, Portugal é “encarado amplamente” como a próxima dívida soberana mais vulnerável a um incumprimento. “Os seus spreads estão hoje no mesmo território que a Grécia estava há oito meses atrás, apesar do pacote de resgate generoso assegurar que [Portugal] tem fundos suficientes para o próximo ano”.
O jornal norte-americano Wall Street Journal especulava hoje sobre a probabilidade de Portugal ter de recorrer a um segundo pacote de resgate. O momento crítico para o financiamento da dívida seria setembro de 2013.
Factores “exógenos” a pesar na marcha portuguesa
Como pano de fundo influenciando negativamente a situação portuguesa registem-se os seguintes factos:
- o impasse nas negociações da reestruturação parcial da dívida grega e a possibilidade da agência Standard & Poor’s declarar essa dívida em situação de default selectivo;
- o agravar das divergências entre a estratégia preconizada pelo Fundo Monetário Internacional (não exagerar nas consolidações orçamentais, reconsiderando o ritmo do ajustamento de curto prazo; sugerir um alívio monetário adicional via Banco Central Europeu; e reforço financeiro urgente dos instrumentos europeus de resgate) e a nebulosa em torno do “compacto orçamental” promovido pela cimeira europeia, que foi considerado hoje pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo em entrevista ao jornal alemão Der Spiegel como “uma perda de tempo e de energia”;
- uma envolvente em 2012 de quase estagnação na zona euro e de recessão em Espanha (ainda o principal mercado de exportação português).
O agravamento das divergências entre o FMI e a Zona Euro ficou transparente na intervenção de ontem de Christine Lagarde, a sua diretora-geral, em Berlim, a que fizemos referência, e nos relatórios do FMI hoje difundidos – World Economic Outlook e Fiscal Monitor.
Ter 24 Jan 2012
A Alemanha colocou segunda-feira (23 de janeiro) de manhã dívida no montante de €2,54 mil milhões, com uma procura 2,2 vezes superior ao adjudicado.
Os investidores na dívida alemã compraram os títulos alemães apesar da remuneração ser apenas de 0,07%, quando na operação anterior similar havia sido de 0,346%.
A procura foi, no entanto, inferior à registada na operação anterior, que fora de 4,3 vezes o adjudicado.
Os investidores na dívida alemã, desta vez, aceitaram uma remuneração muito baixa, mas mesmo assim positiva em termos nominais. Recorde-se que a 9 de janeiro deste ano, os investidores aceitaram ser remunerados com uma taxa nominal negativa de -0,0122% num leilão em que o Tesouro alemão arrecadou €3,9 mil milhões em títulos a seis meses.
Os títulos alemães são considerados seguros pelos investidores no mercado da dívida, mesmo que sejam remunerados com taxas negativas em termos reais (se se contar o efeito da inflação, como é o caso de hoje) ou mesmo em termos nominais (como foi o caso do leilão de 9 de janeiro).
No mercado secundário, as yields (juros) dos títulos alemães a 1 ano estavam em 0,098% aquando do leilão.
O Bundesbank admitiu hoje que a Alemanha poderá ter tido uma contração no última trimestre de 2011.
Ter 24 Jan 2012
Acto I: Ao final da manhã, e antes do início da reunião do Eurogrupo em Bruxelas, a probabilidade de incumprimento da dívida soberana desceu para Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, segundo dados da CMA DataVision.
No caso de Portugal, o risco de default (incumprimento) desceu do máximo atingido na sexta-feira de 66,5% para 66,05% ao final desta manhã.
Em relação ao mercado secundário, as yields (juros) dos títulos soberanos a 10 anos – maturidade de longo prazo, em regra, escolhida para as comparações entre países – estão em baixa para as obrigações do Tesouro português, para os títulos do Tesouro italiano e para as obrigações espanholas, segundo dados da Bloomberg.
No caso dos títulos irlandeses a 9 anos, sofreram um ligeiro aumento. Os títulos irlandeses a 10 anos não têm estado em negociação no mercado secundário desde 11 de outubro do ano passado.
No caso dos juros das OT portuguesas assistiu-se a uma descida do máximo de sexta-feira de 14,62% para 14,25%. O movimento de descida abrange todas as maturidades, incluindo os juros das OT a prazo de 6 anos (que correspondem à média das maturidades da dívida portuguesa), que baixaram de 19,08% para 18,81%.
Observa-se, também, ao final da manhã, a descida dos juros a 10 anos dos títulos belgas e austríacos.
Acto II: Depois dos máximos históricos da semana passada, a probabilidade de incumprimento (default) da dívida portuguesa inverteu a tendência de subida esta segunda-feira. O risco desceu do máximo de 66,50% na sexta-feira para 65,76% a meio da tarde, mas voltou às subidas na ponta final do dia, fechando em 66,41%, segundo dados da CMA DataVision.
