É pouco provável esse cenário, respondem Iain Begg, professor da London School of Economics, e Friedrich Heinemann, do Centro Investigação Económica Europeia (ZEW) alemão. Seria um desastre que não interessa a ninguém na Europa.
O facto de hoje pela primeira vez o índice geral dos títulos soberanos da Europa Ocidental monitorizado pela Markit ter ultrapassado os 200 pontos base em termos de custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento da dívida) deixou os analistas alarmados.
Sinal deste mal-estar geral, e não só centrado nos quatro “periféricos” (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha) que já são membros do “clube” dos de maior risco de default (incumprimento da dívida soberana) à escala mundial, foi outro facto relevante do dia de hoje – o disparo, durante a manhã, do risco da Itália, que ultrapassou os 250 pontos base e atingiu um risco superior a 21%, e da Bélgica, que se aproximou dos 200 pontos base e de um risco de cerca de 16%. O que dá uma imagem de um problema sistémico abrangendo uma enorme fatia da União Europeia atingindo dois países com peso crucial na zona euro, a Espanha (5º maior europeu e 9º à escala mundial em produto interno bruto) e Itália (4º maior europeu e 7º à escala mundial). Os analistas sublinham, ainda, o facto de que quer a Bélgica quer a Itália revelam problemas latentes de desagregação política.
Não admira, por isso, que esteja ao rubro o debate em torno do risco de fragmentação da zona euro em blocos ou mesmo de liquidação do euro e regresso às moedas nacionais nos seus 16 membros, à semelhança do que ocorre, por exemplo, com a maioria dos nórdicos, com o Reino Unido e com a Polónia.
O anterior presidente da poderosa Federação da Indústria Alemã (BDI) avançou com a ideia da divisão da zona euro em dois blocos, um dos do “norte” – ancorado na Alemanha, e abrangendo a Áustria, Holanda, eventualmente a Bélgica e a Finlândia – e outro com os do “sul”, cujo desenho não foi especificado. O cenário de dois blocos do euro foi difundido, também, pelo Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP).
Ouvimos sobre estes cenários dois especialistas em geografias europeias distintas – Iain Begg, investigador do Instituto Europeu da London School of Economics and Political Science, em Londres, no Reino Unido, que foi editor do Journal of Common Market Studies ligado ao estudo da integração europeia, e Friedrich Heinemann, chefe do departamento de Finanças Públicas do Centro de Investigação Económica Europeia (ZEW), em Manheim, e também professor na Universidade de Heidelberg, na Alemanha. Ambos concluíram sobre a “improbabilidade” de ambos os cenários – o de divisão em dois “blocos” ou o de abandono do euro
ENTREVISTA
P: Face ao engordar da crise da dívida soberana na zona euro, é inevitável a sua fragmentação? Iain Begg: Pouco provável. Não consigo identificar nenhuma parte – exceto, talvez, os americanos – que, realmente, beneficiassem disso. Friedrich Heinemann: Parece-me um cenário pouco provável. Temos uma crise de sustentabilidade da dívida pública e não exatamente uma crise da divisa europeia. Veja o caso dos Estados Unidos: vários estados americanos estão à beira da insolvência, como por exemplo a Califórnia, uma das maiores economias do mundo. A dívida pública americana, no seu conjunto, coloca sérias questões de insolvência a longo prazo. Mas ninguém sugeriria que se introduzisse um “dólar da costa ocidental” contra um “dólar da costa leste”.
P: Mas quais seriam as consequências se tal cenário se concretizasse? Begg: As consequências disso seriam terríveis. Os países mais fracos sofreriam uma queda brutal nas suas novas moedas nacionais, o que empurraria para situações de hiperinflação e de provável colapso bancário. Por seu lado, os países mais fortes, como a Alemanha, arriscariam uma espiral de apreciação das suas divisas que os seus principais exportadores sentiriam como arrasadora. Heinemann: A reintrodução de moedas nacionais na Europa que pertence à zona euro não é, de facto, do interesse de ninguém. Significaria, de imediato, falta de liquidez do lado dos países fracos, pois a sua dívida externa denominada em euros não poderia ser servida. Para os países fortes, como a Alemanha, sofreriam, de facto, muito com uma apreciação das moedas. Uma desintegração do euro e o retrocesso às moedas nacionais é um cenário “perdedor-perdedor”.
P: A ideia de uma zona euro com dois blocos é exequível? Begg: Essa ideia de um bloco liderado pela Alemanha e outro pela França, para mim, é a menos provável. A França seria muito relutante a separar-se da Alemanha. Heinemann: Não faz sentido algum.
