Sex 19 Mar 2010
Indecisão alemã sobre a Grécia provoca reacendimento dos cds – diário de bordo 77
Por JNR na secção Gestão do risco , Inteligência Económica , O novo capital financeiro1 comentário
As opiniões muito diversas de como lidar com a crise da dívida externa grega provenientes de diversos órgãos de soberania e monetários alemães estão a provocar um reacendimento, de novo, do mercado de securitização (titularização) da dívida soberana, conhecido por mercado dos credit default swaps (acrónimo popular: cds), de alguns países da Zona Euro.
O preço destes instrumentos financeiros voltou a subir para o caso da dívida soberana grega esta semana: de valores inferiores a 300 pontos base (longe do máximo histórico de 425,18 pontos base no dia 4 de Fevereiro, que ficou conhecido como uma “quinta-feira negra” nas bolsas europeias) subiu para 316 pontos base (pb) no fecho ontem (18 de Março), segundo o Markit, uma firma global de serviços financeiros que fornece os preços destes veículos financeiros.
A Grécia subiu, de novo, para o oitavo lugar no “clube” dos 10 países com maior risco de bancarrota em relação à sua dívida soberana. Ultrapassou em risco a Letónia, mas continua abaixo, ainda, da Islândia e do Dubai.
Neste momento, o diferencial com a Alemanha (cujo preço dos cds é tomado como referência na Zona Euro) é de mais de 280 pb. Ou seja, para captar tomadores da dívida grega, Atenas tem de desembolsar quase mais 3 pontos percentuais do que Berlim por cada euro de financiamento ou refinanciamento da sua dívida soberana.
Efeitos colaterais
Esta indecisão sobre a solução para a Grécia – que voltará ao palco do Conselho Europeu nas próximas quinta e sexta-feiras – provocou efeitos colaterais sobre os preços dos cds relativos aos outros três PIGS, Irlanda, Portugal e Espanha, que voltaram a subir.
No fecho de ontem, segundo dados do Markit, o preço dos cds para a dívida soberana portuguesa subiu para 124,29 pb, no caso da Irlanda para 123,77 pb e no caso de Espanha para 100,63 pb. O máximo português foi atingido a 8 de Fevereiro com um preço dos cds em 245,22 pb, quase o dobro da situação actual. A 5 de Março, o preço dos cds no caso português tinha baixado para 120 pb, um patamar que já não se observava desde o início de Janeiro. Mesmo assim, um valor alto em relação aos menos de 90 pb de Dezembro de 2009, antes da crise do mercado da dívida soberana ter estalado.
Março 21st, 2010 at 9:30
[...] adoptar, em definitivo, em relação à situação grega provocou, como já havíamos referido (diário de bordo 77), um reacendimento do mercado dos instrumentos financeiros que seguram as dívidas soberanas dos [...]