Novembro 2011


Acto I: A meio da manhã de segunda-feira (28 de novembro), as yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português e dos títulos soberanos gregos continuavam a subir no mercado secundário. O que contrasta com o que está a acontecer para os juros das dívidas soberanas dos restantes cinco países da zona euro que estiveram sob maior stresse na semana passada: Itália, Espanha, Bélgica, Áustria e França.

As yields das OT estão a subir nas maturidades a 2, a 3, a 5 e a 10 anos. Nas maturidades a 2 e a 3 anos continuam a subir no patamar dos 18% e no caso das maturidades a 10 anos subiram de 12,64% no fecho na sexta-feira para 13,30%, a meio da manhã, segundo dados da Bloomberg.

O prémio de risco (spread) para as OT a 10 anos subiu para quase 11 pontos percentuais em relação aos juros dos Bunds, os títulos alemães.

Um detalhe do “comentário especial” de hoje da agência de notação Moody’s de que um dos cenários poderá ser “um ou mais incumprimentos em países da zona euro”, para além do programa de negociação da dívida com os credores privados no caso da Grécia, não deve ter passado despercebido aos investidores internacionais.

Também os juros dos títulos gregos estão a subir nos prazos a 12 meses, a 2 anos, a 3 anos e a 10 anos. Apesar de ziguezagues nas curvas das yields, poderão ser atingidos hoje novos máximos históricos desde que o dracma (a anterior moeda) foi substituído pelo euro em janeiro de 2002.

Os fatores de incerteza são vários. Continua em aberto como terminará a negociação entre Atenas e os credores privados da dívida soberana em termos da dimensão do “corte-de-cabelo” que será aplicado no valor fácil dos títulos que irão ser trocados. E os investidores souberam este fim de semana que um dos maiores brokers mundiais, a ICAP Plc, decidiu preparar as suas plataformas eletrónicas para um regresso da Grécia ao dracma. Como medida de precaução. Caso haja uma reviravolta de um momento para o outro.

Acto II: Leilões de dívida em Itália e Bélgica com juros elevados. A Itália colocou menos do que o desejado aceitando pagar 7,3% de juros e a Bélgica adjudicou o pretendido com juros acima de 5%

Estes foram os dois primeiros leilões de dívida soberana da semana na zona euro.

O Departamento do Tesouro italiano adjudicou hoje de manhã €567,1 milhões em títulos a 15 anos, aceitando pagar uma taxa média de remuneração de 7,3%. Ligeiramente abaixo dos 7,432% que corriam no mercado secundário, durante a manhã. O montante adjudicado ficou na parte inferior do intervalo de emissão, que era entre 500 e 750 milhões de euros.

Por seu lado, a Agência da Dívida federal belga conseguiu recolher os €2 mil milhões pretendidos, mas teve de pagar mais de 5% de taxa média nas diversas emissões a longo e muito longo prazo. A taxa mais baixa foi de 5,462% na emissão de obrigações a 7 anos e a máxima, de 5,784%, nas obrigações a 30 anos.

Acto III: O prémio de risco da dívida portuguesa a 10 anos fixou hoje, no valor de fecho, um novo máximo desde a adesão do país ao euro.

O spread (diferença) entre as yields (juros) das obrigações do Tesouro português e as yields dos Bunds, os títulos alemães, no prazo a 10 anos, que servem de referência na zona euro, fechou em 11,15 pontos percentuais (ou 1115 pontos base). Este prémio de risco disparou à tarde, tendo tido uma variação diária de 7,5%. O máximo anterior, atingido em 11 de julho, era de 10,70 pontos percentuais.

A situação é tanto mais preocupante quanto os juros dos Bunds a 10 anos aumentaram hoje.

A tendência portuguesa contrasta com os prémios de risco para as dívidas de Itália, Espanha, Bélgica, França e Áustria no mesmo prazo, que desceram hoje, em particular no caso dos três últimos países do “centro” da zona euro.

Juros a 10 anos em máximo de 13,45%

Também as yields das obrigações do Tesouro a 10 anos atingiram hoje um novo máximo desde a adesão ao euro, fechando em 13,45%. O anterior máximo estava em 13,38%, atingido em 11 de julho.

As yields das OT subiram em todas as maturidades. Excluindo as yields dos titulos gregos, que fixaram hoje novos máximos nas maturidades a 2, a 3 e a 10 anos, a tendência foi de descida nos países que têm estado sob maior stresse na zona euro nas últimas semanas – Irlanda, Itália, Espanha, Bélgica, Áustria e França.

O “comentário especial” da Moody’s sobre o risco de uma vaga de incumprimentos na zona euro acabou por ser “lido” de duas formas bem distintas pelos investidores internacionais.

Depois do “comentário especial” da agência de notação Moody’s de hoje de manhã, admitindo um cenário de “incumprimentos múltiplos” na zona euro, os leilões de dívida soberana que vão ocorrer esta semana em quatro países importantes da zona euro vão ser escrutinados ao pormenor.

A Bélgica emite hoje 1 a 2,5 mil milhões de euros em títulos de 7 a 30 anos. O país entretanto conseguiu este fim de semana um entendimento partidário para um orçamento para 2012, o que abre caminho à formação, finalmente, de um governo em função dos resultados das últimas eleições legislativas, que decorreram no verão do ano passado. O negociador, Elio de Rupo, declarou que o país poderá ter governo até ao próximo fim de semana.

O Departamento do Tesouro italiano lança hoje uma emissão de pequeno montante, mas o grande teste vai ser amanhã, com uma emissão até €13 mil milhões em títulos a 3, 9 e 10 anos.

Na quinta-feira será a vez de Espanha e da França. O Tesouro público espanhol vai emitir 3 a 4 mil milhões de euros e o Tesouro francês €4,5 mil milhões.

Hoje decorre a cimeira entre Estados Unidos e União Europeia e amanhã reúne o Eurogrupo, que abarca todos os ministros das Finanças dos 17 membros da zona euro, a que se seguirá um Ecofin (reunião dos ministros das Finanças dos 27 membros da UE).

FMI prepara “pacotão” de €600 mil milhões para Itália

Christine Lagarde, a diretora-geral do fundo, está disposta a dar uma “almofada” de liquidez de 18 meses a Mario Monti, segundo o jornal La Stampa. Linkiesta, por seu lado, fala de €300 mil milhõe. Porta-voz do Fundo desmentiu.

