Abril 2010
Monthly Archive
Seg 12 Abr 2010
O Comité de datação dos ciclos económicos nos Estados Unidos, o National Bureau of Economic Research (NBER), decidiu ainda não declarar o fim da Grande Recessão, iniciada em Dezembro de 2007, naquele país.
No comunicado que hoje divulgou, com base nas conclusões da reunião realizada em Cambridge (Boston, EUA) no dia 8 de Abril, o comité não considerou que existam dados que possam indicar o final do ciclo recessivo, anunciando uma data para o que tecnicamente se designa em inglês por “trough” (vala, depressão, entre dois ciclos).
O comunicado foi explícito ao declarar que seria “prematuro” anunciar tal data, apesar de vários indicadores já serem hoje nos EUA positivos. “Muitos indicadores são preliminares neste momento e poderão ser revistos nos próximos meses”, sublinha o NBER.
O NBER confirmou Dezembro de 2007 como o pico do ciclo anterior e o início da Grande Recessão que ainda estamos a viver.
O anúncio de um “trough” equivale a indicar que o ciclo recessivo terminou a sua fase descendente e que uma fase ascendente de um novo ciclo de expansão se abriu.Ao não anunciar este marco, o NBER deitou um balde de água fria em muitas análises optimistas.
O analista Peter Cohan, a partir de Boston, faz uma análise detalhada dos meandros políticos de uma decisão deste tipo e das implicações na conjuntura desta decisão.
Sex 9 Abr 2010
O risco de bancarrota grega amainou no fecho desta semana. O “ciclo mortal” – de que falou George Soros esta semana em entrevista – em que a Grécia se envolveu nos últimos dias foi travado, por ora.
A probabilidade de falência baixou para 29,88% no fecho hoje (9/04) do mercado dos credit default swaps (cds). Mas a Grécia continua, mesmo assim, em quinto lugar no ranking mundial da probabilidade de default. A bolsa em Atenas voltou hoje aos ganhos, com uma subida significativa (quase 5%), depois de três dias de quebras (numa queda acumulada de quase 10%).
Depois de uma quinta-feira «negra» (8/04) com o risco de falência do país a atingir o recorde histórico de 33% (um nível próximo do dos quatro campeões – Venezuela, Argentina, Paquistão e Ucrânia), dois factos vieram colocar água na fervura.
Primeiro, as declarações tranquilizadoras do presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet. Depois, os rumores sobre uma proposta acordada hoje durante o dia para ser apresentada na próxima reunião informal do Ecofin (conselho dos ministros de Economia e Finanças dos 27 membros da União Europeia, a que assistem, também, os presidentes do Banco Central Europeu e do Banco Europeu de Investimentos) em Madrid no final da próxima semana (15 a 18 de Abril) com vista à operacionalização do mecanismo de apoio a países em risco de bancarrota.
Clima de pânico
O risco de bancarrota grega tinha disparado quando se soube que teria ocorrido uma fuga de capitais massiva de 10 mil milhões de euros nos dois primeiros meses do ano (metade do montante de 20 mil milhões que o governo grego tem de arranjar até final de Maio para financiar a dívida externa) e que a economia grega deverá continuar em recessão em 2010 (estima-se, agora, em 2,5%). Assistiu-se, assim, a um pânico entre os investidores na dívida grega.
Os bancos gregos, entretanto, preparavam-se para pedir ao governo uma ajuda de 17 mil milhões de euros, ao abrigo do plano de salvação do sistema financeiro, no sentido de atacar o problema de liquidez. A desconfiança e incerteza apoderou-se dos investidores em geral e o sentimento geral de “vender” tornou-se uma bola de neve.
Inversão da derrocada
O pânico, entretanto, estancou. Trichet falou na quinta-feira (8/04) na conferência de imprensa a seguir à reunião do Banco Central Europeu e deu algumas entrevistas, entre elas ao diário italiano Il Sole 24 Ore – a frase de alívio geral foi simples: “[A bancarrota grega] não se coloca”, respondendo a uma pergunta muito directa se o default grego era uma possibilidade material. O banqueiro dos banqueiros centrais europeus explicou, também, que nunca se opusera à intervenção do FMI na zona euro, mas sim ao “seu envolvimento sozinho”. E admitiu que é natural que exista dentro da zona euro “um certo grau de dispersão dos parâmetros económicos”.
