Abril 2010


O Financial Times soube de oito medidas que fariam parte do “pacote” de austeridade que está a ser negociado em Atenas entre o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu, a União Europeia e o governo grego, segundo o Eurointelligence.

O pacote poderá ser divulgado este fim de semana, mas terá de ser discutido no Parlamento grego na próxima semana. A ministra francesa da Economia adiantou em Xangai que uma reunião informal do Eurogrupo (grupo dos ministros das Finanças e da Economia dos 16 países membros da zona euro) poderá ocorrer este fim de semana.

Fruto destes rumores, o risco de default da dívida soberana grega baixou hoje de manhã para menos de 40%, mantendo-se, no entanto, em terceiro lugar no clube dos 10 de maior risco (onde se encontra, também, Portugal em 9º lugar), segundo o monitor da CMA DataVision.

O ajustamento orçamental até 2012 envolveria €24 mil milhões, 8,5% do PIB de 2009.

O Plano de Austeridade

As oito medidas principais seriam as seguintes:
1) Aumento do IVA em 2 a 3 pontos percentuais;
2) congelamento dos salários da Função Pública (FP) durante três anos e congelamento do recrutamento de novos funcionários (o funcionalismo publico representa 13% da população activa);
3) “anulação” dos 13º e 14º meses na FP;
4) não renovação de todos os contratos de curto prazo no sector público;
5) abertura de mais de 60 profissões com limitações à entrada;
6) fecho de mais de 800 entidades do estado grego em situação obsoleta;
7) aumento da idade de reforma dos 53 anos para os 67 anos;
8) plano de privatizações.

Números do Desafio Grego

Recordem-se os seguintes números de enquadramento sobre a situação grega:
a) Necessidades de refinanciamento até 2014: €186,9 mil milhões (2,3 vezes as necessidades no caso português);
b) Impacto negativo do ajustamento orçamental nas projecções de crescimento segundo o cálculo do economista Daniel Gros: 24,8% (quase 5 vezes o estimado para o caso português);
c) Pacote de empréstimos estimado para evitar o default nos próximos três anos: €100 a 135 mil milhões (mais de 2 vezes o que é estimado para o caso português).

Intervenções europeias do FMI fora da zona euro

. Roménia (membro da UE): Empréstimos de €13 mil milhões; medidas mais drásticas: despedimento de 137 mil funcionários públicos; taxa de segurança social aumentada em 3,3 pontos percentuais;
. Hungria (membro da UE): Empréstimos de €12,5 mil milhões; sector mais atingido prestações de saúde;
. Ucrânia: Empréstimos de €12,5 mil milhões
. Islândia: Empréstimos de €2,1 mil milhões;
. Letónia (membro da UE): Empréstimos de €1,7 mil milhões; medidas mais drásticas: IVA aumentado de 5 para 21%; salários da FP cortados em 25%; cortes nas prestações de saúde de 40%.

O número começou a rolar hoje de manhã nos media internacionais: €600 mil milhões – o equivalente ao plano de emergência lançado nos Estados Unidos para evitar o efeito sistémico da derrocada do Lehman Brothers em finais de 2008, que ficou conhecido pelo acrónimo TARP (Trouble Asset Relief Program). O cálculo foi feito em Londres por David Mackie, economista-chefe, a nível europeu, do J.P.Morgan. Representa 5% do PIB da União Europeia.

Esse será o custo de uma “almofada” de empréstimos bonificados que a zona euro deverá disponibilizar para evitar o risco de contágio de um “ébola” (o célebre vírus descoberto no rio do mesmo nome no Zaire em 1976) financeiro no terreno das dívidas soberanas de alguns dos seus membros mais vulneráveis. “Ébola” foi a designação – tétrica – que o chefe da OCDE, Angel Gurría, usou ontem.

Por seu lado, Dominique Strauss-Kahn, director geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), terá adiantado, também ontem, em reuniões com deputados alemães – a pátria da maior resistência a um plano anti-bancarrota dentro da zona euro – que 100 a 135 mil milhões de euros terão de estar em prontidão para o caso grego nos próximos três anos.

Por seu lado, o The New York Times, em dólares, desdobrava o pacote de emergência (em dólares cerca de 790 mil milhões) para os próximos três anos para três casos, estimando $120 mil milhões para a Grécia, $53 mil milhões para Portugal e $466 mil milhões para Espanha. Ainda que os números não batam certo com as estimativas europeias, dão ideia dos patamares em que se poderá situar a intervenção.

Não é fenómeno novo

O risco de defaults (incumprimentos da dívida soberana) em série não é novo na história económica – um vaga letal ocorreu no século XIX na Europa, envolvendo, na altura, Portugal (cinco vezes), Espanha (seis vezes) e a Grécia (quatro vezes), como recordam os trabalhos de investigação recentes de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, a que nos temos referido.

O palavrão técnico – default – passou a entrar na conversa de almoço dos cidadãos, tal como os cds (acrónimo paracredit default swaps) ou o rating (a notação do crédito). Uma trilogia de estranhas palavras inglesas que não largam as economias e que cada vez mais têm influência na vida do cidadão comum.

Depois do relatório do FMI da semana passada – e da exposição de um conjunto de indicadores macroeconómicos de “vulnerabilidade” que analisámos aqui – o desenho do espaço geográfico deste risco (zona euro) ficou confirmado na cabeça dos grandes investidores institucionais, com os famosos PIIGS (acrónimo humorístico pejorativo para o grupo Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) como alvo central.

Não pode espantar, por isso, o que é designado por “ataque” aos mercados de seguros sobre a dívida soberana (os tais cds), onde actuam os grandes investidores institucionais e todo o “sistema financeiro sombra” que especulam neste e noutros mercados (de acções, de commodities, todo o tipo de veículos financeiros “derivados” e “sintéticos”) onde haja oportunidade de maximização de ganhos para os seus portfólios.

No clube desses grandes investidores estão conhecidos hedge funds (que tiveram uma célebre reunião, baptizada de “idea dinner”, a 8 de Fevereiro em Manhattan, Nova Iorque), poderosos fundos de pensões, braços financeiros no tal sistema “sombra” de bancos e outras instituições mais tradicionais. Também as agências de notação de crédito, as tristemente famosas senhoras do rating, funcionam como, um analista já lhes chamou, de megafone “pró-cíclico”, ou seja dão indicações negativas ou positivas aos investidores no sentido de detectarem as janelas de oportunidade de maximização de rendas financeiras. Esta semana, a Standard & Poor’s já bateu à porta três vezes: Grécia baixa de BBB+ para BB+ (“lixo”) e Portugal de A+ para A-, a 27 de Abril (terça-feira negra no risco e nas bolsas), e Espanha de AA+ para AA, ontem.

Sinais políticos que contam

Contudo, a dinâmica destes mercados de expectativas sobre as dívidas soberanas e sobre as dívidas de privados (nomeadamente bancos e seguradoras, que têm estado em foco, como no caso da Península Ibérica e da Irlanda) não se guiam só pelos sinais das agências de rating – mas, também, e em grande medida pelo ruído político. Ou seja, pelos sinais políticos que são dados a partir dos países em risco e das entidades internacionais que se podem envolver na resolução dos problemas financeiros que vão emergindo.

