A onça do metal precioso amarelo fechou a sessão de hoje com novo máximo histórico próximo dos 1090 dólares, depois de três semanas em movimentos de ziguezague. E no mesmo dia em que se soube que a Índia comprou metade do ouro que o Fundo Monetário Internacional tinha à venda.

A onça de ouro valia hoje no fecho da sessão 1084,6 dólares. É um novo máximo histórico, desde que a 13 de Outubro havia chegado aos1063,9 dólares, prosseguindo um movimento de subida que se vinha a verificar há mais de um mês. Nas três semanas seguintes, o preço sofreu oscilações, mas acabou, hoje, por galgar rapidamente mais dois patamares. A proximidade da onça a $1100 – de que falávamos no final do mês passado – gera, agora, expectativa.

Recorde-se que o preço do ouro voltou a ultrapassar a barreira dos $1000 em 8 de Setembro passado e superou o anterior máximo histórico de $1011 alcançado no dia da aquisição do banco de investimentos Bear Stearns pelo banco JP Morgan Chase em 17 de Março de 2008. Esta aquisição forçada foi o prelúdio do Pânico Financeiro que viria a despoletar em Setembro daquele ano na Wall Street.

Este comportamento do preço do ouro revela que as dúvidas sobre a retoma económica e sobre o mercado bolsista permanecem, o que leva investidores a agarrarem-se a este valor refúgio, independentemente do que dizem os políticos e os académicos.

Índia compra ouro ao FMI

Este novo recorde ocorreu no dia em que se soube que o Banco Central da Índia (BCI) havia adquirido, entre 19 e 30 de Outubro, cerca de metade das toneladas de ouro que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha colocado em venda fora do mercado, em negociações directas com bancos centrais.

O BCI adquiriu 200 toneladas das 403,3 que o FMI decidiu, em Setembro, alienar para realizar fundos. Por esta aquisição, o BCI pagou 6700 milhões de dólares (o equivalente a 4200 milhões de direitos de saque especiais). E, entretanto, desde a compra, já ganhou 35 cêntimos de dólar por onça.

A Índia saltou, assim, do 10º para o 7º lugar (depois da Zona Euro, EUA, FMI, China, Suíça e Japão) na classificação por reservas de ouro oficiais na posse dos bancos centrais (não incluindo os países da Zona Euro individualmente, mas apenas a Zona Euro no conjunto). Passou por cima de Portugal (se considerado individualmente) e do Banco Central Europeu. Aumentou de 357,7 toneladas para 557,7.

Este movimento da Índia é convergente com a postura das potências emergentes em relação ao metal amarelo. Os bancos centrais desses países estão a diversificar aplicações e a considerar o ouro como um activo estratégico. A Rússia já adquiriu, este ano, 48,9 toneladas (9% do seu total actual) e a China desde 2003 aumentou as suas reservas oficiais em 454 toneladas (43% do seu total actual), passando a ocupar o 4º lugar.

Recorde-se que a Índia é o maior mercado de ouro do mundo. As reservas totais, incluindo as em mãos de privados, somam 25 a 30 mil toneladas (45 a 54 vezes as oficiais nos cofres do banco central), o dobro do número para os Estados Unidos.