Fevereiro 2011
Monthly Archive
Seg 28 Fev 2011
É a proposta de Franck Biancheri, fundador do Laboratório Europeu de Antecipação Política, que organizará a 23 e 25 de maio em Moscovo, um primeiro seminário de especialistas europeus, brasileiros, russos, indianos, chineses e sul-africanos para definir uma agenda para tal cimeira.
Os Estados Unidos estão em “declínio irreversível”, pelo que a Europa tem de procurar novas alianças nesta década que vai viver “um período de deslocação estratégica”.
Se factos faltassem bastaria recordar a mais recente reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais do G20 em Paris ou o dominó dos levantamentos populares árabes no Magrebe e Médio Oriente, começa por nos referir Franck Biancheri, de 50 anos, fundador e diretor de estudos do Laboratoire Européen d’Anticipation Politique (LEAP), sediado em Paris,e presidente do movimento europeu Newropeans.
“Os Estados Unidos não escapam à lei de ferro da História – sic transit gloria mundi. A expressão latina para frisar uma verdade que se aplica a qualquer potência: a glória do mundo é passageira. Vocês portugueses, tal como nós franceses, ou os holandeses, espanhóis e ingleses, percebem bem este processo, pois o trilhámos, noutras alturas”, diz, com indisfarçável ironia. E prossegue: “De facto, não há mais liderança americana – e, aliás, não há liderança alguma. Uma situação que é uma estreia desde a queda do Muro de Berlim em 1989 e do final da Guerra Fria”.
A Europa é uma potência nova
Face a este “vazio” geopolítico e ao risco do próprio G20 “se tornar o equivalente moderno da Sociedade de Nações depois do final da Primeira Guerra Mundial”, o especialista francês em tendências e cenários geopolíticos e geoeconómicos propõe a realização antes de 2015 de uma cimeira entre a União Europeia e os BRIC (o acrónimo criado para reunir Brasil, Rússia, Índia e China), dando expressão a uma nova realidade que batizou de BRICE. Franck Biancheri acha que a União Europeia é uma “potência nova” com uma moeda nova e um projeto novo, e não um incumbente obsoleto, como muitos analistas tentam fazer crer. A União Europeia como realidade nova que é não deve ficar amarrada à herança do pós-guerra dos anos 1940.
Consequente com esta sugestão de guinada geoestratégica por parte da Europa, vai realizar, em 23 e 25 de maio, na universidade MGIMO (Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscovo), na capital russa, o primeiro seminário para definir uma agenda para os BRICE (BRIC + Europa), reunindo peritos europeus, russos, chineses, indianos, brasileiros e sul-africanos, onde conta envolver especialistas portugueses. O seminário é organizado pelo LEAP e pelo Instituto de Estudos Europeus da MGIMO.
As razões desta viragem prendem-se com a análise que Biancheri e o seu Laboratório de Antecipação vêm fazendo há já vários anos. Em fevereiro de 2006, o especialista francês antecipou o eclodir do que designou por “crise sistémica global”, antes mesmo dos primeiros afloramentos da crise financeira em agosto de 2007. Ao referir o caráter “sistémico” insistiu, desde então, que não se tratava de algo “passageiro” e igual a outras crises do pós-guerra.
Agora, no seu mais recente livro “Crise Mondiale” fala de uma década de 2010 a 2020 de “deslocação estratégica” global, marcando “uma transição histórica, de que a crise atual é, apenas, o acelerador”. O que vem aí, diz, é “uma tempestade perfeita”.
Cenários negros para a América
Nessa transição histórica, Biancheri pinta um quadro muito negro de dois países – os Estados Unidos e o Reino Unido. Ele diz-nos mesmo que toda “a América do Norte é o espaço com menos condições de adaptação a esta transição”. Nos dois cenários que desenvolveu até 2020, os Estados Unidos são atravessados pela fragmentação e mesmo pelo separatismo, com vários estados a sentirem-se atraídos pelo Pacífico e a voltarem as costas a Washington. Biancheri antecipa mesmo revoltas populares contra a Reserva Federal (FED) americana, o banco central.
A mistura é explosiva: “As notícias dão conta do aumento da violência – veja o caso de uma congressista baleada e de um juiz federal assassinado. Alguns estados estão a discutir pagamentos baseados no ouro e não em dólares. A bancarrota assola vários estados da federação e numerosos counties e cidades. O governador do Wisconsin pediu à Guarda Nacional para estar de prevenção contra a violência quando anunciou os cortes orçamentais nos programas do seu estado. As coisas estão a desenvolver-se muito rapidamente, mesmo apesar de os media que formam a opinião pública pretenderem que tudo isto é o “normal” nos EUA. Não é”.
O especialista francês refere que a própria crise da dívida irá chegar aos dois “intocáveis” – os Estados Unidos e o Reino Unido já no segundo semestre deste ano (ver Três Perguntas a). Vaticina, em contrapartida, que o stresse em torno dos riscos de default (incumprimento da dívida) em vários estados membros da zona euro estará superado até final do ano.