E os sinais políticos são contraditórios, o que tem provocado a enorme volatilidade a que temos assistido na classificação do risco de default no caso dos quatro países europeus da zona euro: uma terça-feira negra de disparo do risco de bancarrota, seguida de uma quarta-feira com algum sobe e desce, e com um amanhecer hoje de nítida melhoria do clima (Grécia baixou para 3º lugar no clube do risco mundial, Portugal desceu para 9º, e a Irlanda e Espanha viram os níveis de risco descer também alguns pontos percentuais, segundo dados da CMA DataVision).

Os investidores estão “ensanduichados” entre o manifesto eleitoralismo da chanceler alemã Angela Merkel (com eleições a 9 de Maio num estado crucial para manter a sua maioria no parlamento de estados regionais da federação) e os sinais que são dados pelos líderes do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, ou mesmo da OCDE e das estruturas da União Europeia. Até o presidente Obama terá dado algum conselho à chanceler alemã na conversa que terão tido ontem. Esperam-nos quinze dias que poderão parecer os mais longos da história recente do euro (eleições na Renânia-Norte Vestefália a 9 de Maio; cimeira europeia a 10 de Maio; limite de refinanciamento da dívida grega a 19 de Maio).

Até Axel Weber, o presidente do Bundesbank, o banco central alemão, disse hoje ao jornal alemão Bild que era urgente a colocação em prática do “pacote” em direcção à Grécia. O temor da tal vaga “sistémica” de ébola de bancarrota paira sobre Berlim.

O resultado de todo este cenário político dentro da zona euro foi o impensável há um ano atrás – transformar uma crise política “periférica” (a descoberta de vigarices nas estatísticas gregas e de alegadas manipulações da dívida pública externa pela Goldman Sachs e pelo anterior governo de direita em Atenas substituído em eleições) num rastilho de uma vaga de near-defaults (quase bancarrotas, à beira de incumprimento, ou de reescalonamento ou reestruturação de dívidas soberanas) em série.

Foi a semana em que o país viu a probabilidade de bancarrota aumentar para mais de 20% tendo entrado no mesmo clube de alto risco em que se encontra a Grécia. O país terminou a semana em 9º lugar mundial, ultrapassando a Letónia, depois de algum sobe e desce ao longo de sexta-feira.

Foi, de facto, uma semana “negra”. Na quarta-feira, Portugal viu a sua situação de crédito nos mercados internacionais deteriorar-se a um ponto tal que empurrou o país para dentro do clube de alto risco mundial, formado por dez países, onde já se encontrava a Grécia.

A probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa (default, em termos técnicos) passou de 12% para mais de 21% em menos de um mês e Portugal chegou a desalojar a Letónia, o último dessa lista, acabando por passar na quinta-feira para o 9º lugar neste clube de má fama mundial.

Temperatura ao rubro

Um outro indicador usado para se medir a “temperatura” de como estes mercados financeiros do crédito encaram o nosso país lida com um acrónimo que já se tornou popular – os CDS, credit default swaps, uma espécie de seguros que os investidores fazem para se protegerem do risco de um dado país falir e deixar de cumprir as suas obrigações de dívida. O custo destes CDS é medido em pontos base e já duplicou para o caso português desde Janeiro. E ultrapassou, esta semana, o máximo histórico que havia atingido a 8 de Fevereiro, aquando da primeira fase desta crise de solvência. O diferencial em relação à Alemanha já é superior a 200 pontos base, o que significa em termos de deterioração das condições de crédito que teremos de pagar mais 2% do que os alemães pagarão por ir ao mercado financiar-se.

Dois bancos portugueses sofreram particular pressão neste mercado durante a quinta-feira negra – o BCP e o BES situaram-se acima dos 300 pontos base, muito mais do que o nível dos CDS para a dívida soberana portuguesa. A deterioração das condições destes dois bancos na quinta-feira foi superior a 20%. A que se juntou na sexta-feira a CGD com valores próximos dos 300 pontos.

Também a Grécia viveu uma semana “negra”. O risco de default chegou a um pico de 41% na quinta-feira, cada vez mais próximo do nível dos dois líderes do clube, a Argentina e a Venezuela.

O acenar da bandeira branca no Parténon

Para piorar a situação, a agência de notação de risco Moody’s baixou nesse dia ao meio da tarde o rating da Grécia de A2 para A3 e deixou nas entrelinhas a possibilidade de baixar em breve a notação para o terreno dos “B” (onde já se situa a notação dada pelas duas outras agências, a S&P e a Fitch). O anúncio coincidiu com mais uma rectificação do valor do défice público grego em 2009 deixado pelo anterior governo de direita de Karamanlis, que agora se situa nos 13,6% do PIB (depois de uma primeira revisão para 12,6%, em virtude dos números vigarizados pelo anterior governo), o maior da zona euro.

O resultado foi um empurrão brutal na deterioração das condições de crédito para a Grécia que viram as yields (rendimentos) dos títulos tomados pelos credores internacionais chegar a valores acima de 8% indo até 11% consoante as maturidades. Uma barbaridade, conforme sublinhou a própria Reuters, referindo que, antes da crise grega se iniciar em Novembro, tais rendimentos andavam entre 1 e 2%.

O primeiro ministro George Papandreou viu-se obrigado na sexta-feira a propor formalmente o accionamento do mecanismo financeiro de empréstimos montado pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional. O Der Spiegel alemão chamou-lhe o acenar da bandeira branca no Parténon.

Dois socos dados pelo FMI

A par de várias declarações públicas e artigos publicados por economistas influentes à escala internacional com apreciações negativas sobre Portugal – que não foram contrabalançadas numa contabilidade de “por” e “contra” pelas mais tranquilizadoras -, a publicação pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) do relatório sobre a situação financeira internacional (Global Financial Stability Report) e do prognóstico sobre a evolução da economia mundial (World Economic Outlook) adensou ainda mais a incerteza nos investidores dos mercados financeiros e abriu o apetite para um ataque por parte dos especuladores à zona euro, a partir dos seus elos mais fracos.

O FMI deu dois socos no estômago dos europeus. Afirmou, primeiro, que a fase actual da Grande Recessão se vai centrar nos riscos de crises de default em série (como já aconteceu noutros momentos históricos, como por exemplo no século XIX, recorda recentemente um artigo de Rogoff e Reinhart, a que já fizemos referência) e focalizou-a geograficamente na zona da moeda única europeia, como espaço monetário mais vulnerável.

Depois, prognosticou que a zona euro será a região do mundo com o pior desempenho em 2010 em matéria de crescimento económico. O aumento do PIB desta zona será medíocre – apenas 1%. O que gera uma dúvida mortal nos investidores na dívida destes países: será que muitos deles conseguirão gerar capacidade financeira para honrar os compromissos da dívida externa, ou cairão em situações de bancarrota ou de necessidade de reestruturar e de reescalonar as suas dívidas.

Na frente política europeia, a activação do mecanismo financeiro de empréstimos a países em risco de insolvência, já aprovado nos principais “detalhes” na última reunião informal do Ecofin (reunião de ministros das Finanças e Economia da UE), realizada em Madrid entre 15 e 18 deste mês, continua em banho-maria. Em muitos países da zona euro, a começar pela Alemanha, o “pacote” terá de passar pela aprovação dos parlamentos, o que significa tempo de espera, batalhas duras (eventualmente com o recurso ao Tribunal Constitucional no caso alemão) e inclusive o risco de “nãos”. As negociações, entretanto, começaram em Atenas com a equipa do FMI, mas Strauss-Kahn, o seu director-geral, já disse que demorarão tempo e que não devem ser esperados milagres.