P: Faz algum sentido atrair a Irlanda para a órbita da libra, como tem sido proposto por vozes da City de Londres no sentido de Dublin sair do euro? Begg: Economicamente pode fazer algum sentido, mas os obstáculos políticos são gigantescos, dada a história irlandesa de todos conhecida. Além disso, não nos devemos esquecer que, mesmo do ponto de vista económico e financeiro, a Irlanda depende fortemente de investidores que acham que a pertença desse país à zona euro é um fator atraente.
P: Se a Espanha tiver de recorrer à Facilidade de Estabilização Financeira Europeia (EFSF), como aconteceu com a Irlanda na semana passada, isso marca o fim da zona euro como a conhecemos, ou os mecanismos financeiros existentes são suficientes para aguentar o choque? Heinemann: Se necessário, a dimensão da Facilidade pode ser alargada para tratar do caso de Espanha. E, no longo prazo, as perspetivas de Espanha não são assim tão más. Por isso, parece-me razoável permitir a Espanha ter a liquidez até que possa regressar aos mercados de capitais.
Pacote de apoio externo à Irlanda no valor de €67,5 mil milhões a uma taxa de juro anual composta de 5,8%. O Fundo de Reserva de Pensões irlandês mete €10 mil milhões. Dois aspetos com forte oposição interna.
A Irlanda viu aprovado, este domingo, em Bruxelas, um pacote global de €85 mil milhões para colocar em ordem as contas públicas e re-estruturar o setor financeiro nos próximos três anos, segundo o comunicado do governo em Dublin.
Dois bónus
E conseguiu dois “bónus” adicionais. O primeiro a possibilidade de fazer a gestão do emagrecimento do défice público até 2015 – ou seja, tem cinco anos para poder cortá-lo dos 32% atuais para 3% do produto interno bruto, o famoso “limite” legal imposto pelas regras do Pacto de Crescimento e Estabilidade europeu. O segundo, a concessão europeia de que não haverá mexida no equivalente ao nosso IRC (taxa de imposto sobre os rendimentos das empresas), que se manterá nos 12,5%, o que tem sido atrativo para entidades estrangeiras se localizarem na Irlanda. Calcula-se inclusive que 20% do produto interno bruto irlandês advém de “empresas fantasma” que não têm sequer qualquer atividade no Tigre Celta e que, apenas, utilizam essa facilidade fiscal.
Os ministros das Finanças da União Europeia aprovaram um plano de financiamento externo de Dublin que soma €67,5 milhões a que poderá ocorrer até 2013, a que acrescem as contribuições “internas” irlandesas de €10 mil milhões por parte do Fundo Nacional de Reserva de Pensões e 7,5 mil milhões de reservas de caixa da Agência de Gestão do Tesouro (equivalente ao nosso IGCP).
Decisão polémica
Esta decisão do governo irlandês de contribuir com um esforço próprio de 20,5% já provocou a ira dos principais partidos de Oposição – o Fine Gael, os Trabalhistas e o Sinn Féin – que anunciaram a inclinação para votar contra o orçamento de estado para 2011 que irá ao Parlamento no próximo dia 7 de dezembro. Apesar do voto favorável do Partido dos Verdes, parceiros na atual coligação, há, ainda, dúvidas sobre o sentido de votos de independentes. Em quaisquer circunstâncias, a coligação atual será desfeita logo a seguir à aprovação ou não do orçamento e já foram convocadas eleições legislativas antecipadas para janeiro de 2011.
O responsável da Missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Dublin, Ajai Chopra, já declarou que o Fundo trabalhará com qualquer governo saído de novas eleições.
O juro anual composto do pacote “externo” deverá rondar os 5,8%, segundo o comunicado do governo de Dublin. No entanto, a parte relativa ao empréstimo por parte do FMI, que deverá rondar os €22,1 mil milhões, ou seja 1/3 do apoio externo, terá um juro de 3,12%, segundo o comunicado do diretor-geral do fundo, Dominique Strauss-Kahn. O que significa que a taxa de juros aplicada à parte que virá do veículo financeiro do Luxemburgo e dos amigos ingleses e nórdicos é muito mais elevada do que 6%, o que já provocou uma onda de protestos.
A linha de financiamento para a Grécia em que se envolveu Bruxelas e o FMI ronda os 5,2% de taxa de juro composta para um montante superior de €110 mil milhões.
