Outubro 2011


Quatro dos principais bancos norte-americanos estão sob ataque no mercado da dívida – Citigroup, Goldman Sachs, JP Morgan Chase e Wells Fargo têm hoje o preço dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de incumprimento) a subir mais de 10%.

No caso do Citigroup, a variação diária é, até ao momento, de 12%. Neste grupo, o nível de cds mais elevado é o da Goldman Sachs, com 338,07 pontos base.

Com uma variação menor de aumento diário do preço dos cds, no patamar dos 8%, estão o Bank of América e o Morgan Stanley, que têm um nível de cds superior a 350 pontos base.

Refira-se que, em termos do preço dos cds para a dívida soberana dos EUA, o nível é apenas de 46 pontos base. O que contrasta com a deterioração da situação de crédito dos grandes bancos norte-americanos.

Goldman Sachs com o maior crescimento do risco

No fecho do mercado, o disparo abrandou e o ranking alterou-se . Com crescimento de dois dígitos do custo dos cds restou, apenas, a Goldman Sachs, que terminaria o dia com uma variação de 10,97% e um custo de cds na ordem dos 335,07 pontos base.

Os analistas prevêm que os resultados do 3º trimestre de 2011 da Goldman Sachs – que serão divulgados na próxima semana – deverão ser os piores desde a crise de 2008.

Seguiram-se, na evolução diária, o J.P. Morgan Chase com uma variação de 7,66% e um custo dos cds a fixar-se em 380,77 pontos base (o mais elevado deste grupo), o Morgan Stanley com 6,22% e um custo de cds de 359,64 pontos base e o Wells Fargo com 5,92% e um custo de cds de apenas 140,17 pontos base.

As yields (juros implícitos, uma medida de rendibilidade) dos títulos soberanos dos três países – Grécia, Portugal e Irlanda – já resgatados pela troika abriram hoje em baixa no mercado secundário da dívida. Tal como ontem, a maior pressão está a exercer-se sobre Itália, Espanha e Bélgica, segundo dados da Bloomberg.

As yields dos títulos do Tesouro italiano (BTP) e das obrigações espanholas (OE) a 10 anos continuam a subir no patamar dos 5% – estão em 5,79% para os BTP e em 5,15% para as OE. No caso da Bélgica, os juros subiram para 4,24%, ainda que estejam abaixo do pico em agosto em 4,5%.

Apesar da intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário, e nomeadamente comprando ou mandando comprar a terceiros títulos italianos e espanhóis, segundo os traders, o efeito continua a não ser o desejado nesses dois casos. O presidente do Bundesbank (banco central alemão), Jens Weideman, criticou hoje publicamente em entrevista no jornal alemão Bild esta estratégia do BCE. Hoje, o Departamento do Tesouro italiano vendeu 939 milhões em títulos com maturidade em 2025 com uma yield de 6,34%.
Irlanda sobe para 6º lugar no “clube” da bancarrota

O mesmo movimento de alta se observa hoje na probabilidade de incumprimento (risco de default) desses três países, segundo dados da CMA DataVision. Itália subiu ontem para o 8º lugar do “clube da bancarrota”, tendo desalojado a Hungria.

Apesar dos juros dos títulos estarem em baixa no caso de Portugal e da Irlanda, o risco de default está a aumentar para os dois países. O agravamento no caso irlandês já levou este país a subir, agora de manhã, para 6º lugar no “clube da bancarrota”.

A semana regista, assim, duas subidas – a de Itália e a da Irlanda. O que não são sinais tranquilizadores.
Estigmatizados pelos “mercados”

Os três países continuam a sofrer o “estigma” dos mercados, a tal ponto que o Fundo Monetário Internacional estuda um veículo financeiro especial para os socorrer em caso de necessidade, falando-se de verbas disponíveis de €37 mil milhões em 2011 e de €75 mil milhões em 2012. Para além das novas intervenções que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira venha a realizar, mesmo sem serem ao abrigo de planos de resgate.

A pressão esta semana sobre os três países deriva de fatos recentes: a situação política em Itália voltou a agravar-se esta semana, havendo amanhã uma votação no Parlamento de um voto de confiança ao governo chefiado por Sílvio Berlusconi, cujo desfecho recolhe várias apostas (ainda que a Liga do Norte tenha garantido hoje que o governo não cairá); o sector bancário espanhol apanhou anteontem um “raspanete” das agências de notação Standard & Poor’s e Fitch; e o caso da nacionalização do banco franco-belga Dexia e da criação adicional de um bad bank, além da complexa continuação da negociação de formação de um governo federal, deixam os investidores perplexos sobre o país onde fica a “capital” da União Europeia.

A situação nas bolsas está confusa esta manhã. Na Ásia continua a tendência positiva em virtude do efeito conjugado de três ocorrências: um dos veículos financeiros do fundo soberano CIC, a Central Huijin Investment Ltd, reforçou esta semana posições nos quatro principais bancos chineses, e o governo chinês anunciou medidas de apoio às PME em virtude do risco do sistema financeiro informal estoirar; as promessas de que os europeus resolverão o problema da Grécia e da recapitalização da banca até à cimeira de 23 de outubro; e a revelação ontem das atas da última reunião da Reserva Federal, que deixam a esperança, cultivada por muitos investidores, de que Ben Bernanke acabará por passar da atual “Operação Twist” para uma nova intervenção do tipo “alívio quantitativo” (quantitative easing, na designação em inglês).

Na Europa, apesar das mesmas esperanças andarem no ar, a incerteza sobre os “detalhes” do plano de recapitalização (que poderá abranger dezenas de bancos e abarcar um valor num intervalo entre €190 mil milhões (cenário mínimo avançado pelo professor Constantin Gurdgiev, do Trinity College, de Dublin) e €275 mil milhões (avançado pelo Financial Times) e de re-estruturação seletiva da dívida grega (que já é abertamente admitida como podendo ser muito superior aos 21% negociados inicialmente com os credores privados), não permitem aos investidores uma direção certa. As bolsas europeias estão em terreno negativo esta manhã.
Agenda das próximas 24 horas

Na agenda estão vários itens que influenciarão os mercados financeiros hoje e amanhã:

1- A Fitch poderá hoje anunciar a sua avalição da banca inglesa;

2- O Pulse of Commerce Index (PCI) dos Estados Unidos, publicado pela Anderson School of Management da Universidade da Califórnia em Los Angeles e pela Ceridian, revela hoje que está a haver uma quebra mensal contínua desde Julho do consumo de gasóleo: 0,2% em janeiro; 1,4% em agosto; 1% em setembro; o PCI é encarado como um dos indicadores do andamento da economia americana;

3- O primeiro-ministro grego reúne hoje com o presidente do Conselho Europeu Herman Van Rompuy, estando provavelmente na agenda a questão da re-estruturação seletiva da dívida grega, agora abertamente referida pelos políticos europeus;

4- Sílvio Berlusconi coloca uma moção de confiança no Parlamento em Roma;

5- No Parlamento Eslovaco em Bratislava, o governo em gestão colocou à votação, de novo, a questão das decisões da cimeira europeia de 21 de julho relativas ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira, tendo obtido 114 votos a favor, 30 contra e 3 abstenções, em virtude do acordo entre o governo e os social-democratas na oposição, que garantiram a convocação de eleições antecipadas para 10 de março de 2012;

6- Os ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 reúnem amanhã em Paris. Um dos pontos centrais em discussão será a reforma dos direitos especiais de saque (SDR, no acrónimo em inglês para a divisa virtual do Fundo Monetário Internacional), sendo de admitir que se abrirá a porta para as divisas chinesa e brasileira entrarem no “cabaz” que suporta os SDR, que atualmente abrange o dólar, o euro, o iene e a libra.

A probabilidade de incumprimento das dívidas soberanas (risco de default) dos 6 países da zona euro em situação de maior risco – Grécia, Portugal, Irlanda, Itália, Espanha e Bélgica – continua a tendência altista de ontem (11 de outubro), segundo dados da CMA DataVision.

A Grécia continua com um risco de default superior a 90% e à espera de uma decisão definitiva da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional sobre a tranche de financiamento ao abrigo do plano de resgate, e no meio de uma enorme especulação sobre que recomendações – não conhecidas – terá dado a troika sobre a re-estruturação da dívida. O país continua a liderar o “clube da bancarrota” (grupo dos 10 com mais alto risco no mundo). A nível dos títulos soberanos, as yields (juros implícitos, uma medida de rendibilidade) a 12 meses continuam a marcar novos máximos (abriram em 158%), segundo dados da Bloomberg. O “corte de cabelo” (hair cut, na linguagem técnica) implícito no valor dos títulos gregos varia entre 40% e 70%, consoantes as maturidades.