O panorama político europeu também se toldou com a ideia de que os tratados da UE terão de ser revistos para “apertar” os prevaricadores na área orçamental, uma ideia que se tem desenvolvido nos meios políticos alemães e que ganhou o apoio da Finlândia esta semana. Há uma enorme expectativa sobre os resultados das eleições estaduais na Renânia do Norte-Vestefália na Alemanha a 9 de Maio – mas os mercados financeiros obviamente não têm a paciência para esperar por elas.

Entretanto, nos meios académicos, “descobriu-se” que o efeito multiplicador do endividamento entrou, recentemente, em terreno negativo, ou seja, contrair dívida para gastar nos países desenvolvidos deixou de ter um efeito positivo, mesmo que pequeno, no crescimento. Uma inversão em relação aos tempos áureos do keynesianismo e do multiplicador inventado por um pupilo do lorde inglês.

O trabalho pioneiro sobre a “diminuição da produtividade marginal da dívida total” foi desenvolvido por Nathan Martin para o caso dos Estados Unidos e está a agitar o debate na blogosfera dos economistas e dos decisores nas áreas económicas.

Ora este problema da viragem de pernas para o ar do papel multiplicador nos países ricos ocorre num momento em que o vício do endividamento caminha para atingir um clímax. O director-geral do FMI, Strauss-Kahn, disse ontem na abertura da reunião dos ministros de Finanças do G20 em Washington, que decorrerá até domingo, que o peso das dívidas públicas dos países ricos no PIB passará, em média, de 80% para 115% entre 2008 e 2014.

Vulnerabilidades portuguesas

O FMI desceu, depois, ao terreno dos elos mais fracos da zona euro e desenvolveu um exercício técnico de avaliação de indicadores de “vulnerabilidade”. No conjunto, a maioria desses indicadores aponta para uma aproximação portuguesa tendencial ao perfil grego.

O relatório permite, ainda, a identificação de um conjunto de países na zona euro com maiores vulnerabilidades, no qual se deverá incluir não só os humoristicamente chamados PIIGS (acrónimo pejorativo para Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha), como a Bélgica, que, aliás, entrou esta semana, de novo, em crise política. Um economista belga, Ivan Van de Cloot, afirmou aos jornais Het Belang van Limburg e De Morgen, logo a seguir, que o custo imediato desta crise em termos de deterioração das condições de crédito deverá rondar os 50 milhões de euros.

Fora da zona euro, haverá que seguir com atenção o Reino Unido em alguns aspectos (como no peso da dívida externa total em relação ao PIB, a segunda mais grave depois da Irlanda na União Europeia, ou no défice público estrutural previsto para 2010 que se estima em 7,6%, do PIB, superior ao nível português).

Efectivamente nos mercados da dívida, os designados PIIGS têm mantido uma formação em voo, ainda que em patamares muito distintos. Os cinco países lideraram, em alguns dias, as subidas dos níveis dos CDS. O risco de default irlandês está acima de 14%, o espanhol acima de 13% e o italiano perto dos 12%.
Segundo a grelha de análise do FMI (ver capítulo 1, Parte B, quadro 1.1, p.5), os indicadores mais preocupantes para o caso português são os da dívida pública em mãos de entidades estrangeiras (60% do PIB contra 99% no caso grego), o peso no PIB da exposição de bancos internacionais ao sector público português (23% do PIB contra 32% no caso grego), ou o saldo negativo da balança corrente em relação ao PIB (9% contra 9,7% no caso grego).

Também esta semana, no blogue VOX, o economista Daniel Gros, director do Center for European Policy Studies, em Bruxelas, acabou por completar a análise de “vulnerabilidades” feita pelo FMI. Gros adiantou outros indicadores, que o conduzem a concluir que “Portugal e Grécia sofrem de um problema real de solvência”, enquanto a Espanha e a Irlanda andarão em bolandas com um problema de liquidez.

Gros refere o facto de Portugal ter uma dívida externa total (pública e privada) em relação ao PIB mais elevada (226%) do que a Grécia, Espanha e Itália, mas, no entanto, bem inferior ao caso extremo da Irlanda (1050%). Também a dívida externa líquida portuguesa em percentagem do PIB é mais elevada que no caso da Grécia, Espanha e Itália.

Outro dos indicadores que tem sido referido como importante, para “sinalizar” a situação da dívida externa, é a avaliação do peso da dívida de curto prazo. A Islândia atingiu, em Setembro do ano passado, o recorde europeu, entre os países desenvolvidos, com 48,5% da sua dívida externa colocada no curto prazo, enquanto no caso da Irlanda essa percentagem é de 41% e quanto a Portugal é de 31%. Só tendo em conta a dívida pública externa, o peso da dívida de curto prazo era em Setembro de 2009, de 15% para Portugal e de 12,3% para a Grécia, segundo dados dos respectivos bancos centrais.

Um problema que, também, não tem sido abordado é o da poupança líquida, que Daniel Gros e Avelino de Jesus, director do Instituto Superior de Gestão em Portugal, têm chamado, sistematicamente a atenção. A Grécia e Portugal têm uma situação estrutural mais negativa do que os seus outros “colegas” dos PIIGS, em particular devido à situação líquida negativa da poupança interna. A situação portuguesa era inclusive pior do que a grega, segundo os últimos dados disponíveis para 2008: 6,7% do PIB, dois pontos e meio percentuais mais do que em 2007 e superior em um ponto percentual à grega. A situação portuguesa agravou-se desde 2004, quando o saldo da conta de poupança se tornou negativo.

No conjunto dos dez indicadores de “vulnerabilidade” usados esta semana pelo FMI e por Daniel Gros, verificamos que Portugal não ocupa o primeiro lugar em nenhum, comparado com os outros quatros “colegas” dos PIIGS. Ocupa o 2º lugar em metade deles, o 3º lugar em 3 deles e o 4º lugar nos restantes dois.
Todos estes indicadores têm, no entanto, um fio de Ariana a ligá-los. Na maioria dos casos prendem-se com o Estado, o que remete para além de uma dimensão técnica para uma dimensão política.

Capacidade de dar a volta

No entanto, Daniel Gros está mais pessimista noutros casos do que em relação a Portugal. Segundo ele, a capacidade de dar a volta ao “efeito de bola de neve” (uma designação técnica para avaliar a dimensão dos estragos feitos pela recessão nestes dois últimos anos em comparação com o período anterior de crescimento), é incomparavelmente mais difícil na Grécia e na Irlanda do que em Portugal.

O artigo faz, ainda, uma apreciação política em que considera “impraticáveis” os ajustamentos orçamentais que seriam necessários cumprir na totalidade nos casos da Grécia, Irlanda e Espanha para “reparar” a situação, comparando com Portugal e Itália, em que a margem de manobra seria maior. O mercados dos cds, contudo, parece não o acompanhar neste optimismo político relativo.

Como na fábula de Jean de La Fontaine, as principais vítimas desta Grande Recessão vão ser as “cigarras”, os países que viveram manifestamente no faz-de-conta, afirmou-nos o economista francês François Heisbourg, de 60 anos, presidente do International Institute for Strategic Studies, sediado em Londres.