Estrutura do “pacotão”
O financiamento de €85 mil milhões divide-se em 5 parcelas fundamentais:
- €22,5 mil milhões por parte do mecanismo financeiro designado por European Financial Stability Mechanism (que faz parte do veículo financeiro criado em maio, sediado no Luxemburgo, ao abrigo da Facilidade Europeia de Estabilização Financeira, que conta com uma dotação de €440 mil milhões);
- mais €17,7 mil milhões por parte do mecanismo financeiro designado por European Financial Stability Fund (que faz parte da mesma Facilidade referida);
- uma ajuda de €4,8 mil milhões de três países fora da zona euro, envolvendo €3,8 mil milhões de um empréstimo bilateral por parte do Reino Unido e montantes de €0,6 e €0,4 mil milhões de empréstimos bilaterais por parte da Suécia e da Dinamarca respetivamente;
- outros €22,5 mil milhões, a serem aprovados em dezembro, ao abrigo da Extended Fund Facility do FMI que poderá ter um período de pagamento até dez anos, com um juro de 3,12% durante os primeiros três anos e acima de 4% nos anos seguintes;
- finalmente, €17,5 mil milhões de esforço “interno”, reunindo a contribuição de €10 mil milhões do Fundo Nacional de Reserva de Pensões e €7,5 mil milhões de reservas de caixa da Agência de Gestão do Tesouro.
Este pacote protege o governo irlandês de ter de recorrer a leilões de dívida pública para tapar as suas necessidades de financiamento nos próximos três anos quer para as suas despesas como para tapar o buraco do sistema bancário (que tem feito disparar o défice público). As yields atuais, que funcionam como juros implícitos indicando as condições colocadas pelos investidores nos mercados de dívida soberana, estão acima de 8,5% em maturidades a 6 anos e acima de 9% nas maturidades a 10 anos.
Em virtude desta intervenção, a Irlanda descontinuará a sua participação no mecanismo de financiamento à Grécia, o que significará, segundo o governo, uma “poupança” de mil milhões até meados de 2013.
Destinatários do financiamento
O grosso do pacote, mais de 40%, destina-se a procurar sanear o sistema financeiro irlandês, um dos mais afetados pelo rebentar da bolha imobiliária e pela desagregação dos esquemas de alavancagem em vigor durante essa bolha. Cerca de €35 mil milhões ficarão à disposição para a reorganização, emagrecimento e “desalavancagem” do setor, em que €10 mil milhões servirão para uma operação imediata, ainda em dezembro, de recapitalização do sistema com vista aos bancos que ficarem poderem apresentar um rácio “core Tier 1” de 12% no mínimo.
Os restantes 60% destinam-se a cobrir as necessidades de financiamento orçamentais até €50 mil milhões até 2013. Tem sido referido que só em 2011, Dublin necessitaria de se financiar em €28 mil milhões (a título de comparação, o caso português é superior, na ordem dos €40 mil milhões).
Plano de austeridade adicional até 2014
O acordo de financiamento foi concedido no pressuposto da execução do plano apresentado pelo atual governo de Dublin para 2011 e 2014, que acarreta um plano adicional de austeridade. O que subentende que o novo governo saído das eleições de janeiro próximo aceitará estas coordenadas, o que não é líquido.
As principais traves mestras desse novo plano de austeridade divulgado na semana passada são as seguintes:
a) O ajustamento orçamental entre 2011 e 2014 totalizará €15 mil milhões, com uma primeira etapa de €6 mil milhões já no próximo ano, ou seja 40% do esforço de emagrecimento;
b) A composição deste ajustamento é de €10 mil milhões em cortes da despesa pública e €5 mil milhões provenientes de aumentos da carga fiscal;
c) O limite de idade de reforma subirá para 66 anos em 2014;
d) Ocorrerá uma redução progressiva do valor das pensões numa média de 4%;
e) As novas admissões na Função Pública sofrerão um corte de 10% no ordenado;
f) O salário mínimo será reduzido de 1 euro por hora (o atual salário mínimo em vigor desde 2007 é de €8,65 por hora para trabalhadores com experiência e entre €6 e €8 para outros casos, o que significa um corte de mais de 15% para os precários e jovens e de 11,5% nos outros casos).
É essencial que a Europa reduza a sua dependência energética para diminuir a competição geopolítica por recursos com a China, a Índia, os EUA e a Rússia.
Este objectivo não só terá benefícios económicos a nível da redução do défice externo, mas também criará mais empregos de forma sustentada, modernizando tecnologicamente a Europa, mitigando simultaneamente os efeitos nocivos das alterações climáticas e assegurando a sua segurança energética.
Por isso, a Europa deverá liderar o movimento de criação de uma Nova Ordem da Energia no mundo, promovendo a integração da China, da Índia (os novos dois grandes consumidores) e do Brasil (a potência energética do Atlântico Sul) na Agência Internacional de Energia, com o objectivo de fomentar a coordenação de políticas internacionais de produção e consumo energético, bem como de programas tecnológicos de energia verde de forma a viabilizar uma economia global para tecnologias limpas.
Contudo, face ao potencial de disrupções de fornecimento de energia advindas da Rússia e do impactos das alterações climáticas (recorde-se o caso do Furacão Katrina no corte da produção offshore no Golfo do México), bem como dos ataques de pirataria marítima no Golfo de Aden, levanta-se a questão da criação de uma aliança no hemisfério ocidental virada para a segurança energética.
