Junho 2011
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Seg 27 Jun 2011
A entidade mais exposta aos mais de 340 mil milhões de euros da dívida pública grega é o Banco Central Europeu (BCE).
Segundo os cálculos de Satyajit Das, um especialista em derivados radicado na Austrália, no relatório da Eurointelligence de sexta-feira, a exposição total do BCE pode rondar os 130 a 140 mil milhões de euros, mais de 40% daquela dívida.
Se ocorrer um “corte de cabelo” (hair cut, na designação técnica) do valor facial dessa dívida na ordem dos 50%, o BCE, direta e indiretamente, terá de arcar com perdas na ordem dos 65 a 70 mil milhões de euros, segundo o mesmo estudo de Das.
O hedge fund mais subcapitalizado
Ora, tal montante é mais de 75% do capital de que dispõem em conjunto o BCE (cujo capital deverá subir progressivamente até 10,8 mil milhões de euros) e os bancos centrais dos 17 membros da zona euro, conclui o analista. O blogue Zero Hedge já considerou o BCE o “hedge fund mais subcapitalizado do mundo”.
No entanto, os cálculos de Satyajit Das baseiam-se na exposição directa que deve rondar os 49 a 50 mil milhões de euros realizada por meio do designado Secutirties Market Program do BCE e na exposição indirecta através de empréstimos do BCE aos bancos gregos e por meio de empréstimos garantidos por títulos do Tesouro grego “de qualidade cada vez mais duvidosa” aos olhos do mercado da dívida, sublinha o analista.
TOP 15
Feito este intróito sobre a atual fatia de leão da dívida grega, o Barclays publicou, recentemente, a lista das entidades mais expostas que permitem ao leitor ter uma noção dos mais envolvidos nas peripécias que vão ocorrer nos meses mais próximos (Nota: os valores podem não ser os à data, mas dão uma ideia relativa das posições). Os resultados da investigação feita pelo Barclays foram publicados pelo BusinessInsider.com a 20 de junho.
1- BCE detém diretamente 49 a 50 mil milhões de euros (14,3%);
2- Veículos financeiros de resgate da União Europeia detêm 38 mil milhões (11,1%);
3- Sector público grego com 30 mil milhões (8,8%);
4- Financiamentos por outros governos do G20 (incluindo Estados Unidos, Japão e BRICS) com 25 mil milhões (7,3%);
5- Fundo Monetário Internacional com 15 mil milhões (4,4%);
6- Banco Nacional Grego com 13,7 mil milhões (4%), sendo o banco grego com maior exposição;
7- Bancos centrais dos países europeus com 13,1 mil milhões (3,8%);
8- Banco do Pireu (banco grego) com 9,4 mil milhões (2,8%);
9- Eurobank (banco grego) com 9 mil milhões (2,6%);
10- FMS (fusão do Depfa com o Hypo Real Estate alemães), trata-se do primeiro banco alemão desta lista, com 6,3 mil milhões (1,8%);
11- Banco grego de Poupança com 6 mil milhões (1,7%);
12- BNP Paribas, o primeiro banco francês desta lista, com 5 mil milhões (1,5%);
13- ATE (banco grego) com 4,6 mil milhões (1,3%);
14- Alpha (banco grego) com 3,7 mil milhões (1%);
15- Dexia, banco belga, com 3,5 mil milhões (1%).
A incógnita na pirâmide de derivados
Contudo, como já explicou o próprio presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, o problema não está, apenas, nesta exposição directa, mas em toda uma teia de exposições cruzadas às dívidas soberanas da zona euro.
E aspecto ainda mais complexo diz respeito aos derivados financeiros ligados à dívida soberana grega. O valor líquido dos credit default swaps (cds, seguros financeiros contra o risco de incumprimento da dívida soberana) situam-se hoje em 5 mil milhões de dólares (cerca de 3,5 mil milhões de euros), inferior inclusive ao valor dos cds sobre a dívida portuguesa (que somam mais de 6,3 mil milhões de dólares). Inclusive esse valor líquido para a Grécia baixou quase 30% nos últimos doze meses, em virtude de maior atividade especulativa sobre as dívidas de países como Estados Unidos, China, Japão, França, México, Bélgica e Espanha.
Em caso de um evento de crédito (alguma modalidade de default) os detentores desses cds sobre a dívida grega poderão reclamar o seu reembolso num momento de pânico financeiro. Contudo, a enorme incógnita é saber o que estará na pirâmide de derivados financeiros relacionada com os cds sobre a dívida grega.
Sáb 25 Jun 2011
A convergência da inflação na China, a crise da dívida grega, a recessão no Japão e o risco de um default momentâneo nos Estados Unidos podem gerar um mau momento na economia mundial. São os quatro “cavaleiros” da tormenta.
Foi Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu, que, na semana que findou, caracterizou a situação atual como de “alerta vermelho”.
Alguns analistas vão mais longe e temem uma convergência de tendências negativas este verão.
Os factos preocupantes são os mais diversos, segundo especialistas que ouvimos.
