Agosto 2011
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Ter 30 Ago 2011
A bolsa grega foi ontem bafejada pelo anúncio de uma operação de fusão entre dois dos maiores bancos privados do país, o Alpha e o Eurobank. O índice bolsista ateniense disparou 14,37%, depois de várias derrocadas durante agosto. Hoje, a bolsa já regressou ao vermelho.
No entanto, segundo analistas gregos, a fusão dos dois bancos privados pode apontar para um padrão de concentração bancária, num país em que o sistema financeiro é considerado muito fragmentado, e de recapitalização.
O aviso de Lagarde
Esta recapitalização por via de uma fusão e entrada de um acionista forte extra-comunitário – no caso, árabe – surge depois de Christine Largarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional ter chamado à atenção para a necessidade de uma recapitalização da banca europeia “em força e já”, no encontro realizado, no fim de semana, pela Reserva Federal norte-americana em Jackson Hole, nos Estados Unidos.
O Alpha Bank e o Eurobank EFG decidiram juntar os trapinhos numa operação que se vai concretizar no primeiro semestre de 2012. A fusão permitirá ao novo banco, Alpha Eurobank, passar a constar dos 25 maiores da Europa, com ativos no valor de €146 mil milhões, ultrapassando os €118 mil milhões do Banco Nacional Grego (BNG), o mais antigo banco grego criado por George Stavros em 1841, que em fevereiro tinha tentado comprar o Alpha Bank. O BNG é detido em 12,1% do capital por fundos de pensões ligados ao Estado.
O novo banco tem uma projeção externa com particular destaque na região dos Balcãs. O presidente do Eurobank, Yannis Costopoulos, disse que com esta fusão será criado o maior banco privado da Grécia que poderá alcançar a posição de 22º ou 23º na lista dos 25 maiores bancos europeus.
A fusão envolverá uma venda de ativos dos dois bancos, uma troca de ações e uma emissão de títulos coberta pela Paramount Services (Holdings) Limited no valor de €500 milhões, que passará a deter 17% do capital da nova entidade, passando largamente à frente das duas famílias gregas detentoras dos dois bancos, os Latsis (donos do atual Eurobank, que passarão a deter 13%) e os Costopoulos (que detém o Alpha, e que passarão a ter 4% do novo banco).
Operação já inclui um “corte de cabelo”
O novo banco já incorporará a previsão de um hair cut (“corte de cabelo”, designação para uma diminuição do valor facial) de pelo menos 20% do valor do portefólio em títulos do Tesouro grego que os dois bancos detêm, e cuja renegociação da dívida está em curso pelo Ministério das Finanças de Atenas com um grupo de credores privados, incluindo bancos gregos.
A Paramount Services (Holdings) Limited é um fundo do Qatar domiciliado em Londres desde 1993 que reúne a gestão da fortuna de uma das famílias proeminentes daquele emirado árabe. O fundo já detém 7% do grupo Barclays e 10% do Crédit Suisse.
Ter 30 Ago 2011
As yields (juros implícitos) das obrigações do Tesouro português (OT), dos títulos gregos e dos títulos irlandeses verificaram hoje no mercado secundário descidas muito significativas, em alguns casos variações diárias entre 6 e 8%, segundo dados da Bloomberg. A reviravolta no mercado secundário da dívida soberana deu-se na parte da tarde.
Para dar dois exemplos sobre a descida de hoje: os juros das OT a 2 anos desceram de 13,21% no fecho de ontem (29 de agosto) para 12,38% no fecho de hoje; e os juros dos títulos gregos com a mesma maturidade caíram de 45,62% no fecho de ontem (dia em que haviam disparado) para 42,47% no fecho de hoje.
Ontem, Portugal foi uma honrosa exceção, com os juros a descer quando todos os outros “periféricos” da zona euro subiam; hoje ficou acompanhada pelos dois “colegas” de planos de resgate pela troika.
Também os juros dos títulos irlandeses prosseguiram uma tendência de baixa acentuada: os juros dos títulos a 2 anos fecharam em 7,95% e os juros dos títulos a 10 anos em 8,63%. A diferença com os juros das OT continua a ser muito significativa – os juros das OT a 2 anos estão em 12,38% e os das OT a 10 anos em 10,43%. O contraste entre Irlanda e Portugal é evidente – apesar de ambas verificarem descida dos juros das suas dívidas soberanas.
As razões desta quebra acentuada à tarde nos juros dos títulos soberanos dos três países com planos de resgate ainda não estão apuradas.
Espanha Itália sem inversão de tendência altista
Mas a reviravolta não ocorreu com os juros das obrigações espanholas (OE) e dos títulos do Tesouro italiano (BTP=buono del Tesoro Poliennale, títulos do Tesouro plurianuais). Quase todas as maturidades verificaram subida de juros.
