Seg 1 Fev 2010
Fundos de Pensões “emigram” para o Hemisfério Sul
Por JNR na secção Geoprotagonistas , Gestão do risco , Globalização , Inteligência Económicaainda sem comentários
O mercado dos fundos de pensões, nos últimos dez anos, cresceu mais em países como Brasil, Hong Kong, Austrália e África do Sul. Na Europa cresceu mais em França e na Holanda no mesmo período, segundo um estudo da Towers Watson que abrangeu os principais treze países envolvidos nesse sector. Estaremos a assistir a mais uma mudança geoeconómica?
O mercado dos fundos de pensões teve taxas de crescimento anual (compostas) de dois dígitos no Brasil (quase 19%), Hong Kong (14%), Austrália (cerca de 14%) e África do Sul (10%) nos últimos dez anos, segundo um estudo divulgado hoje pela Towers Watson, que abrangeu 13 países entre os desenvolvidos e os emergentes. A taxa média de crescimento anual, naquele período, foi, apenas, de uns magros 3,6% para o conjunto dos treze países analisados. Nessa década, no espaço da Zona Euro, a França (9,8%) e a Holanda (9,5%) juntaram-se a esse clube de países com maiores crescimentos na década.
O estudo foi interpretado por diversos analistas como dando indicações de quais os mercados de fundos de pensões do futuro, com destaque para os três grandes países do G20 situados a Sul (Brasil, África do Sul e Austrália).
Crescimentos surpreendentes
Nos últimos doze meses, reportados a Dezembro de 2009, a taxa de crescimento anual, em dólares, foi absolutamente surpreendente em casos como Brasil (108,3%), África do Sul (cerca de 43%) e Austrália (40,3%), enquanto à escala mundial o crescimento anual foi de 15%. No caso da Europa, o crescimento mais assinalável foi o do Reino Unido, com 25% de crescimento entre Dezembro de 2008 e Dezembro de 2009. Em moeda local, os maiores crescimentos no último ano incluíram o Brasil (54,3%), Hong Kong (23,3%), Holanda (14,2%) e França (13,8%).
Trata-se de uma recuperação a sublinhar, depois de uma contracção mundial deste mercado superior a 21% entre Dezembro de 2007 e Dezembro de 2008, durante o período de pânico financeiro da actual Grande Recessão.
Os analistas referem que esses crescimentos seriam sintomas de alguma “emigração” deste mercado para o Hemisfério Sul, dado o peso da Austrália (5º mundial em activos de fundos de pensões) e a subida de países como o Brasil (quase sextuplicou; 9ª posição actualmente), África do Sul (quase triplicou; 10ª posição) e Hong Kong (mais do que triplicou; na última posição do grupo de 13 analisados).
O grupo líder em activos de fundos de pensões continua a ser formado pelos EUA (mais de 13 biliões de dólares de activos em fundos; 13 triliões na designação anglo-saxónica; ou seja 57% dos fundos de pensões existentes neste grupo de 13), Japão (3,2 biliões), Reino Unido (1,8 biliões), Canadá (1,2 biliões), Austrália (996 mil milhões) e Holanda (990 mil milhões). Dentro deste clube selecto, o Japão foi o país que apresentou a taxa de crescimento anual média mais baixa em dez anos inferior a 2% e os Estados Unidos e o Reino Unido cresceram menos de 3%. Por essa razão, o peso dos fundos de pensões destes três países líderes baixou no total dos 13 países.
Na Europa, a Holanda é o maior mercado, ocupando a 6ª posição mundial neste estudo, seguindo da Suíça e da Alemanha. O mercado francês ocupa a 11ª posição neste grupo de 13, mas foi o com maior crescimento anual nos últimos dez anos (multiplicou por 2,5).
Os mais “viciados”
A Towers Watson analisa, também, o peso destes activos em fundos de pensão em relação ao PIB de cada país na sua moeda local. Os países mais “viciados” nestes fundos são a Holanda (120% do PIB), Suíça (113%), Austrália (93%), Estados Unidos (93%), Canadá (84%) e Reino Unido (80%). Os que mostraram maior crescimento desta percentagem no PIB entre 1999 e 2009 foram Hong Kong (mais 27 pontos percentuais), Austrália (mais 26 pp), Holanda (mais 17 pp) e Brasil (mais 11 pp). Os que emagreceram no PIB ocorreram nos casos dos Estados Unidos (quebra de 16 pontos percentuais), Canadá (12 pp) e Reino Unido (12 pp).
Os casos de crescimento de peso no PIB são ainda mais assinaláveis se tivermos em conta que, no mesmo período, o peso dos fundos de pensões no PIB mundial em dólares diminuiu 6 pontos percentuais, situando-se hoje nos 70%. Países como a França e a Alemanha têm um peso dos fundos de pensões no PIB muito baixo, de 6% e 12% respectivamente.
O estudo revela, ainda, que há uma discrepância assinalável no perfil dos fundos de pensões entre duas realidades bem distintas: no Japão e no Canadá são detidos em 70% e 62% respectivamente por entidades públicas, e nos casos do Reino Unido, Austrália, Holanda, Suíça e Estados Unidos são detidos por privados em mais de 70%.
A Towers Watson disponibiliza no seu sítio na web uma ligação para o estudo que abrange outros aspectos não abordados neste artigo.