O ex-primeiro secretário da Missão Permanente da França nas Nações Unidas nos anos 1970 e 1980 admite que a “morte lenta” das “cigarras” (de que o caso grego é, provavelmente, o mais presente, e Portugal um forte candidato, atendendo às evoluções recentes) possa ser um problema doloroso. Tal como o choque nas “andorinhas que voaram com a globalização”, elogiadas pelos seus “milagres económicos”, e que, subitamente, com esta grande crise, se vêm com recessões mais prolongadas (como a Irlanda e a Espanha) e, em alguns casos, chutadas inclusive para níveis altos de risco de bancarrota (como o Dubai, a Islândia, a Letónia e, mais distante, a Hungria).

O elefante ganhador

Mas esta recessão trouxe mudanças decisivas na cena mundial. “Assistimos à transformação profunda da paisagem geoeconómica e geopolítica. As consequências são directas e bem visíveis”, alega o autor de “Vencedores e Vencidos”, um livro publicado recentemente em Paris. A principal, diz-nos Heisbourg numa entrevista (que pode ler aqui, na íntegra, em francês), tem a ver com a China: “Ela passou de um estatuto de potencial grande potência para a realidade dessa posição. É um salto qualitativo comparável, no plano geoeconómico e geopolítico, ao da emergência da Alemanha imperial no final do século XIX”.

O especialista francês, recorrendo a uma nomenclatura da fauna da crise, chama-lhe “um elefante, um animal com talentos múltiplos”, classificação que estende à Índia e ao Brasil que conseguiram “atravessar a crise apoiando-se numa base económica diversificada”.

Apesar da expectativa de que os Estados Unidos sairiam de rastos desta Grande Recessão, Heisbourg acha que a superpotência se aguenta “como número um, apesar de tudo”, devido a uma característica profunda que mantém: “a sua resiliência, apoiada na criatividade tecnológica, na flexibilidade social, na vitalidade demográfica e na existência de um estado federal”. Por isso, o economista duvida das “teses declinistas” sobre a América que rapidamente se propagaram.

Também, a Rússia não lhe parece que tenha levado uma estocada mortal, por ora, apesar de ser “um dinossauro mono-produtor”, um ponto fraco que é, hoje, o tema central dos debates em Moscovo tendo em vista as presidenciais de 2012, diz Heisbourg.

O principal perdedor

O mais importante «vencido» desta crise poderá ser a União Europeia (UE). “Esta Grande Recessão acentuou os riscos de um declínio terminal”, afirma, com algum pessimismo. A ideia estratégica de uma “tríade” com os EUA e a China parece morrer na praia.

A UE tem dois problemas de fundo, refere o especialista: o risco de ter uma crise grave do euro, da moeda única, bem como uma perspectiva enevoada de crescimento a longo prazo. “A Europa, no conjunto, corre o risco de se japonizar em termos de crescimento”, conclui.

O risco de “japonização” na Europa

O Japão, tal como a Itália, recorda François Heisbourg, são campeões de uma doença: um crescimento de longo prazo medíocre (abaixo de 2%), que, no caso do Japão, que nos anos 1990 tivera a ambição de subir ao escalão das superpotências, já o empurrou definitivamente para “uma marginalização estratégica”. Uma sina que já dura desde a crise de 1991. O antigo império do Sol Nascente está, hoje, numa camisa de varas: “entre o protector americano e o consumidor chinês”.

O recente World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional divulgado esta semana acaba de prognosticar um crescimento medíocre de apenas 1% para o conjunto da zona euro em 2010 (a região do mundo com crescimento mais baixo) e em Espanha, no blogue Nada es Gratis, o economista Antonio Cabrales interrogava-se se a Espanha irá viver uma década similar à japonesa nos anos 1990.

5 colaterais da crise
1- O principal vencedor foi a China, mas a sua janela de oportunidade vai até 2025
2- Apesar de tudo, a América mantém-se como número 1, mas a sua projecção global vai ser afectada pelo défice público e a dívida externa
3- Ficou a nu o risco de declínio terminal da União Europeia e do seu projecto de uma tríade com os EUA e a China
4- Assistimos à marginalização estratégica do Japão
5- Os “milagres económicos” de muitos “tigres” esfumaram-se

Portugal entrou quarta-feira (21/04) no clube dos 10 de maior risco mundial, um grupo onde só estava, até ontem ao meio-dia, a Grécia, entre os membros da zona euro em situação de maior risco em termos de dívida soberana. Portugal acaba de atingir um risco de bancarrota de 18,33%, desalojando a República Dominicana do 10º lugar, segundo dados divulgados pela CMA DataVision. O risco subiu mais de 2 pontos percentuais entre terça e quarta feiras. Portugal está, agora, a dois pontos do risco da Letónia e a menos de quatro da Islândia.

Em termos de nível do preço dos credit default swaps (cds, seguros de risco de incumprimento da dívida soberana), Portugal fechou ontem (21/04) nos 231,60 pontos base, ou seja quase 190 pontos mais do que a referência alemã no caso de cds a cinco anos. O que significa que as condições de crédito para Portugal se agravaram durante o dia em 1,9% em relação à referência para o crédito à Alemanha. Foi, pela terceira vez, neste mês, o país que liderou as subidas durante o dia neste mercado.

Voo alinhado

Hoje teve a companhia da Espanha, Irlanda e Itália no grupo dos que mais subiram o seu nível de cds e viram deterioradas as suas condições de crédito. O voo dos PIIGS (a designação humorística pejorativa para o grupo Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) continua a estar alinhado, ainda que em níveis diferentes.

A gota de água que conduziu Portugal a passar a “Linha Maginot” dos 16% e a “entrar” para o clube dos 10 de maior risco mundial derivou de sete páginas verdadeiramente letais no relatório do Fundo Monetário Internacional sobre a “estabilidade financeira global” que tiveram um impacto profundo na percepção da situação portuguesa pelos investidores. As sete páginas estão disponíveis no capítulo 1, secção B, intitulada sugestivamente “Poderão os riscos soberanos estender a crise global de crédito?”.

A visualização imediata da Grécia e de Portugal num quadro (sobre as contribuições para a transferência de risco na zona euro) e num gráfico (figura 1.9 sobre a evolução do preço dos cds) como as duas situações mais críticas provocou o disparo, de novo, do risco português e a continuação da situação de alto risco da Grécia, que ontem já estava com uma probabilidade de default muito próxima dos 34%, mais 1 ponto percentual em relação a terça-feira, consolidando a 4ª posição no clube de maior risco mundial.

Vulnerabilidades portuguesas

No conjunto dos indicadores de “vulnerabilidade” estudados pelo FMI, verificamos que Portugal tem uma posição mais frágil em três indicadores no seio da zona euro: no peso da dívida pública externa na mão de credores estrangeiros que é de 60% (no caso grego é de 99% do PIB e no caso belga de 65%, dois países com uma situação pior), na exposição de bancos internacionais em relação à dívida do sector público que atinge os 23% do PIB em 2009 (contra 32% na Grécia, 20% na Itália e 19% na Bélgica) e no peso do saldo negativo da conta corrente em relação ao PIB previsto para 2010 que atingirá os 9% (9,7% no caso grego, o pior).

O foco de atenção tem estado no peso do défice orçamental ou da dívida pública externa em relação ao PIB, indicadores onde a situação portuguesa não é tão grave como de outros.