O risco da dívida portuguesa continua a subir, está em 61%. As yields das obrigações do Tesouro português continuam, também, em alta. A 10 anos abriram em 11,57% e a 2 anos estão em 17,38%. O “corte de cabelo” implícito varia entre 20 e 30% consoante as maturidades. Portugal conserva o 2º lugar no “clube da bancarrota”.

Um facto novo é a inversão da tendência na situação da Irlanda. O “bom aluno da troika” tem o risco de default em alta, ainda que conservando o 7º lugar no “clube da bancarrota”, e as yields dos títulos a 2 e 10 anos têm estado a subir há vários dias.

A Itália subiu para o 8º lugar nesse “clube”, com a probabilidade de incumprimento também a subir, derivada da instabilidade política naquele país,, e a Espanha e a Bélgica mantém-se fora desse TOP 10, mas com os níveis de risco em alta. As yields das obrigações espanholas e dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos continuam a subir no patamar dos 5%. No caso dos BTP a 1º anos estão em 5,7%. As yields dos títulos belgas a 10 anos continuam a marcha de subida no patamar dos 4%.
Nuvens negras

A aprovação da moção de censura do governo eslovaco em Bratislava e a rejeição do apoio às medidas da cimeira europeia de 21 de julho (nomeadamente a ampliação do papel e da dimensão do Fundo Europeu de Estabilização Financeira) bloqueiam, na prática, avanços nesta matéria por parte dos líderes europeus, que estão agora suspensos da capacidade política da primeira-ministra eslovaca em conseguir um “sim” até à próxima cimeira europeia de 23 de outubro.

Ontem juntou-se a este “não” já noite dentro, a avaliação demolidora da banca espanhola por parte das agências de notação Standard & Poor’s e Ficth, bem como a rejeição da aprovação das contas de 2010 do governo italiano por uma maioria de um voto no Parlamento em Roma.

Em suma, a situação política doméstica na Eslováquia e em Itália vão condicionar, pelo menos, esta semana as respostas à crise da dívida soberana na zona euro.

Os efeitos da nacionalização do banco franco-belga Dexia e o stresse no banco austríaco Erste continuam a pesar sobre o sistema bancário europeu. Estes dois primeiros sinais da fragilidade europeia – em dois bancos que haviam passado os testes de stresse de julho – estão a provocar a multiplicação de análises sobre as necessidades de recapitalização. Aguarda-se, hoje, a apresentação de um plano sobre o tema por parte do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

As contradições entre os líderes europeus avolumam-se, normalmente, nas vésperas de cimeiras europeias, o que alimenta a desconfiança e incerteza entre os investidores internacionais. Jean-Claude Trichet, preidente cessante do banco Central Europeu assusta os europeus, Vitor Constâncio, seu vice-presidente, contradiz os franceses, e Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo corre em pista própria em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt. A chanceler alemã Ângela Merkel viaja pelo Vietname.

“O euro está longe de ser perfeito, a crise atual mostrou-o, mas reagindo a essa situação, temos de rever as fraquezas na sua construção, em vez de deixar que a crise mine, ou mesmo destrua, o sistema financeiro global”, escreve George Soros e mais 100 ex-dignitários europeus, economistas e gestores numa carta aberta aos responsáveis da zona euro, hoje publicada no diário alemão Handelsblatt.

O grupo de 101 que se autodenomina de “Europeus preocupados” apela aos governos europeus para criar uma instituição que providencie liquidez a toda a zona euro, que fortaleça a supervisão do mercado financeiro e que reveja a estratégia de crescimento da União Europeia.

Entre os nomes que assinam a carta aberta, contam-se Emma Bonino, ex-ministra italiana, Joschka Fischer, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Hans Eichel, ex-ministro das Finanças alemão, Bernard Kouchner, ex-ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Pedro Solbes, ex-comissário europeu dos Assuntos Monetários e Económicos, Javier Solana, ex-secretário geral da NATO, e o político polaco Tadeusz Mazowiezki.

A missiva é assinada, também, pelo historiador Timothy Garton Ash e pelo economista Charles Goodhart, do Reino Unido, e pelo economista Peter Bofinger e pelo ex-CEO do Deutsch Bank, Norbert Walter, da Alemanha.

Manhã: As bolsas asiáticas abriram hoje claramente no positivo e assim se mantiveram. O índice global das 50 principais cotadas na Ásia – MSCI Asia Apex 50 – valorizou-se hoje 2,33%%, quando ontem subira timidamente 0,39%, ainda que a negociação tenha sido afetada ontem pelos feriados no Japão e em Taiwan.

O efeito da cimeira de domingo da chanceler alemã Ângela Merkel e do presidente francês Nicolas Sarkozy continuou a animar os investidores internacionais, apesar do adiamento da cimeira europeia para dia 23 de outubro e de manifestas divergências, no seio da Europa, sobre os mais diversos dossiês críticos, como o grego, o papel do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, o plano de recapitalização da banca europeia e as mexidas nos tratados europeus.

Balde de agua fria pela manhã

Particularmente sobre o que os alemães já designam por “drama da banca”, os investidores financeiros querem acreditar que a dupla Merkel/Sarkozy tem uma solução para tirar da cartola até à data limite da cimeira do G20.

Mas, hoje, quando as bolsas europeias e o mercado secundário da dívida abriu os investidores apanharam um balde de água fria – estão a aguardar a decisão no Parlamento Eslovaco em Bratislava sobre a estratégia de resgate na zona euro, havendo o risco de não ser aprovada. A Eslováquia é o último dos 17 membros da zona euro a votar as decisões da última cimeira europeia de 21 de julho, e é membro da moeda única há menos de três anos.

Por isso, as bolsas europeias abriram no vermelho e permanecem em terreno negativo. As mais penalizadas continuam a ser as da Áustria e da Grécia. Os futuros relativos aos índices Dow Jones e S&P 500 estavam em baixa sinalizando uma abertura no negativo em Wall Street, que acabou por se confirmar.

Juros da dívida em alta

No mercado secundário da dívida soberana, as yields (juros implícitos, uma medida de rendibilidade) estão em alta em todos os GIIPS (Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha) e também na Bélgica.

No caso da Grécia bateram um novo recorde nas yields a 12 meses que atingiram os 153%, segundo dados da Bloomberg. Estas rendibilidades estratosféricas apontam para um “corte de cabelo” (hair cut) no valor destes títulos na ordem dos 45 a 55%.

As yields da dívida portuguesa estão, também, a subir em todas as maturidades. O comportamento das yields relativas à dívida irlandesaé, também, altista, com os juros dos títulos a 10 anos a regressarem acima dos 8%.

As yields das obrigações espanholas e dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos estão acima dos 5%. No caso dos BTP estão em 5,63%.

Para fechar o ramalhete de “más notícias”, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, que está de partida no final do mês, disse hoje, preto no branco, aos deputados europeus em Bruxelas que “a crise atingiu uma dimensão sistémica”. “A crise da dívida soberana deslocou-se das pequenas economias para algumas das grandes”, concluiu.

Factor chinês atua na Ásia

No caso da Ásia, um fator adicional, vindo da China, aumentou o otimismo bolsista esta semana, mas veremos se mantém a chama.

A Central Huijin Invest Ltd, uma firma financeira estatal ligada ao fundo soberano chinês CIC, iniciou um programa de reforço de posições acionistas nos 4 principais bancos do país – o Agricultural Bank of China, o Industrial & Commercial Bank of China, o Bank of China e o China Construction Bank Corp. Mais de €22,75 mil milhões foram injetados nestes bancos através da bolsa de Xangai. Já em 2008, a Central Huijin Invest havia atuado, como braço armado do Estado, no reforço do sistema bancário chinês face à crise financeira mundial.

No entanto, paradoxalmente, o efeito positivo nas bolsas asiáticas não se estende ao índice chinês, o CSI 300, que fechou hoje ligeiramente no negativo.

Esta vaga positiva à escala mundial já se verifica desde o dia 5 de outubro e tem impedido o “urso” das bolsas de continuar a sua “limpeza”. Mas veremos se o “urso” hoje vence o “touro”.

Ontem (dia 10 de outubro) o índice das bolsas mundiais – MSCI AC World Index- valorizou cerca de 2,6% e o índice para o sector financeiro – MSCI ACWI Financials Index – mais de 3%.

