A Reuters noticiava na sexta-feira passada (23 de Outubro) que o organismo estatal russo repositório de metais preciosos e minerais, o Gokhran (criado pelo czar Pedro, ‘O Grande’, e que depende do Ministério das Finanças), iria proceder a uma venda de 20 a 50 toneladas de ouro. Onde as colocaria em venda e a que entidades poderia vendê-las não foi revelado.

O objectivo seria encaixar entre 700 milhões e 1700 milhões de dólares, com vista ao financiamento do défice orçamental russo, que já vai nos 5,9% para os primeiros oito meses de 2009 e poderá chegar ao 7,8%.

Contudo, ontem (27 de Outubro), a agência oficial de export-import para os metais preciosos, encarregada da alegada operação, a Almazjuvelirexport, veio suspender o anúncio de venda, alegando fuga de informação.

Os analistas do portal independente Le Metropole Café advertem que pode ter-se tratado de uma jogada de mercado dos traders oficiais russos. Agitar uma venda com significado para pressionar em baixa o preço da onça que esteve entre os 1050 e os 1065 dólares (atingindo um máximo histórico de fecho a 13 de Outubro, nos 1063,9 dólares por onça), para, de seguida, proceder a compras por um valor mais baixo, actualmente na banda dos 1030-1040 dólares.

Recorde-se que o Banco Central russo (formalmente independente do Governo) dispõe de 568,4 toneladas de ouro em reservas oficiais, uma vez e meia mais do que as portuguesas, 7% das norte-americanas e 17% das alemãs, segundo dados de Setembro do World Gold Council (WGC). O Banco central russo terá aumentado as suas reservas oficiais declaradas em cerca de 48,9 toneladas ao longo de 2009 (com uma compra mais significativa de 18,3 toneladas em Julho), segundo dados do WGC de Setembro.