Há, no entanto, um ponto fraco a que não tem sido dada atenção, e que Daniel Gros, director do Center for European Policy Studies, em Bruxelas, e Avelino de Jesus, director do Instituto Superior de Gestão em Portugal, têm chamado, sistematicamente a atenção.

Como já referimos anteriormente, Grécia e Portugal têm uma situação estrutural mais negativa do que os seus outros dois parceiros, em particular devido à situação líquida negativa da poupança interna. A situação portuguesa era inclusive pior do que a grega, segundo os últimos dados disponíveis para 2008: 6,7% do PIB, dois pontos e meio percentuais mais do que em 2007 e superior em um ponto percentual à grega. A situação portuguesa agravou-se desde 2004, quando o saldo da conta de poupança se tornou negativo.

Daniel Gros e Aicidi Cinzia analisam esta semana no blogue VOX os PIIGS (“Is Greece different? Adjustment difficulties in southern Europe“), conduzindo a uma conclusão dramática: para Grécia e Portugal, o problema é de insolvência; para a Espanha e a Irlanda de falta de liquidez; e a Itália é diferente de todos os outros.

Na mais recente fase da Grande Recessão que estamos a viver emergiu, assim, um novo risco, o de uma série de defaults, de incumprimento das obrigações da dívida soberana em alguns países desenvolvidos onde se conjugam determinadas características da divida externa com um horizonte de crescimento económico medíocre (a que alguns apelidaram ironicamente de “estilo japonês”). Esses países são “percebidos” como tendo menos “flexibilidade – económica e política – para lidar com um fardo da dívida crescente”, diz o FMI. A combinação explosiva dá-se quando se juntam “necessidades elevadas de refinanciamento a curto-prazo da dívida soberana com incerteza política”.

O estudo do FMI desenvolveu um modelo de avaliação de potenciais “transferência de riscos” dentro da zona euro que revelou duas fases: numa primeira (entre Outubro de 2008 e Março de 2009), as principais contribuições para potencial transferência de risco vieram da Áustria, Irlanda, Holanda e Itália; mas numa segunda (entre Outubro de 2009 e Fevereiro de 2010), os protagonistas já foram a Grécia (que poderia contribuir com 21,4%), Portugal (com 18%), Espanha (com 12,7%) e, de novo, Itália (com 11%).

A história das crises no capitalismo aponta no sentido que, depois do pânico financeiro, da recessão na actividade económica e da quebra no comércio internacional, emergem problemas com a dívida soberana, como o têm referido os académicos Kenneth Rogoff e Carmen Reinhart, especialistas no tema (ver caixa final). Mas agora foi a vez do Fundo Monetário Internacional colocar essa interrogação como variável e de a situar geograficamente na zona euro.

Os analistas internacionais rapidamente interpretaram essas palavras como indicando que a zona euro é a nova cama de uma potencial instabilidade financeira à escala mundial e que os PIIGS, nesta fase, são o terreno de eleição, com dois alvos em primeiro plano: a Grécia (de que já se diz poder necessitar até 2012 de 80 mil milhões de euros, com base em cálculos que teriam sido feitos por Axel Weber, o presidente do Bundesbank, o banco central europeu) e Portugal.

O episódio final

A evidência histórica confirma que há uma correlação muito forte entre grandes crises financeiras e bancarrotas de países afectados, ao longo de pelo menos duzentos anos de capitalismo, dizem Kenneth Rogoff, professor de Economia da Universidade de Harvard, e Carmen Reinhart, investigadora da Universidade de Maryland. E essa correlação é tanto mais forte quanto o grau de financeirização da economia e o recurso à dívida privada e pública para o alimentar tenha sido maior.

Num estudo, a que já nos referimos, dos dois economistas americanos, intitulado “From financial crash do debt crisis”, publicado este ano pelo National Bureau of Economic Research, deixa-se no ar a hipótese de uma nova vaga de defaults (bancarrotas de dívidas soberanas), de que os casos islandês, do Dubai, da Letónia e da Grécia são, apenas, primeiros sinais. Uma das observações que o estudo faz é que o principal risco de default se “deslocou” para o espaço dos designados países ricos.

A bomba ao retardador de que a revista Time falava há 25 anos atrás, quando se referia à crise de bancarrotas nos países em desenvolvimento e emergentes, e em particular na América Latina (o clube de má fama, de então, formado pela Argentina, Brasil, México e Venezuela), passou para debaixo do tapete de um novo clube de ricos em que o rácio médio entre a dívida externa pública e o produto interno bruto (PIB) mais do que duplicou entre 1980 e 2009.

A situação é particularmente grave na Europa, onde o caso extremo é o irlandês (com mais de 1000% de dívida externa total, pública e privada, em relação ao seu PIB), o islandês (mais de 900%) e o inglês (mais de 400%). Portugal vem em 8º lugar neste clube de risco dos 25 países desenvolvidos com mais elevada dívida externa (pública e privada) em relação ao PIB.

O ministro das Finanças alemão atacou o “populismo barato” numa longa entrevista ao jornal Der Spiegel. Apesar das palavras de Schauble, a especulação de que a Grécia poderá declarar default ou reescalonar a dívida até final do ano continua a alimentar o disparo do risco grego. Portugal, depois de uma alta do risco ontem (acima dos 16%), abrandou hoje (baixando para os 15%).

“Não podemos permitir que a bancarrota de um país membro do euro como a Grécia se torne num segundo Lehman Brothers”, declarou ontem o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schauble ao Der Spiegel, a partir de uma cama de hospital onde foi a tratamento em virtude da sua condição de paraplégico desde uma tentativa de assassinato em 1990.

Depois da teoria do “too big to fail” (TBTF) aplicada aos bancos de Wall Street e da City londrina, ou segundo outros do “too connected to fail”, ter surgido aquando do início da crise financeira, o ministro alemão recuperou-a agora para o caso de risco de default em países da zona euro. “A Grécia é tão importante do ponto de vista sistémico como um grande banco”, explicou. Acrescentou, para o alemão da Main Street perceber, que “ter uma Europa eficaz, tanto do ponto de vista político como económico, é a melhor forma de servir o futuro dos alemães”. E ainda mais explícito fez as contas, a ver se quem ou ouve não é burro: “A união monetária é mais benéfica para nós e para a nossa indústria de exportação do que para quaisquer outros”.

A hipótese que o ministro coloca é que o deixar “cair” a Grécia – defendido por várias correntes de economistas e de políticos – provocará um ataque especulativo brutal na zona euro e um pânico financeiro nos mercados da dívida soberana, abrindo uma caixa de Pandora para o risco de defaults em série, como já ocorreu, noutras épocas.

Uma subtil diferença

Schauble insistiu, então, na diferença entre “apoio voluntário” por parte dos membros da zona euro a um país aflito da noção popular de “pagamento de fiança” a um país-bandido em falência e criticou o “populismo barato” que alimenta um clima que favorece a especulação financeira no mercado dos seguros de dívida, no mercado dos hoje famosos credit default swaps (cds). Explicou que, a concretizarem-se, se tratarão de empréstimos “com uma taxa de juro decente”, no caso alemão através do banco estatal alemão KfW, com garantias do governo federal, algo que terá de ir ao parlamento para aprovação.