A “bomba” caiu em Roma com a manchete do La Stampa deste domingo. Segundo o correspondente em Nova Iorque do jornal italiano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria a preparar um “pacotão” para Itália que poderia ir até €600 mil milhões de empréstimos.

O jornal online Linkiesta, no entanto, já a 11 de novembro havia citado uma fonte confidencial do FMI referindo a possibilidade de uma linha de crédito de €300 mil milhões. Fabrizio Goria, editor do Linkiesta, acha o número de €600 mil milhões “excessivamente alto”, como nos refere.

Entretanto, um porta-voz do FMI afirma segunda-feira (28 de novembro) que “nao há discussões com as autoridades italianas sobre um programa de financiamento por parte do FMI”.

A lógica por detrás daquela eventual emergência – num patamar de 300 ou de 600 mil milhões – é evitar que a Itália, a terceira maior economia da zona euro, um verdadeiro país TBTF (demasiado grande para falir, no acrónimo em inglês para too big to fail), entre na mesma dinâmica de outros companheiros do “Sul”, já com planos de resgate em curso ou até adicionais.

O objetivo seria permitir ao novo governo italiano de iniciativa presidencial, chefiado por Mario Monti, uma “almofada” de liquidez durante 18 meses que o coloque ao abrigo da pressão especulativa dos mercados da dívida. O juro seria de 4 a 5%.

Um montante de 600 mil milhões – o limite máximo referido – é quase o dobro do montante comprometido com os pacotes de resgate à Grécia (incluindo o adicional, já aprovado em julho deste ano), Irlanda e Portugal, descontando a parcela de financiamento interno na Irlanda e uma parte a negociar com os credores privados no caso da reestruturação da dívida grega.

Pressão especulativa muito elevada

Recorde-se que, na semana que findou, o prémio de risco para a dívida italiana a 10 anos fechou em 5 pontos percentuais acima dos juros para os Bunds, os títulos alemães. E que, apesar da intervenção do Banco Central Europeu no mercado secundário comprando sistematicamente dívida italiana, todas as maturidades dos BTP (os títulos do Tesouro italiano plurianuais) de 2 anos até 10 anos fecharam acima do limiar crítico dos 7%. Em alguns casos já perto dos 8%. O próprio leilão de dívida a 2 anos da semana passada levou o Departamento do Tesouro a aceitar pagar uma taxa de remuneração média de 7,814%, contra 4,628% anteriormente.

Durante esse ano e meio, Itália teria de implementar as reformas anteriormente acordadas pelo ex-primeiro-ministro Berlusconi com a União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE), e tentar reganhar a credibilidade junto dos investidores internacionais.

O FMI, no entanto, teria este plano de emergência, como último recurso. Espera que a cimeira de 9 de dezembro dê sinais claros do que a União Europeia pretende fazer. Ou que os mercados da dívida, nas próximas semanas, deem visto positivo ao programa de Monti que será apresentado no dia 5 de dezembro, ainda antes da cimeira europeia de dia 9.

Também, a via de montar este “pacotão” não é clara. Alguns referem o possível uso da recente linha de liquidez lançada pelo Fundo (conhecida por PLL, precautionary and liquidity line, em inglês). Ou uma operação coordenada com o BCE, presidido atualmente por outro italiano, outro súper Mario, Mario Draghi.

Grécia, Portugal, Irlanda e Hungria são os quatro países com níveis de juros da dívida mais elevados na União Europeia que estão classificados por algumas agências de rating como tendo dívida soberana especulativa ou, então, com risco de default inevitável.

A passada semana foi marcada pelas decisões de duas agências de rating ao baixarem as dívidas portuguesa e húngara para o patamar especulativo, vulgarmente conhecido como “lixo” (junk status, na designação em inglês).

Contudo, ainda não há unanimidade entre as três maiores agências de notação, pois a Standard & Poor’s (S&P) continua a considerar Portugal, Irlanda e Hungria como estando fora do nível de “lixo”, ainda que já as classifique como acarretando algum risco de incumprimento, no patamar das notações de BBB. Também a Fitch ainda não considera a Irlanda e a Hungria no patamar de “lixo”.

A classificação técnica de junk status não é pejorativa, como é commumente interpretada. Significa que aqueles títulos têm um nível especulativo com muita probabilidade de risco de default (incumprimento). Quem os tomar sabe os riscos de perdas elevadas que corre, por isso exige yields (juros da dívida) elevadas.

Risco de vaga de incumprimentos múltiplos

O nível de muita probabilidade de default para “decretar” a descida para “lixo” tem variado. Por exemplo, quando a Moody’s publicou o corte de notação da dívida portuguesa para o estatuto de especulativa, a 5 de julho deste ano, a probabilidade de incumprimento abriu perto de 48%. Mas no caso da Irlanda, a 12 de julho, o risco abriu perto de 60%. E no caso do corte recente para a Hungria, a 24 de novembro, o risco abriu perto de 34%, e era inferior inclusive ao atribuído à Itália.

Entretanto, a agência de notação Moody’s veio referir, num “comentário especial” a 28 de novembro, que não é negligenciável “a probabilidade de múltiplos incumprimentos” (para além do programa de envolvimento dos credores privados na Grécia) na zona euro. O que poderá acarratar o corte de mais notações de dívida para o nível especulativo. Termina sublinhando que “toda a arquitetura das notações dadas pela Moody’s dentro da zona euro, e possivelmente dentro da União Europeia, terá de ser revisitada”, um reposicionamento que concluirá durante o primeiro trimestre de 2012.

Dívida da Grécia – com risco de default inevitável

As três maiores agências de notação coincidem na mesma opinião. O nível atribuído à divida helénica é CCC. Este triplo C, significa default inevitável.

Desde a cimeira europeia de aprovação de um segundo pacote de resgate a Atenas, que incluía, pela primeira vez, uma disposição de envolvimento dos credores privados (o que, então, se designou pelo acrónimo PSI), têm surgido vários palpites sobre quando o risco poderá passar de eminente, muito elevado (tem estado acima de 90%), a iminente, ou próximo.

As yields (juros) dos títulos gregos a 10 anos estão em quase 30% no mercado secundário.

É, por ora, o primeiro país europeu em processo de reestruturação formal da dívida soberana, ainda que parcial, decorrendo negociações com os credores privados. O início deste processo de negociação com o IIF (o lóbi bancário mundial) começou com um objetivo de 21% de “corte de cabelo” da dívida.

