A história do pós-Guerra terminou hoje. Entrámos oficialmente no depois do Século Americano. Comunicado dos vinte líderes sela a mudança.

“Hoje designamos o G20 como o primeiro fórum para a cooperação económica internacional”, assim fecha o comunicado oficial de mais de 80 pontos assinado pelos vinte líderes na cimeira de Pittsburgh. O encontro decidiu que o grupo passe a reunir anualmente depois de 2010 e para já convocou três cimeiras sucessivas, uma no Canadá em Junho do próximo ano, outra na Coreia do Sul em Novembro seguinte, e outra para França em 2011.

“O facto mais importante foi a simples ascensão – em menos de um ano – do G20 como o mais importante comité mundial. O significado geopolítico é que os grandes países em desenvolvimento estão, agora, claramente representados na governação global, de onde o G7 e o G8 sempre os haviam excluído”, diz-nos Jeffrey Frankel, professor da Kennedy School of Government, da Universidade de Harvard, como primeira reacção à cimeira de Pittsburgh, que decorreu a 24 e 25 de Setembro. Antes do começo do evento, William Thomson, fundador de uma empresa transnacional de análise financeira, sediada em Hong Kong, recomendava que “se desse um enterro decente ao G8, essa irrelevância sem esperança”.

Muitos encararam a queda do Muro de Berlim ou, depois, os atentados terroristas às Torres Gémeas em Nova Iorque, como o fim de uma era e o princípio de um novo quadro geopolítico radicalmente diferente. A história do pós-Guerra terminou, no entanto, hoje: a cimeira de Pittsburgh “entronou” o G20 como cúpula mundial. E com esta mudança, por paradoxal que pareça, é o fim do ‘Século Americano’ decretado por Henry Luce em 1941 e da ilusão da superpotência “sozinha” imaginada por Francis Fukuyama no ensaio ‘O Fim da História’ (1989).

A ironia da História é que a “transição” é feita em solo americano e sob os auspícios do próprio presidente Obama, o primeiro chefe de estado da ainda superpotência a gerir o início do período mais complexo que vai atravessar a América.

Entrámos, oficialmente, no Depois da América (After America) – o título do polémico livro de Paul Starobin publicado recentemente nos Estados Unidos, que nos concedeu uma entrevista que pode ser lida aqui (em inglês). “É um reconhecimento ainda que tardio, mas significativo, do declínio da hegemonia americana e do surgimento de novas ‘polaridades’ fora do tradicional clube dos ‘ricos’. É um bom sinal de que a Administração Obama está a ‘acomodar’ a tendência, em vez de uma resistência obstinada”, sublinha.

O comunicado da cimeira pode ser lido aqui.