Dezembro 2009


O índice Dow Jones Industrial Average (DJIA) da Bolsa de Nova Iorque fechou a sessão do último dia do ano de 2009 no negativo. No entanto, comparando com o final de 2008 (o ano do pânico financeiro em Wall Street), o DJIA subiu 19% em relação a 31 de Dezembro de 2008. O índice, desde o ponto mais baixo em Março de 2009, chegou ao patamar dos 10.000 pontos, e fechou nos 10.428,05, no que tem sido considerada uma mini-bolha.

O petróleo viu os preços subirem 78% na variedade americana e 85% no caso do Brent (o crude de referência na Europa) em relação ao final de 2008. Tendo encerrado 2008 no patamar dos 40 dólares, fechou 2009 muito próximo dos 80: 79,36 dólares para a variedade americana e 77,20 para o Brent. O preço médio anual teria sido de 62 dólares, uma quebra de 36% em relação ao preço médio do ano anterior (ano em que ocorreu o choque petrolífero), segundo dados do FMI (26/01/2010).

O euro, a moeda única da Zona Euro (16 membros, incluindo Portugal), manteve a tendência geral de valorização, com uma subida em relação ao dólar de 2,5% em relação ao final do ano de 2008. Fechou hoje a valer 1,4326 dólares; em 31 de Dezembro de 2008 valia 1,3978 dólares.

Finalmente, o ouro, o metal precioso que foi “estrela” de valorização em 2009, tendo ultrapassado o patamar dos 1000 dólares por onça e anteriores recordes. Valorizou no ano 26%. Fechou hoje nos 1097,3 dólares por onça – no final de 2008 estava nos 869,75. O preço esteve acima dos 1200 dólares (máximo histórico em valores nominais) em 3 de Dezembro de 2009.

Segundo um artigo no jornal norte-americano The Wall Street Journal, os bancos do nosso vizinho estarão a começar a desfazer-se em massa dos activos imobiliários que lhes caíram no regaço como colateral dos incumprimentos em massa entretanto ocorridos.

Incumprimentos provenientes quer de empréstimos a famílias para aquisição de habitação própria (primária ou secundária) como de investidores imobiliários que alimentaram a “bolha” especulativa em Espanha nos últimos anos até que as faíscas da Grande Recessão internacional a fizeram rebentar.

Segundo o jornal americano, a banca espanhola acumulou, nos últimos doze meses, um portefólio imobiliário no valor de 8,5 mil milhões de euros derivado da execução de hipotecas.

O movimento de vendas num mercado com pouca procura tem um efeito ainda mais depressivo sobre o preço dos imóveis e, ao mesmo tempo, acaba por acarretar prejuízos para os bancos que vendem as propriedades abaixo do valor contabilizado. Segundo um estudo do BBVA, os preços do imobiliário terão baixado 10% em 2009 e poderão cair, ainda mais, em 2010, na ordem dos 12%.

O efeito acumulado destas duas dinâmicas atingirá, provavelmente, o pico em 2010.

Espanha não aprendeu com EUA

Esta pressão para a venda destes portefólios deriva das exigências colocadas aos bancos espanhóis. “Para precaver perdas, é, agora, exigido aos bancos que detenham em reserva 20% do valor de cada imóvel de que tomaram posse na execução de uma hipoteca. Em virtude da subida dessa reserva de 10% para 20%, e não dispondo de depósitos em fluxo suficiente, os bancos espanhóis temem o estrangulamento, e, por isso, vendem imóveis para ter liquidez”, refere Carlos Santos, professor de economia na Universidade Católica Portuguesa, no Porto, e especialista em economia internacional. E acrescenta uma preocupação adicional: “O regulador anunciou inclusive para breve novos requisitos de liquidez, o que leva os bancos a anteciparem estas vendas em função dessa expectativa. Definitivamente, a Espanha parece não ter aprendido nada com o que se passou nos Estados Unidos”.

O agravamento da situação do sistema financeiro espanhol gera o risco “sistémico” de colapsos o que vai obrigar o governo espanhol a intervenções “à inglesa”, sublinha Carlos Santos. Resultado esperado: agravamento da situação das contas públicas espanholas. A Espanha poderá ter um défice público de 10% do PIB no final de 2010, segundo a Comissão Europeia. Não admira que esteja no radar das agências internacionais como país-preocupação em 2010, a par de um rol que abrange a Irlanda, Grécia, Reino Unido, Letónia, Lituânia, Roménia, Bulgária e Hungria, no seio da União Europeia.

A interrogação final que fica neste final de ano: quais serão os salpicos deste risco espanhol em Portugal?

O economista Carlos Santos afirma que não se está a dar atenção a esse “colateral”.

Os avisos à navegação da gestão das finanças públicas multiplicaram-se esta semana.

