Ter 9 Fev 2010
Risco de dívida portuguesa continua a subir – diário de bordo 69
Por JNR na secção Geoprotagonistas , Gestão do risco , Globalização , Inteligência Económica , O novo capital financeiroainda sem comentários
Os credit default swaps (CDS) para a dívida soberana da República Portuguesa fecharam hoje nos 245,03 pontos base (pb), mais 8% do que na sexta-feira passada e 180% de aumento em relação a Dezembro do ano passado. O risco de incumprimento da dívida soberana portuguesa subiu para 18,9%. Similar ao da Lituânia, mas ainda muito abaixo dos 30% da Grécia.
O valor de fecho de hoje marcou um novo máximo histórico, tendo ultrapassado o máximo atingido na quinta-feira negra de 4 de Fevereiro, em que, a par do disparo dos CDS, assistimos, também, ao crash da Bolsa de Lisboa com o PSI20 a cair quase 5%, em linha de contágio com a queda em Madrid de quase 6%, por efeito das declarações do comissário europeu Joaquín Almunia e da continuação do ataque dos hedge funds à Zona Euro.
Apesar das declarações emitidas repetidamente em Portugal pelo Presidente da República e da entrevista dada pelo ministro das Finanças Teixeira dos Santos à CNN, a acalmia observada na sexta-feira foi sol de pouca dura.
Um indicador da consultora CMA sobre o “ruído” das citações relativas a Portugal desde 1 de Fevereiro revela que o nosso país leva a dianteira, se excluirmos o caso grego que tem feito as manchetes por todo o lado: 7715 contra 7417 sobre Espanha, 7063 sobre Itália e 6038 sobre a Irlanda. A imagem de Portugal está severamente machucada. Segundo David Kotok, presidente da Cumberland Advisors, uma consultora de investimentos que gere um portfólio de clientes à escala mundial, por duas razões recentes: as constantes notícias sobre instabilidade política em Portugal e o mau sinal dado pelo falhanço no leilão recente de lançamento de bilhetes do tesouro.
No caso grego, o Nobel Joseph Stiglitz, que é conselheiro do governo grego, reagiu contra a análise feita pelos mercados financeiros, mas a Grécia continua a estar classificada no clube dos 10 de maior risco (8º lugar, entre o Dubai e a Letónia) e a bolsa grega continua a viver em clima de crash.
Estes factos são interpretados no quadro geral de ataque aos pontos fracos da Zona Euro, identificados como estando no Clube Med (Portugal, Espanha, Itália e Grécia) e na Irlanda, a que se adiciona a situação de degradação bolsista na periferia de leste da União Europeia.
As situações da Grécia e da Irlanda, também, se agravaram hoje no mercado dos CDS. O valor para o caso irlandês subiu 9% em relação a sexta-feira alcançando 177,68 pb e no caso da Grécia o preço dos CDS voltou a subir acima dos 400 pb, fixando-se hoje à noite nos 425,63 pb, com um risco de incumprimento de dívida de mais de 30%.
Bolsas grega e americana no vermelho
Esta situação teve um colateral na bolsa grega que voltou a cair hoje mais de 4,5%, prosseguindo no crash já verificado na sexta-feira, em que o índice bolsista FTSE/ASE20 quebrara mais de 4%. A bolsa grega destoou hoje no conjunto das bolsas europeias que registaram subidas, incluindo a lisboeta (PSI 20 subiu 1,29%), a dublinense (subiu menos de 1%) e a madrilena (Ibex35 subiu mais de 1%).
Nos Estados Unidos, os efeitos do ataque à Zona Euro, a pretexto dos riscos com a dívida soberana de alguns países europeus pintados pelos media americanos como “uma bomba ao retardador”, conjugados com o aviso da Moody’s da semana passada de que o país mais poderoso do mundo corria o risco de “em algum momento” ver revista a sua notação de rating de triplo A, provocaram, hoje, de novo, a recaída do Dow Jones para abaixo dos 10.000 pontos (uma quebra de mais de 1%).