No caso das OE e dos BTP a 10 anos, os juros continuam teimosamente acima de 5%. Hoje voltaram a subir ligeiramente: fecharam em 5,04% para as OE e 5,13 para os BTP.
A Markit refere que houve uma forte intervenção do Banco Central Europeu no mercado secundário comprando BTP antes e depois de um leilão de dívida hoje realizado no mercado primário pelo Departamento do Tesouro italiano. O balanço desse leilão não é otimista, segundo a Markit. O Tesouro italiano conseguiu colocar BTP a 3 e a 10 anos, bem como títulos a 7 anos com taxa variável indexada à Euribor (CCTeu), arrecadando €7,7 mil milhões, mas a procura foi considerada fraca. As taxas de remuneração bruta dos tomadores dos títulos foram de 3,87% no caso dos BTP a 3 anos e 5,22% no caso dos BTP a 10 anos, valores acima dos verificados hoje para os mesmos títulos no mercado secundário (3,84% e 5,13%, respetivamente).
Ter 30 Ago 2011
Christine Lagarde, a nova diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), lançou uma pedrada no charco quando, este sábado, no retiro dos banqueiros da Reserva Federal norte-americana (Fed), falou que a austeridade como prioridade poderá dar cabo da frágil retoma nos países desenvolvidos. O que, certamente, agradou ao presidente da Fed e ao presidente Obama, e certamente colocou confusos muitos funcionários do FMI apostados em que os programas da troika sejam levados à letra. Keynesianismo que valeu a Lagarde ser colocada em confronto com Lagarde, a mesma, só que, enquanto ministra das Finanças de França, ainda há pouco tempo atrás.
Mas, a francesa não se ficou por aí. A outra bomba que lançou está a causar mais estragos. Falando do tema Europa, a nova “patroa” do FMI apontou o dedo à questão da banca. “Os bancos necessitam de uma recapitalização urgente”, disse ela, falando no mesmo painel em que estava o seu colega francês Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu (BCE). E Lagarde reforçou a urgência: “A solução mais eficiente será uma recapitalização substancial obrigatória”. As duas vias para esta operação podem ser: “procurar recursos privados, primeiro, mas usar os fundos públicos se necessário”.
Na sequência das palavras de Lagarde, o International Accounting Standard Board (IASB) expressou, numa carta enviada à Autoridade Europeia dos Valores e Mercados, as suas preocupações sobre as debilidades da forma como a banca europeia lidou com a questão da exposição à dívida grega.
Por outro lado, a Autoridade Bancária Europeia (ABE) enviou uma carta aos 27 ministros das Finanças dos governos da União Europeia pedindo urgência na recapitalização dos bancos. O presidente da ABE, Andrea Enria, sugeriu que o Fundo Europeu de Estabilização Europeia (FEEF) possa ser alargado nas suas missões de resgatar países em apuros. A ABE propõe que o FEEF possa financiar diretamente bancos em risco, encurtando o circuito atual, em que os governos recebem os empréstimos e depois redirecionam parte deles para a banca local.
Reações europeias não se fizeram esperar
Mais uma dor de cabeça a somar-se às muitas que assolam as entidades da zona euro e a própria União Europeia.
A reação às declarações da diretora-geral do FMI e ao IASB não tardaram. O porta-voz da Comissão Europeia não deixou margem para dúvidas: “Não penso isso [sobre o que propôs Lagarde]. Essa discussão já teve lugar entre a União Europeia e o FMI, e o fundo está bem consciente dos resultados e do seguimento decidido depois dos testes de stresse [aos bancos europeus em julho]“, disse o porta-voz Amadeu Altafaj na segunda-feira.
Também, ontem, o comissário europeu dos Assuntos Económicos e Monetários, Olli Rehn, declarou no Parlamento Europeu que os bancos estão mais capitalizados do que há um ano, e o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, afirmou, na mesma altura, que as medidas já tomadas “previnem uma crise de liquidez do sistema bancário europeu”. Rehn recordou que os bancos europeus aumentaram o seu capital em €50 mil milhões. E Trichet afirmou que os bancos europeus têm €14 biliões (14.000 mil milhões) em colaterais para garantir injeções de capital de curto prazo por parte do BCE e que o banco central continua com a sua linha de financiamento das necessidades dos bancos da zona euro.
Porta-vozes dos ministérios das Finanças e da Economia da Alemanha e de Espanha recusaram, também, as alegações de Lagarde.
Uma das reações veio do próprio governador do Banco de França, Christian Noyer: “Francamente não entendo o que ela disse. Ou ela foi mal informada pelo pessoal do FMI, ou, então, ela não tinha na ideia a banca francesa. Mas isso é também verdade para o sector bancário europeu em geral, que é sólido e está bem capitalizado”, disse o banqueiro central numa entrevista à estação BFM.
