Dezembro 2011
Monthly Archive
Sáb 31 Dez 2011
Bolsas mundiais perdem €4 biliões em 2011. Foi este o valor do crash. A capitalização bolsista mundial caiu de 54 biliões de dólares para 48,9 biliões entre dezembro de 2010 e dezembro de 2011. O índice mundial das bolsas desceu 9,4% nesses doze meses. Ouro e barril de Brent valorizaram-se, mas preço da prata acabou por cair.
Depois de dois anos de recuperação bolsista em 2009 e 2010, o índice mundial das bolsas (MSCI AC World Index) voltou ao vermelho, caiu 9,4% entre o final de 2010 e o final de 2011.
No pico da crise financeira, as bolsas mundiais perderam 46,5% do seu valor ao longo de 2008, eliminando cerca de 28,3 biliões de dólares (28.300 mil milhões de dólares, ou 28,3 triliões na designação norte-americana). Ao longo de 2011 perderam 5,1 biliões de dólares, cerca de €4 biliões. O “urso” regressou, mas a “limpeza” foi muito inferior à derrocada de 2008.
O sector financeiro cotado perdeu 21,5% da sua capitalização bolsista em 2011, revelando onde se deu o maior impacto da crise.
Também o preço da onça de prata caiu 9,7% entre o final de 2010 e o final de 2011, depois de alguma euforia no primeiro semestre, tendo chegado a 48,58 dólares por onça (não longe do máximo histórico de 49,45 dólares dos anos 1980).
Pelo contrário, a onça de ouro viu o seu preço aumentar 10,2% e o barril de Brent valorizou-se 13%. No entanto, o valor de fecho da onça de ouro a 30 de dezembro de 2011 foi de 1566,8 dólares, longe do pico de 1889,70 dólares (em valor de fecho diário) no verão. No caso do barril de Brent, apesar do aumento, não se verificou um novo choque petrolífero, com um disparo como o do verão de 2008.
Sex 30 Dez 2011
A probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) disparou em quatro casos da zona euro: subiu, desde o final do ano passado, 93% para França, 80% para Itália, 70% para Portugal e 60% para a Grécia, segundo dados da CMA DataVision.
Estes quatro países acabaram por ser os protagonistas da crise da dívida da zona euro em 2011, ainda que em patamares de risco muito distintos.
A Grécia manteve o primeiro lugar do “clube da bancarrota” (TOP 10 dos países com maior risco de incumprimento). Findou o ano de 2010 com 58,76% de risco e terminou 2011 com 94,22%, numa evolução similar à argentina ao longo de 2001, ainda que não tenha ocorrido um evento de crédito (um default) formal, como no país das Pampas, e continuando a decorrer uma negociação de reestruturação da dívida grega na mão de credores privados. As yields (juros) dos títulos gregos a 10 anos no mercado secundário agravaram-se 180%, saltando de 12,47% no final de 2010 para 34,96% a 30 de dezembro de 2011. Pelo meio ficou aprovado um segundo pacote de resgate financeiro ao país.
Portugal viu a sua situação agravar-se substancialmente. O risco saltou de 35,85% no final de 2010 para 60,86% a 30 de dezembro de 2011. Acabou por subir do 4º para o 2º lugar no “clube da bancarrota”, ultrapassando a Irlanda, que desceria do 3º para o 6º lugar. As yields das obrigações do Tesouro português a 10 anos dispararam 102%, saltando de 6,6% em 31 de dezembro de 2010 para 13,36% em 30 de dezembro de 2011. Pelo meio, Lisboa acabou por assinar com a troika um plano de resgate financeiro.
A Itália acabaria por ser a grande surpresa do ano. Entrou para o “clube da bancarrota” e não conseguiu, na ponta final do ano, baixar as yields dos títulos do Tesouro a 10 anos do limiar crítico dos 7%, como já referimos num artigo de balanço anterior sobre o caso italiano, que tem sido o foco das atenções no final do ano.
A França foi a outra surpresa. Ainda que as yields (juros) dos títulos franceses a 10 anos tenham baixado entre o final de 2010 e final de 2011, caindo ligeiramente de 3,36% para 3,15%, o risco de default disparou – foi o maior aumento do ano, de 93%. Esta probabilidade subiu de 9,2% no final de 2010 para 17,80% no final de 2011. Em virtude deste agravamento quase para o dobro que coloca o hexágono gaulês muito acima dos 8,7% de risco da Alemanha e dos 4,2% dos Estados Unidos, os rumores de que, em breve, Paris perderá a notação de risco de triplo A têm-se multiplicado.
