Qui 29 Jul 2010
Risco de default “emagreceu” em Julho – diário de bordo 112
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , crise , Gestão do risco , Inteligência Económicaainda sem comentários
A probabilidade de default (incumprimento) da dívida soberana portuguesa reduziu-se em mais de 25% desde o princípio de julho. Os juros a pagar aos detentores de obrigações do tesouro estão abaixo de 4% a 5 anos e quase nos 5% a 10 anos. Mas continua alguma volatilidade nos movimentos intra-diários.
Nos quatro PIGS (designação humorística para o grupo da zona euro formado por Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), a probabilidade de default (incumprimento da dívida soberana) que mais desceu foi a relativa a Espanha, logo seguida da relacionada com Portugal. Desde 1 dejulho houve uma redução de 28,6% no caso da espanhola e de 25,5% no caso da portuguesa, de acordo com o monitor da CMA DataVision.
A probabilidade de default da dívida soberana portuguesa baixou de 23,20% em 1 de julho para 17,29% no fecho de ontem (28/07). O ponto mais baixo (17,16%) ocorreu ao final da manhã do dia 27 de julho, mas logo voltou a subir com oscilações. Como, aliás, está a acontecer hoje nesta sessão da manhã.
O risco português saiu do TOP 10 mundial da bancarrota em final de junho e baixou para menos de 20% desde 26 de julho, na segunda-feira seguinte ao anúncio dos resultados dos testes de stresse dos 91 bancos europeus, que não incluíram em situação crítica nenhum dos bancos portugueses testados. O último pico da probabilidade de default relativa à dívida soberana portuguesa havia ocorrido aquando da crise na zona euro de 6 de maio (32,63%).
O movimento de “emagrecimento” deste risco foi sincronizado ao grupo dos PIGS desde 1 de julho. Desceu 20,9% no caso da Irlanda e 14% no caso da Grécia (que continua, no entanto, em segundo lugar no TOP 10 mundial com uma probabilidade de default superior a 45%). A Espanha já se situa nos 14,63% de probabilidade de incumprimento e a Irlanda nos 16,21%.
Apesar desta onda de baixa, continuam a verificar-se oscilações intra-diárias.
A pressão dos especuladores continua a sentir-se na Europa em relação à Roménia (apesar de uma redução de 15% na probabilidade de default desde 1 de Julho), que continua em 9º lugar no TOP 10 mundial, à Letónia e à Islândia. Estes dois últimos países trocam amiúde de posições entre si ou com o estado da Califórnia (que está agora em 10º lugar no TOP 10).
Movimento similar nas yields
A diminuição significativa do stresse sobre a dívida soberana de Portugal, Espanha e Irlanda, foi acompanhada desde 1 de julho por um movimento similar de descida das taxas de rendimento a pagar aos detentores de obrigações públicas a 5 e a 10 anos. Portugal viu a yield a 5 anos baixar para menos de 4% e a referente a 10 anos para quase 5%. Depois da Grécia (acima dos 10%) e da Hungria (acima dos 7%; mas este país não pertence à zona euro), são as yields mais elevadas.
As yields a pagar pelo Tesouro português aos financiadores internacionais baixaram em 0,39 pontos percentuais quer para as obrigações a 5 anos como para as a 10 anos. A título meramente ilustrativo, no caso dos 14 mil milhões de euros de necessidade de financiamento por parte do Estado português estimada para 2010, essa redução das yields significaria uma poupança de 54,6 milhões de euros.
Desde 1 de julho, a maior descida das yields a 5 anos ocorreu com as obrigações gregas que passaram de 11,03% para 10,61%. A maior descida das yields a 10 anos deu-se com as obrigações irlandesas que passaram de 5,4% para 4,98%.