A valorização foi mais marcada nas bolsas de Wall Street (índices Dow Jones e S&P 500) e Times Square (índice do Nasdaq), apesar de 10 de outubro ser dia de homenagem a Cristóvão Colombo nos EUA. O S&P 500 subiu 3,41%, o Dow Jones 2,97% e o Nasdaq 3,5%. A volatilidade associada ao índice S&P diminuiu quase 9%.

Na Europa, o Eurostoxx 50 subiu 2,27% e o Bloomberg Europe 500 valorizou-se 1,56%.

Atenas e Viena no vermelho

A pior situação ocorreu nas bolsas de Atenas e de Viena de Áustria que abriram ontem com perdas de mais de 4%, mas acabaram por fechar com quebras mais modestas, de 0,58% e de 1,15%. Hoje continuam a ser as com maiores quedas na Europa, acima de 2%.

A bolsa grega continua afetada pela perceção de que a re-estruturação da dívida grega será muito mais ampla do que o inicialmente previsto e mantém o pessimismo sobre qual o balanço que a troika fará do andamento do plano de resgate grego. A troika terminou hoje a sua missão de avaliação para concessão de uma nova tranche de financiamento, que tem sido adiada desde setembro. O relatório completo da troika só será conhecido para a semana.

A Grécia continua a ter um risco de default acima de 91% e um nível muito elevado de 61 pontos à cabeça (upfront points) na negociação dos credit default swaps (cds) da sua dívida soberana. As yields (juros implícitos, uma medida de rendibilidade) dos títulos gregos continuam a subir diariamente. Os níveis das yields a 10 anos, que fecharam ontem perto dos 24%, estão já de regresso aos níveis de 1993.

O caso da Áustria, com a bolsa no vermelho e o custo dos cds da sua dívida soberana a subirem ontem significativamente durante a manhã, alerta para a situação do “drama da banca” europeia – depois do Dexia franco-belga, foi a vez do Erste Group Bank of Austria ser vítima da crise da dívida soberana. Este banco austríaco, que tal como o Dexia não havia falhado os testes de stresse de 15 de julho, teve de reconhecer a sua exposição aos GIIPS (Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha), bem como à situação na Hungria (que é 8º no “clube da bancarrota”, com mais de 32% de risco de incumprimento) e à Roménia.

O efeito da intervenção do governo de Bruxelas no Dexia fez-se sentir ontem na probabilidade de default da Bélgica, que depois da Grécia, foi o único país da zona euro com o risco a subir, bem como nas yields que subiram em todas as maturidades dos títulos soberanos belgas.

TARDE: As bolsas europeias fecharam, na esmagadora maioria dos casos, no vermelho. O índice EuroStoxx 50 fechou com uma queda ligeira de 0,48% contra os ganhos de 2,3% ontem. Por seu lado, o índice Bloomberg European 500 fechou com uma perda de 0,47%, contra os ganhos de 1,56% de ontem.

As bolsas europeias com maiores quebras foram as de Atenas (-1,97%) e de Viena de Áustria (-1,65%). O relatório detalhado da troika sobre a Grécia deverá ser divulgado para a semana – a questão crítica será vislumbrar qual o “corte de cabelo” final que terá de ser operado no valor da dívida soberana helénica. No entretanto, a troika deixou hoje as conclusões desta 5ª ronda nas mãos do Eurogrupo e do Fundo Monetário Internacional com vista a aprovarem, ou não, a tranche de €8 mil milhões, “muito provavelmente”(segundo o comunicado) só disponível no começo de novembro.

Na Áustria continuam as ondas de choque do caso do banco Erst Group, a segunda vítima da crise da dívida soberana europeia, depois do Dexia franco-belga.

O efeito da cimeira de domingo da chanceler Ângela Merkel e do presidente francês Nicolas Sarkozy desvaneceu-se.

No mercado secundário da dívida soberana, as yields (juros implícitos, uma medida de rendibilidade) dos títulos da Grécia, Portugal, Irlanda, Itália, Espanha e Bélgica têm estado em alta todo o dia. Fecharam todas em alta.

A titulo de exemplo, nos títulos soberanos a 10 anos, as yields dos seis países foram as seguintes no fecho do mercado: 24,06% para a Grécia; 11,55% paraPortugal; 8,21% para a Irlanda (que hoje teve uma variação diária elevada, de 6%); 5,62% para Itália; 5,03% para Espanha e 4,17% para a Bélgica, segundo dados da Bloomberg.

Em termos de probabilidade de incumprimento das dívidas soberanas, o maior agravamento diário de risco verificou-se, hoje, com a Irlanda (fechou nos 45,2% contra 44,60% ontem), Bélgica (que fechou em 22,92% contra 22,20% ontem) e Áustria (que fechou em 13,60%), segundo dados da CMA DataVision.

Bratislava e Roma ainda não fizeram mossa…

O efeito do voto no Parlamento Eslovaco em Bratislava sobre as decisões da última cimeira europeia de 21 de julho já não se sentirá nas bolsas europeias e provavelmente também não terá impacto no mercado secundário da dívida. O debate prossegue no parlamento e muitos observadores no local ainda esperam uma votação hoje.

Também a “surpresa” desta tarde no Parlamento italiano já não se refletiria nas bolsas europeias e no mercado secundário da dívida. As contas do governo relativas a 2010 foram chumbadas em Roma por um voto. Inclusive 14 deputados da maioria que suporta o governo de Sílvio Berlusconi faltaram à votação.

O próprio ministro das Finanças Giulio Tremonti se distanciou do apoio ao governo nesta votação, bem como o líder da Liga, Umberto Bossi. Os analistas falam da última “punhalada” em Berlusconi da parte de Tremonti e Bossi. A Oposição já pediu a demissão do presidente do conselho.

… e decisão da S&P sobre banca espanhola também não

O efeito da decisão da agência de notação Standard & Poor’s de colocar “todas” – sem exceção – as instituições financeiras espanholas em perspetiva negativa irá, também, ter o seu impacto. Já não houve tempo para ser hoje.

A anunciada apresentação amanhã pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, do plano sobre a recapitalização bancária europeia vai coincidir com estes efeitos.

NOITE: O Parlamento Eslovaco rejeitou terça-feira, já durante a noite, as propostas governamentais para aprovação das decisões da cimeira europeia de 21 de julho, nomeadamente a ampliação das funções e alcance do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF).

O voto contra em Bratislava bloqueia qualquer alavancagem do FEEF por parte das instâncias europeias (condicionando eventuais opções a propor pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, que deverá quarta-feira divulgar um plano para a recapitalização dos bancos europeus) e da zona euro.

Juntamente com esta rejeição foi aprovada uma moção de censura ao governo de coligação de centro-direita. A primeira-ministra eslovaca Iveka Radicova havia ligado umbilicalmente as duas votações, na esperança de que o partido minoritário da sua coligação, o Partido da Liberdade e da Solidariedade, votasse a favor para poder ter a maioiria de 76 votos no Parlamento.

O que não aconteceu. Apenas obteve 55 votos a favor. Na ocasião haviam 124 deputados na sala, dos 150 que formam o Parlamento. Houve 60 abstenções, na maioria oriundas do partido de centro-esquerda Social-Democrata, e 2 votos contra. Os deputados do Partido da Liberdade e da Solidariedade, o sócio minoritário da coligação governamental, não participaram sequer na votação. Este Partido opõe-se, desde o princípio, às resoluções da cimeira europeia de 21 de julho.

A Eslováquia era o último dos 17 membros da zona euro a votar as alterações decididas na cimeira europeia de 21 de julho. O país é membro da zona euro desde 2009.

Segunda votação na calha

Uma segunda votação apenas sobre a questão das decisões da cimeira europeia de 21 de julho poderá ser realizada nos próximos dias, logo que a questão do governo esteja resolvida, pois a moção de censura foi aprovada, e o governo caiu.

Os social-democratas, que se abstiveram, manifestaram-se favoráveis às decisões da cimeira europeia de 21 de julho, pelo que deixaram uma porta aberta de diálogo com o futuro governo.

A primeira-ministra Radicova terá, agora, de negociar o apoio dos social-democratas. Radicova e o seu ministro das Finanças, Ivan Miklos, declararam já que pretendem ter a aprovação concluída até à próxima cimeira europeia de 23 de outubro.
Bolsas mundiais fecham no positivo

Nas bolsas europeias e norte-americanas o dia de terça-feira foi marcado por esta espetativa na votação em Bratislava.

As bolsas europeias acabaram por fechar no vermelho, mas Wall Street e Times Square conseguiram repartir ganhos e perdas. Como as bolsas asiáticas haviam fechado positivo, o índice mundial de bolsas – o MSCI AC World Wide Index – valorizou-se 0,362%.