Espanha, que era dada no início do ano como séria candidata a seguir o curso da Grécia, Irlanda e Portugal nos planos de resgate, acabou por ver os juros das obrigações espanholas a 10 anos baixar de 5,45% para 5,09%, distanciando-se da dinâmica italiana. O risco de incumprimento subiu de 26,93% no final de 2010 para 28,6% no final de 2011, mas Espanha saiu do “clube da bancarrota”. No final de 2010 estava em 9º lugar; no final de 2011 está a 5 pontos percentuais da Itália, que ocupa o 10º lugar.
Os dois valores de refúgio que se afirmaram ao longo de 2011 foram os Bunds, os títulos alemães, e os títulos do Tesouro norte-americano no prazo a 10 anos. Entre o final de 2010 e o final de 2011, a descida das yields destes títulos foi muito significativa no mercado secundário: de 2,96% para 1,83% no caso dos Bunds, e de 3,29% para 1,88% no caso dos títulos do Tesouro norte-americano.
Sex 30 Dez 2011
A Itália não conseguiu baixar a pressão sobre a dívida soberana. O ano fechou com os juros dos títulos a 10 anos em 7,11%. Há um ano, fechara em 4,82%. Termina em 10º lugar no “clube da bancarrota”.
Apesar dos leilões de dívida realizados pelo Departamento do Tesouro em Roma, nas últimas semanas, terem corrido bem, segundo os analistas, e das intervenções do Banco Central Europeu diretamente no mercado secundário e indiretamente com as linhas de liquidez a 3 anos aos bancos (potenciando a aquisição de títulos de dívida soberana), as yields (juros) dos títulos do Tesouro (BTP) a 10 anos no mercado secundário fecharam o ano acima do limiar crítico dos 7%, segundo dados da Bloomberg.
A 31 de dezembro de 2010, as yields dos BTP a 10 anos fecharam em 4,82%. Doze meses depois, subiram para 7,11%, um aumento de 47,5%. Não foi um disparo tão significativo, como no caso grego (cujos juros aumentaram180%) ou português (102%), mas o seu impacto na zona euro é maior, pois a Itália é a terceira economia da união monetária, um dos seus pilares.
A probabilidade de incumprimento (default) da dívida italiana aumentou 80% em doze meses. No final de 2010, situava-se em 19,32% e a Itália não integrava o “clube da bancarrota” (o TOP 10 dos países com maior risco de default), segundo dados da CMA DataVision. A 30 de dezembro de 2011, o risco de incumprimento subiu para 34,79% e o país ocupa o 10º lugar daquele “clube”.
O caso italiano acabou por ser uma surpresa. No final de 2010, era a Espanha que estava na berlinda nos mercados da dívida ocupando o 9º lugar no “clube da bancarrota”. A Itália acabaria por ultrapassar a Espanha na degradação da situação de crédito. “No início de 2011, a Itália estava claramente longe do epicentro da crise da zona euro. As yields estavam abaixo de 5% e os leilões de emissão de dívida pelo Tesouro eram seguros e garantidos. Hoje, a Itália é o grande doente da zona euro. O grande desafio para o começo de 2012 vai ser conseguir manter as yields abaixo dos 7% e realizar com êxito os leilões de dívida logo no primeiro trimestre que deverão atingir os €30 mil milhões”, refere-nos, em jeito de balanço, Fabrizio Goria, editor do Linkiesta.
Sáb 24 Dez 2011
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria a pressionar o comité de credores privados da dívida grega a aceitar um “corte de cabelo” (hair cut, na designação técnica) que poderá chegar aos 65% do valor líquido atual dessa dívida, segundo noticiou a agência Bloomberg na quinta-feira.
Um corte dessa dimensão no valor líquido atual em mão de credores privados significaria um abate de mais de €130 mil milhões nos €206 mil milhões em dívida a privados. Os restantes €70 mil milhões seriam trocados por novos títulos com um cupão de 5%, que se regeriam pela lei inglesa, e teriam o mesmo estatuto de senioridade que as dívidas de Atenas à troika de emprestadores envolvidos nos dois planos de resgate.
