Sex 9 Jul 2010
Economia mundial vai desacelerar em 2011 – diário de bordo 107
Por JNR na secção Ciberardina na crise (do default) , crise , Geoprotagonistas , Gestão do risco , Globalização , Inteligência Económica[2] comentários
O FMI prevê para o próximo ano um crescimento mundial umas décimas abaixo do estimado para este ano mas a desaceleração no comércio internacional rondará quase 3 pontos percentuais. A zona euro será o último do pelotão em matéria de crescimento e, no cenário mais pessimista, poderá reentrar, mesmo, em recessão. Um alerta para os governos da zona euro colocarem as barbas de molho. Para o cidadão comum: prepare-se, 2011 vai vir com brinde: novo choque.
O crescimento mundial deverá rondar os 4,3% e o comércio internacional crescerá 6,3% em volume no próximo ano – este é o cenário “de referência” apresentado esta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).
Não são números desencorajadores, depois da recessão na produção mundial (quase 1%) e da quebra espetacular de 11,3% nas exportações e importações em 2009, o ano negro da Grande Recessão que tocou a economia mundial desde 2007. O FMI, no documento sobre “Perspectivas da Economia Mundial” (World Economic Outlook Update), divulgado esta semana, não dá guarida ao receio de uma recaída na recessão (com crescimento negativo do produto mundial, contracção) no próximo ano, mas admite um ligeiro arrefecimento, mais pronunciado no comércio mundial.
As estimativas do FMI para 2011 revelam que o crescimento mundial irá desacelerar três décimas em relação ao estimado para 2010 e que o comércio internacional verá a sua dinâmica anual baixar de 9% para 6,3%.
Mas, na parte final do documento, admite-se um cenário “mais pessimista” (de que falaremos adiante) em 2011 que reduziria a taxa de crescimento em 39% em relação à estimada para 2010. Este cenário “mais pessimista” implicaria que a zona euro entrasse no próximo ano em recessão (em vez de 1,3% de crescimento médio, cairia abruptamente para 2,2% de contracção) e os EUA crescessem apenas 0,4%.
Num documento mais recente, sobre a “saúde” da economia da zona euro [Economic Health Check, 21 de Julho de 2010], o FMI admitia, ainda, outra “possibilidade distinta”, a de “um período prolongado de estagnação”. (Pág.9 do relatório). O que reflecte bem a “incerteza” nas equipas do Fundo.
Ben Bernanke, no seu testemunho sobre política monetária perante o Congresso americano, no mesmo dia, falaria no mesmo tom sobre o futuro do crescimento americano: “extraordinariamente incerto” (unusually uncertain), duas palavras fatais que logo deitaram abaixo naquela tarde o Dow Jones e o Nasdaq.
A liga dos campeões
A liga dos campeões do crescimento continuará em 2011 a ser formada pelos países emergentes asiáticos, com destaque para a China e a Índia, verdadeiras “locomotivas” do produto mundial. O crescimento médio anual deste grupo situar-se-á nos 8,5%, quase duas vezes mais que a média mundial, mas sete décimas abaixo do crescimento estimado para 2010. Em 2011 a China voltará a ser o campeão incontestado com um crescimento na ordem dos 9,6%, logo seguida da Índia com 8,4%. Um ligeiro arrefecimento de quase 1 ponto percentual na China e de 1 ponto percentual na Índia. Alguns analistas vêm neste ligeiro abrandamento um exercício de soft-landing de duas economias consideradas sobreaquecidas.
No entanto, o papel indiscutível dos emergentes da Ásia como motores do crescimento mundial é indiscutível. O FMI estima que, até 2012, a China represente 34% desse crescimento anual – compare-se com a contribuição da zona euro que não ultrapassará os 3%.
Mas onde o arrefecimento da dinâmica vai ser mais acentuado é no grupo dos países que o FMI designa como “novas economias industrializadas da Ásia” – os famosos “tigres” asiáticos (Coreia do Sul, Hong Kong, Singapura e Taiwan) – que “descerão” de um crescimento médio de 6,7% em 2010 para 4,7% e no Brasil, que verá a sua taxa de crescimento descer de 7,1% em 2010 para 4,7% no ano seguinte.