O preço dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) sobre a dívida portuguesa continua acima de 1270 pontos base – o que pode ser comparado com 655,4 pontos base para a Irlanda, ou com 354 pontos base para Espanha ou com 89,12 pontos base para a Alemanha. Em meados de abril de 2011, a Grécia superou os 1200 pontos base.
No mercado secundário, as yields (juros) desceram em todas as maturidades em relação ao fecho de sexta-feira. No caso dos juros das obrigações do Tesouro a 10 anos, a ponta final da tarde assistiu a uma inversão da tendência de descida. Depois de terem descido de um máximo de 14,62% na sexta-feira para 14,19% durante o dia de hoje, os juros voltaram a subir ao final da tarde e fecharam em 14,44%, segundo dados da Bloomberg. Foi um dia com oscilações significativas.
O prémio de risco da dívida portuguesa – que mede a diferença entre os juros dos títulos portugueses e os juros dos títulos alemães (conhecidos por Bunds) – desceu de 12,75 pontos percentuais, um máximo em 18 de janeiro, para 12,47 pontos percentuais no fecho de hoje.
Balanço da União Europeia
A probabilidade de incumprimento desceu hoje para Irlanda, Hungria, Itália, Espanha, Bélgica, França e Áustria em relação aos valores de fecho de sexta-feira. A Itália continua a manter-se abaixo dos 500 pontos base (um limiar crítico) no preço dos credit default swaps (cds).
Apenas a Grécia é exceção no desanuviamento de hoje, com oscilações entre o patamar dos 5000 e dos 6000 pontos base e com níveis de risco variando entre 84% e 85%, consoante os rumores que se espalhavam nos media sobre o andamento da negociação da reestruturação parcial da dívida soberana detida por credores privados (que continua por concluir e estará em apreciação na reunião do Eurogrupo que prossegue). Os rumores de que o Eurogrupo teria rejeitado a proposta dos credores privados da dívida grega surgiram já após o fecho do mercado secundário e do mercado dos cds.
No mercado secundário, os juros dos títulos do Tesouro a 10 anos desceram em Itália, Hungria, Espanha, Bélgica e Áustria, mas subiram nos casos da França e Alemanha, segundo dados da Bloomberg. No caso de Itália, mantêm-se abaixo do limiar crítico dos 7%, tendo hoje fechado em 6,11%. Os juros dos títulos irlandeses a 9 anos – em virtude de os títulos a 10 anos não estarem atualmente em negociação – subiram acima do patamar dos 8%, o que inverte a tendência recente de ir “descendo” progressivamente no patamar dos 7%.
Ter 24 Jan 2012
Christine Lagarde (FMI): “Política orçamental não é um jogo de moralismo”
Christine Lagarde, num discurso no Conselho Alemão de Relações Externas em Berlim, criticou esta segunda-feira “uma tendência preocupante em diversos meios – de verem a política orçamental como um jogo de moralismo entre liberalidade e responsabilidade”.
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) referiu que “o comentário político e de mercado” frequentemente é prisioneiro dessa dicotomia moralista. E critica alguns agentes dos mercados financeiros por “esquizofrenia” neste âmbito: “Os próprios mercados têm sido esquizofrénicos sobre a austeridade – umas vezes premiando-a com juros mais baixos, e noutras alturas ressaltando a desaceleração do crescimento que isso implica e aumentando os juros”.
Como conclusão, a diretora-geral do FMI repete o seu conselho: “medidas credíveis que impliquem e ancorem poupanças no médio prazo ajudarão a criar espaço para acomodação de crescimento hoje (sublinhado de Lagarde) – permitindo um ritmo mais lento da consolidação”.
Momento tipo anos 1930
Lagarde, num discurso que abordou extensivamente a situação na zona euro, considerada o “epicentro” dos problemas, bem como o “resto do mundo”, salientou que estava nas mãos dos políticos evitar “um momento do tipo dos anos 1930″. “O que temos todos de compreender é que este é um momento de definição. Não se trata de salvar este país ou região. Trata-se de salvar o mundo de uma espiral económica descendente”, referiu. “Podemos evitar um tal cenário. Digo-o por uma razão simples: sabemos o que tem de ser feito”, sublinhou ainda. Terminou citando o poeta alemão Goethe: “Não basta saber, tem de se aplicar. Não basta querer, tem de se fazer”.
Ter 24 Jan 2012
Num artigo hoje publicado, a hipótese de o Tesouro português não conseguir regressar aos mercados da dívida em 2013 é levantada pelo jornal norte-americano.
O jornal nova-iorquino levanta a questão do financiamento da dívida soberana portuguesa que vencerá em setembro de 2013. Num artigo intitulado “Second Portugal Rescue Seen More Likely“, a probabilidade de um segundo pacote de resgate a Portugal é colocada.