Recorde-se que o hedge fund Veja Asset Management saiu, recentemente, da negociação por não aceitar um “corte de cabelo” superior a 50% no valor líquido atual.
Sáb 24 Dez 2011
A Standard & Poor’s (S&P), a agência de notação de risco norte-americana, decidiu cortar o rating da dívida da Hungria de BBB- para BB+ (já em terreno de dívida especulativa, vulgo “lixo”) e com previsão negativa.
Esta decisão da S&P segue-se a um corte do mesmo tipo operado pela agência Moody’s liderada por Warren Buffett, que, a 24 de novembro, descera a notação do país para Ba1, já em terreno também especulativo. Trata-se de níveis em que há uma elevada vulnerabilidade ao risco de incumprimento. Só a agência Fitch, liderada por um grupo francês, mantém a Hungria, ainda, num patamar acima de dívida especulativa.
Comparativamente, a dívida portuguesa ainda é classificada com notação BBB- pela S&P, ainda que, em termos de Moody’s, esteja pior classificada (Ba2) na zona de especulativo (vulgo “lixo”), bem como segundo a Fitch (BB+), que já classifica a dívida portuguesa em “lixo”, mas não a húngara.
O governo húngaro pretende aprovar uma lei que retira a independência ao banco central (fundindo-o com o regulador dos mercados financeiros) e mexe na independência do próprio Tribunal Constitucional. Ao mesmo tempo, a Hungria propôs ao Fundo Monetário Internacional negociações para um novo programa, que deverão iniciar-se em janeiro.
Segundo o governo húngaro, a decisão da S&P é “uma forma de pressão” indireta com vista a reforçar o dólar e enfraquecer a zona euro. A Hungria não é membro da zona euro. Tinha planos para aderir em 2007 ou 2008, mas a nova meta é 2020.
No TOP 10 da probabilidade de incumprimento da dívida soberana, a Hungria subiu para 9º – Grécia, Portugal e Irlanda estão pior, segundo dados da CMA DataVision. A Itália desceu para 10º, trocando de posição com a Hungria. O efeito do corte de notação pela S&P foi imediato na classificação.
Sáb 24 Dez 2011
O diretor do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional (FMI) colocou quarta-feira (21 de dezembro) à tarde (horas de Washington DC) em um dos blogues do Fundo (IMF Direct) um balanço arrasador do ano de 2011. “Tudo somado, o final do ano está muito pior do que o início”, refere quase a concluir em “Quatro duras verdades”.
Entre as quatro lições que Olivier Blanchard tirou, uma diz respeito às estratégias que têm sido advogadas no campo da consolidação orçamental (vulgo austeridade), e é, no mínimo paradoxal: “Segundo algumas estimativas preliminares que o FMI está a preparar não se necessita de grandes multiplicadores para que o efeito conjunto da consolidação orçamental e da queda do crescimento que esta implica termine numa alta – e não em uma diminuição – dos prémios de risco dos títulos públicos”.
Esquizofrenia dos mercados financeiros
Ou seja, os apressados, com vontade de mostrar serviço aos “mercados”, acabam por ser vítimas do que Blanchard chama de “esquizofrenia” dos investidores financeiros: “Eles reagem bem quando se anunciam consolidações orçamentais, contudo reagem mal quando a consolidação conduz a um menor crescimento, como está a ocorrer”.
Blanchard sublinha que “deve haver consolidação orçamental substancial e que os níveis de dívida devem baixar”. E, com subtileza, cita a chanceler Ângela Merkel, para recordar que as consolidações orçamentais devem ser uma “maratona” e não uma corrida de velocidade. “Serão precisas mais de duas décadas para regressar a níveis de dívida prudentes”, escreve. E recorda um ditado: “sem pressa, mas constante, é que se ganha a corrida”.
Conclusão desta lição: “Necessitamos de planos de consolidação orçamental, mas realistas”.
Mais três lições
As outras três lições são, também, interessantes.
Em períodos de crise ficam muito claros os equilíbrios e desequilíbrios “múltiplos”, cujo pessimismo ou otimismo que trazem se auto-alimenta com profundas implicações macroeconómicas, como Blanchard refere. Um dos problemas que o economista do FMI refere é precisamente a distância entre solvência e incumprimento. Daí que advogue injeção de liquidez. Para que uma não se transforme na outra, ou seja mude de estado.