Mais uma dor de cabeça para a Alemanha
O próprio FEEF ainda está por ajustar às últimas decisões tomadas na cimeira europeia de 21 de julho, que preveem que ele possa financiar preventivamente países em risco – antes mesmo de planos de resgate -, o que foi pensado provavelmente para Itália e Espanha, e que possa intervir no mercado secundário, como tem feito o BCE ao abrigo do programa SMP de compra de títulos da dívida dos países da zona euro em apuros. Recorde-se que o próprio montante adequado para o FEEF poder desempenhar o seu papel inicial (apoiar países) é motivo de polémica por ser considerado insuficiente.
Até mesmo as alterações da cimeira de 21 de julho têm oposição interna num país chave da zona euro, a Alemanha, que deverá votar estas alterações no Parlamento federal no final de setembro. A chanceler alemã Ângela Merkel não tem, ainda, garantida a maioria nessa votação e aguarda uma decisão do Tribunal Constitucional sobre o próprio apoio ao primeiro plano de resgate à Grécia e a criação posterior do próprio FEEF.
Ter 30 Ago 2011
Portugal foi exceção na segunda-feira (29 de agosto), pela positiva. As yields (juros implícitos) das obrigações do Tesouro português (OT) baixaram em todas as maturidades no mercado secundário, segundo os dados de fecho da Bloomberg.
Ao contrário do que sucedeu com os restantes “periféricos” – quer já resgatados quer ameaçados, como são os casos de Espanha e Itália – e com a Bélgica, França e Alemanha.
Os juros das OT, apesar da descida de hoje, continuam em níveis muito elevados e que contrastam com os níveis dos juros dos titulos irlandeses, que hoje subiram na maturidade a 2 anos.
Os juros das OT a 2 anos estão em 13,21% enquanto no caso dos irlandeses situam-se em 8,6% (mesmo, depois, da subida de hoje) e os juros das OT a 10 anos desceram para 11,11%, mas acima dos juros para os títulos irlandeses com a mesma maturidade que desceram para 8,79%.
Grécia regressa ao disparo dos juros
O dia voltou a ser marcado pelo disparo dos juros dos títulos gregos depois de uma descida significativa na sexta-feira. Os juros dos títulos a 2 anos voltaram a galgar a barreira dos 45% e fecharam em 45,62%, um pouco abaixo do máximo alcançado no dia 25 de agosto (em que fecharam em 45,88%).
A situação de negociação da reestruturação parcial da dívida com credores privados e as exigências da Finlândia sobre o apoio ao segundo pacote de resgate a Atenas continuam a marcar uma situação de total incerteza sobre o país.
Espanha e Itália com juros acima de 5%
Apesar do envolvimento do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário da dívida soberana, e em particular nos títulos do Tesouro italiano e espanhol, os juros das obrigações espanholas (OE) e dos títulos italianos (BTP) na maturidade a 10 anos teimam em ficar acima de 5%.
Os juros das OE a 10 anos fecharam em 5,02% e os das BTP em 5,09%. Todas as outras maturidades das OE e das BTP fecharam em alta.
Entre 8 e 26 de agosto, o BCE comprou cerca de €43 mil milhões em títulos soberanos no mercado secundário ao abrigo do seu programa SMP. No entanto, a intensidade tem vindo a diminuir: 22 mil milhões entre 8 e 12 de agosto; 14,3 mil milhões entre 15 e 19 de agosto; e 6,65 mil milhões entre 22 e 26 de agosto.
Ter 30 Ago 2011
A intervenção no sábado passado da nova diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, a francesa Christine Lagarde, acabou por ofuscar a conferência de Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal, no retiro de banqueiros centrais norte-americanos em Jackson Hole. Risco de recessão é mais grave – sendo assim austeridade, e consolidação orçamental, deve estar em segundo plano no curto prazo. Banco central Europeu e entidades europeias não gostaram, por outro lado, da sua referência à necessidade de recapitalização bancária urgente na Europa. Resta ver quais serão as ondas de choque desta pedrada no charco lançada pela francesa.
“Os desenvolvimentos deste verão indicam que estamos em uma nova fase perigosa. O que está em jogo é claro: há o risco de descarrilamento da retoma que é frágil. Devemos agir já.”, disse Christine Lagarde, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), no sábado, no retiro dos banqueiros da Reserva Federal norte-americana em Jackson Hole, no fim de semana.
Em suma, segundo Lagarde, o FMI encorajaria os Estados Unidos e a Europa a não reduzirem rapidamente as suas despesas públicas para não precipitarem situações recessivas. A diretora-geral aconselhou, ainda, o prosseguimento de políticas monetárias “estimuladoras”.
