O secretário do Tesouro norte-americano anunciou a intenção de prorrogar o TARP (acrónimo porque é conhecido o pacote anti-crise financeira desta Administração) até Outubro do próximo ano. Até ao início deste mês faltavam gastar 44% dos 700 mil milhões de dólares.

Há, no entanto, três novidades políticas na reorientação estratégica anunciada: virar os dólares para a Main Street (famílias em estado de falência, desempregados e banca ligada ao small business); utilizar uma parte para tapar o défice orçamental; e ter o programa como reserva estratégica não vá o diabo da incerteza do final da crise pregar alguma partida.

Apesar da oposição dos congressistas republicanos, a Administração Obama decidiu estender até Outubro próximo a vigência do Pacote de intervenção anti-crise conhecido pelo acrónimo TARP. A intenção foi ontem anunciada pelo secretário do Tesouro, Tim Geithner. Mas requer a aprovação do Congresso.

TARP – ou Troubled Asset Relief Program – foi dotado com 700 mil milhões de dólares (cerca de 475 mil milhões de euros) para evitar em 2009 a continuação da crise sistémica do sistema financeiro americano. Estão por usar 44% dessas verbas, ou seja mais de 300 mil milhões de dólares. O programa deveria expirar a 31 de Dezembro.

Instrumento de reserva

Segundo Geithner manifestou, a Administração Obama pretende manter o programa activo na gaveta como instrumento de reserva em caso de emergência de uma recaída da crise financeira mundial, seja por efeito de novos Dubai ou Grécias, ou outras “bombas ao retardador”.

No entretanto, Geithner gostaria de “reorientar” o saldo para atender aos “pequenos” da Main Street – aos hipotecados desempregados ou em situação de falência pessoal e aos pequenos bancos no sentido de dirigirem o crédito para o tecido económico real, nomeadamente para o small business, cuja voz política tem aumentado.

Os congressistas republicanos alegam que o programa deveria ser encerrado e que o saldo deveria ser aplicado na diminuição do défice orçamental. Aparentemente, Obama já manifestou o ensejo de que uma parcela do saldo do TARP, cerca de 175 mil milhões de dólares, seja dirigida para essa finalidade.