Ainda que “venha longe” tal data, e ainda que o atual plano de resgate cubra as necessidades até ao objetivo de regressar plenamente aos mercados da dívida no próximo ano, Patricia Kowsmann, do Wall Street Journal, adianta que “o Fundo Monetário Internacional (FMI) poderá requerer a Portugal que apresente os seus planos financeiros um ano antes, antes de libertar mais ajuda, tal como o fez com a Grécia”. E, tal como com a Grécia, o FMI poderá exigir uma nova estratégia se se verificar que o Tesouro português não conseguirá regressar ao mercado da dívida daqui a um ano para obter financiamento de longo prazo.
Problemático, diz o IIF
Num relatório sobre Portugal, o Institute of International Finance (IIF, o lóbi que negoceia a reestruturação parcial da dívida grega em nome dos credores privados), refere – segundo o WSJ – que a previsão do atual Memorando de Entendimento de que o Tesouro português regressará à emissão de dívida a longo prazo em 2013 “também parece problemática”. “Com as yields dos títulos soberanos portugueses ainda acima de 12%, apesar de algumas descidas recentes, o pressuposto parece pouco provável de se concretizar, mesmo se os objetivos do défice orçamental sejam alcançados”.
As oscilações das yields (juros) no mercado secundário, tendo inclusive na semana passada marcado máximos históricos para os prazos a 10 anos, como então indicámos, poderão ser um indicador dessas dificuldades futuras. Na realidade, as yields encontram-se ainda acima de 14% nas maturidades a 2, a 3, a 5, a 6 e a 10 anos, variando entre 14,23% (no prazo a 10 anos) e 18,74% no prazo a 6 anos (que representa a média atual das maturidades da dívida portuguesa).
Seg 23 Jan 2012
Acto I: As negociações da reestruturação da dívida grega detida por credores privados – o que é designado pelo acrónimo inglês PSI (para private sector involvement) criado por uma cimeira europeia do ano passado – prosseguem em Atenas durante o fim de semana.
Chegou a esperar-se um anúncio do acordo ainda esta sexta-feira sobretudo depois do encontro já de noite entre o primeiro-ministro Lucas Papademos, o ministro das Finanças Evangelos Venizelos e o diretor do Institute of International Finance (IIF) Charles Dallara, que tem representado os credores privados.
Segundo o jornal grego Kathimerini, há ainda uma divergência sobre a taxa de juro dos novos títulos gregos a emitir para dar em troca dos títulos existentes em mãos dos credores privados e que irão sofrer um “corte de cabelo” (hair cut, na designação técnica) de 50% em termos nominais. Em termos do valor líquido presente dos títulos detidos pelos privados, o corte deverá ficar entre 65% e 70%.
Divergências nos juros
O IIF avançou com uma proposta de um juro médio de 4,25% e não está disposto a ir abaixo de 3,8%, mas o governo grego, diversos países da zona euro – teriam telefonado a pressionar a Alemanha, a Holanda, o Luxemburgo e a Finlândia (os triplo A de notação) – o Fundo Monetário Internacional, e a própria troika, cuja delegação está em Atenas também, insistem num valor mais baixo, entre 3% e 3,5%. O IIF quer ainda que a taxa suba no caso da economia grega crescer; no fundo, um adicional no juro indexado à taxa de crescimento.
O IIF aceita ainda que os novos títulos a dar em troca se dividam em duas componentes: 35% num novo título a 30 anos, com 10 anos de carência em que o governo só pagará juros, e 15% em títulos a 2 anos emitidos pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira, em vez do plano inicial que previa o pagamento em dinheiro dessa parte.
A cimeira europeia que aprovou o segundo pacote de resgate à Grécia colocou como condição que um acordo de re-estruturação da dívida seja alcançado. Tal acordo passou, também, a ser obrigatório para que a Grécia receba nova tranche – uma tranche que está inclusive em atraso – do plano de resgate em curso (de €110 mil milhões, de que faltam entregar €37 mil milhões), que é vital para poder pagar a dívida que vence a 20 de março no valor de €14,5 mil milhões.
Os Números da Dívida Grega
A dívida soberana grega é de €352 mil milhões, ou seja 160% do Produto Interno Bruto (PIB). É uma das mais elevadas do mundo em relação ao PIB, só inferior à do Zimbabwe e do Japão, que têm níveis superiores a 200%. Uma parte dessa dívida grega são empréstimos, no total de €92 mil milhões, dos quais 53 mil milhões por via da União Europeia e 20 mil milhões oriundos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Da parte titulada, num total de €260 mil milhões, €55 mil milhões são títulos na posse do banco Central Europeu, e os restantes €205 mil milhões estão em mãos de credores privados, segundo o estudo feito pelo jornal alemão Der Spiegel. O montante representado pelo IIF nestas negociações será de €155 mil milhões.
Ora é sobre a maioria destes 205 mil milhões (ou seja, 58% da dívida soberana total) que incidem as renegociações em curso. A distribuição deste montante é aproximadamente a seguinte: fundos (de investimento, de pensões, soberanos e hedge funds) com €70 mil milhões; bancos gregos com €50 mil milhões; bancos europeus com €40 mil milhões; fundos da segurança social grega com €30 mil milhões; companhias europeias de seguros com €15 mil milhões.