O ministro alemão aproveitou para discordar da ideia de um fundo europeu para ocorrer a aflitos – como havia sido proposto pelo “plano” do comissário europeu Olli Rhen na semana passada em Madrid na reunião do Ecofin – e sublinhou que outros aspectos do “plano Olli” requerem mexidas nos tratados europeus existentes. Algo que terá de ser discutido com rapidez.

Mas, apesar das palavras do ministro do “motor” da UE, a nuvem de cinzas provocou também uma vítima no mercado do crédito. O adiamento das reuniões em Atenas por parte do Fundo Monetário Internacional (cuja equipa não pôde voar para a capital grega), que deveriam ter começado ontem, mantiveram um nível de especulação elevado sobre a probabilidade daquele país membro da zona euro declarar default (incumprimento das obrigações da dívida soberana) ou avançar, até final do ano, para um reescalonamento da dívida (tema que o Financial Times pôs a circular ontem).

A Bloomberg, por seu lado, noticiou, que num encontro privado com deputados, Axel Weber, presidente do Bundesbank (o banco central alemão), teria dito que a Grécia, este ano, precisará mais do que 30 mil milhões de dólares para manter a sua dívida a rolar sem entrar em default. Falou de um múltiplo.

Também a afirmação do porta-voz do governo grego, Georges Pétalotis, de que o governo do PASOK em Atenas não avançará, em 2010, com mais medidas de austeridade, pois as que existem são “hipersuficientes”, inflacionou ainda mais a incerteza nos mercados de crédito. Apesar de ser uma evidência política o grau de “absorção” de aperto de cinto que a sociedade grega aguentará este ano.

Penalização continua

Fruto deste aumentar da incerteza, o mercado dos cds voltou a penalizar fortemente a Grécia, que viu uma deterioração das suas condições de crédito disparar. A probabilidade de default subiu ontem aos 33,32%, mantendo a Grécia em quarto lugar no clube dos de maior risco (onde tem por colegas a Venezuela, Argentina e Paquistão). O risco baixou hoje ligeiramente, mas continua acima dos 32%, segundo os dados mais recentes da CMA DataVision.

Em termos de condições de crédito, o nível dos preços dos cds relativos à dívida soberana grega estão hoje 427 pontos base acima da referência alemã, ou seja o crédito à Grécia sofre uma penalização adicional de mais de 4% (já que cada 100 pontos base correspondem a 1% de agravamento).

Portugal com situação volátil

A deterioração das condições de crédito para Portugal voltou a agravar-se na semana passada, depois do pico na crise de Fevereiro. Esta semana a tendência altista manteve-se na segunda-feira com a probabilidade de default para o caso português a subir acima dos 16%, depois de várias declarações de economistas com projecção mundial e de artigos na imprensa internacional insistirem na ideia de que Portugal é o “próximo”.

Esta marca dos 16% pode ser como uma “linha Maginot” que a ser ultrapassada nos coloca muito próximo de situações como as do Uruguai, Vietname e Líbano, que servem de “fronteira”, de momento, entre nós e o clube dos 10 de maior risco mundial (onde já se encontra a República Dominicana, como 10º passageiro, com um risco de 16,78%), segundo dados da CMA Datavision.

Hoje, até ao momento, o risco português desceu, estando abaixo dos 16% e o preço dos cds inferior aos 200 pontos base. O diferencial com o padrão alemão é de 160 pontos base, o equivalente a uma penalização de 1,6%.

Em melhor situação do que nós, no patamar dos 14-15%, estão a Roménia, Lituânia, Egipto e Guatemala. E, também, os restantes “colegas” dos PIIGS, Irlanda, Espanha e Itália. Irlanda e Itália têm agora riscos próximos na casa dos 12% e a Itália mais abaixo, no patamar dos 10%.

Entre os bancos portugueses, a CGD mantinha hoje um nível de preço dos cds acima dos 200 pontos base.

É o segundo aviso em menos de um mês. Agora foi a vez de um relatório do Comando Supremo das Forças Armadas dos EUA alertar que a capacidade excedentária da produção de petróleo à escala mundial poderá esgotar-se em 2012 e provocar uma escassez no mercado internacional do crude em 2015.

“Cerca de 2012, a capacidade de produção excedentária de petróleo poderá desaparecer inteiramente, e tão cedo quanto 2015, o buraco na oferta pode atingir perto de 10 milhões de barris por dia (mbd)”, lê-se no Joint Operating Environment do US Joint Forces Command, na secção sobre “Energia”, a partir da página 24. Cerca de 2030, o diferencial poderá já ter subido para 18 mbd. Um choque petrolífero de envergadura, será?

De facto, este aviso vem na sequência de um estudo recente de Glen Sweetnam, um especialista do Departamento de Energia (DoE) americano que referia aquele “buraco” de 10 milhões de barris por dia a partir de 2011, como já fizemos referência aqui. Sweetnam é director da divisão International Economic and Greenhouse Gas, da Energy Information Administration, do DoE, e responsável pela publicação anual do “International Energy Outllok”.

O relatório do US Joint Forces Command (The JOE 2010) merece ser lido por outras razões de análise geoeconómica e geopolítica. Adverte, logo a abrir, que não representa a política oficial, mas que desempenha um papel “necessariamente especulativo”. Ainda que com muitos dados bem objectivos como suporte.

Apesar da sua diversidade, as quatro potências globais emergentes reuniram pela segunda vez, e parecem querer dizer ao mundo que a grande crise e a habilidade geo-estratégica de Obama não paralisou o grupo.

Os três presidentes do Brasil, Rússia e China com o primeiro-ministro da Índia encontraram-se em Brasília nesta sexta-feira para realizar a 2ª Cimeira do que foi baptizado pela Goldman Sachs de BRIC – acrónimo para os quatro países. A 1ª cimeira havia-se realizado em Ecaterimburgo, na Rússia, em 16 de Junho de 2009. Como então escrevemos, o sinal que ela transmitiu para o mundo podia resumir-se numa frase: assistíamos ao princípio do fim do século americano.

As quatro potências aproveitaram, agora, para dar um outro sinal: que, no final das contas, são elas que saem desta Grande Recessão como “ganhadoras”, como nos sublinha (versão em francês) o especialista em geopolítica e geoeconomia François Heisbourg.

Se podemos puxar por frases simbólicas, ficam duas – a de Lula da Silva, de que estamos perante “uma nova geografia mundial” e a de um comentário irónico num jornal indiano, The Hindu, de que, a partir de agora, “no jobs for the boys” do Ocidente nos organismos internacionais, sobretudo nos ligados ao sistema económico e financeiro mundial.

Um artigo publicado por Lula da Silva no The Christian Science Monitor no dia 16 de Abril, no dia seguinte à cimeira de Brasília, merece ser lido na íntegra: “hoje os BRIC tornaram-se actores essenciais no processo de decisão internacional; estamos conscientes do nosso potencial como agentes de mudança, de modo a tornar a governação global mais transparente e democrática”. Lula reforça que a cena internacional não voltará a ser a mesma, de antes da crise: “estamos empenhados em construir uma abordagem diplomática conjunta”.