O mercado secundário da dívida soberana assistiu a um movimento de alta nas yields dos títulos soberanos da Grécia, Portugal, Irlanda, Itália, Espanha e Bélgica.

A cimeira de Berlim realizada no domingo entre a chanceler alemã Ângela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy voltou a adiar decisões críticas. A sorte é que a bolsa de Tóquio está fechada para feriado e Wall Street deverá ter pouco movimento dado ser o dia de Cristóvão Colombo.

Os dois líderes europeus – que formam uma espécie de G2 da zona euro – sorriram para as fotografias, permitindo bons “apanhados”, mas, na realidade, nada de concreto divulgaram, a não ser promessas e a colocação de uma nova data limite para um pacote de soluções. A razão é a “confidencialidade” em que pretendem continuar a negociar.

Apesar da enorme pressão internacional exercida – do presidente Obama à China, do Banco Central Europeu ao governo inglês – na semana passada, os dois líderes foram parcos em palavras.

O novo limite político é a cimeira do G20 (o grupo das atuais principais potências do mundo desenvolvido e emergente) que se realizará, em Cannes, na Côte d’Azur francesa, a 3 e 4 de novembro.

Para as próximas semanas fica uma agenda de reuniões onde é suposto um consenso de soluções ser consolidado – no final desta semana reunirá o grupo de ministros das Finanças do G20; e, na semana seguinte, a 17 e 18 de outubro, deveria reunir o Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro) e uma cimeira europeia dos 27 membros. Informações de última hora alegam que a cimeira europeia foi adiada para dia 23 de outubro.

As declarações dos dois líderes tocaram publicamente três pontos: Grécia; banca europeia; mexida nos tratados europeus.

O presidente Sarkozy falou da necessidade da resolução do problema pendente grego. Os analistas apontam dezembro como o mês crítico para a Grécia. Mas, segundo o Financial Times Deutschland de hoje, subsistirão importantes divergências entre os dois líderes do G2 da zona euro.

Default grego no pomo da discórdia?

A chanceler alemã inclinar-se-ia cada vez mais para a necessidade de uma default da dívida grega, em vez da atual situação de multiplicação de planos de resgate, o que tem a oposição da França, da Comissão Europeia (Durão Barroso, presidente das Comissão, voltou a condenar a solução em entrevista ao jornal alemão Bild, que intitulou a conversa de “Quão perigosa é a crise do euro, senhor presidente?) e do Banco Central Europeu.

Um estudo publicado por Casper de Vries, professor da Erasmus School of Economics, e Jon Danielsson, da London School of Economics, aponta para um benefício para a zona euro e para os próprios países de se proceder a “uma reestruturação da dívida grega e possivelmente da dívida portuguesa”, o que designam por um “cenário realista”. Os custos diretos imediatos desta operação rondariam os €170 mil milhões para a Grécia e €40 mil milhões para Portugal. A continuação da situação atual, dizem os dois economistas, custa 95 mil milhões por ano, para além do aprofundamento da crise financeira global.

Entretanto, o ministro das Finanças grego disse hoje que espera um “PSI plus”, ou seja um pacote de reestruturação da dívida grega negociado com os credores privados (PSI, acrónimo em inglês para envolvimento do sector privado) mais amplo, o que está a ser interpretado como o reconhecimento de um corte de cabelo (hair cut, na gíria técnica) do valor da dívida muito superior ao previsto inicialmente.

Recapitalização da banca e efeito Dexia

O outro segundo tema das declarações dos dois líderes foi a situação da banca europeia. Merkel falou da “recapitalização da banca europeia” e Sarkozy de “reforço do capital dos bancos na Europa”.

A palavra “recapitalização” tem acalmado as bolsas mundiais, enchutando o “urso” – isso aconteceu na semana passada, que acabou por ter um ganho semanal de cerca de 2%. Hoje (2ª feira, 10 de outubro) abriram no positivo na Ásia – ainda que a bolsa de Tóquio esteja fechada para feriado nacional, dia da saúde e do desporto – e na Europa, mas muito ligeiramente, com alguns casos europeus já claramente no vermelho, como a Áustria e a Grécia com quebras superiores a 4%. Também Wall Street deverá ter menor volume de negociação dado hoje ser o dia de homenagem a Cristóvão Colombo.

No mercado da dívida soberana, as yields dos títulos do Tesouro italiano, das obrigações espanholas e dos títulos belgas e franceses abriram em alta. No mercado dos credit default swaps, 8 países europeus lideram, na abertura de hoje, as subidas no custo destes seguros contra o risco de incumprimento das dívidas soberanas: Bélgica, Alemanha, Dinamarca, Áustria, Suécia, França, Espanha e Holanda.

Em termos de custo dos credit default swaps entre 100 e 400 pontos base (a Itália, que pertence ao “clube da bancarrota” dos 10 países com risco mais elevado de incumprimento da dívida soberana, está acima desse limiar, com mais de 440 pontos base), a União Europeia (excluindo os antigos países do Leste Europeu, agora membros da UE) já tinha hoje, a meio da manhã, 6 países: Alemanha (nos 100, o mais baixo deste grupo), Holanda, Dinamarca, Áustria, Bélgica (acima de 290) e Espanha (acima de 370). Apenas escapam três países da UE fora da zona euro, com menos de 100 pontos base: Suécia, Finlândia e Reino Unido.

O efeito do acordo alcançado pelas 3h30 da manhã (hora de Bruxelas) de cisão do Dexia será um dos factos da semana a pesar na decisão dos investidores internacionais. A nacionalização pelo governo belga de parte do banco Dexia, onde investirá €4mil milhões, e a criação de um bad bank, repositório do “lixo tóxico” daquele banco franco-belga, com garantias de €90 mil milhões, suportadas em 60,5% pelos belgas, poderá incentivar um ataque especulativo sobre a dívida belga e algum movimento de corte do rating (a Moody’s já havia feito o aviso) do reino, segundo diversos analistas.

No entanto, hoje, a Standard & Poor’s manteve a notação da Bélgica em AA+ (logo abaixo do triplo A), mas com perspetiva negativa. E poupou a França a qualquer corte, mantendo a notação de triplo A com perspetiva estável.

Finalmente, Sarkozy referiu “defeitos estruturais da zona euro” e a necessidade de “modificações importantes nos tratados europeus”.

Os mercados financeiros vão reagir na segunda-feira a mais uma cimeira entre a chanceler Ângela Merkel e a o presidente Nicolas Sarkozy a realizar domingo. A Alemanha e a França formam, hoje, uma espécie de G2 que comanda a zona euro e condiciona inclusive os movimentos do Reino Unido, apesar dos discursos grandiloquentes antieuro do seu primeiro-ministro em Londres.

Em cima da mesa, em Berlim, no domingo, vão estar os dossiês europeus quentes que terão de ter soluções claras a apresentar na cimeira dos ministros das Finanças do G20 (grupo das 20 economias mais poderosas do mundo, incluindo desenvolvidas e emergentes) que decorrerá em Cannes, em França, na quinta e sexta-feira da próxima semana (13 e 14 de outubro). Agenda que prossegue com a cimeira europeia de 17 e 18 de outubro.

Os dossiês são já espessos – risco de default na ponta final do ano da Grécia com um corte de cabelo nos valores dos credores que poderá chegar a 60% (segundo a Moody’s); necessidade de recapitalização dos bancos europeus face a esse risco grego e ao contágio para os outros títulos soberanos que têm nos seus portefólios – com um número “tentativo” num intervalo entre 100 a 200 mil milhões de euros avançado por António Borges, chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Europa; concretização das funções e alcance do Fundo Europeu de Estabilização Financeira e eventuais medidas adicionais por parte da Autoridade Bancária Europeia e do próprio FMI (Borges adiantou uma “ideia”, ainda não discutida, de um veículo financeiro para fins especiais e fala-se que o G20 poderá ter um “Plano B” na manga através do FMI com envolvimento forte por parte das potências emergentes); e implementação do pacote de medidas legislativas de aplicação imediata e de uma nova lei-quadro (conhecida por six pack), aprovadas na última reunião do Ecofin (reunião dos Ministros das Finanças dos 27 membros da União Europeia).

Banqueiros centrais fizeram a sua parte – agora é a vez dos políticos

Os banqueiros centrais, cada um com o seu estilo e estratégia, dizem aos dois líderes europeus, que a sua parte está feita.

Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal (Fed), continua a deixar em suspenso a possibilidade de um futuro terceiro programa de “alívio quantitativo” (quantitative easing, na designação em inglês), e entretanto entretém os investidores com uma operação “twist” no portefólio da Fed.

O secretário do Tesouro norte-americano, Tim Geithner, fez uma “adenda” importante. Disse ontem perante congressistas norte-americanos que um Lehman Brothers não se repetirá: “Não há absolutamente nenhuma hipótese” de voltar a ocorrer uma decisão de deixar cair um banco como aconteceu em final de 2008 com o famoso Lehman Brothers. Estas palavras aliviaram de imediato a pressão no mercado da dívida sobre os bancos americanos. Na terça-feira, o preço dos credit default swaps (cds, seguros contra o risco de incumprimento) da Goldman Sachs dispararam 12,3%, do Wells Fargo mais de 6% e do JPMorgan mais de 5%. Foi um dia negro para 13 dos mais importantes bancos mundiais (excetuando os chineses) em termos de subida do preço dos cds, envolvendo na onda bancos franceses, ingleses, italianos, alemães, japoneses e australianos.

Por seu lado, o Banco de Inglaterra não esteve com pruridos em imprimir mais moeda fiduciária, e face ao agravamento da estagnação económica no Reino Unido, avançou ontem com um segundo programa de “alívio quantitativo”, injetando nos próximos quatro meses mais 75 mil milhões de libras (cerca de €86,4 mil milhões) na economia e finança britânicas.

Depois de Trichet ter glosado o tema da crise com cores negras, e a revista britânica The Economist ter colocado na capa um título assustador – “Tenham medo” – engolido por um buraco negro, o governador do Banco de Inglaterra, Mervyn King, disse ontem mais uma frase marcante, de choque: “Esta é a crise financeira mais séria que vimos, pelo menos desde os anos 1930, se não mesmo desde sempre. Temos de lidar com circunstâncias pouco habituais, mas com calma e fazendo o que é certo”.

O próprio tema da fragilidade da situação da banca não poupa a Ilha de Sua Majestade. Na terça-feira negra desta semana, o custo dos cds do Barclays, Bank of Scotland, Royal Bank of Scotland (RBS) e Lloyds subiu mais de 5%. Hoje, a agência de notação de risco Moody’s procedeu ao corte de rating da dívida de 12 instituições financeiras britânicas, com particular destaque para o RBS e o Lloyds. Não mexeu, no entanto, nas notações do Barclays e do HBSC.

O Banco Central Europeu (BCE) conseguiu ontem o “consenso” em Berlim no seu conselho de governadores para ampliar o arsenal de medidas “não convencionais”, aumentando os instrumentos para disponibilizar liquidez ilimitada ao sistema financeiro europeu que poderá enfrentar um choque de um default na Grécia e uma bola de neve de contágio para os títulos soberanos de Portugal, Irlanda, Itália, Espanha, Bélgica e mesmo França. O BCE retomou duas medidas que tomara em 2009. Relançou um programa de operações de refinanciamento adicionais a 12 e 13 meses (que tem o acrónimo de LTRO – Long-Term Refinancing Operations) e vai avançar a partir de novembro com um novo programa de compra de obrigações hipotecárias (que tem o acrónimo de CBPP2 – Covered Bond Purchase Programe). Este CBPP2 disporá de um teto de €40 mil milhões até final de Outubro de 2012, um valor inferior aos €60 mil milhões do primeiro programa prosseguido em 2009 e 2010. Para alguns analistas, este CBPP2 funciona como um quantitative easing disfarçado.
Urso das bolsas acalmou uns dias

Bolsas gostaram das medidas dos banqueiros centrais

As bolsas mundiais gostaram destes movimentos dos banqueiros centrais. Depois de dois dias com quebras acumuladas de mais de 3%, o índice mundial bolsista, o MSCI World Index, recuperou cerca de 5% na quarta, quinta e sexta-feiras. O primeiro sinal de mudança de comportamento dos investidores em bolsa foi dado nos últimos 50 minutos de negociação em Wall Street na terça-feira, apesar do ruído dos “ocupas” de Wall Street. Os índices bolsistas Dow Jones e S&P 500 fecharam no positivo nesse dia, invertendo a tendência negativa na Europa e na Ásia.

O “urso” das bolsas foi, temporariamente, acalmado, mas continua à espreita, basta que seja espevitado com uma má notícia de dados económicos ou ratings (como acabou por acontecer na sexta-feira à tarde com o anúncio pela agência Fitch do corte de notação de Itália e Espanha), um rumor, uma surpresa ou um deslize dos políticos.

Segundo os estudos do analista norte-americano Mark Lundeen, desde o início de agosto que as bolsas estão a viver dias de volatilidade extrema e a 3 de outubro, na segunda feira, o índice Dow Jones deu um sinal – pela primeira vez, desde 9 de março de 2009 (quando terminou o crash iniciado em 2008), fechou em valores abaixo do mínimo das últimas 52 semanas. O que costuma ser, historicamente, uma confirmação, diz Lundeen, de uma tendência de fundo, neste caso pessimista.

G2 mundial avisa europeus

O outro G2, o à escala mundial, formado pelos Estados Unidos e a China, as duas principais potências da atualidade, deixaram, também, o seu recado aos europeus.

Os chineses falaram pela letra do Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista da China, que no dia 1 de outubro, referia: “Se a Europa continuar a tergiversar, a situação apenas piorará. Os estrangeiros que desejam apoiar não o farão e a zona euro poderá desintegrar-se. O que será um desastre para a Europa e o mundo”.

Qualquer tsunami financeiro na Europa chegaria com as ondas de choque à China no pior momento. Uma bomba ameaça explodir: a do sector financeiro “sombra” onde o crédito paralelo lida com juros entre os 14% e os 70%. Este sector deve representar 8% do crédito financeiro, segundo o Crédit Suisse.

O presidente Obama, por seu lado, foi muito claro na sua conferência de imprensa de ontem na Casa Branca em Washington, DC: os europeus têm de agir rapidamente. “Espero que daqui até à cimeira do G20 [em Cannes] em [3 e 4] novembro, eles [os líderes europeus] tenham um plano de ação muito claro e concreto que esteja à altura da situação”, disse, tendo sublinhado ainda que o efeito de contágio seria “bem real”.

A exposição da banca norte-americana à dívida europeia dos GIIPS (grupo formado por Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha) tem sido um tema de polémica nos EUA. Os números que são adiantados são os mais díspares. Ainda, recentemente, John McDermott, na coluna “Alphaville” do Financial Times, referia que essa exposição “era um mistério”. Alguns cálculos apontam para um valor colossal de mais de 725 mil milhões de dólares de exposição direta bruta (mais de 175 mil milhões de dólares) e “de outras potenciais exposições” (mais de 550 mil milhões de dólares). As maiores exposições são à dívida italiana e espanhola. No caso português rondaria um pouco mais de 5 mil milhões de exposição direta e mais de 48 mil milhões de “outras exposições potenciais”.

A agência de notação Fitch (dominada por um grupo financeiro francês) acaba de cortar o rating da divida italiana e espanhola. E poupou Portugal.

A notação de Espanha desceu de AA+ para AA-, um nível quase sem risco, e a notação de Itália caiu de AA- para A+, um patamar já com algum risco, mas pouco, ou remoto. Mas mantém os dois países em perspectiva negativa.

A agência referiu que não “estenderá” os cortes, no caso de Espanha, ao sector empresarial, nomeadamente ao sistema bancário. Um alívio.

Mas recorda dois problemas sérios do nosso vizinho: o comportamento orçamental das autonomias regionais que coloca um sério risco à consolidação; e uma elevada dívida externa líquida da economia espanhola (envolvendo privado e público) que já era da ordem dos 91% do PIB em 2010, uma das mais elevadas do mundo (tal como no caso português, que é superior). A questão da posição internacional líquida negativa muito elevada em relação ao PIB denota “uma falta relativa de activos financeiros de Espanha no estrangeiro”, sublinha a agência.

Em relação a Itália, a agência, mesmo depois deste corte, continua a ser mais generosa do que a Moody’s (que baixou a notação recentemente para A2) e a Standard & Poor’s (que a classifica com a notação de A).

Poupa Portugal por ora

Apesar de não ter mexido na notação de Portugal (BBB-, no limiar do que se designa por junk status, vulgo “lixo”), a agência sublinha que mantém o país sob “observação com perspectiva negativa”. O cumprimento do MoU com a troika e o orçamento para 2012 estarão, até final ano, sob escrutínio da agência.

