A apetência do mercado dos cds (credit default swaps) pelos quatro países da Zona Euro não deve surpreender se tomarmos em linha de conta a situação da dívida externa total (pública e privada) dos quatro países pejorativamente designados por PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha), segundo os dados divulgados esta semana pelo CIA World Fact Book 2010.

O líder, neste grupo, em valores absolutos é a Espanha com uma dívida externa total de mais de 2,4 biliões de dólares (triliões, na designação anglo-americana), mas, em termos relativos, comparando com o seu produto interno bruto (PIB), é apenas de 168% da riqueza nacional criada em 2009. A Espanha é, aliás, o 6º país do mundo mais endividado em termos absolutos, logo seguido da Irlanda.

Mas o campeão em termos relativos é, de facto, a Irlanda. Aliás, é número um à escala mundial neste indicador. Tem uma dívida externa total superior a 2,3 biliões de dólares (triliões, na designação anglo-americana) que representa mais de 1000% do PIB irlandês, um valor relativo que é o mais alto de todo o mundo – mesmo superior ao islandês que se situava nos 924% do PIB respectivo.

Portugal em 8º lugar no “clube”

Portugal apresentava uma dívida externa total superior a 500 mil milhões de dólares na mesma data de referência (30 de Junho de 2009) utilizada pelo ranking do CIA World Fact Book, o que significava 230% do PIB. Na lista dos mais endividados, à escala mundial, em relação à riqueza nacional criada, Portugal surge em 8º lugar. No ranking mundial, em termos absolutos, está em 20º. Medida em euros, de acordo com a última informação do Banco de Portugal divulgada no final de 2009, mas relativa a Setembro, a dívida externa total rondaria os €367,5 mil milhões, o que equivale a 223% do PIB estimado para o ano passado, não lhe retirando o 8º lugar no clube. O país “colega” mais próximo é a Áustria, com 222% do PIB “capturado” pela dívida externa total.

Apesar de ter sido o país em que a crise da dívida se agudizou este ano, a Grécia é, nos quatro PIGS, o que tem uma dívida externa total menos elevada em termos de PIB, de 164%. Em termos absolutos, o montante da dívida é de 553 mil milhões de dólares. Mas, fruto das manipulações operadas pelo governo grego anterior, quer no valor da dívida externa (que foi “reduzida” em 70% entre 2007 e 2008) como no défice orçamental, a desconfiança dos mercados financeiros alastrou rapidamente e ficou “embebida” na imagem de Atenas. A Grécia está a ser “empurrada” para uma situação de pré-default como ocorrera na Islândia, mesmo partindo de um indicador mais “baixo” em matéria de dívida externa em relação ao PIB.

A dívida de curto prazo

Outro dos indicadores que tem sido referido como importante para “sinalizar” a gravidade da situação da dívida externa é a avaliação do peso da dívida de curto prazo. A Islândia atingiu, em Setembro do ano passado, o recorde europeu, entre os países desenvolvidos, com 48,5% da sua dívida externa no curto prazo, enquanto no caso da Irlanda essa percentagem é de 41% e quanto a Portugal é de 31%.

Só tendo em conta a dívida pública externa, o peso da dívida de curto prazo era em Setembro de 2009, de 15% para Portugal e de 12,3% para a Grécia.

Nota: O CIA World Fact Book 2010 omitiu no seu ranking a posição da dívida externa total da Bélgica que era superior à da Suíça em 2008. No CIA World Fact Book de 2009 referia-se o referido país na posição correcta em finais de 2008.