Mesmo depois da recessão técnica terminar, mesmo depois de se entrar no que os economistas chamam de “vala” (trough, no economês) entre dois ciclos, mesmo face aos primeiros sinais de retoma, o desemprego não desce automaticamente, pelo contrário, continua numa dinâmica de crescimento líquido por algum tempo.

A destruição de empregos continua, mesmo já em zona de ‘vala’ e de primeiros sinais de retoma, a ser superior à criação de emprego. A reestruturação do tecido económico entra num pico e a criação líquida de postos de trabalho depende da afirmação de novos sectores (criadores de emprego em actividades diferentes) ou da retoma efectiva nos que sobreviveram.

Mas é, sempre, preferível referir dados concretos do que repetir teorias.

Os americanos publicaram, recentemente, um estudo sobre o comportamento do emprego depois das principais recessões que os Estados Unidos viveram desde o princípio dos anos 1970 (entre 1975-1976, entre 1982-1983, entre 1991-1992, entre 2001-2002).

Eric Rosengren, presidente e CEO do Federal Reserve Bank of Boston desde 2007, divulgou, no princípio do mês, um documento intitulado Prospects for Employment: Evidence from Prior Recoveries.

Uma leitura, mesmo de helicóptero, olhando sobretudo alguns gráficos, deixa-nos perplexos com uma mudança, que é chocante.

A situação agravou-se desde os anos 1990.

No caso dos primeiros trimestres de retoma em 1975-1976 e em 1982-1983, o período de destruição líquida de empregos, desde o trough, foi inferior ou próximo de um trimestre. Nos dois casos de 1991-1992 e 2001-2002, a destruição líquida continuou por quatro trimestres, em que o nível se manteve abaixo do próprio patamar saído do trough.

Ou seja, enquanto nos dois casos de 1975-1976 e de 1982-1983 se assistiu, em regra, a uma taxa de crescimento do emprego ao longo de um ano nos vários sectores (com uma excepção, no caso da construção, em 1975-1976), nos outros dois casos assistimos a uma taxa negativa durante quatro trimestres, com particular incidência na construção (6% de quebra de emprego) em 1991-1992 e na produção (5,5% de quebra de emprego) em 2001-2002. Neste último período, foi nítida a desindustrialização da América.