A segunda lição tem a ver com a imagem dos decisores. “Medidas de política incompletas ou parciais podem piorar as coisas”, adverte. A ideia de que é “melhor ter tentado e fracassado do que não ter tentado nunca” nem sempre se aplica, diz Blanchard. E sobretudo anunciar grandes planos sem que se coloquem em prática ou que defrontem obstáculos práticos é o pior que pode acontecer para o olhar dos investidores.
A última lição tem a ver com a perceção dos mercados financeiros. A partir do momento em que se gera uma dada perceção ela altera a realidade. Blanchard recorda que se observou isso recentemente com Itália ou com o euro.
O economista apela a que haja uma colaboração “entre todos os interessados”, e confia que assim será. “A alternativa é francamente desagradável”, termina o artigo no blogue.
Sáb 24 Dez 2011
Acto I: 21 de dezembro: A meio da manhã de quarta-feira soube-se que 523 bancos da zona euro ocorreram em massa à nova linha de financiamento do Banco Central Europeu (BCE) conhecida pelo acrónimo LTRO agora a 3 anos. Pediram €489,19 mil milhões. Uma corrida superior aos €442 mil milhões pedidos no primeiro leilão da linha a 12 meses que o BCE havia realizado em junho de 2009, a seguir ao pico da crise financeira iniciada em 2008.
Os mercados da dívida interpretaram este sinal como revelador de uma situação muito grave no sector bancário. E, em vez do regozijo, pela “bazuca” do BCE injetando liquidez, ficaram ainda mais nervosos.
Resultado: uma reviravolta no comportamento das yields (juros) dos títulos soberanos no mercado secundário de alguns países membros da zona euro e um agravamento do risco de incumprimento. Esta mudança estragou o desanuviamento a que se vinha a assistir durante esta semana.
O risco de incumprimento, segundo dados da CMA DataVision, subiu para Espanha, Bélgica, França e Áustria, que fecharam com níveis superiores ao do dia anterior. No caso de Itália, cujo risco tinha vindo a descer consistentemente, assistiu-se a uma reviravolta à tarde que, no entanto, não foi suficiente para que o nível de fecho na quarta-feira fosse superior ao do dia anterior. Itália desceu na terça-feira de 8º para 9º lugar no “clube da bancarrota” (TOP 10 do risco de incumprimento), onde se mantém. Contudo, o preço dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) voltou a aproximar-se do nível crítico dos 500 pontos base no caso da dívida soberana italiana.
Nas yields (juros) da dívida soberana, a subida foi ainda mais evidente para os casos dos títulos do Tesouro italiano e para as obrigações espanholas no mercado secundário em todas as maturidades, segundo dados da Bloomberg. No caso da Bélgica e França, os juros subiram na maioria das maturidades. O aumento do prémio de risco em relação à dívida alemã, que serve de referência, foi mais claro nos casos de Espanha, Bélgica, França e Itália.
O risco de incumprimento da dívida portuguesa fechou em 61%, ligeiramente abaixo do valor de terça-feira. Os juros das obrigações do Tesouro a 2, a 3 e a 5 anos aumentaram, enquanto a 10 anos baixaram em relação ao dia anterior.
Acto II: 23 de dezembro pela manhã. O Senado italiano deu quinta-feira luz verde ao pacote adicional de ajustamento do novo chefe do governo, o “tecnocrata” Mário Monti. A câmara alta do parlamento italiano aprovou por 257 votos contra 41 o voto de confiança ao governo, depois da mesma tendência de voto ter ocorrido na câmara baixa de deputados.
Mas as yields (juros) dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos mantêm-se rebeldes. Abriram hoje em 6,96%, acima do fecho de ontem (em 6,92%), ziguezaguearam e estão em 6,94% a meio da manhã, segundo dados da Bloomberg.
Esta continuação de uma tendência altista, já observada quinta-feira, reflete-se no prémio de risco, ou seja na diferença entre os juros dos BTP a 10 anos e os juros dos Bunds, os títulos alemães. Se ontem havia fechado em 4,973 pontos percentuais acima dos juros dos Bunds, hoje já galgou a barreira dos 5 pontos percentuais, ainda que continue a oscilar.
É um caso a monitorizar com atenção nesta ponta final para o sapatinho natalício.
Acto III: 23 de dezembro, fecho do mercado da dívida. As yields (juros) dos títulos do Tesouro de Portugal, Irlanda e Áustria fecharam sexta-feira (23 de dezembro) em alta em todas as maturidades, segundo dados da Bloomberg.