Trocado por miúdos – poderá cortar a notação portuguesa para os primeiros níveis de “lixo”, um patamar onde a dívida portuguesa e irlandesa já se encontra classificada pela Moody’s. A Grécia já se encontra num patamar de dívida considerada muito especulativa pela Fitch e literalmente em default eminente pela Moody’s e S&P.

Europeus têm de segurar in extremis a Itália

Há um parágrafo particularmente importante no comunicado sobre o corte da notação de Itália: “Como dívida soberana e como nação, [Itália]é solvente. Além do mais, como terceira economia da zona euro, a Itália é um membro nuclear do sistema monetário europeu e a notação da Fitch incorpora a apreciação de que, no limite, o Banco Central Europeu e/ou o Fundo Europeu de Estabilização Financeira/Fundo Monetário Internacional darão o apoio para evitar uma crise de liquidez que se auto-alimenta”. Mais claro não poderia ser.

A agência considera, também, a dívida soberana espanhola como “segura”, achando que a resposta do governo espanhol foi “credível e agressiva”.

O efeito no mercado secundário da dívida já não se sentiu – Londres já estava de fim de semana.

E nas bolsas só produziu efeito, negativo, nas de Wall Street. Mais do que os “ocupas”, o movimento da Fitch produziu, de imediato, a inversão de tendência no Dow Jones e no S&P 500, que acabaram por fechar ligeiramente no negativo: -0,18% e -0,82% respetivamente. Assim sendo, a nível global, o índice das bolsas mundiais (o MSCI AC World Index) ainda conseguiu fechar no positivo (+ 0,464%).

“Estamos numa crise global muito importante. Desde a 2ª Guerra Mundial que não tínhamos uma crise destas concentrada nos países desenvolvidos. Estamos a experimentar uma mudança estrutural. Não é um fenómeno de curto prazo”, disse Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), na sua conferência de imprensa de despedida do cargo.

Trichet termina o seu último mandato a 31 de outubro, depois de oito anos à frente do BCE. “Nunca vivemos em águas calmas durante estes anos”, enfatizou, “mas os últimos quatro anos foram turbulentos, com muitos furacões”.

Para os que julgavam que a crise havia terminado em março de 2009 com o ponto mais baixo da derrocada das bolsas à escala mundial, ou que a “cauda” posterior de crises da dívida soberana, iniciada com os casos da Islândia, do Dubai, depois da Irlanda, e mais tarde da Grécia e Portugal, era coisa temporária, Trichet recordou que “é um processo em curso, imprevisível, e que requer que estejamos alerta”.
Efeito boomerang

Esta “cauda” de eventos no campo da dívida soberana pode ter um efeito boomerang sobre o sistema financeiro e sobre a economia real, trazendo a crise, de volta, em força, a estes dois palcos de primeiro plano.

No horizonte, apenas está, por ora, um “evento de crédito” – uma forma benigna de falar de um default, um incumprimento da dívida soberana – na Grécia, segundo alguns, na ponta final do ano, com um corte de cabelo nos valores em mãos dos credores na ordem dos 60% (como estimava a Moody’s esta semana).

Mas 2011 tem mostrado que economias-chave da zona euro, como a Itália, Espanha e mesmo a França, têm sido sacudidas pelas dúvidas dos investidores no mercado da dívida e pelo pânico financeiro nas bolsas. A Itália entrou inclusive para o “clube da bancarrota” – dos 10 países com mais alta probabilidade de entrarem em incumprimento -, a Espanha tem estado num entra-e-sai desse grupo, e a França chegou a níveis de risco de default nunca atingidos, que preocuparam os analistas.
The Economist – “Tenham medo”

O presidente cessante do BCE não foi, contudo, tão dramático e aterrorizador como a capa da revista britânica The Econonist de 1 de outubro que colocou duas palavras “Tenham medo” a serem sugadas por um buraco negro. O artigo do The Economist – cuja tradução o Expresso publica na sua edição de amanhã – aponta dois “atores” principais para este horizonte negro: a estagnação económica evidente nos países desenvolvidos e a dimensão “liliputiana” dos líderes políticos na Europa e nos Estados Unidos.

O anúncio feito quinta-feira (6 de outubro) pelo Banco Central Europeu (BCE) de que o programa de aquisição de títulos soberanos da zona euro (conhecido pelo acrónimo SMP – de Securities Market Programme) irá continuar não surtiu efeito positivo imediato no comportamento das yields (juros implícitos, uma medida de rendibilidade) dos títulos dos cinco países membros da moeda única que têm estado sob stresse – Grécia, Portugal, Irlanda, Itália e Espanha. Um grupo de risco agora designado por GIIPS, um acrónimo menos ofensivo do que o famoso PIIGS.

No fecho da sessão de quinta-feira no mercado secundário, as yields nas maturidades a 10 anos mantiveram-se estagnadas para os casos dos títulos gregos e portugueses e subiram para as obrigações espanholas, os títulos do Tesouro italiano e os títulos irlandeses.

Na sexta-feira abriram em alta para os títulos soberanos a 10 anos da Grécia, Portugal, Itália e Espanha. A exceção foi a Irlanda – ontem, de novo, elogiada por Jean-Claude Trichet como exemplo de “um bom trabalho” e de “uma credibilidade que melhora ano após ano”.

Se compararmos a abertura de sexta-feira com o início da semana – o primeiro dia útil do mês de Outubro -, as yields das maturidades a 10 anos agravaram-se para os títulos gregos, as obrigações do Tesouro português, e os títulos do Tesouro italiano. Apenas estão ligeiramente mais baixas para os títulos irlandeses e as obrigações espanholas.

O próprio objetivo de fazer descer as yields dos títulos do Tesouro italiano (BTP) e das obrigações espanholas (OE) a 10 anos abaixo do patamar dos 5% não foi ainda conseguido. Ainda que tenha sido travada a escalada de princípios de agosto que conduzia estes juros para valores entre os 6% e os 7%.

Paradoxalmente, as yields das OE a 10 anos estavam a negociar, ontem, em 4,98% antes do início da conferência de imprensa de Trichet, e acabariam por fechar o dia em 5,01%. Sexta-feira abriram em 5,03%.

No caso dos BTP, as yields para a mesma maturidade subiram de 5,43%, antes da conferência de Trichet, para 5,45%, no fecho do dia, e sexta-feira abriram em 5,55%.

Nos valores de fecho de sexta-feira, as yields para os títulos gregos mantiveram a tendência de alta em todas as maturidades.

No caso das obrigações do Tesouro (OT) português, a situação foi “mista”, com yields em baixa nas maturidades a 2 e 3 anos, e em alta a 10 anos.

As yields dos títulos irlandeses subiram ligeiramente. Mas a diferença com as yields das OT mantém-se abissal.

As yields dos títulos do Tesouro italiano (BTP) fecharam em baixa, mas as yields dos BTP a 10 anos mantém-se em 5,52%. No caso de Espanha, as yields das obrigações espanholas (OE) também baixaram em todas as maturidades, e no caso das OE a 10 anos conseguiram fechar abaixo dos 5%, em 4,99%.

Uma medida temporária controversa

Jean-Claude Trichet garantiu que o prosseguimento do programa de aquisição de títulos soberanos (SMP) da zona euro reuniu “consenso” (o que, na linguagem codificada do banco central europeu, não é o mesmo que “unanimidade”). Acrescentou inclusive que “não foram discutidos limites” a essa intervenção.

Trichet insistiu que este programa – uma medida “não convencional” e temporária – deverá perecer logo que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira comece a desempenhar o seu papel no mercado secundário, conforme ficou definido na cimeira europeia de 21 de julho. “Esperamos que os governos sejam responsáveis”, disse o presidente cessante do BCE, para que o banco central saia deste campo de batalha, onde os resultados da sua intervenção têm sido magros.

O BCE já investiu €160,33 mil milhões no SMP até 30 de setembro. A repartição dessa intervenção pelos GIIPS não é conhecida.

HIGHLIGHTS
«Ireland provides an opportunity to, at least quasi-plausibly, state the case for austerity-underpinned growth.»

«Irish problem is less in the sovereign debt issuance, and more in banking sector debts. This means that in the case of default by, say, Greece, Irish sovereign debt is likely to remain outside default, but Irish banking debts are likely to be under pressure of significant haircuts.»

«Irish Government has acted consistently throughout the crisis to satisfy demands of foreign lenders, which suggests that their priority in a possible default will be to continue doing so.»

There is no New Government, there is continuity of the very same elites. People names changed at the top, principles remain intact.

«Irish banking system is comprehensively insolvent and currently functions solely courtesy of liquidity supports from ECB and Central Bank of Ireland.»