Neste plano, uma NATO da Energia deverá algo a ser discutido, tendo em conta que o transporte de energia depende dos bottlenecks de transporte marítimo, dos pipelines e futuramente das smart grids (redes inteligentes de energia) que poderão ser alvo de ciberataques.
A combinação do soft power da UE com o hard power da NATO no domínio energético é um tema a ser considerado seriamente, até porque o meio militar é, por tradição histórica, um laboratório de inovação tecnológica disruptiva no domínio da energia.
A cimeira de Seul remeteu o tema quente das divisas e dos desequilíbrios externos para um grupo de trabalho que vai ser apoiado pelo FMI. Obama parece ter saído de mãos a abanar.
A 5ª cimeira de Chefes de Estado do G20 (o actual grupo líder da política mundial) em Seul acabou com um recuo dos Estados Unidos que fizeram da guerra de divisas a sua bandeira de combate, acabando por gerar uma ampla frente de oposição por parte da China, Alemanha, Rússia e Brasil. A má estrela de Washington DC nesta cimeira levou o Presidente Obama a vir de mãos vazias em relação inclusive a um acordo de comércio livre com a Coreia do Sul, o país anfitrião, que foi tratado à margem deste fórum.
Muitos analistas criticaram a retórica do comunicado final desta reunião de dois dias na capital da Coreia do Sul e até a primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, se manifestou enfadada com a diplomatease, o estilo diplomático gongórico das conclusões preparadas ao milímetro pelos sherpas diplomáticos que trabalham nos bastidores. O consenso entre os analistas é que Seul obteve um “acordo minimalista”.
Sinais de um declínio
Contudo, o declínio americano voltou a manifestar os seus sinais. A capacidade de manobra da superpotência no quadro do antigo G7 (o antigo grupo das sete potências industrializadas) ou mesmo do G8 (juntando a Rússia) não se “transferiu” para o novo terreno do G20. O presidente coreano, o anfitrião, bem colocou junto do presidente Obama os presidentes da China, a chanceler da Alemanha, o presidente russo e o brasileiro, mas da “intimidade” à mesa do jantar de trabalho aparentemente nada brotou.
A proposta do governo americano para lidar com o fosso entre países com défices e países com excedentes, fixando tetos de 4%, acabou por ficar fragilizada politicamente em virtude da recente decisão da Reserva Federal (FED) americana – que, sublinhe-se, é um organismo independente do Presidente e do governo – de avançar com uma segunda vaga de estímulos monetários à economia americana, o que é designado por quantitative easing (alívio quantitativo), na ordem de 420 mil milhões de euros, o que foi interpretado pelo mercado como uma manobra contra os concorrentes.
Orientações indicativas
A cimeira acabou por remeter o assunto para a criação de um Processo de Avaliação Mútua (MAP, no acrónimo em inglês) que terá o apoio técnico do Fundo Monetário Internacional e que elaborará umas “orientações indicativas”, cujo progresso de definição será apreciado pelos ministros das Finanças dos 20 e pelos banqueiros centrais ainda no primeiro semestre de 2011. O Canadá liderará este grupo de trabalho. Caberá, depois, à presidência francesa do G20 durante 2011 operacionalizar o primeiro processo de avaliação.
Este processo pretende funcionar como um sistema de alerta precoce identificando desequilíbrios que requeiram acções preventivas e de correcção. Para essa identificação utilizar-se-á uma bateria de indicadores, não tendo sido dados mais detalhes. De qualquer modo, na linguagem típica destes comunicados, sublinha-se a necessidade de “tomar em linha de conta circunstâncias regionais ou nacionais, incluindo grandes produtores de matérias-primas”. O comunicado reconhece a existência de assimetrias no mundo que mantém em cima da mesa “riscos”, como a “tentação de divergir de soluções globais para acções não-coordenadas”. A cimeira reconhece que esse caminho “apenas conduzirá a piores resultados para todos”, o que a história abundantemente ilustra.
O Plano de Acção de Seul fala ainda da necessidade de estabilização na área dos câmbios insistindo em que deverão basear-se no mercado (uma indirecta para a China e a sua política de valorização muito lenta do renminbi) e facilitar a flexibilidade, fugindo às “desvalorizações competitivas das divisas” e prevenindo a “volatilidade excessiva nos fluxos de capital em direcção a alguns países emergentes”.
Tirar a Ronda de Doha do impasse
O comunicado sublinha, ainda, a necessidade de terminar a Ronda de Doha na área do comércio internacional, reconhecendo que “o ano de 2011 é uma janela de oportunidade crítica, ainda que estreita” para esta conferência da Organização Mundial do Comércio lançada em 2001. Já foi calculado um número para os ganhos da conclusão destas negociações: impulsionar o comércio mundial em 200 mil milhões de dólares por ano (equivaleria a um incremento de 17% nos valores de 2009, a título de exemplo).