O dragão da inflação chinesa
O aumento do preço da carne de porco na China e a forma como esse simples facto simboliza uma situação inflacionária difícil de controlar pode gerar a necessidade de um arrefecimento prolongado daquele gigante económico que é hoje a locomotiva do crescimento mundial. O primeiro-ministro chinês negou em artigo no Financial Times que este dragão da inflação esteja à solta, mas os analistas têm opinião diferente. O mesmo problema inflacionário se passa na Índia.
Mas o vento da Ásia traz outra má noticia. O Japão, a terceira economia do mundo depois dos Estados Unidos e da China, e um dos grandes exportadores e detentores de reservas de divisas, vai fechar o ano em recessão, em virtude do custo do trágico tsunami de março.
A evolução da crise da dívida grega e a sua carga de contágio “sistémico”, como Trichet e Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal americana, esta semana sublinharam, é uma das incógnitas deste verão que já gerou um sentimento negativo entre os agentes económicos da locomotiva da economia europeia, a Alemanha.
PIGS r US
Finalmente, a maior economia do mundo pode ser abalada por um facto inédito – o risco de um default (incumprimento) da sua megadívida mesmo que por um curto período de tempo nos primeiros quinze dias de agosto. A agência de notação de risco Fitch chamou-lhe um “default restrito” (mais uma expressão para o dicionário da crise). O historiador inglês Niall Ferguson, a dar aulas em Harvard nos Estados Unidos, escandalizou muita gente quando disse alto e bom som: “PIGS ‘r’ US” referindo-se à bomba relógio que são as situações orçamentais dos Estados Unidos e do Reino Unido.
Incerteza é a palavra chave deste começo de verão. “É a incerteza sobre a direção que as coisas vão levar que alimenta o risco”, disse na semana que finda Mervyn King, o governador do Banco de Inglaterra. Franck Biancheri, do think tank parisiense LEAP, vai mais longe,e diz que vamos entrar na segunda fase da crise que vimos vivendo desde 2008. A fase que vai ter de varrer o “lixo tóxico” que se acumulou na pirâmide de derivados financeiros em torno das dívidas soberanas.
Parafraseando Nouriel Roubini, podemos estar a caminho de uma tempestade perfeita.
Leia o artigo completo no Expresso Economia de 25 de junho.
Sex 24 Jun 2011
A probabilidade de default (incumprimento) da Grécia fechou a semana em 83,70%, a de Portugal em 51,94%, a da Irlanda em 50,19%, a de Espanha em 24,26%, a de Itália em 17,13% e a da Bélgica em 14,27%, segundo dados da CMA DataVision. Tudo valores acima do fecho de ontem e em máximos nos casos dos quatro primeiros países.
A Grécia caminha para níveis de risco de bancarrota eminente e Portugal e a Irlanda fecham a semana acima da barreira dos 50%. Portugal está agora apenas a pouco mais de 3 pontos percentuais da Venezuela, um “histórico” do “clube” do risco de default.
As maiores subidas diárias de risco verificaram-se com a Itália e a Bélgica, o que está a deixar muito preocupados os analistas, em virtude de se estar a observar um movimento sincronizado no risco dos seis países da zona euro, ainda que em patamares distintos.
Grécia a nível de risco próximo do da Argentina em julho 2001
No “clube” dos 10 países com maior risco de incumprimento estão hoje quatro membros da zona euro (Grécia, que lidera, Portugal em 3º lugar, Irlanda na 4ª posição, e Espanha em 9º). Um outro país europeu, a Islândia, está na 8ª posição, com um preço dos credit default swaps (cds,seguros financeiros contra risco de incumprimento das dívidas) a cinco anos no mesmo patamar dos 300 pontos base do que Espanha.
Com um nível de custo dos cds na ordem de 306,89 pontos base ao final da tarde, a Espanha atingiu um novo máximo histórico depois da adesão ao euro no prémio de risco que já se cifra em mais de 260 pontos base em relação ao custo dos cds para a dívida alemã (que serve de referência).
Resta acrescentar que, em termos do indicador dos custos dos cds a 12 meses, a situação da Grécia é hoje similar à da Argentina em julho de 2001, apenas cinco meses antes do default em Buenos Aires.
Nas yields (juros implícitos) dos títulos soberanos no mercado secundário, segundo dados da Bloomberg, está a verificar-se uma tendência de aumento dos juros exigidos para a dívida de Portugal, Irlanda e Espanha. Apenas a Grécia conseguiu conter a escalada de dias anteriores e tem todas as maturidades com valores abaixo do fecho de ontem.
Juros das OT a 3 anos em 15,4%
Os juros das obrigações do Tesouro portuguesas (OT) a 3 anos já chegaram aos 15,4% no mercado secundário, um valor acima do fecho de ontem. A manter-se esta tendência fixar-se-á hoje novo máximo depois da adesão ao euro.
A maior pressão neste grupo de quatro países está a exercer-se, de novo, sobre as obrigações espanholas (OE), cujas maturidades estão todas em alta, com valores acima do fecho de ontem. Os juros das OE a 10 anos poderão hoje fixar novo máximo acima dos 5,68% em que estão a meio da tarde.
