Qua 30 Nov 2011
28 de novembro: leilões com juros elevados — diário de bordo 458
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , crise1 comentário
Acto I: A meio da manhã de segunda-feira (28 de novembro), as yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português e dos títulos soberanos gregos continuavam a subir no mercado secundário. O que contrasta com o que está a acontecer para os juros das dívidas soberanas dos restantes cinco países da zona euro que estiveram sob maior stresse na semana passada: Itália, Espanha, Bélgica, Áustria e França.
As yields das OT estão a subir nas maturidades a 2, a 3, a 5 e a 10 anos. Nas maturidades a 2 e a 3 anos continuam a subir no patamar dos 18% e no caso das maturidades a 10 anos subiram de 12,64% no fecho na sexta-feira para 13,30%, a meio da manhã, segundo dados da Bloomberg.
O prémio de risco (spread) para as OT a 10 anos subiu para quase 11 pontos percentuais em relação aos juros dos Bunds, os títulos alemães.
Um detalhe do “comentário especial” de hoje da agência de notação Moody’s de que um dos cenários poderá ser “um ou mais incumprimentos em países da zona euro”, para além do programa de negociação da dívida com os credores privados no caso da Grécia, não deve ter passado despercebido aos investidores internacionais.
Também os juros dos títulos gregos estão a subir nos prazos a 12 meses, a 2 anos, a 3 anos e a 10 anos. Apesar de ziguezagues nas curvas das yields, poderão ser atingidos hoje novos máximos históricos desde que o dracma (a anterior moeda) foi substituído pelo euro em janeiro de 2002.
Os fatores de incerteza são vários. Continua em aberto como terminará a negociação entre Atenas e os credores privados da dívida soberana em termos da dimensão do “corte-de-cabelo” que será aplicado no valor fácil dos títulos que irão ser trocados. E os investidores souberam este fim de semana que um dos maiores brokers mundiais, a ICAP Plc, decidiu preparar as suas plataformas eletrónicas para um regresso da Grécia ao dracma. Como medida de precaução. Caso haja uma reviravolta de um momento para o outro.
Acto II: Leilões de dívida em Itália e Bélgica com juros elevados. A Itália colocou menos do que o desejado aceitando pagar 7,3% de juros e a Bélgica adjudicou o pretendido com juros acima de 5%
Estes foram os dois primeiros leilões de dívida soberana da semana na zona euro.
O Departamento do Tesouro italiano adjudicou hoje de manhã €567,1 milhões em títulos a 15 anos, aceitando pagar uma taxa média de remuneração de 7,3%. Ligeiramente abaixo dos 7,432% que corriam no mercado secundário, durante a manhã. O montante adjudicado ficou na parte inferior do intervalo de emissão, que era entre 500 e 750 milhões de euros.
Por seu lado, a Agência da Dívida federal belga conseguiu recolher os €2 mil milhões pretendidos, mas teve de pagar mais de 5% de taxa média nas diversas emissões a longo e muito longo prazo. A taxa mais baixa foi de 5,462% na emissão de obrigações a 7 anos e a máxima, de 5,784%, nas obrigações a 30 anos.
Acto III: O prémio de risco da dívida portuguesa a 10 anos fixou hoje, no valor de fecho, um novo máximo desde a adesão do país ao euro.
O spread (diferença) entre as yields (juros) das obrigações do Tesouro português e as yields dos Bunds, os títulos alemães, no prazo a 10 anos, que servem de referência na zona euro, fechou em 11,15 pontos percentuais (ou 1115 pontos base). Este prémio de risco disparou à tarde, tendo tido uma variação diária de 7,5%. O máximo anterior, atingido em 11 de julho, era de 10,70 pontos percentuais.
A situação é tanto mais preocupante quanto os juros dos Bunds a 10 anos aumentaram hoje.
A tendência portuguesa contrasta com os prémios de risco para as dívidas de Itália, Espanha, Bélgica, França e Áustria no mesmo prazo, que desceram hoje, em particular no caso dos três últimos países do “centro” da zona euro.
Juros a 10 anos em máximo de 13,45%
Também as yields das obrigações do Tesouro a 10 anos atingiram hoje um novo máximo desde a adesão ao euro, fechando em 13,45%. O anterior máximo estava em 13,38%, atingido em 11 de julho.
As yields das OT subiram em todas as maturidades. Excluindo as yields dos titulos gregos, que fixaram hoje novos máximos nas maturidades a 2, a 3 e a 10 anos, a tendência foi de descida nos países que têm estado sob maior stresse na zona euro nas últimas semanas – Irlanda, Itália, Espanha, Bélgica, Áustria e França.
O “comentário especial” da Moody’s sobre o risco de uma vaga de incumprimentos na zona euro acabou por ser “lido” de duas formas bem distintas pelos investidores internacionais.
Novembro 30th, 2011 at 13:04
Infelizmente, será um movimento de não retorno.
As disponibilidades financeiras mundiais estão em défice quando comparadas com as necessidades de financiamento dos défices e refinanciamento das dívidas.
http://notaslivres.blogspot.com/2011/11/feef-tera-dificuldades-em-se-financiar.html