As oscilações na Bolsa nova-iorquina estão a ser tão “selvagens” que a verdade ontem é mentira hoje. A volatilidade voltou a atacar Wall Street depois de oito meses de uma míni-bolha especulativa.

Na quinta-feira (dia 29 de Outubro), o dia nasceu radioso na América: foi anunciado que a economia crescera 3,5% no terceiro trimestre e que os cerca de 160 mil milhões de dólares de estímulos do American Recovery and Reinvestment Act teriam valido um pouco mais de 640 mil empregos, criados de novo ou evitados ao abate.

A retoma estaria, assim, confirmada, depois de quatro trimestres de quebras do PIB. O pior trimestre teria sido o primeiro de 2009 com uma quebra profunda de 6,4%. Esta viragem radical de curso (de 0,7% de queda no 2º trimestre para 3,5% de crescimento no 3º trimestre) teria sido a maior desde 1980, disse a economista Christina Romer, presidente do Conselho de Consultores Económicos do Presidente Obama. O desemprego teria sido poupado de subir além dos 7,2 milhões actuais.

A Bolsa de Wall Street reagiu, imediatamente, entusiasticamente: uma subida de 2% do índice Dow Jones, reaproximando-se da marca dos 10.000 pontos. Alguns analistas comentaram que era o “Waterloo dos bears”, ou seja a derrota final dos pessimistas da bolsa, à semelhança da batalha decisiva em 1815 que enterrou o projecto imperial de Napoleão Bonaparte perto da vila belga de Waterloo. Em suma, as Cassandras calar-se-iam.

Reviravolta de sexta-feira

Mas a realidade foi madrasta. Inesperadamente, a Wall Street, no dia seguinte, hoje (30 de Outubro), derrocava moderadamente – não foi uma sexta-feira «negra», mas marcadamente de um cinzento-escuro. O Dow Jones Industrial Average (DJIA) e o Nasdaq (o índice das tecnológicas cotadas) caíam 2,5% e outro índice, o S&P500, um pouco mais, 2,8%. O DJIA voltava ao terreno dos 9.700 pontos, tendo caído quase 250 pontos na sessão de hoje.

O DJIA tem ultimamente flutuado numa banda entre 9700 e 10.000 pontos desde 6 de Outubro. Fruto da vaga altista desde Março, este índice havia ultrapassado a barreira dos 10 mil pontos em 14 de Outubro, gerando uma onda de euforia.

Contudo, alguns baldes de água fria têm moderado o frenesim bolsista. O índice acabou por fechar esta semana quase 300 pontos abaixo da marca dos 10.000 pontos.

As interrogações dos analistas independentes dirigem-se agora para saber se o DJIA se consolidará acima dos 10.000 pontos, mantendo a tendência altista (ainda que esteja longe do máximo de Outubro de 2007, quando atingiu mais de 14.000 pontos), ou se as oscilações se vão agravar como sintoma de que a mini-’bolha’ (50,48% de valorização do DJIA desde o ponto mais baixo em 9 de Março passado ou de 58% no caso do índice S&P500) poderá não aguentar-se.

Petróleo com oscilações selvagens

Confusa é, também, a situação do preço do petróleo, uma commodity estratégica. A Goldman Sachs alvitrou que o preço do barril de crude poderá situar-se nos 85 dólares no final do ano, dez dólares acima do limite da banda fixada pela OPEP. O preço do crude tem oscilado, ultimamente, com significado nos dois mercados (Londres e norte-americano) de referência.

O comportamento destes preços voltou, também, a “oscilações selvagens”, como referem os analistas do sector. Hoje sexta-feira o preço do crude fechou entre 3,6 e 3,9% abaixo do dia anterior, enquanto ontem havia subido 3,1% em relação a quarta-feira. Outras oscilações similares ocorreram durante a semana.

Depois de ter passado os $81 por barril (na variedade WTI americana) em 21 de Outubro, voltando a um patamar que já não se observava desde princípios de Outubro de 2008, o preço do barril acabou por fechar a semana nos 77 dólares nos EUA e nos 74 dólares no caso do Brent, variedade de referência na Europa.