No dia seguinte ao Dubai inaugurar com pompa o mais alto arranha-céus do mundo – o Burj Khalifa -, o Royal Bank of Scotland (RBS) colocou os Emirados Árabes Unidos (EAU) na lista das economias do arco europeu e do Mediterrâneo com “predisposição para a crise” em 2010.

Uma prenda envenenada de dia de Reis quer para o Dubai – que fez a abertura de notícias no final de Novembro passado com o risco de incumprimento de obrigações de dívida da empresa de investimentos estatal Dubai World e que chocou muita gente ao revelar que o emir vai nu em alguns potentados do Médio Oriente petrolífero – como para o conjunto dos EAU liderado pelo Abu Dhabi, chefiado pelo xeque Khalifa, que, em homenagem ao cheque de 7 mil milhões de euros que colocou na carteira do aflito Dubai (emirado vizinho, também parcela dos EAU), viu a torre gigante ser rebaptizada com o seu nome.

O relatório “Predicting Sovereign Debt Crisis: 2010”, da equipa de Timothy Ash, chefe do grupo de investigação do banco inglês sobre o que os anglo-saxónicos designam por EMEA, a região da Europa, Médio Oriente e África, colocou 14 países da área na lista “negra” de economias com “predisposição para crise” este ano.

O grupo de risco divide-se em três blocos geoeconómicos: o Próximo e Médio Oriente (onde se inclui o Líbano, os EAU e o Bahrein), uma larga franja de risco da União Europeia que ainda está fora da Zona Euro (Bulgária, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Roménia e Polónia) ou umbilicalmente ligada à UE (a Islândia, onde esta semana o presidente do país vetou uma lei que pretendia pagar as dívidas a holandeses e ingleses, derivadas da falência dos bancos islandeses no terramoto financeiro de Outubro de 2008) e a nova zona política “cinzenta” mais a leste (que inclui a Croácia, Ucrânia e Cazaquistão).

A equipa de Tim Ash retirou da lista o Qatar (outro dos reinos do petróleo árabe), que fora considerado na zona de risco no ano passado.

O RBS classifica anualmente 39 economias emergentes usando um conjunto de critérios definidos por um estudo do Fundo Monetário Internacional realizado por Nouriel Rubini, o mediático economista de Nova Iorque alcunhado de Dr. Doom (Dr. Juízo Final), e Paulo Manasse.

Nota final: Saliente-se que o RBS, o maior banco controlado pelo governo britânico, angariou 17% da dívida contraída pelo Dubai World desde Janeiro de 2007. Observar o que se passa por aquelas bandas é, por isso, crítico para o banco.