O papel do TGV
Biancheri é um entusiasta do projeto europeu. Vê nele pontos fortes como o “caráter policêntrico e a experiência concreta de uma nova divisa, o euro, e de uma união económica entre países distintos”. Considera que um dos seus elementos estruturantes é o que designa por “anéis europeus” de mobilidade. Fala da importância estratégica do anel que envolve o centro da Europa ocidental. Ele considera essa rede como uma “conurbação global” capaz de concorrer com outras à escala mundial.
Confrontado com a “periferização” do resto da União Europeia, o especialista considera importante que “outras realidades menos centrais possam ser colocadas em anéis secundários”. E, nesse campo, são fundamentais ligações rápidas por alta velocidade, incluindo a ligação Lisboa-Madrid-Paris. “Acho vital que se ligue por TGV todas as capitais europeias. Não devemos olhar, apenas, a resultados de curto prazo. É um investimento de longo prazo para a coesão europeia”, responde, para concluir: “Uma tal rede de alta velocidade deve ser suportada pela União Europeia – e tanto mais quanto é maior a volatilidade económica de curto prazo”.
Entrevista completa disponível aqui
Outros artigos referindo o LEAP:
- E se rebentarem 4 bolhas em 2011?
- Entrevista em 2008 com Biancheri:
Sex 25 Fev 2011
Um grupo de 189 economistas alemães publicou ontem uma carta aberta no jornal Frankfurt Allgemeine Zeitung contra a linha de flexibilização do sistema de “resgate” (Facilidade Europeia de Estabilização Financeira) e afirmando que os países com crise da dívida soberana devem avançar para um processo de insolvência.
A carta aberta refere três pontos capitais: a) os créditos aos países aflitos só devem ser concedidos depois de uma reestruturação da dívida; b) o estado de insolvência deve ser determinado por uma instituição internacional (por exemplo o Fundo Monetário Internacional) e não pelo país; c) o Banco Central Europeu (BCE) não deve fornecer crédito ilimitado através do plano de compra de dívida soberana dos países aflitos.
No mesmo jornal alemão, o editorialista Holger Steltzner afirmava que o BCE se transformou em um bad bank (um banco com um alto nível de “lixo tóxico” financeiro) em virtude da sua política face às dívidas soberanas e ao próprio sistema bancário da zona euro.
A pressão alemã aumenta assim de tom nas vésperas da reunião do BCE a 3 de março (quinta-feira da próxima semana) e antes das cimeiras que vão ser realizadas no próximo mês culminando na cimeira europeia de 24 e 25 de março.
Estes sinais alemães de um “nein und abermals nein!” (não e não outra vez!) aumentam, naturalmente, o nervosismo dos investidores no mercado da dívida.
Qui 24 Fev 2011
Os juros da dívida portuguesa não mostram tendência de abrandar a alta no mercado secundário. Ambas as maturidades a cinco e a dez anos continuam acima da linha vermelha dos 7%.
Depois de terem fixado ontem um novo máximo (desde a adesão ao euro) no nível de 7,22%, as yields (juros implícitos) das Obrigações do Tesouro (OT) a cinco anos fecharam nos 7,25%, segundo dados da Bloomberg. Um novo recorde. O que implica um spread (diferença) com os juros de referência dos Bunds (titulos alemães) de mais de 4,5%, o que é outro sinal de alarme.
Por outro lado, os juros das OT a dez anos – os mais mediáticos – abriram a subir em relação ao fecho de ontem. Fecharam em 7,46%, tendo “testado” o nível de 7,5% (o máximo atingido em 18 de fevereiro).
Portugal aproximou-se dos níveis de juros da dívida húngara – que estão em 7,24% nas maturidades a cinco anos e 7,48% nas maturidades a dez anos. A Hungria, recorde-se, está “intervencionada” pelo Fundo Monetário Internacional.
Qui 24 Fev 2011
O preço do barril de Brent fechou hoje em 111,25 dólares. Isto significa que a pressão imediata sobre o preço do barril de petróleo (negociado em Londres, hoje o mercado mais influente) é enorme. Vários analistas atribuem este stresse ao prémio de risco geopolítico em virtude do dominó de levantamentos populares árabes, e em particular aos acontecimentos mais recentes na Líbia, que detém 2,4% da produção mundial e 3,7% da exportação mundial.
No entanto, Mamdouh Salameh, especialista internacional em petróleos e consultor do Banco Mundial e da UNIDO, relativiza este stresse derivado das revoltas populares que atingiram, por ora, com mais impacto a Tunísia (a “Revolução de Jasmim” serviu como detonador), Egito (importante em virtude do canal do Suez e do oleoduto SUMED), Bahrein (crítico em virtude da posição estratégica no Golfo Pérsico e de ser o poiso da base naval americana da 5ª Armada em Juffair), Iémen, e nos últimos dias, com grande violência repressiva, na Líbia (finalmente, um exportador com significado na região).
A OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), liderada pela Arábia Saudita, tem um milhão de barris diários de capacidade não utilizada, diz Salameh. A Arábia Saudita realizou, esta semana, uma reunião informal que reuniu membros de 100 países, incluindo todos os membros da OPEP (Angola, Argélia, Líbia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irão, Iraque, Koweit, Qatar, Venezuela e Equador).
