Qui 24 Dez 2009
Notícias que dão Portugal como em risco de incumprimento da dívida são manifestamente exageradas
Por JNR na secção Geoprotagonistas , Gestão do risco , Globalização , Inteligência Económica1 comentário
Portugal está fora do risco de incumprimento das suas obrigações de dívida. As notícias que dão o país como estando em situação similar à da Grécia ou da Irlanda são manifestamente exageradas.
Numa lista de mais de seis dezenas de países avaliados pela probabilidade de risco de incumprimento das suas obrigações de dívida (default) nos próximos cinco anos, Portugal situa-se em 41º lugar, muito longe da zona de risco que abrange a Grécia e a Irlanda na Zona Euro e mais 6 outros países membros da União Europeia.
Os oito países da União Europeia com maior grau de probabilidade de default são a Letónia, Lituânia, Roménia, Grécia (membro da Zona Euro), Hungria. Bulgária, Irlanda (membro da Zona Euro) e Estónia. Portugal não se encontra neste grupo nem mesmo no de risco médio, situando-se em 41º lugar num conjunto de 63 países acompanhados, com uma probabilidade de incumprimento inferior à da Polónia, Espanha, Itália e Reino Unido.
À escala mundial, a lista dos cinco piores é liderada pela Venezuela, seguida pela Ucrânia, Argentina, Letónia e Islândia. Quanto aos casos mediáticos recentes, o Dubai encontra-se em 6º lugar, a Grécia em 10º e a Irlanda em 18º.
A lista foi, agora, divulgada pelo Global Sovereign Credit Risk Report publicado pela CMA DataVision, que coloca os países de maior risco acima de uma linha de água de 10% de probabilidade de falência (cumulative probability of default, CPD) nos próximos cinco anos e de 150 pontos base mais do que a referência usada pela empresa.
O trio de maior risco
Os três casos mais graves – Venezuela, Ucrânia e Argentina – tinham diferenciais acima dos 1000 pontos base e probabilidades de incumprimento no próximo quinquénio perto ou acima dos 50%.
Portugal tinha uma probabilidade de apenas 6,2% e um adicional de 74 pontos base em relação à referência usada pela CMA – menos de metade do caso irlandês ou quase 1/3 em relação à Grécia. Não integra sequer o rol de países que tiveram o pior desempenho entre 30 de Setembro e 14 Dezembro, datas dos relatórios mais recentes: Reino Unido (que viu o diferencial em pontos base crescer 78%), Grécia (que agravou 77%), Estados Unidos (66%), Abu Dhabi (54%), o emirado que salvou o Dubai, e o Japão (48%).
Os países mais “seguros”, com menor probabilidade de não cumprir as suas obrigações, na lista de 63 países acompanhados, segundo a CMA, estão situados na Europa do Centro e Norte: a Noruega, que está fora da União Europeia (UE), e que é considerado o país mais seguro, e depois quatro membros da UE, Alemanha, Finlândia, França, Holanda e Dinamarca, que apresentam notações de risco triplo A (o melhor rating) e probabilidades de incumprimento inferiores a 2,6%. A Alemanha, Finlândia, França e Holanda pertencem à Zona Euro.
Entretanto, o The Wall Street Journal, na sua edição de 30 de Dezembro, analisando a Zona Euro quanto à sustentabilidade ou não das finanças públicas de cada um dos seus membros, coloca Portugal no “risco médio” na companhia de países como a Alemanha ou a França. Nos de maior risco de falta de sustentabilidade das finanças públicas coloca o trio que tem andado nas noticias, a Grécia, Irlanda e Espanha, a que junta, espante-se, a Holanda, e mais dois mais recentes, a Eslováquia e a Eslovénia.
Tema principal em 2010
Segundo David Kotok, da Cumberland Advisors, a questão da dívida pública vai ser o grande tema de 2010, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, tendo em conta que 75% da dívida combinada de todos os países do mundo está indexada ou ao dólar ou ao euro.
Kotok não prognostica “uma avalancha de defaults de países” nas zonas influenciadas pelo euro ou pelo dólar. Comentando a lista da CMA, ele sublinha que acompanha com maior preocupação casos “isolados” na América Latina, como a Venezuela e a Argentina (recorde-se que este país viveu uma situação de incumprimento estrondosa em 2001), bem como países-charneira do shatterbelt geopolítico europeu, como a Ucrânia.
O economista Kenneth Rogoff, professor de Harvard e co-autor de um recente livro sobre a história de crises financeiras (This Time is Different), teme que uma vaga de incumprimentos possa ocorrer daqui a dois anos, quando os países que, por ora, servem de guarda-chuva protector dos mais aflitos, tiverem de se voltar para o saneamento das suas próprias economias.
Dezembro 31st, 2009 at 12:18
[...] público de 10% do PIB no final de 2010, segundo a Comissão Europeia. Não admira que esteja no radar das agências internacionais como país-preocupação em 2010, a par de um rol que abrange a Irlanda, Grécia, Reino Unido, Letónia, Lituânia, Roménia, [...]