Sobre a estabilização do sistema financeiro, o comunicado refere que a cimeira apreciou “os elementos centrais de um novo enquadramento regulador financeiro, incluindo normas sobre capital e liquidez dos bancos, bem como medidas para regular e resolver sistémicamente importantes instituições financeiras, complementadas por uma mais efectiva supervisão”.
Finalmente, no ponto 13 de um comunicado de 20 pontos, a cimeira volta a referir temas em que tem insistido: o Plano de Acção Anti-Corrupção, a racionalização e desmantelamento dos subsídios aos combustíveis fósseis, a necessidade de mitigar a volatilidade dos preços desses combustíveis, salvaguardar o ambiente marinho e combater os desafios da mudança climática global.
Um analista londrino da Morgan Stanley aponta o recurso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e ao FMI como a solução essencial para os países actualmente em risco de incumprimento da dívida na zona euro e a mais desejável para os seus credores.
A Morgan Stanley, em uma nota de Arnaud Mares, de Londres, explica porque o recurso ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF; EFSF no acrónimo em inglês) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) é a única alternativa a um possível default penalizando seriamente os credores e ao aumento do risco político e de um “limiar de dor” social insuportável nos dois países da zona euro – Irlanda e Portugal – actualmente com a situação mais crítica em termos de risco de incumprimento da dívida soberana e de secagem da liquidez.
Recorde-se que, em maio, depois de um arrastamento doloroso do processo, a Grécia acabou por assinar um acordo com o FMI, a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu para um pacote de financiamento até 2013 de €30 mil milhões por ano por parte do FMI a que se adicionam empréstimos bilaterais por parte de outros membros da zona euro até um montante de 80 mil milhões.
Esforço irrealista aos juros de mercado
O analista não crê que seja viável o esforço em geração de excedentes primários que seria requerido – provavelmente, superior a 10% do produto interno bruto (PIB) nos três casos mais críticos, da Grécia, Irlanda e Portugal – para estabilizar a dívida, recorrendo ao mercado financeiro aos preços actuais de financiamento com as yields (taxas de remuneração indicando o nível de juros implícitos a que os investidores estariam dispostos a comprar dívida) no mercado secundário a níveis superiores a um patamar mínimo de 7% para maturidades a 10 anos (no fecho na quinta-feira, segundo a Bloomberg, nos 7,03% para Portugal, 8,90% para a Irlanda e 11,6% para a Grécia). No caso extremo grego, o relatório refere que o excedente primário requerido seria na ordem dos 14% do PIB. Algo absolutamente “irrealista, em qualquer cenário”, diz Arnaud Mares.
Ajustamento necessário mas não suficiente
Analisando como protótipo o caso grego, que está já sob “intervenção” conjugada de Bruxelas e do FMI, o relatório sublinha que “um ajustamento orçamental credível é uma condição necessária, mas, face à assimetria de riscos, não é suficiente”. Mesmo que a trajectória orçamental se mantenha no caminho acordado, o governo de Atenas levará tempo a reconstruir a sua base investidora. “O mesmo se poderá aplicar à Irlanda”, conclui.
Por isso, o analista propõe que o “deus ex machina” (solução milagrosa) entre em acção através do “braço” do FEEF/FMI e com “taxas de juro sensíveis” que tornem viável o ajustamento destes países ao longo de um período que, manifestamente no caso da Grécia, terá de ir além do termo do acordo firmado em maio.
Não conseguir uma solução “sensata e sustentável” (título da nota do analista) pode gerar um efeito de contágio para outros países com situação de divida elevadas e em todo o sistema bancário europeu.
O “G 20 é incapaz de lidar com os desequilíbrios mundiais” e os Estados Unidos estão “a defender o seu interesse nacional e não vêm razões para limitar as suas políticas para satisfazer o resto do mundo”, diz o analista americano Peter Cohan.
O primeiro acto da cimeira do G20 reuniu durante 14 horas os seus ministros das Finanças em Seul, na Coreia do Sul, ontem e hoje (há que atender à diferença horária em relação à Europa e Estados Unidos), mas foi em vão em matéria do que já se chama a “guerra de divisas”. Segundo o porta-voz do comité presidencial coreano da cimeira, Kim Yoon-Kyung, não houve, até agora, qualquer acordo sobre o tema das divisas e dos desequilíbrios nas contas correntes das grandes potências.
Peter Cohan, analista financeiro e económico de Boston, não ficou admirado: “O G20 mostra-se incapaz para lidar com quaisquer problemas que surjam de desequilíbrios”, disse em entrevista ao Expresso, comentando, com algum pessimismo, o primeiro dia e meio da cimeira. É de opinião que seria útil aproveitar a actual ocasião e avançar com um novo “cabaz” de moedas, reflectindo o peso relativo na economia mundial de cada protagonista, que suportasse uma nova divisa mundial.