Cinco pontos a seguir

Do comunicado final de Brasília sai uma cartilha de objectivos geopolíticos muito clara e dura, que pode ser resumida em cinco pontos principais, cuja concretização terá de ser acompanhada ao longo do ano:

1. Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde já têm assento a Rússia e a China. Revindicação de que o Brasil e a Índia devem ganhar assento permanente;
2. Reforma do poder de voto do Banco Mundial nas próximas reuniões da Primavera;
3. Reforma das quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI) a ser concluída até à cimeira do G20 em Novembro (como diz literalmente Lula no artigo citado: “não injectámos quase 100 mil milhões de dólares no FMI para deixar tudo na mesma como dantes”);
4. “No jobs for the (West) boys” nas posições de direcção da Banco Mundial e do FMI;
5. Estudo, sugerido pela Rússia, da viabilidade de desenvolvimento do comércio entre as quatro economias com bases nas divisas respectivas.

Lula da Silva e Dimitri Medvedev insistiram na proposta de substituir o dólar americano como divisa de referência no comércio internacional e nos fluxos financeiros globais, mas tal insistência foi amaciada no comunicado final.

O quinto passageiro

Os quatro procuraram, também, “colar” a África do Sul a este grupo, reforçando o papel geoestratégico daquele país. Desta vez, o motivo foi a realização também em Brasília da IVª cimeira do IBAS, um acrónimo mais, para Índia, Brasil e África do Sul, um eixo que é encarado como a matriz do “Sul” do planeta, assumindo que Rússia e China se situam geograficamente no “norte”.

A “colagem” da África do Sul ao grupo já havia sido testada na famosa “mesa” ad hoc em que se sentaram Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul aquando da cimeira mundial de Copenhaga, e que acabou por ficar como foto simbólica daquele evento internacional a 18 de Dezembro.

A reunião do G24 em 22 de Abril: confirmação da agenda

A 22 de Abril realizar-se-ia em Washington a reunião de ministros do G24 para assuntos monetários que confirmaria esta agenda de Brasília.

O G24 reúne 9 países em desenvolvimento de África, 7 da Ásia, 8 da América Latina e arrasta alguns observadores, como a China, Marrocos e a OPEP. Os três eixos deste grupo são o Brasil, a Índia e a África do Sul. Guido Mantega, ministro da Fazenda brasileira, presidiu a reunião, que teve como convidados os “patrões” do FMI e do Banco Mundial.

A agenda concretizou alguns pontos de Brasília:
1. Para terminar a Ronda de Doha na área do comércio internacional o preço que os ricos terão de pagar é diminuir os benefícios do seu lóbi agrícola;
2. No FMI deverá haver uma “deslocação” de 7% de quotas dos países membros desenvolvidos para os em desenvolvimento;
3. O FMI deverá aumentar o peso dos DSE (direitos de saque especiais, a unidade de conta do Fundo) no sistema monetário internacional;
4. Um novo critério de escolha dos chefes do FMI e do Banco Mundial já na próxima eleição e uma nova estratégia de selecção da gestão sénior e dos funcionários em geral, dada “a severa subrepresentação de algumas regiões e países”;
5. Paridade de poder de voto no Banco Mundial entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

A Grécia continua a ser o bombo da festa nos mercados de credit default swaps (cds) sobre a dívida externa. O risco de bancarrota voltou a subir durante o dia de quinta-feira (15/04) para fechar nos 29,64%, abaixo de quarta-feira. Mas como o risco relativo à Ucrânia baixou, a Grécia viu-se projectada para o 4º lugar no clube de má fama, que reúne a Venezuela, Argentina e o Paquistão.

Atenas continua a ser vítima da percepção de alto grau de incerteza nos mercados. Diversos factos, por vezes de sinal contrário, provocam uma alta volatilidade nas expectativas, que se traduzem em movimentos de alta e de baixa no mercado dos cds. Resultado da informação e contra-informação do dia (alguns analistas com impacto internacional vaticinaram mesmo que a falência da Grécia é iminente), a yield (rendimento anual) dos títulos do Tesouro grego a 10 anos subiram para os 7,139%, um valor ainda mais alto do que antes do mecanismo financeiro aprovado em Bruxelas.

O imbróglio político europeu

A agência semioficial de notícias grega, a Ana, divulgou uma carta do Ministério das Finanças para a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional propondo a abertura formal de discussões sobre um plano plurianual de políticas macroeconómicas. Os gregos querem colocar a discussão num horizonte para além de 2010. A carta alega, no entanto, que não se destina, de imediato, a pedir o accionamento do mecanismo financeiro acordado em Bruxelas para um sistema de empréstimos à Grécia tendo em vista as suas necessidades de financiamento da dívida externa durante este ano. Conversações começarão em Atenas na próxima segunda-feira (19 de Abril) pelo menos da parte do Fundo Monetário Internacional.

No entanto, esta carta cruzou-se com o espalhar de rumores de que vários parlamentos de países da zona euro poderão votar contra o novo mecanismo de emergência, logo que ele seja divulgado oficialmente nos seus detalhes e quando forem chamados a se pronunciar. A Bloomberg americana especulava que a passagem do mecanismo poderia ser difícil na França, Irlanda e Alemanha. Neste último caso, soube-se que Joachim Starbatty, professor da Universidade de Tubingen, uma das vozes do “não”, irá colocar um recurso junto do Tribunal Constitucional alemão em Karlsruhe suscitando a apreciação da constitucionalidade desse mecanismo de apoio.

O “plano” de Olli

Por outro lado, é também incerta a reacção política de muitos países se o projecto do comissário europeu para os assuntos económicos e financeiros, o finlandês Olli Rehn, receber luz verde na cimeira do Ecofin em Madrid esta sexta-feira.

Olli tem insistido que o grupo do euro deverá estar sujeito a um sistema de monitorização apertado que preveja sinais de alarme antecipados sobre derrapagens orçamentais dos seus 16 membros, encurtando a margem de independência orçamental que ainda existe formalmente. Olli em entrevista ao Financial Times Deutschland deu a entender que seria eficaz o funcionamento de um corpo de coordenação do tipo do Conselho de Planeamento financeiro alemão. Olli pretende apresentar a sua proposta final formal na reunião do Eurogrupo (que, apenas, abrange os ministros das Finanças dos países membros da zona euro) em Bruxelas a 17 de Maio que precederá uma cimeira do Ecofin (reunião dos ministros da Economia e das Finanças dos 27 membros da UE) no dia seguinte.

Portugal mantém nível de risco elevado

Depois de uma subida acentuada durante a manhã, a probabilidade de incumprimento da dívida soberana portuguesa fechou esta quinta-feira nos 15,10%, acima da percentagem de quarta-feira, dia em que o agravamento da deterioração do risco português foi o mais elevado entre todos os países.

Espanha também manteve hoje a tendência ascendente no seu risco, que continua acima dos 12%.
Em termos de comparação, o risco de bancarrota da Alemanha é inferior a 3%, o da França a 5% e o da Áustria a 6%.

Os outros dois países do conjunto designado pejorativamente por PIIGS, a Irlanda e a Itália, têm conseguido “descolar” da tendência altista que afecta os outros três “colegas”.

A principal implicação da percepção de uma probabilidade alta de default (de incumprimento) na dívida soberana é a deterioração das condições de obtenção de crédito nos mercados internacionais. O que a Grécia tem provado.

Alguns economistas alegam que há um risco, nesta última fase da Grande Recessão em que temos vivido desde 2007, de uma sequência de defaults em países europeus com dívidas externas elevadas e horizontes de crescimento económico medíocre.

