“Queremos o nosso dinheiro de volta, e vamos recebê-lo” é o slogan da campanha em apoio da proposta de novo imposto que o presidente Barack Obama quer lançar a partir de 30 de Junho sobre o sistema financeiro e que deverá ser submetida ao Congresso americano. O imposto será inserido como uma das medidas do orçamento que a Administração americana enviará para discussão e aprovação ao Congresso em Fevereiro.

“A taxa ajudará a reaver cada penny emprestado a Wall Street durante a crise financeira”, argumenta o texto da campanha assinado pelo vice-presidente Joe Biden no sítio na web de lançamento desta campanha, que decorre no my.barackobama.com, uma plataforma política que permaneceu para além das eleições e que mantém Obama em contacto directo digital com os seus apoiantes por todo o país, e mesmo pelo mundo, através do projecto Organizing for America.

A proposta de novo imposto para a década foi denominada Financial Crisis Responsability Fee (mais um acrónimo para decorar: FCRF) e, no dizer de Biden, “espera-se que recupere milhares de milhões de dólares dos grandes bancos, em grande parte dos dez maiores”.

Na lista de visados estão as 50 principais instituições financeiras americanas – holdings de bancos, caixas de poupança, seguradoras com braços financeiros e intermediários financeiros – com mais de 50 mil milhões de dólares de activos. Algumas delas são subsidiárias de instituições estrangeiras. Um núcleo duro de 10 instituições deverá ter de desembolsar 60% dessa colecta federal nos próximos dez anos.

O cibernauta é convidado a assinar digitalmente uma declaração de apoio que diz muito singelamente: “À Wall Street: Queremos o nosso dinheiro de volta – e estamos com o Presidente Obama para garantir que o teremos de volta”.

Buraco do TARP a financiar

A proposta de taxa foi anunciada ontem e pretende reaver 90 mil milhões de dólares com vista a tapar o buraco do programa Troubled Asset Recovery Program, conhecido pelo acrónimo TARP (que envolveu 700 mil milhões de dólares), que é estimado em 117 mil milhões de perdas, mesmo depois das devoluções por parte dos bancos beneficiários.

A taxa é dirigida aos activos de risco e deverá ser de 15% colectada pelo Internal Revenue Service. O imposto exclui do seu raio de aplicação o que, em linguagem bancária, se denomina de “tier one capital”, bem como os depósitos de poupança segurados.

Os banqueiros consideram a medida mais um passo “no assalto populista da Casa Branca contra a indústria financeira”. Os críticos da iniciativa fiscal alegam que a Wall Street vai ter de pagar a factura das acções de emergência financeira realizadas junto da General Motors, da Chrysler, da AIG, da Fannie Mae e Freddie Mac, que vão escapar à taxa.

Recorde-se que esta taxa se juntará a outra imposição recente autorizada pela Casa dos Representantes do Congresso americano no sentido de obrigar o sistema financeiro a financiar um fundo de emergência de 150 mil milhões de dólares para acudir a situações de risco sistémico e pânico financeiro (como a que ocorreu no final de 2008).