P: O risco de uma guerra global de divisas está iminente ou é exagero de títulos de jornais?
R: Não penso que esteja em curso uma guerra de divisas. Mas acho que continuará a haver o que chamarei de “batalhas”. Continuará a haver um esforço contínuo da China para manter a sua moeda relativamente fraca face ao dólar. E os Estados Unidos continuarão a injectar mais aumentando a sua massa monetária. Entretanto, a Europa tentará emagrecer a sua despesa pública e tomar algumas medidas adicionais que acabarão por fortalecer o euro.
P: Mas isso não é uma guerra de divisas global, ainda que “fria” por enquanto?
R: Uma guerra de divisas, de verdade, significaria que os países decidiriam mudanças mais drásticas nas suas políticas cambiais de modo a afectar seriamente o país que achassem que é a sua principal ameaça. Isso significaria, nomeadamente, muitos países tentando enfraquecer as suas moedas face ao dólar, de modo a ganhar competitividade nas suas exportações. Mas se os países que reagirem desse modo o fizerem acabarão por provocar inflação e arriscarão atirar-se para uma situação de grande agitação política.
P: O G20 consegue lidar com o problema dos desequilíbrios das contas correntes das grandes potências e “corrigir” as diferentes estratégias geo-económicas que estão em jogo?
R: Não. Cada país continuará a fazer o que acha que é fundamental para os seus interesses. O G20 mostra-se incapaz para lidar com quaisquer problemas que surjam de desequilíbrios.
P: A política da Reserva Federal (Fed) norte-americana de “alívio quantitativo” (quantitative easing, no original em inglês) não é uma estratégia desleal?
R: Os Estados Unidos não acham que estejam a fazer algo desleal ao resto do mundo. Pelo contrário, acham que têm de estimular a sua economia para conseguir baixar o nível de desemprego. Não manifesta qualquer desejo político de lançar um segundo pacote de estímulos. Estão a actuar apenas no terreno monetário. E, nesse campo, os EUA vêm a Fed como tendo as mãos livres de qualquer interferência política. A Fed está a evitar que a economia americana caia num período de deflação prolongado – como ainda acontece no Japão. Em suma, os EUA estão a defender o seu interesse nacional e não vêm razões para limitar as suas políticas para satisfazer o resto do mundo.
P: Mas será possível sair da confusão actual com o dólar como reserva internacional e como moeda de cotação das commodities quando o peso relativo na economia mundial das diferentes grandes economias se alterou profundamente?
R: Há uma saída. Julgo que faria sentido criar uma nova divisa internacional de reserva que fosse baseada num “cabaz” de moedas mais equilibrado e mais global, atendendo ao peso respectivo das suas economias no PIB mundial.
A probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) de Espanha subiu para 21,48% ao meio da tarde de dia 10 de Novembro, segundo o monitor de risco da CMA DataVision, confirmando o movimento de subida que se estava a observar desde o início da semana.
Em virtude deste disparo da probabilidade de default, a 9ª economia do mundo (cerca de 1,5 biliões de dólares de Produto Interno Bruto) acabou por entrar para o TOP 10 mundial deste risco, directamente para o 9º lugar. Faz, agora, companhia à Grécia, que conserva o primeiro lugar, à Irlanda que continua na 3ª posição, e a Portugal, que se mantém em 6º lugar,
Fruto da entrada do nosso vizinho para este “clube”, a zona euro já conta com quatro dos seus membros – os 4 “PIGS” (na designação humorística) – neste ranking indicativo das situações de crédito com maior deterioração.
Sintoma desta situação, os juros implícitos da dívida pública espanhola (no mercado secundário) estão, agora, próximos dos 4,5%, segundo a Bloomberg.
Assistiu-se esta tarde a um movimento sincronizado de aumento do risco de default dos quatro países, bem como dos juros implícitos da dívida a 10 anos.
O “clube” das 10 economias com maior risco de incumprimento da sua dívida são, por ordem decrescente, Grécia (27ª economia do mundo em PIB), Venezuela (29ª), Irlanda (38ª), Argentina (31ª), Paquistão (45ª), Portugal (36ª), Ucrânia (53ª), Dubai (pertence aos Emirados Árabes Unidos que é a 37ª), Espanha (9ª) e estado norte-americano do Illinois.
No fecho da sessão, a Espanha trocou de posição com o Illinois, e desceu para 10º lugar.
A re-estruturação da dívida dos países da zona euro em apuros deverá ser a trave mestra de um mecanismo de resolução de crises, afirma uma proposta divulgada pelo think tank belga Bruegel e assinada pelos académicos André Sapir, François Gianviti, Anne O’Krueger, Jean Pisani-Ferry e Jurgen Von Hagen. Tal mecanismo, no entender dos proponentes, deveria ser estabelecido por um tratado.
