Com a onça de ouro nos mercados a 1010 dólares e com perspectivas de continuar a subir, o Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu colocar à venda, por fases, 403,3 toneladas métricas de ouro das suas 3217 toneladas de reservas (as terceiras mais importantes do mundo, depois das dos EUA e da Alemanha).

A decisão de venda foi tomada na anterior cimeira do G20 em Abril em Londres. O objectivo é equilibrar as contas do FMI que espera atingir um défice anual de 400 milhões de dólares em 2010. O plano de médio prazo é poder obter um encaixe que alimente os 6 mil milhões de dólares necessários para os projectos de empréstimos aos países de baixo rendimento, bem como ocorrer ao renascido papel do FMI como “bombeiro” mundial de países mais afectados pela crise global (como ocorreu com a Islândia e o Paquistão).

Ao preço actual da onça de ouro, esta venda das mais de 400 toneladas (cerca de 13 milhões de onças) poderá render 13 mil milhões de dólares. As vendas serão dirigidas prioritariamente aos seus membros (186 entidades), especulando-se que haverá uma “corrida” de parte dos BRIC, nomeadamente China (que tem reforçado as suas reservas em ouro, sendo actualmente o quinto país em reservas de ouro), Índia e Rússia (9º país em reservas de ouro, que já adquiriu, entre Janeiro e final de Julho, 48,9 toneladas). O ouro poderá, também, ser vendido no mercado aberto, o que será feito com pré-aviso e faseadamente. O FMI prometeu, também, adoptar uma política transparente, dando conta das operações.