Papel secundário do G7
O papel secundário do G7 (o grupo geopolítico obsoleto reunindo as sete maiores economias do mundo) é visível nas taxas de crescimento estimadas para 2010 e 2011. Os EUA crescerão 3,3% em 2010 e descerão para 2,9% no ano seguinte, abaixo da média mundial. A zona euro melhorará ligeiramente, mas não passará de um crescimento de 1,3% em 2011, o comportamento mais medíocre no Planeta, que conduz o FMI a apontar a região como o elo mais fraco da economia mundial.
Elo mais fraco onde os “choques financeiros” e a desconfiança dos investidores internacionais são mais sentidos em virtude do risco de defaults em série em países mais frágeis da zona euro (os denominados PIGS, designação pejorativa para Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) e em parte do bloco de Leste (Roménia, Bulgária, Hungria) e Báltico (Letónia, Lituânia) aderente da União Europeia. Também a situação envolvente em países como a Ucrânia (com uma alta probabilidade de default; tal como a Grécia no TOP 5 do risco mundial) e na Croácia não tranquilizam a Europa. Em 2011, o grupo de cinco países denominados PIIGS (que inclui, além dos quatro referidos anteriormente, mais a Itália) apresentará 380 mil milhões de euros em necessidades de refinanciamento face a dívidas soberanas que vencem, segundo o “Global Financial Stability Report” do FMI, publicado este mês.
O Japão descerá de 2,4% para 1,8%. O Reino Unido será o país do G7 com a maior subida – de 1,2% em 2010 para 2,1% no ano seguinte.
Cenário mais pessimista foi simulado
O problema do “elo mais fraco” – a Europa – é abordado pelo FMI que admite que “as projecções que elaborou incorporam um efeito negativo modesto [provocado pelas tensões financeiras] sobre o crescimento na zona euro”. O termo “modesto” é um eufemismo para evidenciar que este exercício do FMI está envolto “num contexto de incerteza”.
Aliás, mais adiante, o documento de Perspectivas admite “um cenário mais pessimista” derivado da deterioração da situação nos mercados financeiros.
Uma simulação realizada pelo modelo de projecções do FMI (Global Projection Model), tomando em linha de conta uma situação de contágio negativo nos mercados financeiros, derivado da deterioração na zona euro, aponta para um “corte” de 1,5 pontos percentuais na projecção do crescimento mundial para 2011. Ou seja, em vez de 4,3%, o aumento da produção mundial seria corrigido em baixa para 2,8%, um crescimento muito “modesto”. A simulação não apresenta o impacto no comércio internacional que será muito maior.
Brinde para a zona euro em 2011?
O caso da zona euro seria o mais dramático em 2011 neste cenário – a correcção do crescimento seria na ordem dos 3,5 pontos percentuais, o que provocaria uma reviravolta na situação económica: de um crescimento fraco de 1,3% para uma contracção de 2,2%, menor do que a recessão de 2009 (o produto da zona euro caiu 4,1%), mas digna de ser apelidada de um verdadeiro double-dip (recaída na recessão).
Julho 15th, 2010 at 11:28
[...] crescimento mundial deverá ficar acima de 4,5% garantiu o Fundo Monetário Internacional (FMI) na semana passada no seu World Economic Outlook Update. Espera-se que o comércio internacional aumente entre 9 e 10%. E consta que há mais de 3,3 [...]
Dezembro 8th, 2010 at 20:05
AS PERSPECTIVAS DE CRECIMENTO MUNDIAL PARA 2011 ESTAO RASOAVEIS, MAS COM CERTEZA VOLTARA A PATAMARES MAIORES EM 2012. O SISTEMA NAO SUPORTA CRESCER MUITO TODOS OS ANOS, NO ENTANTO SO NAO PODE TER RECESSAO! O RESTO É LUCRO!!!!