A tendência de alta já verificada na quinta-feira para os juros das obrigações do Tesouro (OT) português e dos títulos irlandeses prosseguiu na sexta-feira. O salto mais significativo deu-se com os juros das OT a 3 anos que subiram de 16,98% no fecho de quinta-feira para 17,28% no fecho de sexta-feira.
Teste dos 7% nos juros italianos
O limiar dos 7% voltou a ser testado sexta-feira pelos juros dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos, que chegaram a 7,08%, tendo fechado, depois, em 6,98%.
O prémio de risco da dívida italiana medido pela diferença (spread) entre os juros dos BTP a 10 anos e os juros dos Bunds alemães fechou, na sexta-feira, em 5,02 pontos percentuais (ou 500 pontos base). Acima do limiar crítico dos 5 pontos percentuais.
BCE reduz ao mínimo compras no mercado secundário
Entretanto, constatou-se que a intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário da dívida da zona euro, através do programa conhecido pelo acrónimo SMP (Securities Markets Programm), perdeu gás durante o mês de dezembro.
Na semana que terminou a 2 de dezembro o BCE havia comprado títulos soberanos no valor de €3,66 mil milhões; na semana seguinte terminando em 9 de dezembro reduzira para 635 milhões (quase 1/6 menos do que na semana anterior); na semana que findou a 16 de dezembro adquiriu apenas 3,36 milhões (0,5% da semana anterior); e durante esta semana natalícia, segundo a Associated Press, um pouco mais, 19 milhões.
Tudo parece indicar que Mário Draghi, o presidente do BCE, desinchou este programa de intervenção direta no mercado secundário da dívida soberana a favor da linha de financiamento aos bancos da zona euro conhecida pelo acrónimo LTRO, agora a 3 anos, e que, muitos analistas, consideram a “bazuca” para intervenção indireta no mercado primário de emissão de dívida soberana.
Sáb 24 Dez 2011
Acto I: China nº1 em patentes registadas. Em quantidade, as empresas e entidades chinesas ultrapassaram as norte-americanas e japonesas, segundo o índice Thomson Reuters Derwent World Patents divulgado esta semana.
O registo anual de patentes atingiu na China o número recorde de 314 mil em 2010, segundo o índice Thomson Reuters Derwent World Patents divulgado esta semana, ultrapassando os Estados Unidos e o Japão.
No entanto, o World Intellectual Property Indicators (da Organização Mundial da Propriedade Intelectual ) forneceu, também esta semana, dados distintos para 2010: os EUA ainda lideram com o registo de 490 mil patentes, contra 391 mil na China e 344 mil no Japão. A União Europeia, neste campeonato, registou, apenas, cerca de 151 mil patentes.
Segundo o estudo da Thomson Reuters, o registo anual na China deverá chegar aos 500 mil em 2015, contra 400 mil nos Estados Unidos e 300 mil no Japão. Ainda segundo os dados divulgados, 73% desses registos em 2010 já foram feitos por empresas chinesas.
Os analistas referem, no entanto, que quantidade não significa qualidade na China e que a corrida ao registo se tem devido ao aumento dos contenciosos jurídicos dentro do próprio país. E muito menos significa que sejam, depois, concedidas – por exemplo, em 2008, das 203.481 registadas na China, só 48.814 foram concedidas.
A Thomson Reuters iniciou aquele índice em 1963 e conta até à data com mais de 21 milhões de registos.
Segundo os últimos dados disponíveis, existiam mais de 1,8 milhões de patentes com força de lei nos Estados Unidos, 1,2 milhões no Japão e mais de 800 mil na China.
Segundo a Organização Mundial da Propriedade Intelectual, a China ganhou, também, simbolicamente nos lugares cimeiros. Em 2010, a ZTE, gigante das telecomunicações, era já numero dois em registo de patentes no estrangeiro, logo a seguir à Panasonic japonesa. E em quarto lugar, depois da Qualcomm norte-americana, surgia outro gigante chinês, a Huawei.
Acto II: China nº1 em entradas em bolsa. Pelo segundo ano consecutivo, o valor das entradas em bolsa em 2010 na China foi superior ao valor somado em todas as bolsas dos países desenvolvidos. O disparo de 2007 para 2010 foi de 230%.