Primeiro foi o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, no domingo passado ao jornal alemão Bild e ontem foi o responsável pelo Departamento Europeu no Fundo Monetário Internacional (FMI), Marek Belka, em entrevista ao sítio da organização, ainda que com um registo mais completo do que Trichet.

Belka sistematizou a sua recomendação num parágrafo muito claro: “Por agora, apoiem a actividade económica. Mas façam planos para uma saída [termo técnico para abandono de políticas anticrise] cuidadosa. E, finalmente, tratem das instituições financeiras com imparidades de um modo mais enérgico do que estão fazer”.

Recorde-se que Trichet escreveu, este domingo, um pequeno comentário no Bild (só disponível, por ora, em alemão) que apelava aos Ministros das Finanças dos 16 da Zona Euro para a “consolidação orçamental” – alguns jornais alemães usaram mesmo a expressão “limpeza” das finanças públicas – para já em 2010, em alguns países, e o mais tardar em 2011. Trichet escreveu esta singela frase: “No espaço do euro é imperioso que as tendências actuais dos défices internos se invertam o mais tardar em 2011 e, em alguns países, já em 2010, para que se restabeleça a confiança nas finanças do Estado”.

O presidente do BCE está, politicamente, a esticar a corda para “sensibilizar” alguns governos da Zona Euro a ponderarem o alerta vermelho em termos de dívidas públicas elevadas acima de 100% do PIB (como são os casos estimados para o próximo ano da Grécia, Itália e Bélgica) e de défices orçamentais, estimados, de novo, para 2010 acima de 10% do PIB em muitos casos (como se espera para a Irlanda, Reino Unido, Grécia e Espanha). Trichet acrescentou, também, que os bancos deverão regressar ao seu papel “central”, de financiadores, na economia real, num aviso, claro, a estas instituições.

Cautela do FMI

Marek Belka, director do Departamento Europeu do FMI, foi mais extenso nas suas considerações na entrevista que deu ao IMF Survey online no sítio da organização. Reconheceu a situação muito complexa que se vive na Europa: “O ano de 2010 será dominado por um desafio, o de equilibrar a continuação do apoio à economia com um abandono gradual e faseado das medidas não convencionais”. A cautela de Belka deriva do seu diagnóstico: “Estamos no meio de uma retoma, que não é muito robusta, ainda que a situação esteja claramente a melhorar”. 2010 vai ser, por isso, “um ano interessante”, refere.

O director europeu do FMI sublinha, por isso, que quando fala do abandono das medidas não convencionais está a pensar no caso de políticas financeiras e monetárias, e não tanto em estímulos orçamentais. Diz inclusive que deve ser mantida a tónica de políticas de apoio “pois não estamos seguros de quão robusta é esta retoma”.

No campo orçamental, recomenda, que 2011 poderá ser o ano de início da consolidação orçamental e “neste campo apoiamos a abordagem da Comissão Europeia”. No entanto, sublinha que “alguns países, terão, sem dúvida, de actuar mais rapidamente, por exemplo, a Grécia, Irlanda e Espanha, que não podem dar-se ao luxo de esperar”. Frisa que alguns países no Leste europeu já iniciaram esse processo, como são os casos da Hungria e Roménia, no caso da UE.

Por isso, faz uma chamada de atenção muito clara na área do sistema financeiro: “Na Europa, o sector bancário não está, ainda, em boa forma, como desejaríamos”. Contudo, sublinha, é a altura agora de mudar de medidas extraordinárias para evitar a catástrofe financeira para acções focalizadas: “Sabemos que os problemas estão concentrados num número limitado de instituições, por isso os governantes deverão concentrar-se nelas”. E, mais adiante, diz mesmo que os bancos frágeis que não conseguirem resolver os seus problemas de capital devem enfrentar o “veredicto”.

Três categorias de países

Belka introduz, ainda, uma geometria variável na apreciação da situação dos membros da UE. Fala em três “categorias” de países.

Uma primeira que abrange a Alemanha que sofreu um impacto fortíssimo da recessão mundial e da quebra do comércio internacional, mas em que a situação é, claramente, “temporária”.

Um segundo arco abrange países como a Irlanda e a Espanha que sofreram o impacto do rebentar de bolhas domésticas adicionais, e que necessitam de iniciar a sua consolidação orçamental e reconstruir a sua competitividade, o que, “muitas vezes, significa, infelizmente, cortar nos salários”.

O terceiro grupo, em que se inclui a Grécia, revela países em que a recessão não foi tão profunda, mas em que a situação orçamental é difícil. “A Grécia tem de iniciar agora um ajustamento orçamental doloroso, mas não é tanto por causa da crise. A crise, apenas, trouxe problemas à superfície que se acumulavam há décadas. Provavelmente, problemas similares se verificarão noutras partes da Europa”.