Viragem ao crescimento
A diretora-geral do FMI considerou como prioritário evitar a recaída na recessão do que endireitar à força as contas públicas no curto prazo, comentou a Eurointelligence. Viragem ao crescimento, em vez de austeridade, como prioridade, acrescentou esta agência europeia de informação.
“Dito de um modo simples, ainda que a consolidação orçamental continue imperativa, as políticas macroeconómicas devem apoiar o crescimento. A política orçamental tem de navegar entre dois perigos gémeos: o de perder a credibilidade e o de prejudicar a retoma”, disse Lagarde, no mesmo painel em que falaria Jean-Claude Trichet. E sublinhou ainda: “As reformas estruturais sem dúvida que melhorarão a produtividade e o crescimento ao longo do tempo, mas devem evitar enfraquecer a procura no curto prazo”.
Noutro ponto frisou que a política monetária deve, também, manter-se altamente ‘acomodativa’, “pois o risco de recessão ultrapassa o risco de inflação”, segundo as palavras da própria.
O risco de passos mal dados nos países desenvolvidos terá um efeito sistémico: “Se os países avançados sucumbirem à recessão, os mercados emergentes não escaparão”.
Lagarde deixou ainda duas sugestões na parte final da sua intervenção em que resolveu falar especificamente dos EUA e da Europa.
Aos americanos propôs que lançassem novas medidas para encorajar o reescalonamento da dívida imobiliária das famílias – um dos problemas graves que afecta o rendimento disponível dos norte-americanos, sobretudo da classe média, e enfraquece a procura interna.
Recapitalização da banca europeia
Aos europeus – e na audiência estava o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet – sugeriu que seja operada uma recapitalização urgente e obrigatória da banca europeia, inclusive, se necessário, através do Fundo Europeu de Estabilização Financeira ou de outro fundo europeu para uma recapitalização direta dos bancos.
Segundo Lagarde, tal medida permitiria ao sistema bancário europeu ser “suficientemente forte face aos riscos das dívidas soberanas e a um crescimento [económico] fraco”. Isso seria “chave para cortar os elos do contágio”. Se não for feito, “poderemos facilmente assistir ao alastrar das fraquezas económicas para países-chave, ou mesmo a uma crise de liquidez”.
Lagarde dá mão a Obama
A diretora-geral do FMI e o presidente norte-americano Barack Obama (que teve uma ajuda política do presidente da Reserva Federal, Ben Bernanke, durante esta conferência de Jackson Hole que durou sexta-feir e sábado) tiveram uma conversação telefónica em que teriam afinado pelo mesmo diapasão: “O presidente e a diretora-geral concordaram sobre a necessidade de políticas que reforcem o crescimento e a criação de emprego a curto prazo, garantindo, a médio prazo, uma consolidação orçamental”, segundo o comunicado da Casa Branca.
Sex 26 Ago 2011
1º acto: À espera das 10h locais.
As expectativas em torno do discurso do presidente da Reserva Federal (Fed) têm alimentado os altos e baixos das bolsas mundiais durante esta semana. Ben Bernanke, o presidente da Fed, falará pelas 10 horas (15 horas de Portugal) sobre “As perspetivas de médio e longo prazo da economia dos Estados Unidos”.
Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu, será um dos assistentes e também intervirá neste retiro anual que se realiza, habitualmente, em final de agosto nas montanhas de Jackson Hole, no estado do Wyoming.
As palavras de Ben Bernanke vão ser interpretadas ao detalhe pelos analistas e os investidores.
Para quem aposta na lógica da financeirização, uma nova dose de “alívio quantitativo” (quantitative easing, QE) seria o ideal; para quem olha para a economia real não viu efeitos positivos do programa de QE anterior (designado por QE2) e prevê que o próximo será um novo desastre.
Um bilião de dólares apetecíveis
Os fãs da financeirização argumentam que a Reserva Federal deverá avançar com um QE3 envolvendo 1 bilião de dólares (1000 mil milhões de dólares, cerca de €700 mil milhões), 7% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA apurado no final do primeiro semestre.
O argumento técnico é que tal injeção monetária aumentaria o PIB norte-americano nos próximos 12 meses em 0,5%. Um pequeno “milagre” para um PIB cuja taxa de crescimento anda pelas ruas da amargura.
O primeiro QE desenrolou-se entre novembro de 2008, no auge da crise financeira, até maio de 2010, e o segundo programa (QE2) entre 30 de novembro de 2010 e 30 de junho de 2011. Este últimofoi lançado precisamente há um ano no retiro de Jackson Hole.