Por outro lado, elementos dos ministérios das Finanças e dos Banco centrais reuniram hoje (9/04) em Bruxelas preparando a reunião de Madrid. As “fugas” de informação alegam que um consenso teria sido conseguido sobre as condições de empréstimo por parte de membros da zona euro em caso de resgate de alguma situação de pré-default, como pode ser a grega. Aliás, o mercado do preço dos cds relativos à dívida grega “acompanhou” a oscilação destes rumores – subiu durante a manhã até 31,93% e baixou, depois, a meio da tarde, quando os despachos das agências davam conta de um alegado consenso.
Neutralização da Fitch
Esse rumor conseguiu até neutralizar o comunicado da agência de notação Fitch que baixou hoje (9/04) o rating de crédito da Grécia de BBB+ para BBB-, mantendo também uma perspectiva negativa (o que poderá significar nova despromoção). Se uma nova despromoção ocorrer, a notação grega adquirirá um estatuto de “lixo”, o que será, pela primeira vez, uma nódoa negra num país da zona euro.
A Fitch recomendava, no entanto, que a Grécia trabalhasse no sentido de um programa do FMI “explícito” para gerar confiança nos mercados financeiros. O Financial Times Deutschland reagiu muito negativamente à recomendação da Fitch alegando que a Grécia deveria aguardar até à reunião de 17 de Maio da Comissão Europeia (quando esta apresentar o seu relatório sobre o andamento do plano de austeridade grego), esperando para ver como os mercados reagem até lá… deixando a fogueira arder com os gregos no churrasco.
A dimensão geopolítica da crise grega
Jens Bastian, economista da fundação ateniense ELIAMEP, sublinhou-nos a importância de se analisar a crise grega não só do ponto de vista dos problemas internos da zona euro (o enfoque que tem sido dominante), como da expressão geopolítica regional no sudeste europeu.
Ora, a Grécia, recorda Bastian, tem desempenhado um papel geoeconómico na região como alavanca de investimentos em todos os Balcãs. O que se perderá.
Há, depois, um problema de confiança na própria UE por parte dos que estão dentro na região e dos que estão em lista de espera ou com ilusões disso. “Estes países não estão indiferentes ao que se passa à sua porta”, afirma o economista.
O efeito de contágio grego observa-se já no próprio mercado da dívida relativo à Roménia (com intervenção do FMI, da UE, do Banco Mundial e do Banco para a Reconstrução e Desenvolvimento), Bulgária, Sérvia (com intervenção do FMI), Turquia (em discussão com o FMI), Hungria (com programa com o FMI). No caso de membros da UE, os preços dos cds da Bulgária e da Roménia estão acima dos 200 pontos base (pb) e os da Hungria acima dos 180pb.
Qua 7 Abr 2010
A Grécia ultrapassou hoje (7/04) pela primeira vez a barreira dos 30% de risco de bancarrota, segundo o indicador da CMA Datavision. No fecho dos mercados financeiros dos credit default swaps (cds) ligados à dívida soberana, Atenas atingiu uma probabilidade de incumprimento da dívida de 30,07%, o que consolida o seu quinto lugar no clube dos de maior risco de bancarrota do mundo. Nesse clube estrito, a Grécia encontra como “colegas” a Venezuela (actualmente com 45,79% de risco de falência), Argentina (45,12%), Paquistão (38,64%) e Ucrânia (35,34%). E a tendência é de subida, com a CMA a considerar o país já numa zona de risco vermelho, o que augura uma quinta-feira negra.
Uma situação impensável, há seis meses atrás, para um país da zona euro que se vê, assim, colocado ao nível de países com a pior fama em matéria de cumprimento de obrigações ligadas à dívida externa.
Coincidência de agenda
Por ironia das coincidências de agenda, uma equipa do Fundo Monetário Internacional aterrou em Atenas para uma missão de ajuda técnica durante duas semanas em matéria de “acompanhamento de execução orçamental”. Uma outra missão deverá chegar em Maio para averiguar da execução do plano de austeridade.