O objetivo da renegociação é conseguir “emagrecer” a dívida grega de 160% do PIB hoje para 120% do PIB em 2020. Para isso, os credores privados deveriam aceitar um “corte de cabelo” no valor líquido presente dos títulos que detém e o resto ser trocado por novos títulos. É a dimensão deste “corte de cabelo” que tem estado em negociação. Começou com o objetivo limitado de 21%.
O valor dos seguros contra o risco de bancarrota – os designados credit default swaps – é apenas de €3,22 mil milhões, em termos nocionais líquidos, algo que não é encarado, no caso de haver um evento de crédito (um default), como podendo ter implicações sistémicas. Mas o risco de contágio existe sempre, dizem os analistas.
Acto II: O chefe da delegação de credores privados, e diretor do Institute of International Finance, abandonou hoje Atenas de regresso a Paris, depois de dois dias de conversações com o governo grego.
Segundo o jornal grego Kathimerini, Charles Dallara irá discutir com os credores que representa a posição final a tomar sobre as posições em confronto na negociação da reestruturação parcial da dívida grega.
O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse, por seu lado, aos jornalistas em Atenas que as negociações prosseguirão domingo por telefone. O governo grego pretende encerrar o dossiê antes da reunião do Eurogrupo (grupo dos ministros das Finanças da zona euro) na segunda-feira.
Acto III: Para a reunião do Eurogrupo (agrupa os ministros das Finanças da zona euro) de amanhã em Bruxelas não há ainda um documento de acordo entre o governo de Atenas e os representantes dos credores privados da dívida grega.
Segundo o Financial Times (FT), Charles Dallara, o responsável do Institute of International Finance (IIF), que representa os credores privados, terá estado em conversação telefónica, este domingo, com o primeiro-ministro grego Lucas Papademos, mas nenhum acordo terá sido concluído.
Bola no campo do FMI e UE
Dallara disse, no entanto, este domingo, em entrevista ao canal privado grego de televisão Antenna, que se atingiram “os limites de um acordo voluntário”, que foi até ao máximo de cedência onde podia ir, e que as negociações estão numa “encruzilhada”. Adiantou que, agora, “está largamente nas mãos do sector oficial escolher o caminho, um acordo voluntário ou um incumprimento”. Para o jornal grego Kathimerini, Dallara colocou a opção mas mãos da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, os principais credores públicos da Grécia.
Referiu, contudo, que está confiante que um acordo será feito a tempo de evitar um incumprimento grego a 20 de março, quando vence dívida no valor de €14,5 mil milhões. O chefe do IIF não confirmou quando regressará a Atenas, ou se estará presente na reunião de amanhã do Eurogrupo, em Bruxelas. Fontes oficiais de Atenas garantiram ao jornal britânico que um acordo será alcançado antes da cimeira europeia de 30 de janeiro.
Ver-se-á nos mercados financeiros de amanhã o impacto da não conclusão ainda deste acordo. Ou em que sentido decidirá a reunião do Eurogrupo a partir da tarde de segunda-feira.
Sáb 21 Jan 2012
As yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português no mercado secundário da dívida voltaram a fixar novo máximo no prazo a 10 anos na sexta-feira. O juros destas OT fecharam em 14,62%, um valor ligeiramente acima do fecho de quinta-feira (14,58%), segundo dados da Bloomberg. Trata-se de um novo máximo desde a adesão ao euro.
Os juros das OT a 5 anos fecharam em alta, mas os juros das OT a 2 e a 3 anos desceram em relação aos valores do dia anterior. Os juros das OT a 6 anos, que chegaram a estar em novo máximo (19,14%) durante o dia, acabaram por descer ligeiramente, e fechar em 19,08%. Os juros a 6 anos têm importância em ser seguidos, na medida em que a média de maturidades da dívida portuguesa se situa nesse número de anos.
Por outro lado, a probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa fechou na sexta-feira em 66,50%, ligeiramente abaixo do máximo atingido na quinta-feira, segundo dados da CMA DataVision. O risco de default português é o segundo mais elevado, depois da Grécia, entre as 80 dívidas soberanas monitorizadas pela CMA DataVision.
Qui 19 Jan 2012
Foi mais um dia histórico. As yields (juros) das obrigações do Tesouro português a 10 anos fecharam em 14,58% no mercado secundário, um novo máximo, desde a adesão ao euro, segundo dados da Bloomberg. Na quarta-feira haviam fechado em 14,54%.
Também a probabilidade de incumprimento (default) da dívida soberana prosseguiu a tendência de subida. Um novo máximo foi fixado com o risco de default a atingir 66,62%, segundo dados da CMA DataVision. Na quarta-feira havia fechado em 66,35%.