Sintoma de que a situação europeia não está em desanuviamento é o facto da variação mensal do indice iTraxx Europe Crossover série 15 da CMA DataVision para os credit default swaps relativos a dívidas de entidades europeias revelar hoje uma variação nos últimos 30 dias ainda maior do que a verificada ontem: 39,29% para as maturidades a 5 anos e 53,54% para as maturidades a 10 anos.
O filme do dia: dos sorrisos em Bruxelas ao temor de um momento Lehman
A abertura dos mercados financeiros da divida mostrou um clima de desanuviamento com uma clara tendência de baixa dos riscos de incumprimento e dos juros dos títulos da dívida soberana dos países da zona euro sob observação – o grupo de seis países, formado pela Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, Itália e Bélgica.
A cimeira europeia de Bruxelas ao dar mais uns dias de margem de manobra ao governo grego e adiando qualquer decisão de fundo sobre o segundo plano de resgate à Grécia e sobre a modalidade de reestruturação “suave” da sua dívida, parecia ter acalmado os investidores na dívida soberana. Mas foi sol de pouca dura.
À tarde começou a ser visível uma reviravolta. As dúvidas avolumam-se sobre a capacidade do governo grego em fazer passar no Parlamento em Atenas o novo plano de austeridade e de privatizações – o governo dispõe, de momento, apenas de uma maioria de 3 votos. Por outro lado, os mercados interiorizaram o “alerta vermelho” do presidente do Banco Central Europeu e o risco sistémico que foi explicado pelo próprio Jean-Claude Trichet e depois por Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal, nos Estados Unidos.
O calendário domina, agora, a cabeça dos investidores: dias 28 e 29 de junho decorre a votação em Atenas do programa de austeridade e privatizações entre 2012 e 2015, com uma greve geral em paralelo, a que se seguirá a 3 de julho a reunião do Eurogrupo (ministros das Finanças da zona euro); dia 5 de julho na Alemanha o Tribunal Constitucional irá apreciar a questão da constitucionalidade ou não do primeiro pacote de resgate à Grécia (de maio de 2010) e também a sua conformidade com as leis europeias; e entre 2 e 15 de agosto há o risco de um “default restrito” (na definição da agência de notação de risco Fitch) se o teto de endividamento federal não for aumentado.
Os analistas pessimistas falam do risco de ocorrer neste verão um “momento Lehman”, uma expressão usada na linguagem técnica para simbolizar a ruptura no sistema financeiro e o desencadear do pânico e da crise em setembro de 2008 quando a firma financeira Lehman Brothers se declarou em bancarrota.
Sex 24 Jun 2011
O contágio grego ao resto dos “periféricos”, a ideia que se começa a disseminar entre os investidores da eminência de um “acidente financeiro” na Grécia com efeito sistémico em todos os membros da zona euro, não tem estado a poupar o nosso vizinho.
O preço dos credit default swaps (seguros financeiros contra o risco de incumprimento de uma dívida, neste caso, soberana) disparou esta quinta-feira (23 de junho) para o caso espanhol. Tendo aberto em 285,99 pontos base (pb) fechou em 301,49 pb, um nível similar ao da Islândia, que recentemente re-entrou no mercado e no “clube” da bancarrota (onde está em 8º lugar). A probabilidade de default disparou de 22,81% para 23,90% e o país subiu para o 9º lugar no referido clube.
As yields (juros implícitos) das obrigações espanholas (OE) no mercado secundário estiveram em alta também. Os juros das OE com maturidades a 2 anos foram dos que mais subiram hoje no conjunto dos países da zona euro; apenas os juros das obrigações do Tesouro a 2 anos subiram mais.
Juros a 10 anos perto de máximo
Os valores de fecho das yields das OE foram os seguintes: 3,59% para a maturidade a 2 anos; 4,25% para os 3 anos; 4,85% para os 5 anos; e 5,63% para os 10 anos.
Nenhum destes valores marca novo máximo histórico em termos de valores de fecho. Nos juros das OE a 2 anos o máximo está em 4,76% atingido em 13/06/2008; nos juros das OE a 3 anos fixou-se nos 4,874% em 17/06/2008; nos juros das OE a 5 anos atingiu os 4,949% em 19/06/2008; e nos juros a 10 anos o máximo foi alcançado, recentemente, em 10/06/2011 com 5,658%. Tendo em conta estes máximos, verifica-se já alguma “proximidade” nos casos dos juros das OE a 3 e a 10 anos.
Estes níveis de juros e de risco estão, ainda, muito longe dos atingidos pela Grécia, Portugal ou Irlanda, mas revelam que Espanha surge como um quarto membro da zona euro, ainda que distanciado por ora, incluído no “cabaz” dos em situação crítica. A imagem de que Espanha teria “descolado” do “clube” parece estar em causa.
Trambolhão na bolsa em Madrid
A bolsa espanhola refletiu esta situação. O IBEX 35 – o índice bolsista – fechou com perdas de 2,77%, um míni-crash, tendo descido abaixo dos 10.000 pontos. Entre os grandes da bolsa as caídas andaram no mesmo ritmo geral: BBVA caiu 5,46%, Santander 4,79%, Sacyr Vallehermoso 4,78%, Acciona 4,54%, Mediaset 3,98%, Gamesa 3,74%, Iberdrola 2,72%, Repsol 2% e Telefónica 1,96%.