ENTREVISTA com Mamdouh Salameh por Jorge Nascimento Rodrigues (a) 2010
P: Os levantamentos populares ainda não tinham chegado aos produtores de petróleo com significado. Finalmente atingiram a Líbia cujas exportações de petróleo têm significado para a Itália (40%) e também para a Grécia, Espanha e Portugal. O dominó árabe vai finalmente começar a ter impacto sério no mercado do petróleo?
R: Teve um impacto já no preço do barril. Este aumento deriva da perceção no mercado global do petróleo de que a produção e a exportação da Líbia podem chegar a uma paragem. Contudo, as exportações líbias podem ser substituídas pela OPEP no curto prazo até que a situação volte ao normal. Seja qual for o regime, a Líbia regressará à produção e à exportação de petróleo.
P: E no mercado do gás, qual o impacto na Europa, em virtude da particular ligação a Itália e em volume mais reduzido a Espanha?
R: Pode gerar uma boa oportunidade para a Rússia.
P: Os levantamentos populares a que estamos a assistir podem estender-se a toda a região, ou o dominó para?
R: Na minha opinião, não julgo que os levantamentos do Magrebe possam afetar os produtores de petróleo do Golfo ou outros países na região, como a Jordânia e a Síria.
P: Podemos esperar este ano uma escalada de preços como em 2008? Estamos à beira de um novo choque petrolífero?
R: Mesmo sem o levantamento na Líbia, eu já projetava para este ano uma alta de preços do barril até 120 a 130 dólares, em virtude da muito estreita capacidade não utilizada na OPEP e também por causa da forte procura global de petróleo. No entanto, eu tenho apontado para um severo problema por volta de 2015, com os preços do petróleo ao nível ou superiores aos máximos de 147 dólares por barril de 2008. A OPEP tem 1 milhão de barris diários de capacidade por utilizar. Por um breve período pode substituir, por exemplo, a falha da Líbia (que exporta 1,17 milhões de barris por dia), mas no longo prazo não pode “conter” o aumento do preço do petróleo pois aquela folga é pequena.
Qua 23 Fev 2011
O prémio de risco geopolítico nos mercados do ouro e da prata é apenas de curto prazo, diz James Turk, editor do Free Gold Money Report. O apetite das potências emergentes pelos metais preciosos tem um efeito mais duradouro na alta de preços.
O preço da onça de prata subiu mais de 100% nos últimos doze meses, segundo a TradingEconomics. O preço da onça do ouro subiu mais modestamente, mas mesmo assim, 24%. Hoje, no mercado spot, a prata cotava-se em 33,58 dólares por onça e o ouro fechou em 1412,85 dólares. O aquecimento no mercado da prata pode ser constatado no facto de que o rácio entre os preços dos dois metais preciosos (entre a onça de ouro e a onça de prata) desceu de 75 em abril de 2009 para 42 agora.
No entanto, apesar desta euforia, estes valores estão, ainda, abaixo dos máximos históricos alcançados – a onça de ouro chegou aos 1422,6 dólares em 3 de janeiro deste ano e a onça de prata teve o seu pico em 1981 com 49,45 dólares.
Tudo indica que o frenesim mais recente nestes dois mercados se está a dever ao dominó árabe de levantamentos populares. Mas James Turk, editor do Free Gold Money Report, sublinha que o efeito geopolítico recente é menos duradouro do que a mudança geopolítica de fundo com o apetite das novas potências emergentes que associam o investimento nos metais preciosos não só a uma diversificação de aplicações como ao combate à hiperinflação e a uma imagem de projeção global de grande potência. Também chama a atenção para as mudanças políticas que poderão ocorrer, este ano, na Alemanha, com uma série de eleições regionais.
ENTREVISTA a James Turk por Jorge Nascimento Rodrigues (a)2010
P: O dominó árabe em curso é o fator determinante por detrás das recentes subidas do preço do ouro e da prata?
R: Esses fatores geopolíticos têm alguma influência, mas tendem a ser apenas de curto prazo. Creio que um fator ainda mais importante recente foi a derrota do partido da chanceler Merkel nas eleições regionais de Hamburgo. Esta mudança lança dúvidas nos investidores sobre a viabilidade de longo prazo do euro. E estas dúvidas ainda se agravarão mais se houver ainda mais derrotas por parte de Merkel nas eleições dos próximos meses.
P: Mas o efeito dos levantamentos populares árabes e das mudanças geopolíticas que poderão ocorrer naquela zona pode vir a ser maior do que o impacto do papel da Índia e da China nos mercados de metais preciosos?
R: Não, de modo algum. A procura crescente da China por metal físico é o novo fator mais importante que está a ter impacto no preço dos metais preciosos. E esta procura ainda vai aumentar mais por causa do agravar da inflação na China.
P: A prata poderá aproximar-se do rácio histórico em relação ao ouro? Que consequências poderão daí advir?