Os analistas referem que o desenrolar do processo de renegociação parcial da dívida grega estará a afetar a perceção que os investidores têm do que poderá acontecer em outros países da zona euro já com planos de resgate, nomeadamente com Portugal que, desde há muito, tem riscos elevados de incumprimento.
Antes das subidas desta semana, o anterior máximo estava em 64,78% atingido em 18 de julho de 2011.
O afastamento entre Portugal e a Irlanda é, por outro lado, cada vez maior. O risco de incumprimento da dívida irlandesa está em 43,71%. Há um mês estava em 46,51%. No caso português, o risco há um mês situava-se em 61,26%.
Com níveis acima de 65%, Portugal poderá entrar no “trilho grego”, se a percepção dos investidores nestes mercados da dívida não se alterar. A Grécia atingiu os 65% de risco em meados de abril de 2011, com níveis de juros dos títulos a 10 anos na ordem dos 14%. Até final de abril atingiria os 68% de risco e juros da dívida a 10 anos na ordem dos 16%. A 24 de maio do mesmo ano ultrapassaria a barreira dos 70%. Em julho de 2011, a cimeira europeia decidiu avançar com um segundo pacote de resgate a Atenas.
Qui 19 Jan 2012
Acto I: A Agence France Trésor, que gere a dívida soberana de França, colocou esta manhã €7965 milhões em obrigações a 2, a 3 e a 4 anos. O valor arrecadado ficou próximo do objetivo máximo de €8 mil milhões.
O Tesouro francês conseguiu colocar dívida a juros abaixo de 2%, mas teve de aceitar pagar níveis superiores às yields (juros) que, à mesma hora, se verificavam no mercado secundário.
Nas obrigações a 2 anos, o Tesouro aceitou pagar uma taxa de remuneração de 1,05%, abaixo dos 1,58% da operação anterior similar, mas acima dos 0,79% pagos no mercado secundário.
No caso das obrigações a 3 anos, a taxa fixou-se em 1,51%, abaixo dos 2,44% da emissão anterior, mas acima dos 1,14% pagos no mercado secundário.
Em relação às obrigações a 4 anos, a taxa fixou-se em 1,89%, abaixo dos 2,82% da emissão anterior, mas acima dos 1,57% pagos no mercado secundário.
Apesar da perda da notação de triplo A este mês, em virtude do corte de rating pela Standard & Poor’s, os analistas referem que os bancos da zona euro ocorrem a estas emissões de dívida soberana em virtude das facilidades de liquidez colocadas pelo Banco Central Europeu.
Acto II: O Tesouro espanhol realizou hoje de manhã três operações colocando um total de €6 mil milhões em obrigações espanholas a 5, a 7 e a 10 anos. Madrid previa apenas colocar entre €3,5 mil milhões e €4,5 mil milhões, mas face à procura por parte dos investidores e à taxa de remuneração possível optou por adjudicar mais do que o previsto.
Com estes leilões, o Tesouro espanhol já conseguiu arrecadar em janeiro €16,5 mil milhões, ou seja 19% do planeado para todo o ano.
Foi um “teste” aos investidores na dívida soberana, já depois da agência Standard & Poor’s ter cortado a notação do país na sexta-feira passada.
Os analistas atribuem o sucesso destas colocações à procura motivada pelas facilidades de liquidez colocadas pelo Banco Central Europeu (BCE). A aquisição destas obrigações soberanas permite, depois, aos bancos utilizá-las como colateral junto do BCE. Segundo dados divulgados hoje pela Morgan Stanley, entidades espanholas teriam usado 17% da primeira operação da nova linha LTRO a 3 anos do BCE, enquanto entidades italianas teriam usado 33% e as irlandesas 16%.
Juros mais baixos
Os investidores ocorreram à emissão de dívida com taxas de cobertura em relação ao adjudicado superiores à operação anterior similar nos casos das emissões a 5 anos e a 10 anos. No caso da emissão a 7 anos foi ligeiramente inferior.
Os juros baixaram substancialmente em relação ao que acontecera nas operações anteriores similares.
Na emissão de obrigações espanholas (OE) a 5 anos o juro fixou-se em 4,05% contra 5,28% na emissão anterior. A taxa fixou-se abaixo da yield de 4,12% no mercado secundário.
Na emissão de OE a 7 anos o juro ficou em 4,643% contra 5,147% na operação anterior. A taxa ficou também ligeiramente abaixo da yield de 4,66% no mercado secundário.
Na emissão de OE a 10 anos o juro fixou-se em 5,446% contra 7,088% anterior. A taxa de remuneração fixada hoje nas OE a 10 anos é, no entanto, superior à yield verificada no mercado secundário, que está em 5,22%.
As yields das obrigações espanholas no mercado secundário abriram hoje em alta.