O objectivo é impedir o arrastamento de uma situação de agonia dos países devedores em situação crítica.
A proposta é clara sobre a primeira disposição de um tal mecanismo: “Criar um procedimento para iniciar negociações entre as entidades soberanas devedoras e os seus credores no sentido de reduzir o actual valor das futuras obrigações do devedor”. No entender do grupo, o Tribunal Europeu de Justiça deveria ser o terreno jurídico para lidar com esses acordos sobre dívida.
Contudo, a proposta vai no sentido de impedir “o risco moral, de ambas as partes”, devedores e credores. A re-estruturação da dívida é proposta justamente para permitir aos devedores não ficarem numa situação de sufoco total, uma possibilidade, segundo os proponentes, se determinadas ideias de penalizar financeiramente os devedores em situação crítica se concretizarem, agravando ainda mais a situação e impedindo a concretização de programas de ajustamento no sentido da correcção da dívida excessiva.
Nas vésperas da cimeira do G20, o organismo internacional deixa avisos para as probabilidades de guerra de divisas e de manutenção de programas nacionais de subsidiação do sector financeiro e do tecido empresarial para além do período de emergência.
O investimento directo internacional continua muito baixo em relação aos níveis de 2007, apesar da recessão mundial ter terminado. Os fluxos deste investimento no segundo trimestre de 2010 atingiram, apenas, os 200 mil milhões de dólares face a quase 400 mil milhões no mesmo trimestre de 2007, segundo um relatório conjunto da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico) e da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento) agora divulgado.
“Um boom do investimento directo estrangeiro (IDE) continua a ser uma perspectiva distante”, diz o relatório “Quarto relatório sobre as medidas de investimento no G20”. “Os fluxos para o conjunto de 2010 apontam para uma estimativa de estagnação. Continuam 25% abaixo da média dos últimos três anos anteriores à crise (2005-2007)”, sublinha. Os dados referem-se a 67 países que representam 90% do IDE mundial.
Elaborado na preparação da cimeira do G20 que decorre na Coreia do Sul na próxima quinta-feira, o relatório realiza um balanço das medidas positivas e negativas face ao investimento internacional tomadas entre meados de Maio e meados de Outubro pelos membros do G20.
Ainda que o relatório não tenha encontrado casos de medidas “abertamente discriminatórias face a investidores estrangeiros”, alerta que o proteccionismo poderá observar-se na execução delas. O relatório lista medidas positivas tomadas, durante este período, no Canadá, China, Índia, Indonésia, Coreia do Sul e Arábia Saudita, mas também negativas, de restrições adicionais, na Austrália, Brasil, Indonésia e Coreia do Sul.
O risco da guerra de divisas
A OCDE e a UNCTAD alertam para dois riscos: uma espiral proteccionista se os desequilíbrios actuais entre balanças comerciais não forem resolvidos de “um modo credível” e se assistirmos a uma “fragmentação dos mercados de capitais internacionais”.
As desvalorizações competitivas de divisas directa ou indirectamente (como o está a fazer a Reserva Federal americana através do anúncio da continuação do seu programa de “quantitative easing”) vão ser um dos temas quentes da cimeira, pairando o risco de uma guerra de divisas, ainda que o relatório não mencione a expressão explicitamente.
O relatório alerta, ainda, para as políticas de subsidiação de apoio aos tecidos financeiro e não financeiro nacionais através dos programas anticrise postos em prática, a título de emergência, desde 2008. Em 15 de Outubro passado, tais programas ainda em vigor somavam 2 biliões de dólares (3,2% do PIB mundial estimado para este ano) no conjunto do G20. Sublinhava que, no caso das entidades financeiras apoiadas a título de evitar o risco sistémico, apenas 15% re-embolsaram completamente os empréstimos. No conjunto do G20, segundo o relatório, cerca de 30 mil empresas beneficiaram ou continuam a beneficiar de apoio governamental. No final, estima-se que terão sido 40 mil.
O risco político subiu rapidamente para o topo da agenda política durante esta semana, segundo a Markit, uma empresa que avalia o mercado de credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento da dívida de empresas ou países).
Essa variável está a alimentar a “volatilidade” quer na avaliação do risco de default (incumprimento) por parte dos países com crises de dívida soberana, como na evolução das yields (taxas de remuneração) relativas a títulos do tesouro, dando indicações sobre os juros prováveis no caso de esses países recorrerem ao mercado de capitais para se financiarem.
A Markit observou a influência dessa variável, esta semana, nos três casos em destaque pela negativa – a Grécia, Irlanda e Portugal, e em particular nos dois primeiros. Esta é uma das variáveis que converge para um conjunto de causas que estão a alimentar a percepção negativa dos investidores internacionais que temem que nenhum programa de ajustamento seja realmente concretizado devido a volatilidade política e que sabem que Bruxelas já deu claramente a entender que imporá aos investidores uma fatia maior dos prejuízos em caso de re-estruturação ou re-escalonamento das dívidas desses países.