A Grécia, apesar de não ter atingido ainda o máximo histórico de 4 de Fevereiro no preço dos cds (então de 426,38 pontos base), ultrapassou largamente o grau de probabilidade de default que em Fevereiro havia atingido, quando ainda se encontrava abaixo de situações mais graves como as do Iraque, Dubai, Letónia e Islândia. Ora, desde 1 de Abril, o grau de risco grego passou dos 26% para os 30% e a Grécia ultrapassou o próprio Iraque, então o quinto passageiro do clube dos de maior risco.
Sintoma desta situação dramática, a bolsa ateniense há dois dias que apresenta quedas significativas.
Passar a país “emergente”
A desconfiança sobre a capacidade de cumprimento das obrigações da dívida por parte da Grécia – e mesmo a multiplicação de declarações de opinadores financeiros com influência mundial declarando que Atenas caminha inexoravelmente para a bancarrota – advém das dúvidas sobre as decisões tomadas na última cimeira de Bruxelas quanto ao mecanismo de emergência, bem como sobre até onde poderão ir as exigências do FMI em termos de agravamento do plano de austeridade, no caso do governo grego recorrer ao seu apoio financeiro. Na verdade, os empréstimos do FMI poderão ter taxas de juro entre 1,25% e 3,25% muito abaixo dos 6% a 6,5% que a Alemanha quer impor no caso de recurso a países da zona euro.
Entretanto correm rumores de que Atenas lançará uma emissão de obrigações denominadas em dólares até ao final de Abril e que o ministro grego das Finanças, George Papaconstantinou deverá deslocar-se aos Estados Unidos na semana de 19 de Abril. Nessa incursão além-Atlântico, a Grécia deverá apresentar uma nova estratégia junto dos fundos de investimento como país “emergente”.
Contágio nos PIIGS
Entretanto, a turbulência que envolve a Grécia, país da zona euro, está a “puxar” pelos outros quatro PIIGS (designação pejorativa em inglês para o grupo Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) da moeda única.
A acompanhar o movimento de subida da Grécia, o preço dos cds sobre a dívida soberana a 5 anos da Irlanda, Espanha e Itália subiu significativamente ontem.
O preço dos cds da Irlanda subiu para os 160 pontos base (pb), com Portugal ligeiramente acima (próximo dos 163 pb), e no caso de Espanha subiu para os 131 pb e de Itália para os 128 pb. No caso da Irlanda, a causa “próxima” foi o choque provocado pelo conhecimento de que o “lixo tóxico” do sistema financeiro deverá ascender a quase 50% do PIB anual do país.
Entre os bancos europeus, o banco português BCP viu o preço dos seus cds subir para 181,56 pb, num dos movimentos mais altos do dia de ontem.
Ter 6 Abr 2010
Nos próximos cinco anos há o risco da geração de um défice de 10 milhões de barris diários entre o consumo e a oferta do ouro negro, avisa especialista do Departamento de Energia americano.
Um técnico superior da Energy Information Administration (EIA) do Departamento de Energia (DoE) dos Estados Unidos alertou que poderá ocorrer entre 2011 e 2015 um problema grave na produção mundial do petróleo, segundo Matthieu Auzanneau, no seu blogue Oil Man, no Le Monde. “Há a probabilidade de haver um declínio [da produção], se o investimento não tiver sido feito”, disse a Auzanneau em entrevista Glen Sweetnam, director da divisão International, Economic and Greenhouse Gas da EIA, e responsável pela publicação anual do International Energy Outlook, um dos documentos de referência no sector. As declarações de Sweetnam estão a provocar uma onda de choque na imprensa especializada.
Glen não fala de um “pico do petróleo” mas de uma hipótese alternativa de “uma primeira fase” de um “planalto ondulante” a partir de 2011, altura em que o DoE americano prognostica uma quebra no total da oferta por parte de todas as fontes “identificadas” de combustíveis líquidos. A queda será de 2% ao ano, a partir de 87 milhões de barris por dia (mbd) em 2011, caindo para os 80 mbd em 2015. Entretanto, estima-se que a procura suba até aos 90 mbd no mesmo período.
A novidade é que o mesmo especialista, há dois anos atrás, previa que um tal cenário de “planalto ondulante” só aconteceria em 2030 e que duraria até 2090. No entanto, Glen, já há dois anos, deixava a hipótese de um cenário mais pessimista ainda na década que agora iniciámos. Diríamos que o cenário mais pessimista tomou, agora, de assalto a ribalta.