Segundo o jornal grego Kathimerini, a Grécia está a propor aos credores privados um corte de cabelo de 50% com uma troca de títulos em que os novos emitidos corresponderiam a 35% do valor original, com um pagamento de 15%. O valor do cupão dos novos títulos seria entre 4,5% e 5%. Em termos de valor líquido atual (net present value, NPV), isso equivaleria a 70% de perdas para os bancos. Os credores privados aceitam os 50% de corte de cabelo, mas querem as suas perdas reduzidas a 52-54%.

Dívida de Portugal – entre o “lixo” e o quase

Neste momento, a Moody’s e a Fitch consideram a dívida portuguesa como especulativa. A primeira agência desceu a notação de Portugal para Ba2 em 5 de julho e a segunda cortou para BB+ esta semana, a 24 de novembro.

O nível atribuído pela Moody’s é pior do que o decidido pela Fitch. Apenas a S&P continua a classificar a dívida portuguesa em BBB-, a um degrau de “lixo”.

Os juros das obrigações do Tesouro a 10 anos estão em 12,50%.

Dívida da Irlanda – só a Moody’s a considera “lixo”

O ex-Tigre Celta ainda escapa ao estatuto de dívida especulativa, segundo a Fitch e a S&P, que o classificam em BBB+, três níveis acima de “lixo”.

A Moody’s desclassificou, a 12 de julho deste ano, a dívida irlandesa para Ba1, o primeiro nível de “lixo”, acima, no entanto, da classificação da dívida portuguesa.

Os juros dos títulos irlandeses a 9 anos estão em 9,6%. Os a 10 anos não têm sido negociados desde 11 de outubro quando fecharam em 8,21%.

Dívida da Hungria – só a Moody’s a considera “lixo”

Na semana em que Budapeste pediu apoio financeiro ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia, a Moody’s tomou a iniciativa de baixar a notação da Hungria para o nível especulativo de Ba1, o mesmo atribuído à Irlanda, e melhor do que o de Portugal.

Os juros dos títulos húngaros a 10 anos estão em 9,56%.

Apesar da classificação como dívida especulativa, a probabilidade de incumprimento da dívida húngara, atribuída pela CMA DataVision, é inferior, atualmente, à da Itália.

Acto I – matinal: O fogo voltou a pegar no mercado secundário da dívida de Itália, Espanha, Bélgica e França. As yields dos títulos soberanos destes 4 países estão a subir em todas as maturidades. Escapa, hoje, na abertura, a Áustria.

O mesmo padrão se reflecte no prémio de risco para aqueles quatro países da zona euro.

O spread (diferença) em relação às yields dos Bunds, os títulos alemães, que servem de referência, aumentou, de novo para os quatro. No caso de Itália, o spread abriu em 498 pontos base (perto do limiar crítico dos 500) e no de Espanha em 447 pontos base. A meio da manhã, o prémio de risco no caso do financiamento da dívida italiana a 10 anos já tinha ultrapassado a linha vermelha dos 500 pontos base.
Juros italianos atingem novos máximos históricos

Hoje durante a manhã, o Departamento do Tesouro italiano realiza um leilão de dívida com o objetivo de mobilizar €10 mil milhões, cujos resultados em termos de adjudicação final e de taxa média de remuneração têm os analistas suspensos.

Os BTP (títulos do Tesouro plurianuais) italianos abriram hoje com juros acima de 7% em todas as maturidades e estão a fixar novos máximos desde a criação do euro. Segundo traders, o Banco Central Europeu estaria a intervir no mercado secundário, procurando inverter esta situação.

O ensaio ontem em Estrasburgo de um G3 da zona euro, puxando a Itália – agora sem Berlusconi – para um diretório das três maiores economias da zona euro, “trazendo a Itália para o seu lugar à mesa dos grandes”, como dizia ontem o jornal francês Le Figaro, não teve impacto positivo nos mercados da dívida.

O adiamento de compromissos para a cimeira europeia de 9 de dezembro apenas dá mais gás à vaga especulativa que continua a explorar as fraquezas da zona euro.

Acto II: Itália paga caro leilão de dívida.

O leilão de dívida italiana realizado pelo Departamento do Tesouro em Roma conseguiu o objetivo de mobilização de €10 mil milhões, mas implicou juros significativamente mais elevados do que no leilão anterior.

A taxa média bruta de remuneração dos titulos a 6 meses (BOT) foi de 6,504% hoje, contra 3,535% no leilão anterior, e de 7,814% nos títulos a 2 anos (CTZ, cupão zero), contra 4,628% anteriormente. Neste último caso, a taxa foi inclusive superior à yield no mercado secundário, que estava em 7,74% a meio da manhã, e que, entretanto, subiu para 7.87%. Um total de 8 mil milhões foi adjudicado nas letras a 6 meses e 2 mil milhões nos títulos a 2 anos.

Segundo a agência de informação financeira Markit, os investidores nacionais ocorreram ao leilão, como habitualmente fazem.

O prémio de risco da divida italiana continua acima de 500 pontos base e as yields dos BTP nas maturidades a 2, a 3 e a 5 anos continuam acima de 7,5% e estão em 7,33% no caso dos prazos a 10 anos.

BTP-day: apelo aos italianos para comprarem títulos

As expetativas deslocam-se, agora, para os leilões de dívida de 29 de novembro e 13 de dezembro.

Foi, entretanto, lançada por um italiano no jornal Corriere della Sera uma iniciativa de mobilização dos italianos para as emissões de dívida de médio e longo prazo que já foi batizada de “BTP-day”. O apelo acabou por ser apoiado pela ABI, Associação de Bancos Italianos, que não aplicará comissões na aquisição de títulos nas emissões referidas.

Acto III: S&P e Futch cortam rating da Bélgica.

Com o intervalo apenas de dez minutos, duas agências de notação cortaram o rating da Bélgica, do nível AA+ (onde está classificado o rating dos Estados Unidos, desde o corte de agosto) para AA, o nível imediatamente abaixo.

A Bélgica, sem novo governo desde as eleições do verão passado, tem estado sob stresse nos mercados da dívida, como temos sublinhado.

As yields (juros) da dívida belga no mercado secundário fecharam hoje acima de 5% em todas as maturidades. No prazo a 10 anos, fechou em 5,86%.

O risco de incumprimento tem vindo a subir, tendo hoje chegado a mais de 30%, com o custo dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de incumprimento) a subir acima dos 400 pontos base.

