Em alinhamento com a decisão da Moody’s de 5 de julho passado, a agência de notação de um grupo financeiro francês decidiu baixar o rating da dívida portuguesa para BB+ e com previsão negativa de revisão futura. Apenas a Standard & Poor’s mantém a classificação de BBB-, acima de “junk status”.

A nota de BB+ é a primeira no patamar de “lixo” da escala da Fitch. A Moody’s atribuiu, em julho, a Portugal uma classificação de Ba2 que é um degrau abaixo do BB+ da Fitch.

Acto I: impacto matinal em dia de greve geral convocada pelas duas centrais sindicais do país. As yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português dispararam logo após o anúncio do corte de rating da dívida portuguesa pela agência de notação Fitch.

Ao final da manhã, segundo dados da Bloomberg, os juros das OT a 2 e a 3 anos dispararam mais de 10% e os juros das relativas a 5 e a 10 anos subiram acima do valor de fecho de ontem.

O prémio de risco em relação aos juros dos Bunds, os títulos alemães, a 10 anos, subiu para 934 pontos base (spread em 9,34 pontos percentuais) , apesar dos juros alemães estarem em disparo também.

Apenas Portugal, Grécia, Irlanda e Bélgica revelam hoje pela manhã um agravamento do prémio de risco, mesmo com aumento significativo dos juros dos Bunds, que servem de referência na zona euro.

Acto II: fecho. O prémio de risco (spread, diferença) para as obrigações do Tesouro subiu para mais de 10 pontos percentuais em relação aos Bunds alemães no prazo de 10 anos. 1002 pontos base separam, agora, as yields das OT dos Bunds.

As yields das OT a 2, a 3 e a 5 anos subiram mais de 10% ao longo do dia no mercado secundário, um disparo que já não se observava há muito tempo. E a probabilidade de incumprimento da dívida voltou a subir acima de 60%, com a barreira dos 1100 pontos base ultrapassada no preço dos credit default swaps.