O governo de Atenas defronta este domingo o veredicto dos eleitores helénicos a nível de eleições regionais, mas o primeiro-ministro George Papandreou já afirmou que encarará os resultados como uma resposta à sua política de ajustamento apoiada pelo Fundo Monetário Internacional e por Bruxelas. Caso o veredicto do voto seja um claro “não”, Papandreou afirmou que o seu partido, o PASOK, irá para eleições legislativas antecipadas, apesar do governo estar há pouco mais de um ano no poder em Atenas.
Em Dublin, a turbulência política tem aumentado em torno do Orçamento governamental para o próximo ano, que será discutido a 7 de dezembro. O anúncio da necessidade de um corte brutal de €6 mil milhões no orçamento em 2011 (um ajustamento muito maior do que estimado para o caso do orçamento de estado português) e a crítica em relação às projecções optimistas do governo para o crescimento económico entre 2011 e 2013 aqueceram o ambiente político e estão a abalar a própria maioria formada pela coligação governamental entre o Fianna Fáil (o actual partido mais votado nas últimas legislativas de 2007 para um mandato de cinco anos), o Partido dos Verdes e os Progressive Democrats.
Em Portugal é conhecido o risco de eleições legislativas antecipadas no primeiro semestre de 2011, após o conhecimento dos resultados das eleições presidenciais de final do ano e da avaliação do cumprimento das metas de ajustamento.
Balanço da semana
A semana fechou com a subida da probabilidade de default dos três países e com volatilidade nos juros da dívida pública.
A Grécia alcançou o primeiro lugar do TOP 10 mundial de maior risco monitorizado pela CMA DataVision, tendo assistido a uma subida de 51,49% para 52,71%, o mesmo nível em que estava aquando da crise de 6 de maio, antes do plano de intervenção em Atenas. É a primeira vez que a Grécia ultrapassa a Venezuela neste ranking. As yields relativas aos títulos a 10 anos subiram de 10,7% para 11,46%, já acima dos níveis atingidos aquando da crise de 28 de setembro, segundo dados da Bloomberg (que são ligeiramente diferentes dos da Reuters).
A Irlanda foi o caso de maior subida do risco de default, que passou de 35,31% para 39,60%, tendo atingido picos acima de 41%. As yields a 10 anos subiram de 7,1% para 7,62%, mas notou-se uma inversão do disparo na sexta-feira. A discussão sobre o recurso ao FMI num horizonte de poucos meses chegou ao rubro em Dublin.
No caso português, o risco subiu, também, de 29,13% para 32,23% e as yields a 10 anos dispararam de 6,1% para 6,51%, tendo ocorrido, no entanto, uma inversão da tendência na sexta-feira, tal como na Irlanda. As yields relativas aos títulos a 10 anos portugueses atingiram um novo máximo desde a adesão ao euro no dia 4 de novembro, com um nível de 6,61% no fecho, superior ao anterior máximo de 6 de maio (6,33%). A aproximação à linha vermelha de 7%, traçada pelo ministro das Finanças para recurso a Bruxelas e ao FMI, acendeu a polémica.
Os spreads (diferenças) entre estes níveis de yields para a Irlanda e Portugal e as relativas às Bunds alemãs (que servem de referência) estão acima de 5% e 4% respectivamente. Em virtude destes níveis elevados, a Irlanda conserva o 3º lugar do já referido TOP 10 do risco mundial e Portugal o 6º lugar.
A Markit chama, ainda, a atenção para Espanha, ainda que o risco de default neste caso esteja muito longe dos níveis em que se encontram a Irlanda ou Portugal. Esta semana, o risco do nosso vizinho ultrapassou o da Hungria (que está intervencionada pelo FMI) e situou-se perto dos 20%. As yields dos títulos espanhóis a 10 anos subiram, ao longo da semana, de 4,24% para 4,36%.
A revista americana Forbes anualmente elege os mais poderosos do mundo. Este ano, para surpresa de alguns, mudou o lugar cimeiro – um twist, como diz.
E adivinhem quem veio para o lugar de number one – Hu Jin Tao, o presidente, de turno, da China. No ano em que este país ultrapassou o Japão em PIB. O que isto significa é que o locus de geopoder no mundo já não está na Casa Branca em Washington, mas no Politburo do PC da China.
Simbolicamente, o presidente americano, de turno, ficou em segundo lugar. Pela primeira vez.
É provavelmente o primeiro sinal geopolítico claro – para alguns um choque psicológico – sobre as alterações no xadrez mundial que têm vindo a ocorrer na última década.