Os analistas dos mercados deste metal precioso interrogam-se, agora, se a onça de ouro alcançará o patamar psicológico dos $1100.

A onça de ouro valia na terça-feira passada (dia 13 de Outubro de 2009) 1063,9 dólares, fixando um novo máximo histórico em termos nominais, prosseguindo um movimento de subida que se vinha a verificar há mais de um mês. Nos dias seguintes desceu ligeiramente.

Recorde-se que o preço do ouro voltou a ultrapassar a barreira dos $1000 em 8 de Setembro passado e superou o anterior máximo histórico de $1011 alcançado no dia da aquisição do banco de investimentos Bear Stearns pelo banco JP Morgan Chase em 17 de Março de 2008. Esta aquisição forçada foi o prelúdio do Pânico Financeiro que viria a despoletar em Setembro daquele ano na Wall Street.

Os analistas referem a ligação “umbilical” – ainda que não quantificável matematicamente – entre o comportamento do preço do ouro (fixado em dólares desde que o London fix adoptou esse método em 1950, abandonando a fixação em libras) e do valor do dólar. A relação é inversa.

O ciclo mais recente de desvalorização do dólar tem ocorrido desde Março de 2009 – em sete meses o índice do dólar da Reserva Federal americana caiu quase 10 pontos. Situa-se hoje nos 87,6345, ainda acima dos mínimos de Outubro de 1978 (84,1620), de Julho de 1995 (84,1516) ou mesmo de Fevereiro (85,8236) e Julho (85,6996) de 2008. O dólar tem, ainda, margem para cair até aos mínimos históricos.

A subida da onça de ouro até aos $1100 depende, assim, da continuação ou não do colapso do dólar, em virtude da fragilidade da saúde orçamental norte-americana e dos riscos de inflação ou mesmo hiperinflação no pós-crise.

Uma realidade económico-financeira que tem sido pressionada politicamente pelas desconfianças de muitos países do mundo, e em particular dos BRIC, em relação ao dólar como divisa internacional. Os analistas falam de “um sentimento altamente negativo face ao dólar”. Algumas propostas, a que já fizemos referência, sugerem que a par da criação de um cabaz de divisas de referência para além do dólar americano e do uso da unidade de conta do Fundo Monetário Internacional, os direitos de saque especiais (SDR, na linguagem técnica anglo-saxónica), se junte o ouro nessa rede de segurança.

A única solução é seguir atentamente os ziguezagues do dólar e os eventos políticos relacionados com as movimentações do G20.