Apesar da situação das bolsas não ser radiante e dos analistas apontaram para a continuação do que no tecnicalês de Wall Street se designa por período de “urso” (bear), de declínio tendencial do valor das ações e do rácio P/E (preço em relação aos ganhos), o survey global da consultora McKinsey, publicado esta semana no seu McKinsey Quarterly, revela que a maioria dos quase 3000 executivos entrevistados entre 2 e 6 de agosto por todo o mundo declararam que não vão abrandar nos investimentos nem nas oportunidades de aquisição.

De facto, continuamos a assistir a grandes movimentos de consolidação em diversos setores e de operações gigantes de entrada em bolsa.

Depois da oferta pública inicial de venda (o que os americanos designam por IPO) do Banco da Agricultura chinês nas bolsas de Xangai e Hong Kong ter rendido em julho mais de 22 mil milhões de dólares – um novo recorde no Guinness das entradas em bolsa, destronando o seu colega, o Industrial and Commercial Bank of China, com 21,97 mil milhões em 2006 -, a General Motors, intervencionada pelo Estado americano (em 61% das suas ações), anunciou a sua entrada nas bolsas de Nova Iorque e de Toronto visando financiar-se em 12 a 16 mil milhões de dólares.

Por seu lado, o grupo mineiro anglo-australiano BHP Billiton fez uma oferta pública de aquisição (OPA) hostil de cerca de 42 mil milhões de dólares sobre a canadiana Potash, número um em adubos no mundo, o que será a maior OPA do ano até à data.

Por seu lado, a suíça Novartis (nascida da fusão da Ciba e da Sandoz) quer ficar com a totalidade da Alcon (52% ainda nas mãos da Nestlé) especializada no segmento oftalmológico por 28,1 mil milhões de dólares ou mais. Será a maior operação de sempre de consolidação no mercado suíço: depois da Novartis ter adquirido à Nestlé 25% da Alcon em 2008, com os 52% agora em vista, o investimento total será de 49,7 mil milhões de dólares.

A mexicana América Móvil, de Carlos Slim, comprou em junho a Carso Global Telecom (um conglomerado mexicano de participações, por exemplo, na Telmex e Telefonos de Mexico) por 24,3 mil milhões.

Na área da energia, a francesa GDF Suez acaba de fechar a aquisição da britânica International Power por 21,5 mil milhões de dólares.

Finalmente, nestes movimentos com dois dígitos nos milhar de milhões, o grupo francês Sanofi-Aventis quer adquirir a biotecnológica bostoniana Genzyme por mais de 18 mil milhões de dólares.