R: Nada de importante. O que se está a passar é que a prata estava subvalorizada em relação ao ouro. Portanto, como também o preço é muito mais baixo, é a forma mais barata de um investidor se envolver com os metais preciosos, de momento. No entanto, atenção, a prata é muito mais volátil do que o ouro – por isso, é um investimento que não é para todos.
P: A emergência da China, da Índia e do Brasil como grandes potências vai ter um efeito duradouro nestes mercados?
R: Sim. E, em particular, há que observar a China. Ela tem grandes reservas em dólares e a sua preocupação crescente com a solvabilidade dos Estados Unidos pode provocar um movimento claro de diversificação em relação ao dólar, e a alternativa lógica são os metais preciosos.
Ter 22 Fev 2011
As yields (juros implícitos) das Obrigações do Tesouro (OT) portuguesas a cinco anos no mercado secundário continuaram a tendência de alta e acabaram por fechar na segunda-feira acima do valor de sexta-feira.
Estas OT estão, agora, com juros na ordem dos 7,14%, segundo a Bloomberg, acima da própria linha vermelha traçada pelo ministro das Finanças para os juros das OT a dez anos. Trata-se de novo máximo desde a adesão ao euro. Estes juros chegaram a fixar-se em 7,19% durante o dia.
Por seu lado, os juros das OT a dez anos terminaram em 7,45%, ligeiramente abaixo do fecho de sexta-feira, quando se estabeleceu novo máximo nos 7,5%.
Ainda que a diferença (spread) em relação aos juros dos Bunds (títulos) alemães nas maturidades a dez anos não tenha atingido a linha crítica de 4,5%, tal ocorreu nos juros com maturidades a cinco anos – cujo spread fechou hoje em 4,77%.
Em virtude deste agravamento, a probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) aumentou, situando-se agora em 33,31%, segundo dados da CMA DataVision. Foi o maior aumento no conjunto dos quatro países (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha) da zona euro sob observação mais estreita dos mercados. Portugal conserva o 6º lugar no TOP 10 mundial daquele risco.
Duas bombas
O segundo maior crescimento do risco, naquele grupo, ocorreu com a Espanha que voltou a galgar o patamar dos 20% de probabilidade de default. O governador do Banco de Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, revelou que a exposição das Cajas de Ahorro (o setor bancário espanhol com maiores problemas) ao setor da construção e do imobiliário (que os espanhóis apelidam de “ladrillo”) é da ordem dos €217 mil milhões, em que 46% é “potencialmente problemática”, ou seja quase 100 mil milhões. Tal notícia caiu como uma bomba.
No entanto, o agravamento das condições de crédito de Portugal e de Espanha deriva, também, dos investidores terem ficado a saber hoje que o Bundesbank (banco central alemão) rejeitou duas propostas que têm estado em discussão no seio da zona euro. Disse “não” à utilização da Facilidade Europeia de Estabilização Financeira para a aquisição de títulos de dívida soberana de países em apuros (o que, atuando como “bombeiro”, está a fazer o Banco Centro Europeu sob orientação de Jean-Claude Trichet), e também à possibilidade de que aquela facilidade empreste dinheiro para que os países aflitos possam recomprar a sua própria dívida. Resta saber o que será concluído na cimeira europeia de final de março.
Atenção no efeito dominó
Os acontecimentos políticos no Magrebe e no Médio Oriente estão a provocar um enorme nervosismo entre os investidores da dívida. Cinco países estiveram esta segunda-feira entre os com maiores crescimentos diários da probabilidade de default: Qatar, Abu Dhabi, Marrocos, Israel e Bahrein. Este último aproximou-se hoje da barreira dos 20% de risco.
Neste momento, aquelas regiões têm três “representantes” no TOP 10 mundial do risco: Dubai que mantém o 8ºlugar, Iraque em 9º e o Líbano em 10º.
O mapa de maior risco do mundo distribui-se hoje por cinco regiões: zona euro (Grécia em 1º lugar no TOP 10, Irlanda em 4º lugar e Portugal em 6º); América Latina (Venezuela em 2º lugar e Argentina em 5º); Europa de Leste (Ucrânia em 7º); Médio Oriente (os três países referidos) e Ásia (Paquistão em 3º lugar).
Ter 22 Fev 2011
O agravamento dos acontecimentos na Líbia e no Bahrein, bem como o impasse no G20, estão a colocar um prémio de risco no preço do barril de Brent e a aumentar a atração pelo ouro e pela prata como investimento de refúgio. Grandes quedas nas bolsas de ações.
O efeito dominó no Magrebe e no Médio Oriente com o agravamento da situação na Líbia (2,4% da produção mundial de petróleo) e no Bahrein (arquipélago estratégico no Golfo Pérsico) está a colocar um prémio de risco no preço do barril de Brent, cujos futuros para abril atingiram hoje 108 dólares, um aumento de 5% num só dia. Os preços do Brent estão, agora, a nível de abril de 2008 quando começou o último choque petrolífero que conduziria a um máximo em julho de 145 dólares.
Mas o agravamento da situação no Magrebe e no Médio Oriente não provocou reação apenas no ouro negro. Também o ouro propriamente dito viu hoje o preço da onça subir para 1407 dólares, ainda que não tendo atingido o máximo histórico de 1422,6 dólares fixado em 3 de janeiro passado.