Sex 24 Jun 2011
Os malditos “mercados” não pouparam a cimeira europeia, nem tiveram qualquer respeito pelo feriado e pelos Santos Populares. 23 de junho foi um dia negro.
Novo recorde no primeiro dia de cimeira europeia e de estreia do novo primeiro-ministro neste areópago em Bruxelas. O risco de default (incumprimento da dívida soberana) galgou a barreira dos 50% a meio da manhã de quinta-feira (23 de junho, dia feriado em Portugal e de Santos Populares) e fechou em 51,24%, novo máximo histórico, segundo dados da CMA DataVision.
As yields (juros implícitos) das obrigações do Tesouro (OT) a 3 anos fecharam em 15,32% no mercado secundário, segundo dados da Bloomberg. Os juros das OT com maturidades a 2 anos atingiram os 14,39%. Neste caso, foram os juros de títulos de dívida soberana que mais subiram no conjunto da zona euro -uma variação diária de 5,1%. Só os juros das obrigações espanholas a 2 anos se aproximaram desta variação, com um aumento diário de 4,9%.
Também os juros das OT a 5 e 10 anos prosseguiram a escalada. Fecharam em 13,76% nas maturidades a 5 anos e em 11,42% nas maturidades a 10 anos.
Crueldade do factor exógeno
A “crueldade do factor exógeno”, recentemente redescoberto por muitos analistas portugueses, está patente no efeito de contágio sistémico da situação na Grécia e do comportamento sincronizado do conjunto de países membros da zona euro que são percepcionados pelos investidores financeiros internacionais (bancos, fundos soberanos, hedge funds, fundos de pensões, gestores de activos, instituições ligadas ao Tesouro dos países, etc.) como em crise de dívida soberana.
Nessa formação em grupo não estão só os três já resgatados pela troika, mas também, ainda que em posições de voo distintas, a Espanha, a Itália e a Bélgica.
Esta situação de voo sincrónico não é nova; é observável desde o início de 2010 no mercado dos credit default swaps e nas flutuações dos juros dos títulos soberanos no mercado secundário dos seis países referidos.
Estas vagas de crise de dívida soberana são “normais” em termos históricos, surgindo na cauda de grandes crises financeiras e geopolíticas. E ocorrem em cachos, em grupos de países com fragilidades mais expostas, antes de atacarem o núcleo duro quando este está fragilizado com as mesmas doenças estruturais dos periféricos.
E, ao contrário, do que muitos alegavam – desconhecendo a história – não são típicas só de países de rendimento médio (como a Argentina, a Turquia ou diversos na Ásia) ou na sequência da implosão de potências (como na Rússia).
Uma entrevista com uma das principais historiadoras destes fenómenos, Carmen Reinhart, realizada em maio do ano passado, pode ser lida aqui.
Qui 23 Jun 2011
Vermelho é mais recente palavra que incendiou os mercados da dívida. À conta dela, no dia seguinte, os indicadores de risco europeu dispararam, os juros dos títulos no mercado secundário e a probabilidade de bancarrota de vários membros da zona euro subiram em flecha. Mais um dia negro
À saída na quarta-feira de uma reunião em Frankfurt do recém-criado European Systemic Risk Board (ESRB), Jean-Claude Trichet, o presidente do novo organismo e também chefe do Banco Central Europeu, proferiu “a título pessoal”, como frisou, uma palavra assassina: vermelho.
Explicando que o novo organismo – o ESRB – terá em permanência um sistema de alarme com cores para monitorizar os riscos sistémicos da situação financeira, foi-lhe perguntado que cor atribuiria à situação atual, a que respondeu que seria o vermelho. Ou seja, estamos em alerta vermelho.
Adiantou, ainda, à saída dessa reunião, que a “interligação” entre as vulnerabilidades de finanças públicas de alguns membros da zona euro e o sistema bancário poderia gerar efeitos “potenciais de contágio dentro da União Europeia e para além dela”.
No mesmo dia, o presidente da Reserva Federal americana, Ben Bernanke, do outro lado do Atlântico, juntaria mais algum petróleo à fogueira ao salientar que um default na Grécia “perturbaria os mercados financeiros” em todo o mundo.
Efeito sistémico
Em suma, a ideia gerada é que um “acidente financeiro” (um termo do jargão técnico) na Grécia poderia funcionar como um “evento Lehmam” com efeitos sistémicos, jogando na similitude com a declaração de bancarrota do banco americano Lehman Brothers em setembro de 2008 a que alguns atribuem o despoletar da grande crise financeira.
O impacto destas frases do dia anterior não se fez esperar hoje. O indicador da Markit designado por iTraxx Sovx Western Europe, um índice relativo a credit default swaps (cds, que funcionam como seguros contra incumprimento) de dívidas soberanas da Europa Ocidental, passou hoje, nas maturidades a 5 anos, os 240 pontos base, o que acontece pela segunda vez na história deste índice, depois de ter ocorrido o mesmo recorde há precisamente uma semana.