O prémio de risco em relação aos juros dos títulos alemães a 10 anos subiu hoje para 360 pontos base. O financiamento da dívida belga de longo prazo custa mais 3,6 pontos percentuais do que o financiamento da dívida alemã; subiu ao longo desta semana 1 ponto percentual.

Bélgica em alerta amarelo

Se se analisar a evolução da degradação da dívida belga ao longo desta semana, verifica-se que os juros a 5 e a 10 anos dos títulos belgas subiram 1 ponto percentual no mercado secundário. A probabilidade de incumprimento subiu 15 pontos percentuais, do patamar dos 25% para os 30%. O preço dos cds passou do patamar dos 300 para os 400 pontos base, o que aconteceu pela primeira vez.

Para a semana, já na 2ª feira, o Tesouro belga lança um leilão de dívida de longo prazo onde pretende emitir 1 a 2 mil milhões de euros em títulos de 7 a 30 anos.

A Bélgica surge numa zona de alerta amarelo, num estudo publicado na edição impressa do Expresso de amanhã sobre os próximos países em risco na zona euro, depois dos resgates da Grécia, Irlanda e Portugal, e da monitorização trimestral de Itália pelo FMI e UE.

No vermelho estão já, além de Itália, a Espanha (segundo a Reuters em despacho de hoje, Mariano Rajoy, o futuro presidente do governo, estaria a estudar opções de “ajuda externa”), França e Chipre. A Bélgica tem por companheiras a Áustria e a Eslovénia. Fora da zona euro, esta semana soube-se que a Hungria pediu assistência financeira ao FMI e à UE.

Acto IV: Portugal regressou ao disparo nos juros da dívida.

Depois de uma abertura em baixa, as yields (juros) das obrigações do Tesouro português (OT) voltaram a subir significativamente no mercado secundário.

No caso das OT a 2 e a 3 anos saltaram do patamar dos 16% para os 18%, à hora de almoço, com os juros a 2 anos em 18,34% e os juros a 3 anos em 18,30%, segundo dados da Bloomberg. Fecharam em 18,11% e 18,05% respetivamente, abaixo do pico do dia.

A mesma subida de patamar ocorreu com os juros das OT a 5 anos que passaram do patamar dos 15% para os 16%, fechando em 16,32%. Os juros das OT a 10 anos subiram de 12,14%, na abertura, para 12,64%, no fecho.

Todos estes valores estão acima dos valores de ontem quando ocorreu o corte de notação pela agência Fitch que colocou a dívida portuguesa num nível “lixo” (ou seja, caracterizada como especulativa, com elevada vulnerabilidade ao risco de incumprimento).

Risco acima de 61%

A probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa continuou hoje a rota de agravamento iniciada ontem, com o preço dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de default) a subir à hora de almoço para 1129,73 pontos base, com um risco de 61,23%. Ao final da tarde subiram para 1133,15 pontos base e 61,34% respetivamente. Em termos de comparação, no final da semana passada, o preço dos cds era de 1057,53 pontos basee o risco de default estava em 59,16%.

O prémio de risco (spread) em relação à dívida alemã abriu em 995 pontos base e estava à hora de almoço em 1006 pontos base, ou seja 10,06 pontos percentuais acima da referência das yields dos Bunds alemães. Fechou em 1038 pontos base.

Portugal conserva o 2º lugar no “clube da bancarrota” (o TOP 10 dos países com mais elevada probabilidade de incumprimento da sua dívida soberana), que é liderado pela Grécia.

Acto V: Foi mais uma semana negra nas bolsas mundiais. Poderia ter sido pior se não tivesse ocorrido um feriado em Wall Street pelo dia de Ação de Graças na quinta-feira. O “urso” das bolsas “limpou” €1,81 biliões (€1810 mil milhões, o equivalente a 15% do PIB da União Europeia em 2010, aproximadamente o PIB da França nesse ano). Na semana anterior tinha “limpado” €1,45 biliões.

Entre o fecho da bolsa dia 18 de novembro e o fecho ontem (25 de novembro), o índice mundial de bolsas (o MSCI AC World Index) caiu 5,2%, e a capitalização bolsista do sector financeiro (o índice MSCI ACWI Financials) quebrou 6%, segundo dados da Bloomberg.

Bolsa alemã a que mais caiu

Pela segunda semana consecutiva, as 8 bolsas mais importantes seguidas pelo analista Doug Short (em dshort.com) estiveram em terreno negativo. As maiores perdas, de 5,3%, ocorreram no índice DAX da bolsa alemã, e as menores no índice da bolsa de Xangai, que caiu 1,5%. O índice de Wall Street, S&P 500, acumulou a segunda maior queda, de 4,69% (no entanto há que ter em conta que houve um dia feriado), logo seguido pelo CAC 40 da bolsa francesa, com 4,67%. Ainda com uma queda acima de 4% o índice Hang Seng, da bolsa de Hong Kong, com 4,34%, e o da bolsa de Mumbai, o BSE Sensex, com 4,13%. Piores do que Xangai estiveram o índice FTSE 100, da bolsa londrina, com uma queda de 3,70%, e o Nikkei 225, da bolsa de Tóquio, com uma quebra de 2,57%. Verifica-se que Londres e a Ásia resistiram mais à derrocada.

As quebras durante a semana que agora findou foram motivadas sobretudo pela reação dos investidores internacionais a três fiascos – o fracasso do súper comité do Congresso norte-americano para a redução da dívida e do défice federal, o balde de agua fria do leilão de dívida na Alemanha (que levou o Bundesbank, banco central germânico, a ter de tomar 40% do montante adjudicado), e mais um adiamento de compromissos para 9 de dezembro (cimeira europeia), patente na mini-cimeira de Estrasburgo do novo G3 europeu (Alemanha, França e Itália).

Desde o final do mês de Outubro, a capitalização das bolsas em todo o mundo perdeu 10% e o sector financeiro 15%. As perdas das bolsas mundiais durante este mês, até à data, já somam €3,8 biliões (€3800 mil milhões, ou 5 triliões de dólares na designação americana).

No dia em que a Itália é “reintegrada” no G3 das principais economias da zona euro pelo convite do presidente francês Sarkozy e da chanceler alemã Angela Merkel ao primeiro-ministro italiano Mario Monti para uma mini-cimeira em Estrasburgo, a dívida italiana continua sob stresse.

Quinta-feira todas as yields (juros) dos BTP (títulos do Tesouro italiano plurianuais) estiveram acima da barreira crítica dos 7% no mercado secundário.

