Paul Krugman referiu em “Double Dip Warning”, um post de 1 de Dezembro na sua coluna The Conscience of a Liberal, já muito citado, o risco de double-dip nos Estados Unidos.

Trocado por miúdos – risco de recaída. No economês, risco de comportamento em W do actual ciclo em vez de V. Isso já ocorreu noutras ocasiões de crise na América – e a mais estudada de sempre foi a que viria a surgir, pontualmente, no final da década de 1930, quando se julgava que a Grande Depressão já tinha dito adeus.

Os dois argumentos de Krugman são um murro nos profissionais do marketing do optimismo: a) os estímulos keynesianos esgotam-se ao fim de algum tempo (um alerta aos keynesianos integristas); b) o aumento da produção pode ser de reposição e esgota-se nos próximos trimestres.

Mas Krugman difere de outros economistas (como Barry Eichengreen e Kevin O’Rourke, ou Reinhart e Rogoff, que têm procurado abordar sempre a questão do ponto de vista global) por ser, por vezes, muito “americano” nas suas análises.

Uma chatice com o Dubai World veio trazer à tona que há mais mundo de risco para além da Wall Street. Mas o espirro do Dubai é uma continha num rosário.

O analista Mark Lundeen, ainda este fim-de-semana (num artigo que, em breve, estará disponível aqui), publicou uma lista, analisando segundo três critérios técnicos, o risco que vai pelas economias artificialmente mais escaldantes e encontrou dez protagonistas sempre presentes: Paquistão, Kuwait, Arábia Saudita, Estados Unidos, Venezuela, Emirados Árabes Unidos (onde se insere o agora, de novo, famoso Dubai), Hong Kong, Malta, Líbano e mesmo China.

Ao olhar, ao longo de mais de uma semana, os jornais asiáticos, e em particular as colunas de economistas independentes daquelas paragens, há uma tónica que sobressai: a preocupação com a China.

A sorte da actual crise, segundo esse clube de analistas, está indissoluvelmente mais ligada ao que se passar na China do que à Wall Street, mais dependente dos ziguezagues da liderança chinesa do que de Obama ou de Ben Bernanke (presidente da Reserva Federal americana).

É a China, estúpido! – parece ser o que esses analistas me quiseram dizer ao longo de uma semana.