Os estudos sobre os efeitos do QE2 têm-se multiplicado. A conclusão essencial é dupla: serviu para reforçar a financeirização da economia americana, aumentando as oportunidades de especulação financeira e a desvalorização do dólar (provocando uma guerra de divisas larvar à escala internacional); e não teve efeito positivo na economia real.
A própria “bolha” financeira que se formou nos mercados norte-americanos a partir de 1996 teve uma correção limitada. Um estudo feito por Ron Griess, do Thechartstore.com, mostra que a capitalização bolsista norte-americana (S&P e Nasdaq), depois de um pico histórico atingido em 31 de março de 2000, quando chegou a valer 180% do PIB dos EUA, apenas se reduziu para 118,57% no final de julho de 2011. Um nível que está muito acima da “média” histórica desde 1925, que se situa em 62,89% do PIB.
Um rol de efeitos negativos do QE2
Do lado dos efeitos negativos, que são menos referidos no debate nos meios financeiros, os economistas anti-QE referem quatro:
- assistiu-se ao afundamento da taxa de crescimento da economia dos EUA;
- prosseguiu a queda brutal dos preços dos imóveis (tendo em conta o indicador S&P Case-Shiller)
- verificou-se uma desaceleração muito acentuada do investimento por parte dos privados;
- assistiu-se ao aumento da inflação e das expectativas inflacionistas, reduzindo, ainda mais, o rendimento disponível das famílias americanas já massacrado pela queda dos preços do imobiliárioe pelo desemprego (acima de 9%, o número oficial, pois segundo estimativas alternativas da shadowstats.com estará acima de 15%).
Basta olhar aos dados oficiais do Bureau of Economic Analysis para observar o comportamento de dois indicadores fundamentais.
A economia americana entrou num patamar de estagnação. A taxa de crescimento desacelerou de 3,1% no 4º trimestre de 2010 em relação ao trimestre anterior, para 0,4% no 1º trimestre de 2011 e 1,3% no 2º trimestre deste ano – valor que foi corrigido hoje para 1%, segundo o Departamento de Comércio. As exportações desaceleraram de 6% para 3,1%.
A taxa de crescimento do investimento privado bruto caiu de 25% no 3º trimestre de 2010 em relação ao trimestre anterior para menos de 5% no 2º trimestre de 2011 em relação ao trimestre anterior.
2º acto: Bernanke empurra para 20 e 21 de setembro
Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed), no seu tão aguardado discurso de hoje na reunião anual de Jackson Hole, não tirou nenhum coelho da cartola sinalizando novo programa de “alívio quantitativo” (quantitative easing, QE), como muitos aguardavam nos meios financeiros.
Ben Bernanke afirmou que a Fed irá discutir as ferramentas de que dispõe ao nível de “estímulos monetários” na próxima reunião de governadores a 20 e 21 de setembro – uma reunião que foi alargada por mais um dia do que é habitual.
Mas frisou que “muitas políticas económicas que suportam um crescimento económico robusto estão fora do âmbito do banco central”, enviando a bola para o terreno da Administração e do Congresso. A 5 de setembro espera-se que o presidente Obama apresente o tão falado “programa económico”.
Ainda que optimista no longo prazo, Bernanke repetiu que a Fed sinalizou em baixa a sua perspectiva sobre o crescimento nos próximos trimestres. Voltou a referir que “a retoma tem sido muito menos robusta do que esperávamos”.
Dicas aos políticos
Não se coibiu, também, de emitir opiniões críticas e avançar com sugestões sobre a política orçamental do Executivo e do Congresso e inclusive sobre o processo de tomada de decisões em matéria orçamental. Bernanke não deixou de recordar o folhetim recente sobre o aumento do teto da dívida e o seu efeito de “disrupção nos mercados financeiros e provavelmente também na economia”.
Das decisões políticas faz depender a própria sina da economia americana a longo prazo: “Não espero que o potencial de crescimento de longo prazo seja materialmente afectado pela crise e pela recessão, se – e sublinho se – o nosso país tomar as medidas necessárias para assegurar esse resultado”.
Nesse plano, Bernanke continua a insistir numa estratégia equilibrada, entre o tratamento do problema da sustentabilidade orçamental e a atenção à “fragilidade da atual retoma económica”. Nas suas próprias palavras: “Agir agora para colocar em marcha um plano credível de redução dos défices futuros no longo prazo, permanecendo atento, no curto prazo, às implicações na retoma das opções orçamentais, pode servir ambos os objetivos”.
Estas palavras foram interpretadas por muitos analistas norte-americanos como um endosso político a um novo programa de estímulos fiscais no curto prazo por parte da Administração, particularmente tendo em conta o nível do desemprego, um aspeto abordado no discurso. Contudo, como frisa o analista Peter Cohan, dado o atual contexto político no Congresso, a concretização de algo similar “muito o admiraria”.