Entretanto, parece formar-se, em definitivo, um consenso na Alemanha entre Bundesbank e a Chancelerina Merkel, diz o jornal alemão Der Spiegel. O FMI não deve pôr os pés na Grécia. O assunto grego deve ser resolvido pela UE e pela Zona Euro.

É sempre difícil escolher factos que mais marcaram o ano que morre na próxima semana. Farei a minha escolha pessoal em função do que me parece poder ter mais impacto no desenrolar de 2010.

Primeira escolha: A Mesa dos Cinco em Copenhaga. Uma mesa acidental – a acreditar nas versões que surgiram. Ou era para ser uma mesa a dois (o G2: EUA-China) e entraram mais três “penetras”; ou era uma mesa a quatro (“secreta”, disseram os americanos) e o Tio Sam fez-se de “penetra”. Seja como for, um acidente da história, que emergiu, com surpresa, e marcará a geopolítica dos próximos anos. Os humilhados: a UE e o Japão. O que saiu de fininho: a Rússia. Os marginalizados: os anti-globalistas.

Segunda escolha: A guerra “justa”. O discurso de Obama ao receber o Prémio Nobel da Paz. Um discurso que recebeu muitos encómios. Mas que eu considero, perdoe-se a minha desfaçatez, um equívoco. Por razões que desenvolverei noutra ocasião. Equívoco na recuperação de um conceito historicamente datado. Perigoso pela sua reversibilidade, ou seja o carácter de boomerang que encerra em si. Extremamente incompleto quanto às condições que legitimam a guerra como continuação da política por meios violentos por parte de democracias. Inconclusivo face à herança do W. Bushismo e dos neo-cons (por exemplo, a questão das guerras pre-entivas e do uso de armas nucleares tácticas, e face ao facto de que a doutrina militar russa continua a manter a legitimidade do uso de ataques nucleares pre-entivos) ou à questão pertinente do multiplicar da assimetria das guerras. E, sobretudo, correndo o risco de obsoletismo face ao que Alvin Toffler já dizia em 1993 em Guerra e Anti-Guerra: a emergência de “guerras impensáveis”. Este equívoco de Obama terá consequências. Não se esgota, apenas, na legitimação (previsível) da guerra no Afeganistão e na sua extensão ao Paquistão.

Terceira escolha: A revolução popular em curso no Irão - não são apenas vídeos no youtube de filmagens de telemóvel. Um desfecho imprevisível com implicações em todo o xadrez do Próximo e Médio Oriente e mesmo no alinhamento entre as grandes potências. Uma vasta região de shatterbelt do globo.

Quarta escolha: A luta política entre as duas linhas no Partido Comunista da China, entre os social-financistas e os “populistas”, unidos no projecto de grande potência global e de autocracia partidária, mas divididos nas alianças sociais e na dinâmica do modelo económico.

Quinta escolha: o número 500.000. A lista de suspeitos de terrorismo. Número divulgado recentemente. Suspeitos são suspeitos – não terroristas. De qualquer modo, seja qual for a percentagem de nomes a dar baixa na lista, trata-se de um equivalente a um exército de grande potência, ainda que fragmentado por várias intenções, obediências e geografias. Uns em repouso, nas redes “adormecidas”, outros em actividade. Muitos em mobilidade. O suficiente para nos fazer pensar sobre os conflitos assimétricos que nos podem presentear.

Sexta, e última, escolha: a maior interrogação, o desenvolvimento da Grande Recessão, em V finalmente, em W lamentavelmente. Demasiadas bombas económico-financeiras de destruição massiva espalhadas pelo mundo. Incerteza – a velha palavra de Keynes paira sobre as nossas cabeças.

Portugal está fora do risco de incumprimento das suas obrigações de dívida. As notícias que dão o país como estando em situação similar à da Grécia ou da Irlanda são manifestamente exageradas.

Numa lista de mais de seis dezenas de países avaliados pela probabilidade de risco de incumprimento das suas obrigações de dívida (default) nos próximos cinco anos, Portugal situa-se em 41º lugar, muito longe da zona de risco que abrange a Grécia e a Irlanda na Zona Euro e mais 6 outros países membros da União Europeia.

Os oito países da União Europeia com maior grau de probabilidade de default são a Letónia, Lituânia, Roménia, Grécia (membro da Zona Euro), Hungria. Bulgária, Irlanda (membro da Zona Euro) e Estónia. Portugal não se encontra neste grupo nem mesmo no de risco médio, situando-se em 41º lugar num conjunto de 63 países acompanhados, com uma probabilidade de incumprimento inferior à da Polónia, Espanha, Itália e Reino Unido.

À escala mundial, a lista dos cinco piores é liderada pela Venezuela, seguida pela Ucrânia, Argentina, Letónia e Islândia. Quanto aos casos mediáticos recentes, o Dubai encontra-se em 6º lugar, a Grécia em 10º e a Irlanda em 18º.

