A Comissão Europeia, amanhã (3 de Fevereiro), na sua apreciação do plano orçamental grego até 2013 deverá colocar em marcha um sistema de vigilância muito apertado da Grécia, um mecanismo excepcional que a União Europeia não utilizou até à data, segundo noticia hoje o jornal francês Le Monde.

O plano grego – apesar das dúvidas que tem suscitado por parte de analistas e responsáveis europeus – deverá ter o aval da Comissão. O mecanismo de observação obrigará o governo grego a apresentar um relatório em meados de Março e depois em meados de Maio, e seguidamente trimestralmente.

Os gregos vão durante as próximas semanas passar por uma escada de “portagens” sucessivas. Na próxima 6ª feira (5 de Fevereiro), em Bruxelas, os chefes de Estado e primeiros-ministros da União Europeia (UE) irão analisar discretamente a questão grega, à margem da cimeira informal consagrada aos assuntos económicos e climáticos. Depois, a 15 e 16 de Fevereiro, a reunião dos ministros das Finanças da UE deverá validar ou emendar as recomendações da Comissão sobre a Grécia.

A dívida soberana grega esteve sob ataque cerrado na semana passada (quando os preços dos credit default swaps – conhecidos pelo acrónimo CDS – relativos a essa dívida chegaram a mais de 400 pontos base, um máximo na Europa Ocidental, exceptuando o caso da Islândia que já atingiu mais de 670 pontos base) e o primeiro-ministro socialista helénico denunciou inclusive em Davos, no World Economic Forum, uma operação especulativa maciça de hedge funds em curso nessa semana, de que o Der Spiegel se fez eco.

Recorde-se que, na semana passada, os CDS relativos à dívida soberana portuguesa atingiram, também, um máximo histórico de 166 pontos base (pb). No começo desta semana, os CDS gregos já baixaram para 378,83 pb. A bolsa grega continua com alguma volatilidade.