Qui 15 Abr 2010
O dia em que Portugal liderou os cds – diário de bordo 88
Por JNR na secção Gestão do risco , Inteligência Económica1 comentário
O risco de bancarrota dos três países do “club Méd” (Grécia, Espanha e Portugal) disparou na quarta-feira (14/04) de novo.
Apesar do êxito das operações de colocação de bilhetes de tesouro por parte da Agência grega de gestão da dívida, terça-feira, e de obrigações do Tesouro, quarta-feira, por parte do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público português, o risco de incumprimento (default) da dívida soberana grega subiu para os 30,74% e no caso português para 14,65.
Também a Espanha assistiu quarta-feira ao mesmo tipo de alta do risco de default, que se aproxima dos 12%.
O preço dos credit default swaps (cds), que são contratos de seguro sobre a dívida soberana (uma espécie de instrumento financeiro que dá uma ideia da confiança ou desconfiança que se coloca no cumprimento das obrigações de dívida por parte de um país), passou de 380,5 pontos base (pb) no caso grego, no fecho de terça-feira, para 432,28 pb no fecho de quarta-feira. Um aumento de 13,6%.
A Grécia ultrapassou, assim, o seu máximo histórico de 4 de Fevereiro no preço dos cds. O que significa que a situação é mais grave do que então, apesar da existência do mecanismo de empréstimos preparado por Bruxelas, mas que aguarda pela próxima sexta-feira para aprovação oficial pela reunião do ECOFIN em Madrid. Sinal do mal-estar grego, a Bolsa de Atenas caiu, pelo segundo dia consecutivo, mais de 2%.
No caso português, a subida foi de quase 16%, com o preço dos cds a passar de 154,8 pb para 179,22. E em relação a Espanha, o salto foi mais pequeno, passando de 129,8 pb para 140,94 pb.
Como termo de comparação, tenha-se em conta que o preço dos cds para o caso alemão era, apenas, de 32,57 pb e que o risco de default era só de 2,86%. O que significa que os gregos têm um adicional de quase 400 pontos em relação à Alemanha, que serve de referencial para a zona euro, e que os portugueses têm um diferencial de mais de 122 pontos.
Como cada 100 pontos base corresponde a 1%, isso significa que os gregos quando vão ao mercado financeiro tentar financiar-se correm o risco de ter de pagar mais 4 pontos percentuais do que os alemães e os portugueses mais um ponto percentual.
Segundo a CMA DataVision, que fornece estes dados do mercado dos cds e do risco de bancarrota, os aumentos no caso da Grécia e de Portugal foram os maiores quarta-feira. Com Portugal a liderar.
Também quatro bancos da Península estiveram esta quarta-feira em foco pela negativa no mercado dos cds: Banco Espírito Santo, Banco Popular Español, Banco de Sabadell e BCP. O Sabadell foi o que teve a pior deterioração no risco de crédito.
Abril 16th, 2010 at 0:14
[...] O risco de bancarrota voltou a subir durante o dia de quinta-feira (15/04) para fechar nos 29,64%, abaixo de quarta-feira. Mas como o risco relativo à Ucrânia baixou, a Grécia viu-se projectada para o 4º lugar no [...]