A lista foi, agora, divulgada pelo Global Sovereign Credit Risk Report publicado pela CMA DataVision, que coloca os países de maior risco acima de uma linha de água de 10% de probabilidade de falência (cumulative probability of default, CPD) nos próximos cinco anos e de 150 pontos base mais do que a referência usada pela empresa.

O trio de maior risco

Os três casos mais graves – Venezuela, Ucrânia e Argentina – tinham diferenciais acima dos 1000 pontos base e probabilidades de incumprimento no próximo quinquénio perto ou acima dos 50%.

Portugal tinha uma probabilidade de apenas 6,2% e um adicional de 74 pontos base em relação à referência usada pela CMA – menos de metade do caso irlandês ou quase 1/3 em relação à Grécia. Não integra sequer o rol de países que tiveram o pior desempenho entre 30 de Setembro e 14 Dezembro, datas dos relatórios mais recentes: Reino Unido (que viu o diferencial em pontos base crescer 78%), Grécia (que agravou 77%), Estados Unidos (66%), Abu Dhabi (54%), o emirado que salvou o Dubai, e o Japão (48%).

Os países mais “seguros”, com menor probabilidade de não cumprir as suas obrigações, na lista de 63 países acompanhados, segundo a CMA, estão situados na Europa do Centro e Norte: a Noruega, que está fora da União Europeia (UE), e que é considerado o país mais seguro, e depois quatro membros da UE, Alemanha, Finlândia, França, Holanda e Dinamarca, que apresentam notações de risco triplo A (o melhor rating) e probabilidades de incumprimento inferiores a 2,6%. A Alemanha, Finlândia, França e Holanda pertencem à Zona Euro.

Entretanto, o The Wall Street Journal, na sua edição de 30 de Dezembro, analisando a Zona Euro quanto à sustentabilidade ou não das finanças públicas de cada um dos seus membros, coloca Portugal no “risco médio” na companhia de países como a Alemanha ou a França. Nos de maior risco de falta de sustentabilidade das finanças públicas coloca o trio que tem andado nas noticias, a Grécia, Irlanda e Espanha, a que junta, espante-se, a Holanda, e mais dois mais recentes, a Eslováquia e a Eslovénia.

Tema principal em 2010

Segundo David Kotok, da Cumberland Advisors, a questão da dívida pública vai ser o grande tema de 2010, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, tendo em conta que 75% da dívida combinada de todos os países do mundo está indexada ou ao dólar ou ao euro.

Kotok não prognostica “uma avalancha de defaults de países” nas zonas influenciadas pelo euro ou pelo dólar. Comentando a lista da CMA, ele sublinha que acompanha com maior preocupação casos “isolados” na América Latina, como a Venezuela e a Argentina (recorde-se que este país viveu uma situação de incumprimento estrondosa em 2001), bem como países-charneira do shatterbelt geopolítico europeu, como a Ucrânia.

O economista Kenneth Rogoff, professor de Harvard e co-autor de um recente livro sobre a história de crises financeiras (This Time is Different), teme que uma vaga de incumprimentos possa ocorrer daqui a dois anos, quando os países que, por ora, servem de guarda-chuva protector dos mais aflitos, tiverem de se voltar para o saneamento das suas próprias economias.

O ataque político do ano: Obama contra os fat cats de Wall Street, agora em Dezembro

A foto global do ano: A mesa acidental dos Cinco (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul) nos bastidores da recente Cimeira de Copenhaga

A desfaçatez imperial do ano: A Personalidade do Ano, Ben Bernanke, em entrevista à revista (Time) que o elegeu, confessa que a pior herança para 2010 são os too big to fail. É preciso ter lata para quem favoreceu a concentração no pico do Pânico Financeiro de 2008. Que andou o senhor a fazer durante 2009?

Os truques secretos para ser milionário: ex-aequo, o high-frequency trading nas bolsas, um dos motores da míni-bolha em Wall Street desde Março, e o chamado carry trade (pedir empréstimos numa dada divisa em países com juros baixos, como os impostos pela Reserva Federal Americana perto de 0%, e aplicar o dinheiro na especulação bolsista ou em titulos usando outra divisa).

A bomba financeira inesperada: o megalómano Dubai da socialite mundial

O credor do ano (repetente): a China

O fenómeno global: Susan Boyle, a insólita personagem, derrotada na finalíssima de um concurso, mas que se torna star mundial

A moda digital: os 140 caracteres no Twitter

Prémio Globalização do ano: a pandemia da Gripe A

Prémio do gato e do rato geopolítico: os piratas somalis

Finalmente, a Cimeira dos negociadores e assistentes sem sono terminou. Com o documento possível, disse o secretário-geral das Nações Unidas.