Ao final da manhã, os juros eram os seguintes: 7,07% para os BTP a 2 anos; 7,31% para os BTP a 3 anos; 7,29% para os BTP a 5 anos; e 7,02% para os BTP a 10 anos, segundo dados da Bloomberg.

O prémio de risco (spread) em relação aos juros dos Bunds, títulos alemães, e a probabilidade de incumprimento estão, no entanto, abaixo dos valores de fecho de ontem. O que advém do facto das yields dos Bunds estarem, hoje, de novo a disparar.

No fecho do dia, as yields dos BTP mantinham-se todas acima de 7%, com os seguintes valores: 7,32% a 2 anos; 7,43% a 3 anos; 7,53% a 5 anos; e 7,11% a 10 anos. O prémio de risco (spread em relação às yields dos Bunds alemães, que servem de referência na zona euro) subiu ao longo do dia de 481 pontos base para 491, no fecho.

Em alinhamento com a decisão da Moody’s de 5 de julho passado, a agência de notação de um grupo financeiro francês decidiu baixar o rating da dívida portuguesa para BB+ e com previsão negativa de revisão futura. Apenas a Standard & Poor’s mantém a classificação de BBB-, acima de “junk status”.

A nota de BB+ é a primeira no patamar de “lixo” da escala da Fitch. A Moody’s atribuiu, em julho, a Portugal uma classificação de Ba2 que é um degrau abaixo do BB+ da Fitch.

Acto I: impacto matinal em dia de greve geral convocada pelas duas centrais sindicais do país. As yields (juros) das obrigações do Tesouro (OT) português dispararam logo após o anúncio do corte de rating da dívida portuguesa pela agência de notação Fitch.

Ao final da manhã, segundo dados da Bloomberg, os juros das OT a 2 e a 3 anos dispararam mais de 10% e os juros das relativas a 5 e a 10 anos subiram acima do valor de fecho de ontem.

O prémio de risco em relação aos juros dos Bunds, os títulos alemães, a 10 anos, subiu para 934 pontos base (spread em 9,34 pontos percentuais) , apesar dos juros alemães estarem em disparo também.

Apenas Portugal, Grécia, Irlanda e Bélgica revelam hoje pela manhã um agravamento do prémio de risco, mesmo com aumento significativo dos juros dos Bunds, que servem de referência na zona euro.

Acto II: fecho. O prémio de risco (spread, diferença) para as obrigações do Tesouro subiu para mais de 10 pontos percentuais em relação aos Bunds alemães no prazo de 10 anos. 1002 pontos base separam, agora, as yields das OT dos Bunds.

As yields das OT a 2, a 3 e a 5 anos subiram mais de 10% ao longo do dia no mercado secundário, um disparo que já não se observava há muito tempo. E a probabilidade de incumprimento da dívida voltou a subir acima de 60%, com a barreira dos 1100 pontos base ultrapassada no preço dos credit default swaps.

O efeito do fiasco do leilão de dívida na Alemanha foi o fator perturbador das bolsas nesta quarta-feira. Segundo o índice MSCI AC World Index, a quebra foi de 2,22%, o que equivaleu a perdas de mais de €800 mil milhões na capitalização bolsista mundial.

Esta semana é o segundo fiasco que provoca uma derrocada bolsista. Na segunda-feira fora a antecipação do fracasso do súper comité do Congresso norte-americano, um facto político que implicou, nesse dia, €840 mil milhões de perdas nas bolsas mundiais.

O fiasco alemão foi interpretado pelos investidores internacionais como um ponto de encruzilhada. E o governador do Banco central da Áustria (um país que tem estado, também, sob ataque cerrado da vaga especulativa) disse que considerava o acontecimento “um sinal de alarme”.

A quebra acumulada nestes três dias já vai em 4,8%, um valor superior ao que se perdeu em toda a semana de 14 a 18 de novembro, quando se começou a perceber que a crise das dívidas soberanas estava a alastrar para o próprio “centro” da zona euro. Então, as perdas somaram €1,45 biliões (€1450 mil milhões, ou 1,45 triliões na designação americana); agora, em apenas três dias, já vão em €1,75 biliões (€1750 mil milhões, ou 1,75 triliões na designação americana).

Acto I: Os juros da dívida italiana fecharam hoje acima dos 7% nos prazos a 2, a 3 e a 5 anos. A 10 anos subiram para 6,97%. Investidores esperam leilão de dívida da próxima terça-feira, dia de reunião do Eurogrupo.

O agravamento da situação de crédito de Itália prossegue, apesar do “governo técnico” chefiado pelo independente Mário Monti e da intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário, segundo os traders.

As yields (juros) dos BTP (obrigações do Tesouro plurianuais) a 2, a 3 e a 5 anos fecharam esta quarta-feira acima de 7% no mercado secundário: 7,12% a 2 anos; 7,36% a 3 anos e 7,23% a 5 anos, segundo dados da Bloomberg. Estão, ainda, abaixo dos máximos atingidos no início de Novembro, mas teimam em não descer.

Os juros dos BTP a 10 anos estiveram, também, no limiar dos 7%, tendo fechado em 6,97%.

À espera do leilão de 3ª feira

Os investidores esperam o leilão de dívida da próxima terça-feira – por coincidência dia da reunião do Eurogrupo (reunião dos ministros das Finanças da zona euro) – em que o Departamento do Tesouro italiano colocará €17 mil milhões em BTP.

O prémio de risco (spread, diferença) em relação aos juros dos Bunds, os títulos alemães que servem de referência, esteve acima de 5 pontos percentuais (ou 500 pontos base, um limiar crítico), mas fechou em 4,82 pontos percentuais (ou 482 pontos base).

A subida significativa das yields dos Bunds a 10 anos que hoje ocorreu no mercado secundário encurtou aquela diferença, e o prémio de risco para a dívida italiana diminuiu, não por mérito próprio, mas por demérito alemão.

Risco italiano mais do que triplicou este ano

A probabilidade de incumprimento da dívida soberana italiana fechou em 38,23% (acima dos 37,67% de terça-feira) e o preço dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de incumprimento) ascendeu a 561,52 pontos base, um patamar em que o risco português estava no final do primeiro trimestre deste ano.

O risco de default de Itália mais do que triplicou desde o início do ano e o preço dos cds disparou 311% desde o final do quarto trimestre de 2010 e quase 400% desde o início de 2010, quando a Moody’s decretou a “morte lenta” dos dois primeiros países da zona euro (Grécia e Portugal).

