Na sua primeira conferência de imprensa como presidente do Banco Central Europeu, Draghi admitiu que a economia da zona euro poderá caminhar para uma “recessão suave pelo final do ano”. Mas não crê que haja perigo de deflação.

Em resposta a uma pergunta dos jornalistas, Mario Draghi, o novo presidente do Banco Central Europeu (BCE), admitiu que a zona euro poderá caminhar para uma “recessão suave” pelo final do ano.

Draghi referiu que a análise realizada nesta reunião do conselho de governadores do sistema de bancos centrais da zona euro apontou para a observação do “enfraquecimento de várias componentes da procura agregada” e repetiu, diversas vezes, a ideia de que há um “enfraquecimento do ciclo de negócios”.

No entanto, sublinhou que não espera que ocorra uma situação de deflação.

O BCE decidiu a 3 de novembro alterar a estratégia seguida ultimamente por Jean-Claude Trichet, o anterior presidente que terminou o mandato, e proceder a um corte de 25 pontos base nas taxas de referência, que entrará em vigor a partir de 9 de novembro. A nova taxa de juros para as operações de refinanciamento (fixed rate) baixou de 1,5% para 1,25%.

Sobre a crise da divida soberana na zona euro – e apesar de reafirmar a utilização sempre que necessário do programa de compra de títulos (conhecido por SMP) soberanos dos países membros da zona euro em apuros – repetiu que o BCE “não é o emprestador de último recurso dos governos”, contra a opinião de muitos economistas e analistas que exigem que o banco central europeu assuma esse papel à americana. O SMP deve ter estado muito activo durante a hora da conferência de imprensa e depois até ao fecho do mercado da dívida. A tendência matinal de disparo das yields dos títulos soberanos de vários países europeus inverteu-se.

Probabilidade disparou de 10% para 50%

Yves Mersh, o governador do banco central do Luxemburgo, foi ainda mais explícito do que Draghi ao afirmar que a probabilidade de recessão subiu para 50%. À rádio luxemburguesa RTL afirmou: “O que há uns meses considerávamos uma probabilidade inferior a 10%, nomeadamente que poderíamos ter uma recaída na recessão com crescimento negativo durante mais de um trimestre, subiu, entretanto, para cerca de 50%”.