Ter 24 Nov 2009
Mercado do ouro ainda poderá aquecer mais – diário de bordo 49
Por JNR na secção Geoprotagonistas , Globalização , Inteligência Económica , O novo capital financeiroainda sem comentários
O sobreaquecimento no mercado do ouro poderá ainda receber mais achas. Uma hipótese, divulgada hoje num estudo em Singapura (Cingapura), aponta que apenas um acréscimo de 3 pontos percentuais no peso das reservas oficiais de ouro nas reservas totais de 8 países emergentes poderá provocar uma movimentação de 115 mil milhões de dólares.
O que poderá alumiar tal hipótese? Uma vontade política de oito emergentes em aplicarem dólares em ouro e diversificarem, mesmo que ligeiramente, as suas reservas. Uma decisão de impacto geoeconómico certo.
É, apenas, de 2,2% a média do peso das reservas oficiais de ouro nas reservas totais de um G8 de países emergentes, um grupo reunindo a China, Rússia, Índia, Brasil, Taiwan, Coreia do Sul, Hong Kong e Singapura.
O que compara muito desfavoravelmente com a média de um outro G8 formado pelos Estados Unidos, Japão, Banco Central Europeu, Reino Unido, Alemanha, Itália, França e Suíça, cuja média sobe aos 37,9%. No caso português, para dados do Banco de Portugal, de 2008, esse peso das reservas oficiais de ouro nas reservas totais seria de 34%.
Segundo um relatório, divulgado hoje em Singapura, oriundo da BlueGold Capital Management (um hedge fund domiciliado em Malta e criado há dois anos, muito activo em Londres e naquela cidade asiática), se o primeiro G8 emergente decidir politicamente aumentar o peso do ouro nas reservas totais em apenas 3 pontos percentuais, o que é considerada uma projecção muita conservadora, o mercado de compras de ouro seria “sobreaquecido” pela movimentação de 115 mil milhões de dólares (77 mil milhões de euros), a divisa em que está cotada a onça de ouro (que hoje cotava nos $1164).
O recente negócio feito pela Índia, adquirindo 200 toneladas de ouro ao Fundo Monetário Internacional, representa, apenas, 6% daquela hipótese.