O grupo dos sete grandes do mundo “desenvolvido”, o G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), deu um ar da sua graça e parece querer continuar a agir em conjunto. Reunidos este fim-de-semana na cidadezinha de Iqaluit, perto do círculo árctico, os sete ministros das Finanças e os seus banqueiros centrais resolveram deixar três recados, apesar de não ter havido um comunicado final formal. Os recados foram transmitidos por declarações públicas diversas.

Cuidado com o double-dip

O primeiro diz respeito à Grande Recessão iniciada em 2007. Apesar do foco actual se ter virado, abruptamente, para a consolidação orçamental necessária face ao agravamento da percepção de risco de incumprimento de muitas dívidas soberanas, os ministros, reunidos informalmente à lareira, avisaram que é necessário prosseguir os planos anticrise, que o risco de um double-dip, de uma recaída, deve ser evitado.

O secretário do Tesouro americano, Tim Geithner, foi claro: “Devemos assegurar que não colocamos em causa a retoma económica mundial”. O que exige um equilíbrio, difícil, entre as estratégias de consolidação orçamental de médio prazo (em muitos casos já iniciadas, como na Grécia e Irlanda, e proposta, também, para Portugal, na sua proposta de Orçamento de Estado para 2010) e as intervenções na economia real.

Não ao FMI

O segundo recado foi dirigido aos especuladores, ultimamente muito activos em torno do problema grego e dos restantes membros do Clube dos PIIGS (acrónimo pejorativo para Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha). O problema grego deverá ser “gerido pela União Europeia, e não pelo G7”, insistiu o ministro das Finanças do Canadá, Jim Flaherty. Por seu lado, o presidente do Eurogrupo desmentiu formalmente que a Grécia vá fazer apelo à intervenção do Fundo Monetário Internacional, como foi sugerido politicamente pelo Financial Times e pelo The Economist neste fim-de-semana.

A ideia transmitida a partir da lareira canadiana é que será um problema a ser resolvido dentro da União Europeia. Espera-se que, na cimeira informal da próxima quinta-feira (11 de Fevereiro, em Bruxelas, o problema seja debatido. Aumenta uma corrente defensora do avanço para uma iniciativa de lançamento de eurobonds.

Recado à alta finança

Finalmente, o terceiro recado vai directo à alta finança. O G7 vai prosseguir na preparação de uma intervenção conjunta em direcção ao sistema financeiro, apesar da forte oposição destes meios que ficou patente em Davos, no World Economic Forum, e diariamente nas intervenções dos banqueiros um pouco por todo o mundo ocidental.

Duas linhas de intervenção estão em observação pelo G7. Uma foi seguida já pelo Reino Unido e por França no sentido de tributar extraordinariamente os bónus ou outras remunerações variáveis acima de um determinado valor (27.500 euros) dos gestores financeiros, e é o caminho proposto, também, no Orçamento de Estado para 2010 pelo governo português. Outra, foi avançada nos Estados Unidos e pretende aplicar ao núcleo duro do sistema bancário uma taxa a partir de meados deste ano para criar um fundo especial – foi o caso da iniciativa Obama (Financial Crisis Responsability Fee) que se estenderá por dez anos.

Onde parece haver consenso é em matéria de novas regras prudenciais para a banca, esperando-se até ao fim deste ano uma proposta do G7.