Fitch pode cortar rating de Espanha
Estas operações ocorreram no mesmo dia em que Edward Parker, o responsável na Fitch pelas notações dos países da Europa, Médio Oriente e África, avisou que poderão ocorrer, até ao final deste mês, cortes na notação de vários países da zona euro que a agência colocou sob observação desde meados de dezembro – casos de Itália, Espanha, Bélgica, Irlanda, Eslovénia e Chipre. O corte ocorrerá se não houver “solução global” para o problema da crise da zona euro.
Qui 19 Jan 2012
Atenas tem uma espada sobre a cabeça – mais uma no calvário grego. Em março vencem €17,5 mil milhões da sua dívida soberana de €352 mil milhões. E se a Grécia quer inclusive receber o resto do primeiro pacote de resgate e colocar em marcha, depois, o segundo pacote de resgate, tem de fechar as negociações de reestruturação da dívida com os credores privados, ou com uma parte substancial deles.
Os homens da troika regressam ao país a 16 de janeiro, enquanto as negociações com o Institute of International Finance, representando os credores privados, prosseguem com avanços e recuos e envoltas nos mais diversos rumores.
Balanço do primeiro pacote
Convém começar por fazer um balanço da execução do primeiro plano de resgate. Dos €110 mil milhões já foram entregues €73 mil milhões. Sobram €37 mil milhões. Em dezembro foram pagos 8 mil milhões, com atraso de três meses. Agora estão para pagar 5 mil milhões, que deveriam ter sido pagos em dezembro, e que se prevê, agora, só para março. Os 10 mil milhões que deveriam ser pagos em março deslizam para junho e assim sucessivamente até se esgotar o saldo. E admitindo que a troika não atrasa ainda mais os pagamentos, alegando não cumprimento dos planos de ajustamento por parte do governo helénico.
Como Atenas não consegue ir ao mercado colocar dívida de longo prazo com juros aceitáveis, o país está encostado à parede pela troika. Basta lembrar que, hoje, as yields (juros) dos títulos gregos a 10 anos no mercado secundário fecharam em 35,66%, quase próximo do máximo histórico de 35,77% em dezembro. Há um ano estavam em 12,29%, já um valor muito acima da famosa linha crítica dos 7%.
Entretanto, o segundo pacote está condicionado ao acordo de reestruturação da dívida. Há que esclarecer, em primeiro lugar, que não se trata de “um perdão de 50% [ou outro valor] da dívida grega”, como tem sido ultimamente muitas vezes noticiado incorretamente. O que está em curso é uma renegociação de uma parte dessa dívida – a parte detida por credores privados. Que é efetivamente a maioria da dívida soberana, mas não a sua totalidade. Daí que se tenha criado um acrónimo em inglês – PSI, para a expressão “envolvimento do sector privado” (private-sector involvement).
Sobre que parte se está a discutir a reestruturação?
A dívida soberana grega é de €352 mil milhões, ou seja 160% do Produto Interno Bruto(PIB). É uma das mais elevadas do mundo em relação ao PIB, só inferior à do Zimbabwe e do Japão, que têm níveis superiores a 200%. Uma parte dessa dívida grega são empréstimos, no total de €92 mil milhões, dos quais 53 mil milhões por via da União Europeia e 20 mil milhões oriundos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Da parte titulada, num total de €260 mil milhões, €55 mil milhões são títulos na posse do banco Central Europeu, e os restantes €205 mil milhões estão em mãos de credores privados, segundo o estudo feito pelo jornal alemão Der Spiegel.
Ora é sobre a maioria destes 205 mil milhões (ou seja, 58% da dívida soberana total) que incidem as renegociações em curso. A distribuição deste montante é aproximadamente a seguinte: fundos (de investimento, de pensões, soberanos e hedge funds) com €70 mil milhões; bancos gregos com €50 mil milhões; bancos europeus com €40 mil milhões; fundos da segurança social grega com €30 mil milhões; companhias de seguros europeias com €15 mil milhões.
O objetivo da renegociação é conseguir “emagrecer” a dívida grega de 160% do PIB hoje para 120% do PIB em 2020. Para isso, os credores privados deveriam aceitar um “corte de cabelo” (hair cut, na designação técnica) no valor líquido presente dos títulos que detém e o resto ser trocado por novos títulos. É a dimensão deste “corte de cabelo” que tem estado em negociação. Na verdade, foi “evoluindo” – de 21%, no começo da negociação, para 50%, e já chegará aos 75 a 90%, ainda que sejam números não confirmados oficialmente.
Degradação do valor dos títulos gregos
Na realidade, o valor dos títulos gregos tem-se degradado assustadoramente. No final do ano passado, o valor atual dos títulos gregos a 10 anos era em média 24,6% do seu valor facial (o que equivalerá a um “corte de cabelo” de mais de 75%), contra 54,4% para as obrigações do Tesouro português, 80,92% para os títulos irlandeses, 82,76% para os títulos húngaros e 86,71% para os títulos italianos.