A Itália conserva o 8º lugar no “clube da bancarrota” (o TOP 10 dos países de maior risco de default, segundo o monitor da CMA DataVision). Logo abaixo estão Espanha e Hungria, e acima estão Irlanda (6º), Portugal (2º) e Grécia (1º).

Acto II: A surpresa da tarde. O “bom aluno” hoje teve um sobressalto. Os juros da dívida irlandesa foram os que mais subiram hoje em toda a zona euro.

As yields (juros) dos títulos irlandeses dispararam em todas as maturidades na quarta-feira no mercado secundário. O “bom aluno” da troika teve um sobressalto. A situação do sistema bancário está de novo na ribalta. Os problemas irromperam hoje com o Banco da Irlanda (não confundir com o Banco central da Irlanda).

Os juros dos títulos a 2 anos aproximaram-se esta quarta-feira dos 10%, o que já não acontecia desde o princípio de agosto. A variação diária destas yields foi de mais de 19%. De 8,35% no fecho de terça-feira passaram para 9,96% no encerramento de hoje, segundo dados da Bloomberg.

Por outro lado, os juros dos títulos a 3 anos subiram quase 13% num só dia e situam-se, agora, em 9,60% (quando na terça-feira haviam fechado em 8,52%).

No caso dos juros dos títulos a 5 anos a subida diária foi de cerca de 12%, situando-se, hoje, no fecho, em 9,15%. Terça-feira haviam fechado em 8,18%.

Os juros dos títulos a 10 anos já não subiram hoje tanto, apenas 6% ao longo do dia, e fecharam em 8,8%.

A probabilidade de incumprimento da dívida do ex-Tigre Celta subiu de 46,17% para 46,41%, entre o fecho de terça-feira e de quarta-feira. A Irlanda mantém-se em 6º lugar no “clube da bancarrota” (o TOP 10 dos países com maior risco de default, segundo o monitor da CMA DataVision).

Entre os 10 países da zona euro marcados pela crise da dívida até à data, a Irlanda tem sido o país com um crescimento menor do custo dos credit default swaps ligados à sua dívida soberana desde o final do último trimestre de 2010. Um palmarés que poderá ser posto em causa.

Acto III: O “centro” na berlinda. Bélgica, França e Áustria continuaram quarta-feira a dinâmica de subidas diárias dos juros da dívida. Prémio de risco para Bélgica e Áustria continua em alta. Susto na Alemanha.

O padrão de agravamento da crise da dívida nas últimas semanas mantém-se.

Os três países do “centro” da zona euro – Bélgica, França e Áustria – continuaram esta quarta-feira com uma dinâmica de subida das yields (juros) dos títulos soberanos em todas as maturidades.

Nos títulos a 10 anos, os juros subiram, no mercado secundário da dívida, para 5,48% no caso da Bélgica, para 3,69% no caso de França e 3,74% no caso da Áustria, segundo dados da Bloomberg.

Bélgica em máximos históricos

A Bélgica, em particular, fixou esta quarta-feira máximos históricos dos juros da dívida desde a criação do euro em todas as maturidades. Foi, também, hoje, o país com o segundo maior crescimento diário do custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) entre as mais de oito dezenas de países monitorizados pela CMA DataVision. O seu risco de default subiu quase dois pontos percentuais – fechou na terça-feira em 26,12% e hoje em 27,89%. O país continua em crise política sem governo resultante das últimas eleiçõesno verão do ano passado.

Também o risco de incumprimento de França subiu para 19,10% e o da Áustria para 17,9%, níveis distantes do da Bélgica, mas que assumem uma gravidade especial por afetarem países com notação máxima de crédito. A agência Fitch voltou a recordar isso hoje para o caso de França.

Triplo A de França e Áustria em cheque

A degradação da situação de crédito francesa e austríaca afeta diretamente a solidez do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, que é suportado pela notação de crédito triplo A de 6 países da zona euro, entre eles a França (a 2ª maior economia da zona euro) e a Áustria.

O spread (diferença) em relação aos juros alemães de referência no prazo a 10 anos não acompanhou hoje esta escalada porque as próprias yields dos Bunds, os títulos alemães, estiveram hoje em disparo depois do fiasco da colocação de dívida soberana alemã, em que o Bundesbank (o banco central) teve de adquirir 39% da emissão para o objectivo de colocação de €6 mil milhões ser cumprido.

No entanto, mesmo com o aumento dos juros dos Bunds, o spread em relação aos juros belgas aumentou para 3,34 pontos percentuais e em relação aos juros austríacos para 1,59 pontos percentuais, ao contrário do que sucedeu com os spreads relativos aos juros franceses, espanhóis ou italianos, que se reduziram. O prémio de risco para a dívida belga e austríaca prosseguiu a sua marcha.

Susto na Alemanha

O dia ficaria marcado pelo susto dado pelos investidores à Alemanha. Como se refere acima, o leilão de dívida ficou a meio gás.

As yields dos Bunds no mercado secundário aumentaram mais de dois dígitos em todas as maturidades. Os juros da dívida alemã a 10 anos fecharam hoje em 2,15%, quando terça-feira haviam fechado em 1,92%.

O risco de incumprimento da dívida alemã subiu significativamente com o custo dos cds a situar-se acima da barreira dos 100 pontos base e a probabilidade de incumprimento a subir para mais de 9%, o que contrasta com 8,2% para o Reino Unido e 4,8% para os Estados Unidos.

Acto I (pela manhã). Um vendaval de novo na zona euro. Os investidores internacionais continuam a especular com a fraqueza de diversos membros do clube do euro tanto na “periferia” como no “centro”.

Seis países estão terça-feira em foco no mercado secundário da dívida – Grécia, Itália, Espanha, Bélgica, Áustria e França.

“Centro” em stresse

O spread (diferença) entre as yields (juros) dos títulos belgas, austríacos e franceses em relação às yields dos Bunds, os títulos alemães que servem de referência na zona euro, disparou hoje. No caso belga e austríaco aumentou 9% numa manhã. Esta diferença funciona como um prémio de risco.

O prémio de risco para o caso das OAT (títulos franceses) subiu para 1,66 pontos percentuais (166 pontos base), depois de ter aberto em baixa. Está, ainda, longe dos alarmantes 200 pontos que quase tocou na semana passada – 198 pontos na manhã de dia 17 de novembro. Para a Bélgica, que continua sem governo e sem perspetiva de inclusive ter orçamento aprovado para 2012, o prémio de risco já está em 317 pontos.