Também a prata continua um processo de escalada do preço da onça. Atingiu hoje 33,89 dólares, depois de um processo contínuo de aumento desde setembro de 2010. São os preços mais altos nos últimos trinta anos, depois do máximo atingido em 1981 nos 49,45 dólares.
A procura do ouro e da prata como valores “refúgio” e como mercados de especulação deriva, também, do impasse em que está o G20, como ficou, agora, patente na reunião de ministros das Finanças e banqueiros centrais em Paris.
Refletindo este nervosismo e especulação no petróleo e nos metais preciosos, a maioria das bolsas na Europa fechou no negativo, com quebras superiores a 2% nos casos de Espanha, Itália, Portugal e Grécia. Também a bolsa marroquina quebrou mais de 2%.
Seg 21 Fev 2011
O conhecido colunista alemão do Financial Times sugere ao governo português que prossiga com colocações de dívida através de sindicatos bancários até à cimeira europeia de final de março, onde se espera a conclusão do acordo sobre o combate à crise da dívida soberana na zona euro.
Sublinha, também, nesta entrevista ao Expresso, que financiar a dívida acima de 7% é totalmente irresponsável, transmitindo a ideia clara de que o país entrará em bancarrota com juros a esse nível. Wolfgang Munchau foi cofundador na Alemanha do Financial Times Deutschland e criou a Eurointelligence Advisers em Bruxelas, uma agência de informação independente baseada na Internet que diariamente fornece informação estratégica e comentário sobre a zona euro.
P: Com os juros das obrigações do Tesouro a cinco anos acima de 7% e a dez anos perto de 7,5% no mercado secundário, Lisboa deve pedir ajuda a Bruxelas e ao Fundo Monetário Internacional (FMI)?
R: Penso que, a dado momento, Portugal recorrerá à Facilidade Europeia de Estabilização Financeira (FEEF), dadas as necessidades de financiamento que terá em abril e maio, em condições, de novo, de deterioração do mercado. Financiar-se acima de 7% é totalmente irresponsável. Os observadores, como eu próprio, concluiriam, então, que o país seria insolvente com juros a esse nível.
P: Há uma forte oposição interna a essa ideia de recorrer ao FMI…
R: Eu percebo que a política envolvida nesse passo a dar seja complicada no vosso país. Mas conviria que a classe política transmitisse a mensagem de que não se trata de uma rendição ao FMI e à União Europeia. Trata-se de assegurar a estabilidade sistémica da zona euro. Não se trata de algo similar aos anos 1970 e 1980. É uma situação qualitativamente distinta.
P: Mas sugeriria a Lisboa que adiasse novos leilões de obrigações do Tesouro até final de março?
R: Recomendaria que Portugal não fizesse mais leilões, e que continuasse a financiar-se através de colocações sindicadas. É claro que isto não é uma solução de longo prazo. Valerá a pena esperar até final do acordo em março. Por uma razão simples: a FEFF poderá, então, emprestar com juros mais baixos do que atualmente.
P: O que é que se poderá esperar dos resultados das eleições na Irlanda ainda este mês?
R: Certamente, haverá uma renegociação do Memorando de Entendimento com Bruxelas e o FMI. E obterão um corte pequeno nas taxas de juro. Também prevejo que aconteça um bail in penalizando os detentores seniores de dívida irlandesa, mas é claro que a União Europeia resistirá a isso.
P: E será inevitável um ‘corte de cabelo’ (hair cut) no valor da dívida grega, como tem sido aventado nos bastidores?
R: Sem dúvida. Prevejo uns 35% em média, o que significará uns 50% para os detentores estrangeiros de títulos da dívida grega.
P: A flexibilização da facilidade europeia de resgate que está a ser discutida pelos ministros da zona euro é preferível ao lançamento de obrigações europeias (e-bonds)?
R: No longo prazo, pode pensar-se que a ampliação da FEEF acabará por ser a semente de um sistema de obrigações europeias. Mas um tal sistema sem uma união orçamental não é provavelmente uma solução sustentável. Mas creio que a FEEF pode ser uma ponte institucional para um mecanismo comum de financiamento. Poderemos admitir que a FEEF venha a realizar um dia um swap (uma troca) das suas próprias obrigações por obrigações soberanas dos seus membros – nesse momento, as obrigações da FEEF terão as características de uma obrigação europeia. Como mostrou o leilão que se realizou a 24 de janeiro das obrigações da FEEF há uma procura muito ativa para estes títulos.
P: O pacote de “governação económica” do eixo franco-alemão conseguirá colocar um ponto final na crise de default (incumprimento da dívida) na zona euro?
R: Claro que não. É uma manobra política de diversão. A crise da zona euro não é de competitividade, mas de dívida, e em larga medida de dívida privada, nem é uma crise de dívida pública. Só é um problema de dívida pública porque os governos garantiram os sistemas bancários nacionais. Tudo isto é basicamente o facto da chanceler Merkel querer acalmar o eleitorado alemão.