INTERVIEW with Constantin Gurdgiev (Trinity College, Dublin) – as a follow up to his comment about a post of mine on Ireland published by LisWires

1- Why Jean-Claude Trichet (ECB president) and others regularly consider Ireland as the “example” of the bailed out countries? Indeed Ireland has a lot of high ranking actors “working” for its image. Why?

A: In most cases, Ireland fits one or two specific parameters on which foreign analysts and policymakers focus their attention. The fact that the rest of the picture does not add up is not important from their point of view, as ‘proving’ their point to foreign audiences yields greater ‘return’ than the cost of committing a small country-specific error. In addition, the EU desperately needs positive newsflow from the programmes instituted in Greece, Ireland and Portugal and Ireland provides an opportunity to, at least quasi-plausibly, state the case for austerity-underpinned growth. In reality, of course, deeper analysis of what is happening on the ground is much different, but the cost of undertaking such an analysis is not worth the pain for majority of policymakers as Ireland is too small to matter in terms of real economic contribution to the EU. Lastly, domestic policy has been (since time immemorial) to ingratiate foreign analysts and policymakers with positive newsflows from Ireland. We call this phenomenon ‘green jerseying’. Irish officials and the analysts aligned with the official position are deeply concerned with the image of the country abroad. In part, this is simply due to the excessive reliance of Ireland on foreign investors (hence, the two-tier economy sustained and even encouraged via Government policies since the early 1990s) and in part it is due to domestic political situation whereby traditional Irish elites perceive the need for self-validation through the eyes of the EU and its officials to claim mandate for ‘modern’ Ireland at home. This results in a distorted, marketing-based approach to data reporting and analysis delivered from the official Ireland to the rest of the world.

2-Why the financial markets (CDS and bonds secondary markets) seems to agree with Trichet and others?

A: They do not ‘agree’. Irish CDS and secondary bonds are extremely thinly traded internationally. When markets liquidity flows into larger subclasses of assets, such as, for example Spanish and Italian bonds, there is an outflow of funds from short positions in smaller bonds markets. Greek bonds are larger in volumes and are traded more frequently in the markets, so short positions in these are maintained while Irish shorts are closed off. There are other, even bigger factors. CDS valuations (and bond valuations) are not linked to fundamentals of the economy, but to the probability of default. Irish probability of default is declining, because continued pressures in Greece imply improved funding profile for Ireland (potential for lower rates charged on EU/IMF etc loans, extended maturities etc). This reduces the probability of Irish Government default on sovereign bonds. Lastly, Irish problem is less in the sovereign debt issuance, and more in banking sector debts. This means that in the case of default by, say, Greece, Irish sovereign debt is likely to remain outside default, but Irish banking debts are likely to be under pressure of significant haircuts. This is reflected in the fact that Irish financial shares continue to trade at 99% below their peak levels, while Irish bond valuations move up and down. One core note, however, is that we are not comparing like with like when we are referencing Ireland to Greece and Portugal. Irish problems are both of different nature and different scale. To say that “Ireland is/is not Greece” is fallacious. Ireland does have potential for growth of ca 50% above the rate of long term Euro area growth. Greece and Portugal do not. This does not imply that Irish adjustment path out of the depression is going to be less painful than that for Greece and Portugal. But it does mean that long term growth potential in Ireland – ex-debt overhang – is around 3.25-3.5% while for Greece it is around 1.25-1.5% and for Portugal – around 1.5-1.75%.

3-One of the interesting “structural” data for a country is its Net external debt to GDP or its Net international position to GDP– how is the Irish situation? Isn’t it better than for Portugal, Greece or even Spain?

A: I disagree – net external debt position is neither interesting, not important and as such it is virtually never used in structural stability considerations. The reason is simple. Public assets are illiquid, structurally difficult to value and off-load and politically impossible to realise in the marketplace. Ireland has some ‘assets’ in the form of state holdings in a number of quasi-monopoly enterprises in energy, transport, insurance etc, but these assets valuations bear no relation to the reality because they never account for unfunded liabilities of the state in this ownership (pensions and wages/earnings provisions for unionised workers etc). In short, I would not bother considering net external positions for the Government. Another point regarding ‘external’ liabilities is that in the case of Ireland, large volumes of the public debt, outside that accumulated by the ECB, is held internally – by banks (especially via banks recapitalization measures), pension funds etc. In traditional default scenarios, foreign investors can rationally expect their holdings to be cut ahead of domestic lenders due to political reasons. In Ireland this picture is distorted and it is difficult to make determination which way the axe will swing. On one hand, Irish Government actions to-date (tax policy) have resulted in wholesale destruction of wealth of private households in this country. This makes the cushion for future cuts in the case of default extremely thin. On the other hand, Irish Government has acted consistently throughout the crisis to satisfy demands of foreign lenders, which suggests that their priority in a possible default will be to continue doing so. Net risk allocation is difficult in this case.

4- That’s interesting that you mention that regarding the present government including the Labour…

A: You are missing the point – there is no New Government, there is continuity of the very same elites. People names changed at the top, principles remain intact. Legitimization of Irish elites is not via democratic process or through duty of service to the nation – it is through foreigners patting them on the back, saying “Good, Paddy. Well done on that [austerity/growth/paying bondholders/recapitalizing banks/not rocking the boat]”

5- What is the true situation of the banking system? It was on the brink of default and now we do not heard any more about the Irish banks…

A: Irish banking system is comprehensively insolvent and currently functions solely courtesy of liquidity supports from ECB and Central Bank of Ireland. The situation did not change in recent months. Irish state has injected significant new capital into domestic banks, which will allow the banks to take writedowns on defaulting loans through 2013, but unlikely to be sufficient to cover losses beyond this. We are seeing continued acceleration of mortgages defaults and the forthcoming reform of the bankruptcy laws in early 2012 will be a catalyst for the new and vastly greater wave of these. To be honest – the issue of the banking bust here is so large, it would require a separate article. But in the nutshell, Irish banking system is completely dead, it is not functioning in terms of either deposits (outflows continue) or lending (credit continues to contract) and the only reason the negative newsflow moderated in recent months is because the banks are now fully in the state-controlled zombie mode, while the global attention has moved away from Ireland to larger countries.

6- What will happen if the european banking crisis goes nuts? Or even in 2013 when the Irish government protection seems to finish?

A: Huge question. In my opinion, we will be forced to crystalize losses in the banking system – forced to liquidate the banks if liquidity flow from ECB stops. This is likely to lead to a disorderly withdrawal from the euro, re-monetization of the country banking system with 70%+ devaluation on deposits, capital controls and debts remaining pegged to the euro or the blend of core successors to the euro. The country will be declared officially (as opposed to currently being factually) insolvent.

Gurdgiev: the “Irish recovery miracle” dissected

by Dr. Constantin Gurdgiev | lecturer in Finance with Trinity College, Dublin

(Published by LisWires)

Despite the vigorous push for positive newsflow on economic front, Ireland is not a good poster boy for austerity-leads-to-growth case. At least not yet. In fact Ireland is witnessing neither an economy-anchored sustainable growth, nor the case of real structural fiscal adjustments. It is an economy slumped at the bottom of the recession with superficial signs of viability provided by the multinational corporate activity.

Numbers not convincing

The latest headline figures for economic growth, referring to Q2 2011 are less than convincing of the case that Ireland’s economy is back onto a growth path after the unprecedented 12% collapse it suffered since the peak of 2007.

Preliminary Q2 GDP growth of 2.3% year-on-year conceals a number of worrisome facts.

Firstly, the largest sector of the economy in terms of both contribution to GDP (41% of total GDP) and employment (ca 60% of total workforce) – Services – continued to contract in Q2 2011, posting annual real rate of growth of -0.7% and a quarterly rate of growth -1.3%. The second largest sector – Industry, accounting for 21% of economic activity in the country and only ca 15% of employment) grew by a robust 7.5% year on year in Q2 2011. However, this growth was concentrated in one sector – pharmaceutical and chemical production where the share of foreign companies output is well in excess of 90%.

Thus, Irish growth figures through Q2 2011 show the pattern of an economy consuming itself from inside and bifurcating along the lines of tax-optimising multinationals and struggling domestic producers.

Personal consumption is down 1.3% year on year, and gross domestic capital formation has fallen 17.1%. The only two categories of economic activity up are the value of physical stocks of goods and net exports. Which means that nominal GDP is down 0.3% in Q2 2011 year on year, while nominal GNP is down 1.9% in the same period. Domestic deflation and exchange rate movements, not more output or higher value added, are driving the inflation-adjusted growth figures cited as the evidence of Ireland’s ‘return to growth’.