A decisão final da Cimeira fala de “tomar nota” do acordo escrito alcançado pelos Cinco (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul) e o secretário executivo da UNFCCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), que organiza estas reuniões, limitou-se a referir a existência de uma “carta de intenções” que faltará traduzir em “algo real, mensurável e verificável”.

Essa tradução ficou adiada para reuniões de negociação em Bona, na Alemanha da chancelerina Merkel, entre 31 de Maio e 11 de Junho e a revisão do tema far-se-á, de novo, na próxima conferência anual que, em finais de 2010, será na cidade do México.

A soma dos actores

No fecho da cortina, e já com os delegados em sono solto ou apagando as mágoas ou festejando o triunfo do possível na noite de Copenhaga, fica-nos uma aritmética simples escrita na parede: 5 + 3 + 5 + (n-13).

Sem grande introdução à matemática geopolítica, aqui fica a tradução:

5=os cinco grandes da célebre mesa do “acordo” (EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul);

3=os três grandes politicamente eclipsados (Europa, Rússia e Japão);

5=o eixo bolivariano-castrista (Venezuela com a voz marcante de uma Claudia Salerno Caldera muito activa, Cuba, Bolívia e Nicarágua, apoiados pelo muito recomendável Sudão) dos “marginais” deixados a falar sozinhos pelas grandes potências emergentes, o que significa que já nem para compagnons de route servem nomeadamente das estratégias chinesa e brasileira;

N-13=as outras partes da cimeira, o residual geopolítico, com destaque para a projecção alcançada pelos pequenos países insulares, as vítimas da linha da frente dos 0,8 ºC de aquecimento global já verificado, com destaque para a Alliance of Small Island States (22 países, onde se incluem os arquipélagos africanos de língua oficial portuguesa e Timor-Leste) e para o activismo de Tuvalu (tv., na nomenclatura da Internet, onde muitos domínios estão registados, como o do geoscopio.tv e de gurusonline.tv), pequeno estado com 10 mil habitantes ao longo de 24 km.

Antiglobalismo ferido de morte?

Fora das mais de 190 “partes” sentadas nas cadeiras da cimeira, fica, também, a constatação de que o movimento antiglobalização perde fôlego, mesmo quando “colado” a temas como o da mudança climática, onde frutificou ao longo dos anos um mosaico de movimentos ambientalistas hoje globais.

O movimento antiglobalista perdeu, também, a sua projecção no xadrez das grandes potências, por dois movimentos que, como uma tenaz, o apertam, e amanhã o poderão asfixiar.

Por um lado, a assumida estratégia autónoma de grande potência do Brasil (que albergou inclusive o Fórum Social Mundial de Porto Alegre, como espaço alternativo) que deixa os antiglobalistas sem um padrinho de peso.

Por outro, o surgimento da franja contestatária bolivariana-castrista que pretende alcandorar-se a líder da luta antiglobalista, reduzindo a margem de manobra dos movimentos antiglobalistas.

Em certo sentido simbólico, o movimento antiglobalista é outro dos derrotados pela mesa dos Cinco.

Olhando a Cimeira pelo lado dos símbolos – e não do tecnicalês que tanto entusiasmou e depois frustrou as desgraçadas ilhas do Pacífico, por exemplo, que estão na linha da frente para serem engolidas, e os ambientalistas e jornalistas com causas -, o que mais me intrigou foi a famosa mesa dos Cinco. Take a look para a famosa mesa.

As narrativas são distintas sobre essa mesa que apareceu nas televisões como a bóia de salvação do acordo.

Filme de espionagem

Numa versão heróica, quase de filme de espionagem, conta-se que Obama e Hillary interromperam, abruptamente, uma reunião secreta dos líderes da China, Brasil, Índia e África do Sul, e que lhes impuseram a presença americana, dizendo-lhes claramente que os EUA não admitiam que negociassem em segredo.

Em outra versão, mais moderada, Obama e Hillary dirigiam-se para uma reunião com o primeiro-ministro chinês e apanharam com os outros companheiros na rodada, trazidos pelo chinês – ou, então, os ditos fizeram-se de “penetras”.

Conta-se, também, que Obama e Hillary vinham de reuniões, nomeadamente com os eufóricos e resilientes líderes da União Europeia (“não arredamos pé”, ouviu-se nos ecrãs os líderes europeus dizerem), suportados, assim, por um acordo transatlântico, em que, sabe-se lá, os russos também apostaram os seus ovos.

Obama triunfou?

Em qualquer das versões, a figura americana não sai muito beneficiada, apesar de perante os media internacionais globais o dedo de Obama e o braço da senhora Clinton saírem como os “salvadores” do projecto de acordo num tête-à-tête com a China (o famoso G2, a que já me referi). Obama ganhou pontos em soft power, diz-se.

Mas será mesmo assim?