Também o iTraxx Europe Crossover série 15 da CMA DataVision revela o nervosismo dos últimos trinta dias em relação aos cds de entidades europeias: o índice nas maturidades a 5 anos aumentou 22,19% e o nas maturidades a 10 anos subiu 33,34%.
Vendaval no risco e nos juros
Os seis países europeus sob observação dos mercados financeiros – Grécia, Portugal, Irlanda, Espanha, Itália e Bélgica – foram varridos por um vendaval no mercado dos credit default swaps ligados à dívida soberana e no mercado secundário dos títulos soberanos.
O risco de bancarrota da Grécia subiu ao longo do dia de 82% para mais de 83%, o de Portugal de 49,81% para 51,24%, o da Irlanda de 48,54% para 49,76%, o da Espanha de 22,81% para 23,9%, o de Itália de 15,6% para 16,48% e o da Bélgica de 13,01% para 13,84%, segundo dados da CMA DataVision. As maiores variações diárias do risco observaram-se nos casos da Bélgica e da Itália.
As yields (juros implícitos) dos títulos soberanos no mercado secundário também dispararam. A maior pressão foi exercida sobre os juros das obrigações do Tesouro portuguesas a 2 anos e sobre os juros das obrigações espanholas com a mesma maturidade.
Qui 23 Jun 2011
O ministro das Finanças alemão terá iniciado quarta-feira conversações com bancos e seguradoras alemãs em Frankfurt no âmbito de um grupo de trabalho com vista a analisar uma “participação voluntária” de credores privados da dívida grega, segundo uma fonte governamental alemã disse à Reuters.
Ainda segundo a Reuters, “iniciar-se-ão em toda a zona euro esta quarta-feira conversações entre governos e credores privados sobre uma participação voluntária no segundo plano de resgate à Grécia”.
Segundo o The Wall Street Journal, na semana passada, os bancos alemães teriam uma exposição de €17 mil milhões à dívida grega que soma €341 mil milhões, ou seja 5%. Os bancos franceses teriam uma exposição de 11 mil milhões e os italianos 2 mil milhões. Todos os restantes bancos europeus teriam 9 mil milhões.
O principal credor da dívida grega é o duo FMI/UE com 15,5% do total, seguido dos bancos gregos com 14,7% e do BCE com 13,8%.
No entanto, o grosso da exposição, cerca de 44%, está difuso por gestores de activos, fundos soberanos e bancos centrais de todo o mundo (à excepção do BCE) que detêm €151 mil milhões.
Segundo o diário El País , semelhante iniciativa ocorreu em Espanha. Também em Paris, Milão e Amesterdão reuniões informais do mesmo tipo terão ocorrido, segundo o diário francês Le Figaro .
Uma das questões que os banqueiros têm colocado é que a nova dívida grega – fruto do reinvestimento “voluntário” dos credores aquando do vencimento dos títulos – tenha uma garantia europeia, eventualmente da Facilidade Europeia de Estabilização Financeira.
Qua 22 Jun 2011
A probabilidade de bancarrota da dívida portuguesa baixou de um pico de 50,43% durante a manhã de ontem, segunda-feira, (20 de junho) para 48,49% hoje, terça-feira, (21 de junho) na abertura deste mercado financeiro ligado aos credit default swaps (seguros financeiros contra o risco de incumprimento), segundo dados da CMA DataVision.
A tendência de descida do risco de default para Portugal começou a verificar-se ontem à tarde, acompanhando o mesmo sentido para a Irlanda e a Espanha. No entanto, os níveis de risco dos três países mantêm-se, mesmo assim, acima dos valores de fecho de sexta-feira. A baixa do risco de Espanha permitiu a este país descer, ontem, de 9º para o 10º lugar no “clube” dos 10 países de maior risco de default (onde a Grécia lidera, com Portugal em 3º lugar e a Irlanda na 4ª posição).
Apenas a Grécia continuava ontem com o risco a subir, tendo fechado em novo recorde de 81,82%. Mas hoje abriu em baixa, dentro da tendência geral, situando-se em 81,25%.
Expectativa positiva
Segundo os analistas, há hoje alguma expectativa positiva de que o governo grego remodelado consiga fazer passar no parlamento a sua moção de confiança, ainda que por margem curta, e criar condições para uma aprovação no final do mês do novo pacote de medidas de austeridade e de privatizações exigido pelo Eurogrupo.
A aprovação do pacote é condição para que a 3 de julho aquele organismo de ministros das Finanças da zona euro dê luz verde para que a Grécia possa receber “até meados de julho” a 5ª tranche do empréstimo do primeiro pacote de resgate a Atenas.
Condição que, no entanto, pode não ser suficiente, pois o Fundo Monetário Internacional, pela voz do seu diretor-geral em exercício, John Lipsky, considerou que não basta tal pacote de austeridade, e que é indispensável que os membros da zona euro se entendam sobre os parâmetros do segundo pacote de resgate à Grécia, que tem estado envolto em divergências sobre a questão do que foi designado por “envolvimento dos credores privados” no resgate da Grécia.