As yields dos títulos destes três países dispararam também, com maior incidência no caso belga, cujos juros dos títulos a 10 anos já estão acima de 5%, segundo dados da Bloomberg.

“Periferia”: Espanha sobe ao 9º lugar do “clube da bancarrota”

Na “periferia” da zona euro a situação continua a degradar-se para a Grécia, Itália e Espanha. Portugal e Irlanda conseguem resguardar-se do pior do vendaval, mas o risco de incumprimento subiu hoje à tarde.

O facto do dia foi a subida de Espanha, de novo, para o 9º lugar do “clube da bancarrota” (um TOP 10 de países com mais alto risco de default, segundo a CMA DataVision), com a probabilidade de incumprimento da sua dívida a subir para mais de 34%, ultrapassando a Hungria, que também regressou ao palco da crise depois do pedido ontem de assistência financeira ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia.

O leilão de dívida de muito curto prazo (a 3 e a 6 meses) em Madrid deixou um sabor amargo. O Tesouro espanhol teve de aceitar pagar taxas de remuneração média aos investidores acima de 5% e, no caso dos bilhetes do Tesouro a 3 meses, inclusive a um valor acima do que Portugal aceitou pagar no leilão da semana para bilhetes com o mesmo prazo. Os investidores consideraram estes títulos espanhóis a 3 meses de maior risco do que os portugueses. Foram as taxas mais elevadas desde há 14 anos.

O prémio de risco (spread) em relação aos Bunds alemães a 10 anos subiu para 470 pontos base e as yields das obrigações espanholas em todas as maturidades estão em alta, com os juros das OE a 10 anos em 6,63%, acima do valor de fecho de ontem.

Também, a situação se agravou em Itália, depois de uma abertura em baixa. O prémio de risco (spread) subiu para 483 pontos base. As yields dos títulos do Tesouro italiano (BTP) em todas as maturidades estão em alta e, no caso dos BTP a 3 anos, estão acima de 7%. No caso dos BTP a 10 anos, subiram para 6,8%.

No caso da Grécia, segundo o monitor de risco de default da CMA DataVision, a probabilidade de incumprimento disparou para mais de 97% e o custo dos cds está acima de 9000 pontos base.

Efeméride: há dois anos…

Há dois anos atrás, o mundo era surpreendido com um disparo no custo dos credit default swaps (uma expressão, então, desconhecida do comum dos leitores de economia) de um pequeno “paraíso” do Médio Oriente, o Dubai, recorda o bloguer Zero Hedge.

Antes havia sido o estoiro financeiro de um outro pequeno “paraíso” no Atlântico Norte, a Islândia.

Depois da crise financeira do subprime e da recessão, o mundo acordava para a crise das dividas soberanas.

A Reuters diria uns dias depois da crise no Dubai que “o cisne negro saíra bamboleante do deserto”.

Em Dezembro de 2009 ocorre em Dublin, no “Tigre Celta”, o escândalo do Anglo Irish Bank e, em Janeiro de 2010, a agência de notação Moody’s decreta que Grécia e Portugal correm o risco de “morte lenta”. O resto já é história.

Acto II: Balanço do dia. A probabilidade de bancarrota subiu terça-feira em 9 países da zona euro, ainda que em patamares distintos de risco. O que é sintoma de um agravamento da crise das dívidas soberanas na Europa.

Este panorama negativo coincidiu com despachos divulgados na imprensa económica de que, na segunda-feira, “o Banco Central Europeu (BCE) recebeu pedidos de 178 bancos solicitando €247 mil milhões de financiamento, o mais alto valor desde meados de 2009″, refere a agência de informação financeira Markit. Esta corrida ao BCE advém do “deserto” em que se está a tornar o mercado de financiamento na Europa, com os fundos norte-americanos e de outras paragens a reduzirem a sua exposição à zona euro.

Ultimato à Grécia faz disparar risco

A Grécia liderou hoje os aumentos do risco, voltando a níveis de custo dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de incumprimento) acima de 9000 pontos base e com uma probabilidade de default na ordem dos 96,33%, no valor de fecho, tendo chegado durante o dia a 97,10%, segundo dados da CMA DataVision.

Um nível tão próximo de 100% equivale a uma perceção pelos investidores de eminência de um evento crédito, apesar das diligências que o novo governo chefiado por Lucas Papademos está a fazer, numa ronda pela Europa, para obter o desbloqueamento da já atrasada 6ª tranche de €8 mil milhões do primeiro pacote de resgate.

Contudo, o líder da Nova Democracia, um dos partidos que está presente no governo tripartido chefiado pelo independente Papademos, recusa-se a assinar uma carta de compromisso exigida pelas instâncias europeias, que colocaram o limite na próxima reunião do Eurogrupo que se realizará na terça-feira, 29 de novembro. O ultimato foi, hoje, claramente dado. O ministro das Finanças holandês, um dos políticos sem papas na língua, disse preto no branco: “Queremos ver a assinatura do Senhor Samaras [líder da Nova Democracia]. De outro modo, no que me diz respeito, a Grécia não receberá o dinheiro. De modo algum”.

Segundo fontes oficiais gregas, Atenas só dispõe de recursos financeiros por mais 20 dias.

Bélgica e Áustria em destaque

Dois pequenos países do “centro” da Europa continuam a dar nas vistas. Bélgica e Áustria foram os membros da zona euro que hoje viram o risco de incumprimento das suas dívidas subir mais, depois da Grécia.

Ainda que em patamares distintos – a Bélgica subiu para um risco de 26,12% e a Áustria para 17,80% -, longe de entrarem no “clube da bancarrota” (cujos mínimos exigem um risco de mais de 33%), estes dois países têm estado sob stresse nos mercados da dívida nas últimas semanas. Para se ter uma noção do agravamento da situação em menos de dois anos, o risco da Bélgica era de 4,9% e o da Áustria de 5% no final do primeiro trimestre de 2010. Mais do que quintuplicou para o caso belga e mais do que triplicou para o caso austríaco.

Hoje soube-se que o Banco central austríaco limitou o crédito a conceder pelos bancos do país aos países do Leste europeu limítrofes. Os bancos austríacos já concederam um crédito total de €226 mil milhões a esses vizinhos, quase tanto como o PIB do país. A bolsa austríaca foi a que mais caiu hoje na Europa – fechou com perdas de 3,1%.