P: A Espanha já conseguiu escapar ao resgate de Bruxelas e do FMI, como parece indicar o facto da sua probabilidade de default se ter distanciado imenso da portuguesa, por exemplo?
R: Não penso que a Espanha esteja livre do problema. A Espanha é solvente em qualquer cenário, mas há um mas. A recapitalização das Cajas (bancos de poupança) pode ser muito mais cara ao governo espanhol do que se espera. E, nesse caso, poderá ter de recorrer à FEEF para assegurar esse financiamento.
P: O Banco Central Europeu (BCE) está a transformar-se numa espécie de bad bank (banco de lixo tóxico) do sistema financeiro europeu?
R: Não me parece ser boa ideia tentar resolver o problema através do banco central. O seu papel é o de fornecer liquidez, mas não de escorar bancos insolventes. A melhor forma de tratar do problema bancário deverá ser através de um mecanismo europeu, em que os estados membros perderão controlo e supervisão sobre os sistemas bancários internos a cada país.
P: Para terminarmos, e a atuação do BCE segurando regularmente no mercado secundário a dívida soberana dos países mais aflitos é recomendável?
R: Eu prefiro que isso seja feito através da FEEF, o que seria mais transparente e facilitaria a re-estruturação das dívidas.
Seg 21 Fev 2011
“Uma nova crise do Suez foi um fantasma na cabeça dos especuladores”
Os recentes acontecimentos políticos no Egito geraram rapidamente uma onda de contágio no mercado da dívida soberana e foram considerados como aumentando o risco de prémio geopolítico no preço do barril de petróleo, a commodity mais importante das regiões afetadas pelo fósforo aceso com a ‘Revolução de Jasmin’ na Tunísia iniciada em dezembro do ano passado. A possibilidade de uma nova crise no canal do Suez foi aflorada com os futuros do barril de petróleo para abril da variedade Brent a atingirem em Londres mais de 104 dólares no dia 16 de fevereiro.
Mas isso não passou “de um fantasma na cabeça dos especuladores”, diz-nos Hatem Elsayed Hany Elrefaei, de 40 anos, doutorado do Departamento de Física e Engenharia da Faculdade de Engenharia da Universidade pública Ain Shams, no Cairo, e um dos especialistas internacionais da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e do Gás (ASPO).
P: O risco de uma nova crise do Suez e de sabotagem grave do oleoduto SUMED (que liga o terminal de Ain Sukhna, no Golfo do Suez, ao terminal de Sidi Kerir, perto de Alexandria, no Mediterrâneo) foi real, ou apenas um fantasma no mercado da especulação?
R: No período de dezoito dias que os egípcios estiveram na Praça Tharir, no Cairo, foram feitas muitas alegações. Como as de que Israel invadiria o Sinai, de que haveria caos no Egito depois da queda de Mubarak, que sucederia um vazio constitucional, etc. Tratou-se de guerra psicológica para dividir os egípcios, entre os que estavam na Praça e os que estavam em casa. O mesmo ocorreu com essa alegação que foi, apenas, um fantasma na cabeça dos especuladores no petróleo. A propagação desse medo trouxe, naturalmente, alguns benefícios económicos positivos para as companhias de seguros, para os intervenientes de curto prazo nos mercados da commodity, e para outros. Não estou a dizer que eles foram os fomentadores do rumor. Mas logo muitos analistas se puseram a falar dessas remotas possibilidades e os media agarraram nisso e logo espalharam o rumor sem uma avaliação séria.
P: Poderemos ter um efeito dominó na região, do Magrebe ao Golfo Pérsico?
R: Podemos. Mas não certamente em todos os países. Algum efeito dominó ocorrerá. Na verdade tudo começou quando em Tunes foi acionado o mecanismo. O Egito já é a segunda peça do dominó. O que aconteceu basicamente é que o muro do medo foi quebrado em muitos árabes. Mas, para além do quebrar do medo, o mecanismo propriamente dito para criar uma revolução popular tornou-se claro e muito mais amadurecido, sobretudo depois da experiência egípcia. Mas não se trata de meros processos em que basta copiar e colar. É preciso haver condições para tal.
P: Que condições?
R: Na minha opinião, quatro: um regime político muito opressivo contra a oposição; um sistema de elevada corrupção; condições de pobreza e/ou desemprego para larga parte da população; e pressão demográfica. Por isso, o processo não é idêntico em todo o lado. Por isso, inclino-me que o dominó afetará sobretudo Marrocos, Argélia, Líbia, e talvez Sudão, Arábia Saudita e Iémen. Talvez arrisque juntar também o Irão.
P: E quais serão as consequências para a economia do petróleo e do gás?
R: Estas mudanças políticas se atingirem os principais produtores de petróleo implicarão no longo prazo duas consequências, a meu ver: a) mais investimento interno para melhorar as condições do povo, o que levará naturalmente ao aumento do consumo interno de petróleo e de gás e à diminuição de exportações; b) implicações na oferta global e pressão altista nos preços. Espero que estas implicações de longo prazo não levem os americanos, e os ocidentais em geral, a refrear a expansão democrática na região.
P: Deveremos, então, contar ao longo de 2011 com um prémio de risco no preço do petróleo?