A China foi, pela segunda vez, em 2010 o maior mercado mundial para entradas de empresas em bolsa. Representou 125 mil milhões de dólares, 44% do total das entradas em bolsa (IPO, na designação em inglês) em todo o mundo, segundo dados divulgados recentemente pelo McKinsey Global Institute na sua publicação Mapping Global Capital Markets 2011.
As entradas em bolsa de novas empresas na China somaram um valor superior aos 106 mil milhões de dólares de IPO na City londrina, em Wall Street e Nasdaq e nas restantes bolsas dos países desenvolvidos.
Essa situação já ocorrera em 2009, quando os IPO na China somaram 54 mil milhões de dólares e as entradas nas bolsas do mundo desenvolvido apenas 42 mil milhões. A diferença ampliou-se significativamente no ano seguinte.
Em 2007, antes do eclodir da crise financeira, os IPO na China somavam apenas 38 mil milhões de dólares, contra 47 mil milhões em Nova Iorque (Nasdaq e Wall Street) e 52 mil milhões na City. O disparo, no caso da China, foi de 230% entre 2007 e 2010, enquanto o valor dos IPO na City encolheram 75% e em Nova Iorque 26%.
A crise financeira tornou o mercado de IPO na China o líder mundial.
Dados do 1º semestre de 2011
Segundo a Federação Mundial de Bolsas, para dados apurados no final do primeiro semestre de 2011, o número de IPO (não se trata do valor envolvido) continuou a subir, com uma variação positiva de 13%, sobretudo devido à entrada de PME em bolsa.
Num total de 939 operações entre janeiro e junho de 2011, 440 realizaram-se na Ásia-Pacífico.
As três bolsas que estão a liderar o número de IPO são a de Toronto, com 148 entradas em bolsa, a de Shenzhen (perto de Hong Kong), com 144, e a de Varsóvia com 101.
Sáb 24 Dez 2011
Os bancos da zona euro ocorreram hoje em massa à nova linha de financiamento a 3 anos do Banco Central Europeu, decidida a 8 de dezembro.
523 bancos da zona euro ocorreram hoje de manhã em massa à nova linha de financiamento conhecida pelo acrónimo LTRO agora a 3 anos, decidida na última reunião do conselho de governadores do Banco Central Europeu (BCE), em 8 de dezembro passado.
No total pediram emprestado um montante de €489,19 mil milhões. Para muitos analistas esta vai a ser a “bazuca” secreta do BCE, que já teria tido efeitos antecipados nos últimos leilões de dívida soberana na zona euro na passada semana e durante esta semana. Tratar-se-ia de uma espécie de operação de carry trade – pedir emprestado a 1% para investir onde a rentabilidade se mostre mais elevada, e com pequena ou nula transmissão para a economia real.
Alívio quantitativo pela porta das traseiras
Quase 1/4 desse montante foi requerido por bancos italianos, segundo a Reuters. O jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung referiu que também bancos espanhóis terão estado na vanguarda do recurso a esta linha.
Outros analistas focam um ângulo diferente do problema: os bancos da zona euro vão ter de pagar ou refinanciar €725 mil milhões de dívida, dos quais €280 mil milhões logo no primeiro trimestre do ano, segundo o jornal alemão Der Spiegel. E a dificuldade de ir buscar financiamento ao mercado privado é conhecida.
O montante de €489.190,75 milhões inclui €45,7 mil milhões que passaram da linha anterior a 12 meses. Um total de 123 entidades usaram a possibilidade de fazer essa mudança de uma linha para outra.
Trata-se do primeiro leilão de três planeados. O próximo realizar-se-á em 20 de fevereiro de 2012.
Esta operação já é apelidada de “alívio quantitativo” (quantitative easing, em inglês) pela porta das traseiras, na expressão usada pelo jurista financeiro Avery Goodman.
Comparação com a operação anterior é reveladora
Esta corrida à nova LTRO foi superior à de €442 mil milhões na linha a 12 meses que o BCE havia realizado em junho de 2009, quando realizou o primeiro leilão a seguir ao pico da crise financeira iniciada em 2008. Na altura, para um valor menor ocorreram 1121 bancos.
No último leilão da LTRO a 12 meses, o BCE injetou 56,9 mil milhões em 181 bancos.
Sáb 24 Dez 2011
É a interrogação que coloca hoje (21 de dezembro) o Le Figaro. Para o jornal francês a pasta da troika vai passar para o Fundo Monetário Internacional a partir de 2012. Uma prenda para Christine Lagarde que fará 56 anos a 1 de janeiro.