3º Acto: Wall Street fecha no positivo
Apesar de uma reação inicial de descontentamento por Ben Bernanke não dar sinais sobre a possibilidade de um novo programa de “alivio quantitativo”, os investidores no mercado bolsista acabaram por interpretar o discurso do presidente da FED como deixando a mensagem que a situação ainda não é tão grave que exija tal tipo de intervenção.
Os dois índices principais de Wall Street fecharam no positivo: o Dow Jones valorizou 1,21% – depois de ontem ter perdido 1,51%; e o S&P 500 subiu 1,51% – depois de ontem ter perdido 1,56%. O Nasdaq compósito, o índice das tecnológicas sediado em Times Square, subiu mais acentuadamente, fechando 2.49% acima de ontem (quando perdeu 1,95%).
A recuperação em Wall Street e Times Square salvou o dia nas bolsas mundiais. A Ásia fechara com um balanço misto e a Europa encerrou no vermelho. Mas o índice mundial das bolsas – o MSCI AC World Index – fechou no positivo, com uma subida de 0,67%. Ontem encerrara em terreno vermelho.
Sex 26 Ago 2011
O disparo nos juros dos títulos gregos prosseguiu a 25 de agosto (5ª feira). Ao começo da tarde, segundo dados da Bloomberg, os juros para os títulos a 2 anos no mercado secundário subiram para 45,64%. Nas outras maturidades, os juros também prosseguem a escalada para novos máximos. No fecho da sessão de 5ª feira, aqueles juros para os títulos a 2 anos atingiram 45,88%.
Também, os juros das obrigações do Tesouro português (OT) continuaram a tendência de subida. Todas as maturidades estiveram com os juros em alta. Ainda não atingiram os máximos históricos de julho, mas não abrandam.
Contraste com a Irlanda
O que contrasta com o comportamento dos juros dos títulos irlandeses que prosseguiram a descida. A comparação é chocante no fecho de 25 de agosto: os juros dos títulos irlandeses a 2 anos estão em 8,55%, enquanto para o caso português estão em 13,35%; os juros dos títulos irlandeses a 10 anos estão em 8,90%, enquanto os portugueses estão em 11,18%.
Qui 25 Ago 2011
Article: Jorge Nascimento Rodrigues
English edition by LisWires/JPO
Two researchers from the U.S. Federal Reserve said that the demographics will push Wall Street to a long journey across the desert. Doug Short, meanwhile, stresses that the stock market correction that began in 2000 is still insignificant, when compared to the historical trend
The volatility of world stock markets in August brought to the debate the question of the prevailing mood among investors.
Analysts position themselves as rival cheerleading squads confronting in the stands. The scenarios are opposites: the optimistic ‘bulls’ visualize growth and excitement, as the pessimistic “bears” await further readjustment of valuations.
Between August 8th and 19th, world stock markets had five sessions in the red, wiping nearly 14% of capitalization as measured by the MSCI AC World Index. Analysts pointed two mini-crash events, on August 8th (down 5.08%) and August 18 (down 4.16%). However, five positive sessions minimized the collapse, which was little over 5%. This week, the recovery on Tuesday (almost 3%) left the “bulls” more confident. But on Thursday, a rumour on the possibility of a downgrade of Germany (losing the triple A) was enough to send European indices and Wall Street into the red.
Modest correction in an historical trend perspective
Doug Short, vice president for research of Advisor Perspectives, in an interview with Expresso, emphasizes the need to have a long-term perspective. He considers himself an “addicted” to the secular trend charts, since he became fascinated by the behaviour of the markets, 25 years ago.
Daily, on his blog dshort.com, Doug Short (former professor at the University of North Carolina, and former executive at IBM and GlaxoSmithKline, until his retirement in 2006), updates the evolution of the S&P 500. He questions whether the secular bear period, which began after the peak in 2000, stopped in March 2009 (after the violent financial crisis where the S&P has lost 59%), or whether it will extend itself.
Doug Short notes that from the standpoint of a long-term trend (since the year 1870 for the S&P composite), the correction that occurred between 2000 and March 2009 was only 9% below the historical trend (exponential regression trend line), which compares modestly to 54% below the historical trend of the bear period between 1968 and 1982. Which raises the uncomfortable question: or “this time is different”, or there will be a long road of market capitalization readjustment/devaluation.
Stocks still overvalued
Comparing the current scenario to the 2008 meltdown, Doug Short refers: “While I think it’s unlikely, it’s still quite possible. The same cards are on the table in 2011 as were on the table in 2008. But now more of them are face up – known risks. That knowledge will, I think, lessen the odds of retesting 2009 market lows – at least in 2011 near term. Over the longer-term, my sense of market valuations, focused on US markets, is that equities are still overvalued, despite the recent correction.” And he remains “very sceptical of responses to the crisis by the United States and Europe.”