Não se sabe se essas divergências serão limadas definitivamente na cimeira dos 27 membros da União Europeia que decorrerá em Bruxelas na quinta e sexta-feira, apesar de haver uma base de entendimento entre a chanceler Merkel e o presidente francês Sarkozy para uma solução similar à chamada Iniciativa de Viena seguida em 2009 para vários países do leste europeu.
A pressão política na Alemanha é muito forte para que os credores privados sejam envolvidos nos resgates dos países da zona euro em crise de dívida soberana. No seu relatório mensal, o próprio banco central alemão, o Bundesbank, refere que os níveis dos spreads para os títulos públicos se manterão em “níveis elevados” para a Grécia, Portugal e Irlanda e em menor grau para a Espanha e Itália, mesmo que estes países implementem as reformas exigidas pela troika. E conclui: esta situação tornará muito difícil o regresso em pleno ao mercado primário da dívida (com emissões de médio e longo prazo com taxas toleráveis) por parte destes países.
Entretanto, para contrariar as dúvidas dos mercados, o ministro das Finanças japonês disse hoje que o país do Sol Nascente manterá o seu empenho em continuar a adquirir obrigações europeias emitidas pela Facilidade Europeia de Estabilização Financeira com vista a financiar os planos de resgate na zona euro. Também, Beijing reafirmou essa postura, em vésperas de uma ronda pela Alemanha, Hungria e Reino Unido por parte do primeiro-ministro chinês que começará esta semana na sexta-feira.
Juros baixaram mas continuam acima de valores de 6ª feira
As yields (juros implícitos) para os títulos públicos transacionados no mercado secundário (não no mercado primário de emissão de títulos pelos estados) refletiram, regra geral, a descida do risco. Particularmente no caso de Espanha a descida é mais significativa em todas as maturidades, com os juros abaixo do nível de fecho na sexta-feira.
Apesar do desanuviamento, em diversos casos, os juros dos títulos de dívida pública no mercado secundário mantêm níveis mais elevados do que os do fecho de sexta-feira, indicando que a situação não está estabilizada. São os casos dos juros das obrigações do Tesouro portuguesas (OT) a 2 e a 10 anos; dos juros para os títulos gregos a 3, a 5 e a 10 anos; dos juros dos títulos irlandeses a 2 e a 10 anos, segundo dados da Bloomberg.
No caso português os juros das OT a 3 anos desceram dos picos acima de 14%, abrindo hoje em 13,93%. Os juros das OT a 10 anos mantêm-se acima de 11%. No caso da Grécia, os juros dos títulos gregos a 3 anos desceram do nível dos 30%, situando-se, agora, em 29,45%.
FECHO de 21 de junho: Espanha saiu do “clube” da bancarrota
O desanuviamento do risco de incumprimento e dos juros prosseguiu ao longo do dia. O facto mais importante foi a saída da Espanha do 10º lugar do “clube” da bancarrota (os 10 países com maior probabilidade de incumprimento da sua dívida soberana, segundo a CMA DataVision).
O risco de incumprimento da Grécia baixou para 80,27%, o de Portugal para 48,10% e o da Irlanda para 47,45%. Os juros dos títulos públicos no mercado secundário baixaram, em regra, mas houve excepções: os juros das obrigações do Tesouro portuguesas subiram em relação ao dia anterior (fechando em 14,12% para os juros a 3 anos e 13,21% para os juros a 2 anos), bem como os juros dos títulos irlandeses a 2 anos.
Filme de acontecimentos críticos
O calendário não é, de todo, linear, pelo que os mercados da dívida vão estar muito sensíveis ao filme dos acontecimentos: aos resultados do que ocorrerá hoje à noite no Parlamento grego (voto da moção de confiança), à pressão da reunião do Partido Popular Europeu na quinta-feira (se conseguirá dobrar a posição da Nova Democracia grega, que tem alinhado com o Partido Comunista Grego e a Esquerda Radical do SYRIZA na convocação de eleições antecipadas), seguidamente na cimeira da União Europeia desta semana (se se entenderá sobre a questão do envolvimento “voluntário” antes de 2013 dos credores privados num re-profiling da dívida grega, ou se vai adiar o assunto), depois, em 28 de junho no Parlamento em Atenas, de novo, para a aprovação do pacote de austeridade, e no princípio de julho sobre a decisão da reunião do Eurogrupo.
Qua 22 Jun 2011
Se o Le Monde e os jornais alemães iniciaram segunda-feira (20 de junho) uma campanha publicitária paga pelas multinacionais alemãs e francesas a favor do euro (“O euro é necessário”), o The Telegraph, em Londres, noticiava que o chanceler do Tesouro britânico (ministro das Finanças) George Osborne foi muito claro de que o Reino Unido ficará de fora de um novo pacote de resgate à Grécia e que um debate de urgência entre deputados britânicos, de todos os partidos, discutira cenários em que a Grécia seria forçada a abandonar o euro.