A última reunião por conferência telefónica do Eurogrupo (reunião de ministros dos 17 membros da zona euro) decidiu avançar na segunda-feira (19 de dezembro), ao fim de três horas, com um pacote de empréstimos bilaterais de €150 mil milhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI). São €50 mil milhões a menos do que o previsto na última cimeira europeia, mas alguns países fora da zona euro terão de consultar os seus parlamentos sobre esta participação e o Reino Unido reservou a sua posição para o âmbito do G20. Ou seja, o Reino Unido procurará acertar o seu passo em função dos movimentos que farão outras grandes potências do G20, como os EUA, o Japão e os BRIC.
Mas, segundo o jornal francês Le Figaro, Christine Madeleine Odette Lagarde, a diretora-geral do FMI, não receberia só o dinheiro, mas também conseguiria a concretização do seu objetivo geopolítico de tornar o Fundo o efetivo agente de gestão da crise da dívida soberana da zona euro e dos seus efeitos sistémicos à escala mundial. “O único a mandar”, refere o jornal. Uma prenda para Lagarde que fará 56 anos a 1 de janeiro. Uma agenda que Lagarde tem prosseguido desde a sua nomeação para a chefia do Fundo. O jornal interroga-se inclusive a fechar o artigo: “Virá a ser, de facto, Christine Lagarde a primeira ministra das Finanças da zona euro?”.
Troika fica obsoleta
O jornal adianta que uma das consequências será tornar obsoleto o conceito de troika. “No programa de vigilância de Itália, o FMI já é o único a comandar a bordo, sem a troika”, referiu ao jornal francês Jean Pisani-Ferry, diretor do think-tank Bruegel, sediado em Bruxelas.
Resta saber até onde irá essa “obsoletização” da troika, dado que esta gere, atualmente, três programas de resgate (Grécia, Irlanda e Portugal). E sabendo-se do risco, no curto prazo, de cortes de notação de alguns países europeus com nota máxima de triplo A, nomeadamente a França, o próprio Fundo Europeu de Estabilização Europeia (FEEF) corre o risco de perder a notação de triplo A e de deixar de ser credível para os investidores internacionais.
Será interessante observar, de facto, se a estratégia seguida pela zona euro face à crise da dívida – planos de resgate com troika, FEEF até 2013 e Mecanismo de Estabilização Europeu a partir do próximo ano – ficará em cacos nos próximos meses e o FMI ocupará o lugar do leme.
Christine Lagarde terá, pelo seu lado, de convencer as outras grandes potências fora da União Europeia a financiar a ideia. Ela tem dramatizado a situação: “a economia mundial está num ponto de viragem perigoso”, repetiu ainda ontem a partir da Nigéria. E tem dado a entender que os parceiros da zona euro continuam embrulhados nas suas guerras intestinas de hegemonia da zona euro – algo que ela conhece bem da sua experiência anterior como ministra das Finanças de Nicolas Sarkozy – incapazes de responder em tempo útil.
A próxima cimeira europeia está convocada para final de Janeiro e o próximo encontro de chefes de estado e de governo do G20 está previsto para Los Cabos, no México californiano, para junho de 2012. Antes decorrerá, certamente, a reunião dos ministros das Finanças e banqueiros centrais do grupo.
Sáb 24 Dez 2011
O Japão foi o maior credor do mundo em 2010, em termos líquidos, ou seja diminuindo aos ativos detidos no estrangeiro as responsabilidades sobre o estrangeiro, segundo o relatório mais recente do McKinsey Global Institute sobre a geografia dos mercados de capital globais.
Apesar de ser número quatro em ativos detidos no estrangeiro, vindo a seguir aos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, o Japão detém uma situação líquida de mais de 3 biliões de dólares (3000 mil milhões, 3 triliões na designação americana). É o líder mundial. Em segundo lugar, está a China, com uma situação líquida de cerca de 2,2 biliões de dólares, apesar de não estar entre os cinco que mais investem no mundo.
Em termos de credores líquidos, a classificação por ordem decrescente em dólares é a seguinte: Japão, com 3 biliões; China com 2,19 biliões; Alemanha com 1,2 biliões; Arábia Saudita com 882 mil milhões; Suíça com 698 mil milhões; Hong Kong com 691 mil milhões; Taiwan com 626 mil milhões; Emirados Árabes Unidos com 585 mil milhões; Singapura com 492 mil milhões; e Noruega com 360 mil milhões. O peso da Ásia é esmagador nesta geografia. Na Europa, um polo financeiro global, a Suíça, e um exportador líquido, a Noruega.