O que gerará um «buraco» de 10 mbd, que terão de ser fornecidos pelo que Glen chama de fontes “não identificadas” nos próximos cinco anos. O drama é que estes 10 mbd são quase o equivalente à produção diária da Arábia Saudita, o líder da OPEP. Ora, sete dos 15 maiores produtores de crude do mundo deverão sofrer reduções substanciais da sua oferta até 2015, como são o caso da Rússia, China, Irão, México, EAU, Venezuela e Noruega. A maior quebra será observada no México.
Dos 135 projectos novos de exploração de petróleo que deverão ser postos em operação nos próximos anos, 35 foram adiados pela OPEP para depois de 2013. Em média, cada projecto demora 7 anos até ficar operacional. A interrogação que fica: quais são as fontes “não identificadas” que irão tapar o défice?
Ter 6 Abr 2010
Em apenas sete dias, a Grécia subiu do 9º lugar no clube dos 10 de maior risco mundial para 5º, ultrapassando a Letónia, a Islândia, o Dubai e o próprio Iraque. Portugal e Irlanda mantêm-se a par, em 26º e 27º lugares na probabilidade de incumprimento no final do 1º trimestre de 2010, segundo a CMA divulgou hoje. Entretanto chega amanhã a Atenas uma equipa do FMI.
A solução aprovada por Bruxelas em 25 de Março continua sem convencer os mercados financeiros ligados à dívida soberana. A Grécia assiste a uma escalada, de novo, do seu risco de bancarrota, tendo, em apenas sete dias de operação do mercado dos credit default swaps (cds), subido do 9º lugar para o 5º, ultrapassando casos tidos como mais graves no início do ano, como a Letónia, a Islândia, o Dubai e o próprio Iraque. Agravamento que não sucedia desde o início da crise da dívida grega em final do ano passado em termos de probabilidade de bancarrota.
A Grécia viu a sua probabilidade de default, segundo a avaliação da CMA, passar de 25,4% no início do ano para 28,92% hoje (6/03) no fecho, tendo passado por um mínimo em 8 de Março. Apesar da solução mista UE/FMI adiantada em 25 de Março, o preço dos cds passou de 308,8 pontos base (pb) nessa data para 392,79 pb hoje (6/03) no fecho. Se bem que o preço dos cds relativos à Grécia está abaixo do máximo de 428,36 pb atingido a 4 de Fevereiro, a percepção global de risco é hoje maior do que naquela altura.
Grécia poderá testar obrigações em dólares
Para Jens Bastian, investigador principal da fundação ELIAMEP, um economista alemão vivendo em Atenas há 13 anos, “os desenvolvimentos dos últimos dias mostram que a maioria dos participantes no mercado não estão convencidos nem da capacidade da Grécia sair do pesadelo, nem do pacote combinado UE/FMI”.
Bastian advoga que o governo grego “deverá diversificar as suas colocações de obrigações, não só em euros, mas também em dólares, e, deste modo, testar os mercados para saber se, quando as obrigações de dívida são colocadas sem ser em euros, conseguem spreads mais baixos” dos que teve de aceitar nas últimas emissões (6,522% no último caso de obrigações a 10 anos, uma operação que ficou por 40% do pretendido na semana passada). Aliás, fala-se em Atenas que a agência de gestão da dívida se prepara para o fazer denominando em dólares e que o ministro das Finanças viajará para os EUA no final de Abril. Entretanto, chega amanhã a Atenas uma equipa do FMI para uma visita de duas semanas.
Não só a situação grega se tem agravado. Também, os restantes “colegas” do clube designado pejorativamente por PIIGS (acrónimo em inglês para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), viram as suas probabilidades de bancarrota externa subirem nesta última semana.
Irlanda e Portugal a par
Uma das novidades foi o facto da Irlanda ultrapassar ligeiramente Portugal no risco de default a 30 de Março, depois de se conhecer o montante de «lixo tóxico» do sistema financeiro (quase 50% do PIB irlandês anual) com que a nova agência irlandesa (NAMA), na gíria financeira conhecida por bad bank, vai ter de lidar. Segundo a classificação da CMA (Global Sovereign Credit Risk Report), publicada hoje, para o final do primeiro trimestre de 2010, Portugal e Irlanda estavam a par no final de Março, em 26º e 27º lugares, com uma probabilidade de bancarrota de 11,7%. Hoje à tarde, a Irlanda ultrapassava ligeiramente Portugal com 12,7% contra 12,6%.
