Uma vaga de pânico financeiro alastrou hoje (4 Fevereiro) pelas bolsas europeias e, ao final da tarde, pelas bolsas de Wall Street e da Times Square (onde fica o Nasdaq, a bolsa das empresas tecnológicas). Os analistas começaram a sentir um cheiro a novo crash bolsista, com quedas superiores a 2,5% em todo o espaço europeu e americano, exceptuando a Ásia.

As situações mais graves na Europa ocorreram em Espanha, com o índice Ibex a cair estrondosamente quase 6% (a maior queda do dia à escala mundial), a que se seguiram as quedas aparatosas no índice PSI 20 português (quase 5%), na Hungria (4,57%) e na Polónia (4,11%). Nas Américas, a maior quebra ocorreu no índice Bovespa brasileiro (4,73%).

A nível de grandes quedas em entidades cotadas, os analistas salientam as correcções fortíssimas em grandes bancos originários da Península Ibérica, com a cotação do Santander (um dos maiores bancos do mundo) a cair 9,4%, do BBVA a quebrar 7,5%, do BCP a descer, também, 7, 5% e do BES a cair 5%.

Um cocktail de causas

Os analistas inclinam-se para “um cocktail de muitas coisas” a influenciar esta situação, como expressou à Bloomberg o analista suíço Manfred Hofer.

Nesse cocktail incluem-se factos económicos que se conjugaram, nesta semana, à escala mundial: 1) a China declarou claramente ir “arrefecer” a expansão doméstica do crédito; 2) a Moody’s avisou que “a dado passo” poderá ver-se obrigada a despromover os próprios Estados Unidos da sua notação de triplo A (a mais alta); 3) a mesma agência de rating alertou para o facto de 995 grande empresas defrontarem nos próximos cinco anos a necessidade de refinanciarem 574 mil milhões de euros de dívidas (quase 3,5 vezes o PIB português); e 4) o mercado dos credit default swaps (conhecido pelo já popular acrónimo de CDS, um veículo financeiro para segurar o risco da dívida) esteve ao rubro, com disparos nos preços desses seguros para a Islândia (6º país de maior risco à escala mundial), Grécia (7º país de maior risco), Portugal, Itália e Polónia.

As situações mais graves ocorreram hoje com o aumento no caso português e grego, que fixaram novos máximos históricos. O preço dos CDS relativos a Portugal subiu para 229,56 pontos base (pb), o que equivale a um aumento de quase 150% em relação há um mês atrás, e no caso grego para os 426,38 pb. No caso da Itália e Polónia, o preço galgou o patamar dos 150 pb.

Os analistas interrogam-se agora, se este crash vai ter continuidade e se desaguará numa recaída da recessão mundial. O que se passou na cena europeia irá fazer ricochete?