A China manteve a sua cláusula de excepcionalidade – não cedeu um ponto nisso (o que é mau para a democratização da China, mas bom para o poder em Beijing). A verificação internacional será, apenas, para iniciativas financiadas colectivamente, tanto quanto se entende do tecnicalês do documento conhecido (ver ponto 5).

E conseguiu reunir à mesma mesa de Copenhaga – uma mesa que ficará célebre; ainda nos arriscamos a vê-la leiloada na Web – os seus apoios estratégicos centrais no mundo de hoje neste tipo de matérias, a Índia (quinta potência mundial) e o Brasil (nona potência mundial). E “puxaram” uma potência africana, a África do Sul, que fruto de circunstâncias acidentais, poderá superar, assim, o facto de, num ranking de poder global (em que a Europa ainda surge espartilhada pelos seus membros), se situar no 34º lugar.

Os BRIC (acrónimo para Brasil, Rússia, Índia e China, inventado pela Goldman Sachs), decididamente, em Copenhaga, a 18 de Dezembro, passaram, finalmente, a BICA (não a nossa, de café, mas o acrónimo para Brasil, Índia, China e África do Sul, ou, se quiserem, por ordem decrescente de poder real, CIBA). Para além do G2, será este o novo figurino do mundo da great power politics?

Europa, um grupo de gaiatos excitados e humilhados

A União Europeia (cujo poder global é difícil de avaliar, dado continuar, na realidade, a ser um mosaico de potências, com a Alemanha e a França à cabeça, em 6º e 7º lugares no mundo, logo a seguir à Índia) e os russos (a Rússia é, ainda, a terceira potência em poder global, apesar da grande quebra depois da implosão da URSS) foram eclipsados.

Se calhar estes últimos compreenderam, logo, que les jeux sont faits, e Medvedev pôs-se a andar, evitando a humilhação em directo (deixando o assessor para o clima), enquanto os líderes dos diferentes países da UE ficaram por ali, cirandando, à espera de breaking news. Triste figura, de facto.

De qualquer modo, para Obama e Hillary deixar o outro lado do Atlântico na esquina como gaiatos excitados e depois humilhados não é bom conselho.

O que, no entanto, torna gritante a incapacidade política global de líderes europeus em isolado – como Angela Merkel, Gordon Brown e Sarkozy – ou dos nomeados para cargos de representação colectiva europeia, como o presidente da Comissão Europeia (José Manuel Barroso) ou o presidente da União Europeia (de que nem ainda fixei o nome, I am sorry).

A Europa sofre de um problema grave de liderança, de facto. Os personagens em curso são francamente inaptos no actual jogo mundial – Copenhaga está aí para nos dar um sopapo na cara. A Europa precisa, de facto, de um abanão.

O Japão, apesar de ainda ser a quarta potência do mundo em poder geopolítico, não existiu nas fotos nem nas mesas. O risonho actual primeiro-ministro por ali passou, mas só se deu conta que desembolsará dinheiro para um fundo – Green Climate Fund – de 30 mil milhões de dólares para o período 2010-2012. Onde, segundo os valores já adiantados, o Japão colocará 11 mil milhões, a Europa pouco mais de 10 mil milhões, e os EUA apenas 3,6 – ou seja, um paga pouco para mandar e os outros dois pagam o grosso do esforço para ver. Notável, de facto.

Pois, o mundo mudou. Se não se tinham dado conta, a cimeira de Copenhaga, mais do que fórum da mudança climática, foi uma lição de aritmética geopolítica.

Nota: As avaliações aqui feitas sobre o peso geopolítico das várias grandes potências baseiam-se no estudo pioneiro dos investigadores portugueses Fernando Fonseca e Fernando Gonçalves (no prelo).

O presidente da Reserva Federal americana considerou os bancos “demasiado grandes para falir” como um grave problema por resolver que a América herda de 2009. O que foi considerado por vários analistas como suprema desfaçatez de quem promoveu a concentração do capital financeiro ao longo desta Grande Recessão. A revista Time que o elegeu hoje a personalidade do ano, puxou essa afirmação de Ben Bernanke para título da entrevista que lhe fez.

Hoje foi um dia que Ben Bernanke, presidente da Reserva Federal (FED) norte-americana, não esquecerá pois recebeu antecipadamente no sapatinho de Natal duas prendas.

É a Personalidade do Ano (os americanos abreviam e designam o prémio ironicamente pelo acrónimo POTY – Person of the Year) da capa da revista Time e viu a proposta do presidente Obama de o reconduzir no cargo para um segundo mandato até 2014 passar no Comité de Finanças do Senado americano por 16 votos a favor contra 7 (um da maioria democrata e seis da minoria republicana).