The problem of measuring Ireland’s progress on the road to recovery, illustrated by the above numbers, is that Irish economy is bifurcated and this bifurcation is only more pronounced since the onset of the crisis. Irish economy, in effect, robs Peter (domestic economic activity) to pay Paul (exporting activity).

Exports driven by tax arbitrage

Similarly, contrary to the assertions made by Irish officials, the unprecedented boom in exports witnessed by Ireland today is not being driven by gains in competitiveness or by smart policies. Instead, it is driven by tax arbitrage, the same force that drove Irish exports activity since the mid 1990s.

The result – amplified recessionary effects at the real domestic economy level:

1. Extremely high unemployment, as collapse of domestic economic activity has impacted labour-intensive services and industrial activities. The official unemployment rate is anchored at 14.2-14.3% (compared against 4.2-4.4% unemployment in pre-crisis era) and conceals youth unemployment running at over 40%, shrinking labour force, rampant emigration and growing state ‘training’ schemes generating no real uptake in jobs creation;
2. Widening gap between GDP and GNP – the gap that is accounted for by transfers of profits abroad by the multinational exporters. Currently standing at a historically high level of 20.4%, this gap reflects the fact that Ireland’s economy overall should not be referenced to GDP figures;
3. The extreme dependence of Irish economic activity on one particular sector – pharmaceuticals – for generating economic growth, the sector that is thin on employment (providing less than 5% of jobs), but is heavy on exporting (accounting for 90% of Ireland’s trade surplus). This sector is subject to severe pressures in months to come, as blockbuster drugs produced in Ireland come off patent, resulting in a rush to book profits by the MNCs today, but threatening collapse in activity in 2012-2013;
4. Combined public and private investment in the economy today no longer covers depreciation and amortization of the capital stock accumulated during the Celtic Tiger years.

On the gains in competitiveness: stuff of mythology

The gains in competitiveness and cost-of-business reductions, so often cited at the ‘success story’ for Ireland are stuff of mythology. While unit labour costs have fallen significantly during the crisis from the historical highs of 2008 to the levels comparable to 2004, this masks several disturbing facts.

Firstly, in Euro area-wide comparatives, measured by the harmonized competitiveness indicators (HCIs) referenced to the unit labour costs Ireland remains the worst performing core euro area country.

Secondly, much of the competitiveness gains to-date not driven by organic growth in productivity, but by wholesale destruction of two labour-intensive sectors of Irish economy: retail and construction.

Thirdly, Irish economy has not been sensitive to competitiveness metrics before and this is not about to change now. Much of economic growth that we were witnessing in the last 20 years has been driven by transfer pricing by multinational exporters, not by economy’s ability to compete. Thus, robust growth since the late 1990s through 2007 was predicated on factors such as externally driven dot-com bubble, credit bubble and tax arbitrage. This explains why Irish unit labour cost-based HCIs were worse than euro area average in every year since 1996, and absolutely the worst in comparison to all other euro area counterparts since 2004, and yet the economy was booming. This also explains why during the boom no foreign direct investor complained about the sky-high commercial rents or other costs that have been deflated during the crisis.

Instead, their concerns during the boom were – and remain today – shortages of skilled labour (as of today, there are more than 5,000 open positions in higher-skilled ICT sectors which Irish employers and MNCs cannot fill despite extremely high and rising wages in the sector) and high cost of basic utilities (still on the rise courtesy of the state-controlled energy and utilities sector).

On the export engine

Which brings us to the claims that Ireland’s ability to attract multinational corporate investment is a testament to our economic model resilience.

In reality, the opposite is true. Current exports boom began in 2009, yet exports growth failed to translate into real recovery in the economy. Irish economy missed unprecedented global capex expansion of 2009-2010 and failed to restart domestic investment. Exporting boom itself is fully captured within a handful of multinational firms with little employment and hefty profits bookings against transfer pricing. The boom also predates improvements in competitiveness, once more showing that labour costs and productivity metrics are largely irrelevant to our trading performance.

The exports boom is concentrated in two sub-sectors – high tech services (e.g. Google, and other internet-based MNCs) and pharmaceuticals (including bio-pharma). Yet, these are the very same sectors where wages are highest of all employment categories and where skills shortages are driving labour costs up amidst the current recession. In Q2 2011, average hourly earnings have fallen 2.5% in industry and 6.3% in construction. In Wholesale and retail trade earnings fell 0.4%. Meanwhile in the information and communications sector, earnings rose 1.4% following 3.6% rise in Q1 2011. Ditto for financial services – the largest services exporting sector – where earnings rose 1.4% in Q1 and 0.7% in Q2 2011.

The imbalances of our exports activity are further reflected in the continued dependence of Irish exports on traditional US, UK and European markets for trade. Ireland’s trade with more dynamic markets, such as for example BRIC, is miniscule, and virtually zero contributor to GDP and GNP. Per latest data on external trade, Irish trade balance is negative with China and Brazil, positive, but small with India and Russia. Indigenous exporters, outside the broadly MNCs-dominated pharma, medical devices and ICT sectors, are small and despite enjoying strong global trading environment (especially in food and agricultural products sectors) deliver less than 1-2% of the overall trade surplus.

On the fiscal austerity

Last, but not least, is the point concerning Irish fiscal austerity. After years of draconian tax increases and significant cuts to capital spending, Irish Government continues to run double-digit deficits (excluding banking sector support measures) relative to GDP and even deeper deficit in comparison to GNP – the true metric for Irish economy.

Voted current spending – the budgetary metric controlled by the State – has increased from €30.2bn in 9 months through September 2009 to €31.2bn in the same period this year. Total current expenditure also increased during this ‘austerity’ period. In other words, due to higher social welfare costs, continued excessive spending on wages and pensions in the public sector and lack of robust reductions in largest spending departments such as health and education, Irish austerity drive has been transformed into a hit-and-run on taxpayers income and wealth, and depletion of the national capital base.

While public sector wages rose 0.6% in Q2 2011, private sector wages moderated by 0.5%. In ‘austerity’-impacted public administration and defence, earnings rose 0.2% in Q2 2011, in education – state controlled sector – by 4.9% and in health – by 2.8%.

In Q3 2011, total cumulative income tax share of overall tax revenues was 38.4% up from 33.2% in Q3 2010 and 28% in Q3 2007 – the last year before the current crisis. At the same time, corporate tax contributions have fallen from 9.9% in Q3 2010 to 8.5% in Q3 2011.

If Ireland did return to growth in economic activity, why are corporate tax revenues falling in overall importance?

Year on year through the 9 months of 2011, total net cumulative spending by the Irish Government has increased, not fallen. In fact, it rose by 0.6% through Q3 2011 in annual terms. Worse, this increase is divided between a 27% decline in capital spending and a 3.2% increase in current spending. And this is hardly surprising.

For all verbal bluster about hard austerity, Irish Government budgetary targets for 2011 are set to deliver a 26% decrease in capital expenditure, while providing for 3% increase in current spending. Overall, even in terms of planned targets, Irish Government spending in 2011 is set to decline by just 0.8%. One hardly needs an advanced degree in mathematics to understand that Irish Government’s fiscal austerity is the embodiment of the culture of low aspirations – we set shallow targets and fail to achieve them.

On the debt overhang

For all the talk about ‘Ireland is not Greece’, Irish leaders are conveniently forgetting one simple fact. While Greece sports much worse public debt conditions than Ireland, Irish economy is facing a vastly greater overall debt burden.

Combined Government, household and domestic non-financial corporations’ debt in Greece stood at 273% of GDP in January 2011. In Ireland the same figure was 400% relative to GDP and 494% relative to GNP.

In fact, Ireland’s debt overhang is the most severe in the OECD and the rate of debt accumulation in 2000-2010 was the fastest of all advanced economies. Both of these factors have been shown in the recent paper from the Bank for International Settlements to be the core drivers of the dramatic declines in long-term growth of economies within and outside the crisis. Which, of course, brings us to the issue of sustainable growth.

Irish growth projections that underlie long-term stabilization of fiscal imbalances assume long-term average growth rates of 2.5-3.2 percent per annum. Based on OECD evidence, Irish debt overhang is consistent with the long-term growth rates of ca 1.2-1.7 percent annually.

The gap between two projections suggests that whatever green shoots the Irish economy might exhibit in the short term, it is the long term structural problems that currently should be the focus of policymakers and the EU/IMF/ECB troika. Alas, all the current talk about “Irish recovery miracle” is not helping here.

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