Ainda segundo a Reuters, em 2011, o retorno dos títulos gregos a 10 anos diminuiu 59,5%, contra uma diminuição de 31,3% no caso português, de 8,2% no caso da Itália e de 2,8% no caso da Hungria. Foram estes os quatro casos em que houve uma quebra no retorno entre o final de 2010 e o final de 2011. Mesmo nos casos da Irlanda (país com plano de resgate) e de Espanha (durante muitos meses considerado o próximo país a pedir um resgate) verificou-se, durante aquele período, uma melhoria do retorno nos títulos.
Pequena história trágico-grega – da morte lenta ao PSI
Nesta crise da dívida da zona euro, o caso grego é um verdadeiro “laboratório”. Da ideia de uma “morte lenta”, como rezava o epitáfio da Moody’s no início de 2010, à estratégia da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional de pacotes de resgate para criar liquidez aos estados membros aflitos, foi um passo. Demorou cinco meses e foi inaugurado com o pacote grego de maio de 2010 trazendo para Atenas €110 mil milhões até 2012 em tranches. O ano seguinte surpreenderia com uma outra inovação. Um pouco mais de um ano depois do primeiro pacote, surgia um segundo pacote de €130 mil milhões com a admissão de uma reestruturação parcial da dívida grega, a título extraordinário, o que ficou conhecido, desde julho de 2011, pelo acrónimo PSI. O tabu da reestruturação de dívida soberana caiu.
Qua 18 Jan 2012
O economista-chefe da Deloitte Research em Londres disse ao Expresso que “o Reino Unido é um paradoxo” e que as empresas devem usar a liquidez que tenham para aquisições baratas “como fazem os chineses e indianos”.
“O grande desafio para os empresários é lidar com a incerteza e com uma economia que não cresce”, refere-nos Ian Stewart, economista-chefe da consultora Deloitte Research, em Londres. A perceção da incerteza está, de novo, a níveis muito elevados, como já não se via desde 2009.
Ian Stewart, que está na consultora desde 2007, publica todas as segundas-feiras um “Money Briefing” de referência que vai para mais de 10 mil clientes e colegas. E, no final de cada ano, surpreende os colegas com um questionário de perguntas difíceis – quase todas com rasteiras – para avaliar o conhecimento em temas financeiros e económicos mundiais por parte dos consultores.
Veio, recentemente, a Lisboa à Conferência CFO 2012, organizada pelo INDEG Business School, para apresentar os resultados do último inquérito que a Deloitte realizou em dezembro no Reino Unido aos administradores financeiros das empresas britânicas viradas para o mercado doméstico e para os mercados globais.
Uma mudança enorme
O consultor britânico confessa que “a Alemanha aproveitou a crise para se tornar a potência dominante”. “Foi uma mudança enorme”, acrescenta, salientando que “essa foi a principal consequência desta crise, e teremos de nos adaptar a essa nova situação”.
Admite que a “festa” alemã pode acabar se o país entrar em estagnação. A última revisão conhecida – anunciada hoje – cortou a previsão de crescimento alemão em 2012 de 2,2% para 0,7%, com um contexto europeu em que o crescimento rondará os 0,4%. O Fundo Monetário Internacional ensombrou, entretanto, ainda mais, as previsões ao adiantar que a zona euro poderá contrair-se em 0,5%.
Além disso prevê-se que a dinâmica anual do PIB na China e na Índia abrande para valores abaixo de 8,5% no primeiro país e de 8% no segundo. Refira-se que a China é hoje o principal mercado de crescimento das exportações alemãs e poderá ultrapassar a França como principal destino até ao final deste ano.
No entanto, Ian sublinha que, em termos de competitividade de custos laborais, a Alemanha acumulou uma vantagem ao longo de uma década que coloca a um canto os restantes parceiros europeus. A assimetria é gritante. Os custos laborais aumentaram na Alemanha apenas 5% entre 2000 e 2010, enquanto no Reino Unido e na Irlanda subiram 30%, em Portugal ou Espanha 33%, na Itália 37% e na Grécia 44%.
A dimensão da assimetria entre a Alemanha e o grupo dos países do Clube Med da zona euro pode, ainda, ser medida de outra forma: nos últimos dez anos, Berlim acumulou um excedente de 1,9 biliões de dólares(€1500 mil milhões), enquanto que o défice acumulado de Itália, França, Espanha, Grécia e Portugal foi de 1,5 biliões de dólares (cerca de €1160 mil milhões), segundo um relatório do Bank of America Merryll Linch
A ideia de um euro forte pode estar, também, a esfumar-se se a solução política não surgir. Diz o consultor: “Todas as explicações que têm sido dadas de que o euro é forte apesar da crise da dívida na zona euro podem sofrer um abalo. Prevejo que continue a depreciar-se, particularmente face ao dólar e à libra, se não houver uma solução na zona euro”.