Portugal, no entanto, foi, entre os PIIGS, o país que apresentou o pior desempenho no primeiro trimestre, ao ver agravado em 52.3% o preço dos cds relativos à sua dívida soberana. A notação atribuída pela CMA a Portugal e Irlanda é de bbb+, pior do que a atribuída pelas três agências mais conhecidas (como a Fitch que despromoveu Portugal para o nível AA- em 24 de Março; a Irlanda está, também, em AA-, segundo a Fitch). A CMA atribui à Grécia a notação de bb-, pior do que a atribuída pela Fitch e a S&P (BBB+).
Também, a Espanha e a Itália estão praticamente a par, em 33º e 34º lugares, com probabilidades de default muito mais baixas, na ordem dor 9,8% e 9,6%, respectivamente. Hoje, os dois países apresentam probabilidades de bancarrota de 10,6% e 10,3% e a CMA dá-lhes a notação de a (a Fitch ainda mantém a notação de triplo A para Espanha e de AA- para Itália, similar à de Portugal e Irlanda).
Em pior situação do que Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, estão, na Europa, a Ucrânia (4º lugar do clube dos 10 mais), Grécia, Islândia, Letónia, Lituânia, Roménia, Bulgária, Croácia, Hungria e Rússia. No Mediterrâneo e Médio Oriente, o Dubai, Egipto, Líbano, Bahrein e Turquia têm probabilidades de bancarrota mais elevadas do que os quatro acima referidos.
Bons desempenhos da Estónia e Letónia
Um caso de desempenho espectacular na Europa foi a Estónia que melhorou em 50% a sua posição, tendo invertido o preço dos cds de 186,3 pb no início do ano para 91,4 pb no final de Março, segundo a classificação publicada hoje pela CMA para o 1º trimestre de 2009. Por seu lado, apesar de continuar no clube dos 10 de maior risco, a Letónia, fruto do programa do FMI, melhorou a sua posição em mais de 30%, descendo do 8º lugar para o 10º.
Sex 2 Abr 2010
Assistiu-se a uma retoma deste tipo de investimentos no primeiro trimestre do ano em todo o mundo. A Califórnia está à frente nestas operações e o sector privilegiado foi o dos veículos eléctricos. No entanto em entradas em bolsa, foi a China que liderou em número de novas empresas de tecnologias “limpas” que mobilizaram capital.
Os investimentos de capital de risco (venture capital, na designação original em inglês) em tecnologias “limpas” já saíram do clima de “recessão”. Assistimos a uma retoma deste tipo de investimento no primeiro trimestre do ano com 180 operações à escala mundial no valor de 1900 milhões de dólares, segundo um estudo da consultora Cleantech Group e da Deloitte. No entanto, ainda está mil milhões atrás do pico no terceiro trimestre de 2008, antes do pânico financeiro.
As tecnologias “limpas” abrangem vários sectores industriais de base tecnológica, com alto valor acrescentado, mas o que liderou a atracção deste tipo de capitais foi o dos transportes, com 37% do total investido, e neste âmbito os projectos envolvidos com veículos eléctricos e suas infra-estruturas. Quase metade do investimento de risco no sector dos transportes “limpos” foi para a Better Place, uma firma de Palo Alto, na Califórnia, que fabrica estações de abastecimento de carros eléctricos para colocação em vários países (como Dinamarca e Israel). Seguiu-se o investimento no sector da energia solar e em projectos de eficiência energética.
Em termos geográficos, os Estados Unidos catalisaram 81% do investimento do capital de risco, seguido da Europa e Mediterrâneo (inclui Israel) com 14%, da China com 4% e da Índia com 1%. A Califórnia lidera a atracção deste tipo de investimentos, com 51% das aplicações.
O estudo revela, ainda, que se realizaram 13 operações de entrada em bolsa no primeiro trimestre de 2010, que mobilizaram 1,5 mil milhões de euros nas bolsas. Sinal dos tempos, oito destas transacções ocorreram na China.
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