Também, o mayor de Londres, Boris Johnson, declarou, na sua coluna no Daily Telegraph, que a Grécia regressar à sua antiga moeda, o dracma. E o antigo secretário dos negócios estrangeiros britânico Jack Straw, dos trabalhistas, foi mais longe ao declarar que um fim “rápido” do euro seria preferível a uma “morte lenta” da moeda única.
As posições britânicas contrastam com a reafirmação por parte de japoneses e chineses do seu apoio às iniciativas europeias de emissão de obrigações pela Facilidade Europeia de Estabilização Financeira, que se destinam a suportar os planos de resgate.
Qua 22 Jun 2011
Directo de Singapura (21 de junho): A agência de notação de risco admite poder considerar as soluções que estão a ser pensadas para a dívida grega como um default puro e simples e ameaça que se o teto de endividamento federal americano não for subido a situação poderá chegar a um “default restrito”.
Apesar das posições de alguma abertura da agência de notação de risco Fitch em relação a uma solução do tipo da “Iniciativa de Viena” para a crise da dívida grega (e como parâmetros do segundo pacote de resgate a Atenas), o seu responsável para a Ásia-Pacífico, Andrew Colquhoun, disse hoje em Singapura, segundo a Reuters, que “a Fitch encarará uma troca de dívida ou um rollover voluntário da dívida [grega] que vença como um evento de crédito, o que implicará um rating de default para a Grécia”, a notação mais baixa de todas.
O cisne cinzento americano
André Colquhoun virou-se, depois, para o caso dos Estados Unidos e a dureza da agência foi similar. O rating dos Estados Unidos será colocado em perspetiva de revisão negativa se o Congresso norte-americano prosseguir nas guerrilhas políticas e não aumentar o nível do teto de endividamento federal até 2 de agosto, quando ocorrerá um primeiro pagamento de dívida soberana. Acrescentou ainda mais claramente que se o Tesouro americano falhar o segundo pagamento de dívida a 15 de agosto, então a Ficth baixará o rating dos Estados Unidos para “default restrito”.
Mas, logo, acrescentou, segundo a Reuters, que acredita que os políticos americanos não deixarão a situação chegar a tal ponto.
A Fitch é a primeira agência a dizer claramente que mexerá no sacrossanto rating dos Estados Unidos se ocorrer um “se” que muitos acreditam que nunca se concretizará. Como já começou a ser tão falado e deixou de ser tabu, seria o “cisne cinzento” de 2011, pois “cisne negro” – na nomenclatura de Nassim Taleb – é mesmo aquilo que emerge sem ser esperado e sequer imaginado.
Os chineses, por seu lado, já avisaram que os americanos estão a “brincar com o fogo”.
Sex 17 Jun 2011
A escalada no risco de default (incumprimento da dívida soberana) para os quatro países da zona euro sob observação (Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha) foi travada ao final da manhã com a cimeira de Merkel com Sarkozy em Berlim.
No fecho desta sexta-feira, a probabilidade de incumprimento da divida grega baixou para 79,27%, depois de ter estado de manhã em 80,73%, o risco para a dívida portuguesa baixou de 49,40% para 48,01% e o risco para a dívida irlandesa diminuiu de 48,99% para 47,50%, segundo dados da CMA DataVision. Também o risco da divida espanhola baixou de 22,79% para 21,82%.
Também a pressão para o aumento do risco de incumprimento da Itália e da Bélgica abrandou.
Juros de OT a 3, a 5 e a 10 anos em máximos
As yields (juros implícitos) dos títulos das dívidas dos quatro países também inverteram a tendência de disparo no mercado secundário que se verificara ao abrir da sessão.
Isso foi particularmente visível nos juros dos títulos gregos, nomeadamente nos juros a 3 anos que chegaram a estar em 30,54%, e que acabaram por fechar em 29,43%, segundo dados da Bloomberg.Também no caso dos juros das obrigações espanholas e dos títulos irlandeses se verificou esse desanuviamento ao longo do dia.
No entanto, no caso dos juros das obrigações do Tesouro (OT) portuguesas, os valores de fecho esta sexta-feira revelam que, apenas, nos juros das OT a 2 anos se verificou uma descida em relação ao fecho de quinta-feira.
No caso dos juros das OT a 3, a 5 e a 10 anos, os valores de fecho são superiores aos do dia anterior: os juros a 3 anos fecharam em 14,12%, os juros a 5 anos em 12,92% e os a 10 anos em 10,91%, em todos os casos novos máximos históricos desde a adesão ao euro.
O gráfico da variação ao longo do dia das yields relativas às OT a 3 anos é muito claro da amplitude da volatilidade hoje: um pico de 14,40% no começo da manhã, depois uma quebra até aos 13,8% até meio da tarde, e uma retoma da tendência altista com um disparo no fecho da sessão. [Pode ser consultado na Bloomberg na variação diária dos juros desta OT].
Iniciativa de Viena ganha peso
No entanto, a reunião entre a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Sarkozy parece ter acalmado temporariamente o nervosismo dos mercados da dívida.
Merkel e Sarkozy, na cimeira de hoje em Berlim, indicaram a disponibilidade para uma posição conjunta sobre as condições envolvendo o futuro segundo plano de resgate à Grécia, cuja data de aprovação ainda não está prevista.