Ian sublinha que, nos resultados do último inquérito realizado, o que mais atormenta os administradores financeiros britânicos é que ocorra um colapso da zona euro – o que preocupa 33% dos respondentes. A probabilidade de que isso aconteça é de 37%, segundo os inquiridos, uma percentagem superior ao que pensam os economistas ouvidos pelo Financial Times (probabilidade de 28%). Há um sinal que parece simbólico: “Quando alguém perguntava ao anterior presidente do Banco Central Europeu se havia algum risco do euro colapsar, Jean-Claude Trichet, no seu tom francês, respondia: absurde (absurdo). Ora, o novo presidente, Mário Draghi, admitiu a questão numa entrevista recente ao Financial Times”. Um detalhe significativo.
O Reino Unido é um paradoxo
Pode parecer paradoxal para os europeus continentais que os britânicos se preocupem com a sorte da zona euro. “O próprio Reino Unido é um paradoxo”, ri-se. “Por um lado, esperamos que o euro tenha sucesso – os bancos ingleses estão muito expostos ao continente. A interligação hoje das economias e dos sistemas financeiros na Europa é imensa. Mas, por outro lado, a situação atual pode colocar em risco o relacionamento do Reino Unido com a União Europeia”, acrescenta.
“Para mim a União Europeia é sobretudo comércio livre e liberdade de movimentos de capital e de trabalho, não uma instituição política. Não creio que o Reino Unido aceite regras de um compacto orçamental, o projeto que está em cima da mesa. De facto, há um problema de longo prazo sobre o que quer o Reino Unido em relação à União Europeia”, refere, ainda, o economista-chefe da Deloitte Research.
No fundo, coloca-se aos britânicos um dilema estratégico. “É inconcebível ser parte dessa integração em curso. O Reino Unido pode ser colocado numa posição em que seja forçado a sair da União”. Na resolução do problema da crise da dívida da zona euro, Ian prefere que seja o Fundo Monetário Internacional a atuar.
Façam como os chineses e os indianos
Quanto às empresas, a mensagem é clara: “Usem a liquidez disponível para procederem a aquisições baratas, tal como fazem os asiáticos, os chineses ou os indianos”. De facto, nos resultados do inquérito, os administradores financeiros vêm oportunidades de crescimento na aquisição de empresas ou de outros ativos a bom preço, bem como explorar as fraquezas da concorrência.
Em termos de estratégia, o economista-chefe da Deloitte Research defende que as empresas devem procurar segmentos de negócio não dependentes do crescimento do Produto Interno Bruto, relativamente protegidas das oscilações dos ciclos económicos.
As prioridades que os administradores financeiros inquiridos pela Deloitte apontam centram-se em seis áreas: reduzir custos, aumentar o cash flow, introduzir novos produtos e serviços ou expandir para novos mercados, reter liquidez nos balanços, proceder a aquisições e fusões ou expandir organicamente (através de criação de emprego, de investimento em capital fixo ou de desenvolvimento dos produtos). “Invistam para o longo prazo”, aconselha, a terminar, Ian Stewart.
Antes de entrar na Deloitte, Ian Stewart foi economista-chefe da Merrill Lynch para a Europa, em Londres. Foi responsável no Partido Conservador pelo Departamento de Investigação e foi economista da Confederação da Indústria Britânica.
Qua 18 Jan 2012
A agência de notação norte-americana Egan-Jones cortou hoje a notação da Alemanha de AA para AA-, a última notação do patamar do duplo A. Esta agência que foi a primeira a retirar, no ano passado, o triplo A aos Estados Unidos, procedeu, agora, a mais um corte polémico, desta vez na cabeça da zona euro. E mantém a dívida alemã em observação negativa.
Ainda que reconhecendo que se trata da economia mais forte da zona euro, a agência sublinha que os contribuintes alemães terão de arcar com a parte mais significativa da fatura da crise da dívida, sobretudo em relação aos diversos instrumentos de atuação, seja o Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o Mecanismo de Estabilização Europeu ou mesmo o Banco Central Europeu ou indiretamente através do Fundo Monetário Internacional.
O nível da dívida alemã tem vindo a subir: de 83% do Produto Interno Bruto em 2010 para uma estimativa que varia entre 86% e 92% em 2011, consoante as fontes, e uma previsão pessimista de 116,7% em 2013, ultrapassando, sublinha a agência, o limiar dos 90%, considerado crítico afetando a credibilidade e aumentando os custos de financiamento. O segundo elemento de preocupação tem a ver com o crescimento em 2012. Depois de uma previsão em junho do ano passado de 2,2%, que viria a ser cortada para 0,9% em outubro, a última revisão, hoje anunciada, aponta para 0,7% – depois de um crescimento de 3% em 2011. Sem dúvida que se trata da economia europeia mais exportadora com um excedente comercial de €133 mil milhões no final de 2010. Mas o fardo que vai ter de suportar da crise europeia leva a Egan-Jones a este corte.
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