Segundo a Intrade – The Prediction Market, na bolsa de apostas entre os traders da Wall Street antevê-se em 96% a confirmação do novo mandato de Ben pelo Senado na votação final na terceira semana de Janeiro de 2010, ainda que se espere um debate acalorado e muitos “não”, pois o presidente da Reserva Federal conta com inúmeros opositores. O actual mandato termina a 31 de Janeiro próximo.

Alguns analistas estimam que Bernanke poderá ter 20 votos negativos no Senado, mais do que os votos contra que Paul Volcker, ex-presidente da FED, recebeu em 1983. Na opinião pública americana, segundo uma sondagem deste mês da Rasmussen Reports, 41% estão contra Bernanke e apenas 21% o apoiam.
Na entrevista que ele concedeu, esta semana, à revista Time, acabou por eleger o principal problema pendente em 2009 que transitará para o próximo ano: “Quero ser muito, mesmo muito claro: demasiado grande para falir [no original too big to fail, ou TBTF, no acrónimo em inglês que se popularizou entre os comentadores] é um dos maiores problemas que enfrentamos neste país, e deveremos tomar medidas para eliminar o demasiado grande para falir”. A Time, aliás, puxou esta resposta para título da peça.

Analistas estupefactos com afirmação de Ben

Esta afirmação de Bernanke deixou vários analistas estupefactos. “Não foi este mesmo presidente da FED que possibilitou a aquisição de Countrywide pelo Bank of America? Será que hoje, actuaria de um modo diferente? Não o ouvi dizer, agora, que essa aquisição foi um erro”, diz-nos, escandalizado, David Kotok, presidente do think tank mundial Global Interdependence Center.

Um estudo recente, divulgado pela Bloomberg, revelava que os activos dos bancos americanos aumentaram 20% desde o início de 2007, o ano em que se iniciou a crise. Temos estado a assistir a um processo de concentração do capital financeiro: “O que têm feito nos últimos dois anos é tornar os bancos que se aguentam ainda maiores”, conclui, por seu lado, David Lascelles, co-fundador do think tank inglês Centre for the Study of Financial Innovation.

O analista Peter Cohan discorda mesmo da ideia: “Se se quer ser sério sobre o TBTF, penso que se deverá querer partir os grandes bancos quando houver investidores que peguem nos pedaços. Ou seja, por outras palavras, durante um período de expansão económica”.

Escolha surpreendente

Ben Bernanke ganhou a corrida na Time para Personalidade do Ano a uma short list que continha, de novo, Obama (que foi capa de 2008), a chancelerina alemã Angela Merkel, Steve Jobs, o co-fundador da Apple (que esteve para ser Homem do Ano em 1982, mas acabou por ser vencido pela figura do computador que acabou como Máquina do Ano), Stanley McChrystal, o comandante americano no Afeganistão, Usain Bolt, o corredor da Jamaica, e as figuras colectivas dos Piratas somalis e dos manifestantes iranianos anti-ditadura. Na opção dos leitores da revista, os três mais votados foram os manifestantes iranianos, Obama e Steve Jobbs.

No entanto, a surpreendente escolha editorial foi para Bernanke que disputou as inclinações a Nancy Pelosi, a speaker da Casa dos Representantes do Congresso americano, e à figura colectiva do “Operário Chinês” (simbolizando a capacidade da China em ano de grande recessão manter o seu crescimento alto, o famoso baoba, o slogan de “proteger o oito”, ou seja os 8% de crescimento) que nem estavam na tal short list que serviu de base à sondagem.

A tradição de seleccionar o “Homem do Ano” começou em 1927. A lista completa pode ser consultada aqui.

Apesar do discurso crítico em relação à hegemonia dos Estados Unidos e ao dólar como divisa de reserva mundial ter aumentado de intensidade, o mundo aumentou ligeiramente em 700 milhões de dólares a sua posição como detentor de títulos do Tesouro norte-americano entre Setembro e Outubro.

Desde Janeiro, aumentou 426,5 mil milhões de dólares, com destaque para as compras por parte de chineses e japoneses, os dois maiores “clientes” do Tesouro. A interrogação, agora, neste último trimestre, é saber se esta tendência se inverteu.

O aumento muito ligeiro em Outubro deveu-se ao facto da China ter mantido a sua posição (sendo o líder mundial de detentores de títulos do Tesouro americanos com 798,9 mil milhões, 23% do total) e do Japão (21% do total) e do Reino Unido (6,5%), os titulares seguintes, terem diminuído as suas posições, respectivamente, em 5 mil milhões e 18,6 mil milhões de dólares.

A atitude de venda do Japão e do Reino Unido e a manutenção da posição chinesa em Outubro são sinais de incerteza.

Não me vou pronunciar sobre os aspectos científicos, técnicos e de políticas sobre a magna questão. Deixo isso para os especialistas dos dois lados do Rubicão fracturante em que o clima se tornou.