Convém referir que o Japão é o país com a maior dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), com um nível superior a 220%, mas essa dívida de 11,6 biliões de dólares (11600 mil milhões) é em 90% detida por japoneses (bancos, empresas e aforradores locais).
A lista dos maiores devedores, em termos líquidos, é encabeçada pelos Estados Unidos, com um saldo negativo de mais de 3 biliões de dólares, como se fosse a imagem invertida do Japão. O que representa 21% do PIB norte-americano. Em segundo lugar, surge a Espanha com um saldo negativo de 1,2 biliões, o que representa 91% do PIB espanhol. Nas posições seguintes, abaixo de 800 mil milhões, estão Austrália, Brasil, Itália, Reino Unido, México, Grécia, França e Polónia.
Sáb 24 Dez 2011
Mariano Rajoy teve uma prenda no dia de tomada de posse em Madrid. O Tesouro espanhol arrecadou mais de €5,6 mil milhões a curtíssimo prazo, a taxas muito baixas. A Grécia colocou €1,3 mil milhões com prazos a 13 semanas a taxa muito baixa. Mas estes “milagres” têm uma mão “invisível” por detrás.
O Tesouro Público espanhol acabou de colocar uma emissão de dívida a 3 e a 6 meses num total de mais de €5,6 mil milhões, muito acima do limite máximo previsto que era de €4,5 mil milhões. A 3 meses a procura foi de quase 3 vezes mais o adjudicado e a 6 meses foi de mais de 4 vezes.
Mais significativo, ainda, o facto de as taxas médias de remuneração pagas terem baixado espetacularmente em relação à operação similar anterior. A 3 meses, o Tesouro em Madrid pagou uma taxa de juro de 2,453% arrecadando €3,72 mil milhões; na última operação similar pagara 5,227%. A 6 meses, pagou 1,735% para arrecadar €1,92 mil milhões; na última operação similar pagara 5,11%. Deste modo, a rentabilidade média caiu 66% nos bilhetes a três meses e 53,4% nos a seis meses. Um alívio nos encargos.
Foi a última operação do Tesouro espanhol em 2011.
Em Atenas, o Tesouro colocou €1,3 mil milhões num prazo de 13 semanas com um juro de 4,68% e um procura quase 3 vezes superior ao adjudicado.
A “mão invisível” por detrás dos “milagres”
Muitos analistas se têm interrogado sobre o sucesso das últimas colocações de dívida – na semana passada tinham sido na Itália, Espanha e Grécia.
O “milagre” tem a ver, segundo vários analistas, com a expetativa da nova “bazuca” do Banco Central Europeu, a nova linha de operações de financiamento de prazo mais longo (conhecida pelo acrónimo em inglês LTRO) que alargou o prazo de 1 para 3 anos. O primeiro leilão será esta semana, na quarta-feira. Os bancos estariam a jogar por antecipação.
O governador do Banco de França (o banco central do hexágono), Christian Noyer, anteviu, logo, que tal linha seria útil para reanimar as emissões de dívida soberana na zona euro. O próprio presidente Nicolas Sarkozy o sugeriu em Bruxelas ao dizer: “Cada estado pode virar-se para os seus bancos, que terão liquidez à sua disposição”. Noyer tinha mesmo apelidado a nova linha de LTRO como “a nossa bazuca”.
Numa entrevista segunda-feira ao Financial Times, o próprio presidente do BCE, questionado sobre se a nova linha daria aos bancos da zona euro incentivos para comprar títulos soberanos dos países periféricos, respondeu que “não necessariamente”. Mas logo acrescentou: “[Os bancos] depois decidirão o melhor uso dos fundos”. E, mais adiante: “Regressando ao assunto sobre o que os bancos irão fazer com esse dinheiro: não sabemos exatamente. O importante é aliviar as pressões de financiamento. Os bancos decidirão, com total independência, o que pretendem fazer, dependendo de qual é a melhor combinação de risco com retorno para o seu negócio. Uma das coisas que poderão fazer é comprar dívida soberana. Mas é apenas uma das coisas”.
Página Seguinte »