R: Nos últimos dois anos, o preço do petróleo tem aumentado consistentemente. Mesmo sem tomar em linha de conta a situação política na região, a possibilidade de que o preço do barril furasse a barreira dos 100 dólares tinha alta probabilidade. Tomando em linha de conta a provável instabilidade em países produtores importantes como a Argélia e a Líbia – no caso da Arábia Saudita não creio que haja condições, para já, para um levantamento popular -, é de crer que um aumento ainda maior do preço do petróleo seja possível.
P: Mas podem ocorrer situações inclusive de disrupção?
R: Penso que a haver será do tipo do que ocorreu na Rússia no final dos anos 1980, mas não acho que dure tanto. Se ocorrer será temporária – na ordem de meses – até que o país atingido volte à sua operação normal. Por exemplo, olhando ao caso do Egito. Agora há um movimento grevista (aumento de salários, exigência de mudança da gestão) em diferentes áreas do país que está a provocar uma disrupção na economia do Egito. Mas creio que em 3 a 6 meses quando houver novo parlamento e eleições presidenciais a disrupção será resolvida. O problema é o longo prazo.
P: Ou seja, a longo prazo vai haver uma contração nas exportações por parte destes países e uma alteração radical no lado da oferta mundial por parte desta região?
R: Os povos desta região merecem beneficiar mais da sua riqueza nacional. Melhor gestão e mais democracia certamente que “desviarão” parte dessa riqueza em benefício dos povos. Toda a Humanidade ganhará com isso. Infelizmente, muitos dos governos ocidentais olham para estes acontecimentos apenas do ponto de vista dos seus interesses. Ora “desviar” parte dessa riqueza ao serviço do interesse nacional não deve ser encarado como uma coisa má. Deixe-me concluir deste modo: se o nível de vida de muitos árabes se aproximar do atual nível de vida nos países da Europa Oriental, ainda que o nível de vida de alguns países do G20 se reduza um pouco, viveremos num mundo muito melhor.
Seg 21 Fev 2011
É a primeira vez desde a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria que os Estados Unidos mostram claramente a incapacidade de liderar, diz Franck Biancheri, responsável do Laboratório Europeu de Antecipação Política, em Paris.
A reunião dos ministros das Finanças e dos banqueiros centrais do G20 realizada em Paris mostrou que a lua-de-mel do grupo que substituiu o G7 (o anterior grupo dos 7 países ricos) chegou ao fim. “A reunião de Paris que se concluiu este sábado dá bem a ideia de ausência de resultados sérios que caracterizará a cimeira do G20 em Cannes em novembro próximo”, refere-nos Franck Biancheri, responsável do Laboratório Europeu de Antecipação Política, em Paris.
Segundo este especialista, que é, também, presidente do movimento europeu Newropeans, esta reunião preparatória de Paris confirmou três tendências geopolíticas e geoeconómicas:
“Primeira: As divergências entre as diferentes potências são enormes. Estamos já muito longe do unanimismo do G20 de Londres há apenas menos de dois anos.
Segunda: Já não há mais liderança americana – e, na realidade, qualquer liderança de todo. O que sucede pela primeira vez desde 1989 e desde o fim da Guerra Fria.
Terceira: O compromisso conseguido em Paris só se conseguiu porque se retirou o que incomodava Pequim (a questão das reservas em divisas e da balança externa) e o que os produtores de matérias-primas não aceitariam (como deixou claro o Brasil pela voz do ministro Guido Mantega)”.
Brasil e China em foco
O Brasil não aceitava dois pontos: a definição de linhas gerais para o controlo dos fluxos de capital externo e os limites para a acumulação de reservas internacionais. A China, por seu lado, tinha deixado claro que não aceitaria o uso das taxas reais de câmbio e das reservas de divisas para avaliar os desequilíbrios globais.
Os anfitriões franceses realizaram o compromisso possível – a que a ministra francesa Christine Lagarde apelidou de “ambicioso espírito de compromisso”. A França tem a presidência este ano da organização das reuniões do G20 e da cimeira final em novembro na Côte d’Azur.
O que resultou foi um “acordo vago sobre indicadores vagos, que não estão ligados a objetivos nem a políticas. Na realidade, não servirão para nada”, diz-nos Biancheri.
O próprio compromisso deveu-se aos esforços da Coreia do Sul – que organizou a cimeira anterior em novembro do ano passado. A lista de indicadores contará com a dívida pública, os níveis de poupança e de dívida privada, a balança comercial e o fluxo de investimentos e de transferências.
As “orientações indicativas”, no entanto, deverão surgir em abril, quando o grupo de ministros deverá voltar a juntar-se, diz-se no comunicado final da reunião.
Franck Biancheri começou a falar da “crise sistémica global” em 2006 – antes do rebentar da crise financeira em agosto de 2007 – e ultimamente tem referido que a década atual assistirá a “uma deslocação global do poder mundial”. “Os anos 2010-2020 vão marcar uma transição histórica, em que a crise atual é o acelerador”, conclui. O especialista considera como central a questão da divisa internacional que deverá substituir o dólar, um tema que continua arredado do G20. “Enquanto isso não for equacionado, as reuniões do G20 serão como esta de Paris”.