A chanceler alemã e o presidente francês acordaram numa solução que envolva “exclusivamente numa base voluntária” os detentores privados de dívida soberana da Grécia, que são a maioria dos credores num bolo total de dívida de €341 mil milhões.
Segundo o jornal grego Kathimerini, a chanceler alemã referiu que a solução encontrada em 2009 para um conjunto de países do Leste Europeu, e denominada “Iniciativa de Viena” (a que nos temos referido), poderia ser “uma boa base” para a resposta à situação atual grega. Recentemente, a agência de notação de risco Fitch havia deixado essa porta aberta, como sublinhámos na altura. A ideia da Iniciativa de Viena foi a de incentivar, então, os bancos credores da dívida soberana dos países envolvidos a reinvestirem quando os títulos do Tesouro chegavam à maturidade.
Merkel também desmentiu a ideia de que a Alemanha pretenderia adiar o assunto para setembro.
Sarkozy definiu os quatro pontos da solução para o “envolvimento dos privados” no segundo resgate à Grécia: voluntária, evitando um evento de crédito (na definição das agências de rating), ter o apoio do Banco Central Europeu e ser firmada rapidamente. O presidente francês também colocou de lado a ideia de adiar o assunto para setembro. “Setembro não é tanto rapidamente quanto possível e em agosto poderemos ter outras preocupações”, disse, enigmaticamente, na conferência de imprensa.
Calendário dos próximos eventos
O calendário de eventos previsto passa agora por uma reunião do Eurogrupo no domingo, uma reunião do Ecofin na segunda-feira e uma cimeira europeia nos dias 23 e 24 de junho.
Entretanto, o governo grego remodelou o executivo passando o ministro da Defesa para ministro das Finanças (acumulando com o lugar de vice-primeiro-ministro) e o novo plano de austeridade começará a ser discutido no parlamento em Atenas no domingo e a moção de confiança no novo governo do primeiro-ministro Giorgios Papandreou está agendada para terça-feira, dois dias antes da cimeira europeia.
Os analistas admitem que o governo consiga garantir para o novo plano de austeridade (que a troika exige para desbloquear no começo de julho a 5ª tranche do empréstimo) o voto dos deputados do PASOK (partido do governo), que apesar de renúncias e saídas, continua a ter uma escassa maioria no Parlamento em Atenas.
No entanto, as próprias agências de informação financeira, relevam o papel de uma incógnita: qual o impacto final do movimento dos aganaktismenoi (indignados) em toda esta crise.
Sex 17 Jun 2011
O maior investidor individual na dívida soberana portuguesa é o Banco Central Europeu (BCE) com um envolvimento de 13,3%, ou seja €21 mil milhões num total de €158 mil milhões, segundo as contas feitas pela RCB Capital Markets para o The Wall Street Journal. (Texto JNR Gráficos JPO LISWires.com)
Seguem-se na lista de principais entidades, o FMI/EU com 11,4% do total (18 mil milhões) e os bancos nacionais com 10,8% (€17 mil milhões). Os bancos alemães, franceses e espanhóis detêm a mesma percentagem, 3,8% da dívida em cada caso (6 mil milhões por cada país de origem).

No entanto, quase 49% da dívida é detida por gestores de ativos, fundos soberanos e outros bancos centrais (para além do BCE), num montante de €77 mil milhões.
As situações são diferentes nos três casos de países da zona euro “intervencionados” pela troika.
VISUALIZAÇÃO DOS DETENTORES DA DÍVIDA EM PT, GR e IRL
No caso da Grécia, o principal credor é o duo FMI/EU com 15,5% do total da dívida helénica de €341 mil milhões. Seguem-se o grupo dos bancos gregos com 14,7% (é o país dos três em que a banca doméstica está mais exposta à dívida do próprio país) e o BCE com 13,8%. O conjunto dos gestores de ativos, fundos soberanos e outros bancos centrais detém €151 mil milhões, ou seja 44,3%.
Finalmente, no caso irlandês, o perfil dos principais credores é uma “mistura” dos perfis português e grego: o principal credor é o duo FMI/EU com 19,5% da dívida total de €113 mil milhões e o segundo é o BCE com 16,8%. O conjunto dos gestores de ativos, fundos soberanos e outros bancos centrais detém 46%, ou seja €52 mil milhões.
Troika detém 29% da dívida dos três países
No conjunto dos três países “intervencionados”, a troika (FMI/UE/BCE) detém 29% dos €612 mil milhões de dívidas soberanas da Grécia, Portugal e Irlanda.
O duo FMI/UE já aplicou €93 mil milhões e o BCE, ainda recentemente mimoseado pelo blogue Zero Edge como “o maior e mais subcapitalizado hedge fund do mundo”, €87 mil milhões nos três países.
A troika varia a sua participação na dívida dos três países entre 36,3% para a Irlanda, 29,3% para a Grécia e 24,7% para Portugal.
Fonte original no The Wall Street Journal.
[Parceria Geoscopio.tv e LISWires.com]
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