And notes that: “Based on the latest data from S&P 500, the market is still overvalued between 38 and 53%, depending on the market valuation indicator used.”
This week, two researchers from the Federal Reserve Bank of San Francisco, Zheng Liu and Mark Spiegel released a paper Boomer Retirement: headwinds for U.S. Equity Markets? where it is suggested that this bear period will last at least another decade, which caused an angry reaction from a large number of financial analysts.
“Real stock prices follow a downward trend until 2021, cumulatively declining about 13% relative to 2010. The subsequent recovery is quite slow. Indeed, real stock prices are not expected to return to their 2010 level until 2027.” refer the authors. The reason is demographics: “Although many theoretical ambiguities, stock prices in the U.S. have been closely related to demographic trends over the past 50 years.” The two authors point out that, with the retirement in the next two decades of the “baby boomers”, the stock market will suffer.
The researchers from the Federal Reserve admit that some international factors can counteract this trend, if, for example, sovereign wealth funds and foreign investors (mostly Chinese, if the control of capital outflow from China is relieved) move from U.S. Treasuries to Wall Street equities.
Doug Short tells us that this demographic trend could make the current “bear” period, that started in 2000, longer than the one between 1929 and 1949 or between 1968 and 1982, but expects the recovery to take place before 2021.
Qua 24 Ago 2011
A situação da dívida grega continua a degradar-se. As yields (juros implícitos) dos títulos gregos a 2 anos atingiram, no fecho, o valor recorde de 44,02% no mercado secundário, segundo dados da Bloomberg.
Os juros em todas as maturidades da dívida grega continuaram a subir hoje. Os juros dos títulos gregos a 3 anos fecharam em 37,10%, os juros de títulos com maturidades a 5 anos ascenderam até 21,86% e os juros dos títulos com maturidade a 10 anos subiram para quase 18%.
No caso dos juros dos títulos a 2, a 3 e a 5 anos são novos máximos.
Também os juros das obrigações do Tesouro (OT) português têm estado em alta em todas as maturidades, com os juros das OT a 2 anos em 13,28% e os das OT a 10 anos em 11,18%, no fecho.
Por outro lado, os juros dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos continuaram a subir acima de 5% durante o dia de hoje, depois de ontem terem fechado em 5,01%. Fecharam em 5,05%.
No caso dos juros das obrigações espanholas (OE) com aquela maturidade, também, fecharam acima de 5% em 5,01%.
Recorde-se que um dos objetivos da intervenção do Banco Central Europeu nas últimas duas semanas no mercado secundário da dívida soberana foi inverter a subida dos juros das OE e das BTP, particularmente barrar a subida ao patamar dos 5%-6% para as maturidades a 10 anos, que colocariam estas dívidas perto da linha vermelha dos 7% (o “teto” Teixeira dos Santos que implicaria recurso à troika e pedido de resgate).
Qua 24 Ago 2011
A agência de notação Moody’s (cujo principal acionista é Warren Buffett) anunciou hoje que cortou o rating da dívida de longo prazo do Japão, a terceira economia do mundo, de Aa2 para Aa3, uma classificação equivalente a AA-, que é a notação que as outras duas principais agências – a Standard & Poor’s e a Fitch – já lhe haviam atribuído este ano.
A Moody’s havia cortado a notação do Japão para Aa2 em maio de 2009.
O Japão tem, agora, a mesma notação que a China, a atual segunda maior economia do mundo, logo a seguir aos EUA.
Seguiu-se o corte, também, da dívida do sector financeiro nipónico. O impacto na bolsa de Toquio foi imediato. Os índices bolsistas Nikkei 225 e TOPIX negoceiam em terreno negativo e fecharam no vermelho: queda de 1,07% do Nikkei 225 e de 1,09% do TOPIX. O clima nas bolsas asiáticas desta 4ª feira foi, aliás, negativo.
As razões estruturais aduzidas pela Moody’s para o corte da notação prendem-se com a situação da dívida pública, que é mais do dobro do Produto Interno Bruto (PIB) japonês. O Japão é o líder mundial no peso da dívida pública em relação ao PIB – segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional estaria em 225,8% do PIB no final de 2010.
A diferença japonesa a ter em conta
Simplesmente, ao contrário de outros países super-endividados (por exemplo, a Grécia ou os EUA), a dívida japonesa é detida em 95% por nacionais e o país conta com reservas em divisas de mais de 1,1 biliões de dólares (1100 mil milhões) que o colocam em 2º lugar neste “clube”, a seguir à China, que terá mais do dobro desse valor .