Interessam-me os sinais. A olhar para os títulos mais repetidos nos media fica uma ideia básica: assistimos ao primeiro braço de ferro entre as duas superpotências desta primeira metade do século XXI. Estados Unidos e China foram, nestes dias, o G2 que monopolizava as manchetes e as breaking news.

À última da hora, a secretária de Estado Hillary Clinton tirou da cartola de Obama uma última proposta, cuja primeira reacção dos chineses foi positiva, segundo a Reuters.

Resta saber se, para além das finanças em jogo, os chineses aceitarão o princípio da “transparência”, da verificação transnacional, uma concessão política à globalização das instituições que pode ser um tiro mortal (arrisco) sobre um dos princípios do totalitarismo, o seu excepcionalismo em matéria de audit independente.

Segue para a ponta final, hoje.

Depois de os ter apodado de “gatos gordos” (fat cats), o Presidente Obama reuniu ontem (14 de Dezembro) na Casa Branca com os representantes do capital financeiro privado americano. Avisou-os de que pretende regular o sector e satisfazer algumas das reclamações da arraia-miúda empresarial e do homem da rua (Main Street) que culpa os “gatos gordos” pela crise.

Entre os convivas estava a nata da alta finança americana, entre eles Ken Chenault, presidente e CEO da American Express, Jamie Dimon, presidente e CEO do JP Morgan Chase, Ken Lewis, Presidente do Bank of America e Gregory Palm, vice-presidente executivo da Goldman Sachs. Lloyd Blankfein, president e CEO da Goldman Sachs, John Mack, presidente e CEO do Morgan Stanley, e Dick Parsons, presidente do Citigroup não conseguiram voar para Washington DC por causa do mau tempo.

Palavras duras presidenciais

A conversa girou em torno dos temas quentes dos últimos dias: a intenção da maioria do Partido Democrático fazer passar no Congresso americano legislação de controlo do sector financeiro, como não haverá memória desde os tempos de Franklin D. Roosevelt nos anos 1930, e as admoestações públicas do presidente contra o mau comportamento dos ‘gatos gordos’ da alta finança em plena crise.

O homem da rua reteve na memória de 2009 os bónus galácticos dos administradores e os lucros astronómicos, a continuação da concentração do sector em entidades financeiras cada vez mais gigantes (cada vez mais demasiado gigantes para falirem mesmo que estejam em insolvência confessa) e a nova euforia especulativa na Bolsa de Nova Iorque desde Março.

Obama tinha-se atirado no domingo aos “gatos gordos” com estas palavras duras: “Não concorri para a presidência para agora andar ao colo com um bando de banqueiros gatos gordos em Wall Street”, disse ele preto no branco no programa 60 minutos da CBS.

A reunião e as palavras usadas surtiram, aparentemente, algum efeito. O patrão do Bank of America, à saída da Casa Branca, anunciou que iria estender o crédito às PME em, pelo menos, 5 mil milhões de dólares em 2010. Por seu lado, o chefe da JP Morgan Chase garantiu que apoiará os objectivos da Administração Obama.

Correcção de tiro político na economia

Depois de vários meses focalizado noutros temas (como a reforma dos serviços de saúde), o presidente acabou por, ao 11º mês de mandato, se fazer porta-voz da Main Street e do small-business contra a Wall Street, contra a “imoralidade” dos bónus dos administradores do sistema financeiro e contra a falta de crédito bancário para a economia real.

Uma correcção de tiro político que já se começara a ver na estratégia para a extensão até Outubro de 2010 do programa anticrise conhecido pelo acrónimo TARP, que pretende dar prioridade, de futuro, aos desempregados das famílias hipotecadas e ao tecido empresarial de pequenos e médios negócios.

Uma guinada política que deverá levar outros governantes do social-financismo, nomeadamente na Europa, a reflectir sobre o seu significado.

O pacote de sexta-feira

As palavras duras de Obama seguiram-se à aprovação (223 contra 203, em que, note-se, 27 democratas votaram ao lado da totalidade dos republicanos) pela Casa dos Representantes do Congresso americano de um pacote de regulação financeira na sexta-feira passada (11 de Dezembro) que, agora, terá de passar no Senado pelo crivo de negociações até final do ano.

O pacote tem um conjunto de medidas que são tidas como atacando algumas manifestações do problema do financeirização, nomeadamente: uma nova agência governamental de protecção do consumidor face aos produtos financeiros (como se viu houve muito gato vendido por lebre e excessos no crédito ao consumo); a possibilidade do governo ordenar a divisão de entidades financeiras mesmo saudáveis se forem uma ameaça para o sistema financeiro no seu todo; os accionistas passarão a ter direito de voto na definição dos pacotes de compensações dos administradores; a agência FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) recolherá contribuições de grandes entidades financeiras para criar um fundo de 150 mil milhões de dólares para intervenções futuras de salvação de bancos.

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