Na Bélgica, apesar do rei estar em convalescença, prossegue no castelo real de Ciergnon com as audiências aos partidos políticos, procurando superar o impasse na formação de um governo e na apresentação do orçamento para 2012. O país, capital das instituições europeias, continua sem governo formado desde as eleições de junho de 2010. As yields (juros) dos títulos belgas a 10 anos fecharam no mercado secundário em 5,07%, segundo dados da Bloomberg. Um novo máximo histórico, desde a adesão ao euro, depois dos 5% em julho de 2008.

Espanha e Itália continuam sob stresse

Apesar da atenção que tem sido dada ao alastrar da crise da dívida aos países do “centro” da zona euro, Espanha e Itália não deixaram de ver o seu risco aumentar hoje, apesar de em menor grau do que os três membros da zona euro já referidos.

O custo dos cds para a dívida italiana subiu para mais de 550 pontos base e o risco fechou em 37,67%. No caso de Espanha, o risco subiu para 34,15% e o custo dos cds para mais de 485 pontos base. O nosso vizinho peninsular acabaria por subir para o 9º lugar do “clube da bancarrota” (o TOP 10 dos países de maior risco).

A Itália viu hoje o spread em relação aos juros alemães reaproximar-se dos 500 pontos base (5 pontos percentuais) e as yields dos títulos do Tesouro a 3 anos no mercado secundário fecharam acima dos 7%. Os investidores estarão a apertar o cerco tendo em conta os leilões de dívida de médio e longo prazo que se vão realizar na próxima terça-feira, 29 de movembro (dia da reunião do Eurogrupo), em que se pretende mobilizar €17 mil milhões. Até final do ano, o Departamento do Tesouro italiano realiza mais 17 leilões deste tipo.

No caso de Espanha, as yields das obrigações espanholas a 10 anos fecharam em 6,61%, acima do valor de segunda-feira, e um novo máximo histórico desde a adesão ao euro, apenas dois dias depois de se saberem os resultados das eleições legislativas, que conduzirão, a partir de 20 de dezembro, a uma mudança de governo.

Também se agravou o risco da Alemanha (apesar do seu nível baixo, na ordem dos 8,41%), da Irlanda, de Portugal e da França. Mas com dinâmicas de crescimento muito distantes dos casos acima abordados. No caso de França, o stresse que se observou ultimamente nos spreads e nas yields das OAT (títulos franceses) diminuiu hoje significativamente.

Iniciativa do FMI parece “talhada” para Itália e Espanha

O anúncio por Christine Lagarde de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) vai concretizar uma promessa feita na última cimeira do G20 de lançar uma “linha de liquidez preventiva” está a ser interpretado pelos investidores como um instrumento para socorrer as duas grandes economias europeias aflitas – Itália e Espanha.

O novo instrumento do FMI é uma linha de curto prazo para “romper a cadeia de contágio”, no dizer do fundo, em relação a países com situação sólida em termos de indicadores orçamentais, mas com problemas temporários de aumento dos custos de financiamento. Está por conhecer o perfil destes “espetadores da crise”, como os baptizou a Markit.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) acaba de divulgar segunda-feira (21 de novembro) que a Hungria, onde se encontra uma equipa do Fundo, acaba de endereçar cartas a Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, e a Bruxelas, à Comissão Europeia, solicitando “uma possível assistência financeira”.

O Ministério das Finanças húngaro declarou que procura um “novo tipo de cooperação que permita promover o crescimento económico em vez de medidas de austeridade”. O ministro adiantou que esta “assistência” não aumentará a dívida do país. A ideia é que as duas instituições funcionem como seguro para os investidores. O novo acordo deverá ser concluído nos primeiros meses de 2012.

A Hungria recebeu assistência financeira do FMI e da União Europeia em novembro de 2008, num montante de €20 mil milhões, mas o novo governo em Budapeste, que tomou posse em junho de 2010, rompeu as negociações com o FMI e deixou a linha expirar em outubro desse ano.

A Hungria é membro da União Europeia desde maio de 2004, mas não da zona euro, estando planeada a sua adesão para 2014, ano em que haverá eleições legislativas.

É o nono membro do “clube da bancarrota” (TOP 10 dos países com maior probabilidade de incumprimento da dívida soberana), andando ultimamente num sobe-e-desce com Espanha, que se encontra no décimi lugar. As yields (juros) dos títulos húngaros fecharam na sexta-feira acima de 8% quer nos prazos a 5 como a 10 anos. A probabilidade de incumprimento subiu hoje de manhã para 33,6%, contra 33,10% no fecho de sexta-feira.

No leilão realizado terça feira o Tesouro espanhol aceitou juros de 5,22% em bilhetes a 6 meses e de 5,11% em bilhetes a 3 meses. Mais do que Portugal pagou no leilão da semana passada nos bilhetes a 3 meses.

O Tesouro Público espanhol acaba de divulgar os resultados do leilão de bilhetes do Tesouro realizado hoje de manhã em Madrid. O Tesouro aceitou taxas de remuneração médias superiores a 5% nas colocações a 3 e 6 meses.

Espanha conseguiu colocar 2980 milhões de euros, próximo do objetivo dos 3 mil milhões, mas teve de aceitar pagar aos investidores na dívida espanhola de curto prazo um juro médio de 5,22% nos bilhetes do Tesouro a 6 meses e de 5,11% nos bilhetes a 3 meses. Neste último caso, foi, aliás, superior aos 4,895% que Portugal aceitou no leilão de bilhetes do Tesouro lançado pelo IGCP com o mesmo prazo na semana passada.

Estes valores são muito superiores aos aceites nos leilões anteriores – respetivamente 3,302% para os bilhetes do Tesouro a 6 meses e 2,292% para os a 3 meses.

A Standard & Poor’s reafirmou hoje de manhã a notação de AA- com perspetiva negativa para a dívida espanhola.

O spread dos juros das obrigações espanholas (OE) em relação aos juros dos títulos alemães (Bunds) a 10 anos abriu em baixa e está ao nível dos 460 pontos base.

A situação na abertura do mercado secundário é “mista”. As yields (juros) das OE a 5 e a 10 anos abriram em baixa. No entanto, os juros das OE a 2 e a 3 anos estão a subir. Os juros das OE a 10 anos mantêm-se abaixo do limiar crítico dos 7%, abriram em 6,55%.

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