Do ponto de vista conjuntural, a Moody’s alega que os efeitos da tragédia de março – terramoto e tsunami – vão condicionar a retoma da economia japonesa e que a situação política continua em ebulição, com a nomeação na próxima semana do 6º primeiro-ministro em cinco anos.
O Japão está desde o último trimestre de 2010 em recessão: queda de 0,6% no 4º trimestre de 2010; quebra de 0,9% no 1º trimestre de 2011; e queda de 0,3% no 2º trimestre de 2011, segundo dados da OCDE.
Japão perdeu triplo A em 1998
A S&P (do grupo McGraw-Hill) havia cortado a notação do Japão para AA- em janeiro deste ano e colocou-a em perspectiva negativa em abril. A Fitch (do grupo francês Fimalac) cortou a notação de AA para o mesmo nível e colocou-a em perspectiva negativa desde maio.
O Japão perdeu a notação triplo A em 1998, precisamente pela mão da Moody’s, que a baixou para Aa1. A S&P só em fevereiro de 2001 “expulsaria” o Japão do triplo A, cortando a notação para AA+ (a notação que os EUA têm atualmente).
Ter 23 Ago 2011
Desde 17 de agosto que as yields (juros implícitos) dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos não regressavam ao patamar dos 5%. Hoje, no fecho do mercado secundário, os juros das BTP a 10 anos subiram para 5,01%. No caso das obrigações espanholas com a mesma maturidade, os juros subiram, no fecho, para 4,991%.
Ao fim de duas semanas de intervenção massiva do Banco Central Europeu no mercado secundário das obrigações do Tesouro dos países membros da zona euro (que somou mais de €36 mil milhões), o processo de contenção dos juros relativos à dívida espanhola e italiana parece estar a abrir brechas.
Este movimento de aproximação ao patamar dos 5% nos juros dos títulos a 10 anos de Espanha e Itália foi acompanhado por uma subida geral em todas as maturidades.
O movimento de alta – conforme já foi sublinhado – foi acompanhado pelos juros dos títulos gregos e das obrigações do Tesouro português. Os juros dos títulos gregos a 2 anos fixaram um novo máximo, nos 39,61%.
Tripla crise
A zona euro, no dizer de alguns analistas, está a sofrer uma tripla crise:
- um choque psicológico em virtude de um horizonte de estagnação económica (ainda agora reafirmado pelas previsões da OCDE);
- uma total confusão política em torno do tema das obrigações europeias e da admissibilidade ou não de acordos bilaterais, paralelos, por parte de membros da zona euro com Atenas para garantir colaterais para o 2º plano de resgate à Grécia;
- e um stresse no mercado interbancário.
Ter 23 Ago 2011
Ursula von der Leyen, ministra do Trabalho e dos Assuntos Sociais do governo federal alemão chefiado por Ângela Merkel, afirmou que os planos de resgate na zona euro só deverão avançar com colateral garantido – reservas de ouro ou ativos industriais. A posição da ministra, que é também vice-presidente da CDU, o partido da chanceler alemã, foi divulgada hoje pelo jornal Der Spiegel .
As reservas de ouro de Portugal somam 382,5 toneladas e as da Grécia 111,5 toneladas, no que se refere a dois países resgatados. A Irlanda dispõe apenas de 6 toneladas.
O valor das reservas de ouro portuguesas rondam, a preços atuais, os €15 mil milhões, 13% da dívida directa do Estado.
Quanto aos países cujo risco da dívida tem aumentado, a Itália dispõe de 2451,8 toneladas, sendo a 4ª entidade mundial com mais reservas de ouro (depois dos EUA, Alemanha e Fundo Monetário Internacional), a Espanha 281,6 toneladas e a Bélgica 227,5 toneladas.
A Alemanha, com 3401 toneladas, é o segundo maior detentor de reservas de ouro, depois dos EUA.
Os “colaterais” estão em foco
Refira-se que o tema de “colaterais” como garantia dos planos de resgate tem estado em foco em virtude da exigência da Finlândia de dó dar assentimento ao 2º plano de resgate à Grécia – acordado na cimeira europeia de 21 de julho – se Atenas aceitar bilateralmente dar garantias específicas a este país nórdico.
Garantias bilaterais que vão para além da imposição da troika de um plano de privatizações de ativos gregos que ronda os €50 mil milhões.
O primeiro-ministro finlandês disse hoje que, sem um acordo bilateral no atual formato ou com emendas, a Finlândia não aprovará o 2º plano de resgate á Grécia. A agência de notação Moody’s já considerou que estes procedimentos bilaterais poderão conduzir a uma situação de impasse e redondar na precipitação de um default grego.
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