O risco de bancarrota dos três países do “club Méd” (Grécia, Espanha e Portugal) disparou na quarta-feira (14/04) de novo.

Apesar do êxito das operações de colocação de bilhetes de tesouro por parte da Agência grega de gestão da dívida, terça-feira, e de obrigações do Tesouro, quarta-feira, por parte do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público português, o risco de incumprimento (default) da dívida soberana grega subiu para os 30,74% e no caso português para 14,65.

Também a Espanha assistiu quarta-feira ao mesmo tipo de alta do risco de default, que se aproxima dos 12%.

O preço dos credit default swaps (cds), que são contratos de seguro sobre a dívida soberana (uma espécie de instrumento financeiro que dá uma ideia da confiança ou desconfiança que se coloca no cumprimento das obrigações de dívida por parte de um país), passou de 380,5 pontos base (pb) no caso grego, no fecho de terça-feira, para 432,28 pb no fecho de quarta-feira. Um aumento de 13,6%.

A Grécia ultrapassou, assim, o seu máximo histórico de 4 de Fevereiro no preço dos cds. O que significa que a situação é mais grave do que então, apesar da existência do mecanismo de empréstimos preparado por Bruxelas, mas que aguarda pela próxima sexta-feira para aprovação oficial pela reunião do ECOFIN em Madrid. Sinal do mal-estar grego, a Bolsa de Atenas caiu, pelo segundo dia consecutivo, mais de 2%.

No caso português, a subida foi de quase 16%, com o preço dos cds a passar de 154,8 pb para 179,22. E em relação a Espanha, o salto foi mais pequeno, passando de 129,8 pb para 140,94 pb.

Como termo de comparação, tenha-se em conta que o preço dos cds para o caso alemão era, apenas, de 32,57 pb e que o risco de default era só de 2,86%. O que significa que os gregos têm um adicional de quase 400 pontos em relação à Alemanha, que serve de referencial para a zona euro, e que os portugueses têm um diferencial de mais de 122 pontos.

Como cada 100 pontos base corresponde a 1%, isso significa que os gregos quando vão ao mercado financeiro tentar financiar-se correm o risco de ter de pagar mais 4 pontos percentuais do que os alemães e os portugueses mais um ponto percentual.

Segundo a CMA DataVision, que fornece estes dados do mercado dos cds e do risco de bancarrota, os aumentos no caso da Grécia e de Portugal foram os maiores quarta-feira. Com Portugal a liderar.

Também quatro bancos da Península estiveram esta quarta-feira em foco pela negativa no mercado dos cds: Banco Espírito Santo, Banco Popular Español, Banco de Sabadell e BCP. O Sabadell foi o que teve a pior deterioração no risco de crédito.

Apesar do sucesso na colocação de bilhetes de Tesouro, Atenas viu ontem (13/04) o risco de bancarrota piorar ligeiramente, depois de oscilações na sua posição ao longo do dia. O preço dos credit default swaps agravou-se 4% e a probabilidade de incumprimento mantém-se próxima de 28%.

A Agência grega de gestão da dívida pública conseguiu ontem (13/04) realizar dois leilões de bilhetes de Tesouro arrecadando cerca de 1,6 mil milhões de euros. Foram duas operações inicialmente de 600 milhões cada uma que tiveram uma procura 7 vezes superior. Com prazos distintos – uns a 1 ano e outros a 6 meses – os bilhetes, segundo o The Washington Post, teriam sido colocados com taxas de juro de 4,85% e 4,55% respectivamente, valores mais baixos do que os que se temiam, mas quase o dobro do que se conseguira em 12 de Janeiro para operações similares.

Apesar deste sucesso, o risco de bancarrota não baixou no fecho em relação ao dia anterior e acabou por se situar próximo dos 28%, mantendo a Grécia em 5º lugar no clube dos de maior risco do mundo. A Grécia continua com uma probabilidade de incumprimento mais elevada do que o Iraque, o Dubai, a Islândia e a Letónia.

Apesar de oscilações durante o dia, em que a probabilidade de default chegou a situar-se nos 26%, as dúvidas parecem continuar sobre a capacidade de solvência grega, mesmo apesar do guarda-chuva decidido pela União Europeia neste fim-de-semana que poderá permitir uma rede de segurança até 45 mil milhões de euros (30 mil milhões de origem europeia e 15 mil milhões provenientes do Fundo Monetário Internacional) durante o ano de 2010. Um montante que é superior aos 35 mil milhões que Atenas terá de ir buscar para financiamento da dívida soberana até final do ano.

As necessidades de curto prazo do Tesouro grego até final de Maio rondam os 11,6 mil milhões de euros. Um novo teste aos mercados financeiros deverá ocorrer ainda durante o final de Abril com uma operação de colocação de 5 a 10 mil milhões de dólares junto de investidores americanos.

Um efeito colateral destas oscilações gregas, foi o agravamento do risco de default por parte de Portugal (que ouviu hoje avisos de que poderá ter de endurecer o seu plano de austeridade), que se distanciou da Irlanda (que tem conseguido diminuir o risco nos últimos dias), estando, agora, nos 12,8%, e da Espanha, que se distanciou de Itália, tendo atingido os 10,91%. A Irlanda conseguiu baixar o risco para menos de 12% e a Itália para próximo dos 10%.

Apesar da revelação das decisões tomadas este fim-de-semana pelos ministros das Finanças europeus, a probabilidade de incumprimento da dívida por parte dos gregos mantém-se alta. O país continua em 5º lugar no clube dos de maior risco do mundo.

Na sexta-feira passada, a preparação da reunião do ECOFIN (conselho de Ministros da União Europeia para os assuntos económicos e financeiros) de Madrid, que começa na próxima quinta-feira (15/04), e as declarações do presidente do Banco Central Europeu, travaram a escalada do risco de bancarrota grega, que chegou aos 33%, tendo descido, depois, para próximo dos 30%.

Durante o fim-de-semana, uma conferência telefónica entre os ministros das Finanças europeus permitiu a aprovação dos montantes da contribuição europeia e da taxa de juros, no caso de os gregos solicitarem apoio. Consta que, nos bastidores, deste compromisso telefónico esteve um movimento de pressão organizado pelo presidente francês Sarkozy, pelo primeiro-ministro italiano, Berlusconi, e pelo presidente do Banco Central Europeu, Trichet, junto da chancelerina alemã Merkel, segundo uma história publicada pelo NRC Handeslblatt.

Estas acções de vontade política europeia surtiram efeito durante a manhã de hoje (12/04) e o risco de bancarrota grega prosseguiu em tendência de baixa, situando-se nos 25%, o que levou a que a Grécia descesse no clube dos de maior risco do 5º lugar para o 7º lugar, passando a estar atrás, de novo, do Iraque e do Dubai.

Contudo, durante a tarde, a tendência inverteu-se e o risco de bancarrota voltou a subir, para um patamar acima dos 27%, o que voltou a colocar a Grécia em 5º lugar no clube de má fama.

Estas oscilações são sintoma de uma situação ainda volátil com grande incerteza neste mercado relacionado com a dívida soberana. As expectativas mantêm-se para o dia de amanhã (13/04) quando se aguarda um leilão de bilhetes de Tesouro por parte do governo grego num montante de 1,2 mil milhões de euros.

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