O interessante artigo de João Silvestre publicado no Expresso (caderno Economia, pg.9) de sábado passado (edição de 23/01/2010), intitulado “Quanto mais gordos menos crescem”, merece leitura, em particular uma olhada no quadro publicado (crescimento médio anual do PIB em %) e uma remissão para o artigo que lhe serve de suporte, da autoria de Reinhart e Rogoff (‘Growth in a Time of Debt, publicado como Working Paper no NBER dos EUA, Janeiro 2010, disponível para compra online).

O que se pode verificar – comparando com o caso português – é que há défices mais iguais que outros, ou seja, pode inferir-se uma hipótese de investigação: há défices públicos, mesmo acima de 60% do PIB, que mantiveram um efeito multiplicador na taxa de crescimento, que foram “virtuosos”, ou seja em que a engorda da despesa pública teve impacto keynesiano.
No caso português, o efeito do défice crescente é em plano bem inclinado, mas no caso da Austrália, da Nova Zelândia ou da Bélgica, mesmo com défices acima de 90%, não o é; os crescimentos do PIB são superiores a 3% nestas excepções.

No caso português, o efeito desacelerador sobre o crescimento por parte do défice público superior a 60% do PIB é acentuado (crescimento médio reduziu-se para 1,4% ao ano), o que dá uma imagem da ineficiência das suas aplicações. Mas, isso não aconteceu, em países com o mesmo nível de défice, entre 60 e 90%, como a Grécia, a Irlanda, a Finlândia e o Japão. Os efeitos, nestes casos, começaram a sentir-se, mais agudamente (Japão) ou mais moderadamente, no patamar a seguir.

No entanto, uma “lei de ferro” parece actuar para o núcleo duro dos países do capitalismo OCDE: com défices públicos acima de 90%, casos como os Estados Unidos (este é mesmo o mais grave), a Itália e o Japão sofrem de quase estagnação ou de recessão.