Qui 24 Set 2009
Proteccionismo continua em alta, G20 não cumpre promessas – diário de bordo 34
Por JNR na secção Globalização , Inteligência Económica , Sociedade abertaainda sem comentários
No dia em que se inaugura nova cimeira do G20, um relatório de «choque» revela que quase 300 medidas discriminatórias foram anunciadas e mais 134 estão pendentes desde a realização da reunião anterior em Novembro do ano passado. Os países emissores de mais medidas proteccionistas são a Rússia e os Estados Unidos e os principais alvos têm sido a China e os EUA.
Apesar do discurso anti-proteccionista e pelo comércio internacional sem barreiras que as cimeiras do G20 têm incentivado, 281 medidas discriminatórias (não legítimas; uma medida legítima pode ser uma respondendo a dumping de terceiros) foram anunciadas em todo o mundo, das quais 165 estão em curso e são consideradas graves (código “vermelho”), divulgou hoje o Global Trade Alert (GTA), um relatório do Centre for Economic Policy Research (CEPR), uma entidade independente sediada em Londres.
O relatório do CEPR, sugestivamente intitulado “Promessas não cumpridas”, aponta que, cerca de uma centena de medidas graves em curso, são originárias dos próprios membros do G20. Os países do G20 campeões na emissão de medidas proteccionistas são a Rússia e Estados Unidos bem destacados, seguidos pela Alemanha, Indonésia, China, Canadá, Índia e Reino Unido. Os principais alvos deste tipo de medidas são a China (sendo a Rússia o principal emissor de medidas antichinesas), Estados Unidos, Alemanha e França. No período estudado, o país membro que não tomou medidas consideradas graves foi a Turquia.
O GTA foi lançado em Junho deste ano e já investigou 425 decisões estatais relativas ao comércio internacional. Apenas 40 foram consideradas medidas liberalizadoras do comércio, ou que promoveram a transparência nas trocas comerciais. A conclusão do relatório é arrasadora: “O balanço global aponta para uma série de iniciativas planeadas e implementadas para reduzir as oportunidades de parceiros comerciais estrangeiros e com vista a inverter a tendência dos últimos 25 anos para um comércio de fronteiras abertas. O número de medidas proteccionistas ultrapassa as medidas liberalizadoras numa proporção de 5 para 1”.
O relatório conclui que, até à data, apenas 5% das categorias de produtos e 20% dos sectores económicos têm estado a salvo da vaga proteccionista.