Sáb 19 Fev 2011
Apesar de uma intervenção do Banco Central Europeu comprando dívida portuguesa no mercado secundário num montante de €150 milhões em diversas maturidades, as yields (juros implícitos) das Obrigações de Tesouro (OT) nas maturidades a cinco e a dez anos acabaram por fechar a semana atingindo novos máximos históricos desde a adesão ao euro.
Acima da linha vermelha dos 7%
Os juros das OT a cinco anos fecharam em 7,13% e os relativos às OT a dez anos em 7,5%, segundo dados da Bloomberg. Trata-se de valores, em ambas as maturidades, acima da “linha vermelha” dos 7%. É a primeira semana em que as duas maturidades têm juros acima dos 7%.
Alguns analistas admitem que os juros poderiam ter tido um disparo ainda maior, caso não tivesse ocorrido a intervenção do BCE. Na realidade, a amplitude de variação nas yields foi significativa: no caso das maturidades a cinco anos oscilou entre 7,03% e 7,25%; e no caso das maturidades a dez anos entre 7,43% e 7,59%.
A outra linha vermelha: os 4,5% de spread
Esta intervenção do BCE permitiu manter o spread em relação às yields dos Bunds (títulos do Tesouro) alemães – que servem de referência na zona euro – abaixo de 4,5 pontos percentuais, uma espécie de outra linha vermelha que desencadearia stresse imediato em todas as operações de refinanciamento de bancos que usem como colateral dívida soberana portuguesa. Esse foi um dos elementos que acelerou a crise irlandesa.
No entanto, a probabilidade de incumprimento da dívida soberana (risco de default) manteve-se praticamente “estagnada” entre o princípio e o final da semana, em 32,6%, segundo o monitor da CMA DataVision.
Dissociação no seio dos PIIGS
Apesar de circunstâncias particulares do caso português ao longo desta semana – como a divulgação do aumento do nível de desemprego, a admissão pelo governador do Banco de Portugal em entrevista de que o país já estaria em recessão e os rumores de que o governo estaria a ser pressionado na Europa para pedir “ajuda” a curto prazo -, houve, também, um agravamento dos juros nos casos da Grécia e da Irlanda, que já estão “intervencionadas” por Bruxelas e pelo Fundo Monetário Internacional. A bolsa lisboeta acompanhou o clima negativo sobre Portugal, tendo fechado na sexta-feira com uma quebra superior a 1%, a mais alta na Europa.
O risco de default da Grécia aumentou ao longo da semana, em virtude dos rumores crescentes de que terá de proceder a uma re-estruturação da dívida (e a um “corte de cabelo” do seu valor que poderá chegar em média a mais de 30%, como referiu ao Expresso o analista Wolfgang Munchau, fundador da Eurointelligence, em entrevista que é publicada na edição deste sábado). O risco de incumprimento por parte da Irlanda manteve-se “estagnado” (como no caso português), mas permanece uma dose elevada de incerteza em função dos resultados das eleições legislativas antecipadas que vão decorrer no final da próxima semana, no dia 25 de fevereiro.
Em relação ao início da semana, os juros relativos às obrigações espanholas e italianas a dez anos baixaram e o risco de default destes dois países também, manifestando-se, pela primeira vez, uma “dissociação” entre estes dois casos e o grupo dos outros três (Grécia, Irlanda e Portugal) da zona euro com mais elevada deterioração das condições de crédito. O conjunto destes cinco países forma o que jocosamente é apelidado de PIIGS, um acrónimo pejorativo em inglês para Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha.
Bahrein foi o país mais em foco
Os mercados da dívida continuam com outro olho no Médio Oriente e no Magrebe. Em dois dias seguidos onze países destas duas regiões – Dubai, Iraque, Líbano, Bahrein, Tunísia, Egito, Arábia Saudita, Abu Dhabi, Qatar, Marrocos e Israel – estiveram entre os que viram o seu risco de default aumentar mais diariamente, segundo o monitor da CMA DataVision que rastreia mais de oitenta países. O pequeno arquipélago do Bahrein, estrategicamente situado no Golfo Pérsico, foi o país mais em foco ao longo da semana.
A situação política nestas duas regiões vizinhas da Europa e o nervosismo dos investidores face aos riscos de um “dominó” provocou sexta-feira uma quebra nas bolsas superior a 1% em Marrocos, Koweit, Arábia Saudita, Qatar e Emirados Árabes Unidos.
Sex 18 Fev 2011
Novo máximo no mercado secundário foi alcançado quinta-feira, com os juros implícitos (yields) das obrigações do Tesouro (OT) a cinco anos a fecharem nos 7,04%. Chegaram a negociar à hora de almoço em 7,13%. Trata-se o primeiro dia em que estes juros fecham acima da linha vermelha dos 7%.
No caso das yields relativas a OT a dez anos – o caso mais mediático desde que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, definiu em entrevista ao Expresso a “linha vermelha” dos 7% – fecharam em 7,45%, tendo estado a negociar nos 7,51% durante o dia.
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