As opiniões muito diversas de como lidar com a crise da dívida externa grega provenientes de diversos órgãos de soberania e monetários alemães estão a provocar um reacendimento, de novo, do mercado de securitização (titularização) da dívida soberana, conhecido por mercado dos credit default swaps (acrónimo popular: cds), de alguns países da Zona Euro.

O preço destes instrumentos financeiros voltou a subir para o caso da dívida soberana grega esta semana: de valores inferiores a 300 pontos base (longe do máximo histórico de 425,18 pontos base no dia 4 de Fevereiro, que ficou conhecido como uma “quinta-feira negra” nas bolsas europeias) subiu para 316 pontos base (pb) no fecho ontem (18 de Março), segundo o Markit, uma firma global de serviços financeiros que fornece os preços destes veículos financeiros.

A Grécia subiu, de novo, para o oitavo lugar no “clube” dos 10 países com maior risco de bancarrota em relação à sua dívida soberana. Ultrapassou em risco a Letónia, mas continua abaixo, ainda, da Islândia e do Dubai.

Neste momento, o diferencial com a Alemanha (cujo preço dos cds é tomado como referência na Zona Euro) é de mais de 280 pb. Ou seja, para captar tomadores da dívida grega, Atenas tem de desembolsar quase mais 3 pontos percentuais do que Berlim por cada euro de financiamento ou refinanciamento da sua dívida soberana.

Efeitos colaterais

Esta indecisão sobre a solução para a Grécia – que voltará ao palco do Conselho Europeu nas próximas quinta e sexta-feiras – provocou efeitos colaterais sobre os preços dos cds relativos aos outros três PIGS, Irlanda, Portugal e Espanha, que voltaram a subir.

No fecho de ontem, segundo dados do Markit, o preço dos cds para a dívida soberana portuguesa subiu para 124,29 pb, no caso da Irlanda para 123,77 pb e no caso de Espanha para 100,63 pb. O máximo português foi atingido a 8 de Fevereiro com um preço dos cds em 245,22 pb, quase o dobro da situação actual. A 5 de Março, o preço dos cds no caso português tinha baixado para 120 pb, um patamar que já não se observava desde o início de Janeiro. Mesmo assim, um valor alto em relação aos menos de 90 pb de Dezembro de 2009, antes da crise do mercado da dívida soberana ter estalado.