Apesar de terem baixado de 21 para 22 de Janeiro, o preço dos credit default swaps relativos à dívida soberana portuguesa ultrapassaram em menos de um mês os relativos a Espanha e atingiram quase os 150 pontos base durante a alta da semana passada.

Há cerca de um mês, os preços dos credit default swaps (CDS, no acrónimo que se está a tornar famoso na imprensa económica) da República Portuguesa eram inferiores aos do Reino de Espanha.

Nessa altura, esses CDS, que são uns derivados financeiros para cobertura de risco de incumprimento da dívida soberana – dito de outro modo, um seguro contra um eventual calote de um dado país – não chegavam aos 90 pontos base (pb) no caso português, enquanto para Espanha já ultrapassavam os 110 pb.

Mas em 28 dias, a situação inverteu-se. O preço da cobertura de risco relativo à República Portuguesa agravou-se em 68% tendo-se fixado no final da semana passada em 147,45 pb, enquanto no caso de Espanha aumentava apenas para 129 pb (+15%), segundo dados públicos do Markit para o fecho de sexta-feira passada. O valor de sexta-feira, para o caso português, era, no entanto, mais baixo do que o de quinta-feira quando o preço chegou perto dos 149 pb. No dia de hoje (25/01), os preços dos CDS para Espanha estavam abaixo dos 120 pb.

O que esta mudança significou para Portugal é que, em 28 dias, o spread (diferencial) em relação ao referencial alemão passou de menos de 0,9% para cerca de 1,5%. A situação peninsular está, ainda, longe do patamar grego (acima de 320 pb) ou muito longe da situação da Islândia (acima de 600 pb, um agravamento de mais de 50% nos últimos 28 dias) no que respeita à Europa. Em termos mundiais, a situação de risco mais escaldante prende-se com a Venezuela e a Argentina, onde o preço dos CDS estava, no fecho da semana passada, acima dos 1000 pb.

A dívida portuguesa segura por mais de 2000 contratos de swap atingiu um valor (notional, na designação inglesa, ou seja é um valor abstracto) bruto de 57,6 mil milhões de dólares e um valor líquido de 9,5 mil milhões, segundo dados disponíveis no ranking de 1000 entidades da Depository Trust & Clearing Corporation (DTCC).

A situação comparativa dos outros quatro PIIGS (acrónimo em inglês para Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) é a seguinte: a Itália tem 230 mil milhões de dólares de contratos em valor bruto (vb) e 25,7 mil milhões em valor líquido (vl); a Espanha tem 100,2 mil milhões em vb e 15,3 em vl; a Grécia 74,2 mil milhões em vb e 9,1 mil milhões em vl; e a Irlanda 33,8 mil milhões em vb e 6,1 mil milhões em vl.