A instabilidade sobre a solução que a União Europeia (UE) irá adoptar, em definitivo, em relação à situação grega provocou, como já havíamos referido (diário de bordo 77), um reacendimento do mercado dos instrumentos financeiros que seguram as dívidas soberanas dos países, o já popular mercado dos cds (acrónimo para credit default swaps). A decisão estará adiada para a próxima reunião do Conselho Europeu nos dias 25 e 26 de Março (quinta e sexta feiras da próxima semana).

Grécia “sobe” ao 7º lugar

A Grécia, em apenas cinco dias, passou do 9º lugar para o 7º lugar no ranking mundial dos países com maior risco de crise da dívida, ultrapassando a Letónia (que desceu para 9º lugar) e a própria Islândia (que desceu para 8º lugar).

Na avaliação de final da semana (19/03) pela firma CMA DataVision, o risco de incumprimento relativo à Grécia subiu para 24,27%, enquanto o da Islândia se situou nos 23,93% e o da Letónia nos 22,68%. O risco grego aproxima-se, assim, do relativo ao Dubai que está nos 25,69%.

A indefinição europeia – e, em particular, uma alegada resistência alemã a novos mecanismos dentro da Zona Euro para lidar com o problema dos países com crises de dívida externa – provocou um efeito colateral nos países da Zona Euro com situações graves, para além da Grécia.

O preço dos cds relativos à dívida soberana fechou ontem (19/03) em valores em alta para Portugal (atingiu os 135,54 pontos base, um aumento de 9,5% durante o dia), Irlanda (fixou-se nos 132,98 pontos base, um aumento de 7%) e Espanha (110,61 pontos base, um aumento de quase 10%).

O patamar em que se encontram estes três países está, ainda, muito distante daquele em que se situam a Grécia (mais de 330 pontos base) ou a Letónia (mais de 380 pontos base), mas a tendência altista sinaliza a percepção de risco que contagia todo este grupo.